sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O livro de ponto e um comportamento pouco republicano.



 


Todo mundo sabe que o livro de ponto é uma forma de se registrar a entrada e saída de uma pessoa de seu local de trabalho. Inclusive, hoje em dia se usa largamente o ponto eletrônico, com a identificação biométrica, que é usada até em processos eleitorais.




Mas, a Câmara Municipal de Campina Grande segue utilizando o velho e bom livro de ponto. E que não se diga que nossa Câmara de vereadores utiliza o livro de ponto por incompetência ou por falta de condições materiais. A questão não é essa. O livro de ponto é, ainda, utilizado na Câmara Municipal por uma opção dos senhores vereadores. Opção? Sim, isso mesmo! Os vereadores preferem usar o velho e surrado livro de ponto ao invés de um processo mais moderno.




O caro ouvinte deve se perguntar por que a Câmara Municipal prefere usar um instrumento antiquado, ao invés de dispor de algo avançado. É como se preferissem usar uma maquina de datilografar ao invés de um computador. O fato é que se o ponto eletrônico, com identificação biométrica, passar a ser utilizado vai se criar um mecanismo de controle dos mais eficientes. Vai se criar um mecanismo para controlar a presença dos senhores vereadores nas sessões plenárias.




É por isso que os vereadores preferem o passado. É por isso que eles esnobam o futuro. Vejamos como as coisas se processam na utilização do velho livro de ponto. Em primeiro lugar é preciso ter claro que o livro de ponto é móvel - ele vai até onde o vereador está. Já o ponto eletrônico teria que ficar afixado em um determinado lugar. Sabemos que alguns vereadores desenvolveram o hábito de apenas passarem pela Câmara Municipal, para assinarem o livro de ponto, e seguirem para cuidarem de suas vidas.




Funciona assim: o vereador entra, no seu carro, no estacionamento da Câmara Municipal e um funcionário vai até ele para que, sem que precise sair de seu carro, o apressado vereador assine o tal livro de ponto. Daí que num dia de sessão plenária é possível se ver um descompasso entre o número de vereadores que assinaram o livro de ponto e o número de vereadores que efetivamente, fisicamente, estam no plenário da casa.








Outra forma, mais sofisticada, é o vereador poder assinar o livro horas ou mesmo dias após a sessão ter ocorrido. Neste caso, deixam-se algumas linhas em branco entre o último vereador a ter assinado e o carimbo colocado pelo 1º secretário da Câmara. É engenhoso. É o velho “jeitinho brasileiro” funcionando para maximizar ganhos e minimizar perdas dos senhores vereadores, os mesmos que deveriam cumprir as regas e normas que elaboram.




O carimbo, com a assinatura do 1º secretário da Mesa Diretora, passou a ser posto exatamente na linha seguinte ao último vereador que assinou para que, claro, ninguém pudesse assinar depois. Eis a “criatividade” de nossos representantes em ebulição. Eles continuam colocando o carimbo, mas dão um espaço de linhas para que os faltosos possam, comodamente, assinarem o livro de ponto num dia em que se disponham a ir à Casa de Félix Araújo.




Ou seja, o livro de ponto é um instrumento que é comodamente utilizado para esconder os comportamentos pouco republicanos de nossos vereadores. Com o livro de ponto as faltas dos vereadores não são computadas. Na verdade, elas inexistem.



Mas, que não se pense que os vereadores não zelam pelo livro de ponto. Eles cuidam do livro com desvelo. O apego é tanto que não querem que outras pessoas tenham acesso ao livro. Do que receiam os vereadores? Que alguém amasse o livro? Não, não é isso! Só quem tem acesso ao livro de ponto são os vereadores e alguns poucos funcionários da Câmara. O cidadão, eleitor, não pode simplesmente chegar e solicitar para verificar o livro de ponto. Até pode, mas duvido que receba a devida autorização. Um intrépido repórter, que compõem a equipe de jornalismo da Campina FM, foi praticamente agredido fisicamente quando tentou alcançar o livro de ponto para verificar a presença dos vereadores. Claro, o repórter estava apenas cumprindo seu papel. A questão do livro de ponto é levada tão a sério que virou proposta de campanha.



O vereador Fernando Carvalho viu suas possibilidades de se tornar presidente da Mesa Diretora minguarem quando propôs a implantação do ponto eletrônico. É que os vereadores não gostaram de saber que o anacrônico livro de ponto, que faz sumir suas faltas, iria se substituído por um equipamento que impede as artimanhas e os jeitinhos que eles tão criativamente dão para mascararem suas ausências da Câmara.




Fossem nossos vereadores pessoas de atitudes republicanas não precisaria de nada disso. Nem do livro e nem do ponto eletrônico. Nem eu precisaria ficar aqui fazendo uma coluna sobre uma coisa tão antiga como o livro de ponto.




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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).