terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A América para os americanos do norte, supremacistas e ultraliberais! A atualização da Doutrina Monroe através do Corolário Trump e das Ideias Base da Dominação estadunidense em um contexto de preparação para guerras mundiais e de reafirmação da aliança entre a extrema direita e o neoliberalismo.

O ex-presidente do Equador Rafael Correa me fez pensar: “Imagine por um momento que Vladimir Putin capturasse Volodymyr Zelensky”. Gostaria mesmo de saber como estaria o mundo, agora, se uma tropa de elite russa tivesse sequestrado Zelensky e sua esposa, levando-os para uma prisão em Moscou?! O que fariam o Império do Norte e seus asseclas europeus se Xi Jinping, presidente da China, tivesse montado uma operação militar para invadir e reanexar Taiwan ao território chinês? Provavelmente já estaríamos na 4ª Guerra mundial, aquela que Albert Einstein disse que lutaríamos com paus e pedras.

Enquanto a comunidade internacional hablaba pelos canais diplomáticos, Donald Trump enviava sua armada para a costa venezuelana em outubro de 2025. Assim foi em 1938 – enquanto Hitler invadia a Polônia, os Aliados tentavam estabelecer compromissos democráticos com os nazistas, como se isso fosse possível! Correa foi certeiro em dizer que a invasão praticada pelos EUA, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, é exemplo da hipocrisia global e de aplicação seletiva do direito internacional.

A operação militar na Venezuela é assustadora, porém não surpreendente. Ela lembra ações como quando os EUA invadiram o Panamá em 1989 e sequestraram seu presidente, Manuel Noriega, levando-o para os EUA onde foi condenado, sob acusação de narcotráfico, a mais de 20 anos de prisão. Na época, não importava se Noriega era traficante, pois a questão é que ele ameaçou fechar o Canal do Panama aos EUA e países europeus. Também não se trata de se Maduro é ou não chefe de uma organização narcoterrorista. Importa que os EUA querem TODO O PETRÓLEO DA VENEZUELA, pois a matriz energética do capitalismo não sobrevive a base de energia renovável que não degrada o meio ambiente.

Os EUA não costumam falar a verdade quando vão invadir um país ou entrar em uma guerra. Eles preferem mistificar a realidade. Em geral, dizem que estão defendendo a liberdade e a democracia ou que estão caçando um perigoso ditador que é também terrorista, narcotraficante, corrupto ou coisa que o valha. Quando o Departamento de Estados montou a Operação Brother Sam em 1964, o governo de Lyndon Johnson disse que estava enviando tropas ao Brasil para garantir liberdade e democracia e depor um presidente corrupto. Simples assim!

 Em 1917, o presidente Woodrow Wilson disse que os EUA iam à Guerra Mundial para levar democracia à Europa e o povo estadunidense apoiou o envio de tropas. Nos anos 1950 Edward Bernays, sobrinho de Freud, trabalhava na United Fruit Company, multinacional que produzia frutas tropicais na América Central e Caribe. Quando o presidente da Guatemala, Jacob Árbenz, quis nacionalizar as terras da United Fruit, Bernays produziu publicidade falsa, recheada de desinformação, acusando Árbenz de ser um comunista a serviço da URSS e os EUA promoveram um golpe de Estado na Guatemala, mandando a CIA depor Árbenz.

Inspirando-se no expansionismo bélico de Hitler, Donald Trump disse que tudo remonta à Doutrina Monroe. De fato, tudo se relaciona a Ideia Base da Dominação de que a América é para os americanos, mesmo que os estadunidenses estejam falando em um tal "Documento Donroe", uma espécie de acrônimo entre os nomes de Trump e James Monroe, presidente dos EUA entre 1817 e 1825 que lançou a doutrina que colocava os EUA como nação protetora dos países latino-americanos. Na verdade, ainda no início do século XIX, os EUA já postulavam seus interesses intervencionistas sobre o que sempre considerou ser o seu quintal.

As Ideias Base da Dominação serviram (e ainda servem) para orientar a política externa estadunidense em relação a América Latina tendo como pressuposto (falso) que o destino dos povos latino-americanos está atado aos interesses dos EUA sob laços de submissão. Aliás, o Estado e a sociedade estadunidenses cultivam desde sempre um dogma de superioridade que deu lastro, por exemplo, ao supremacismo e ao neocolonialismo.

Em 1855, eles lançaram a doutrina do Destino Manifesto para provarem ao mundo sua autoconfiança e ambição suprema. Em “EUA X América Latina: As Etapas da Dominação”[i], Voltaire Schilling demonstra como eles desenvolveram a ideia de que anexar, abarcar, para si os territórios que vão do México até a Patagônia seria o cumprimento de uma inevitável missão moral que teria sido determinada pela providência divina. As Ideias Base partem de doutrinas (leis que orientam a política externa por longos períodos) que vão sendo atualizadas pelos ideários (ideias que referenciam políticas intervencionistas) e pelo corolários (que adequam doutrina às conjunturas). Dessa forma, seria mais correta nos referirmos a um “corolário Trump” à Doutrina Monroe. Se Monroe queria a “América para os americanos” e Roosevelt a queria apenas para os americanos do norte, Trump quer a América para ele mesmo e para seus amigos brancos, supremacistas e ultraliberais.

Dessa forma, fazem mais de dois séculos que os EUA sustentam em doutrinas suas ações militares pelo mundo afora. Foi assim com a Política da Boa Vizinhança (que visava aproximação com Brasil, Argentina, México, etc, através de relação diplomáticas, culturais, políticas e econômicas) e com a Doutrina de Segurança Nacional (que intervinha na América Latina com golpes de Estado e ditaduras militarizadas durante a Guerra Fria).

Schilling  afirma que as Ideias Base eram utilizadas pelo imperialismo ianque para camuflar, por trás de princípios liberais e humanitários, os interesses que tinha sobre as Américas Central, Caribenha e do Sul. Apenas, temos uma diferença, na forma não no conteúdo, entre a Doutrina Monroe e o Corolário Donroe. É que se a primeira se preocupava em ter uma feição idealista, de que a América deveria ser dos americanos, o segundo não tem maiores veleidades de negar o que de fato é, pois Trump até faz questão de dizer que quer o petróleo da Venezuela e que está pouco se lixando para o que vai ser do povo venezuelano.

O fato é que os EUA atendem a seus propósitos e interesses ao invadirem a Venezuela. O primeiro deles é o de se apropriar do petróleo venezuelano porque sem este não se faz nada e o Império do Norte sabe que terá que ir à guerra contra o mundo multipolar se quiser continuar em sua zona de conforto bipolar. Claro, ocupar a Venezuela significa estabelecer uma base militarizada em plena América do Sul com fronteiras escancaradas para o Mar do Caribe e toda América Central, Colômbia, Guiana e Brasil e, consequentemente, Peru e Equador. Também, invadir um país e depor seu presidente mostra aos aliados e reais adversários e inimigos a verdadeira lógica perversa dos governos ultraliberais e de extrema direita.

Reeditar a Doutrina Monroe, com a invasão\usurpação da Venezuela, significa ao Império do Norte voltar a se sentir “dono do mundo” e a ter, novamente, a América Latina sob rédeas curtíssimas. Com seu Corolário, Trump faz o povo estadunidense lembrar de quando os EUA se comportavam como a “polícia do mundo”. Numa fantasmagórica coletiva de imprensa, logo após o sequestro de Maduro, Trump deixou claro que governará a Venezuela e levará Washington para Caracas e que só quando a situação estiver estabilizada, com a extração de petróleo a todo vapor, é que fará uma transição política, seja lá o que isso posso significar.

A invasão da Venezuela não é um ato isolado, apenas para cumprir objetivos localizados. Os EUA estão provando ao mundo que estão no jogo, dispostos a ir a uma grande e universal guerra. Com suas ações, Trump traz à tona as Ideias Base da Dominação estadunidense em um contexto de preparação para guerras mundiais e de reafirmação da aliança entre a extrema direita e o ultraliberalismo. Como bem disse seu fiel amigo, Elon Musk: "Vamos dar golpe em quem quisermos! Lidem com isso". Ao invadir um país latino-americano, os EUA estão dizendo ao mundo: “Vamos fazer a guerra com quem bem quisermos! Lidem com isso!”.

 

[i] SCHILLING, Voltaire. EUA X América Latina: As Etapas da Dominação. 4ª ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1991,

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).