terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Quando eles cruzam o Rubicão – Parte II

A presidente, contrariando os que a tomam como estulta, fez a leitura correta da situação. Pode parecer um paradoxo, mas Dilma viu algo de positivo no desvario oportunista de Cunha quando afirmou que “foi melhor assim, pois a indefinição que imobilizava o governo acabou”. É que finalmente ficou claro que não se pode esperar nada de bom de alguém que só tem a chantagem, a barganha e a voracidade por cargos como arma politica. O governo entendeu que se os deputados petistas votassem a favor de Cunha no Conselho de Ética num dia, ele se voltaria contra o governo no dia seguinte. Foi por isso que Rui Falcão pediu pela admissibilidade do processo. Afinal, o que esperar de quem acatou o pedido de impeachment apenas para retaliar o governo?


Cunha não é republicano. Ele vive num mundo pré-medieval, onde a “coisa pública” ainda não era utilizada. Cunha é um golpista cínico que só pensa em salvar seu mandato, seu status e o dinheiro que esbulhou dos cofres públicos. Ele não passa de um joguete nas mãos dos que jamais cruzariam o rubicão para se jactarem como heróis. Cunha será manuseado por seus pares e cúmplices, para fustigar Dilma e o PT, e quando não mais for útil será cuspido do Congresso Nacional como foi Severino Cavalcanti, por exemplo.


Dilma quer apressar o andamento do impeachment para ver se governa em águas menos revoltas e para estancar as articulações golpistas, revestidas de alguma legalidade e/ou legitimidade, que permeiam o ambiente contaminado pelo inconformismo antidemocrático dos que perderam a eleição de 2014. Mas, a imobilidade segue, pois o espírito cívico republicano sumiu de Brasília. A situação é a pior possível e só confirma a tese de Luis Fernando Veríssimo de que “no Brasil, o fundo do poço é tão somente uma etapa”.


Vejamos que se estabeleceu um dilema institucional. É que o governo não tem maioria no Congresso para governar e a oposição não possui maioria qualificada para dar célere prosseguimento ao golpe disfarçado de impeachment. No episódio da formação da Comissão, na Câmara dos Deputados, que analisará o pedido de impeachment se viu isso. A oposição teve 272 votos, mas precisa de 342 para aprovar o impedimento. A situação teve 199 votos quando precisa ter 172 para barrar o processo. Essa vantagem de 27 votos se esvai rapidamente num Congresso onde se parlamenta à base de chantagens, cinismos, ameaças, barganhas e toda sorte de comportamentos nada republicanos.

Como farsa não como tragédia, o vice-presidente Michel Temer também cruzou o rubicão ao criar o fato que declarou seu rompimento com a presidente Dilma. Ele a enviou uma carta lamuriada pelos interesses do PMDB que só enxerga cargos. O estadista, expert em constitucionalismo, que acreditávamos ser o vice-presidente sucumbiu a uma cantilena onde se regateia a atenção da presidente e se cita atos comezinhos da vida palaciana. Temer vem manobrando, pelos braços de Eduardo Cunha, a defenestração de Dilma seja pelo impeachment, seja pela renúncia forçada. A carta, instrumento de chacota nas redes sociais, queria provar uma fragilidade do vice-presidente que jamais foi real.


Temer está para Dilma assim como muitos dos que cercavam João Goulart em 1964- faziam parte do seu governo, eram seus mais diletos aliados, mas tramavam sua derrubada junto aos militares. O bloco civil golpista de 1964 tinha um pé na oposição e outro na situação tal qual o PMDB que governa e é oposição tudo ao mesmo tempo agora. Temer diz na tal carta que a "desconfiança (de Dilma em relação a ele e ao PMDB) é incompatível com o que fizemos para manter apoio ao seu governo". Como se Eduardo Cunha, Renan Calheiros e o baixo clero medicante de verbas e cargos fossem de outro mundo.


A Carta de Michel Temer é pateticamente mesquinha na direção do rompimento com Dilma. Temer não temeu a ridicularizarão a que se expôs, pois confessa na carta que tudo gira em torno de cargos, favores, homenagens e status. Subliminar ficou que Temer parece disposto a embarcar nas aventuras golpistas que se tramam no Congresso Nacional. Quem melhor definiu essa situação foi o jornalista Xico Sá em sua coluna semanal no site do Jornal El País: “O vice que versa em latim — de velha missa — quer reza. Ego inflamado na paquera com as sinhazinhas da Casa Grande e federações das indústrias, tentou inverter a cabeça da chapa mais de um ano depois das eleições. Tomou a pílula azul do golpismo”.

Continua amanhã...

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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).