sexta-feira, 27 de março de 2020

Mas, afinal o que é um golpe de Estado?



O golpe civil-militar de 1964 faz 56 anos, mesmo que sua ditadura tenha acabado a 35 anos. Acabou? Dilma Rousseff foi deposta por um golpe de Estado que fez erigir das urnas um governo inimigo da democracia. Isso não me autoriza afirmar que vivemos numa ditadura, mas daí dizer que este sistema de procedimentos democráticos leves, ancorados em entulhos autoritários, é algo bom vai longa distância. Mas, afinal, o que é um golpe de Estado?

Um bom conceito de golpe de Estado tem que apontar os protagonistas da articulação e da ação golpista, os meios excepcionais utilizados e os fins que o justificariam. É que golpes são a manifestação da estrutura que não aceita o resultado das urnas. Isso ocorreu em 2016: os perdedores de 2014 recorreram a um golpe para desfazer o resultado das urnas.

O cientista político Edward Luttwak diz que: “Golpes podem operar na área externa do governo, mas dentro do Estado”. Os golpes não são dados por alienígenas inimigos da democracia, mas por agentes do Estado para depor um governo legal e/ou legitimo. Foi assim que se deu o golpe no Chile em 1973. Hoje, eles são promovidos pelos poderes legislativo e judiciário. Em 2016, um conglomerado golpista apeou do poder uma presidenta eleita. Assim como em 1964 que militares, respaldados no Congresso e no STF, com apoio de parte da população e dos EUA, derrubaram um presidente eleito.

Não tivemos golpes “puro sangue”, pois eles contam sempre com o apoio e articulação de setores da sociedade civil e com a força das armas militares. Em geral, civis começam as articulações para só então baterem às portas dos quarteis. Gostamos de supor que golpes são dados por enfurecidos militares insubordinados. Não, eles são lançados pela elite política e empresarial do país. São os “controladores do poder” que decidem quem e como governa. 


O golpe de 1964 se deu pela tensão entre democracia e mudanças sociais. A direita acreditava que pela democracia se chegaria às mudanças, por isso o golpe. A esquerda defendia que só se faz mudanças pondo fim a democracia. O confronto destruiu as instituições e ficamos com democracia inexistente e nenhuma reforma social. O que a tragédia de 1964 e a farsa de 2016 têm em comum é a descrença que nutrimos da democracia e o fato de que a elite brasileira busca saídas de força cada vez que se sente ameaçada por movimentos reformistas.


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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).