segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Como interpretar as últimas pesquisas?

O eleitorado de Campina Grande entendeu que a polarização é melhor do que a unanimidade. Ele vê como positivo ter dois grupos políticos disputando a liderança dos poderes executivo e legislativo da municipalidade. Se só um tiver a hegemonia política pode ter a sensação de que nada precisa fazer para ter a necessária legitimidade que torna a governabilidade factível.

Os grupos que protagonizam a disputa pela prefeitura estão sendo instados a entender que precisam “mostrar serviço” sob pena de perderem apoios. A população constatou que quanto mais dividida mais eles terão que trabalhar em prol da comunidade. Entendeu que ter os governos do estado e da cidade disputando, através da atuação, sua preferência é algo que só a beneficia.

Essa racionalidade eleitoral contrasta (mas não nega) o comportamento apaixonado da população campinense nos períodos eleitorais. Claro, ele é bem mais conseqüência da cultura política local do que algo demandado pelos atores e partidos políticos.

Campina Grande é, hoje, o proscênio da política eleitoral paraibana. Uma coisa é o grupo liderado pelo governador Cássio Cunha Lima estar, também, à frente do segundo colégio eleitoral do estado e outra é o grupo que lhe faz oposição ter a primazia em Campina. São cenários diferentes, com correlações de forças alteradas. E em João Pessoa, o maior colégio eleitoral estadual, Ricardo Coutinho firmou-se com uma vitória inquestionável e pode ser o fiel da balança nos próximos embates. Também é bom não desconsiderar que as relações políticas endógenas do grupo liderado pelo senador José Maranhão sofreram abalos – este não se fez presente fisicamente à campanha do prefeito Veneziano e ainda teve a defenestração do ex-senador Ney Suassuna.



Agora temos duas pesquisas que corroboram com a análise e reforçam as características desta eleição: a exacerbada polarização e a incerteza quanto ao resultado.

Pela pesquisa IBOPE temos um sintomático empate. O prefeito Veneziano Vital e o deputado Rômulo Gouveia têm os mesmos 47%. Os indecisos e os votos branco/nulo são de 3%. A margem de erro, de 4 pontos percentuais, não esclarece nada, pois os dois ficam entre 43% e 51%. Na pesquisa CONSULT temos uma diminuta diferença e uma novidade. Pela primeira vez, desde o início da campanha, Rômulo aparece na frente com 50,25% e Veneziano o segue de perto com 49,7% dos votos válidos. No entanto, a margem de erro de 3,3% mantém a incerteza.

A quem quiser desacreditar dessas aferições, recordo que elas são coerentes com o resultado do 1° turno, quando Veneziano teve 106.844 contra 104.440 votos de Rômulo. Isso corresponde a 48,88% e 47,78% dos votos válidos respectivamente.

A pesquisa CONSULT indica onde este complexo jogo poderá ser desempatado. 86,7% responderam que não mudam seu voto. 6,9% dos entrevistados (que declararam ter candidato) admitiram mudar de opinião e 3,1% disseram que, dependendo das propostas, podem mudar de idéia. É por aí que o enigma se decifra. Se somarmos o percentual dos que podem mudar de opinião com a diferença entre os candidatos, então chegamos a um valor que pode sim decidir a eleição. Simples assim, pois essa eleição será decidida nos mínimos detalhes – essa é a única certeza.

Apresentando-se repartido ao meio, o eleitorado campinense oferece aos atores políticos envolvidos na disputa uma sábia lição – a unanimidade pode até ser mais cômoda aos grupos políticos, mas não satisfaz aos interesses e necessidades de grande parte da população.



Esta análise não deve ser transposta para outros processos eleitorais em outras cidades brasileiras. Eleições locais têm características e variáveis próprias que devem ser respeitadas. Aguardarei o fim das eleições para analisar o mapa político-eleitoral brasileiro na perspectiva das eleições de 2010.

Mas, alguma coisa pode ser adiantada:

PT e PMDB deverão ser os grandes vencedores no G79, o universo composto por 26 capitais e 53 municípios com mais de 200 mil eleitores. Isso representa 46,8 milhões ou 36,4% dos eleitores do país. É o espectro que pesará nas articulações visando às eleições de 201

O PT ganhou, no 1° turno, em 13 cidades e poderá vencer em mais 7. Isso significa governar algo em torno de 8,6 milhões de eleitores. O PMDB venceu em 9 cidades e está na disputa em 12. Pode governar cerca de 15 milhões.

O PSDB ganhou em 9 municípios no 1° turno, está na disputa em 10, mas parece só ter chances de vencer em 2. Se for assim, governará 5,1 milhões eleitores, pouco para quem em 2004 tinha 17 prefeituras com cerca de 14 milhões de eleitores.

O DEM aposta na vitória de Kassab em São Paulo, para compensar o pífio desempenho que teve no 1° turno – ganhou em apenas 4 cidades do G79, o que representa 1,2 milhões de eleitores. Se ganhar em São Paulo, passará para 9,4 milhões de eleitores – algo nada desprezível.

O PV poderá ser uma grande surpresa. Venceu, no 1° turno em Natal, e pode ganhar no Rio de Janeiro – obtendo a governança sobre algo em torno de 4,8 milhões de eleitores.


Outubro/2008.

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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).