quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Os votos não movem moinhos

É preciso entender, de uma vez por todas, que conciliar com partidos de centro direita e com setores das elites não constrói um projeto social e político que promova profundas transformações no país.

Já diziam os Secos & Molhados que ”os ventos do norte não movem moinhos". E não movem mesmo! Os ventos, digo os votos, saídos das urnas não farão os moinhos da esquerda girarem na velocidade desejada. Mas, como o que “importa é não estar vencido”, nos apeguemos às nossas conquistas mesmo que nos pareçam frágeis. Aquele “antigo compositor baiano” segue tendo razão, pois “é preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte”.

Confesso minha contradição. Nem deveria falar tanto de eleições, pois as considero tão somente o procedimento democrático que escolhe governantes e legisladores. Mas, nossa cultura política nada democrática costuma vir à tona nas eleições. Então, farei breve avaliação delas e tratarei de perspectivas futuras. Peço-lhe apenas, caro leitor, que não desconsidere que a análise é de momento, pois a política eleitoral, como as nuvens, dança ao sabor do vento.

Jair Bolsonaro é o derrotado das eleições 2020. Onde pôs a mão, seus escolhidos malograram. No 1º turno, dizia não querer se envolver, mas quando o fazia seus candidatos “embicavam” para baixo. Celso Russomano e Wal do Açaí que o digam. Nas pavorosas “lives” do 2º turno, detonou o capital eleitoral de seus seguidores. Ele pediu votos para 13 candidatos a prefeito, mas apenas Gustavo Nunes em Ipatinga (MG) e Mão Santa em Parnaíba (PI) se elegeram. Crivella no Rio e Capitão Wagner em Fortaleza provam como o bolsonarismo pode erodir um projeto eleitoral.

A direita não bolsonarista, mas que se valeu do próprio quando lhe foi conveniente, se saiu bem. Trabalhará para se ver livre de Bolsonaro e ter condições de disputar as eleições de 2022 com alguém palatável ao eleitorado que se encanta com “antipetismo”, Lava Jato, combate a corrupção, etc. Essa tal direita deve dispensar os serviços de seus "bons moços" (Moro\Huck\Dória\Covas\Amoedo) e ter um nome que lhe seja confiável, de “dentro da política”. Como as organizações criminosas, que só confiam em bandidos, os políticos tradicionais preferem os que não rejeitam a política, que não se travestem de novos, apolíticos.

Eduardo Paes, eleito no Rio de Janeiro, disse que o DEM deve “lançar um quadro da política para a eleição de 2022 e que há resistências a Sergio Moro e a Luciano Huck, mesmo que este converse com o DEM”. Dizendo de onde virá o canto da sereia, Paes mostra que seu partido descarta as “novidades”, que quer lançar um nome e que este nome pode ser o seu. ACM Neto, prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM, disse que “não vamos apoiar um Bolsonaro dos extremos em 2022”. Desdenhando do bolsonarismo, a direita quatrocentona aponta para uma correção de rumos no sentido de uma volta aos tempos em que PSDB\PFL\PMDB governavam.


A direita venceu em Recife e Porto Alegre, pelo menos, se baseando em “fake News” (inseridas de vez nas campanhas), no discurso racista\machista\misógino, com um conservadorismo reacionário flertando com o fascismo e na mais descarada compra de votos. Despida de qualquer pudor, a direita de São Paulo foi para o 2° turno e venceu. FHC não larga Covas para impedir que bolsonaristas se aproximem. Neoliberais golpistas de 2016 (PSDB, DEM, MDB), extrema direita abrigada em siglas como Republicanos e o “centrão” de sempre governarão 85% dos eleitores dos 5.570 municípios brasileiros. É preciso entender que quem melhor sabe jogar o jogo eleitoral é a direita. Sua maior vitória é quando impõe à esquerda que escolha entre dois dos seus atores políticos como aconteceu em João Pessoa e no Rio de Janeiro. Em São Paulo, a direita venceu jogando nos erros da esquerda que não soube, não quis ou não pode se unir.

Do ponto de vista das vitórias, a esquerda saiu-se mal nessas eleições, mesmo com boas votações em Recife, São Paulo, Vitória e Porto Alegre. Vejamos que ela elegeu prefeitos em 12 cidades de 9 estados diferentes. É muito pouco. O PT precisa entender que não é mais o protagonista da esquerda. Precisa aceitar que o PSOL deixou de ser mero coadjuvante, do contrário Boulos não teria chegado ao 2º turno em São Paulo. É certo que a esquerda mantém alto capital eleitoral, mesmo considerando o comportamento volúvel do eleitor brasileiro. Considero pontual a vitória de Edmilson Rodrigues (PSOL), em Belém, pois ela não prova uma onda de votos à esquerda como nas eleições de 2008 e 2012. A esquerda não saiu em bloco para enfrentar as eleições municipais. Ao contrário da direita, não pensou nos cenários para 2022. Como sempre, o erro foi PT, PSOL e PCdoB se dedicarem às suas questões paroquiais, esquecendo que a luta contra o fascismo\neoliberalismo é diária independente de estarmos ou não em eleições. Resultado? Mais uma vez, a esquerda terminou fazendo o jogo da direita.


Tomemos como exemplo a cidade do Rio de Janeiro onde a esquerda enfrentou o jogo eleitoral esfacelada. A direita se uniu e foi para 2° turno podendo se livrar do bolsonarista de plantão e ainda vencer com um político “mais do mesmo”. A esquerda se viu tendo que escolher entre Paes e Crivella. Muito me incomoda essa situação de ter que escolher entre o “menos ruim”. É preciso entender, de uma vez por todas, que conciliar com partidos de centro direita e com setores das elites não constrói um projeto social e político que promova profundas transformações no país. A esquerda deve, ainda, compreender que a tal frente ampla só beneficia projetos de poder do grande capital. De que adianta compor uma ampla frente política, contra o bolsonarismo, com partidos que participaram do golpe de 2016 e apoiaram Jair Bolsonaro em 2018? A esquerda precisa saber que não é a árvore que tem que amolar o machado.

Ainda tenho que tratar do fator Ciro Gomes e seu comportamento destrutivo em relação a esquerda. Ele sabe que seus 10% não o levarão ao 2º turno em 2022, como não o levaram em 2018. Isso o deixa irado, ressentido, agressivo, invejoso. Ciro segue agredindo o PT e Lula, com os despautérios de sempre, atingindo Boulos com a pecha de radical e dizendo que Flavio Dino está fora da realidade por ter ido votar com uma camisa vermelha escrito “Lula Livre”. Ciro não assimila o golpe de ver Boulos e Dino ocupando o lugar que pensa ser seu.


O que fazer? Sugiro que uma liderança da esquerda dê uma declaração definitiva, dizendo o que Ciro Gomes é e com todas as letras, sem tergiversar. É preciso dizer que ele não é de esquerda, nem de centro esquerda e que o PDT gravita na centro direita. Ideologicamente Ciro nunca se identifica com os valores da esquerda. Politicamente seus interesses estão do centro para a direita. Importa que tudo fique claro. Quando Ciro chama Boulos de radical faz o papel, que a direita lhe atribuí, e que ele quer fazer para se tornar palatável à direita. Deixar as coisas claras é o melhor para se seguir em frente sempre pensando em como fazer para que os ventos possam mover nossos moinhos.


Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).