segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

DESEJO A TODOS VOCÊS!!!!!!!

O que seria de nós se não fossem os poetas?
Como expressar belas palavras sem a inspiração que só mesmo um Drummond conseguia ter?
Nestes momentos, só mesmo recorrendo a eles – os poetas.

O que fazer quando se quer fugir ao óbvio ululante do “... felicidades em 2009”?
O que fazer se não se tem nenhuma frase de efeito para enviar?
Se não quero enviar (nem receber) aquelas mensagens enfadonhas lair-ribeirianas/paulo-coelhianas? O que faço? Envio, mais uma vez, este poema de Drummond – belo pela singeleza.

Não pretendo dar lições e conselhos, até porque não sou talhado para isso. Drummond, sim, este nasceu pronto para nos ensinar algo.
Como dizer às pessoas que façam (ou não) coisas que eu mesmo não sei se as farei.
Também, não vou sugerir que sejam politicamente corretas, até porque sei que em vários momentos terei (quererei) não sê-lo.
Porque pedirei às pessoas que mudem, se eu não poderei (ou não quererei) mudar em alguns aspectos da minha vida?


Por isso tudo, me valho de Drummond....

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

CRÔNICA DE NATAL


Minha filha me perguntou se Papai Noel existe mesmo e se tem dinheiro para comprar todos os presentes que crianças do mundo todo lhe pedem.


Pensei bem e decidi que não iria ser o portador da má notícia, pelo menos não agora. Confesso, foi uma atitude cômoda, pois bem sei que a vida se encarregará de dar essa e outras tantas más notícias para ela.


Aderi ao “espírito de natal” e disse que Papai Noel existe para quem nele deseja (ou precisa) acreditar. Já sobre a saúde financeira de Babbo Natale disse que ele não foi, ainda, atingido pela crise econômica que assola o mundo. Mas, daí tive que explicar o que é essa tal crise e onde ficam os Estados Unidos e porque lá tem neve e faz frio.... Foi um festival de “porquês” que resolvi voltar ao início da conversa.


Mas, minha filha não sacia facilmente sua curiosidade e lançou outra questão difícil:
- Papai, porque os adultos desejam um monte de coisas boas para todo mundo no natal?
E eu:
- Well, well, Clara...
Fui sincero:
- Filha, não sei por que deixamos para fazer apenas no final do ano aquilo que deveríamos fazer pelo menos uma vez por mês.


O Natal é uma coisa engraçada mesmo, até os ateus comemoram o natalício de Jesus Cristo.


Muitos, que se sentem “obrigados” a viver nas modernas sociedades de consumo, racionalizam e dizem que a data é apenas uma invenção para acelerar as vendas. No entanto, atire a primeira pedra quem ainda não se refestelou das comidas e bebidas feitas para comemorar o genetlíaco de Cristo.


Aliás, diria minha filha, um aniversário não deveria ter bolo, velas, bolas, pipoca, palhaço e os “parabéns a você”? Acho que não. Quem vai comemorar 2008 anos deve ter uma festa diferente.


Enfim, e por via das dúvidas, Papai Noel virá sim trazer o presente de Clara. Ela até fez uma carta para ele. Pensei em mandar uma mensagem para
papainoel@santaclaus.com, mas, decidi ser tradicional e coloquei a missiva nos Correios.


São Nicolau virá sim trazer a bicicleta que ela encomendou. A única dúvida é como ele fará para entrar no nosso apartamento, pois não temos chaminé. E mesmo que tivéssemos, não tem espírito natalino que faça passar um homem tão gordo por um espaço tão pequeno. Sem contar que o portão da entrada fica fechado a partir das 22 horas.


Não tem jeito, ele virá pela varanda. Os quase 10 metros que nos separam do chão não devem ser empecilho para quem voa de trenó, puxado por renas, compra presentes sem ter dinheiro e vive na Lapônia cercado de duendes.


Enfim, que Papai Noel exista enquanto minha filha puder nele acreditar!


E, para todos, felicidades e que bons momentos aconteçam em profusão.

domingo, 21 de dezembro de 2008

UM PAÍS DE MACUNAÍMAS!

O jornalista Juca Kfouri, em sua coluna deste domingo (21/120/08) na Folha de São Paulo, faz aquilo que muitos não tem coragem e/ou interesse em fazê-lo. Afirma que somos um país de Macunaímas (o herói sem caráter, lembram?), pois ao aceitarmos passivamente esse estado de coisas erradas que aqui acontecem somos, pelo menos, coniventes. Juca fala que "talentos não nos faltam, basta ver Kaká, Cielo, Maurren, Fofão, Giba. Só faltam valores". Ficamos inconformados com políticos corruptos (aliás, eleitos por nós mesmo), mas não vemos problema algum que um juiz de futebol seja subornado, desde que para favorecer o nosso time; como também não vemos dificuldades em furar a fila ou ultrapassar o sinal vermelho, pois a nossa justificativa é sempre mais justa do que do outro; e o que dizer de mania recorrente de achar que os fins justificam os meios? Enfim, a Lei de Gerson parece, ainda, ser uma regra quando deveria ser uma excessão.

A MELHOR imagem do Brasil em 2008 é a pior imagem do Brasil em 2008: a imagem do roubo de mantimentos enviados para socorrer os flagelados de Santa Catarina.

Até então, quem sabe, a melhor imagem era a de César Cielo emocionado no lugar mais alto do pódio em Pequim. Ou a de Maurren Maggi, na mesma altura. A das meninas do vôlei também era forte candidata, por tudo o que significava de virada, assim como a da saltadora. Mas não.

Nada mais revelador da alma brasileira do que aquele pessoal surrupiando o fruto da generosidade de alguns em proveito próprio. E, não tenha dúvida, na complexidade da alma brasileira, alguns dos larápios seriam também capazes de fazer doações para serem apropriadas por outros semelhantes. Ora, afinal, pensou um deles, "este tênis aqui é bacana demais para dar para um desabrigado que está precisando mesmo é de uma galocha".

Já o outro achou que "esta camisa é muito elegante para quem não tem nem onde morar e dá pena pensar em vê-la toda amarfanhada. Nem vai durar...". Mais ou menos como achar legal ganhar um jogo com gol de mão, em impedimento e no último minuto.

Ou não se importar que as pessoas se perpetuem no poder, ainda mais se fizerem algo de bom, mesmo que roubem. Porque fazem, né não? Pois não é que neste país se assiste num ano ao escândalo do Pan-2007 e se aplaude a candidatura olímpica na temporada seguinte? Até se bajula a filha do cartola que virou cartolinha para fazer a Copa do Mundo com o nosso dinheiro!

Talvez por isso a melhor frase do esporte nacional em 2008 tenha ficado praticamente inédita até hoje, dita, em Pequim mesmo, pelo jornalista Roberto Salim, da ESPN Brasil, ao ministro do Esporte, Orlando Silva Jr.: "Você envergonha a sua raça, o seu partido, o esporte brasileiro e todos os que acreditaram em você".

Porque também são raros os brasileiros capazes de externar sua indignação com tamanha clareza. A regra é ficar inconformado com o que houve em Santa Catarina, mas fechar os olhos quando em troca de um privilégio, seja de que ordem for, algo que os meios de comunicação também fazem. Tanto que, por exemplo, Dunga apanha mais por suas qualidades do que por seus defeitos, embora tenha trocado algumas delas para sobreviver na função. E que ninguém imagine que aqui esteja sendo feita a apologia do brasileiro perfeito, ou do homem perfeito, porque certas ilusões, nestas alturas, não cabem mais.

Apenas se constata que de nada adiantam surtos de indignação quando a prática diária é a de empulhação. A de levar vantagem. A de mentir. De se juntar com quem não presta para se dar bem, porque o mundo é assim mesmo. A de querer o cara no time, não para casar com a filha. Só que esses caras são tão envolventes em sua falta de compromissos morais que terminam se casando com as filhas dos espertos e acabam por fazer um país. Um país de Macunaímas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

40 anos do Ato Institucional n° 5

O AI-5 e as responsabilidades de cada um
por Marcos Guterman

O Ato Institucional número 5, que mergulhou o Brasil de vez nas trevas da ditadura, está para completar 40 anos. Em meio aos inevitáveis debates sobre as conseqüências dessa ação nefasta, Tarso Genro, ministro da Justiça, disse considerar um “mito” a idéia segundo a qual o AI-5 tenha sido responsabilidade exclusiva dos militares.

“Temos que acabar com esse mito de que o AI-5 da ditadura é responsabilidade de um grupo de militares ou das Forças Armadas”, afirmou Genro. “É claro que as Forças Armadas tiveram papel fundamental, mas o AI-5 teve apoio civil, de pessoas, de ministros, de juristas que redigiram o AI-5, que deram fundamentações para a arbitrariedade.”

De fato, o AI-5 foi produto de um processo histórico do qual os militares foram o trecho final, embora nem por isso esse papel possa ser considerado menor, como sugere o ministro. A história da ditadura não poderia ser contada sem levar em conta o “apoio civil” de que fala Genro, sobretudo de uma classe média apática e de um empresariado que via na ditadura tanto uma forma de afastar o perigo comunista como de abrir oportunidades para bons negócios.

O discurso de Genro, no entanto, pode ser lido como parte da tentativa de conciliação do governo Lula com os militares, uma aproximação que já fez o próprio presidente
elogiar Médici, de longe o mais duro dos líderes militares da ditadura. Em abril, Lula disse, em relação a Médici, que “cada um de nós tem uma coisa boa para oferecer, tem coisas ruins dentro da gente, e não poderemos ficar julgando eternamente as pessoas por um gesto, dois gestos, sem compreender outros gestos que as pessoas fizeram”.

Assim, com evidente boa vontade em relação aos militares, Genro afirmou que é preciso “superar essa idéia do ato como resultado de um aparato militar puro, para superar a ideologia falsa a respeito da ditadura e construir a democracia com segurança tanto para os civis e militares e na relação entre ambos”.

domingo, 7 de dezembro de 2008

CARTA CAPITAL
Torturadores na cadeia - 05/12/2008 - Celso Marcondes

Reproduzo abaixo os últimos e-mails que troquei com o leitor Antônio F., encerrando a série que começou há quatro dias. Não dei ao Antônio F. a oportunidade de expor claramente seus pontos de vista porque sou um ardoroso defensor da democracia. Fiz isso também para que os leitores de CartaCapital saibam claramente, sem qualquer subterfúgio ou censura, o que pensam parte daqueles que se opõem à abertura dos arquivos da ditadura e à punição dos torturadores.


Acho esta questão fundamental para o governo Lula. Do alto de sua aprovação recorde – mais de 70% de ótimo e bom segundo o Datafolha – não dá para deixar de lado este acerto de contas com nosso passado. Não é desejo de vingança, mas puro e simples desejo de justiça. Não, não é justo que os torturadores de ontem andem impunes por nossas ruas. Não, não é possível tolerar que a tortura ainda corra solta nas nossas delegacias. Tortura é crime de lesa humanidade, ponto final, não pode haver diálogo sobre isto.

Também não dá para escamotear a questão e vir com este papo de que os “terroristas” também têm que ser punidos. Não, não eram terroristas os que enfrentaram a ditadura militar. Terroristas foram os que derrubaram com as armas um governo eleito pelo povo e implantaram um regime de terror, que jamais consentiria que qualquer órgão de imprensa publicasse um diálogo como o que se travou aqui.

Nosso leitor Antônio F. escreveu aqui para quem quisesse ler “que preferia a ditadura militar que esta esculhambação que está aí”. Pede, veja abaixo, que a mídia denuncie “ambos os lados”. Que mídia, caro Antônio? Em que jornais, revistas, emissoras de rádio e TV você tem visto matérias pedindo a punição dos torturadores? Quisera eu que existisse um movimento real de apoio às posições dos ministros Paulo Vannuchi e Tarso Genro. Adoraria ver este debate nas páginas da Folha ou da Veja, na tela da Globo. Infelizmente a realidade é bem outra, caro leitor. Em nome da “paz” e da conciliação, a maioria pede que a memória e a verdade sejam apagadas. Eu quero poder publicar as fichas dos torturadores da ministra Dilma e de milhares de outros brasileiros.

Na semana que vem responderei ao que disse Antônio F. sobre o deputado Genoíno, preso e torturado no Araguaia. Enquanto isso não acontece, veja como nossa correspondência se encerrou:


Segunda-feira, 24 de novembro de 2008.
Celso,
Não sou militante em nada. Só que gostaria que a mídia denunciasse ambos os lados e não apenas um lado, aquele lado que não pode se manifestar. Daí a mídia pirata, com interessem escusos se vale pra manipular a cabeça da população e não mostra o outro lado da moeda. Sou um leitor assíduo da CartaCapital, ao menos não são todos os jornalistas, editores e outros mais, que são manipulados. O senhor leu a da semana passada? Sobre o feudo do MENDES lá no MT? O nosso ministro-mor do STF?
Antônio F.

Segunda-feira, 25 de novembro de 2008.
Caro Antônio F.,
Mídia manipulada, controlada e censura existia na época da ditadura. Hoje seus comentários, contrários ao meu, são publicados livremente no nosso site. Reafirmo minha opinião: os que o senhor chama de "terroristas" já receberam suas punições. Quem não recebeu foram os torturadores. Continue lendo CartaCapital, ninguém aqui é manipulado. Li a matéria sobre Gilmar Mendes.
Celso Marcondes

Segunda-feira, 24 de novembro de 2008.
Celso,
Você recebe algum tipo de indenização também?
Antônio F.

Segunda-feira, 24 de novembro de 2008.

Caro Antônio,
Não, Antônio. Acho que só merecem indenização os parentes dos mortos - dos dois lados - e os torturados.
Celso Marcondes

Segunda-feira, 24 de novembro de 2008.
Certo Celso, mas porque a mídia não fala dos terroristas? Ou essas pessoas com seus "ideais democráticos" que invadiram quartéis (comando militar do sudeste - morte do sargento Mario Kozel Filho) que furtaram fuzis do quartel de Quitaúna e muitos outros crimes mais: morte de militares a coronhadas etc. Porque não é divulgado pela mídia para que a população saiba que existiram torturadores e terroristas?
Antônio F.

Segunda-feira, 24 de novembro de 2008.
Antônio F.,
Por que os "terroristas" já foram punidos: mais de 300 foram mortos, milhares foram presos, torturados, exilados, perseguidos. Já os torturadores, nenhum sequer.
Celso Marcondes.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

DEBATES CAPITAIS

CARTA CAPITAL - Diálogos sobre a tortura - 02/12/2008 - Celso Marcondes

Foi realizado nesta segunda-feira um Ato Público exigindo a punição dos torturadores da época da ditadura militar. Na Assembléia Legislativa de São Paulo, sob coordenação dos deputados Paulo Teixeira e Simão Pedro, do PT, dezenas de pessoas, representantes de entidades sindicais e defensoras dos direitos humanos fizeram seu protesto. O ministro Paulo Vannuchi discursou, reafirmando sua expectativa de que presidente Lula determine a abertura dos arquivos da ditadura antes do final de seu mandato. Disse também que ele e o ministro Tarso Genro não são vozes solitárias no ministério em defesa desta posição e da necessidade da punição dos torturadores.
Porém, não é isso que tem sido veiculado na imprensa. Ficamos na torcida de que este isolamento dos dois ministros deixe de transparecer. O tema punição dos torturadores tem sido tratado regularmente por Carta Capital em suas páginas e site. É da maior relevância.
Nesta coluna tem gerado diálogos com nossos leitores que ilustram bem os eixos da polêmica. Um debate tem sido caloroso, aquele com o leitor Antônio F. Nas próximas edições desta coluna ele será compartilhado com os leitores, na ordem exata em que acontece. A primeira carta, Antônio F. escreveu logo depois que publiquei um artigo em defesa da punição aos torturadores:


Quarta-feira, 12 de novembro de 2008 Assunto: Tortura
Senhor Celso,
Para o senhor, o torturador tem que ser punido. E quanto aos terroristas? Terroristas esses que hoje na sua maioria estão aí no poder? Dilma, Genoíno e muitos mais? Que lei é essa que só ver um lado? Tem muitos jornalistas por aí que tão com a bunda gorda sentado numa confortável poltrona metendo o pau nos militares (militares esses muitos mortos por atentados terroristas) e recebendo uma gorda pensão do Estado. Falar é fácil, não é, meu senhor?
Antônio F.


Quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Prezado Antônio F.,
Obrigado pela mensagem. Esclareço meu ponto de vista: torturadores de ontem e de hoje têm que ser punidos.
E os “terroristas”? Se o senhor chama assim os guerrilheiros que pegaram em armas contra a ditadura militar que tomou o poder pela força das armas, eu avalio que eles estavam errados ao tentar responder desta forma ao regime de terror que o País viveu desde 64. Tão errados que não obtiveram apoio popular e foram literalmente massacrados pelos militares. TODAS as organizações guerrilheiras (as que o senhor chama de “terroristas”) FORAM DIZIMADAS entre 71 e 75. Não sobrou NADA delas.
Centenas de “terroristas” – e muitos que nem o senhor poderia enquadrar nesta nomenclatura, porque não usaram da força contra as Forças Armadas – foram assassinados ou presos e torturados ou perseguidos ou obrigados a sair do país durante muitos anos. Entre eles, a ministra Dilma e o deputado Genoíno. Os dois em particular pagaram muito caro pela opção que escolheram ambos foram presos e torturados. Hoje, é verdade, estão no poder. Mas estão fora dele outras centenas que não sobraram para contar a história. Ou seja, creio que os opositores ao regime militar já pagaram um alto preço por suas ações. Os que não pagaram foram anistiados, junto com os militares que apoiaram o golpe de 64 e derrubaram um governo eleito democraticamente.
Já os torturadores (que não eram todos os militares e policiais civis), inclusive os de Dilma, Genoíno, andam soltos entre nós e nunca receberam qualquer punição. Isso não é justo. Quanto aos jornalistas que receberam indenização do Estado: sou jornalista, combati o regime militar sem colocar uma arma na mão e acho que os únicos que merecem alguma indenização são os que sofreram torturas dos representantes do Estado ou os parentes dos mortos nas masmorras da ditadura. Mais difícil que falar, foi enfrentar aquele regime de terror há 40 anos.
Naqueles tempos qual era o seu lado senhor Antônio?



Na coluna de ontem iniciei a publicação do meu debate com o leitor Antônio F. sobre a questão da tortura durante a ditadura militar. Publiquei uma primeira carta do leitor, contestando um dos artigos desta coluna, em 10 de novembro, intitulado Torturadores de “terroristas” e minha réplica.

Abaixo publico o segundo “Diálogos”, com a tréplica de Antônio F. e um pequeno comentário meu. Amanhã tem outro.
Posições mais que explicitadas e acaloradas, aguardando uma decisão do governo sobre o tema e revelando fissuras e feridas latentes da nossa história.


Quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Senhor Celso,
Defendo seu ponto de vista, mas não abro mão do meu. O senhor Genoíno, Alfredo Sirkis, Dilma e outros mais, que lutaram contra a ditadura, ou dizem que lutaram, a meu ver nem tinham ideologia, eram mais uns agitadores, hoje estão aí se vangloriando de coisas que não fizeram; Fizeram sim: seqüestrar, roubar, matar em nome de seus ideais (será que os ideais dos mesmos estavam corretos?).
A ditadura na época não existia só no Brasil, era um regime adotado em quase toda a América Latina, na África (até hoje) e outros países do Oriente Médio e Ásia. Mas o que era a ditadura? Será que era tão ruim assim? O que os militares fizeram de tão mal a não ser defender os interesses do País e não permitir que fosse implantado um regime comunista? Regime esse que já se viu, não é benéfico para nenhuma Nação?
Não sou militar, mas SOU PATRIOTA, e posso dizer que: entre a DITADURA MILITAR e essa ESCULHAMBAÇÃO QUE TÁ AÍ, prefiro a primeira opção.
José Genoíno, pelo que sabe nunca foi torturado. Não sentiu nem uma dor na unha, o que se sabe dos militares (Sebastião Curió que diz que tem uma copia de declaração assinada de próprio punho pelo Genoíno) e que ele foi sim UM TREMENDO DEDO DURO, entregou todo mundo, as células TERRORISTAS, sem ser preciso tocar no mesmo, demonstrando o quão covarde foi o mesmo.
Os anistiados, políticos, jornalistas e muitos mais que tão aí mamando nas tetas da Nação, muitos não perderam nada no regime, tais como CARLOS HEITOR CONY E muitos mais que tão aí recebendo sua gorda pensão; Os que morreram no Araguaia e nas zonas urbanas, os que realmente lutaram, sou a favor de que suas famílias recebam pensão. Mas também sou a favor que as famílias dos militares que morreram combatendo esses BANDIDOS (não todos,claro), também recebam uma justa PENSÃO; SE FOR PRA PUNIR, QUE PUNAM TODOS, NÃO SEJA VISTO SÓ UM LADO, POIS ISSO É UMA MANEIRA DE SE PROMOVEREM À CUSTA DO OUTROS, COM INTERRESES PURAMENTE INDIVIDUAIS.
Nunca vi um presidente militar morrer milionário e as Forças Armadas está entre as instituições de mais respeito e idoneidade nesse país.
Obrigado.
Antônio F.


Quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Prezado senhor Antônio,
Acho que nossas posições estão claras, não chegaremos num acordo. Democracia é isso que taí: todos podem se posicionar. Concordar ou discordar.
Nos tempos da ditadura isso não era possível. Continue expondo seus pontos de vista sobre este ou outros assuntos, nosso site está aberto para isso.
Obrigado,
Celso Marcondes



Este é o terceiro artigo da série que começou anteontem.

Desta vez meu interlocutor só mandou o fac-símile de uma pretensa ficha da ministra Dilma Rousseff, originária de um órgão da repressão não identificado. Infelizmente, por problemas técnicos, não conseguimos reproduzir a “ficha” tal como ela nos chegou, mas ela rodou bastante pelas caixas postais de muitos jornalistas há duas semanas.
Sua transcrição, na íntegra está abaixo. Só falta a foto da ministra quando jovem, com “sua” marca digital do polegar direito e o carimbão no alto, escrito “CAPTURADO”. Se você ainda não recebeu tal preciosidade, leia e avalie.
Foi uma das principais contribuições do leitor Antônio F. ao nosso profícuo debate. Revela bem os métodos dos que tentam impedir que a discussão sobre a necessária punição dos torturadores da ditadura militar prossiga. Por coincidência, encontrando como alvo uma pessoa pouco importante do governo.


Quarta-feira, 19 de novembro de 2008
De: Antônio F.
Para: Celso Marcondes
Transcrição da “ficha” da ministra Dilma Roussef

Nome: Dilma Vana Rousseff Linhares
Alcunha: Estela
Número de código: 00237 – terrrorista/assaltante de bancos
Outros nomes: Luiza, Patrícia Wanda
Filiação: Pedro Roussef e Dilma Roussef
Endereço: Av. João Pinheiro, 85, apto 1001
Naturalidade: Belo Horizonte – MG
Data nascimento: 14/12/47
Profissão: desconhecida
Estado Civil: casada (Lobato?)

Atividade:
1967 – militante da Política Operária (POLOP)
MG - 06/10/68 – assalto ao BANESPA, Rua Iguatemi: NCR$ 80 mil
12/10/68 – planejamento assassinato Cap. Charles R. Chandler (?)
11/12/68 – assalto à casa de Armas Diana, r. do Seminário; 48 armas ??
04/69 – Comando de Libertação Nacional (COLINA)
24/01/69 – Assalto ao 4º. RI Quitaúna, Osasco, SP: 63 FAL, 3 INA, 4 cunhetes munição 18/07/69 – Assalto casa Gov. Adhemar de Barros
01/8/68 – assalto ao Banco Mercantil de São Paulo ??
09/69 – Congresso VAR Palmares (Teresópolis)
20/09/69 – assalto ao quartel da Força pública, Barro Branco (cont.)


Quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Caro Antônio F.,
Agora fica ainda mais claro que o senhor é militante “antiterrorista” e defensor juramentado da ditadura militar.
Por favor, já que tem tantos contatos que te permitem acesso às “fichas” daquela época, consiga também a ficha dos torturadores da ministra Dilma.
Celso Marcondes

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