terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ainda bem que eu sou Flamengo


Hoje é um dia importante para os flamenguistas,
como eu, e é um dia importante pro futebol brasileiro. No dia 13 de dezembro de 1981, o Flamengo sagrava-se campeão do mundo no Japão. Mas, não fez isso com qualquer time, com um futebolzinho de resultados como aquele da década de 90 que Dunga e et caterva apresentava - o fez com um time que jogava lindamente.
Este Flamengo não tinha um Neymar apenas, tinha onze.
Do Goleiro Raul (a segurança em pessoa), passando pelos Zagueiros (nunca vi Mozer derrubar um atacante de forma desleal, só ia na bola e quase sempre desarmava), pelos laterais (Leandro e Júnior faziam de tudo um pouco, marcavam muito, apoiavam a descida do time ao ataque, batiam faltas e faziam gols) e chegando ao meio-campo, "onde ficavam os craques que levavam o time todo pro ataque", só tinha de Neymar e Messi para cima.
Aliás, um time que tinha Adílio, Andrade e ZICO - uma espécie de Pelé branco que o Flamengo legou para a humanidade - só podia ser muito bom. Zico não jogava apenas, ele regia o time, conduzia a bola e o time seguia ao seu lado em direção ao gol e que gols eles faziam!! Eu lembro que quando Adílio pegava a bola na intermediária do Flamengo, erguia o braço, cantando a jogada, passava para Zico, este para Andrade e eles seguiam trocando passes para fazer a bola chegar aos pés de Nunes e Tita (ou não, pois era muito comum eles próprios fazerem o gol), eu já sabia, era só correr para a galera. Bom, o time completo era: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior / Andrade, Adílio e Zico / Tita, Nunes e Lico. Técnico: Paulo César Carpeggiani.
Assim como Socrátes, que transcendeu o "ser corinthiano", e fez a minha cabeça com aquela palavrinha impressa na camisa - DEMOCRACIA - e aquele calcanhar infernal, o "Flamengo de Zico" era elogiado até pelos torcedores de outros times. Aquele Flamengo era tudo, foi tudo, ganhou tudo que disputou - num espaço de um ano foi campeão Carioca, nacional, da Libertadores e do Mundo!!!! Como diria Djavan, AINDA BEM QUE EU SOU FLAMENGO!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Um papel ainda por definir ou muito bem definido


Neste artigo, publicado na Folha de São Paulo de ontem (20/11/2011), Janio de Freitas nos convoca a refletir sobre o papel desempenhado pelas Forças Armadas na recente ocupação das favelas do Rio de Janeiro. Ao afirmar que "não serve ao país a atual dubiedade sobre o papel das Forças Armadas em operações em favelas", Janio quer demonstrar que as prerrogativas que os militares federais possuíam no tempo da ditadura permanecem em nosso atual ordenamento jurídico, pelo menos parte delas. Seguimos perigosamente dúbios sobre o papel que aqueles que capitanearam uma ditadura
devem ter em tempos de procedimentos democráticos.



"O planejamento das invasões de Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu agravou uma situação esdrúxula. E, por consequência, a necessidade de ser enfrentada a falta de uma doutrina sobre a função interna das Forças Armadas no país. A um só tempo, o Exército recusou-se a participar das operações, como força de apoio, e evidenciou o desejo de retirar-se do Complexo do Alemão, onde estava prevista sua colaboração até junho, como garantidor parcial da ocupação.

O argumento de que militares não são preparados para esse gênero de ação tem prevalecido, sendo dada como ato de boa vontade especial -e não de cumprimento de responsabilidades definidas- a relutante presença do Exército na tomada do Complexo do Alemão. Não faltam contra-argumentos.

Se não há um setor do Exército preparado para tal tipo de ação é porque não foi tomada a providência de organizá-lo. Mas já era tempo, muito tempo, de que isso estivesse feito, por ao menos três fortes motivos. Primeiro, o Exército foi a força cujo comando pressionou com energia, em 1988, para constar da Constituição a responsabilidade das Forças Armadas também pela ordem interna. Segundo, o Exército capaz tem preparo para todos os tipos de operações de terra. Terceiro, "ações de polícia" semelhantes às das favelas já foram feitas pelo Exército, sob a atual Constituição, numerosas vezes: contra contingentes de sem-terra, contra grevistas, contra manifestantes, contra posseiros.

A contradição vai mais longe. Se o Exército pode fazer (bem) no Haiti -e se orgulha disso- a mesma atividade requerida pela ocupação de favelas, por que não pela segurança de brasileiros em seu próprio país? Há muitas restrições possíveis à participação das Forças Armadas em quaisquer problemas internos. Sua finalidade é, por definição, a defesa do país contra a violação da soberania física. O que não serve ao Estado de Direito é a atual dubiedade, imposta aos acovardamentos remanescentes nos constituintes e depois utilizada, em uma ou em outra direção, sem critérios nítidos -como deve tê-los o regime democrático.

Inclusive por artigos na Folha, Fernando Henrique Cardoso foi, entre os políticos, o que mais se referiu, no governo Sarney (o primeiro civil), à necessidade de definição do papel das Forças Armadas. Nos seus oito anos de presidente, não tocou no assunto. Nem depois. Mas a necessidade continua, agrava-se em alguns aspectos e dela dependem muitas possíveis ocorrências e decisões futuras. Sem essa definição é difícil, por exemplo, que o Rio consiga manter por longo prazo o efeito pretendido das ocupações de favelas. O mesmo com outras cidades e Estados, na eventualidade de agravamento de suas más condições de segurança pública e sociais, menos ou mais escondidas hoje."

sábado, 10 de setembro de 2011

PROGRAMA "OPINIÃO" - TV BORBOREMA - 07/09/2011.



Esta foi uma situação muito interessante! Mesmo sendo históriador de formação e fazendo parte do Dept. de História da UEPB, é na Ciência Política que venho, a pelo menos 10 anos, desenvolvendo minhas atividades. Como professor venho lecionando sempre as coisas da política e meu foco tem sido a análise das conjunturas políticas, como se sabe.


Mas, a TV Borborema me convidou para participar do Programa "OPINIÃO", com o jornalista Polion Araújo, alusivo ao "Dia da Independência". Foi um momento bastante interessante, pois pude "exercitar" o metiê do historiador, com foco na política, claro. A história foi, é e continuará sendo um referencial importante para minhas atividades.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sobre assertivas, asneiras e bufões.



Não que me anime, mas meu arquivo com asneiras de políticos aumentou graças ao governador do Ceará, Cid Gomes, que disse que "o professor trabalha por amor, não por dinheiro". Ele deve ter lembrado que é irmão de Ciro Gomes, famoso pelas asneiras e grosserias que distribui.

Segundo o portal iG Ceará, Cid falava aos professores da rede estadual em greve por melhores salários. Já havia dito que: “Quem quer ganhar melhor, vai para o ensino privado”. E não se diga que ele foi mal interpretado, pois a imprensa cearense pediu um “tira-teima” e Cid disparou: “funcionário público é motivado pelo amor e espírito público”.

Não vejo graça nas asneiras que bufões da política pronunciam. As assertivas têm um quê de ato falho, i.e., o lapso freudiano (parapraxia) pelo qual se expõem uma fixação do inconsciente através de um equívoco da fala. Exemplo? O marido que pronuncia o nome da amante para a própria esposa. O ato falho não se limita ao discurso, pode revelar desejos sexuais reprimidos e afetar à cognição, prejudicada por retenções do inconsciente. Erros triviais ou bizarros na aparência podem ter outro significado quando analisados. Senão vejamos

O deputado federal Jair Bolsonaro afirmou que “está se lixando para o movimento gay”. Pela contumácia com que ele expressa suas opiniões homofóbicas, pode-se imaginar o que está retido em seu inconsciente, pois a fala condena o que o desejo subconsciente aprova. Outro deputado, Júlio Campos, achando-se ponderado, referiu-se ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, como "ilustre ministro moreno escuro". Educado, porém racista.

Famoso é o dito do inefável Paulo Maluf na eleição para prefeito de São Paulo em 1992: “se está com desejo sexual, estupra, mas não mata”. O estupro seria uma forma de realizar desejos sexuais, não um crime. A personalidade difusa de Maluf manifestou uma possível perversão sexual.

Outro que parece ter dúvidas entre heterossexualidade e homossexualidade é Ciro Gomes que, como ministro, disse que quem defende o separatismo no Sul do país deve ter “um desvio homossexual”. O que a defesa de uma idéia política tem haver com condição sexual?

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, é um prodígio no quesito asneiras com um portifólio que inveja os grandes bufões da política. Para provar que o aborto é tratado de forma hipócrita, ele disse: “quem não teve uma namoradinha que abortou”. Simples assim, não faz mal um abortinho, tão normal quanto um namorinho. Para ele, “alternativa a criminalidade é o reforço do aparato repressivo” e os bombeiros são “vândalos” por reivindicarem condições de trabalho. E teve seu momento medieval, quando defendeu “esterilizar pobres para combater a criminalidade”, e o momento piegas quando foi às lágrimas ao defender royalties do pré-sal para o Rio de Janeiro.

Na mesma linha, vem o deputado estadual, Antônio Salim Curiati, que ao ter sua casa invadida por bandidos foi à tribuna da Assembléia Legislativa paulista defender que “esterilizar mulheres pobres combate a criminalidade”. Só faltou defender a castração de homens pobres. O ato falho verbalizou o que é disseminado no inconsciente coletivo de nossa sociedade.

E tem os que deixam o animal político aristotélico de lado, para serem animais irracionais. Amazonino Mendes, prefeito de Manaus, disse para uma moradora de área de risco, que se recusava deixar sua casa: "minha filha, então, morra!". Ele apenas verbalizou o que traz em seu inconsciente. É esta a solução para os que insistem em sobreviver em seus locais de moradia?

O ex-senador do Amazonas, Arthur Virgílio, foi à tribuna do Senado Federal para dizer que daria “uma surra no Lula, pessoalmente”. Achava-se indignado por uma nunca comprovada perseguição. Viveríamos em uma República de bananas se um senador surrasse a instituição Presidência da República, configurada na pessoa do presidente.

O então vereador Agnaldo Timóteo, sobre um projeto do governo para combater o turismo sexual, disse: “as meninas de 16 anos botam silicone, ficam popozudas, põem saia curta e provocam, o cara se encanta, transa e vai preso”. Maluf acha que estupro não é crime e este que não há dolo em prostituir uma jovem de menor. Existe um quê de perversão na fala desses senhores.

O deputado gaúcho Sérgio Moraes, após um colega ter sido absolvido pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, deplorou que “estou me lixando para a opinião pública”. É óbvio que não está, do contrário não diria nada ou fingiria que se preocupa com o que o eleitor pensa.

Vejamos clássicos da estultice nacional. “Relaxa e goza. depois esquece os transtornos”. Como política, Marta Suplicy é trágica sexóloga. Ministra do Turismo, foi assim que quis acalmar os que enfrentavam longas filas devido ao caos aéreo de 2007. “Eu tenho aquilo roxo!”. Como candidato a presidente, foi assim que Collor de Mello intentou intimidar seus adversários. Muitos acreditaram e deu no que deu. “A cachorra é um ser humano, eu não hesitei”. Sem justificativa plausível, Rogério Magri (Ministro do Trabalho de Collor) usou do escárnio para explicar porque mandou sua cadela ao veterinário em um carro oficial.

E para que não se diga que só políticos de pindorama imitam os asnos, cito exemplares em nível internacional. Numa conferência sobre aquecimento global, Evo Morales, presidente da Bolívia, disse que “o frango tem hormônios femininos, os homens que o comem tem desvios no modo como são homens”. Explicado, então, porque existem homens afeminados. Em sua sana belicista, George W. Bush disse que: “Nossos inimigos são inovadores e engenhosos e nós também. Eles nunca param de pensar em novas maneiras de prejudicar nosso país, e nós também não”. Pensava Bush, somos iguais aos nossos inimigos. Numa visita aos EUA, Mahmoud Ahmadinejad disse que: “No Irã, não temos homossexuais como em seu país”. Pudera, os homossexuais iranianos são presos e condenados a morte! Além de negar o holocausto e defender o uso da energia nuclear para fins não pacíficos, ele manifesta aspectos do seu subconsciente via atos falhos.

Sugiro que, antes de rir de uma asneira dita por um político, o caro leitor reflita o que pode estar por trás daquele ato falho e que políticos são fruto de nosso entorno social, são eleitos, e a barbaridade que ele pronuncia pode ser uma opinião compartilhada por muitos.


Setembro/2011.

domingo, 28 de agosto de 2011

COMO É CHATO SER CHATO



Algum tempo cultivo, aqui mesmo no blog, uma “lista do bem”. São filmes, livros, músicas, i.e., tudo que me faz bem. Também criei um índex - uma lixeira virtual onde ponho o que faz com que acredite menos na humanidade. A “lista do mal” cresce, mas não ameaça qualitativamente a “lista do bem”. Porém, me agasta o fato de me desagradar com coisas de nosso tempo. Por vezes, me acho um chato que com tudo se aborrece.

Disseram-me que devo relaxar, pois não tem nada demais ver uma atração egressa da Boa Terra – é que queriam me levar a um show de Chiclete com Banana. Mas, o que posso fazer se acho esse negócio de “jogar a mãozinha pro céu” e “tirar o pezinho do chão” uma chateação? Argumentaram que não tem problema ir a um show de uma banda de pornô-forró, pois “é só para se divertir e tudo mundo gosta”. O fato, é que diversão é coisa séria e me apoquenta assistir ao show de horrores que essas bandas promovem. Irrita-me colocarem duas atrações de estilos diferentes num mesmo evento. Tivemos um show de Billy Paul em Campina Grande. Desisti de ir, pois para vê-lo teria que aturar a chateação do “pornô-music-regional”.

No índex aparecem coisas chatas relacionadas aos modismos de nosso tempo. Modismo é o que se faz e se defende sem um mínimo de senso crítico. É o que você tem que gostar sob pena de ser taxado de chato. Assim, surge aquela cantora, com uma “voz linda”, que cantou com Roberto Carlos e que Caetano Veloso disse que é boa. Pronto! Todos têm que gostar, mesmo que cante uma musiquinha chinfrim com sotaque de sertanejo. Nada pode ser mais chato!

Hoje, é moda ir para manifestações. Importa pouco se você vai para a marcha da maconha, das vagabundas, para o protesto contra Ricardo Teixeira ou para a parada gay. Importa ir e depois postar fotos em uma rede social. Não sei o que é mais chato, se o alienado individualista de direita ou o consciente social e politicamente correto de esquerda?

Outra chatice é o jantar inteligente, onde se demonstra o que se pensa saber, se bebe vinhos caros e se aprecia comida politicamente correta, além de se discutir a fome na África. Neles não podem faltar o eno-chato e o ex-guerrilheiro; socialites conscientes de seu papel social e eleitores “críticos” do PT, i.e., um monte de chatos! E tem que ter o que vai levantar a bandeira do “bom combate”: um protesto contra a poluição - todos irão de bicicleta para o trabalho. Uma chatice só!


Chatice incomensurável é ter a política como nefasta. Chatos de todos os matizes discursam enfurecidos, se pondo como apolíticos. São os “puros de alma” que esquecem que a dimensão política existe de fato. No entanto, temos os chatos politizados. Além do ecologista de gabinete e do esquerdista pós-neoliberalismo, existe o moderno reacionário, que quer ser novo conservando velharias. Rafinha Bastos disse que “para a mulher feia o estupro é uma benção”. Já o teólogo Luiz Felipe Pondé disse que “a mulher enruga se não tiver um homem que a trate como objeto”. Qual a diferença deles para Paulo “estupra, mas não mata” Maluf? São todos reacionários, sendo os dois primeiros modernos. E o que dizer da deputada Myriam Rios que fala de sexualidade como se estivesse na alta Idade Média? E o guru do obscurantismo nacional, o inquisidor-mor Jair Bolsonaro, racista e homofóbico a defender os “direitos da família brasileira”? São todos chatérrimos!

Marcelo Semer os definiu, no Terra Magazine, como os “quixotes sem utopias, denunciando quem contesta seu direito líquido a propagar preconceitos”. Sob a fajuta justificativa que é preciso tirar as pessoas da zona de conforto, essa gente desanca quem defende os valores universais da liberdade e da igualdade. Veja-se que nas eleições passadas o Estado laico foi destronado em nome de interesses obscuros, estultos, por modernos reacionários. A caixa de Pandora da intolerância foi aberta. Espero que seja fechada para as próximas eleições.

Sigo, assim, desgostando dessa chatice toda. Já senti culpa, ficando deslocado, por não gostar de algo que todos gostam. Aliás, escrever um artigo falando dessas coisas é uma grande chatice!


Agosto/2011.

sábado, 6 de agosto de 2011

É Chico na veia!



Comprei o disco novo de Chico Buarque, intitulado “Chico”, acabou de chegar, estou escutando! Já sei que vai ser um daqueles discos que vou ouvir várias vezes no mesmo dia, durante dias a fio, até que as pessoas reclamem que está demais. Acho que vai ser igual a quando comprei “Infinito Particular” de Marisa Monte.

Música, poesia, lirismo, arranjos muito bem cuidados, a voz de Chico está soando macia.
É a velha simplicidade sofisticada de Chico em ebulição!
Tudo muito bem equilibrado.

Tem uma música, chamada “Tipo um baião” (um baião bem light), onde ele homenageia Gonzagão.
Tem outra, “Barafunda”, que ele cita a Penha e a Glória (do Rio de Janeiro), fala de Garrincha, Pelé e Zizinho; fala de Cartola e Mandela, e diz que “... salve este samba antes que o esquecimento baixe seu manto”.

Em “Sem você 2”, Chico confessa (de peito aberto) o que todo homem que gosta de futebol sabe e quase nunca diz: “Pois sem você, o tempo é todo meu, posso até ver o futebol”.

Versos belíssimos, como, por exemplo, em “Querido Diário”:
“Hoje afinal conheci o amor
E era o amor uma obscura trama
Não bato nela nem com uma flor
Mas se ela chora, desejo me inflama”

É Chico em sua plenitude.
É Chico colorido como o encarte do Disco.
É Chico mostrando que “... já valeu a pena”.
É Chico na veia!!!!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Um epitáfio para Amy Winehouse



A primeira vez que escutei Amy Winehouse, no CD Back do Black, tive a impressão que estava surgindo uma nova Ella Fitzgerald. Pensei mesmo que poderia ser a reencarnação de Sarah Vaughan, ou quem sabe de Etta James? Na verdade, e com o passar do tempo, passei a tratá-la como uma Billie Holiday rediviva - pelo timbre vocal, pela sonoridade e pela atitude suicida. Por vezes, a comparava a Maysa, com aquele jeito sofrido, triste, de cantar e por essa busca incessante por algo que não se sabe bem o que é.

Não tento entender os motivos que a levaram buscar o suicídio lento e doloroso. Prefiro acreditar que Amy veio a este mundo para cumprir uma missão rápida e, convenhamos, ela conseguiu. Do jeito rock in roll (dira punk) dela, mas conseguiu.

Lembro do que diz Lobão e acho que serve bem como uma espécie de epitáfio para Amy: “Não é que os bons morram cedo. O problema é que TODOS os medíocres só vivem pra sobreviver .. covardia, não é? Os bons tendem a morrer mais porque se arriscam mais. Já os medíocres, em sua pusilânime sobrevivência, rezam para poder, algum dia, rir dos melhores onde justamente eles mais pecam: a falta de coragem”.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O moderno reacionário é a porta de entrada do velho fascismo.



Publicado, no Site Terra Magazine de 20 de julho de 2011, o artigo abaixo descreve um novo (velho) fenômeno insuportavelmente na moda. Ele demonstra como a sociedade brasileira segue renitente e avessa ao progresso e a verdadeira modernização de seus hábitos, crenças, costumes e idéias.


O moderno reacionário é a porta de entrada do velho fascismo.



Marcelo Semer - De São Paulo

Se você não entendeu a piada de Rafinha Bastos afirmando que para a mulher feia o estupro é uma benção, tranquilize-se. O teólogo Luiz Felipe Pondé acaba de fornecer uma explicação recheada da mais alta filosofia: a mulher enruga como um pêssego seco se não encontra a tempo um homem capaz de tratá-la como objeto.

Se você também considerou a deputada-missionária-ex-atriz Myriam Rios obscurantista ao ouvi-la falando sobre homossexualidade e pedofilia, o que dizer do ilustrado João Pereira Coutinho que comparou a amamentação em público com o ato de defecar ou masturbar-se à vista de todos?

Nas bancas ou nas melhores casas do ramo, neo-machistas intelectuais estão aí para nos advertir que os direitos humanos nada mais são do que o triunfo do obtuso, a igualdade é uma balela do enfadonho politicamente correto e não há futuro digno fora da liberdade de cada um de expressar a seu modo, o mais profundo desrespeito ao próximo.

O moderno reacionário é um subproduto do alargamento da cidadania. São quixotes sem utopias, denunciando a patrulha de quem se atreve a contestar seu suposto direito líquido e certo a propagar um bom e velho preconceito.

Pondé já havia expressado a angústia de uma classe média ressentida, ao afirmar o asco pelos aeroportos-rodoviárias, repletos de gente diferenciada. Também dera razão em suas tortuosas linhas à xenofobia europeia. De modo que dizer que as mulheres - e só elas - precisam se sentir objeto, para não se tornarem lésbicas, nem devia chamar nossa atenção.

Mas chamar a atenção é justamente o mote dos ditos vanguardistas. Detonar o humanismo sem meias palavras e mandar a conta do atraso para aqueles que ainda não os alcançaram.

No eufemismo de seus entusiasmados editores, enfim, tirar o leitor da zona de conforto. É o que de melhor fazem, por exemplo, os colunistas do insulto, que recheiam as páginas das revistas de variedades, com competições semanais de ofensas.

O presidente é uma anta, passeatas são antros de maconheiros e vagabundos, criminosos defensores de ideais esquerdizóides anacrônicos e outros tantos palavrões de ordem que fariam os retrógrados do Tea Party corarem de constrangimento. Não é à toa que uma obscura figura política como Jair Bolsonaro foi trazida agora de volta à tona, estimulando racismo e homofobia como direitos naturais da tradicional família brasileira.

E na mesma toada, políticos de conhecida reputação republicana sucumbiram à instrumentalização do debate religioso, mandando às favas o estado laico e abrindo a caixa de Pandora da intolerância, que vem se espalhando como um rastilho de pólvora. A Idade Média, revisitada, agradece.

Com a agressividade típica de quem é dono da liberdade absoluta, e o descompromisso com valores éticos que consagra o "intelectual sem amarras", o cântico dos novos conservadores pode parecer sedutor. Um bad-boy destemido, um lacerdista animador de polêmicas, um livre-destruidor do senso comum. Nós já sabemos onde isto vai dar. O rebaixamento do debate, a política virulenta que se espelha no aniquilamento do outro, a banalização da violência e a criação de párias expelidos da tutela da dignidade humana. O reacionário moderno é apenas o ovo da serpente de um fascismo pra lá de ultrapassado.




Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo
Blog Sem Juízo.

segunda-feira, 20 de junho de 2011



Não que me surpreenda, mas não é que o tal do “Forró de Plástico” virou, literalmente, um caso de polícia? Ao ler a matéria abaixo fiquei imaginando se o tal Vicente Nery não seria um daqueles que pergunta se tem rapariga na platéia, antes de começar a cantar. Será que apela para o palavrão explícito e grita desesperadamente enquanto canta (canta?) suas músicas medonhas; aquelas mesmas onde as mulheres são tratadas como prostitutas vulgares, os homossexuais são fruto de todo tipo de chacota, as pessoas da raça negra são desrespeitadas torpemente, a relação sexual entre duas pessoas é mostrada de uma forma virulenta, etc, etc, etc...
Ora, o que este vocalista fez foi extamente aquilo que ele e seus colegas estão absolutamente acostumados a fazer – xingar aqueles que consciente ou inconscientemente se prestam a ouvi-los. Claro, não concordo que alguém suba no palco para agredir quem quer que seja, mas... quem com forró de plástico fere, com xingamentos será ferido.







Policial
Vocalista de banda de forró é detido após trocar ofensas com público, desacatar autoridades e resistir a prisão. Karoline Zilah




O vocalista da banda Cheiro de Menina, Vicente Nery, foi detido e levado para uma delegacia na madrugada do sábado (18), depois de se desentender com pessoas que assistiam ao show no município de Nova Olinda, no Sertão paraibano. De acordo com o delegado Cristiano Santana, a Polícia Militar acusa o artista de desacato, resistência à prisão e ato obsceno.
A confusão aconteceu em meio ao show da banda cearense. De acordo com a Polícia Militar, um homem apresentando sinais de embriaguez estaria próximo ao palco fazendo gestos obscenos e provocando o vocalista. Vicente Nery teria parado o show diversas vezes para responder às provocações.
Conforme o delegado, os policias militares disseram que retiraram o espectador da praça, mas ainda assim o artista teria continuado descontrolado. Ele recebeu ordem de prisão, mas resistiu à força policial.
O show foi interrompido e Vicente Nery foi levado para a delegacia de Polícia Civil de Itaporanga, onde assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) se comprometendo a se apresentar à Justiça para esclarecer os fatos. Mesmo residindo em Fortaleza, ele deverá comparecer a uma audiência no fórum de Santana dos Garrotes.
O delegado Cristiano Santana explicou que a Polícia Civil ainda está em fase de diligências, à procura do homem que iniciou a confusão no público. "Ele gerou um tumulto, uma confusão generalizada. Portanto, estamos trabalhando no sentido de identificar as outras pessoas que estavam na plateia para intimá-las", comentou.

sábado, 18 de junho de 2011

SOBRE O 5º BEATLE.




Se não fosse cientista político e professor, gostaria de ser jornalista. Não é a toa que trabalho junto à imprensa fazendo minhas análises sobre a conjuntura político-eleitoral brasileira. Sendo assim, acompanho o trabalho de alguns jornalistas buscando informação, claro, e um pouco de inspiração. Um deles é Geneton Moraes Neto que com suas entrevistas e livros sempre me fornece material para meu trabalho e/ou diversão.
Esta matéria eu retirei do site dele: www.geneton.com.br



O DIA EM QUE O QUINTO BEATLE ME CONTOU UM "SEGREDO"



Como se dizia antigamente, "direto ao assunto": tive a chance de ouvir do "Quinto Beatle", o super-produtor George Martin, qual é o segredo que explica a imbatível performance da dupla de compositores Lennon-McCartney.




George Martin e a dupla - Aos fatos:


1) assim que começou a trabalhar com os Beatles, Martin descobriu que a melhor tática para garantir a qualidade das músicas seria incentivar ao máximo a competição - que já existia - entre Lennon e McCartney. O esquema "maquiavélico" deu certo. Certíssimo. Como George Martin aplicou esta tática? (Já,já, daqui a dois parágrafos, ele dirá).




2) meses antes de morrer, ao receber a visita de Martin em casa, no edifício Dakota, em Nova York, John Lennon fez a Martin uma confissão que resume a obsessão do ex-beatle com a qualidade musical - uma bela virtude num compositor pop.




A gravação completa do depoimento de Martin - colhido na igreja que ele transformou em estúdio, em Hampstead, no norte de Londres, em 1998, para o programa "Milênio"(Globonews) - repousa numa prateleira do Centro de Documentação da Rede Globo, o Cedoc. O repórter sai de cena. Passa a palavra para o Quinto Beatle, num depoimento agora publicado pela primeira vez:




"Os Beatles, no começo, não eram grandes artistas. Eram jovens muito inteligentes que, no entanto, não demonstravam sinal algum de que poderiam compor boa música. Não vi evidência alguma de que seriam bons compositores. A primeira vez que soube dos Beatles foi quando Brian Epstein, empresário do grupo, trouxe uma gravação para o meu escritório. Era horrível. Pude entender por que todos tinham dito "não" a eles. O melhor que poderiam me dar era "P.S.I Love You". Não era uma música muito boa. Copiaram o que ouviam dos Estados Unidos, mas também aprenderam o ofício bem depressa. A combinação entre John e Paul era bastante interessante, pelo seguinte: tínhamos, ali, dois jovens muito talentosos. Cada um de um jeito, os dois eram músicos e compositores muito bons - que trabalhavam juntos, numa espécie de competição: cada um tentava superar o outro. Um subia nas costas do outro o tempo todo. Quando comecei a trabalhar com os Beatles, logo no primeiro ano,depois que eles gravaram "Please, Please Me", eu disse: Senhores, este é o primeiro sucesso.. Propus um desafio: Agora, tragam-me algo melhor!. Os dois voltaram com "From Me To You" - que era boa. Depois, me trouxeram "She Loves You", melhor ainda. Em seguida, "I Wanna Hold Your Hand",fantástica! A cada vez, compunham algo diferente da anterior. Não era como "Guerra nas Estrelas I", "Guerra nas Estrelas II", "Guerra nas Estrelas III". Davam um tratamento original. Digo que esta curiosidade e este esforço para transpor o horizonte é que caracterizaram o pensamento de John e Paul. Isso é que os fez tão bons! Sempre tentavam melhorar, sempre tentavam ser mais originais. Perguntavam-me: "Que som podemos ter? O que é que você pode nos dar? O que é que não sabemos ainda? Ensine!".
Isso é que os tornou excelentes".


"O meu último encontro com John Lennon foi no Edifício Dakota, em Nova York, onde ele morava. Jantamos, meses antes de ele morrer. Yoko não interferiu. Ficou quieta a noite toda. John e eu ficamos, então, conversando sobre o nosso passado. Não tínhamos planos de trabalhar juntos. Eu tinha meus projetos, John tinha os seus. Eu não tinha intenção de voltar a trabalhar com ele. Mas falamos de nossas gravações. John se virou e me disse: "Quer saber? Se eu pudesse, gravaria de novo tudo o que fizemos!". Eu respondi: "Você não pode estar falando sério! Eu detestaria gravar tudo de novo, porque seria maçante". Mas John me disse que poderíamos fazer tudo ainda melhor. Isso foi extraordinário!"

Posted by geneton at julho 7, 2007 05:23 PM