quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Apenas por alguns instantes pare de pensar em quem você odeia e pense em quem você ama


Neste vídeo, Lula fala com o coração! Ele se mostra emocionado e triste pelo fato de uma parte da população ter votado na extrema direita. 
Porque? Não temos o direito de votar em quem bem quisermos? Temos sim! É que Lula expressou a tristeza dele pelo fato de as pessoas votarem em quem já nos fez tanto mal.

Como Lula, também achei que venceríamos ainda no 1º turno, porque não podia acreditar que as pessoas tivessem esquecido todo o sofrimento durante a pandemia, quando Jair Bolsonaro negou atendimento a quase 700 mil pessoas, ou que foi ele mesmo que colocou o Brasil de volta ao mapa da fome entre 2019 e 2022.

Eu não peço votos "apenas" para Lula, peço para meus filhos, minha esposa, minhas irmãs, peço para mim que sou professor e funcionário público. Eu peço votos para as mulheres, crianças, pessoas LGBT e para o povo preto constantemente ameaçados por homens (brancos) de extrema direita; peço votos para os que dependem dos programas sociais para que seus filhos possam ter um futuro descente depois de estudar em boas universidades públicas.

Lula diz no vídeo: "agente já fez coisas demais para o povo fingir que não viu". Não dá mesmo para não ver o que conquistamos durante todos os anos de governo Lula. Também é impossível não ver a eficiência da extrema direita em varrer do país essas conquistas todas em tão pouco tempo.


terça-feira, 6 de outubro de 2026

SOBRE O 1º TURNO PARA ORIENTAR A AÇÃO NO 2º TURNO

OS PROGRAMAS SOCIAIS QUE LULA FEZ

Neste 2º turno importa bastante falarmos dos PROGRAMAS SOCIAIS REALIZADOS POR LULA e de quanto é importante mantermos esses programas no próximo governo.

Precisamos falar que só um governo como o de Lula tem compromisso em manter os PROGRAMAS SOCIAIS e de criar novos PROGRAMAS.

Também, temos que falar que Flávio Bolsonaro não tem compromisso algum em manter os programas sociais, pelo contrário ele vai acabar com eles como Jair Bolsonaro fez enquanto era presidente.



Também, importa pensarmos que NÃO FOI FLÁVIO BOLSONARO QUE CRESCEU NAS ÚLTIMAS HORAS ANTES DA VOTAÇÃO.

Na verdade, foi Lula que perdeu votos durante a votação porque muitos eleitores deixaram de ir às urnas. 

A diferença, portanto, estaria em quem deixou de comparecer às urnas. Em vez de uma arrancada de Flávio, o que teria acontecido foi uma perda de força de Lula entre eleitores que deixaram de comparecer às urnas.

O desafio de Lula no segundo turno é:

  1. Combater a narrativa de que houve uma “virada” de Flávio Bolsonaro.
  2. Combater a desmobilização.
  3. Elevar a rejeição de Flávio Bolsonaro.
  4. Disputar o discurso de mudança, que até aqui teria ficado mais associado à oposição.
Veja a matéria na Revista Fórum


Flávio não cresceu: Lavareda diz que Lula “perdeu para a abstenção” e explica “ilusão de ótica” no 1º turno - Revista Fórum

Algumas questões pontuais para se por em práticas nesses 20 dias de campanha:

A. Bater no atacado e no varejo em Flávio Bolsonaro, mas bater em um outro patamar, sem o moralismo cristão em defesa da pobre santa padroeira perseguida pelo diabo – deixa o bom mocismo para Luciano Huck.

B. Falar sobre o que Lula vai fazer em seu próximo governo para resolver as coisas mais prementes do dia-a-dia do povo brasileiro, pois devemos entender de uma vez por todas que a sociedade não tem maiores deveres ideológicos com o PT. 

C. Sinalizar claramente para os Faria Limer que Lula (e o PT) segue sendo social-democrata-liberal, preocupado em defender a economia de mercado, ainda que não deixe de lado as questões sociais e a luta contra a desigualdade. É preciso fazer uma espécie de Carta aos Brasileiros 2.0 endereçada ao mercado, a FIESP, aos bancos, enfim à burguesia. Inclusive, sugiro que Geraldo Alckmin vá entregar essa carta em mãos.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

A GLOBO PRECISA ENTENDER QUE NÃO VIVEMOS MAIS EM UM MUNDO ANALÓGICO E QUE ELA NÃO DECIDE MAIS AS REGRAS DO DEBATE ELEITORAL


EU SOU DE UM TEMPO EM QUE OS DEBATES ERAM BONS DE VERDADE, ainda que servissem para atender aos interesses da classe dominante através de seus candidatos.

Ainda hoje assisto aos debates das eleições presidenciais de 1989 com Leonel Brizola chamando Paulo Maluf de “filhote da ditadura” ou com Aureliano Chaves e Ronaldo Caiado disputando quem seria mais fiel aos militares e a ditadura que se encerrava. Lembro bem da qualidade que Mario Covas, Ulysses Guimaraes, Roberto Freire, Lula e o próprio Brizola emprestavam ao debate.

Claro, temos que lembrar que foi em 1989 que a Rede Globo promoveu aquele “debate” do 2º turno entre Fernando Collor e Lula, montado para beneficiar o candidato de Roberto Marinho, com a farsa das pastas vazias feita por Boninho e sua equipe e com aquela edição do dia seguinte que beneficiou Collor e prejudicou Lula.

Trabalhando como cientista político, analisando e comentando processos eleitorais na imprensa paraibana, acompanhei debates de todo tipo e vi acontecer muita coisa ao vivo. Vi candidato passar mal de verdade e candidato fingir que ia desmaiar. Vi um candidato ameaçar se retirar do debate ao lhe perguntarem por que ele pagava a pensão de sua ex-esposa com a verba de seu próprio gabinete.

Vi um candidato se recusar a entrar em um estúdio alegando que suas cadeiras tinham a mesma cor da campanha do seu adversário. O detalhe é que a emissora era de rádio – o público não poderia saber a cor das cadeiras. Vi dois candidatos acertando um encontro para saírem literalmente no braço, após um debate em que um acusar o outro de mentiroso foi elogio. Enfim, vi coisas que só mesmo nossa democracia eleitoral patrimonialista pode produzir.

domingo, 27 de setembro de 2026

Se gritar miliciano, não fica um bolsonarista!

 



Foi por causa dessa postagem que a extremosa destra acusou o golpe.

Quando Antônio Tabet fez a postagem não se referiu a família Bolsonaro, pelo menos não diretamente. Ele disse que a família miliciana atacou Nossa Senhora Aparecida por ser racista. 

A família Bolsonaro, e seu candidato terrivelmente bolsonarista, podiam ter ficados quietos, não precisavam dizer nada. Poderiam, no máximo, argumentar que não são a família miliciana. 

Mas, eles não podiam se conterem, pois todo miliciano é bolsonarista, ainda que nem todo bolsonarista seja miliciano.

Ao responderem a postagem de Tabet, acusaram que sentiram o golpe, caíram feito uns patinhos, admitindo que são mesmo a família miliciana. Como eles são miliciano convictos, não podiam não se pronunciarem.



Nunca foi difícil escolher!

Nunca foi difícil escolher! Na verdade, foi sempre muito fácil!


A tal da “escolha difícil” só estava mesmo, e ainda está, na cabeça de Vera Magalhães e de setores da sociedade brasileira que não conseguem fazer uma opção política, ideológica e eleitoral que seja minimamente  coerente com o lado onde se encontram no processo de produção e de reprodução do modo de produção capitalista.

A escolha só é difícil para o trabalhador que pensa como o seu patrão, que defende o Estado mínimo, sem entender que a burguesia não vive sem o Estado para defender seus interesses econômicos.

A escolha é complexa para o funcionário público neoliberal que é a favor da privatização e que supõe que vai ficar rico se defender os interesses do grande capital.

A escolha é impossível para o pobre de direita, para o preto racista, para a pessoa LGBT homofóbica, para a mulher machista porque precisam lutar contra sua própria condição social.

Enfim, dito de outra forma, a escolha é muito simples para quem é consciente de seu papel na sociedade. Agora mesmo, temos que escolher entre um estadista do tamanho de Lula e um elemento membro de uma organização criminosa que atende pelo nome de família Bolsonaro.

Convenhamos, não é difícil escolher!


PS: Não acho impossível Lula vencer já no 1º turno. Existe mesmo uma possibilidade de não termos 2º turno, ainda que as pesquisas apontem mais para a realização de um 2º turno.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

ESTÁ DIFÍCIL, MAS QUANDO FOI FÁCIL?!

Não é impossível vencermos as eleições para presidente da República e, sim, Lula pode vencer ainda no 1º turno; mas, para isso, temos que deixar o bom-mocismo de lado, pois o jogo da democracia liberal é pesado já que permite que um criminoso seja candidato.

Precisamos entender que a democracia liberal é o sistema político criado, pela burguesia, para propiciar o melhor funcionamento político possível ao seu sistema econômico, o capitalismo. É por isso que tem candidatos da extrema direita e da direita Faria Limer que são contra o fim da jornada 6X1. Elementar, eles estão defendendo os interesses da classe social que financia suas campanhas eleitorais. Simples assim! 

Infelizmente, nosso modelo de democracia meramente eleitoral permite que um miliciano extremamente perigoso, um coach milionário metido a psiquiatra, o criador de uma organização fascista, o representante da direita do agrorural, etc, sejam candidatos à presidência da República.

Precisamos tratar Flavio Bolsonaro pelo que ele é - um membro de uma organização criminosa que cometeu crimes como tentativa de Golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Inclusive, é preciso que se diga que seu pai é o chefe dessa organização criminosa ainda que esteja preso, cumprindo a pena que a justiça lhe impôs.

É preciso mostrar claramente o envolvimento de Flavio BOLSONARO com o "esquemão" do Banco Master de Vorcaro. Para isso, importa bastante assistirmos e divulgarmos o 2º episódio da Série de reportagens "REVELANDO" em que Fábio Porchat nos mostra as conexões entre o dinheiro, a fé "evangelicalizada" e a extrema direita, através do Banco Master.

O episódio "GRANDES IGREJAS, MASTER NEGÓCIOS" é sério, não é para rir, e serve para sabermos bem com quem estamos lidando e dos riscos que corremos caso o "irmãozão" de Vorcaro venha a ganhar a eleição.

É preciso mostrar o envolvimento dos BOLSONAROS no assassinato de Marielle e Anderson. Ficar falando de "rachadinhas" na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e na Câmara dos Deputados não funciona mais. Enfim, não faltam crimes cometido por Flavio Bolsonaro para serem mostrados na propaganda eleitoral.


É PRECISO MOSTRAR QUE FLÁVIO BOLSONARO É O CANDIDATO DA EXTREMA DIREITA POR ELE SER EXATAMENTE O PIOR E O MAIS PERIGOSO DOS BOLSONAROS


Não adianta seguir as regras da democracia liberal [meramente eleitoral] se o adversário joga para acima e além das regras, normas e leis. É preciso mostrar que nós temos 2 opções:

- uma, é o estadista LULA.

- outra, é o criminoso Flavio BOLSONARO. 

Lula Paz e Amor pode funcionar lá na ONU. Mas, aqui é diferente! Temos que enfrentar com coragem a extremosa destra criminosa em sua aliança com a burguesia e o grande capital corporativo.

Temos que vencer a eleição, pois dependemos disso para seguirmos minimamente seguros e em paz.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

O que o ministro do STF, terrivelmente evangélico e bolsonarista, quer mesmo é acabar com as operações da Polícia Federal e intervir na eleição

É sempre bom lembrar que quem tornou André Mendonça Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) foi ... Jair Bolsonaro. Também, não se deve esquecer que ele estava cumprindo uma promessa, pois antes mesmo de ser eleito dizia que indicaria um ministro “terrivelmente evangélico” ao STF.

Indicado ao STF, André Mendonça reconhece 'submissão'
a bispos da Assembleia de Deus | Lauro Jardim - O Globo

Já presidente, Bolsonaro anunciou que o ministro "terrivelmente evangélico" seria ... André Mendonça. Isso aconteceu quando ele participava, na Câmara dos Deputados em 10\07\2019, de um culto evangélico e de uma sessão em homenagem aos 42 anos da Igreja Universal do Reino de Deus do “terrivelmente (pastor) evangélico” Edir Macedo.

Bolsonaro, que cumpre pena por ter liderado organização criminosa armada (além de tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito, de golpe de estado, de dano qualificado e deterioração contra patrimônio da União), afirmou, nesse evento na Câmara dos Deputados, que: “O Estado é laico, mas nós somos cristãos. Esse espírito deve estar presente em todos os Poderes. Por isso, meu compromisso: poderei indicar dois ministros para o STF; um deles será terrivelmente evangélico”. (Fonte: Agência Câmara de Notícias).

Em tempo: 1.) Sendo o Estado laico, o espírito cristão não pode se fazer presente nos poderes da República; 2.) Como o Estado  é laico, não poderia jamais ocorrer um culto evangélico na Câmara dos Deputados; 3.) O fato de uma pessoa ser “terrivelmente evangélica” não a qualifica para ser ministra do STF, ainda que seja “terrivelmente bolsonarista”.

Como explicar, então, as ações do ministro André Mendonça? Elementar, ele é de uma forma assustadora, pavorosa, terrivelmente evangélico, de direita, conservador\reacionário, numa palavra, ele é bolsonarista. O que move Mendonça é a sua fidelidade terrivelmente canina à Família Bolsonaro.

Agora mesmo, Mendonça afastou Andrei Rodrigues da diretoria geral da Polícia Federal. E por que ele fez isso? Porque foi na gestão de Rodrigues (tendo Lula como presidente) em que se desencadeou a Operação Compliance Zero para se investigar e prender Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o “irmãozão” de Flávio Bolsonaro, que bancou o filme Dark Horse e um esquema de desvio de dinheiro, do Brasil para os Estados Unidos, para, dentre outras coisas, bancar a vida de bolsonaristas “exilados”, um deles Eduardo, irmão de Flávio.

Um país macumbeiro com um juiz terrivelmente
evangélico no STF – CartaCapital

Foi sobre o comando de Rodrigues que se descobriu os mandantes da execução de Marielle Franco e que se revelou o esquema bilionário de descontos ilegais de aposentados e pensionistas do INSS ocorrido no governo de ... Jair Bolsonaro. Rodrigues chefiava a PF nas investigações sobre as tentativas de golpe de Estado (entre novembro\22 e janeiro\23), para impedir a posse de Lula, e nas operações contra as organizações criminosas comandadas por empresários, políticos e aquela gente “Faria Limer” que guia a mão visível do mercado.

O que André Mendonça quer é estancar as operações da PF para que não se investigue, por exemplo, mais e melhor o esquema de descontos das aposentadorias e pensões do INSS. É que é do dinheiro, fruto dos esquemas fraudulentos do Banco Master, que saiu o dinheiro para, por exemplo, financiar as atividades cinematográficas da família Bolsonaro. O que o nosso ministro “terrivelmente evangélico e bolsonarista” quer mesmo é cessar as denúncias, investigadas pela PF de Andrei Rodrigues, que fazem sangrar o capital eleitoral de Flávio, terrivelmente filho de Bolsonaro.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

COMO AGEM OS APARELHOS IDEOLÓGICOS DE ESTADO

Segundo Louis Althusser (1985), Aparelhos Ideológicos de Estado (AIEs) são órgãos e instituições que preparam e\ou adaptam a consciência social aos padrões do sistema econômico dominante.

Eles atuam pela manutenção e reprodução do poder da classe dominante, utilizando para isso consenso e hegemonia, ainda que o aparelho repressivo (de Estado) garanta o monopólio da coerção.

Os AIEs agem através de valores e normas, de forma que a dominação possa parecer algo natural, e objetivam obter, através de ações específicas, a reprodução das relações de produção que são, na verdade, as relações de exploração do próprio sistema capitalista.

De acordo com Althusser (1999), AIEs são órgãos e instituições que funcionam como peças de uma engrenagem (de um sistema) e atuam na sociedade civil para harmonizar (e ajustar) a consciência social aos padrões do sistema econômico dominante e para que a classe dominante mantenha seu controle social, político e econômico.

Dito de outro forma, os AIEs buscam obter, com ações específicas, a reprodução das relações de produção. Eles são instituições sociais que disseminam o modo de pensar (ideologia) das classes dominantes para que a reprodução e conciliação (coesão) do sistema econômico e político se mantenha. Sendo que cada aparelho ideológico possui seu próprio conjunto de organizações, instituições e práticas que conformam a ideologia dominante e que controla o Estado (Althusser; 1999).

ALTHUSSER, Louis. Aparelhos Ideológicos de Estado (Notas sobre os Aparelhos Ideológicos de Estado). 9ª ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1985.


_________________. Sobre a Reprodução. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1999.


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

SOBRE IDEOLOGIAS E ESCOLHAS POLÍTICO-PARTIDÁRIAS

Se o animador de auditórios da Globo, que acha que o Bolsa Família não gera estímulos para tirar as pessoas da pobreza, é de centro esquerda, sou um dromedário com 5 corcovas do lado esquerdo. Não existe no espectro político-ideológico a figura do centro disso ou daquilo.

Pode-se ser de esquerda com viés liberal ou revolucionário. A esquerda atua no cenário político capitalista, jogando o jogo da democracia burguesa que é neoliberal. Aliás, supor que operando nas instituições políticas burguesas é possível dotar o capitalismo de uma face humanizada é como acreditar que o escorpião não vai picar o sapo na primeira oportunidade que tiver.

E temos a direita, que pode ser conservadora, neoliberal e\ou filosoficamente liberal. É a direita “limpinha” que se vê acima do bem e do mal por defender a democracia, ainda que vez por outra apoie golpes de Estados e ditaduras. Ainda tem a extrema-direita que, claro, é fascista\nazista.

Nos EUA, a direita é republicana ou democrata, apesar de Bernie Sanders ser de esquerda. A social-democracia defende o Estado intervindo na economia para promover desenvolvimento e justiça social. Aqui foi representada por Leonel Brizola, após a ditadura militar, e por setores do PT e pelo próprio Lula. Aliás, o líder comunista Luís Carlos Prestes costumava dizer que o grande problema de Lula e Brizola era defender um capitalismo bonzinho – para Prestes, tentar humanizar o capitalismo era um erro conceitual grave!

O PT tem suas tendências, que divergem, mas todas são de esquerda. O PSOL é de esquerda e não se desloca para outro lugar. Existem partidos que renunciaram a princípios ideológicos e se deslocaram da esquerda para a direita, ainda que mantenham questões originais, é o caso do PDT.

Temos os de direita (PSDB, MDB, DEM) que por “oportunidades” eleitorais adotam discurso diferente. Como não podem dizer que não são mais aquilo que sempre foram ou que agora são uma coisa que nunca aceitaram ser, começam a se autodenominar de centro alguma coisa como se isso repaginasse uma imagem conhecida.

Devemos lembrar que o tal “centrão” não tem nada a ver com ideologias. Pelo contrário, o sujeito é do “centrão” porque despreza as ideologias políticas e apenas contempla seus interesses fisiológicos. É bom desconfiar dos que se dizem centro alguma coisa, em geral o fazem para esconder algo.

 

Sempre existiram dois lados. Escolha o seu! Não busque saídas fáceis, não seja neutro(a), isento(a).

Não diga que não sabia, que foi enganado. Assuma e reconheça de que lado esteve, refaça seu pensamento, se for o caso, e siga em frente. Não se vitimize para justificar escolhas. Não se esconda atrás do biombo da ingenuidade ou da falta de conhecimento. Se foi capaz de votar em quem defende estupro, eugenia, escravidão\racismo, homofobia, torturadores, nazistas, seja capaz de enfrentar consequências e se reposicione

A luta é contra o fascismo genocida e os que são contra isso são bem-vindos. Mas, se autocritique para não repetir erros. Quem votou em Collor e não reviu sua posição, votou em Bolsonaro. Não se trata de engano, mas de posicionamento político e ideológico.

Sempre se poderá dizer: “me enganei com Moro, Dallagnol, Bolsonaro” para não ter que assumir responsabilidades, mas os criminosos de guerra nazistas ou os torturadores da ditadura militar diziam ter "apenas seguido ordens" para justificar seus crimes. Manter-se apoiando um Bolsonaro qualquer, significa desumanização, nazificação, manter-se aferrado ao fascismo genocida.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Jayson Blair e o dilema do serial disinformer

 

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR NO CASO JAYSON BLAIR?

Jayson Blair era um jornalista do New York Times que inventava as matérias que publicava e que ficou conhecido como o plagiador serial mais infame do mundo. Blair não era apenas editor de notícias falsas, ele era a própria Fake News. Ele trabalhou no New York Times, entre 1999 e 2003, quando teve que pedir demissão após um jornal do Texas denunciar um plágio. Além de falsificar notícias, Blair contava histórias de supostas viagens a vários estados dos Estados Unidos, ainda que não fosse a lugar algum, pois escrevia tudo de sua casa em Nova York.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Pesquisas atualizam a percepção sobre nossa mentalidade obscurecida por ideologias conservadoras e autoritárias


Em abril de 1945, o Exército da URSS entrou na Berlim destruída pelos combates da 2ª Guerra Mundial. Enquanto caçavam nazistas, militares soviéticos estupraram centenas de milhares de mulheres de todas as idades. Stálin nada fez, pois os russos viam o estupro como uma “necessidade do homem” e como forma de subjugar o inimigo. Na Guerra do Vietnã, soldados estadunidenses se habituaram a estuprar as vietnamitas. O governo e a sociedade dos EUA fecharam os olhos para isso.

Sociedades contemporâneas aceitam o estupro. O Brasil tem seu jeito de lidar com a violência contra a mulher, buscando legitimá-la Em 2014, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostrou que 26% dos brasileiros acreditam que a “mulher que exibe seu corpo merece ser atacada”. O IPEA demonstrou que 58% dos entrevistados concordavam que “se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros”. Mostrou também que 65% dos entrevistados afirmaram que “mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar”.

Em 2016, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) atualizou nossa mentalidade, obscurecida por ideologias conservadoras e autoritárias, mostrando que 30% dos entrevistados concordavam que a “mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada” e que 37% aceitavam que “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”. O discurso  que assevera que a mulher só é vítima de agressão sexual porque provocou o homem é socialmente aceito. Isso se comprova com 30% das mulheres entrevistadas concordando com a ideia que as responsabiliza pela violência sexual praticada contra elas. Assim, a vítima em potencial aceitaria a culpa pelo estupro.


Em 2014, seguíamos achando que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, pois a pesquisa do IPEA revelou que 82% dos brasileiros(as) concordavam que “o que acontece entre o casal em casa não interessa aos outros” - supunham que não se deve intrometer no caso de um homem espancar sua esposa desde que isso aconteça no santo recesso do lar. Através da pesquisa, entendíamos que a brasileira ainda não havia se equiparado econômica, política e socialmente em relação ao brasileiro e que 65% dos entrevistados concordavam que “mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar”. O primado do homem sobre a mulher ainda é aceito por nós.

Em 2013, o Programa Bem-me-quer de São Paulo mostrou que metade das vítimas de estupro tinha até 11 anos de idade. Em 2014, o IPEA dava que crianças são alvos preferenciais dos estupradores, que a maioria dos casos contra elas aconteciam no ambiente familiar e que metade das vítimas da violência sexual eram menor de idade. Na segunda década desse século, a realidade na Paraíba confirmava os dados do IPEA e do FBSP. O Centro da Mulher 8 de Março, de João Pessoa, mostrava que entre o início de 2010 e novembro de 2015 foram registrados 556 estupros na Paraíba, sendo que 65,4% dos casos foram contra crianças e adolescentes.

Esses dados atestam que parte da população finge não saber que é crime tentar ter ou manter relações sexuais com uma mulher sem que ela consinta. É como se a mulher gostasse de ser violentada e provocasse o homem para que ele lhe atacasse. A ideia, anacrônica e estulta, de que um padrão de comportamento, determinado à mulher pela sociedade patriarcal, evita que ela seja estuprada é prova de nosso conservadorismo autoritário. De fato, parte considerável dos(das) brasileiros(as) seguem repetindo a ameaça: “dê-se ao respeito e não serás estuprada”.

O documentário “Half the sky” (O céu pela metade) se baseou no livro homônimo de Nicholas Kristof e Sheryl WuDunn e foi produzido (em 2012) para a PBS, a televisão pública estadunidense. Ele foi filmado em países africanos com histórias de mulheres vítimas de tráfico, violência sexual, fome, guerra e escravidão. Em nome de uma tradição doentia vemos casos de mulheres estupradas e prostituídas por seus pais e maridos, sendo submetidas a depauperante tradição da infibulação.

Certo, o que se vê em “Half the Sky” não acontece no Brasil, pois aceitamos os valores da democracia liberal-burguesa (neoliberal), ainda que uma cultura pretoriana (autoritária) nos faça saudosistas da ditadura militar. Estamos longe de uma Somália ou Serra Leoa, mas não estamos próximos de uma sociedade evoluída em termos de direitos sociais, liberdade e igualdade. Estamos bem mais perto da Índia com seus hábitos que desumanizam a mulher, pois aqui como lá ainda se pratica o estupro coletivo, tal qual faziam os soldados russos e estadunidenses.

 

Até aqui vimos dados de cerca de 15 anos atrás. Poderíamos afirmar que eles estão desatualizados? Infelizmente não! Recentemente, o Instituto de Pesquisa DataSenado trouxe mais uma rodada da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher dando conta que, em 2025, 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica. Mesmo que enfatize que houve redução dos índices de violência em relação a rodada de 2023, a pesquisa demonstra que a maioria das agressões ocorrem na presença de outras pessoas, principalmente filhos e filhas das mulheres vítimas das agressões.


A pesquisa traz, também, uma percepção geral pessimista, pois 79% das brasileiras acreditam que a violência contra a mulher aumentou e 71% consideram o Brasil um país muito machista. Além disso trouxe um dado bastante relevante sobre a percepção das agressões. Se até 2021 a maioria dos casos declarados falava de violência física, a partir de 2022 a violência psicológica passou a ser a mais relatada. Assim, vemos que 88% das mulheres relataram ter vivido violência psicológica em algum momento da vida.

O FBSP lançou este ano o “Retrato dos feminicídios no Brasil (2006-2026)”, um alentado relatório mostrando, dentre outras coisas, que houve (entre 2021 e 2025) um crescimento de 14,5% nos registros de feminicídios no país, sendo que em 2025 tivemos 1.568 mulheres vítimas de feminicídio – um crescimento de 4,7% em relação ao ano de 2024.

Concomitante a isso, temos duas pesquisas, realizadas pelo Datafolha em junho desse ano, que falam das nossas percepções políticas e ideológicas. Na primeira pesquisa, vemos que 40% das\dos brasileiras(os) associam pobreza à “preguiça dos que não querem trabalhar” e 58%  entendem que “a pobreza está ligada à falta de oportunidades iguais para que todos possam subir na vida”. Entre as pessoas com renda familiar superior a dez salários mínimos, 63% aderem a tese da preguiça. Aqui, como em várias outras pesquisas, vemos a bipolaridade de opiniões quando o assunto é o nosso comportamento que faz parte de nossa matriz ideológica.


Na segunda pesquisa, aferiu-se que os\as brasileiros(as) se identificam majoritariamente como de direita e que as posições político-ideológicas de direita superaram as de esquerda - 44% dos brasileiros se dizem de direita ou centro-direita enquanto 39% se posicionam à esquerda ou centro-esquerda. Aqui, interessa atentar para o fato de que houve uma inversão em relação ao ano de 2022, ainda sob o governo de Jair Bolsonaro, quando 49% se diziam de esquerda e 34% de direita.

Não é mesmo fácil entender a cabeça do povo brasileiro que se diz de direita quando sob um governo de esquerda, mas se assume de esquerda quando sob um governo de direita. Um exemplo disso, é que em 2014, durante o governo Dilma Rousseff (PT), a direita reunia 45% dos entrevistados, enquanto a esquerda registrava 35%.

 Seria preciso um estudo, com um método quantitativo aplicado às Ciências Sociais, que correlacionasse as variáveis da pesquisa do IPEA de 2014 (“se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros” e “mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar”) com a variável “a pessoa é pobre porque tem preguiça de trabalhar”. Assim, talvez pudéssemos depreender que os mesmos setores da sociedade brasileira que aceitam que a mulher pode ser responsabilizada por ter sido estuprada, consentem, também, que a preguiça leva à pobreza.

No entanto, lendo nas entrelinhas, podemos inferir\deduzir que a pessoa que entende que se a mulher “souber se comportar poderá conter um estuprador” é a mesma que supõe ser verdadeira a hipótese da preguiça causando a pobreza. Se juntarmos a isso o fato de que 44% dos brasileiros se assumirem de direita ou centro de direita, poderemos ter um quadro preliminar de como pensa e se expressa política e ideologicamente nossa sociedade.



quarta-feira, 15 de julho de 2026

Hoje, um tango argentino não vai melhor do que um rock in roll inglês

Em 2022 torci pela Argentina contra a França naquela final emocionante da Copa do Mundo do Qatar. Torci porque nunca me deixo contaminar por esse ódio irracional (desculpe a redundância, pois ódio não é racional) que brasileiras(os) sentem pelos argentinos e porque sempre entendi que os grandes craques do futebol merecem, ao menos uma vez, serem campeões do mundo. 

Em 2022 o grande craque, merecedor de um título mundial, era Lionel Messi. Não que eu goste dele, com aquela posse de esfinge que vive fazendo cara de paisagem para os problemas do mundo em sua volta. É imperdoável Messi não se pronunciar contra o racismo crônico da torcida argentina nos estádios de futebol. Das duas uma: ou ele é contra, mas prefere calar, ou é a favor e por isso mesmo cala-se ostensivamente.

Costumo fazer clara separação entre os grandes craques do futebol e os homens que emprestam seus corpos a esses craques: Pelé, Zico, Maradona, Romário, Ferenc Puskás, Johan Cruyff, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Garrincha, Franz Beckenbauer, Didi, Leônidas da Silva, Franz Beckenbauer, Zinedine Zidane, Sócrates, Bobby Charlton, etc, etc, etc.

Estes, e tantos outros, foram grandes craques, mas a grande maioria não foi (ou não é) um grande homem. Mesmo assim, lamento que craques como Zico, Puskás e Cruyff não tenham sido campeões do mundo – azar das Copas do Mundo! Mas, imagina o que seria da história das Copas do Mundo se Pelé não tivesse sido campeão de uma delas?!

Pelé é o deus do futebol, mesmo que os argentinos achem que não. Mas, Edson Arantes do Nascimento foi um homem com opiniões políticas questionáveis para dizer o mínimo. Ronaldo, o fenômeno do futebol, afirmou, na Copa de 2014 aqui no Brasil, que (SIC) “Copa do Mundo não se faz com hospitais”. Do homem e senador da República Romário, melhor nem falar. 


Enfim, não vai dar para torcer pela Argentina hoje! Os argentinos em campo e nas arquibancadas estão tendo um comportamento imperdoável! O racismo explícito e as músicas insuportáveis, sem contar o orgulho deles pelas vitória (passadas e atuais) com a “roubalheira explícita” ... Não, não dá mesmo! Por isso, Belchior que me perdoe, mas, hoje, um tango argentino não vai melhor do que um blues, digo, do que um bom rock in roll inglês!

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