GILBLOG

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Tutorial para não ser tido como um idiota





Depois de ouvir asneiras de toda sorte que meus conscienciosos ouvidos puderam suportar (sobre política, história, filosofia, ideologias, cultura, religiões) fiz uma espécie de guia para quem não quer ser tido como um “coxinha-manifestoche” e para que não se confunda quem ignora o bê-á-bá do conhecimento social e humano com os que adotaram, em livre e espontânea vontade, o receituário conservador-fascista-reacionário que carece de verossimilhança com a realidade.
Recolhi as pérolas que se lerá abaixo, a partir de meus (desnecessários?) esclarecimentos, sem fazer pesquisa pelas redes sociais onde a estupidez grassa livre, leve e solta. Pouco me esforcei, bastou apurar os ouvidos em alguns lugares públicos e, principalmente, nas salas de aula onde atuo como professor, essa profissão alvo preferencial de uma horda de néscios obcecados em divulgar o desconhecimento e a estupidez para atingir objetivos que não vem ao caso discutir. 


João Goulart não era, nunca foi, comunista. Pelo contrário, defendia a modernização do capitalismo e o desenvolvimento da sociedade brasileira sem romper com os conflitos entre as classes sociais. Aliás, Goulart não condecorou Ernesto “Che” Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul em 1961. Quem o fez foi Jânio Quadro que, como Jango, também não era comunista. 

A esfera vermelha que aparece na bandeira do Japão não é símbolo do comunismo. Ela representa o sol já que o Japão é a terra do sol nascente. O vermelho não é cor exclusiva do comunismo, já que aparece nas bandeiras de países como EUA, França, Alemanha, Bélgica, Espanha.


A Constituição Brasileira não é influenciada ideologicamente pelo marxismo nem pelo comunismo. Ela, assim como a Constituição dos EUA, é inspirada no ideário liberal-burguês-iluminista. 



Gênero são características da masculinidade e da feminilidade; e é um instrumental de análise das relações humanas e sociais. As distinções entre mulheres e homens são construídas socialmente, variam de acordo com as culturas, e determinam o papel social atribuído à mulher e ao homem, além de suas identidades sexuais. Assim, o gênero não pode ser uma ideologia! “Ideologia de gênero" foi criado por fundamentalistas religiosos e não tem respaldo nas ciências humanas e sociais. Mais adequado seria usar o termo "ensino de gênero e sexualidade".

Nazismo e socialismo não tinham vínculos ideológicos! Pelo contrário, os nazistas eram visceralmente anticomunistas, de extrema-direita e defensores do capitalismo. Entre as primeiras vítimas das tropas fardadas do Partido Nazista estavam militantes do Partido Comunista Alemão. Hitler era tão averso ao comunismo como era ao judaísmo.


Olavo de Carvalho não idealizou o conservadorismo e não é sua referência única. Quem deseja estudar o conservadorismo deve começar lendo a obra do filósofo irlandês Edmund Burke que defendia o crescimento orgânico das sociedades e era avesso a reformas e revoluções violentas.


É um extremo equívoco se basear no mandamento bíblico “não matarás” para se opor ao aborto, já que o próprio texto bíblico mostra que podia-se matar estrangeiros, inimigos de Israel, mulheres adúlteras. Vincular o quinto mandamento ao aborto termina sendo uma manipulação do texto bíblico.


Facebook não é uma biblioteca virtual onde se busca o conhecimento. As Redes Sociais são tão somente grupos de relacionamento virtual.



Não se é liberal na economia e conservador nos costumes. Como a água e o óleo, essas questões não se misturariam. Do ponto de vista político, é a visão sobre os limites dos poderes do Estado, e não os valores morais, que torna a pessoa liberal ou conservadora. A diferença não está nos valores, mas nos princípios que se possa defender.

Dilma Rousseff não fez parte do atentado, promovido pela Vanguarda Popular Revolucionária, que vitimou o soldado do exército brasileiro Mario Kozel Filho em 26/06/1968 em São Paulo. Nem poderia, neste ano era militante da COLINA e atuava em Minas Gerais.


Marielle Franco NÃO fazia parte de organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho. Ela foi executada por denunciar atividades criminosas de grupos que agem dentro da Polícia Militar e do parlamento carioca. Marielle foi assassinada por lutar contra o racismo, a homofobia, a misoginia e pelos direitos dos desprivilegiados de sempre.


Mulheres não saem de casa com roupas diminutas “apenas” em busca de um homem que lhes faça “o favor” de estupra-las. Mulher nenhuma quer ou gosta de ser violentada.



Lula não é analfabeto em que pese sua origem social. Claro está que um analfabeto não seria presidente, principalmente num país como o Brasil, e que cerca de vinte Universidades nacionais e estrangeiras não o tornariam Doutor Honoris Causa se ele não possuísse instrução formal.


Direitos Humanos são prerrogativas básicas dos seres humanos - direitos civis e políticos, econômicos, sociais e culturais. Os defensores dos Direitos Humanos não são vagabundos e não gostam de bandidos, apenas lutam para que viver à margem da lei não seja opção única para quem quer que seja.


Monarquias davam sustentação ao feudalismo, por exemplo. O capitalismo criou seu sistema político próprio a partir das revoluções burguesas. Com raríssimas exceções, pelo mundo ocidental, monarquias têm papeis meramente figurativos e/ou decorativos. Defender que o Brasil se torne uma monarquia é tão anacrônico quanto querer a volta da escravidão.

Homossexualismo não é doença, daí não ser possível haver uma “cura gay”. Aliás, não existe uma “ditadura gayzista”, seja lá o que isso possa vir a ser.


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra não é uma quadrilha, no sentido criminal da palavra. O MST é uma das organizações que lutam pela reforma agrária nunca realmente feita no Brasil.


Não existe real e efetiva possibilidade do Brasil se tornar comunista. Inclusive Fernando Henrique Cardoso não é, nunca foi, comunista!


A nudez não é autoexplicativamente imoral, ela é aquilo que os olhos que a veem querem que ela seja.


O Planeta Terra NÃO é plano, é REDONDO. Cerca de 350 a.C., Aristóteles demonstrou isso ao observar que nos eclipses lunares a sombra da Terra na face do sol é curva. Ao atravessar o Oceano Pacífico, indo até à costa oriental da Ásia (entre 1521 e 1522), o português Fernão de Magalhães fez a primeira viagem de circum-navegação na Terra provando sua esfericidade. No final do século XVII, ao apresentar o conceito de gravidade, Isaac Newton também provou a impossibilidade de a Terra ser plana.




A Terra NÃO é o centro do Universo. O astrônomo e matemático Nicolau Copérnico desmontou (entre os séculos XV e XVI) o geocentrismo ao provar que o Sol é o centro do Universo, desenvolvendo o heliocentrismo. No século XVII, O físico, astrônomo e filósofo Galileu Galilei também provou que o Sol, e não a Terra, é o centro do sistema não por acaso chamado de SOLAR. 



Aristóteles já dizia que o “homem é o animal político”, assim pode-se não ter opinião formada sobre certas coisas, mas ser apolítico é impossível.

Não há registro crível de que algum africano tenha se oferecido a um europeu para ser escravizado nas Américas entre os séculos XVII e XIX. Não é razoável supor que alguém quisesse ser acorrentado, açoitado, humilhado, para trabalhar sem remuneração. Aliás, não foi por obra e graça do divino espírito santo que países como Angola, Cabo Verde, Moçambique e Brasil adotaram a língua portuguesa. Não houve um processo seletivo para que esses países escolhessem seus idiomas que foram, na verdade, impostos pelo colonizador português. 


A ação humana tem sim impacto sobre o clima. Basta prestar atenção na relação entre desmatamento e alterações significativas nas estações do ano. 



A Escola até deve não ter partido (no sentido das instituições político-partidárias), o que ela não pode em hipótese nenhuma é não ter filosofia, política, sociologia, ideologia, diversidade em seu meio e em seu entorno.

Os homens mais ricos do mundo, como Bill Gates, Warren Buffett e os irmãos Koch, não são de esquerda, são capitalistas que tem no lucro a própria razão de suas existências.


Vacinas existem para combater um sem número de doenças, mesmo que provoquem efeitos colaterais. As vacinas não são, propositadamente, feitas para matar ou adoecer crianças.


Programas sociais como Bolsa Família não são esmolas dadas pelo governo, são políticas públicas que visam diminuir as desigualdades sociais brasileiras.


O PT não é um partido comunista que quer transformar o Brasil numa Cuba, até porque, quando no poder, se encantou pela economia de mercado e tentou conciliar os interesses das classes sociais.


Infelizmente, não existe uma União das Repúblicas Socialistas da América Latina (URSAL), ou algo que o valha. Havia, nos anos 1960, uma relação entre partidos e organizações de esquerda de vários países do continente americano baseada nos ideais da Revolução Cubana.




PS: O eclipse lunar conhecido como “Lua Vermelha” não é uma jogada de marketing dos petistas para difundir o comunismo pelo mundo. Ninguém me falou isto, estou antecipando caso tenha passado pela cabeça de algum militante da Juventude Hitlerista do Movimento Brasil Livre.
Agradeço antecipadamente ao que quiserem contribuir com este tutorial, acrescentando outras asneiras recolhidas não importa onde. 

Com as contribuições de Clara Freitas.


Agosto/2018

domingo, 1 de julho de 2018

Sou brasileiro, sem orgulho e sem amor!


Copa do Mundo na Rússia, quinta-feira, 21 de junho. Estou em Campina Grande, numa praça de alimentação de um shopping Center (por que não digo centro de compras?!), assistindo a Croácia dar um chocolate na Argentina. Não torço pela Argentina, isso é coisa de futebol, como não consigo torcer pelo Vasco, Corinthians e Treze.


O narrador Global fala "no amor pela nossa seleção" e os comerciais de um Brasil que não existe mais, insistindo no ufanismo pachequista de quando Seleção Brasileira, Ditadura Militar e Rede Globo tinham tudo haver. Pessoas passam com camisas de times de futebol (estou com uma rubro-negra da Raposa do Nordeste) e de seleções como Argentina e Espanha. A camisa dos portugueses é tão bonita que até quis adquirir uma. Mas, se me recuso a usar a camisa do meu país, porque vestiria a da nação que nos impôs um sistema escravocrata que nos legou este presente horroroso que temos?

Um funcionário de uma loja, desse centro de compras onde estou, me disse que em uma manhã vendeu três camisas da Argentina e uma de Portugal. Perguntei quantas da Seleção da CBF foram vendidas. Nenhuma! Isso mesmo, quatro camisas de seleções adversárias do Brasil foram vendidas enquanto não se comprou uma mísera camisa amarela. O brasileiro parece não amar mais a Seleção como quer o galvanizado narrador da emissora que tem tudo haver com o estado de coisas lastimável em que vivemos. 


À minha volta, “técnicos do Brasil” insistem nas estultices de sempre. Muitos não sabem que Danilo, Fernandinho, Felipe Luís e Alisson jogam nessa Seleção. São os que acham que “seleção é Neymar + dez que não jogam porra nenhuma porque só pensam em dinheiro”, que só veem os jogos pela TV Globo, narrados por Galvão Bueno, e que Neymar é “um menino querendo se divertir”. Para mim, Neymar é mais um bom jogador, de caráter duvidoso, que se pretende pop star. Neymar só seria um ídolo se jogasse como Zico, Sócrates, Falcão. A seleção de 2018 só tem um Neymar, naquela de 1982 havia dez! 

Em Brasileiro pode sim não torcer na Copa, Marcelo Rubens Paiva diz: “É justa a decepção com a Seleção. Pode sim não torcer na Copa. É justo não se identificar com os heróis da ostentação, comandados por dirigentes corruptos. É um direito dizer “sou brasileiro, sem orgulho”, trata-se de um país retrógado e conservador em direitos fundamentais, em que teses progressistas são barradas por uma classe política não laica”.


Vendo o mundo em minha volta, enquanto a Copa passa no telão, lembro que fazem 94 dias que Marielle Franco foi executada e que ainda não se fez justiça, se é que se fará. Como torcer pela seleção que usa o símbolo do golpe que destituiu uma presidente eleita? Golpe este que instituiu um sistema que mescla procedimentos democráticos com entulhos autoritários, legados pelo Regime Militar, e que pôs no poder uma quadrilha formada pelo que de pior uma sociedade, forjada num sistema de exploração e violência, pôde formar.

Não posso torcer alienadamente pela seleção da CBF enquanto um ex-presidente está há 70 dias preso, condenado que foi, sem provas, a partir das convicções de um juiz de frágil instância e nenhum caráter. Lamento, não posso vestir as mesmas cores usadas para se por fim a uma série de direitos sociais que conquistamos lenta e penosamente. Vestir uma camisa amarela me fará sentir igual aos estúpidos que, lá na Rússia, se comportam como um bando de trogloditas que veem uma mulher como ser inferior que só interessaria por, supostamente, ter sua vagina de uma determinada cor. Não, verde-amarelo nunca mais! Meu coração é vermelho, como já dizia o poeta.



Sinto um profundo pesar quando lembro que muitos dos que torcem ardorosamente por esta seleção são os que, na abertura da Copa de 2014 em São Paulo, mandaram a Presidente Dilma Rousseff TNC. São os que bateram panelas para pedir o impeachment de Dilma e que querem intervenção e ditadura militares. O verde-amarelo ficou indelevelmente identificado com o golpismo reacionário dos coxinhas-manifestoches!

Por favor, não exijam o que não posso dar. Não vestirei uma camisa verde-amarela para torcer. Sim, estou assistindo aos jogos da seleção da CBF, mas ainda não consegui vibrar. Ainda não pude comemorar uma vitória sequer, mesmo que tenha achado lindo o gol de Paulino, contra a Sérvia, com aquele lançamento primoroso de Philippe Coutinho. 

Torcerei contra o Brasil? Vestirei uma camisa da Argentina em sinal de protesto? Não, nada disso! Para mim, o futebol é algo que transcende tudo isso. Amo o futebol e assisto a Copa como se fosse o maior espetáculo da terra. Mas, nesta Copa não tenho nada para comemorar, muito menos do que me ufanar. Sou brasileiro, mas sem nenhum orgulho e sem nenhum amor. 

Julho - 2018




sábado, 26 de maio de 2018

Locaute a la Brasil

A luta político-ideológica neste momento se dá para levar o Exército a intervir, pois estamos sem governo. Quem governa o país hoje? Michel Temer? Os presidentes do Senado e da Câmara federais tentaram alguma coisa, mas como agir sem legitimidade? O STF está de braços cruzados e assim ficará, pois os homens da toga preta esperam que governo e partidos rastejem até eles.  Parte da sociedade, que vê os caminhoneiros como sua caixa de ressonância, quer intervenção militar mesmo que não saiba para quê e que não vislumbre as funestas consequências se, e/ou quando, os militares tomarem o poder para “reestabelecer a ordem”. Parecemos nas mãos deles até porque setores que são contra o intervencionismo apenas gritam histericamente nas redes sociais.




 A paralização dos caminhoneiros é um movimento autoritário, pois não representa os interesses de uma classe social e parece ser a reedição das “greves de caminhoneiros” de 1964, no golpe civil-militar brasileiro, e 1973, no golpe militar chileno, onde a ideia era paralisar o setor produtivo para implantar o caos e desestabilizar seus governos, contribuindo para o golpismo. Essas paralisações foram promovida pelos empresários com apoio logístico da CIA e do Departamento de Estado dos EUA.

O professor de direito da UERJ, Afrânio Jardim, afirmou em seu Facebook que essa greve é uma “paralisação das empresas, um ‘Lock Out’ para truncar o processo eleitoral”. Jardim disse que “pela televisão, se verifica caminhões sem carroceria, do mesmo modelo e cor, com faixas contra os impostos e não contra o preço do combustível. O Sistema Globo dá ampla e permanente cobertura para inflar o movimento dos patrões. Este tipo de ‘Lock Out’ ajudou na queda do socialista Salvador Allende, no Chile, e criou clima favorável ao golpe que derrubou João Goulart. Podemos dizer que ‘há mais coisa entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia".


Entidades empresariais como Associação dos Produtores de Soja, Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores, Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas e Confederação Nacional dos Transportes afirmaram que a greve dos caminhoneiros é legítima, num claro posicionamento favorável a um movimento do qual deveriam ser contra. Estranho que patrões estejam ao lado de trabalhadores considerando que somos uma sociedade capitalista. Fiquemos em alerta pelos efeitos colaterais dessa paralisação, pois ela pode ser a justificativa para não termos eleições. É que o conglomerado golpista de 2016 não consegue viabilizar o anti-Lula – uma candidatura para enfrentar, com chances reais, o próprio Lula ou alguém que ele apoie. Assim, o adiamento das eleições e a constituição de um governo interventor jurídico-militar, com apoio da grande mídia, é uma possibilidade que não se deve descartar.


A Revista Fórum, em editorial da quarta-feira (23/05/18), Crise pode levar Brasil a um golpe dentro do golpe, afirma que: “Em grupos de direita pelas redes sociais as mensagens defendendo intervenção militar estão viralizando. Vídeos falando sobre o caos com o aumento do preço dos combustíveis e invocando as Forças Armadas para resolver a crise têm sido espalhados. Os indícios são de que parte dessas mensagens está sendo enviada não de maneira orgânica ou espontânea, mas por postagens pagas e provavelmente a partir de distribuição por linhas telefônicas do exterior”.


Sobressaltado, vi vídeos onde a preocupação não é a luta pelos interesses de uma categoria profissional, mas sim instrumentalizar o movimento para pavimentar a incursão golpista dos militares. Vi um caminhoneiro dizer: “Estamos juntos na greve, fazendo adesivos para colar nos nossos carros e nos de quem apoiar essa greve. Intervenção militar já! Se a gente não tirar esses corruptos do poder, a gente não vai para frente". Em outro vídeo, viralizado pelo WhatsApp, um homem aparece em frente a uma impressora industrial mostrando adesivos com a frase: “Intervenção militar já!”.


Um terceiro vídeo mostra uma fila de caminhões, bloqueando uma rodovia, com um caminhoneiro exaltado pelo fervor nacionalista berrando autoritariamente: "Representando o caminhoneiro, o transportador de carga. Aqui tem brio, aqui tem sangue (...) parando São Paulo, parando o Brasil e indo para Brasília destituir os três poderes corruptos. Intervenção militar já. O povo está cansado de sustentar estes corruptos. Aqui é patriota". Mesmo que não queira subestimar o brasileiro em sua infinita capacidade de abusar de seus próprios direitos, fico imaginando uma caravana de caminhões adentrando a Esplanada dos Ministérios para depor os tais poderes corruptos. Estaria o bolsonariano motorista delirando ou teriam lhe dito que tanques de guerra se juntariam aos caminhões na Praça dos Três Poderes em Brasília?


Um jornalista me perguntou se estamos na antevéspera de uma intervenção militar? Disse não ter certeza, mas afirmei que trilhamos rapidamente o caminho que ainda nos levará a uma ditadura ou a adotarmos um sistema político em que o autoritarismo dará sustentação ao funcionamento de alguns, poucos é bem verdade, procedimentos democráticos. Neste cenário, teremos eleição e censura funcionando juntas, como se não fossem paradoxais entre si, e a garantia da liberdade de expressão mesmo que o cidadão possa ser preso e até condenado por tornar públicas suas opiniões. Assim, o regime político elegerá seus governantes, mas estes poderão reprimir seus inimigos, com “Supremo com tudo”.


Alguma surpresa? Nenhuma, não foi assim que o regime militar funcionou? Lembro que Hannah Arendt, em “As Origens do Totalitarismo”, nos mostra que em situações de caos, de ausência de direção, com instituições politicas fragilizadas e governo anódino, vale a lei do mais forte. O caos interessa aos que preferem a ditadura!


Para finalizar, sugiro relacionar toda essa questão com o processo eleitoral que cada vez mais tenho menos esperança que possa se realizar ainda este ano. Vejamos o que diz Celso Rocha de Barros, doutor em sociologia pela Universidade de Oxford, num artigo para a Folha de São Paulo, Bolsonaro te acha otário

“E se você acha que roubarem seu dinheiro e te deixarem sem comida é a pior coisa que pode lhe acontecer nessa história,  veja o que Bolsonaro está fazendo.
Bolsonaro gosta da greve dos caminhoneiros porque cedo ou tarde alguém vai morrer sem hemodiálise por causa da paralisação, e Bolsonaro quer que pessoas morram sem hemodiálise. Bolsonaro apoia a greve dos caminhoneiros porque o desabastecimento vai deixar a população  com fome, e Bolsonaro quer a população com fome.
Bolsonaro quer isso tudo porque sabe que quanto mais você estiver com raiva, medo e fome, quanto mais estiver desesperado e sem saber o que fazer, menor será sua capacidade de pensar direito. E ninguém jamais votará em Bolsonaro se estiver pensando direito.
Bolsonaro apoia a greve para produzir desordem agora e vender ordem em outubro”.


PS: Na matéria do UOL, PF pediu prisão de empresários acusados de articular greve, “Locaute acontece quando donos das empresas impedem seus trabalhadores de exercerem suas funções, agindo em interesse próprio e não para atender reivindicações laborais. Diferente da greve, um direito previsto na Constituição Federal, o locaute (termo que vem do inglês lock out e em tradução livre significa trancar) é ilegal”. Agora mesmo, vejo notícias de que empresários do ramo de transportes estão por trás das greves dos caminhoneiros. É por isso que os “grevistas” só falam em baixar os impostos e em intervenção militar, demandas claras dos donos do capital.


PS: Menos de 24 horas após ter postado esta coluna, a realidade (sempre mais contundente do que minhas opiniões poderiam e gostariam de ser) veio, infelizmente, confirmar a análise que faço acima. O vídeo abaixo traz um exemplo lamentável de vergonha alheia!
O fato se deu em frente ao 31° Batalhão de Infantaria Motorizada, no domingo (27/05/18), em Campina Grande-PB, também conhecida como a “ilha tucana” por que consagrava nas urnas o PSDB, em sua versão coronelística, enquanto o Nordeste em peso elegia governos comprometidos com o desenvolvimento social brasileiro, falo de Lula e Dilma Rousseff.
Nas imagens podemos ver, literalmente, vivandeiras-manifestoches (veja o artigo Vivandeiras querem golpe), claro, batendo à porta de um quartel pedindo golpe e ditadura, numa atitude sabuja, reacionária, alienada, totalitária.  Sabemos bem onde isso termina! A charge de Duke demonstra claramente o que inevitavelmente acontecerá com essa gente estúpida que pensa que a força é solução para todos os nossos dilemas.






Maio – 2018.

quinta-feira, 12 de abril de 2018



Em breve vamos te convidar para acessar o site A ESPORA que vai ter OPINIÃO SEM MANIPULAÇÃO.

www.aespora.com.br






A ESPORA -
PENSAMENTO

LIVRE, CRITICO,
ESTIMULANTE


“É porque quase todos agimos com muita cautela que uns poucos podem ser audaciosos”. (Millôr Fernandes)




Parecemos viver na “idade do disparate, na época da descrença” como nos falava Charles Dickens. Apesar de que o filósofo Cícero já dizia: “O pensamento é livre!”.

Do ponto de vista político-ideológico, nosso tempo é tão difícil que precisamos repetir sempre, para crer, que somos livres para pensar! De fato, o pensamento parece mesmo ser a única coisa que podemos realizar com total, ampla, absoluta liberdade.

Claro, não estamos falando de qualquer tipo de pensamento. Queremos, isto sim, o pensamento lógico, racional, científico, laico, politico, ideológico, liberto das tradições, dos dogmas, das autoridades e dos autoritarismos. Um pensamento que se retroalimenta do conhecimento e da realidade em nosso entorno.


Historicamente se construiu a ideia de que o pensamento é tarefa para poucos. Buscou-se a simplificação no cotidiano, deixando a tarefa de pensar para alguns especialistas. Ficamos, pois, com a impressão de que pensar é algo muito difícil e isso é perigoso.

Numa sociedade onde quase tudo está pronto, pensar termina sendo um ato revolucionário, por isso temos a firme convicção da necessidade de incentivar o livre pensamento. Não queremos, aqui, adicionar um tipo de complexidade que em nada contribui e até serve como uma espécie de freio ao livre pensar. De fato, queremos mesmo é esporar o pensamento.


Queremos um pensamento desapegado desse conservadorismo que nos ronda, que parece achar normal o ressurgimento das ideologias totalitárias da metade do século XX, incapaz que é de se incomodar com a miséria social, com as desigualdades de toda sorte, com as pragas do racismo, da misoginia, da homofobia, e com a ideia contumaz de que “... bom mesmo era no tempo dos militares”.


Mas, de que adianta pensar livremente se não se pode compartilhar ideias e opiniões com outras pessoas? Daí, a ideia de um site, um ponto de encontro virtual, para que possamos refletir sobre as coisas que acontecem em nosso entorno. Queremos pensar, opinar, mas queremos acima de tudo compartilhar nossas impressões.


Propomos um ponto de encontro virtual, mas não podemos desconsiderar o meio social e politico ao qual estamos inseridos, pois não podemos deixar de olhar para o solo paraibano, onde nossos pés estão fincados e sobre o qual ocorrem milhões de interações políticas. Daqui, vemos com clareza as muitas possibilidades de conexões e links com a política nacional e internacional. Falamos daqui, porém não somente sobre aqui.


A ideia de uma espora nos remete ao estimulo que faz o animal (politico, como bem demonstrou Aristóteles) sair de sua inercia. Aqui queremos esporar, estimular, avivar, espicaçar, incitar, incentivar, encorajar a todos que queiram nos honrar com suas atentas leituras.

Queremos mesmo é provocar reações em nossos leitores, pois como nos dizia aquele antigo compositor cearense, que a pouco nos deixou: “Não me peça que eu lhe faça /Uma canção como se deve / Correta, branca, suave / Muito limpa, muito leve / Sons, palavras, são navalhas / E eu não posso cantar como convém / Sem querer ferir ninguém” (Belchior).

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Bichos escrotos dão nome aos bois




Bichos escrotos dão nome aos bois

Vez por outra, quando sou acometido pela incurável dor do saudosismo, aquela dor que é boa de doer, do “tempo-em-que-tudo-era-melhor-do-que-nos-dias-de-hoje”, ouço meus discos de vinil em minha vitrola “Harmony” que, com seu estilo “retrozão”, torna tudo mais delicioso, mais emocionante, com mais cheiro e sabor de antigo.

Para mim, o antigo tem o cheiro delicioso do pão assado pela minha mãe na velha grelha de ferro. O “meu tempo antigo” tem o cheiro do enorme “abacaxi” que saía na palmeira de nosso jardim anunciando que novas folhas brotariam. Minha antiguidade nunca esquecida tem o som do “chiadinho” dos discos de vinil que ouvíamos em casa.

Aliás, o “chiadinho” dos meus discos de vinil é santo remédio para os males de nossos dias. Salvo-me da estupidez que campeia nosso entorno, que faz um procurador da República dizer que está orando e jejuando para que um ex-presidente seja preso, ouvindo meus discos de vinil. Por ser fruto desse tempo que é antigo, mas não é velho, desisti de tentar entender porque sempre acho que as coisas (músicas, filmes, livros, movimentos político-sociais, ideias, modas, costumes) do tempo em que eu era mais jovem são bem melhores do que as de hoje.

E, quer saber? As coisas do tempo em que eu tinha 20 e poucos anos eram bem melhores do que as coisas de hoje quando estou à beira do ½ século de vida. Afinal, não vamos aqui discutir quem é melhor: se Belchior ou Pablo Vittar...  


Mas, porque estou divagando? É que estou ouvindo o vinil “Go Back” dos Titãs de 1988 - o primeiro lançamento da banda gravado ao vivo. No encarte, leio a mensagem: “A música ‘Bichos escrotos’ tem a rádiofusão e execução pública proibida em virtude de ter sido vetada pelo Departamento de Censura e Diversões Públicas da S.R. do D.P.F”. Censura?! Mas, a ditadura
militar já não tinha acabado em 1985? Em 1988 não estávamos aprovando a Constituição Cidadã? Sim e não!

Em 1988 não tínhamos mais um general-presidente no poder e só. De resto, vivíamos numa fragilíssima democracia. Era a “Nova República” do PDS/PFL, de José Sarney, Marco Maciel, ACM, Fernando Collor, et caterva, dos Planos Econômicos Cruzados, da hiperinflação, da incerteza se iríamos eleger um presidente. Neste ano, o líder seringueiro e ambientalista, Chico Mendes, foi assassinado por causa de suas ideias e lutas – a semelhança com a execução de Marille Franco não é mera coincidência. Vivíamos numa ilha de democracia tutelada por um mar de autoritarismo.

Vejam a contradição. Enquanto aprovávamos uma nova Constituição, para servir a um Estado que se pretendia democrático, seguíamos censurando bem ao estilo da época em que o Regime Militar mantinha um censor em cada uma das redações dos principais jornais do país.  Interessa notar que os diligentes censores da imberbe democracia de 1988 foram tão ágeis e zelosos em
proibir “Bichos Escrotos”, mas deixaram passar “Nome aos Bois”, “Massacre” e “Polícia”. São todas músicas que criticavam fortemente o sistema político-social da época.


Sim, a música “Bichos Escrotos” não fugiria ao crivo do falso moralismo autoritário da época por causa do verso: “Oncinha pintada / Zebrinha listrada / Coelhinho peludo / vão se fuder! / Porque aqui na face da terra / Só bicho escroto é que vai ter”.  Mas, as limitações intelectuais dos censores não lhes deixou ver que “Nome aos Bois” nomeia, literalmente, os tais bichos escrotos que existiram e existiam na época. Em “Polícia”, os Titãs diziam: “Polícia para quem precisa / Polícia para quem precisa de polícia”. Nada mais atual.
Aliás, se trocássemos a instituição coercitiva policial pela judiciária, a música ficaria ainda mais atual. Imagine que poderíamos cantar: "STF para quem precisa / STF para quem precisa de Judiciário".     

Ouvindo “Nomes aos Bois” me permiti, com devido respeito a uma de nossas melhores bandas de rock, uma licença politico-ideológica. Troquei os nomes que Nando Reis, Marcelo Fromer, Arnaldo Antunes e Tony Bellotto, compositores da música, colocaram por outros que estam em evidência. Os nomes que aparecem na versão original são bastante representativos do que poderíamos chamar daquele nicho da raça humana que não deu certo. Os nomes que coloquei não pretendem superar os originais, mas bem que eles tentam.

Nome Aos Bois (Titãs)

Garrastazu
Stalin
Erasmo Dias
Franco
Lindomar Castilho
Nixon
Delfim
Ronaldo Bôscoli
Baby Doc / Papa Doc
Mengele
Doca Street
Rockfeller
Afanásio
Dulcídio Wanderley Bosquila
Pinochet
Gil Gomes
Reverendo Moon
Jim Jones
General Custer
Flávio Cavalcante
Adolf Hitler
Borba Gato
Newton Cruz
Sérgio Dourado
Idi Amin
Plínio Correia de Oliveira
Plínio Salgado
Mussolini
Truman
Khomeini
Reagan
Chapman
Fleury
Nome Aos Bois (uma licença politico-poética-ideológica aos Titãs)

Michel Temer
Gilmar Mendes
Donald Trump
Aécio Neves
Família Bolsonaro
Geddel Lima / Romero Jucá
Milton Neves / Datena

Donald Trum
Olavo de Carvalho
Eduardo Cunha
Família Marinho
Bashar al-Assad
Rodrigo Maia
Carlos Marun
Ana Amélia
Janaína Paschoal
Alexandre Frota
Kim Jong-Un
Sérgio Moro
Eliane Cantanhêde / Noblat
Luciano Huck
José Serra / Aloysio Nunes
Moreira Franco
Silas Malafaia
Eliseu Padilha
Geraldo Alckmin

José Sarney
Marco Feliciano
Alexandre Moraes
Vladimir Putin
Alexandre Garcia
Diogo Mainardi
João Dória
Meval / Waack
Kataguiri / Holiday
Marilia Castro Neves
Dallagnol / Bretas
Marcelo Crivella
Fausto Silva
Mendonça Filho
Danilo Gentili
Reinaldo Azevedo
Rodrigo Constantino
Sheherazade/Hasselmann

sexta-feira, 16 de março de 2018

PORQUE MARIELLE FRANCO FOI EXECUTADA?



PORQUE MARIELLE FRANCO

FOI EXECUTADA?






Marielle Franco não foi "mais uma vitima da onda de violência que assola o Rio de Janeiro", como quer nos fazer crer o telejornalismo da Rede Globo, absolutamente comprometido com o conglomerado golpista que derrubou a presidente Dilma Rousseff.

A VEREADORA CARIOCA MARIELLE FRANCO FOI EXECUTADA A TIROS PORQUE DENUNCIOU UMA SÉRIE DE COISAS MUITO ERRADAS NO RIO DE JANEIRO!

Marielle Franco foi EXECUTADA porque tinha sido, em 28 de fevereiro passado, nomeada relatora da Comissão da Câmara Municipal que acompanharia a Intervenção Militar Federal no Estado do Rio de Janeiro. Ela se colocou, corajosamente, contra a Intervenção desde o
momento que se anunciou mais este golpe do governo Temer. Marielle foi EXECUTADA por ter denunciado como se dava o modus operandi da violência policial contra os moradores da comunidade de Acari, na zona norte do Rio de Janeiro.

Aos olhos de uma sociedade autoritária, racista, machista, misógina, homofóbica, que flerta irresponsavelmente com o fascismo, Marielle tinha "defeitos". Ela era mulher, negra, feminista, socióloga, nascida e criada numa favela, militante dos direitos humanos e de causas várias pelos excluídos de sempre. Emponderadamente, e sem os falsos moralismos que nos contaminam, Marielle assumiu sua relação com outra mulher. Ela era de esquerda, politizada, e defendia uma sociedade mais justa, menos desigual. Por isso tudo, muitos pensaram que ela
tinha que ser elimina, extirpada, de nosso meio.

Marielle Franco foi EXECUTADA por ter sido a quinta vereadora mais bem votada nas eleições de 2016 quando obteve 46.502 votos. Ou seja, mais de 46 mil pessoas apoiavam ideias, lutas e trabalhos de Marielle. Num país estupidamente violento isso é, sim, uma ameaça. Assim, Marielle não podia seguir tão cheia de vida. Tinha que ser EXECUTADA.


Marielle Franco foi EXECUTADA pelo seu “atrevimento” de querer ocupar um espaço que historicamente nunca lhe pertenceu. No Dia Internacional da Mulher, ela falou da tribuna da Câmara Municipal sobre a “resistência contra os mandos e desmandos que afetam as nossas vidas”. Enquanto listava dados sobre a violência contra a mulher, um homem a interrompeu para lhe dar uma rosa. Ironicamente, Marielle disse: “homem fazendo homice”. É que Marielli não queria flores, queria ser respeitada!

No início dos anos 1970, o deputado federal do antigo PTB Rubens Paiva foi torturado até a morte numa unidade militar. Segundo relatos concedidos à Comissão Nacional da Verdade, seu corpo foi enterrado e desenterrado várias vezes, por agentes de órgãos da repressão do Regime Militar, até que foi jogado ao mar. Quase 50 anos depois, a vereadora do PSOL Marielle Franco foi EXECUTADA durante o governo golpista/intervencionista de Michel Temer.
Quando parlamentares, escolhidos pelo povo para representa-lo, são torturados até a morte e/ou executados é porque o sistema politico democrático já ruiu de vez.



Em 1968, uma multidão ocupou a Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro, para acompanhar o velório do estudante secundarista Edson Luís, assassinado pelos disparos de um soldado, em um dos muitos protestos contra a ditadura militar daquela época. 51 anos depois, outra multidão ocupa a mesma Cinelândia para acompanhar o velório da vereadora Marielle Franco, EXECUTADA, ainda não se sabe por quem, após denunciar a repressão policial ocorrida na autoritária Intervenção Militar Federal.
Quando as pessoas passam a ser executadas em locais públicos por protestarem contra a ordem vigente é porque um sistema ditatorial está em pleno vigor.


Nesta entrevista de 19 de fevereiro passado, Mirelle Franco disse com todas as letras, ao  analisar a Intervenção Militar Federal no Rio de Janeiro, que “A democracia está ameaçada”. 


Marielle afirma que a Intervenção Militar Federal traz “o acirramento da violência nos corpos nossos de favelados” e que “ela faz parte de um processo que coloca a própria democracia em risco”.
Mirelle analisa que o “processo de democratização está ameaçado por causa do que está colocado: servidor, saúde, caos em varias áreas e intervenção na segurança, o que ajuda a controlar ainda mais o que vinha sendo controlado antes”. É por essa entrevista que começamos a entender porque Mirelle Franco foi EXECUTADA.

https://www.youtube.com/watch?v=h9oC94oOAdA&t=2s


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