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segunda-feira, 2 de abril de 2018

Bichos escrotos dão nome aos bois




Bichos escrotos dão nome aos bois

Vez por outra, quando sou acometido pela incurável dor do saudosismo, aquela dor que é boa de doer, do “tempo-em-que-tudo-era-melhor-do-que-nos-dias-de-hoje”, ouço meus discos de vinil em minha vitrola “Harmony” que, com seu estilo “retrozão”, torna tudo mais delicioso, mais emocionante, com mais cheiro e sabor de antigo.

Para mim, o antigo tem o cheiro delicioso do pão assado pela minha mãe na velha grelha de ferro. O “meu tempo antigo” tem o cheiro do enorme “abacaxi” que saía na palmeira de nosso jardim anunciando que novas folhas brotariam. Minha antiguidade nunca esquecida tem o som do “chiadinho” dos discos de vinil que ouvíamos em casa.

Aliás, o “chiadinho” dos meus discos de vinil é santo remédio para os males de nossos dias. Salvo-me da estupidez que campeia nosso entorno, que faz um procurador da República dizer que está orando e jejuando para que um ex-presidente seja preso, ouvindo meus discos de vinil. Por ser fruto desse tempo que é antigo, mas não é velho, desisti de tentar entender porque sempre acho que as coisas (músicas, filmes, livros, movimentos político-sociais, ideias, modas, costumes) do tempo em que eu era mais jovem são bem melhores do que as de hoje.

E, quer saber? As coisas do tempo em que eu tinha 20 e poucos anos eram bem melhores do que as coisas de hoje quando estou à beira do ½ século de vida. Afinal, não vamos aqui discutir quem é melhor: se Belchior ou Pablo Vittar...  


Mas, porque estou divagando? É que estou ouvindo o vinil “Go Back” dos Titãs de 1988 - o primeiro lançamento da banda gravado ao vivo. No encarte, leio a mensagem: “A música ‘Bichos escrotos’ tem a rádiofusão e execução pública proibida em virtude de ter sido vetada pelo Departamento de Censura e Diversões Públicas da S.R. do D.P.F”. Censura?! Mas, a ditadura
militar já não tinha acabado em 1985? Em 1988 não estávamos aprovando a Constituição Cidadã? Sim e não!

Em 1988 não tínhamos mais um general-presidente no poder e só. De resto, vivíamos numa fragilíssima democracia. Era a “Nova República” do PDS/PFL, de José Sarney, Marco Maciel, ACM, Fernando Collor, et caterva, dos Planos Econômicos Cruzados, da hiperinflação, da incerteza se iríamos eleger um presidente. Neste ano, o líder seringueiro e ambientalista, Chico Mendes, foi assassinado por causa de suas ideias e lutas – a semelhança com a execução de Marille Franco não é mera coincidência. Vivíamos numa ilha de democracia tutelada por um mar de autoritarismo.

Vejam a contradição. Enquanto aprovávamos uma nova Constituição, para servir a um Estado que se pretendia democrático, seguíamos censurando bem ao estilo da época em que o Regime Militar mantinha um censor em cada uma das redações dos principais jornais do país.  Interessa notar que os diligentes censores da imberbe democracia de 1988 foram tão ágeis e zelosos em
proibir “Bichos Escrotos”, mas deixaram passar “Nome aos Bois”, “Massacre” e “Polícia”. São todas músicas que criticavam fortemente o sistema político-social da época.


Sim, a música “Bichos Escrotos” não fugiria ao crivo do falso moralismo autoritário da época por causa do verso: “Oncinha pintada / Zebrinha listrada / Coelhinho peludo / vão se fuder! / Porque aqui na face da terra / Só bicho escroto é que vai ter”.  Mas, as limitações intelectuais dos censores não lhes deixou ver que “Nome aos Bois” nomeia, literalmente, os tais bichos escrotos que existiram e existiam na época. Em “Polícia”, os Titãs diziam: “Polícia para quem precisa / Polícia para quem precisa de polícia”. Nada mais atual.
Aliás, se trocássemos a instituição coercitiva policial pela judiciária, a música ficaria ainda mais atual. Imagine que poderíamos cantar: "STF para quem precisa / STF para quem precisa de Judiciário".     

Ouvindo “Nomes aos Bois” me permiti, com devido respeito a uma de nossas melhores bandas de rock, uma licença politico-ideológica. Troquei os nomes que Nando Reis, Marcelo Fromer, Arnaldo Antunes e Tony Bellotto, compositores da música, colocaram por outros que estam em evidência. Os nomes que aparecem na versão original são bastante representativos do que poderíamos chamar daquele nicho da raça humana que não deu certo. Os nomes que coloquei não pretendem superar os originais, mas bem que eles tentam.

Nome Aos Bois (Titãs)

Garrastazu
Stalin
Erasmo Dias
Franco
Lindomar Castilho
Nixon
Delfim
Ronaldo Bôscoli
Baby Doc / Papa Doc
Mengele
Doca Street
Rockfeller
Afanásio
Dulcídio Wanderley Bosquila
Pinochet
Gil Gomes
Reverendo Moon
Jim Jones
General Custer
Flávio Cavalcante
Adolf Hitler
Borba Gato
Newton Cruz
Sérgio Dourado
Idi Amin
Plínio Correia de Oliveira
Plínio Salgado
Mussolini
Truman
Khomeini
Reagan
Chapman
Fleury
Nome Aos Bois (uma licença politico-poética-ideológica aos Titãs)

Michel Temer
Gilmar Mendes
Donald Trump
Aécio Neves
Família Bolsonaro
Geddel Lima / Romero Jucá
Milton Neves / Datena

Donald Trum
Olavo de Carvalho
Eduardo Cunha
Família Marinho
Bashar al-Assad
Rodrigo Maia
Carlos Marun
Ana Amélia
Janaína Paschoal
Alexandre Frota
Kim Jong-Un
Sérgio Moro
Eliane Cantanhêde / Noblat
Luciano Huck
José Serra / Aloysio Nunes
Moreira Franco
Silas Malafaia
Eliseu Padilha
Geraldo Alckmin

José Sarney
Marco Feliciano
Alexandre Moraes
Vladimir Putin
Alexandre Garcia
Diogo Mainardi
João Dória
Meval / Waack
Kataguiri / Holiday
Marilia Castro Neves
Dallagnol / Bretas
Marcelo Crivella
Fausto Silva
Mendonça Filho
Danilo Gentili
Reinaldo Azevedo
Rodrigo Constantino
Sheherazade/Hasselmann

sexta-feira, 16 de março de 2018

PORQUE MARIELLE FRANCO FOI EXECUTADA?



PORQUE MARIELLE FRANCO

FOI EXECUTADA?






Marielle Franco não foi "mais uma vitima da onda de violência que assola o Rio de Janeiro", como quer nos fazer crer o telejornalismo da Rede Globo, absolutamente comprometido com o conglomerado golpista que derrubou a presidente Dilma Rousseff.

A VEREADORA CARIOCA MARIELLE FRANCO FOI EXECUTADA A TIROS PORQUE DENUNCIOU UMA SÉRIE DE COISAS MUITO ERRADAS NO RIO DE JANEIRO!

Marielle Franco foi EXECUTADA porque tinha sido, em 28 de fevereiro passado, nomeada relatora da Comissão da Câmara Municipal que acompanharia a Intervenção Militar Federal no Estado do Rio de Janeiro. Ela se colocou, corajosamente, contra a Intervenção desde o
momento que se anunciou mais este golpe do governo Temer. Marielle foi EXECUTADA por ter denunciado como se dava o modus operandi da violência policial contra os moradores da comunidade de Acari, na zona norte do Rio de Janeiro.

Aos olhos de uma sociedade autoritária, racista, machista, misógina, homofóbica, que flerta irresponsavelmente com o fascismo, Marielle tinha "defeitos". Ela era mulher, negra, feminista, socióloga, nascida e criada numa favela, militante dos direitos humanos e de causas várias pelos excluídos de sempre. Emponderadamente, e sem os falsos moralismos que nos contaminam, Marielle assumiu sua relação com outra mulher. Ela era de esquerda, politizada, e defendia uma sociedade mais justa, menos desigual. Por isso tudo, muitos pensaram que ela
tinha que ser elimina, extirpada, de nosso meio.

Marielle Franco foi EXECUTADA por ter sido a quinta vereadora mais bem votada nas eleições de 2016 quando obteve 46.502 votos. Ou seja, mais de 46 mil pessoas apoiavam ideias, lutas e trabalhos de Marielle. Num país estupidamente violento isso é, sim, uma ameaça. Assim, Marielle não podia seguir tão cheia de vida. Tinha que ser EXECUTADA.


Marielle Franco foi EXECUTADA pelo seu “atrevimento” de querer ocupar um espaço que historicamente nunca lhe pertenceu. No Dia Internacional da Mulher, ela falou da tribuna da Câmara Municipal sobre a “resistência contra os mandos e desmandos que afetam as nossas vidas”. Enquanto listava dados sobre a violência contra a mulher, um homem a interrompeu para lhe dar uma rosa. Ironicamente, Marielle disse: “homem fazendo homice”. É que Marielli não queria flores, queria ser respeitada!

No início dos anos 1970, o deputado federal do antigo PTB Rubens Paiva foi torturado até a morte numa unidade militar. Segundo relatos concedidos à Comissão Nacional da Verdade, seu corpo foi enterrado e desenterrado várias vezes, por agentes de órgãos da repressão do Regime Militar, até que foi jogado ao mar. Quase 50 anos depois, a vereadora do PSOL Marielle Franco foi EXECUTADA durante o governo golpista/intervencionista de Michel Temer.
Quando parlamentares, escolhidos pelo povo para representa-lo, são torturados até a morte e/ou executados é porque o sistema politico democrático já ruiu de vez.



Em 1968, uma multidão ocupou a Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro, para acompanhar o velório do estudante secundarista Edson Luís, assassinado pelos disparos de um soldado, em um dos muitos protestos contra a ditadura militar daquela época. 51 anos depois, outra multidão ocupa a mesma Cinelândia para acompanhar o velório da vereadora Marielle Franco, EXECUTADA, ainda não se sabe por quem, após denunciar a repressão policial ocorrida na autoritária Intervenção Militar Federal.
Quando as pessoas passam a ser executadas em locais públicos por protestarem contra a ordem vigente é porque um sistema ditatorial está em pleno vigor.


Nesta entrevista de 19 de fevereiro passado, Mirelle Franco disse com todas as letras, ao  analisar a Intervenção Militar Federal no Rio de Janeiro, que “A democracia está ameaçada”. 


Marielle afirma que a Intervenção Militar Federal traz “o acirramento da violência nos corpos nossos de favelados” e que “ela faz parte de um processo que coloca a própria democracia em risco”.
Mirelle analisa que o “processo de democratização está ameaçado por causa do que está colocado: servidor, saúde, caos em varias áreas e intervenção na segurança, o que ajuda a controlar ainda mais o que vinha sendo controlado antes”. É por essa entrevista que começamos a entender porque Mirelle Franco foi EXECUTADA.

https://www.youtube.com/watch?v=h9oC94oOAdA&t=2s


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

O dia em que o golpe virou carnaval





Em “Brasil: os frutos da Guerra” (Ed. Intrínseca, 2015), o brasilianista Neill Lochery mostra o espanto da embaixada norte-americana, no Rio de Janeiro de 1938, com os brasileiros que “paravam com suas obrigações para a festa de carnaval”. Lochery diz que na 2ª Guerra Mundial o Rio de Janeiro se tornou, como várias cidades mundo afora, alvo da Alemanha nazista. O governo americano pediu as autoridades locais que, à noite, o então Distrito Federal ficasse no escuro para que submarinos alemães perdessem a referência em possíveis ataques. Não deu certo! Os cariocas não aceitaram brincar o carnaval de 1943 no breu e deram de ombros para os americanos que não compreenderam como vidas podiam ser menos importante do que uma festa.


Arnaldo Jabor disse não entender um povo que com tantos problemas se dá ao luxo de passar vários dias curtindo carnaval. O intelectual-mor da República do Tucanobanaquistão não está autorizado a entender um povo que deixa de comer, mas não deixa de “brincar carnaval”. Quando lidamos com coisas tão sérias, como o carnaval, só mesmo um Gilberto Freyre para explicar.


Disse “coisa série como carnaval”? É que o carnaval é uma espécie de licença poética de um povo oprimido, escravizado, por uma elite autoritária distante desse povo que se formou, também, pelas influências dos que aqui foram escravizados. Historicamente o carnaval nos serve para protestar, criticar, reivindicar, além de desdenhar, desfrutar, burlar, satirizar, de tudo e de todos. Paradoxalmente, levamos o carnaval a sério, pois ele nos permite tudo que no dia a dia seria impensável fazer, como assumir outra identidade usando uma fantasia. Dedicamo-nos tanto a essa festa porque estamos tratando de nossa cultura, sociedade, economia e politica. Quer coisa mais séria?


Foi isso que vi no desfile da Escola de Samba “Paraíso do Tuiuti” que fez de sua apresentação uma aula de história e de politica ao relacionar o cancro da escravidão com coisas que acontecem hoje. Ao tempo em que mostrava a escravidão defendeu que ela não acabou, apenas mudou de forma. Com o titulo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?” a Tuiuti disse que ela não acabou no Brasil após 130 anos da Lei Aurea. Aqui, não trato de critérios técnicos ou estéticos – esse não é meu metiê. Mas, como historiador, afirmo que relacionar a chegada dos navios negreiros ao Brasil com o "cativeiro social" de nossos dias foi sensacional, diria emocionante. Partindo da escravidão, a Tuiuti tratou da desigualdade social, precarização do trabalho, desemprego, falta de direitos e excesso de deveres a que nosso povo foi, e é, submetido.


A comissão de frente da Escola, com escravos acorrentados sendo açoitados por um feitor, fez lembrar carnavais em que Joãozinho Trinta nos golpeava com maciças doses de realidade. A luta de classes e as disparidades sociais foram magistralmente representadas num carro alegórico onde, no andar de cima, banqueiros e aristocratas se divertiam enquanto eram sustentados, do andar de baixo, pelo povo trabalhador. A Escola mostrou o que queria mostrar sem fantasiar a realidade. Como eu disse, carnaval é coisa séria!


Se é verdade que no Brasil tudo acaba em samba, a Paraíso do Tuiuti transformou o golpe de 2016 em um carnaval inesquecível. As imagens explicam o que minhas palavras pouco ou nada dizem. Esqueçamos tudo o que já foi dito, escrito e desenhado sobre Michel Temer, pois a partir do domingo do carnaval de 2018 o texto e a imagem do usurpador-mor é a de um vampiro envolto numa faixa presidencial. Afinal, o que mais tem feito o ilegítimo senão nos vampirizar com a monstruosa organização criminosa que o cerca?


E o que dizer da ala "Guerreiros da CLT" com seus membros fantasiados de carteiras de trabalho, depauperadas pela reforma trabalhista que o conglomerado golpista tanto preza? Nada, basta olhar. Confesso que a ala dos "manifestoches”, debochando dos que iam às ruas de verde-e-amarelo defender os interesses da elite, me deu uma alegria misturada a um otimismo que a muito não sentia. Aqueles patos amarelos sendo manipulados, como fantoches, por gigantescas mãos cujos donos não apareciam me fizeram delirar e dizer em voz alta: “estou vingado”! O desfile da “Paraíso do Tuiuti” me deu algum alento de que este carnavalesco país ainda tem alguma chance.


A alegoria dos fantoches, que defenderam o impeachment de Dilma Rousseff, foi um tapa na cara da Rede Globo obrigada que foi a mostrar para todo o mundo a ridicularizarão do que tanto promoveu. O desfile da Tuiuti foi um direito de resposta dos que se sentem injustiçados pelos atos do conglomerado golpista e me fez lembrar o direito de resposta de Leonel Brizola em pleno Jornal Nacional em 1994. https://www.youtube.com/watch?v=bTYkusiBnT8



Por fim, mas não menos importante, destaco o desfile da Estação 1ª de Mangueira. Como carnaval combativo foi um dos melhores protestos que já vi. A Mangueira olhou para si, para as outras escolas, para os blocos de rua do Rio de Janeiro e bateu aberta e pesadamente no pastor/prefeito carioca Marcelo Crivella que quis (coitado!) acabar com os desfiles das escolas de samba.


O enredo da Mangueira dizia "Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco". É a mãe de todas as respostas de que, sim, vai haver carnaval no Rio e no Brasil independente do governante de plantão e de suas crenças. A Escola trouxe um boneco enforcado, como um Judas, com os seguintes dizeres: "Prefeito, pecado é não brincar o carnaval", numa alusão aos cortes nas verbas, para os desfiles, promovidos por Crivella. Sendo um fundamentalista de sua religião, Crivella considera o carnaval um pecado, daí o recado da Escola para o prefeito.

Num carro alegórico, um ator fantasiado de "Cristo proibido" lembrava a escultura de Joãozinho Trinta na Beija-Flor em 1989, com a legenda: "Orai por nós, porque o prefeito não sabe o que faz". Sabe sim, sabe muito bem o que e porque faz, pois existe a mão invisível do "manifestoche” da Tuiuti a lhe guiar os passos. O problema é que ele não entende o povo que o elegeu e muito menos entende a seriedade que este povo dá a sua maior expressão cultural.


PS: Abaixo a letra dos sambas enredo da Beija-Flor, Mangueira e Paraíso do Tuiuti. Eles falam de tudo o que não temos (direitos) e de tudo o que nos falta (igualdades de toda sorte).


Monstro É Aquele Que Não Sabe Amar (Os Filhos Abandonados da Pátria Que Os Pariu)
Sou eu
Espelho da lendária criatura
Um monstro
Carente de amor e de ternura
O alvo na mira do desprezo e da segregação
Do pai que renegou a criação
Refém da intolerância dessa gente
Retalhos do meu próprio criador
Julgado pela força da ambição
Sigo carregando a minha cruz
A procura de uma luz, a salvação!
Estenda a mão meu senhor
Pois não entendo tua fé
Se ofereces com amor
Me alimento de axé
Me chamas tanto de irmão
E me abandonas ao léu
Troca um pedaço de pão
Por um pedaço de céu
Ganância veste terno e gravata
Onde a esperança sucumbiu
Vejo a liberdade aprisionada
Teu livro eu não sei ler, Brasil!
Mas o samba faz essa dor dentro do peito ir embora
Feito um arrastão de alegria e emoção o pranto rola
Meu canto é resistência
No ecoar de um tambor
Vêm ver brilhar
Mais um menino que você abandonou
Oh pátria amada, por onde andarás?
Seus filhos já não aguentam mais!
Você que não soube cuidar
Você que negou o amor
Vem aprender na beija-flor

Com Dinheiro Ou Sem Dinheiro, Eu Brinco
Chegou a hora de mudar
Erguer a bandeira do samba
Vem a luz à consciência
Que ilumina a resistência dessa gente bamba
Pergunte aos seus ancestrais
Dos antigos carnavais, nossa raça costumeira
Outrora marginalizado já usei cetim barato
Pra desfilar na Mangueira
A minha escola de vida é um botequim
Com garfo e prato eu faço meu tamborim
Firmo na palma da mão, cantando laiálaiá
Sou mestre-sala na arte de improvisar
Ôôô somos a voz do povo
Embarque nesse cordão
Pra ser feliz de novo
Vem como pode no meio da multidão
Não, não liga não!
Que a minha festa é sem pudor e sem pena
Volta a emoção
Pouco me importam o brilho e a renda
Vem pode chegar
Que a rua é nossa mas é por direito
Vem vadiar por opção, derrubar esse portão, resgatar nosso respeito
O morro desnudo e sem vaidade
Sambando na cara da sociedade
Levanta o tapete e sacode a poeira
Pois ninguém vai calar a estação primeira
Se faltar fantasia alegria há de sobrar
Bate na lata pro povo sambar
Eu sou Mangueira meu senhor, não me leve a mal
Pecado é não brincar o carnaval!

Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?
Irmão de olho claro ou da Guiné
Qual será o seu valor? Pobre artigo de mercado
Senhor, eu não tenho a sua fé e nem tenho a sua cor
Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida
Mostra que a vida se lamenta por nós dois
Mas falta em seu peito um coração
Ao me dar a escravidão e um prato de feijão com arroz
Eu fui mandiga, cambinda, haussá
Fui um Rei Egbá preso na corrente
Sofri nos braços de um capataz
Morri nos canaviais onde se plantava gente
Ê Calunga, ê! Ê Calunga!
Preto velho me contou, preto velho me contou
Onde mora a senhora liberdade
Não tem ferro nem feitor
Amparo do Rosário ao negro benedito
Um grito feito pele do tambor
Deu no noticiário, com lágrimas escrito
Um rito, uma luta, um homem de cor
E assim quando a lei foi assinada
Uma lua atordoada assistiu fogos no céu
Áurea feito o ouro da bandeira
Fui rezar na cachoeira contra bondade cruel
Meu Deus! Meu Deus!
Seu eu chorar não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social
Não sou escravo de nenhum senhor
Meu Paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti o quilombo da favela
É sentinela da libertação

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Somos um bando de irreformistas

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Nos dias de hoje, principalmente nos períodos eleitorais, sempre falamos em reformas. Às vezes penso que somos reformistas por definição! Mas, na verdade, apenas gostamos de falar em reformas, daí a praticarmos já vai uma grande distância. Estamos sempre falando em reformas! Tem sempre alguém defendendo a reforma tributária e do modelo econômico. A reforma agrária continua sendo bandeira de luta de movimentos organizados. Muita se fala, também, de reformas na educação.

E ainda existe a mãe de todas as reformas – falo da reforma política, que é aquele negócio que ninguém sabe bem o que é, e nem como fazer, mas que todo mundo defende como se fosse à panaceia para todos os nossos problemas. Há 54 anos, em 1963, também era assim. Só se falava em reformas. No início da década de 1960 a sociedade brasileira se mobilizou em torno das Reformas de Base. Naquela época havia um amplo sentimento de que, sem reformas, nunca sairíamos do terceiro mundo. De fato, foi isso mesmo. Não fizemos as reformas (alguns, como eu, preferem chamar de revolução), pois preferimos o autoritarismo, e ficamos assim: grandes e subdesenvolvidos.

Em 1963, o presidente da República era João Goulart. Menos por vontade própria e mais pela pressão de vários setores da sociedade, Jango aderiu às reformas de base não sem algumas vacilações pouco normais para a época. No passado, as reforma tinham alta capacidade de mobilizar a sociedade, ao contrário dos nossos dias, aonde as pessoas só vão às ruas para lutar por coisas sem sentido, e atrapalhar o trânsito, ou para pedir a volta da ditadura militar ou o fim da corrupção, atendendo aos interesses dos que jamais vão às ruas até porque são protegidos pelo tal foro privilegiado.
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Se no passado se lutava por reforma agrária, política e educacional, hoje o máximo que fazemos é participar ocasionalmente de manifestações contra a corrupção. Apesar de que não adianta ser contra a corrupção e eleger “Malufs” e “Severinos Cavalcantis” a cada dois anos. O fato é que no passado éramos reformistas praticantes, hoje não passamos de uns reformistas de botequim.

Um movimento de massa organizado lutava pelas reformas de base e reivindicava do Congresso Nacional medidas constitucionais necessárias para uma consequente reforma das instituições. Mas, pelo que lutavam os reformistas da década de 1960? Eles se mobilizaram por uma reforma agrária que democratizasse o acesso a terra e que desse às pessoas condições de viver, comer e se desenvolver junto com suas famílias. Pasmem! Mas, em 1963 já se falava em transposição do Rio São Francisco. A mesma que se arrasta pelos anos, torrando somas fantásticas de dinheiro, enquanto a seca devora o povo nordestino impiedosamente. Em 1963, 90% das terras no Brasil estavam nas mãos de apenas 10% da população. Passados 54 anos, apenas 10% das terras brasileiras estam nas mãos de 90% dos brasileiros. Ou seja, não mudamos nossa estrutura fundiária porque seguimos sem fazer uma ampla reforma agrária. 

Lá em 1963 falava-se muito em reforma urbana para que grande parcela da população pudesse ter boas condições de moradia e para que o fosso social, que separa as pessoas de acordo com seus locais de moradia, fosse encurtado. Claro, não fizemos reforma urbana – as favelas estam aí para não me deixarem mentir. Lutava-se por reforma educacional que ampliasse a rede pública de ensino. Os jovens entravam na luta política pela porta das mobilizações por mais vagas nas universidades.

Como nos dias de hoje, se lutava em 1963 por reforma tributária que corrigisse a desigual distribuição de encargos entre o capital e o trabalho, entre ricos e pobres. Essa é outra reforma que adoramos defender, mas não parecemos saber o que fazer para efetivá-la. Além da questão tributária, falava-se da reforma bancária que pudesse levar crédito e financiamento a todas as forças produtivas do país a juros normais, sem usura e sem corrupção. O financiamento até foi democratizado, já a usura e a corrupção...

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Naquela época se falava muito em reforma administrativa que pudesse dotar o Estado brasileiro de uma estrutura mais sólida, menos dependente da burocracia e com eficientes mecanismos de controle contra a corrupção. Claro, essa reforma jamais foi feita, do contrário não estaríamos às voltas com essa grande quadrilha de criminosos que pilham o Estado brasileiro, enquanto fingem que governam, impedindo que se possa desenvolver. Em 1963 falava-se em reformar o sistema político-partidário e a forma da representação. Falava-se em reformar os poderes e as eleições. Hoje, continuamos a falar dessas coisas, apenas encontramos um termo que resume tudo isso: é a tal reforma política.
Sempre se dirá que não se fez reformas por causa do golpe civil-militar de 1964. É que, com ditadura, ficou mesmo difícil fazer reformas sociais e políticas. É preciso não esquecer que o golpe foi dado exatamente para se impedir que as reformas de base acontecessem. Mas, a ditadura não teria acabado a 32 anos, tempo considerável para se reformar tudo, inclusive o Estado brasileiro? O fato é que somos um bando de reformistas de gabinete. Até achamos que devemos nos reformar, mas como não sabemos como, seguimos assim irreformáveis.


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Progama FALANDO SÉRIO na CREATIVE TV de Picuí-PB





No Programa FALANDO SÉRIO da CREATIVE TV, apresentado por Fabiana Agra - jornalista e advogada - e pela Profª do IFPB/Picuí Virna Cunha, falamos sobre nossos livros, sobre a conjuntura politica brasileira atual e a relação dela com o golpe civil-militar de 1964 e o Estado autoritário que perdurou por longos 21 anos, dentre outras coisas.

Exploramos nossas produções acadêmicas ou não, expressamos nossas preocupações com a atual conjuntura, onde o Brasil parece estar sendo propositadamente desmontado, mas não deixamos, também, de analisar as questões com nossos olhares de estudiosos das ciências humanas e sociais, pesquisadores que somos de nossa realidade.


O Programa, gravado em 08 de novembro de 2017, foi ao ar pela CREATIVE TV (www.canalctv.net ), a primeira TV via internet da cidade de Picuí (PB) que cobre toda a região do Curimataú e Seridó Paraibano. A CREATIVE TV contribui para o desenvolvimento midiático da região registrando fatos do dia-a-dia e levando informação, cultura, entretenimento, esportes, educação para a população da cidade e da região.


No mesmo dia em que gravamos este programa na CREATIVE TV, tivemos o evento Roda de Conversa com discentes e docentes das Redes Estadual e Federal de ensino, promovido pela Diretoria de Desenvolvimento de Ensino do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) - Campus de Picuí. Tivemos o lançamento do livro "O DEZESSEIS - OS RETIRANTES DA DEMOCRACIA" de Fabiana de Fátima Medeiros Agra e do meu livro, além de um excelente debate sobre o Golpe Civil-Militar de 1964 e a atual conjuntura golpista que enfrentamos. Na ocasião fui brindado com uma resenha muito interessante feita pela professora Virna Cunha que pode ser lida abaixo.


A esquerda pela esquerda: Consciência e ciência do papel dos grupos de esquerda na Paraíba por Virna Cunha Farias


 Gilbergues Santos é graduado em História pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB, especialista em História política do Brasil República e é mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Gilbergues é professor da Universidade Estadual da Paraíba – UEPB desde 1993. O pesquisador também se dedica a blogs sobre política e a programas em rádio em que refletia a conjuntura política do momento.
Em "Heróis de uma revolução anunciada ou aventureiros de um tempo perdido?" o autor faz uma análise do papel dos movimentos de esquerda em Campina Grande com recorte temporal para os anos de 1968 a 1972, anos considerados difíceis devido ao endurecimento da Ditadura Militar instalado aqui após o golpe de 1964. Sua pesquisa volta-se para as ações do Partido Comunista Brasileiro – PCB – e da tendência que este partido de linha marxista – leninista apresentava para um viés de autoritarismo e a antidemocrático. 

Temos uma obra que traz uma contribuição muito grande não apenas por mostrar os movimentos de esquerda aqui na cidade, mas pelo lado autoritário desses movimentos serem pensados e mostrados por alguém que também militou na esquerda, temos então a esquerda vista pela própria esquerda e não o antagonismo esquerda X direita que sempre se apresenta quando o assunto é autoritarismo.
O livro está dividido em 3 capítulos, além da apresentação feita pelo professor Rangel Júnior , reitor da UEPB e das partes introdutórias e das considerações finais do autor. No primeiro capítulo, "PCB e a Matriz autoritária da Esquerda Brasileira", o autor discute os principais elementos autoritários do PCB e as críticas de Marx à democracia, entendida por ele como coisa de burguês. O autor ainda reflete no mesmo capítulo sobre a pobre tradição democrática de nossa sociedade e a relação entre comunistas e militares.
No segundo capítulo, "O dilema dos comunistas: revolução ou reformas?", o autor discute as ambiguidades em torno da luta dos comunistas sempre colocando em pontos contrastantes questões como as reformas sociais tão desejadas pelas classes trabalhadoras, embora que elas custem à democracia. Os opostos estão sempre presentes neste momento conturbado que a esquerda se finca entre as reformas ou a violência revolucionária até retornarem ao caminho da ação armada. Neste momento, o pesquisador reflete também como essas inquietudes da política nacional eram absorvidas em Campina Grande, objeto principal de sua investigação.
No terceiro e último capítulo, "Atuação das organizações revolucionárias em Campina Grande", o autor volta-se para o seu objeto de estudo e relata como essas organizações de esquerda agiram na Rainha da Borborema. Nas considerações, o pesquisador retoma partes já comprovadas e conclui como a atuação das organizações revolucionárias de esquerda se mostraram antidemocráticas e autoritárias, apesar de não haver usado de luta armada em Campina Grande. Acredita o historiador em que o fato de Campina ser uma cidade interiorana tenha contribuído para que o papel desenvolvido aqui tenha sido de apoio e infraestrutura, mesmo estando a esquerda daqui antenada com o que acontecia no resto do país.
O livro traz uma contribuição muito grande não só na área de História, mas também na de Sociologia já que estuda questões inerentes aos movimentos sociais como também a forma que a nossa sociedade entende o processo democrático.  A reflexão que deixa de como o homem é afeito a meios autoritários para se chegar a determinados fins faz com que percebamos que dominar através da força bruta não é coisa nem de direita, nem de esquerda, mas coisa do ser humano, da fera que há no homem de todos os tempos.

domingo, 22 de maio de 2011

Porno-Forró ou primitivismo estético....



Já utilizei este espaço para criticar o forró estilizado, e a música comercializável de nossos dias. Também, já utilizei minha coluna no http://www.paraibaonline.com.br/ para, pedagogicamente, mostrar os motivos pelos quais o tal "forró de plástico" é tão nocivo para a nosso cultura. Em um artigo em que falo de Chico Buarque (http://www.paraibaonline.com.br/coluna.php?id=62&nome=Que%20me%20valha%20Chico%20Buarque) aproveito para desabafar. Na verdade, não poupei palavras, pois achava (ainda acho) que se as tais bandas de forró podem usar toda sorte termos chulos em suas "músicas" eu posso utilizar termos, encontrados nos dicionários, para me referir a elas e ao lixo que elas depositam em meus ouvidos. Agora, me valho do jornalista de José Telles e de Ariano Suassuna para mais uma vez desabafar.




A música dos valores perdidos - Ariano Suassuna e o "Forró" atual.
JOSÉ TELES (crítico musical do Jornal do Commercio, de Recife-PE)

“Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!” e a maioria das moças levanta a mão.

Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, de todas as bandas do gênero).

As outras são “gaia”, “cabaré”, e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.

O secretário de cultura Ariano Suassuna foi bastante criticado, numa aula-espetáculo, no ano passado, por ter malhado uma música da Banda Calipso, que ele achava (deve continuar achando, claro) de mau gosto. Vai daí que mostraram a ele algumas letras das bandas de “forró”, e Ariano exclamou: “Eita que é pior do que eu pensava”. Do que ele, e muito mais gente jamais imaginou.

Pra uma matéria que escrevi no São João passado, baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá:
Calcinha no chão (Caviar com Rapadura)
Zé Priquito (Duquinha)
Fiel à putaria (Felipão Forró Moral)
Chefe do puteiro (Aviões do forró)
Mulher roleira (Saia Rodada)
Mulher roleira a resposta (Forró Real)
Chico Rola (Bonde do Forró)
Banho de língua (Solteirões do Forró)
Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal)
Dinheiro na mão, Calcinha no chão (Saia Rodada)
Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca)
Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró)
Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró)


Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas. Porém o culpado desta “desculhambação” não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo.

Faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de “forró”, parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado. Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina “forró estilizado” continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção.

Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem “rapariga na platéia”, alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é “É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!”, alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.