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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Amigos, não duvidem, nossa luta é contra o fascismo!




Amigos, não duvidem, nossa luta 

é contra o fascismo!


“De fato, se a história tem um sentido, é o de servir de lição para o presente. Enganar-se no presente, e ser incapaz de detectar a realidade de um possível processo de fascistização, não seria desculpável, como foi no passado. O fascismo, como os outros regimes de exceção, não é “doença” ou “acidente”: ele não acontece apenas com os outros”.
Nicos Poulantzas



Esse texto é para você que enfrenta alguns dramas de consciência para votar em Fernando Haddad no 2º turno da eleição presidencial. Ele é, também, para aquele seu amigo que está “medinho” de votar no PT.

Gostaria de lembrar que as pessoas passaram uma vida inteira votando alegremente nos Cássio Cunha Lima, ACM, Sarney, Maluf, e na “catrevagem” política de sempre. Agora, que chegou a hora de se posicionar ante a ameaça do fascismo, votando num partido de esquerda, apresentam dramas existenciais e de consciência.

 A questão agora é a LUTA CONTRA O FASCISMO. O resto é de bem menor importância. Votei em Haddad no 1º turno, farei o mesmo no dia 28/10, claro! E digo a vocês que não sinto nenhum desconforto em votar no PT, pois é o instrumento que temos no momento contra o fascismo. Ciro Gomes é também um instrumento desse tipo, espero que ele entenda isso e se posicione logo da forma mais clara possível.  Fui e sigo sendo muito crítico ao PT e ao comportamento político da esquerda brasileiro em relação, por exemplo, a democracia. Até escrevi um livro sobre isso, como vocês bem sabem...
No entanto, não conheço outro setor do espectro político nacional que, hoje, possa ser o vetor contra o FASCISMO. Assim, vamos à luta contra o mal maior votando em HADDAD e tentando convencer pessoas a fazerem o mesmo.

Alguns, que votaram em Ciro Gomes no 1º turno, dizem não se sentir à vontade para votar no PT, por causa dos “escândalos” e porque depois de “tantos anos o PT não mudou nada”, mesmo que abominem a ideia de votar no Inominável. Já me disseram pretender anular o voto no 2º turno, mesmo torcendo para que “a democracia sobreviva”. Inclusive, ouvi muita gente até a semana passada dizendo que votaria em Ciro Gomes por ter se “decepcionado com o PT”. 


Certo, compreendo isso tudo, mas essa neutralidade poderá nos custar muito caro! Não espere aliviar sua consciência ficando neutro. Se é para pensar em consciência, fico com a minha pesada, mas lutando contra o fascismo!

Por favor, tente analisar as coisas fugindo do falso dilema (dos escândalos) proposto pela Conglomerado Golpista. A democracia só vai sobreviver se os que são favoráveis a ela demonstrarem isso claramente, como fez o povo nordestino no 1º turno que consagrou Fernando Haddad nas urnas.

Infelizmente, hoje temos dois caminhos apenas: ou bem se é contra o fascismo, e a favor da democracia, ou se é a favor do fascismo e tudo aquilo que de pior a humanidade logrou fazer.

Hoje a questão é votar em Haddad, sem dramas de consciência. Deixemos isso para a classe média e/ou a direita, dita liberal, cheia de (falsos) pruridos, que não sabe se sai ou fica dentro do armário obscuro recheado de preconceitos, mitos, questões morais e os valores dos “homens de bem”. Vamos à luta, pois foi duvidando do caminho a seguir que o povo alemão se deixou levar pelo nazismo.







sábado, 6 de outubro de 2018

O que ainda consigo dizer


Antes de analisar o debate da quinta-feira (04/10/18) entre os candidatos à presidente, na Rede Globo, de falar das pesquisas e do que ainda espero para este 1º turno, preciso lembrar da premissa do nosso momento e da tolerância, algo que nos falta em abundância.

Vamos ao fato inicial de onde parte toda questão. Nas democracias, eleição é condição necessária, porém insuficiente. No Brasil, a eleição 2018 aprofunda um projeto de Estado e de sociedade desigual, onde liberdade caminha para ser um bem de poucos, e fascismo, neoliberalismo, neopentecostalismo e conservadorismos reacionários se unem para governar. Não esquecendo que o conglomerado golpista (tendo PSDB, MDB, Judiciário e a velha mídia à frente) se utiliza dessa eleição como o inseto que se viciou em inseticida.  

A mãe de todos os paradoxos, que norteia a ação política de muito brasileiros, é a que se utiliza de procedimentos democráticos (liberdade de expressão) para fulminar a democracia e implantar um regime ditatorial. É por isso que parte da população quer abancar no governo um tirano medíocre (que foge do debate como ele próprio fugiria da cruz) que trabalha como a formiga, por causa do longo inverno, para acabar com os, pouco é bem verdade, vestígios de democracia que temos.

Concordo os que dizem que é a disseminação da intolerância e do ódio, como estratégia política, que mina a vida democrática do país. O filósofo Karl Popper dizia que: "Tolerância ilimitada culminará no desaparecimento da tolerância, pois se a tolerância ilimitada for estendida aos intolerantes, os tolerantes serão destruídos”. Confuso? Nem tanto. Mas, isso é mesmo algo sensível. Assista ao filme “Operação Final”, de Chris Weitz, e veja que você mesmo vai terminar defendendo tolerância zero aos intolerantes. O filme conta a ação de um comando do Mossad que sequestrou o arquiteto da solução final nazista, Adolf Eichmann, na Argentina e o levou para ser julgado, condenado e executado em Israel.


Foi usando procedimentos democráticos que o Partido Nazista subiu ao poder. É fazendo o mesmo que fascistas brasileiros querem governar. Quem não lembra dos “camisas verde-amarela” usando a liberdade de expressão para pedir o fim da democracia? Nos EUA os “Alt-Right” (movimento ultraconservador, supremacista, nacionalista, que reúne neonazistas, neo-confederados e a Ku Klux Klan) usam direitos consagrados na Constituição para fazerem sua pregação antidemocrática e pró-fascista. Mas, não é isso mesmo que acontece no Brasil?
Os tolerantes devem se unir em torno de uma candidatura comprometida com a tolerância, pois nosso futuro, e o de nossas crianças, está em questão, mesmo que o passado seja tão comprometido pelo autoritarismo. Se os intolerantes vencerem vão, não duvide, perseguir os tolerantes, pois a primeira coisa que farão será acabar com a liberdade de expressão. 

Não se trata do projeto desse ou daquele político, ou do ódio que você pensa que sente a um partido e/ou projeto político. A NOSSA LUTA AGORA É CONTRA O FASCISMO! Precisamos tratar da união republicana, democrática, humanista, progressista, contra o mal maior. Você consegue imaginar como estará o Brasil daqui a dez anos depois de uns dois governos do Inominável? Como conheço bem nossa história republicana, mais especificamente o período da ditadura militar, imagino que estaremos mal, muito mal.

Falemos do debate que teve um William Bonner cheio de mesuras que ria de seus erros e gafes, querendo nos convencer que toda aquela simpatia é verdadeira. Nem parecia o Bonner autocrático, irascível, neurastênico, das entrevistas com cada um dos candidatos.
Álvaro Dias tomou whisky com uns dois comprimidos de Rivotril. Trôpego, não concatenava pensamento/fala. Após tentativas patéticas de se fazer engraçado mereceu reprimenda do professor Haddad e voltou a insistir na corrupção como se fosse um homem puro.
Marina Silva tomou uma infusão de ervas, trazidas das profundezas da Floresta Amazônica para seguir sendo Mariana Silva, só que em ebulição. Marina se confunde ao supor que sua revoltazinha amestrada vai convencer o eleitorado de alguma coisa.  


Geraldo Alckmin, o “santo” da Odebrecht, tomou chá de óleo de peroba para lustrar seu discurso cara-de-pau. Ele teve a desfaçatez de dizer que a reforma trabalhista não mexeu nos direitos do trabalhador. Fosse viva minha avó e teria dito: “esse coisa tá om o cão no couro!”.
Meirelles tomou 1/2 comprimido da caixa de Rivotril de Álvaro Dias. Se comportava como se estivesse numa reunião com os técnicos do Banco Central. Seu discurso tecnoburocrata faz lembrar Delfim Netto justificando a necessidade de o governo militar decretar o AI-5.
Ciro Gomes tomou chá de Camomila com Maracujina. Nunca o vi tão zen-budista. Mas, notícias dão conta que, nos camarins da Vênus Plantinada, o Ciro “cabra-macho-do-Nordeste” apareceu célere. Ciro foi muito bom nos ataques a Bolsonaro e foi bem na estratégia de fazer o caminho de volta ao PT, mirando o 2º turno. No entanto, não entendo que cálculo é esse que o mostra ganhando a eleição no 2º turno, mesmo que todas as pesquisas mostrem que ele não vai ao 2º turno. Alguém explica?
Boulos, disparado o melhor de toda eleição, não tomou nada, mas deu à audiência o chá da verdade ao falar da ditadura militar. Boulos foi brilhante ao perguntar a Alckmin porque a turma dele só “corta nos direitos do povo, nunca nos privilégios da elite”.


Haddad não tomou nada. É que o líquido misterioso que sua mãe colocava em sua mamadeira segue fazendo efeito - vai ter calma assim lá na .... USP. Haddad é aquele professor paciente, que dá aulas sentado de pernas cruzadas, calmo com um hipopótamo meditando. O que, diga-se, é tudo o que mais precisamos quando o ódio é o capital do povo brasileiro. Haddad teve ótima participação no debate. Seguro, bateu nos momentos certo, mas do seu jeito.
Antes do debate muito se falou num bloco ALCIRINA (Alckmin + Ciro + Marina), mas o que vai rolar mesmo é o bloco BOUCIDDAD (Boulos + Ciro + Haddad). Isso se conclui, depois do debate, pela dobradinha entre Boulos e Haddad e com Ciro tendo um comportamento republicano e democrático. A “direitosa” extrema pira com essas coisas!

Para votar temos que ter claro que o crescimento do Inominável se dá pelo enfraquecimento, e falta de reação, dos outros candidatos da direita. Claro, a ofensiva dos setores neopentecostalistas, com Edir Macedo à frente, carreou muitos votos para a alegoria fascista nos últimos dias. Mas, não esqueçam que o “mito” não é favorito para ganhar no 2º turno. Haddad é o segundo colocado nas pesquisas e aparece nelas ganhando no 2º turno.


No 2º turno o Infame não poderá se esconder, em algum momento ele vai ter que aparecer para seus próprios eleitores. Estou muito ansioso para um debate entre Haddad, com seu conhecimento e sua sensibilidade, e o Ignóbil, com tudo aquilo que sabemos que ele não tem.
O Execrável ganha votos por causa, também, de setores do conglomerado golpista que abandonaram suas candidaturas para se atarem ao fascismo. Veja o caso do PSDB paraibano. O senador Cássio Cunha Lima, e o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, mandaram às favas os escrúpulos de consciência e abraçaram a postulação da extrema direita. No futuro serão chamados pela sociedade para explicarem suas escolhas atuais.
No entanto, é assim mesmo. A direita, dita liberal, que não quer ser chamada de fascista, não pestaneja em abrir mão de suas fantasias democráticas para proteger seus interesses mais comezinhos. Como diria Karl Marx, “perde uma mão, mas não perde a bolsa”.

Sensato seria abrir mão do tal discurso dos “dois extremos”. A balela de que Haddad e o Abjeto são iguais por serem extremos. Discurso confortável para quem não quer assumir sua condição política e ideológica. Para esse dilema, dou uma sugestão: faça sua escolha e tente viver bem com ela, não esquecendo de assumi-la para o bem e para o mal.
Temos duas opções. Uma, é a defesa da democracia, da liberdade e do desenvolvimento social. Outra, nos fará  andar para trás com uma venda nos olhos. Escolha a sua, mas não seja egoísta, não pense apenas em si mesmo, pense em seus filhos e nas pessoas que você ama.
Temos, neste 1º turno, uma das batalhas dessa guerra que precisamos travar contra o fascismo. Essa eleição é a mais importante das que tivemos até hoje, pois significa a volta ao caminho da construção de uma sociedade mais justa, menos desigual. Ganhar esta eleição significa acumular forças para as próximas batalhas, até porque ainda teremos que lutar muito para garantir que o resultado das urnas seja respeitado.

Outubro - 2018

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Éramos tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais




Sábado (29/9/18) fui à manifestação #EleNão em Campina Grande. Fui com minha esposa, minha filha e três amigas. Fui porque desdenho, desprezo, repudio, alguém que não respeita as mulheres. Fui porque sou um recalcitrante militante das causas justas. Eu sou daqueles que sempre estará onde a luta pela igualdade, pela justiça social e pela liberdade estiver. Como disse certa vez minha mãe, sou um “danado de um vermelho incorrigível”.

Foi estupendo ver aquela gente toda, na rua, sob um sol beduíno, gritando a plenos pulmões que não quer a violência, o preconceito, o ódio, a mentira, o autoritarismo, enfim ... que não quer o FASCISMO.

Fiquei orgulhoso, pois estava ao lado da minha filha gritando “trabalhador, se enganem não, o Bolsonaro só trabalha pro patrão” ou “ele não, ele não, ele não, não, não, não!”. Me convenci que a força da vontade daquelas pessoas não poderá ser quebrada, que no final venceremos.



Na rua, éramos tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais! Éramos todos contra o mal maior, contra tudo aquilo que nos ameaça independente do que fomos e somos. Estávamos na rua por entendermos que liberdade + igualdade = democracia e que viver numa ditadura é muito ruim.

Foi, como dizíamos no “tempo do movimento estudantil”, “maaaaassa!”. Encontrei meus velhos amigos de militância política, minha galera das intermináveis assembleias estudantis, dos COEBs[i] da UFPB, das manifestações, das greves gerais do final dos anos 1980 e das festas do CEU[ii], claro.  Vi que não sou o único dos dinossauros ativo.

Vi que o tal conflito de gerações pode ser revertido em algo como união das gerações, pois os velhos dinossauros, os “militantes raiz”, foram às ruas com seus filhotes, a galera “Nutella”, “modinha”. Enquanto eu encontrava a minha turma, minha filha encontrava a dela. Lembrei-me de Belchior, de fato, “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”, para o bem e para o mal.

No domingo (29/9/18), os carros estavam nas ruas! Zé Ramalho, um dos meus heróis ainda viventes, diria: “Os automóveis ouvem as notícias, os homens a publicam no jornal”. Ontem, era o povo; hoje, são os carros. Em Campina Grande, também conhecida como a “Ilha Tucana”, as carreatas foram às ruas, com seus foguetões pavorosos, suas músicas ridículas e seus motoristas alienados.



No sábado estávamos a pé nas ruas, de cara limpa, dizendo corajosamente o que ainda desejamos para este país. No domingo as pessoas precisaram de um aparato sem fim para defenderem o que é o melhor para um pequeno grupo que não se dá ao trabalho de ir as ruas, nem que seja de carro.

Aqui, em pleno domingo, as pessoas vomitam suas iras incontidas, depois de terem ido à missa ou ao culto, não importa. Os “homens de bem” vão às ruas na esperança de fazerem valer à força suas vontades mais comezinhas. De dentro de seus carros, a elite campina-grandense-tucano-fascista, que não pode ver um coronel, se embriaga com a “festa da democracia” fingindo desconhecer a vontade daquela massa que foi às ruas no sábado gritar “ele não, ele não, ele não, não, não”.





[i] Conselho de Entidades de Base, evento que reunia os Centros Acadêmicos e o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal da Paraíba.

[ii] Clube dos Estudantes Universitários que funcionava às margens do Açude Velho em Campina Grande.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Um ultimato ao fascismo



Muito já se falou sobre problemas e perigos de se votar numa candidatura que é a pura expressão do fascismos que viceja, renitente, em nosso meio. Infelizmente, o texto abaixo não é meu. O caro leitor desculpe a desatenção, mas não consegui descobrir quem é Polly Valéria, autora dessa composição que me chegou na forma de mensagem via WhatAspp.

O texto, que mais parece uma carta, é, em minha opinião, categórico, decisivo, definitivo. É uma espécie de ultimato para aquele familiar, amigo, vizinho, colega de trabalho (ou mesmo ativistas das redes sociais) que nem mesmo sabe porque perdeu a razão ou os vestígios de humanidade que ainda trazia consigo até que a caixa de pandora do obscurantismo fosse aberta. Esse texto é uma última tentativa desesperada de fazer com que algumas pessoas recobrem a razão e o senso de responsabilidade cidadã até o dia da eleição.

Inclusive, vale muito ler o último artigo do jornalista Mario Magalhães no site The Intercept Brasil, onde ele defende que “(...) irrompe no ecossistema do poder um raciocínio extravagante: o de que o segundo colocado nas pesquisas, Fernando Haddad, padeceria do mesmo mal do capitão, o “extremismo”. Nivelam quem é diferente. De caso pensado ou não, ajudam o único extremista tresloucado”. A verdade é dura: quem fica em cima do muro consente com as ideias nazifascistas do bolsonarismo


Bem sei que em algum momento muitos olharão para trás e se darão conta da péssima escolha que fizeram. Vão se perguntar porque adotaram o ódio, a violência, a ignorância, o preconceito, numa palavra, porque se encantaram com o fascismo. Espero que isso possa acontecer sem que o Inominável vença o arremedo de procedimento democrático que vamos ter no próximo dia 07 de outubro.


Foi assim mesmo que aconteceu na Alemanha no pós 2ª guerra mundial. Muitos alemães se arrependeram de ter apoiado Hitler e a sociedade precisou passar por um lento processo de reeducação. Aqui, no Brasil, isso vai acontecer, também. Chegará o momento em que muitos se arrependerão do caminho escolhido. Quando isso acontecer, teremos que estar bem próximos para ajudar na reeducação dessas pessoas. Claro, tem casos que não tem solução. Mas, aí deixaremos para a própria justiça resolver. Uma justiça diferente, não essa que temos hoje.

Mas, vamos viver um dia de cada vez. No momento, a tarefa é impedir que o mal maior vença as eleições. O texto de Polly Valéria pode ajudar.


Aos meus familiares, amigos e conhecidos eleitores do Bolsonaro.

QUANDO FOI QUE VOCÊS SE TORNARAM FASCISTAS?

O que é que vocês precisam proteger derramando o sangue dos seus irmãos? O que você sente ao imaginar a fala do seu candidato sendo realizada?

O que você sente ao apoiar o extermínio de indígenas, negros e homoafetivos? Você reza para que seu familiar/amigo/vizinho gay morra em um acidente? Você empresta seu cinto para que seu vizinho corrija seu filho afeminado, com uma surra até a morte?

Você apoia o policial que confunde um guarda-chuva com um arma e mata o trabalhador que está apenas esperando os filhos descerem do ônibus?

QUAL É O SEU PAPEL NESSA BARBÁRIE TODA?




Quem é você na homenagem ao Carlos Alberto Brilhante Ustra, que desencapa o fio e dá o choque? O que sufoca o torturado com um saco na cabeça? O que leva as crianças pela mão para assistirem a mãe sendo torturada. Ou o que alimenta os ratos que o torturador colocará nas genitais de mulheres? O que você sente ao imaginar isso? De que ângulo você mais gosta de assistir isso?

Quem é você no futuro educacional das crianças? O que ensina elas a fazerem sinal de arma com as mãos? O que vota pelo congelamento dos investimentos na educação?

O QUE AS MULHERES REPRESENTAM PARA VOCÊ? 

E você mulher eleitora desse candidato, o que você é? Uma fraquejada? Mão de obra barata? Uma vagabunda incompetente? Uma fábrica de criar desajustados? O que te faz se conectar com um ser humano que quer o seu extermínio? Que pulsão de morte é essa?


O que te faz se sentir um ser superior e apoiar o extermínio das minorias (Nas quais você certamente está inserido)? Que parte de você se conecta com tanta violência, desumanidade e ódio?


Você vai dormir tranquilo dando o cargo de maior poder do seu país a um desajustado, incapacitado e violento que o que mais deseja é derramar sangue?

Eu pergunto a você meu familiar, amigo e conhecido eleitor desse sujeito. AONDE FOI QUE VOCÊ PERDEU SUA HUMANIDADE?


By Polly Valéria





segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Tutorial para não ser tido como um idiota





Depois de ouvir asneiras de toda sorte que meus conscienciosos ouvidos puderam suportar (sobre política, história, filosofia, ideologias, cultura, religiões) fiz uma espécie de guia para quem não quer ser tido como um “coxinha-manifestoche” e para que não se confunda quem ignora o bê-á-bá do conhecimento social e humano com os que adotaram, em livre e espontânea vontade, o receituário conservador-fascista-reacionário que carece de verossimilhança com a realidade.
Recolhi as pérolas que se lerá abaixo, a partir de meus (desnecessários?) esclarecimentos, sem fazer pesquisa pelas redes sociais onde a estupidez grassa livre, leve e solta. Pouco me esforcei, bastou apurar os ouvidos em alguns lugares públicos e, principalmente, nas salas de aula onde atuo como professor, essa profissão alvo preferencial de uma horda de néscios obcecados em divulgar o desconhecimento e a estupidez para atingir objetivos que não vem ao caso discutir. 


João Goulart não era, nunca foi, comunista. Pelo contrário, defendia a modernização do capitalismo e o desenvolvimento da sociedade brasileira sem romper com os conflitos entre as classes sociais. Aliás, Goulart não condecorou Ernesto “Che” Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul em 1961. Quem o fez foi Jânio Quadro que, como Jango, também não era comunista. 

A esfera vermelha que aparece na bandeira do Japão não é símbolo do comunismo. Ela representa o sol já que o Japão é a terra do sol nascente. O vermelho não é cor exclusiva do comunismo, já que aparece nas bandeiras de países como EUA, França, Alemanha, Bélgica, Espanha.


A Constituição Brasileira não é influenciada ideologicamente pelo marxismo nem pelo comunismo. Ela, assim como a Constituição dos EUA, é inspirada no ideário liberal-burguês-iluminista. 



Gênero são características da masculinidade e da feminilidade; e é um instrumental de análise das relações humanas e sociais. As distinções entre mulheres e homens são construídas socialmente, variam de acordo com as culturas, e determinam o papel social atribuído à mulher e ao homem, além de suas identidades sexuais. Assim, o gênero não pode ser uma ideologia! “Ideologia de gênero" foi criado por fundamentalistas religiosos e não tem respaldo nas ciências humanas e sociais. Mais adequado seria usar o termo "ensino de gênero e sexualidade".

Nazismo e socialismo não tinham vínculos ideológicos! Pelo contrário, os nazistas eram visceralmente anticomunistas, de extrema-direita e defensores do capitalismo. Entre as primeiras vítimas das tropas fardadas do Partido Nazista estavam militantes do Partido Comunista Alemão. Hitler era tão averso ao comunismo como era ao judaísmo.


Olavo de Carvalho não idealizou o conservadorismo e não é sua referência única. Quem deseja estudar o conservadorismo deve começar lendo a obra do filósofo irlandês Edmund Burke que defendia o crescimento orgânico das sociedades e era avesso a reformas e revoluções violentas.


É um extremo equívoco se basear no mandamento bíblico “não matarás” para se opor ao aborto, já que o próprio texto bíblico mostra que podia-se matar estrangeiros, inimigos de Israel, mulheres adúlteras. Vincular o quinto mandamento ao aborto termina sendo uma manipulação do texto bíblico.


Facebook não é uma biblioteca virtual onde se busca o conhecimento. As Redes Sociais são tão somente grupos de relacionamento virtual.



Não se é liberal na economia e conservador nos costumes. Como a água e o óleo, essas questões não se misturariam. Do ponto de vista político, é a visão sobre os limites dos poderes do Estado, e não os valores morais, que torna a pessoa liberal ou conservadora. A diferença não está nos valores, mas nos princípios que se possa defender.

Dilma Rousseff não fez parte do atentado, promovido pela Vanguarda Popular Revolucionária, que vitimou o soldado do exército brasileiro Mario Kozel Filho em 26/06/1968 em São Paulo. Nem poderia, neste ano era militante da COLINA e atuava em Minas Gerais.


Marielle Franco NÃO fazia parte de organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho. Ela foi executada por denunciar atividades criminosas de grupos que agem dentro da Polícia Militar e do parlamento carioca. Marielle foi assassinada por lutar contra o racismo, a homofobia, a misoginia e pelos direitos dos desprivilegiados de sempre.


Mulheres não saem de casa com roupas diminutas “apenas” em busca de um homem que lhes faça “o favor” de estupra-las. Mulher nenhuma quer ou gosta de ser violentada.



Lula não é analfabeto em que pese sua origem social. Claro está que um analfabeto não seria presidente, principalmente num país como o Brasil, e que cerca de vinte Universidades nacionais e estrangeiras não o tornariam Doutor Honoris Causa se ele não possuísse instrução formal.


Direitos Humanos são prerrogativas básicas dos seres humanos - direitos civis e políticos, econômicos, sociais e culturais. Os defensores dos Direitos Humanos não são vagabundos e não gostam de bandidos, apenas lutam para que viver à margem da lei não seja opção única para quem quer que seja.


Monarquias davam sustentação ao feudalismo, por exemplo. O capitalismo criou seu sistema político próprio a partir das revoluções burguesas. Com raríssimas exceções, pelo mundo ocidental, monarquias têm papeis meramente figurativos e/ou decorativos. Defender que o Brasil se torne uma monarquia é tão anacrônico quanto querer a volta da escravidão.

Homossexualismo não é doença, daí não ser possível haver uma “cura gay”. Aliás, não existe uma “ditadura gayzista”, seja lá o que isso possa vir a ser.


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra não é uma quadrilha, no sentido criminal da palavra. O MST é uma das organizações que lutam pela reforma agrária nunca realmente feita no Brasil.


Não existe real e efetiva possibilidade do Brasil se tornar comunista. Inclusive Fernando Henrique Cardoso não é, nunca foi, comunista!


A nudez não é autoexplicativamente imoral, ela é aquilo que os olhos que a veem querem que ela seja.


O Planeta Terra NÃO é plano, é REDONDO. Cerca de 350 a.C., Aristóteles demonstrou isso ao observar que nos eclipses lunares a sombra da Terra na face do sol é curva. Ao atravessar o Oceano Pacífico, indo até à costa oriental da Ásia (entre 1521 e 1522), o português Fernão de Magalhães fez a primeira viagem de circum-navegação na Terra provando sua esfericidade. No final do século XVII, ao apresentar o conceito de gravidade, Isaac Newton também provou a impossibilidade de a Terra ser plana.




A Terra NÃO é o centro do Universo. O astrônomo e matemático Nicolau Copérnico desmontou (entre os séculos XV e XVI) o geocentrismo ao provar que o Sol é o centro do Universo, desenvolvendo o heliocentrismo. No século XVII, O físico, astrônomo e filósofo Galileu Galilei também provou que o Sol, e não a Terra, é o centro do sistema não por acaso chamado de SOLAR. 



Aristóteles já dizia que o “homem é o animal político”, assim pode-se não ter opinião formada sobre certas coisas, mas ser apolítico é impossível.

Não há registro crível de que algum africano tenha se oferecido a um europeu para ser escravizado nas Américas entre os séculos XVII e XIX. Não é razoável supor que alguém quisesse ser acorrentado, açoitado, humilhado, para trabalhar sem remuneração. Aliás, não foi por obra e graça do divino espírito santo que países como Angola, Cabo Verde, Moçambique e Brasil adotaram a língua portuguesa. Não houve um processo seletivo para que esses países escolhessem seus idiomas que foram, na verdade, impostos pelo colonizador português. 


A ação humana tem sim impacto sobre o clima. Basta prestar atenção na relação entre desmatamento e alterações significativas nas estações do ano. 



A Escola até deve não ter partido (no sentido das instituições político-partidárias), o que ela não pode em hipótese nenhuma é não ter filosofia, política, sociologia, ideologia, diversidade em seu meio e em seu entorno.

Os homens mais ricos do mundo, como Bill Gates, Warren Buffett e os irmãos Koch, não são de esquerda, são capitalistas que tem no lucro a própria razão de suas existências.


Vacinas existem para combater um sem número de doenças, mesmo que provoquem efeitos colaterais. As vacinas não são, propositadamente, feitas para matar ou adoecer crianças.


Programas sociais como Bolsa Família não são esmolas dadas pelo governo, são políticas públicas que visam diminuir as desigualdades sociais brasileiras.


O PT não é um partido comunista que quer transformar o Brasil numa Cuba, até porque, quando no poder, se encantou pela economia de mercado e tentou conciliar os interesses das classes sociais.


Infelizmente, não existe uma União das Repúblicas Socialistas da América Latina (URSAL), ou algo que o valha. Havia, nos anos 1960, uma relação entre partidos e organizações de esquerda de vários países do continente americano baseada nos ideais da Revolução Cubana.





PS: O eclipse lunar conhecido como “Lua Vermelha” não é uma jogada de marketing dos petistas para difundir o comunismo pelo mundo. Ninguém me falou isto, estou antecipando caso tenha passado pela cabeça de algum militante da Juventude Hitlerista do Movimento Brasil Livre.
Agradeço antecipadamente ao que quiserem contribuir com este tutorial, acrescentando outras asneiras recolhidas não importa onde. 

Com as contribuições de Clara Freitas.


Agosto/2018

domingo, 1 de julho de 2018

Sou brasileiro, sem orgulho e sem amor!


Copa do Mundo na Rússia, quinta-feira, 21 de junho. Estou em Campina Grande, numa praça de alimentação de um shopping Center (por que não digo centro de compras?!), assistindo a Croácia dar um chocolate na Argentina. Não torço pela Argentina, isso é coisa de futebol, como não consigo torcer pelo Vasco, Corinthians e Treze.


O narrador Global fala "no amor pela nossa seleção" e os comerciais de um Brasil que não existe mais, insistindo no ufanismo pachequista de quando Seleção Brasileira, Ditadura Militar e Rede Globo tinham tudo haver. Pessoas passam com camisas de times de futebol (estou com uma rubro-negra da Raposa do Nordeste) e de seleções como Argentina e Espanha. A camisa dos portugueses é tão bonita que até quis adquirir uma. Mas, se me recuso a usar a camisa do meu país, porque vestiria a da nação que nos impôs um sistema escravocrata que nos legou este presente horroroso que temos?

Um funcionário de uma loja, desse centro de compras onde estou, me disse que em uma manhã vendeu três camisas da Argentina e uma de Portugal. Perguntei quantas da Seleção da CBF foram vendidas. Nenhuma! Isso mesmo, quatro camisas de seleções adversárias do Brasil foram vendidas enquanto não se comprou uma mísera camisa amarela. O brasileiro parece não amar mais a Seleção como quer o galvanizado narrador da emissora que tem tudo haver com o estado de coisas lastimável em que vivemos. 


À minha volta, “técnicos do Brasil” insistem nas estultices de sempre. Muitos não sabem que Danilo, Fernandinho, Felipe Luís e Alisson jogam nessa Seleção. São os que acham que “seleção é Neymar + dez que não jogam porra nenhuma porque só pensam em dinheiro”, que só veem os jogos pela TV Globo, narrados por Galvão Bueno, e que Neymar é “um menino querendo se divertir”. Para mim, Neymar é mais um bom jogador, de caráter duvidoso, que se pretende pop star. Neymar só seria um ídolo se jogasse como Zico, Sócrates, Falcão. A seleção de 2018 só tem um Neymar, naquela de 1982 havia dez! 

Em Brasileiro pode sim não torcer na Copa, Marcelo Rubens Paiva diz: “É justa a decepção com a Seleção. Pode sim não torcer na Copa. É justo não se identificar com os heróis da ostentação, comandados por dirigentes corruptos. É um direito dizer “sou brasileiro, sem orgulho”, trata-se de um país retrógado e conservador em direitos fundamentais, em que teses progressistas são barradas por uma classe política não laica”.


Vendo o mundo em minha volta, enquanto a Copa passa no telão, lembro que fazem 94 dias que Marielle Franco foi executada e que ainda não se fez justiça, se é que se fará. Como torcer pela seleção que usa o símbolo do golpe que destituiu uma presidente eleita? Golpe este que instituiu um sistema que mescla procedimentos democráticos com entulhos autoritários, legados pelo Regime Militar, e que pôs no poder uma quadrilha formada pelo que de pior uma sociedade, forjada num sistema de exploração e violência, pôde formar.

Não posso torcer alienadamente pela seleção da CBF enquanto um ex-presidente está há 70 dias preso, condenado que foi, sem provas, a partir das convicções de um juiz de frágil instância e nenhum caráter. Lamento, não posso vestir as mesmas cores usadas para se por fim a uma série de direitos sociais que conquistamos lenta e penosamente. Vestir uma camisa amarela me fará sentir igual aos estúpidos que, lá na Rússia, se comportam como um bando de trogloditas que veem uma mulher como ser inferior que só interessaria por, supostamente, ter sua vagina de uma determinada cor. Não, verde-amarelo nunca mais! Meu coração é vermelho, como já dizia o poeta.



Sinto um profundo pesar quando lembro que muitos dos que torcem ardorosamente por esta seleção são os que, na abertura da Copa de 2014 em São Paulo, mandaram a Presidente Dilma Rousseff TNC. São os que bateram panelas para pedir o impeachment de Dilma e que querem intervenção e ditadura militares. O verde-amarelo ficou indelevelmente identificado com o golpismo reacionário dos coxinhas-manifestoches!

Por favor, não exijam o que não posso dar. Não vestirei uma camisa verde-amarela para torcer. Sim, estou assistindo aos jogos da seleção da CBF, mas ainda não consegui vibrar. Ainda não pude comemorar uma vitória sequer, mesmo que tenha achado lindo o gol de Paulino, contra a Sérvia, com aquele lançamento primoroso de Philippe Coutinho. 

Torcerei contra o Brasil? Vestirei uma camisa da Argentina em sinal de protesto? Não, nada disso! Para mim, o futebol é algo que transcende tudo isso. Amo o futebol e assisto a Copa como se fosse o maior espetáculo da terra. Mas, nesta Copa não tenho nada para comemorar, muito menos do que me ufanar. Sou brasileiro, mas sem nenhum orgulho e sem nenhum amor. 

Julho - 2018




sábado, 26 de maio de 2018

Locaute a la Brasil

A luta político-ideológica neste momento se dá para levar o Exército a intervir, pois estamos sem governo. Quem governa o país hoje? Michel Temer? Os presidentes do Senado e da Câmara federais tentaram alguma coisa, mas como agir sem legitimidade? O STF está de braços cruzados e assim ficará, pois os homens da toga preta esperam que governo e partidos rastejem até eles.  Parte da sociedade, que vê os caminhoneiros como sua caixa de ressonância, quer intervenção militar mesmo que não saiba para quê e que não vislumbre as funestas consequências se, e/ou quando, os militares tomarem o poder para “reestabelecer a ordem”. Parecemos nas mãos deles até porque setores que são contra o intervencionismo apenas gritam histericamente nas redes sociais.




 A paralização dos caminhoneiros é um movimento autoritário, pois não representa os interesses de uma classe social e parece ser a reedição das “greves de caminhoneiros” de 1964, no golpe civil-militar brasileiro, e 1973, no golpe militar chileno, onde a ideia era paralisar o setor produtivo para implantar o caos e desestabilizar seus governos, contribuindo para o golpismo. Essas paralisações foram promovida pelos empresários com apoio logístico da CIA e do Departamento de Estado dos EUA.

O professor de direito da UERJ, Afrânio Jardim, afirmou em seu Facebook que essa greve é uma “paralisação das empresas, um ‘Lock Out’ para truncar o processo eleitoral”. Jardim disse que “pela televisão, se verifica caminhões sem carroceria, do mesmo modelo e cor, com faixas contra os impostos e não contra o preço do combustível. O Sistema Globo dá ampla e permanente cobertura para inflar o movimento dos patrões. Este tipo de ‘Lock Out’ ajudou na queda do socialista Salvador Allende, no Chile, e criou clima favorável ao golpe que derrubou João Goulart. Podemos dizer que ‘há mais coisa entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia".


Entidades empresariais como Associação dos Produtores de Soja, Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores, Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas e Confederação Nacional dos Transportes afirmaram que a greve dos caminhoneiros é legítima, num claro posicionamento favorável a um movimento do qual deveriam ser contra. Estranho que patrões estejam ao lado de trabalhadores considerando que somos uma sociedade capitalista. Fiquemos em alerta pelos efeitos colaterais dessa paralisação, pois ela pode ser a justificativa para não termos eleições. É que o conglomerado golpista de 2016 não consegue viabilizar o anti-Lula – uma candidatura para enfrentar, com chances reais, o próprio Lula ou alguém que ele apoie. Assim, o adiamento das eleições e a constituição de um governo interventor jurídico-militar, com apoio da grande mídia, é uma possibilidade que não se deve descartar.


A Revista Fórum, em editorial da quarta-feira (23/05/18), Crise pode levar Brasil a um golpe dentro do golpe, afirma que: “Em grupos de direita pelas redes sociais as mensagens defendendo intervenção militar estão viralizando. Vídeos falando sobre o caos com o aumento do preço dos combustíveis e invocando as Forças Armadas para resolver a crise têm sido espalhados. Os indícios são de que parte dessas mensagens está sendo enviada não de maneira orgânica ou espontânea, mas por postagens pagas e provavelmente a partir de distribuição por linhas telefônicas do exterior”.


Sobressaltado, vi vídeos onde a preocupação não é a luta pelos interesses de uma categoria profissional, mas sim instrumentalizar o movimento para pavimentar a incursão golpista dos militares. Vi um caminhoneiro dizer: “Estamos juntos na greve, fazendo adesivos para colar nos nossos carros e nos de quem apoiar essa greve. Intervenção militar já! Se a gente não tirar esses corruptos do poder, a gente não vai para frente". Em outro vídeo, viralizado pelo WhatsApp, um homem aparece em frente a uma impressora industrial mostrando adesivos com a frase: “Intervenção militar já!”.


Um terceiro vídeo mostra uma fila de caminhões, bloqueando uma rodovia, com um caminhoneiro exaltado pelo fervor nacionalista berrando autoritariamente: "Representando o caminhoneiro, o transportador de carga. Aqui tem brio, aqui tem sangue (...) parando São Paulo, parando o Brasil e indo para Brasília destituir os três poderes corruptos. Intervenção militar já. O povo está cansado de sustentar estes corruptos. Aqui é patriota". Mesmo que não queira subestimar o brasileiro em sua infinita capacidade de abusar de seus próprios direitos, fico imaginando uma caravana de caminhões adentrando a Esplanada dos Ministérios para depor os tais poderes corruptos. Estaria o bolsonariano motorista delirando ou teriam lhe dito que tanques de guerra se juntariam aos caminhões na Praça dos Três Poderes em Brasília?


Um jornalista me perguntou se estamos na antevéspera de uma intervenção militar? Disse não ter certeza, mas afirmei que trilhamos rapidamente o caminho que ainda nos levará a uma ditadura ou a adotarmos um sistema político em que o autoritarismo dará sustentação ao funcionamento de alguns, poucos é bem verdade, procedimentos democráticos. Neste cenário, teremos eleição e censura funcionando juntas, como se não fossem paradoxais entre si, e a garantia da liberdade de expressão mesmo que o cidadão possa ser preso e até condenado por tornar públicas suas opiniões. Assim, o regime político elegerá seus governantes, mas estes poderão reprimir seus inimigos, com “Supremo com tudo”.


Alguma surpresa? Nenhuma, não foi assim que o regime militar funcionou? Lembro que Hannah Arendt, em “As Origens do Totalitarismo”, nos mostra que em situações de caos, de ausência de direção, com instituições politicas fragilizadas e governo anódino, vale a lei do mais forte. O caos interessa aos que preferem a ditadura!


Para finalizar, sugiro relacionar toda essa questão com o processo eleitoral que cada vez mais tenho menos esperança que possa se realizar ainda este ano. Vejamos o que diz Celso Rocha de Barros, doutor em sociologia pela Universidade de Oxford, num artigo para a Folha de São Paulo, Bolsonaro te acha otário

“E se você acha que roubarem seu dinheiro e te deixarem sem comida é a pior coisa que pode lhe acontecer nessa história,  veja o que Bolsonaro está fazendo.
Bolsonaro gosta da greve dos caminhoneiros porque cedo ou tarde alguém vai morrer sem hemodiálise por causa da paralisação, e Bolsonaro quer que pessoas morram sem hemodiálise. Bolsonaro apoia a greve dos caminhoneiros porque o desabastecimento vai deixar a população  com fome, e Bolsonaro quer a população com fome.
Bolsonaro quer isso tudo porque sabe que quanto mais você estiver com raiva, medo e fome, quanto mais estiver desesperado e sem saber o que fazer, menor será sua capacidade de pensar direito. E ninguém jamais votará em Bolsonaro se estiver pensando direito.
Bolsonaro apoia a greve para produzir desordem agora e vender ordem em outubro”.


PS: Na matéria do UOL, PF pediu prisão de empresários acusados de articular greve, “Locaute acontece quando donos das empresas impedem seus trabalhadores de exercerem suas funções, agindo em interesse próprio e não para atender reivindicações laborais. Diferente da greve, um direito previsto na Constituição Federal, o locaute (termo que vem do inglês lock out e em tradução livre significa trancar) é ilegal”. Agora mesmo, vejo notícias de que empresários do ramo de transportes estão por trás das greves dos caminhoneiros. É por isso que os “grevistas” só falam em baixar os impostos e em intervenção militar, demandas claras dos donos do capital.


PS: Menos de 24 horas após ter postado esta coluna, a realidade (sempre mais contundente do que minhas opiniões poderiam e gostariam de ser) veio, infelizmente, confirmar a análise que faço acima. O vídeo abaixo traz um exemplo lamentável de vergonha alheia!
O fato se deu em frente ao 31° Batalhão de Infantaria Motorizada, no domingo (27/05/18), em Campina Grande-PB, também conhecida como a “ilha tucana” por que consagrava nas urnas o PSDB, em sua versão coronelística, enquanto o Nordeste em peso elegia governos comprometidos com o desenvolvimento social brasileiro, falo de Lula e Dilma Rousseff.
Nas imagens podemos ver, literalmente, vivandeiras-manifestoches (veja o artigo Vivandeiras querem golpe), claro, batendo à porta de um quartel pedindo golpe e ditadura, numa atitude sabuja, reacionária, alienada, totalitária.  Sabemos bem onde isso termina! A charge de Duke demonstra claramente o que inevitavelmente acontecerá com essa gente estúpida que pensa que a força é solução para todos os nossos dilemas.



Maio – 2018.