GILBLOG
Professor do Curso de História da Universidade Estadual da Paraíba. Mestre em Ciência Política (UFPE) e Doutorando em Ciência da Informação (UFPB). Especialista em História do Brasil, com ênfase na Era Vargas e na Ditadura Militar, na democracia e no autoritarismo. Autor dos livros "Heróis de uma revolução anunciada ou aventureiros de um tempo perdido" (2015) e “Do que ainda posso falar e outros ensaios - Ou quanto de verdade ainda se pode aceitar” (2024) lançados pela Editora da UEPB.
domingo, 27 de setembro de 2026
Se gritar miliciano, não fica um bolsonarista!
Nunca foi difícil escolher!
Nunca foi difícil escolher! Na verdade, foi sempre muito fácil!
A tal da “escolha difícil” só estava mesmo, e ainda está, na cabeça
de Vera Magalhães e de setores da sociedade brasileira que não conseguem fazer
uma opção política, ideológica e eleitoral que seja minimamente coerente com o lado onde se encontram no
processo de produção e de reprodução do modo de produção capitalista.
A escolha só é difícil para o trabalhador que pensa como o seu
patrão, que defende o Estado mínimo, sem entender que a burguesia não vive sem
o Estado para defender seus interesses econômicos.
A escolha é complexa para o funcionário público neoliberal que é a favor
da privatização e que supõe que vai ficar rico se defender os interesses do
grande capital.
A escolha é impossível para o pobre de direita, para o preto racista,
para a pessoa LGBT homofóbica, para a mulher machista porque precisam lutar
contra sua própria condição social.
Enfim, dito de outra forma, a escolha é muito simples para quem é
consciente de seu papel na sociedade. Agora mesmo, temos que escolher entre um
estadista do tamanho de Lula e um elemento membro de uma organização criminosa que atende pelo nome de família Bolsonaro.
Convenhamos, não é difícil escolher!
PS: Não acho impossível Lula vencer já no 1º turno. Existe mesmo uma possibilidade de não termos 2º turno, ainda que as pesquisas apontem mais para a realização de um 2º turno.
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
ESTÁ DIFÍCIL, MAS QUANDO FOI FÁCIL?!
Não é impossível vencermos as eleições para presidente da República e, sim, Lula pode vencer ainda no 1º turno; mas, para isso, temos que deixar o bom-mocismo de lado, pois o jogo da democracia liberal é pesado já que permite que um criminoso seja candidato.
Precisamos entender que a democracia liberal é o sistema político criado, pela burguesia, para propiciar o melhor funcionamento político possível ao seu sistema econômico, o capitalismo. É por isso que tem candidatos da extrema direita e da direita Faria Limer que são contra o fim da jornada 6X1. Elementar, eles estão defendendo os interesses da classe social que financia suas campanhas eleitorais. Simples assim!
Infelizmente, nosso modelo de democracia meramente eleitoral permite que um miliciano extremamente perigoso, um coach milionário metido a psiquiatra, o criador de uma organização fascista, o representante da direita do agrorural, etc, sejam candidatos à presidência da República.
Precisamos tratar Flavio Bolsonaro pelo que ele é - um membro de uma organização criminosa que cometeu crimes como tentativa de Golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Inclusive, é preciso que se diga que seu pai é o chefe dessa organização criminosa ainda que esteja preso, cumprindo a pena que a justiça lhe impôs.
É preciso mostrar claramente o envolvimento de Flavio BOLSONARO com o "esquemão" do Banco Master de Vorcaro. Para isso, importa bastante assistirmos e divulgarmos o 2º episódio da Série de reportagens "REVELANDO" em que Fábio Porchat nos mostra as conexões entre o dinheiro, a fé "evangelicalizada" e a extrema direita, através do Banco Master.
O episódio "GRANDES IGREJAS, MASTER NEGÓCIOS" é sério, não é para rir, e serve para sabermos bem com quem estamos lidando e dos riscos que corremos caso o "irmãozão" de Vorcaro venha a ganhar a eleição.
É preciso mostrar o envolvimento dos BOLSONAROS no assassinato de Marielle e Anderson. Ficar falando de "rachadinhas" na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e na Câmara dos Deputados não funciona mais. Enfim, não faltam crimes cometido por Flavio Bolsonaro para serem mostrados na propaganda eleitoral.
É PRECISO MOSTRAR QUE FLÁVIO BOLSONARO É O CANDIDATO DA EXTREMA DIREITA POR ELE SER EXATAMENTE O PIOR E O MAIS PERIGOSO DOS BOLSONAROS
Não adianta seguir as regras da democracia liberal [meramente eleitoral] se o adversário joga para acima e além das regras, normas e leis. É preciso mostrar que nós temos 2 opções:
- uma, é o estadista LULA.
- outra, é o criminoso Flavio BOLSONARO.
Lula Paz e Amor pode funcionar lá na ONU. Mas, aqui é diferente! Temos que enfrentar com coragem a extremosa destra criminosa em sua aliança com a burguesia e o grande capital corporativo.
Temos que vencer a eleição, pois dependemos disso para seguirmos minimamente seguros e em paz.
terça-feira, 8 de setembro de 2026
O que o ministro do STF, terrivelmente evangélico e bolsonarista, quer mesmo é acabar com as operações da Polícia Federal e intervir na eleição
É sempre bom lembrar que quem tornou André Mendonça Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) foi ... Jair Bolsonaro. Também, não se deve esquecer que ele estava cumprindo uma promessa, pois antes mesmo de ser eleito dizia que indicaria um ministro “terrivelmente evangélico” ao STF.
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| Indicado ao STF, André Mendonça reconhece 'submissão' a bispos da Assembleia de Deus | Lauro Jardim - O Globo |
Já presidente, Bolsonaro anunciou
que o ministro "terrivelmente evangélico" seria ... André Mendonça. Isso
aconteceu quando ele participava, na Câmara dos Deputados em 10\07\2019, de um
culto evangélico e de uma sessão em homenagem aos 42 anos da Igreja Universal
do Reino de Deus do “terrivelmente (pastor) evangélico” Edir Macedo.
Bolsonaro, que cumpre pena por
ter liderado organização criminosa armada (além de tentativa de abolição
violenta do estado democrático de direito, de golpe de estado, de dano
qualificado e deterioração contra patrimônio da União), afirmou,
nesse evento na Câmara dos Deputados, que: “O Estado é laico, mas nós somos
cristãos. Esse espírito deve estar presente em todos os Poderes. Por isso, meu
compromisso: poderei indicar dois ministros para o STF; um deles será
terrivelmente evangélico”. (Fonte:
Agência Câmara de Notícias).
Em tempo: 1.) Sendo o Estado laico,
o espírito cristão não pode se fazer presente nos poderes da República; 2.) Como
o Estado é laico, não poderia jamais ocorrer
um culto evangélico na Câmara dos Deputados; 3.) O fato de uma pessoa ser “terrivelmente
evangélica” não a qualifica para ser ministra do STF, ainda que seja “terrivelmente
bolsonarista”.
Como explicar, então, as ações do
ministro André Mendonça? Elementar, ele é de uma forma assustadora, pavorosa, terrivelmente
evangélico, de direita, conservador\reacionário, numa palavra, ele é
bolsonarista. O que move Mendonça é a sua fidelidade terrivelmente canina à
Família Bolsonaro.
Agora mesmo, Mendonça afastou Andrei Rodrigues da diretoria geral da Polícia Federal. E por que ele fez isso? Porque foi na gestão de Rodrigues (tendo Lula como presidente) em que se desencadeou a Operação Compliance Zero para se investigar e prender Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o “irmãozão” de Flávio Bolsonaro, que bancou o filme Dark Horse e um esquema de desvio de dinheiro, do Brasil para os Estados Unidos, para, dentre outras coisas, bancar a vida de bolsonaristas “exilados”, um deles Eduardo, irmão de Flávio.
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| Um país macumbeiro com um juiz terrivelmente evangélico no STF – CartaCapital |
Foi sobre o comando de Rodrigues
que se descobriu os mandantes da execução de Marielle Franco e que se revelou o
esquema bilionário de descontos ilegais de aposentados e pensionistas do INSS
ocorrido no governo de ... Jair Bolsonaro. Rodrigues chefiava a PF nas investigações
sobre as tentativas de golpe de Estado (entre novembro\22 e janeiro\23), para
impedir a posse de Lula, e nas operações contra as organizações criminosas comandadas
por empresários, políticos e aquela gente “Faria Limer” que guia a mão visível
do mercado.
O que André Mendonça quer é estancar
as operações da PF para que não se investigue, por exemplo, mais e melhor o
esquema de descontos das aposentadorias e pensões do INSS. É que é do dinheiro,
fruto dos esquemas fraudulentos do Banco Master, que saiu o dinheiro para, por
exemplo, financiar as atividades cinematográficas da família Bolsonaro. O que o
nosso ministro “terrivelmente evangélico e bolsonarista” quer mesmo é cessar as
denúncias, investigadas pela PF de Andrei Rodrigues, que fazem sangrar o capital
eleitoral de Flávio, terrivelmente filho de Bolsonaro.
terça-feira, 11 de agosto de 2026
COMO AGEM OS APARELHOS IDEOLÓGICOS DE ESTADO
Eles atuam pela manutenção e reprodução do poder da classe dominante, utilizando para isso consenso e hegemonia, ainda que o aparelho repressivo (de Estado) garanta o monopólio da coerção.
Os AIEs agem através de valores e normas, de forma que a dominação possa parecer algo natural, e objetivam obter, através de ações específicas, a reprodução das relações de produção que são, na verdade, as relações de exploração do próprio sistema capitalista.
De acordo com Althusser (1999), AIEs são órgãos e instituições que funcionam como peças de uma engrenagem (de um sistema) e atuam na sociedade civil para harmonizar (e ajustar) a consciência social aos padrões do sistema econômico dominante e para que a classe dominante mantenha seu controle social, político e econômico.
Dito de outro forma, os AIEs buscam obter, com ações específicas, a reprodução das relações de produção. Eles são instituições sociais que disseminam o modo de pensar (ideologia) das classes dominantes para que a reprodução e conciliação (coesão) do sistema econômico e político se mantenha. Sendo que cada aparelho ideológico possui seu próprio conjunto de organizações, instituições e práticas que conformam a ideologia dominante e que controla o Estado (Althusser; 1999).
ALTHUSSER, Louis. Aparelhos Ideológicos de Estado (Notas
sobre os Aparelhos Ideológicos de Estado). 9ª ed. Rio de Janeiro:
Edições Graal, 1985.
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
SOBRE IDEOLOGIAS E ESCOLHAS POLÍTICO-PARTIDÁRIAS
Se o animador de auditórios da Globo, que acha que o Bolsa Família não
gera estímulos para tirar as pessoas da pobreza, é de centro esquerda, sou um
dromedário com 5 corcovas do lado esquerdo. Não existe no espectro
político-ideológico a figura do centro disso ou daquilo.
Pode-se ser de esquerda com viés liberal ou revolucionário. A
esquerda atua no cenário político capitalista, jogando o jogo da democracia
burguesa que é neoliberal. Aliás, supor que operando nas instituições políticas
burguesas é possível dotar o capitalismo de uma face humanizada é como acreditar
que o escorpião não vai picar o sapo na primeira oportunidade que tiver.
E temos a direita, que pode ser conservadora, neoliberal e\ou
filosoficamente liberal. É a direita “limpinha” que se vê acima do bem e do mal
por defender a democracia, ainda que vez por outra apoie golpes de Estados e
ditaduras. Ainda tem a extrema-direita que, claro, é fascista\nazista.
Nos EUA, a direita é republicana ou democrata, apesar de Bernie
Sanders ser de esquerda. A social-democracia defende o Estado intervindo na
economia para promover desenvolvimento e justiça social. Aqui foi representada
por Leonel Brizola, após a ditadura militar, e por setores do PT e pelo próprio
Lula. Aliás, o líder comunista Luís Carlos Prestes costumava dizer que o grande
problema de Lula e
Brizola era defender um capitalismo bonzinho – para Prestes, tentar
humanizar o capitalismo era um erro conceitual grave!
O PT tem suas tendências, que divergem, mas todas são de esquerda. O
PSOL é de esquerda e não se desloca para outro lugar. Existem partidos que renunciaram
a princípios ideológicos e se deslocaram da esquerda para a direita, ainda que mantenham
questões originais, é o caso do PDT.
Temos os de direita (PSDB, MDB, DEM) que por “oportunidades”
eleitorais adotam discurso diferente. Como não podem dizer que não são mais
aquilo que sempre foram ou que agora são uma coisa que nunca aceitaram ser,
começam a se autodenominar de centro alguma coisa como se isso repaginasse
uma imagem conhecida.
Devemos lembrar que o tal “centrão” não tem nada a ver com
ideologias. Pelo contrário, o sujeito é do “centrão” porque despreza as
ideologias políticas e apenas contempla seus interesses fisiológicos. É bom
desconfiar dos que se dizem centro alguma coisa, em geral o fazem para esconder
algo.
Sempre existiram dois lados. Escolha o seu! Não busque saídas
fáceis, não seja neutro(a), isento(a).
Não diga que não sabia, que foi enganado. Assuma e reconheça de que
lado esteve, refaça seu pensamento, se for o caso, e siga em frente. Não se
vitimize para justificar escolhas. Não se esconda atrás do biombo da
ingenuidade ou da falta de conhecimento. Se foi capaz de votar em quem defende
estupro, eugenia, escravidão\racismo, homofobia, torturadores, nazistas, seja
capaz de enfrentar consequências e se reposicione
A luta é contra o fascismo genocida e os que são contra isso são
bem-vindos. Mas, se autocritique para não repetir erros. Quem votou em Collor e
não reviu sua posição, votou em Bolsonaro. Não se trata de engano, mas de
posicionamento político e ideológico.
Sempre se poderá dizer: “me enganei com Moro, Dallagnol, Bolsonaro”
para não ter que assumir responsabilidades, mas os criminosos de guerra
nazistas ou os torturadores da ditadura militar diziam ter "apenas seguido
ordens" para justificar seus crimes. Manter-se apoiando um Bolsonaro
qualquer, significa desumanização, nazificação, manter-se aferrado ao fascismo
genocida.
“A mentalidade fascista é a mentalidade do zé-ninguém, que é
subjugado, sedento de autoridade e, ao mesmo tempo, revoltado. Não é por acaso
que todos os ditadores fascistas são oriundos do ambiente reacionário do
zé-ninguém. O magnata industrial e o militarista feudal não fazem mais do que
aproveitar-se deste fato social para os seus próprios fins, depois de ele se
ter desenvolvido no domínio da repressão generalizada dos impulsos vitais. Sob
a forma de fascismo, a civilização autoritária e mecanicista colhe no
zé-ninguém reprimido nada mais do que aquilo que ele semeou nas massas de seres
humanos subjugados, por meio do misticismo, militarismo e automatismo durante
séculos. O zé-ninguém observou bem demais o comportamento do grande homem, e o
reproduz de modo distorcido e grotesco. O fascista é o segundo sargento do
exército gigantesco de nossa civilização industrial gravemente doente. Não é
impunemente que o círculo da alta política se apresenta perante o zé-ninguém;
pois o pequeno sargento excedeu em tudo o general imperialista: na música, no
passo de ganso, no comandar e no obedecer, no medo das ideias, na diplomacia,
na estratégia e na tática, nos uniformes e nas paradas, nos enfeites e nas
condecorações. Um imperador Guilherme foi em tudo isto simples “amador”, se
comparado com um Hitler, filho de um pobre funcionário público”.
"Psicologia de massas do fascismo” – Willelm Reich (1897-1957)
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Jayson Blair e o dilema do serial disinformer
VOCÊ JÁ OUVIU FALAR NO CASO JAYSON BLAIR?
O repórter, Jayson Blair, 27, enganou leitores e colegas do Times com despachos que ele fingia ser de Maryland, Texas e de outros estados, quando geralmente estava distante dali, em Nova York. Ele inventou comentários. Ele forjou situações. Ele usou material de outros jornais e serviços de notícias. Ele manipulou detalhes de fotografias para criar a impressão de que havia estado em certo lugar ou visto certa pessoa, quando na verdade não tinha (The New York Times, 11\5\2003). Observatório da Imprensa - Para lembrar e não repetir Jayson Blair
Blair era um serial disinformer (desinformador em série) que inventava entrevistas com pessoas com quem
nunca tinha falado, que usava imagens manipuladas, que copiava trechos de
outros jornais, que dava notícias de fatos que nunca tinham ocorrido, etc. Uma auditoria do New
York Times apontou graves problemas em quase 40 artigos que ele
publicou em alguns meses.
Jayson Blair demoliu
a reputação do New York Times, que demitiu seus dois principais diretores
editoriais por falta de controle e supervisão, e se tornou um case tratando dos
limites da imprensa, da ética no jornalismo e da checagem de fatos. Para se ter
ideia de quão grave foi o caso, um relatório do
Índice Nacional de Liderança, produzido
pela JFK Scholl de Harvard, que analisa o grau de confiança dos estadunidenses
em instituições e lideranças, o comparou ao escândalo “Watergate” – momento em
que a confiança dos cidadãos em suas instituições foi ao chão.
Certo, esse caso é inaceitável,
execrável. Mas, podemos pensar um pouco sobre o que e como aconteceu. A primeira
questão é que Jayson Blair praticava o que chamamos de desinformação – o
ato pelo qual se cria, deliberadamente, notícias falsas, teorias da conspiração,
discursos de ódio, mentiras, falseamento da realidade, para disseminar em meios
(digitais ou não) de informação e comunicação como as redes sociais. O objetivo
da desinformação é enganar, causar danos e dolos.
Desinformação tem centralidade no funcionamento da tal sociedade da informação e\ou do conhecimento e no (re)surgimento e na afirmação dos movimentos políticos de massa da extrema direita (que ascende ao poder para solapar a democracia). Inclusive, interessa notar que Jayson Blair se tornou um especialista em desinformação, posto que a praticava em todos os seus quadrantes e categorias, como podemos ver no quadro abaixo:
|
Categorias
da desinformação |
Descrição |
|
Manchetes, recursos
visuais ou legendas que não sustentam e\ou confirmam o conteúdo. |
|
Conteúdo genuíno que é
compartilhado fora de contexto. |
|
Imagens e informações
genuínas que são manipuladas para enganar. |
|
Uso enganoso de
informações para enquadrar um problema ou indivíduo. |
|
Uso
de fontes genuínas que podem ser imitadas. |
|
Conteúdo
que é totalmente falso, projetado para enganar e prejudicar. |
|
Tem potencial para
enganar, mas sem intenção de causar danos. |
COSTA, Luciana M.; NÓBREGA, Lizete B. da; MAIA, Carolina T. Combate à desinformação na pandemia da Covid-19: a reação das plataformas digitais. In: REVISTA EPTIC. Revista Eletrônica Internacional de Economia Política da Informação, Comunicação e da Cultura. (Dossiê Temático: Economia Política da Desinformação). Vol. 23, nº 01, jan-abr, 2021. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/eptic/issue/view/1099. Acesso em: 20 set. 2023.
Outra coisa,
necessária para entendermos o caso Jayson Blair, porém não suficiente e que não
pode servir de justificativa, é que durante todo o século XX o jornal impresso,
o rádio e a televisão precediam à notícia e à informação – eles existiam para
cima e além dos acontecimentos e fatos. O jornal circulava diariamente mesmo
que a terra tivesse
parado, como diria Raul Seixas.
Imagine a seguinte
situação: o editor-chefe, de um determinado jornal, cobrando os seus jornalistas,
insistentemente, por notícias para poder fechar a edição do dia seguinte, e os
jornalistas, descabelados, dizendo que não tinham notícias para dar, pois não
tinha acontecido nada na cidade já que o dia anterior tinha sido feriado. Talvez,
o editor dissesse: “virem-se, preciso de notícias para fechar a edição!". E
os Jornalistas, pressionados, se sentariam às suas máquinas de datilografar e “criariam”,
tal qual Jayson Blair, notícias falsas para atender às demandas do editor. Assim,
se poderia criar o hábito, numa determinada redação, de se inventar notícias
quando não houvesse fatos e acontecimentos verdadeiros para se reportar no
jornal ...
Em Campina Grande, nos anos 1970 e 1980, Diário da Borborema não circulava nas segundas-feiras, pois partia-se do princípio de que não haveria nada para noticiar após um final de semana, sempre modorrento, de uma cidade do interior do Nordeste brasileiro. Inclusive, muitos jornais, pelo Brasil afora, não iam às bancas nas segundas-feiras por uma questão prática - é que, do contrário, se teria que trabalhar aos domingo para entregar a edição da segunda. No Diário da Borborema, a redação funcionava entre a segunda-feira e o sábado, pois o domingo era dedicado ao descanso sagrado dos jornalistas. Se por acaso acontecesse algo relevante no domingo, podia-se esperar até a terça-feira para informar a população, pois vivíamos sem esse senso de urgência que só mesmo o advento da internet e das redes sociais nos dá.
Nos anos 1980, a edição
do dia seguinte do Diário da Borborema tinha que ser fechada até as 15 horas do
dia anterior, pois era mandada para João Pessoa, impressa e retornava para ser
distribuída nas bancas de Campina Grande. E se acontecesse um fato importante
às 17 ou 18 horas? Azar do fato e da população que só saberia do acontecido umas
36 horas depois. Como disse, vivíamos em um tempo sem essa ansiedade de saber
do fato antes mesmo dele acontecer.
Agora, imagina se
baixasse um Jayson Blair na redação do Diário da Borborema, lá por volta de
1982, e dissesse: "tenho um jeito de ter ‘notícias' para pôr no jornal da
segunda feira ou de qualquer outro dia da semana". Ele bem que poderia perguntar
ao editor-chefe: "Já ouviu falar em desinformação e Fake news?"
Em 1977, a IBM
lançou uma campanha publicitária afirmando: “Information: there's growing agreement that is the name of age we live in” (Informação:
há um consenso crescente de que esse é o nome da era em que vivemos). Em 2000,
a AOL, primeiro fornecedor mundial de acesso à internet, afirmava em sua
publicidade: “everywhere, for everyone” (em todos os lugares, para todos). Atentemos para o fato de
que se tenha tido a ideia de anunciar uma nova era, baseada na informação, pois
ela estava em todos os lugares, o tempo todo e em vários formatos para ser
acessada por todas as pessoas. Foi quando o Diário da Borborema deixou de ser relevante,
pois não mais dependeríamos dele para saber o que tinha acontecido na cidade, e
não apenas no dia anterior, mas em qualquer outro momento.
Sempre que estou vendo as notícias, “sabendo de tudo que aconteceu antes mesmo de ter acontecido” ou “ficando bem-informado”, como os midiáticos publicitários da mídia coorporativa gostam de dizer, fico pensando se elas não foram editadas por algum Jayson Blair redivivo que bem que poderia ter cedido à tentação de “inventar” uma notícia movido pelos dilemas de ter que informar a qualquer custo. ATENÇÃO! TEMOS, AQUI, MACIÇAS DOSES DE PURA IRONIA!
Campina Grande segue
com seus finais de semana modorrentos, onde nada de realmente importante
acontece, ainda que tenhamos jornais na TV aberta na segunda-feira. Vejo, ou
tento ver, as edições dos jornais locais e costumo questionar o que nelas ficaria se
os editores retirassem as coisas pouco ou nada relevantes. Tenho nítida
impressão de que as matérias, que “vão deixar você sempre muito bem-informado”,
são o conteúdo usado para encher as linguiças, digo as notícias.
Os jornais das TVs abertas de Campina Grande não
chegam a ser um Jayson Blair, ainda que desinformem se considerarmos que existem
vários tipos de desinformação. Quando o jornal está falando sobre a atitude de
uma pessoa que fez uma boa ação, dando um bom exemplo, ou quando está mostrando
pessoas felizes, correndo em volta do Açude Velho, ou mesmo quando traz uma
matéria, sobre um show da banda Chiclete com Banana que aconteceu a 30 anos atrás,
me pergunto se não teria nada mais relevante para mostrar.
Importa sabermos que um dos objetivos da desinformação é encobrir a realidade. É quando se deixa de dar uma notícia relevante para a sociedade, algo que precisamos saber, pois se refere, por exemplo, aos atos da Prefeitura Municipal e\ou da Câmara de Vereadores. A notícia que desinforma serve, em geral, para ocupar o espaço da notícia que realmente importa. Quando vejo a 2ª edição do jornal local, aqui em Campina Grande, recheada de inutilidades, trivialidades e banalidades fico a me perguntar o que teria feito o prefeito de Campina Grande, nesse mesmo dia, que tivesse impactado a minha vida e de minha família.
O sociólogo Pedro Demo
(2000) já afirmou, no artigo Ambivalências da
sociedade da informação, que o projeto principal pode ser mesmo o de
desinformar. Para ele, “não se se trata apenas de nos entupir com informação de
tal forma que já não saibamos manejar, mas de usá-la para seu oposto, no
sentido mais preciso de cultivo da ignorância”. Em nosso tempo, o estado da notícia
importa pouco ou nada - se ela é ou não verdadeira, se é crível ou não, se informa
ou desinforma –, pois apenas versões e narrativas interessam. Se em 2003, o caso
Jayson Blair incomodou tanto, hoje ele seria risível, pois vivemos nos tempos da
pós-verdade, em que verdades e mentiras parecem ser a mesma coisa.
Ultrapassamos a barreira do que é verdadeiro e do que é mentiroso, autêntico e falsificado, manifesto e oculto; numa palavra, do que é certo e errado. Como bem afirmou o escritor Aldous Huxley, não por acaso especializado em ficção científica: “Uma verdade sem interesse pode ser eclipsada por uma mentira emocionante”. A verdade deixou de ser interessante, sendo substituída pela emoção, que se dá ao luxo de dispensar a credibilidade. Precisamos, então, debater os motivos pelos quais a verdade deixou de ser prioritária, ou mesmo como se tornou apenas um detalhe.









