quarta-feira, 13 de maio de 2020

O que um vírus pode nos ensinar?


O COVID 19 nos faz olhar para frente na expectativa de como será nossa vida “quando tudo isso passar”. Mas, o cacoete do historiador é olhar para trás em busca de respostas. Me volto questionando como e por que aprendemos tão pouco com Influenza, Ebola, H1N1, Gripe Aviária, SARS. Lembro que não é próprio de nossa espécie aprender com seus erros. A 2ª Guerra Mundial ainda terminava e os Aliados só pensavam nas guerras futuras, por isso Einstein disse: “não sei como será a 3ª guerra, mas a 4ª será com paus e pedras”. 

O nosso paradoxo é saber como ir até a lua, como construir um artefato que mata milhares ao mesmo tempo, mas não termos ciência precisa do que fazer para que nosso frágil sistema imunológico resista aos vírus e bactérias com os quais dividimos o meio ambiente que supomos ser só nosso. Transplantamos um órgão de um corpo humano para outro e nos quedamos diante de um vírus que já era nosso conhecido. Por que, em geral, demoramos tanto para responder aos ataques desses vírus? Não estamos preparados para o COVID 19, como não estávamos para o vírus Influenza da Gripe Espanhola. 

Miseravelmente custamos agir no combater a um vírus em constante mutação e que mata no atacado. O que chegou aos EUA já é diferente do seu original de Wuhan, na China. Aliás, o COVID 19 é peçonhento nos EUA porque seu povo tem um sistema imunológico frágil. Eles têm problemas respiratórios crônicos advindos de seus péssimos hábitos alimentares, sem contar um sistema de saúde privado onde o Estado não se preocupa com o bem estar das pessoas. A pandemia se estabeleceu como se não tivéssemos ameaças de uma guerra nuclear mundial, aquecimento global, deterioração da democracia e (re)ascensão do fascismo, praga do neoliberalismo, desigualdades sociais, etc, etc, etc.  

A pandemia frearia o culto ao estado mínimo e a autorregulamentação da economia que só o deus mercado teria? Já se fala numa reedição do “New Deal”, quando os donos do capital imploram ao Estado para que os salve da bancarrota. É que governos, suas instituições, e sistemas públicos de saúde é que devem enfrentar uma pandemia. Pois, por definição, o capital privado cuida dos CNPJs e o Estado dos CPFs. Falo, claro, de nações civilizadas onde o COVID 19 é uma pandemia, não uma “gripezinha”. O fato é que o vírus se alastra num mundo capitalista e, como sabemos, lucrar é o oposto de salvar vidas. 

Urge entender o que nos faz ficar em casa. Fugir da ignorância que nos assola é primordial. A visão falso moralista da pandemia não nos serve, pois ela não existe “por que Deus quer” ou por ser “uma vingança da natureza”, apesar de que parece ser isso, também. O meio ambiente costuma nos mandar recados, em forma de tragédias naturais, que em geral não entendemos. A natureza tem lá suas formas de nos fazer ver como nosso comportamento é equivocado. Parece mesmo que ela quis tirar “férias” do dito “homo sapiens” e mandou este vírus, que nos obriga a ficar em casa, enquanto ela se desintoxica de nós.  

Saberemos tirar lições disso tudo? Mudaremos quando soubermos como não morrer
com este vírus? Nos comportaremos melhor em relação ao meio ambiente? Ou será que seguiremos insanos destruindo o que não sabemos criar? Sou um realista incorrigível, mas por força desse destino” (como diria meu herói Belchior) estou numa onda de pessimismos de causar inveja a hiena Hardy(1), então não farei maiores expectativas. Acho mesmo que voltaremos a viver como se não houvesse amanhã, até que o próximo vírus venha nos encontrar para mais um acerto de contas. 

(1) Lippy the lion & Hardy Har Har era um dos desenhos animados do programa "The Hanna-Barbera New Cartoon Series", que fazia sucesso entre as décadas de 1960 e 1980. Lippy era um leão sempre acompanhado da hiena Hardy, pessimista, angustiada, descrente do futuro da humanidade.



Post Scriputm: Finalizo esta coluna vendo na TV Cultural o Diretor do Hospital das Clínicas de São Paulo, médico Arnaldo Lichtenstein, dizer que quando não se defende o isolamento social e se mantém o comércio e a indústria abertos, sob o argumento (oportunista) de que a economia não pode parar, está se condenando os mais vulneráveis, idosos e doentes, e que isso é perverso. Quando não se pensa nos mais vulneráveis, que eles podem morrer, e se valoriza apenas os "jovens atléticos" se está na verdade defendendo a EUGENIA. A ideia de que "alguns vão morrer, e daí?" é baseada na "eugênica" ideia nazista de que só os fortes devem viver.  

A extrema direita já louva seu “mito” com a saudação nazista e o governo usa palavras de ordem da Alemanha nazista ("trabalho liberta"; "... acima de todos, Deus acima de tudo), então adotar a eugenia é um passo largo rumo ao breu total que o fascismo oferece. Os fascistas estão acampando, armados, em Brasília bem próximos ao Congresso Nacional e ao STF, mas e daí? Vamos esperar os corpos dos primeiros esquerdistas, espalhados pelas ruas, crivados de balas, para nos espantarmos ou vamos começar, pelo menos, a nos indignarmos já, agora?

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).