DIRETAS JÁ!

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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

AFINAL, PARA QUE SERVE UM SENADOR – PARTE 1.

Nas eleições desse ano, oito candidatos concorrem a uma única vaga ao Senado Federal. Esta é uma eleição tão concorrida quanto à disputa para o governo do Estado da Paraíba que conta com seis candidatos. Na verdade, a disputa proporcional ao Senado é ainda mais concorrida se considerarmos que ela se dá em um único turno, ao contrário da eleição majoritária, ao governo, que prevê um 2º turno entre os dois candidatos mais bem votados. Cada Estado elege três senadores, para um mandato de oito anos, mas a representação pode ser renovada a cada quatro anos. O sistema é aquele que bem conhecemos – numa eleição se elege um senador e na seguinte se elegem dois.

Vimos como o cargo de Senador é importante naquele processo nada republicano onde se definiram as candidaturas e coligações ao governo do Estado. É que, infelizmente, a vaga ao senado foi posta nas mesas de negociação como valorizada moeda de troca. A vaga para o senado compõe a chapa do candidato ao governo e de seu vice. Aliás, fazem parte do pacote os dois suplentes, registrados na chapa, que podem ou não vir a assumir dependendo do arranjo político-partidário que se fizer. A cadeira do senador tem alta cotação. Foi oferecendo a vaga de senador que Ricardo Coutinho conseguiu a proeza de tirar o PT da composição do PMDB. Para ter Wilson Santiago em sua composição, Cássio aceitou dar um passa fora em Cícero Lucena.

José Maranhão manobrou habilmente, por mais de um ano, os vários interesses de seu partido, o PMDB, para terminar sendo o candidato ao senado, como ele sempre desejou. Não é a toa que o próprio PT resolveu buscar outros ares políticos. O vice-governador Rômulo Gouveia correu todos os riscos, até mesmo o de ficar sem o suporte de um grupo político, como o que é comandado por Cássio Cunha Lima, para ver se viabilizava sua candidatura ao senado. Deu no que deu. Os irmãos Cartaxo concentraram forças para assegurar que Lucélio seria mesmo candidato ao senado. Eles deram tanta prioridade a esse projeto que terminaram aceitando compor com um adversário do nível de Ricardo Coutinho.

Guardando as devidas proporções, as pequenas candidaturas dão o devido valor aos seus candidatos ao senado. O PSTU, de Antônio Radical, lançou a candidatura de Rama Dantas que tem tido papel de destaque na pequena campanha do deu partido. Mas, na entrevista concedida a equipe de jornalismo da Campina FM, Rama Dantas não foi bem sucedida por não ter se preparado bem para o momento e por menosprezar a própria instituição que almeja participar a partir do processo eleitoral. Rama Dantas afirmou que sua candidatura surgiu para combater o machismo e para lutar por mais espaços de representação da mulher na sociedade e no parlamento. A candidata falou sobre a educação e a necessidade de se investir cada vez mais nela.

Um aspecto interessante da entrevista foi quando a candidata afirmou que é preciso que a sociedade desenvolva mecanismos de controle da atividade parlamentar. Para ela, são os trabalhadores que devem controlar a atividade dos congressistas. A entrevista com Rama Dantas transcorria calma e ordeira. As perguntas iam se sucedendo e ela ia dando as respostas que se espera de uma candidata de um partido como o PSTU. Até que veio a pergunta que expôs a mãe de todas as contradições. Perguntou-se a candidata se a questão do maior controle da atividade parlamentar se daria pela instituição do voto distrital. A candidata simplesmente não respondeu e ainda fez um comentário que é, no mínimo, preocupante. Disse ela que: “Na verdade, o partido defende o fim do senado, apesar de eu ser candidata, pois a estrutura dele representa as grandes oligarquias e não representa quem gera riqueza neste país e que deveria estar lá sendo representado”.  

Rama Dantas disse ainda que muita coisa que é discutida na Câmara Federal termina sendo rejeitada no Senado, pois “quem está lá representado é o grande poderio econômico”. Ela terminou dizendo que o PSTU defende o modelo unicameral. Eu fiquei tão surpreso com a resposta da candidata que busquei a gravação da entrevista e repeti esta declaração quatro vezes. É que eu queria ter certeza que tinha realmente escutado tamanho despautério.  De fato, eu preferia mesmo não ter ouvido. Foi tão constrangedor ouvir o que disse Rama Dantas que se achou por bem chamar os comerciais. Na volta do intervalo nem mais se falou da questão. A contradição de uma candidata ao Senado querendo fechar o Senado não é mesmo para se comentar.

Eu diria que essa visão doentiamente de esquerda não contribui em nada para o fortalecimento das instituições democráticas. Pelo contrário, querer acabar com uma delas é só a constatação de uma visão autoritária e antipolítica. Na próxima segunda-feira eu vou continuar analisando as entrevistas com os candidatos paraibanos ao senado federal. Eu decidi, inclusive, que só vou analisar a entrevista daqueles que defendam de forma intransigente a valorização de nossas instituições.

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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A NUVEM E A PESQUISA DE HOJE.


As pesquisas estam para os processos eleitorais como a cereja está para o bolo de aniversário. Não é que o bolo tenha que ficar ruim sem cereja. Mas, é que ela torna tudo mais saboroso. A cereja traz um gostinho especial ao bolo. Assim são as pesquisas em relação ao processo eleitoral. Poderíamos ter uma eleição sem pesquisas, mas quem poderá negar que as aferições, do que o eleitor fará na urna, dão às eleições um sabor, uma emoção, a mais? O caro ouvinte consegue imaginar uma eleição sem pesquisas? Eu, nem ouso pensar numa situação como esta. Como faria para analisar os rumos de uma eleição complexa, como esta para presidente da República, sem ter os instrumentos necessários?

Na terça feira saiu a tão esperada pesquisa eleitoral do IBOPE, com números para às eleições presidenciais. Havia uma grande ansiedade entre jornalistas e comentarista em torno dessa pesquisa que a Rede Globo contratou junto ao IBOPE. Um amigo meu, jornalista em Recife, me disse que demorou a dormir na noite da segunda-feira tentando desenhar cenários caso acontecesse, na pesquisa do IBOPE, o que de fato aconteceu, i.e., Marina Silva tomando o 2º lugar de Aécio Neves. Talvez isso seja um exagero, eu mesmo nunca perdi uma noite sequer de sono por causa de uma pesquisa, prefiro deixar isso para os políticos que não negam jamais a importâncias das aferições eleitorais.

De fato, esta pesquisa é, sim, diferenciada das outras pelo momento em que foi feita e divulgada. O IBOPE enviou seus pesquisadores à rua entre os dias 23 e 25 desse mês de agosto. Foi à primeira pesquisa do Instituto depois de morte de Eduardo Campos. Esta é a primeira pesquisa, feita por um grande instituto, após a estreia do Guia Eleitoral no rádio e na TV e após o PSB ter definido que Marina Silva seria sua candidata a presidente. Além disso, a pesquisa foi estrategicamente divulgada no mesmo dia do primeiro grande debate, entre os candidatos a presidente da República, que tradicionalmente a TV Bandeirantes de São Paulo promove a cada eleição.

Mas, vamos aos números, sem esquecer que quando o eleitor é entrevistado está motivado pela escolha que fará nas urnas, pelo impacto dos fatos políticos do momento, pela avaliação que faz do governo e das condições materiais que dispõem. Dilma Rousseff aparece em 1º lugar com 34% das intenções de voto.  Na pesquisa do Datafolha de 18/08, Dilma tinha 36%. Marina, que no Datafolha já estava em 2º lugar com 21%, tomou o 2º lugar de Aécio Neves, aparecendo com 29% no IBOPE. Aécio Neves caiu para o 3º lugar, aparecendo com 19 pontos percentuais. Pelo Datafolha, Aécio tinha 20%. Assim, o placar do IBOPE de terça-feira é Dilma com 34%, Marina com 29% e Aécio com 19%.

A margem de erro dessa pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O que significa que se adicionarmos ou subtrairmos 2 pontos, de qualquer um dos três candidatos, eles permaneceriam nos mesmos lugares. O que deve nos chama atenção nesta pesquisa? Dilma ter caído um pouco mais, Marina ter subido consideravelmente e Aécio manter a tendência decrescente que vem demonstrando desde o começo desse mês de agosto. A “nanicada” conhecida reúne apenas dois pontos percentuais. Cada vez mais Dilma se distancia daquele percentual necessário para que pudéssemos não ter o 2º turno. A preço de hoje, Dilma tem 34% contra exatos 50% de todos os outros candidatos juntos.

O que não é possível afirmar é se essa pequena queda de Dilma é motivada pelo aumento de sua rejeição e da avaliação negativa de seu governo ou se é Marina Silva começando a fazer estragos no capital eleitoral da presidente. O que se percebe mesmo é que Marina avançou sobre Aécio Neves de uma forma avassaladora. Vejam que, sem tomar conhecimento, ela passou o senador abrindo uma diferença de 10 pontos percentuais. Sempre se poderá dizer que essa ascensão de Marina é fruto da comoção causada pela morte de Eduardo Campos, mas é bom lembrar que em outubro de 2013 Marina aparecia, numa pesquisa Datafolha, com os mesmos 29 pontos percentuais de agora.

Naquele momento, se cogitava bem mais Eduardo Campos sendo o vice de Marina. Se a tese da comoção é crível, os marqueteiros de Dilma e Aécio deveriam esperar o eleitorado esquecer Eduardo Campos e ver Marina despencar nas pesquisas. Do contrário, que se acendam as luzes vermelhas nos comitês do PT e do PSDB, pois o IBOPE aferiu que se Marina for para o 2º com Dilma ganha eleição com 45% contra 36% da presidente. Marina já mostrou que não é uma candidata que se deva subestimar. Mas, como caldo de galinha, cautela e chocolate nunca fizeram mal a ninguém recomendo que não se apregoe vitórias antes do tempo. Ainda vem por aí um longo setembro de campanha eleitoral. Para uns, ele trará boas novas, para outros, péssimas notícias. Aguardemos, então!


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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O FEITO E A ORDEM DE MAJOR FABIO.

A Equipe de Jornalismo da Campina FM concluiu no sábado passado a série de entrevistas com os candidatos ao governo do Estado da Paraíba. Foram seis sábados seguidos onde cada um dos seis candidatos pode falar sem maiores limitações. A série começou com a entrevista de Antônio Radical e seguiu com as entrevistas de Vital Filho, Tárcio Teixeira, Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima. No sábado fizemos a última entrevista com Fabio Rodrigues de Oliveira, do PROS. As entrevistas de Antônio Radical e Tárcio Teixeira são bastante parecidas. Os dois têm as mesmas ideias. A diferença está na forma de expor essas ideias. Radical, como se espera é radical. Tárcio é cordato, tranquilo, fala para se fazer entender.

Vital, Cassio e Ricardo tentam se mostrar diferentes, mas eles têm mais coisas em comum do que podemos supor. As promessas e propostas são quase sempre as mesmas. Onde eles diferem é na forma de falar e no tipo de acusação que fazem uns aos outros. A entrevista com o Major Fábio foi a mais complexa de se analisar. Eu diria mesmo que foi a mais confusa. É que o candidato não parece ter um projeto político claro para apresentar e não consegue se expressar clara e objetivamente. Ou seja, tanto na forma como no conteúdo, o Major Fabio tem grandes dificuldades em se apresentar. Chamou-me atenção que o candidato fale aos berros. Além de gritar bastante, ele fala muito rápido. Assim, entende-lo é tarefa para poucos.

Sendo militar, o Major Fábio falou para nossa audiência de eleitores como se estivesse proferindo a ordem unida num quartel da Polícia Militar. Aliás, a impressão que tive é que ele vê seus eleitores da mesma forma que via seus soldados. Pela sua formação militarizada, com nítidos elementos autoritários, o Major Fábio não conseguiria mesmo ser diferente. Para ele, o convencimento político só pode se dar pela força, pela imposição da fala. É a ideia de que ganha quem fala mais alto e mais grosso. Major Fabio fez questão, durante toda a entrevista, de mostrar as fragilidades, financeiras principalmente, de sua candidatura. Em certo momento, ele disse não ter uma assessoria profissional de comunicação alegando falta de recursos.


A solução encontrada, pelo candidato, foi colocar seu filho, que é estudante de um Curso de Jornalismo em João Pessoa, para fazer às vezes de assessor de comunicação. Na verdade, não pareceu falta de recursos e sim uma boa dose de amadorismo político. O Major Fabio se apresentou como o Davi desse processo eleitoral pronto para enfrentar os Golias da atual campanha.  Estranha, apenas, que ele tanto insista num discurso autovitimizante, dizendo não poder contar com recursos para realizar sua campanha. É que nós sabemos que não é bem assim. Major Fábio declarou a justiça eleitoral que pretende gastar até R$ 10 milhões em sua campanha eleitoral. Convenhamos, esta é uma quantia considerável seja para que candidatura for.

Se ele pretende gastar tanto dinheiro nesta eleição porque alega não poder contratar uma assessoria profissional para a comunicação e marketing de sua campanha? Porque insistir na tese do Davi, se o candidato dispõe dos recursos de um Golias? Aliás, se o caro ouvinte quiser saber quanto cada um dos candidatos ao governo do Estado, ou a qualquer outro cargo, pretende gastar nesta campanha basta ir ao site do TSE e buscar os dados no Sistema de Divulgação das Candidaturas, também conhecido como DivulgaCand. Mas, o grande problema da candidatura do Major Fábio é a ausência de um programa político claro, com propostas bem definidas. O que ele apresenta é um discurso difuso baseado em alguns dados que carecem de comprovação.

Major Fábio de apega algumas verdades óbvias e desfia seu rosário de criticas contra tudo e contra todos, principalmente o governo, claro. Assim, tudo estaria errado, viveríamos numa sociedade caótica onde nada funciona bem. O Major Fábio nos apontaria duas soluções para este estado caótico de coisas. Uma, seria a Paraíba ser governada por um homem de coragem e, outra, seria este homem de coragem chamar o feito a ordem. O homem de coragem seria, claro, ele próprio. Mas, o Major Fábio não define que feito e que ordem seriam estes. A impressão deixada é que o feito e a ordem do candidato do PROS seriam aqueles aplicados nos quartéis ou em sistemas ditatoriais.

Inclusive, o Major Fabio se colocou a favor da desmilitarização das Policias Militares. Ele foi veemente nisso, mas não definiu o que entende por desmilitarização. Fiquei com a impressão que ele desconhece que existe um movimento a favor disso. O discurso do Major Fábio é parecido com o discurso de algumas das candidaturas nanicas a presidência da República. O conservadorismo religioso, de direita, que vemos em Levi Fidelix, Eymael e Pastor Everaldo se repete na fala do Major Fábio. Alguns desses candidatos dizem que querem endireitar o Brasil. Major Fábio parece interessado em endireitar a Paraíba. A questão não é que ele queira, é como ele pretende fazer isso. Seria pelas urnas, através do voto, ou seria usando a força?


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terça-feira, 26 de agosto de 2014

PARA ONDE VOCÊ VAI, MARINA?

Sabe quando agente tem aquela impressão de que está indo tudo muito bem para ser verdade? Sabe quando ficamos com a impressão de que foi muito fácil conseguir algo e que por isso mesmo tem alguma coisa errada? É quando usamos a expressão: “está bom demais para ser verdade”. Dito de outra forma, nem sempre as coisas são do jeito que se mostram. Na política, como na vida, a realidade pode ser mais verdadeira, mais forte, e mais cruel, do que gostaríamos. De fato, o real existe para acima e além de nossas vontades. Foi com essa impressão que fiquei quando vi o anúncio de que Marina Silva assumiria a condição de candidata a presidente da República, pelo PSB, no lugar de Eduardo Campos.

Sabíamos que o anúncio oficial da decisão seria na quarta-feira. Mas, já no velório do ex-governador, em Recife, ainda naquele sábado, os membros do Diretório Nacional do PSB afirmavam que a decisão estava tomada e que Marina era a candidata. Quando vi a notícia de que o PSB e seus aliados haviam superado as divergências e acordado lançar Marina Silva candidata à Presidente fiquei com a impressão de que tudo estava sendo muito fácil. Lembro-me ter perguntado a mim mesmo: “mas, já, tão cedo, tão fácil assim?”. É que eu não esqueci que até pouco tempo atrás Eduardo e Marina corriam de um lado para o outro tentando aparar arestas e apagar incêndios para manter a aliança.

A prova maior de que nem tudo são flores nas hostes socialistas é que desde a tragédia, que vitimou Eduardo Campos, tinha sempre um membro do PSB, ou um de seus aliados, criticando Marina Silva e suas posições políticas. A própria Marina não fez muito esforço para evitar que seus companheiros do Rede Sustentabilidade criticassem duramente, e em público, a forma como o PSB estava conduzindo o processo antes e depois do falecimento de Eduardo Campos. Roberto Amaral, dirigente do PSB, chegou a dizer que Marina seria péssima opção já que ela pretende deixar o PSB quando o “REDE Sustentabilidade” se tornar um partido. Os aliados do PSB diziam que Marina não respeitaria os acordos políticos já feitos.
 
É que Marina até se comprometeu a não romper as alianças regionais feitas por Eduardo Campos, mas deixou claro que não subiria, por exemplo, no palanque do PSDB em São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Ela disse também que não deixaria de criticar o agronegócio e alguns postulados da economia de mercado que Eduardo Campos tanto defendia. O governador de Santa Catarina, Renato Casagrande, até tentou colocar panos quentes nas discussões. Disse ele que: “Marina não vai aonde já não iria”. Foi nesse clima acirrado que se oficializou a candidatura a presidente de Marina Silva e de Beto Albuquerque, como seu candidato vice, na quarta-feira. Parecia tudo calma. Era bom demais para ser verdade.

Enquanto Marina e Beto discursavam no evento que os lançou na campanha, membros do PSB e do Rede Sustentabilidade travavam uma batalha de bastidores para decidir quem teria o controle burocrático, administrativo e financeiro da campanha. Enquanto Marina ia às lágrimas, em seu discurso, ao se referir a Eduardo Campos, o coordenador de campanha, Carlos Siqueira, que é do PSB e fora escalado por Eduardo, se demitia do cargo. Ele saiu dizendo que fora demitido pela própria Marina. A declaração dele fala por si só: “Ela não representa o legado de Eduardo. Quando se está numa situação como hospedeira, como ela é, tem que se respeitar a instituição. Ela que vá mandar na Rede dela, pois no PSB mandamos nós”.
 
Marina disse que não tinha demitido ninguém, que havia indicado o deputado Walter Feldman, pessoa de sua confiança, para atuar junto a Coordenação geral de Campanha do PSB. Marina indicou, ainda, Bazileu Margarida para as finanças de campanha. É que Carlos Siqueira vinha arrecadando recursos junto às indústrias de armas, tabaco e bebidas alcoólicas. Marina disse que não aceitaria jamais dinheiro vindo desses setores produtivos. É difícil acreditar, mas Siqueira disse que Marina foi muito rude com ele. O coordenador de Mobilização e Articulação, Milton Coelho, saiu da campanha alegando que Marina é diferente politica e ideologicamente do ex-governador. Ele só descobriu isso agora? Marina e Eduardo eram como água e óleo, não se misturariam.

Enquanto isso, o vice de Marina, Beto Albuquerque, tentava estancar a sangria de aliados regionais. O PMDB gaúcho avisou que terminaria abandonando o palanque do PSB se Marina “insistisse no discurso estreito do ambientalismo”. Marina fingia não estar ouvindo as criticas e acusações, mas os “marinheiros” de plantão estavam atentos, devolvendo os ataques na mesma moeda. Diziam que o PSB não tem do que reclamar, pois tem uma candidata com chances de ser eleita. Pois é, aqueles sorrisos e abraços eram uma tentativa de dissimular uma verdade que todos viam. Resta saber se Marina conseguirá acalmar os socialistas ou se sua campanha terá um front aberto internamente. Em todo caso, os adversários agradecem penhoradamente.

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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

PASTOR EVERALDO, O FELICIANO LIGHT.


Eu sigo analisando as chamadas candidaturas nanicas que disputam as eleições presidenciais desse ano. Hoje, eu vou analisar a postulação do Pastor Everaldo, do PSC, que tem o ex-deputado federal paraibano Leonardo Gadelha como vice em sua chapa. Everaldo Dias Pereira se apresenta como o legitimo defensor da família. Ele é contra a descriminalização da maconha, contra o aborto e não vê com bons olhos os projetos que defendem direitos civis para casais homossexuais. É por isso que o Pastor Everaldo já está sendo chamado de o “Feliciano light”. Marco Feliciano, para quem não lembra, é aquele deputado federal, do PSC, que teve 15 minutos de glória por ser contra direitos civis e humanos já conquistados.

Pastor Everaldo rejeita o rótulo de nanico, se é que alguma das pequenas candidaturas aceita ser tratada dessa forma. As candidaturas de baixa estatura se sentem ofendidas e injustiçadas por não conseguirem pontuar bem nas pesquisas. Levi Fidelix, Eymael, Zé Maria, Rui Costa, para citar alguns, têm sempre uma justificativa por não conseguirem aparecer nas pesquisas com, pelo menos, um ponto percentual. Em geral, a culpa residiria num suposto complô montada pela imprensa. Apesar das diferenças ideológicas, as micro candidaturas são ambiciosas, excessivamente otimistas, exibicionistas, inexperientes e não possuem programas políticos definidos. Elas são unânimes na contundente oposição ao governo Dilma.

O Pastor Everaldo luta para sair do rol dos nanicos. Nas pesquisas, ele tem tido algo em torno de 3 ou 4 pontos percentuais. Isso pode ser decisivo para levar a eleição ao 2º turno. Aliás, se isso acontecer, prometo nunca mais chamar Pastor Everaldo de nanico. Não é justo comparar Pastor Everaldo ao Marco Feliciano. Mesmo que eles concordem em muita coisa e sejam do mesmo partido, Feliciano é falastrão, mal educado, preconceituoso e racista. Pastor Everaldo é discreto, cordato e de fala mansa. Pastor Everaldo não fica repetindo as baboseiras de Feliciano, mesmo que até posa concordar com elas. Pelo contrário, seu discurso é bem articulado. Ele nunca diz que é contra o casamento entre homossexuais. Sua estratégia é inteligente.

Pois, ele recorre aos aspectos mais conservadores da Constituição Federal, como por exemplo, o artigo que determina que a união civil deve se dar entre o homem e a mulher. Ele não diz nunca que é contra a descriminalização do aborto. Ele sempre afirma que é contra o “assassinato de bebês". Vejam a construção de um discurso. É claro que um candidato a presidente tem que ser contra o assassinato de bebes, mas, ele pode, em certas condições, ser a favor do aborto. Pastor Everaldo diz que seu foco é o resgate da família e da segurança pública. É claro que ele será bem votado entre os eleitores evangélicos, mas ele prefere afirmar que não é candidato de uma religião e que só defende valores.

O que ele não diz é que esses valores são religiosos, familiares e conservadores. Pastor Everaldo tem afirmado que está na hora do rebanho votar no próprio pastor. Mas, ao que me parece o rebanho está procurando um presidente, não um líder religioso. Pastor Everaldo não decola nas pesquisas por não entender que o eleitor separa bem o líder religioso do líder político. Inclusive, os brasileiros não parecem gostar da ideia de uma mesma pessoa desempenhando as duas funções ao mesmo tempo. A candidatura do Pastor Everaldo ainda tem algumas questões polêmicas para dar conta. Mesmo com essa postura religiosa, voltada para os valores da família, em termo políticos vemos uma constante incoerência mesclada ao fisiologismo de sempre.

Pastor Everaldo e o PSC apoiaram Lula do começo ao fim. Em 2010, até ensaiaram uma aliança com José Serra e o PSDB. Coincidência ou não, foi depois que o PT doou ao PSC a quantia de R$ 4,7 milhões que Pastor Everaldo manteve seu apoio a Dilma. Ele tem dito que esse dinheiro pagou contas da campanha do PSC em 2010. Certo, mas a questão não é o que foi feito com o dinheiro, mas os motivos que levaram o PT, logo o PT, a doar tamanha quantia a outro partido. O PCS vinha firme e forte compondo a bancada situacionista, até que Dilma deixou de dar um ministério para os pastores políticos tomarem conta. Este ministério foi para os comunistas do PC do B. Pastor Everaldo acusou o golpe e lançou sua candidatura.

Ele já disse que só se lançou candidato por ter ficado profundamente decepcionado com Dilma. Por decepção leia-se o fato do PSC não ter um ministério para chamar de seu. A candidatura do Pastor Everaldo pode ser vista como uma vingança sobre o PT. Pastor Everaldo gosta de umas frases de efeito. Ele tem dito que na vida do cidadão deve haver menos Brasília e mais Brasil. Inclusive, tem defendido um radical processo de privatização. Para ele, a Petrobrás, por exemplo, deveria ser totalmente privatizada. O desempenho que ele tiver nesta eleição determinará o que ele será no futuro. Se ele chegar a ter uns dez pontos percentuais poderá vir a ser um gigante, do contrário será sempre um pigmeu da política partidária a reboque de grandes interesses.

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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

NO AR, MAIS UM CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA.

Começou, na terça-feira, um dos maiores campeões de audiência do rádio e da TV brasileira. Eu falo da Propaganda Eleitoral Gratuita, mais conhecida como Guia Eleitoral. Não, eu não estou brincando. A propaganda eleitoral tem sim boa audiência. Também, pudera, ela é obrigatória, passa sempre nos horários nobres da audiência e a muito que deixou de ser aquela coisa enfadonha, sem graça, em que pese ela não ser gratuita. A propaganda eleitoral e paga, muito bem paga. O cara ouvinte quer saber quem paga essa conta? Elementar, somos nós os eleitores-contribuintes que pagamos a conta da democracia. É que os partidos usam o fundo político partidário para financiarem suas campanhas midiáticas.

E, claro, o fundo partidário é gerado pelos impostos que nós tanto pagamos. Como o que não tem remédio, remediado está, eu sugiro ao caro ouvinte que assista o guia eleitoral já que é você mesmo que está pagando a conta. Mas, o fato é que para o bem e para o mal, por mera curiosidade, para conhecer os candidatos, suas propostas, promessas e, porque não, mentiras, nós acompanhamos o guia eleitoral, nem que seja para xingar ou dar algumas boas gargalhadas. O guia eleitoral tem sim boa audiência, do contrário os partidos já teriam a muito dele desistido. O guia é tão importante nas campanhas eleitorais que determina aos atores e partidos políticos aquele processo nada republicano para formação das coligações.

Vejam que os partidos buscam se juntar em torno de uma candidatura visando, principalmente, os minutos e segundos do guia eleitoral. Se a propaganda não fosse importante partido nenhum se submeteria ao leilão promovido nas convenções. Algumas pessoas acompanham o guia como se estivessem assistindo uma corrida de Fórmula 1. Elas ficam, na frente da TV, esperando que um piloto sobre na curva e role para fora da pista. Elas até torcem para ver acidentes mais sérios. Eu mesmo já ouvi pessoas dizerem que assistem o guia eleitoral esperando a baixaria. E existem aqueles que torcem para ver o pior dos candidatos, os erros cometidos e as acusações. Já me foi dito que o guia só tem graça se tiver baixaria.
 
De fato, candidato educado demais, falando pausadamente, com um comportamento cordato não atrai audiência. Não é a toa que o falecido Enéas Carneiro, do extinto PRONA, terminou se tornando um case da propaganda eleitoral. Nos dois primeiros dias desse, Guia eleitoral, deu para ver que cada coligação proporcional já tem seus candidatos histriônicos. São aqueles que gritam, gesticulam demais e que não tem o menor pudor de dizer qualquer barbaridade que seja. O IBOPE realizou uma pesquisa, em abril, na cidade de São Paulo que se lida corretamente pode nos oferecer uma luz sobre nossa relação passional com o guia eleitoral. Digo passional porque, de fato, nós amamos odiar o guia eleitoral.

Perguntou-se aos entrevistados qual a influência dos programas eleitorais na decisão de em quem votar. 12% deles afirmaram que tem muita influência, 23% disseram pouca influência e 64% opinaram que não tem influência alguma. O IBOPE não perguntou aos paulistanos se eles assistem ao guia. A questão não era essa. O que se queria saber é de que maneira a propaganda influencia na decisão do eleitor. A ideia era precisar a importância do guia no processo de escolha eleitoral. Eu vou considerar que os entrevistados assistem, sim, ao guia, pois do contrário como eles poderiam responder as perguntas dessa pesquisa? É bom lembrar que o guia eleitoral termina sendo a forma mais acessível de se definir em quem votar.

Sem contar que existe boa possibilidade desses 12%, que aceitam a influência do guia, terem a capacidade de contaminar os que estam em sua volta. Assim a propaganda eleitoral teria uma capacidade multiplicadora. Já os 64%, que disseram que o guia não os influencia, podem ser exatamente aquelas pessoas que simplesmente desligam a TV todas as vezes que a “galera medonha”, como diz o Macaco Simão da Folha UOL, entra no ar. Como eu disse se o guia eleitoral não tem audiência ou mesmo influência, porque os partidos se bateriam em busca daqueles preciosos minutos? Se o guia fosse inútil, os políticos já tinham acabado com ele, pois eles são racionais.

Vejam que o PT foi (e é) alvo de disputa, aqui mesmo na Paraíba, pelos minutos que traz para o guia eleitoral da coligação que estiver compondo. PMDB e PSB disputam o PT pelas suas propostas? Claro que não! Um partido vale os minutos que tem no guia. Para quem não sabe o tempo de cada partido, no guia eleitoral, é determinado por um cálculo que considera o número de parlamentares que cada agremiação tem no Congresso Nacional, mais especificamente na Câmara dos Deputados. Se o caro ouvinte quer saber se é melhor sobrar ou faltar tempo na propaganda, eu não saberia dizer. Mas, não esqueçamos que o cidadão/eleitor/espectador tem ao alcance da mão o poder de fazer o candidato se calar, pelo menos até o próximo programa.

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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

CÁSSIO E SEU CONFRONTO DIRETO.

Na entrevista que a Equipe de Jornalismo da Campina FM fez com o candidato ao governo do Estado da Paraíba Cássio Cunha Lima deu para perceber claramente que o senador aceita de bom grado a bipolarização da campanha eleitoral. Da primeira a última resposta, passando pelas considerações iniciais e finais, Cássio esteve sempre no confronto direto com o governador Ricardo Coutinho. A todo instante, ele criticava duramente a administração estadual. Assim como fez Ricardo Coutinho, em sua entrevista conosco, Cássio ignorou classicamente seus outros quatro adversários. O objetivo central de Cássio foi atacar seu principal adversário, assim como fez Ricardo. Nisto eles só se parecem.

Estranha essa estratégia do senador Cássio. Se é verdade que ele está tão a frente de Ricardo nas pesquisas, porque se incomodar tanto com um adversário que não parece incomodar? Ao que me parece, para Cássio, não basta ganhar a eleição. Além de ganhar, ele parece motivado a destruir Ricardo Coutinho do ponto de vista político-eleitoral. Em alguns momentos, Cássio pareceu motivado pela vingança, pois se referia ao seu adversário com uma ira quase incontrolável. Cássio começou a entrevista dizendo que é candidato “para fazer um governo novo, diferente, melhor, mais técnico, mais ousado”. Ele se disse mais maduro e preparado para fazer um governo que atenda a população nos serviços que ela mais precisa.

Essa declaração pareceu uma autocrítica sobre o período em que ele foi governador. O que podemos entender por “mais técnico e mais ousado”? Significa que, da outra vez, Cássio foi mais improvisador e mais tímido, mais reticente em tomar medidas? Dito isso, Cássio partiu para o confronto e foi logo afirmando que os serviços públicos pioraram muito, que existe um retrocesso na prática política do atual governo. Cássio acusou, sem meias palavras, Ricardo de perseguir e oprimir o servidor público. Ele disse, também, que o governo não dialoga com os setores produtivos do Estado da Paraíba, citando a indústria, o comércio e a agricultura. Cássio usou os 3 minutos de suas considerações iniciais para atacar seu adversário.

Interessa atentar para o fato de que o senador Cássio tenha preferido usar a maior parte do seu tempo, durante a entrevista, para atacar e criticar seu principal adversário, ao invés de usá-lo para falar das realizações do seu período administrativo. Claro, Cássio não se furtou a fazer as promessas que todos os outros candidatos fizeram e vão continuar fazendo. Ele disse que vai melhorar a educação, a saúde, que vai promover desenvolvimento e que vai diminuir os índices da violência no Estado. Cássio pareceu mais ponderado em relação às outras eleições que disputou. Não só ponderado, como até reticente em dar respostas. Vejam que ele se esquivou de comentar de que maneira a candidatura de Marina Silva influiria na candidatura de Aécio Neves.

Cássio pouco explorou o fato de ser do partido que é oposição ao governo federal. Quando perguntado sobre uma política de recursos hídricos ele ainda criticou o governo federal pela demora nas obras da transposição do Rio São Francisco e foi só. Quando o assunto foi à segurança pública, Cássio explorou a situação de insegurança em que vivemos, pondo toda a responsabilidade na conta do governo do Estado. O senador Cássio estava bem servido de dados por uma assessoria especializada no assunto. Um momento curioso da entrevista foi quando se perguntou ao ex-governador se ele é a favor que os ex-governadores recebam pensão. Cássio disse que na atual situação não há mais como se defender esse tipo de coisa.

Ele lembrou que quando assumiu o senado, encaminhou um pedido ao governo do Estado para que fosse suspenso o pagamento de sua pensão de ex-governador. Depois Cássio fez uma afirmação que deveria ser melhor explicada. Disse ele que: “... na sequência veio o meu divórcio e eu deixei com a minha ex-esposa, Silvia, essa pensão”. Eu não entendi, o senador pediu a suspensão do pagamento da pensão, mas sua ex-esposa é quem a recebe? Somos nós, os paraibanos, que pagamos a pensão da ex-esposa do ex-governador? Um momento, com certa tensão, foi quando perguntei ao senador se o funcionalismo público teria que voltar a fazer empréstimos, para receber seus vencimentos, caso ele fosse eleito? Eu me referia a um fato desse tipo que ocorreu no governo dele.


O senador disse que essa questão vem sendo trazida pelo governador Ricardo Coutinho. De forma irônica, Cássio disse: “aqui é engraçado, o discurso do governo repercute bem, as perguntas são muito bem pautadas por aquilo que o governador vem dizendo”. A pergunta irritou o senador, mas eu não fui pautado por ninguém do governo para fazê-la. Na verdade, eu mesmo me pautei para essa questão, pois fui um dos que teve que fazer o tal empréstimo para poder receber meus vencimentos. Cássio Cunha Lima reafirmou que a pergunta era feita pelo governo do Estado. E eu devo dizer que não, que a pergunta é tão somente uma curiosidade de todos os funcionários públicos do Estado da Paraíba. 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

CUIDADO COM OS NÚMEROS, ÀS VEZES ELES MENTEM.

No sábado o Jornal da Paraíba divulgou a pesquisa do Instituto IPESPE com as intenções de voto ao governo do Estado. A pesquisa é favorável ao candidato Cássio Cunha Lima, pois mostra um cenário em que a eleição se resolveria já no 1º turno. Eu não vou ficar, aqui, repetindo que pesquisa eleitoral é a fotografia de um momento ou que ela é conjuntural, pois isso o caro ouvinte já está cansado de saber. Mas, eu quero lembrar os cuidados que temos que ter ao lidar com as pesquisas eleitorais. É que elas não podem revelar a verdade das urnas, o máximo que elas fazem é nos mostrar tendências que o eleitorado pretende seguir. Se pesquisa antecipasse um resultado, para que nós iríamos até as urnas no dia da eleição?

Os números até podem estar acima do bem e do mal, mas os que lidam com eles não podem estar acima das Instituições Políticas. O ex-presidente Itamar Franco já dizia que: “Os números não mentem, mas os mentirosos fabricam números". Esta Pesquisa IPESPE foi feita entre os dias 07 e 09 deste mês de agosto. Ou seja, eleitores foram entrevistados depois do registro oficial das candidaturas junto ao TRE. Neste momento, os candidatos já estavam com suas campanhas nas ruas. Na pesquisa espontânea, quando não se apresenta nomes, Cássio Cunha Lima obteve 35% das intenções de voto, Ricardo Coutinho teve 18% e Vital Filho ficou com 2%. Mas, vamos nos concentrar na pesquisa estimulada, pois temos, de fato, candidatos.

Aqui, Cássio aparece disparado na frente com 48%, Ricardo vem, num distante 2º lugar, com 25% e vital quase desaparece no 3º lugar com meros 3%. O Major Fábio aparece em 4º lugar com 1%. Antônio Radical e Tárcio Teixeira não pontuaram. Nessa pesquisa estimulada, 8% dos entrevistados disseram que pretendem votar branco ou nulo e 14% ainda não sabem em quem votar ou não responderam. Aqui está tudo dentro da normalidade, pois estes índices estam dentro da média dos últimos 20 anos. Chama atenção que a pesquisa pretenda dar a entender que não haveria um 2º turno, pois quando somamos os percentuais de Ricardo, Vital e Major Fábio obtemos 29 pontos percentuais que não serviriam para fazer frente aos 48 pontos de Cássio.

Se aplicarmos a margem de erro de 2.6% da pesquisa, para mais ou para menos, nada se altera. Pelo contrário, se somarmos, aos 48% de Cássio, estes 2.6% vamos a quase 51%. Ou seja, a eleição estaria desde já resolvida em prol do senador Cássio. Se estes números da pesquisa IPESPE são mesmo confiáveis seria bom perguntar a Ricardo Coutinho e a Vital Filho o que ainda eles esperam para desistirem de uma vez dessa eleição. A diferença de Cássio sobre Ricardo seria de 23 pontos percentuais. É muita coisa, vocês não acham? Considerando que temos seis semanas até as eleições do 1º turno, Ricardo teria que tirar algo em torno de 3.5 pontos percentuais de Cássio, em cada um dessas seis semanas, para poder levar a decisão para o 2º turno.

Ou então, Vital Filho teria que fazer uma campanha brilhante, que lhe permitisse ter uma ascensão nunca vista na história das eleições, que lhe levasse desses 3% para algo em torno de 20 pontos percentuais. Para que houvesse uma redefinição, desses números tão exatos do IPESPE, Cássio teria que passar a cometer erros no atacado e Ricardo teria que fazer a melhor de todas as campanhas, conquistando corações e mentes como se fosse um galã de novelas.  Mas, é lógica que as coisas não funcionam assim. A matemática do IPESPE está muito exata, parece irretocável, sem erros. O próprio Cássio parece entender bem isso, pois pediu aos seus aliados para terem cuidado com o salto alto na campanha.

Mas, Ricardo Coutinho tem sim muito do que se preocupar. Além dessa diferença tão larga, ainda existe a grande pedra da rejeição no sapato socialista. Ricardo teria 26% pontos percentuais de rejeição. Mesmo que ele venha tendo avaliações positivas de seu governo, mesmo que seja tido como um bom administrador, essa rejeição teria efeitos corrosivos no capital eleitoral do governador. Ricardo precisa urgentemente diminuir essa rejeição. Cássio tem uma rejeição de 15% e Vital de 11%. São rejeições altas, mas nada que se comparem a esses 26 pontos de Ricardo. A situação não é mesmo confortável para o governador, pois até em seu reduto eleitoral, ele não consegue ficar em 1º lugar.

Em João Pessoa, Cássio tem 38% e Ricardo tem 31%. A pesquisa mostra Ricardo perdendo para Cássio em todas as mesorregiões da Paraíba com diferença média de 24 pontos percentuais. E vejam que eu nem estou considerando a situação em Campina Grande, o 2º colégio eleitoral da Paraíba, onde Cássio tem 55% e Ricardo apenas 15%. Mesmo que estes números do IPESPE precisem ser lapidados, sabemos da vantagem de Cássio em Campina. Mas, o guia eleitoral está começando exatamente hoje no radio e na TV. Estamos entrando em uma nova fase da campanha eleitoral, com novos condicionantes. Em breve saberemos se estes números são uma tendência ou uma fantasia.

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

SONORA GILBERGUES SANTOS CIENTISTA POLITICO





Aqui analiso o protesto do agricultor do município de Queimadas que colocou uma faixa, na entrada de seu sítio, com os seguintes dizeres: "Proibido a entrada de políticos". Mas, eu não falo só do fato em si, falo do desencanto da população com a política, falo das manifestações e protestos disseminados pela sociedade brasileira, analiso como e porque o brasileiro se posiciona politicamente e falo do que ainda pode vir a acontecer com essa nossa forma que temos de lidar com a política.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A IMPONDERÁVEL MARINA VOLTA A ATACAR


Eu afirmei, aqui no POLITICANDO, que em condições normais de temperatura e pressão Marina Silva seria a candidata do PSB, no lugar de Eduardo Campos. Sua indicação seria óbvia se a operação político-partidária no Brasil não fosse tão pouco republicana. Fôssemos uma sociedade acostumada a lidar com a normalidade do processo democrático não haveria toda essa discussão, Marina seria a candidata de uma forma natural, simples. A questão seria escolher um vice para ela. Se nós não tivéssemos essa mania autoritária, pouco convencional em outros povos, de virar a mesa para maximizar interesses, o PSB e seus aliados, além de PT, PMDB e PSDB não teriam movido um único dedo para impedir que Marina fosse candidata.

A imponderável tragédia, que tirou a vida de um candidato a presidente da República, só deveria impor novas decisões aos eleitores que, por ventura, já tivessem decidido votar no candidato falecido. Mas, se fosse assim não seria o Brasil, seria a Dinamarca. O fato é que a ascensão de Marina Silva à condição de candidata a presidente pelo PSB não foi automática, normal, natural. Até a sexta-feira haviam bem mais partidos e atores políticos contrários a essa solução do que pode supor nossa vã filosofia. Lula, Dilma e os caciques do PMDB não queriam ouvir falar em Marina sendo candidata depois de tudo que fizeram para impedir que o “REDE Sustentabilidade” se tornasse um partido. Aécio Neves treme só de pensar em ver Marina lhe tirando a vaga no 2º turno.

É fácil se entender porque os adversários de Marina não queriam vê-la candidata. Mas, como explicar que a maioria da Executiva Nacional do PSB tenha defendido outra solução para o dilema de encontrar um substituto a altura de Eduardo Campos? É bom lembrar do quanto se ponderou que Eduardo Campos é que deveria ser o vice de Marina Silva, que teve que aceitar ser a vice, já que não dispunha de uma sigla para chamar de sua, ao contrário de Eduardo que controlava o PSB com mão de ferro. Márcio França, deputado federal pelo PSB, que se tornou, contra a vontade de Marina, vice na chapa de Geraldo Alckmin é um dos que a reprovava como solução para o imbróglio. Para ele, apostar em Marina deixaria o PSB sem um legado, sem herança.

Roberto Amaral, dirigente do PSB desde a sua recriação após a ditadura militar, disse que Marina seria péssima opção, pois assim que o “REDE Sustentabilidade” se tornar um partido ela sairá do PSB levando contingente considerável de militantes. Mas, existe a vertente no PSB que quer Marina candidata. Rodrigo Rollemberg, senador e candidato ao governo do Distrito Federal, e os deputados federais Beto Albuquerque e Júlio Delgado falaram em manter o legado de Eduardo Campos através de Marina. Roberto Freire, deputado federal pelo PPS, defendeu a continuidade do projeto Eduardo/Marina. Inclusive, se cogitou que ele fosse o vice de Marina. PPL, PRP, PHS e PSL, os outros aliados do PSB, também queriam Marina candidata a presidente.

Mas, eles pediram uma Marina mais maleável. O PSL, por exemplo, disse que só aceitaria Marina se ela mantivesse os compromissos assumidos por Eduardo Campos, a exemplo da reforma tributária e dos acordos com o agronegócio. Estes partidos impõem a Marina que ela aceite as composições estaduais que Eduardo Campos fez. Mas, Marina Silva tem, também, seus senões. Ela disse que apresentaria, no momento certo, suas condições para não assumir uma chapa “às escuras”. Marina quer, sim, ser candidata, mas ela não quer ninguém tolhendo seu discurso e suas ações. Ela diz que não vai deixar de fazer criticas a partidos como o PSDB, mesmo que o PSB tenha feito composições com os tucanos em sete Estados brasileiros.

As notícias do final de semana dão conta que o PSB, e seus aliados, superaram as divergências e acordaram lançar Marina Silva à Presidência da República, no lugar de Eduardo Campos, na próxima quarta-feira. Certo, é o mais lógico a se fazer. Mas, a questão não é o que está acontecendo, mas como acontece. Como é que o agronegócio, por exemplo, vai aceitar Marina, até para financiar a campanha, se ela não abre mão de seu discurso em favor da sustentabilidade? Para que é mesmo que Marina Silva será candidata a presidente? Ela fará o que quer o PSB? Subirá no mesmo palanque de Geraldo Alckmin, do PSDB, em São Paulo? Ou ela manterá seu discurso para acima e além de interesses que ela mesma despreza?

O fato é que Marina deve retornar à cena política por cima da carne seca, como gostamos de dizer. Com seu capital eleitoral, e com a comoção pela morte de Eduardo Campos, ela deve vir a se colocar entre Dilma e Aécio nas pesquisas. Mas, isso é suficiente para ir ao 2º turno e ganhar a eleição? Marina ainda precisa de um vice leal a Eduardo Campos, que seja de sua confiança e que tenha a capacidade de unir a “ala petista” e a “ala tucana” do PSB. Ou seja, este vice não existe. Não há quem possa reunir estes três itens, nem própria Marina. A preço de hoje, os adversários de Marina são os seus aliados e os seus concorrentes. Marina vai remar contra uma maré das mais violentas. Como ela se sairá, só o tempo nos dirá.

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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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