terça-feira, 26 de abril de 2011


Eis aqui a obra prima da música de todos os tempos. Não é apenas a obra mais importante do Rock in Roll. Este disco é um clássico. Daqui a 200 anos, The Beatles e sua obra serão tão presentes quanto foram na década de 60, é isso que faz deles um clássico.
Percebam a profundidade dos últimos versos de The End, que está no disco Abbey Road.
Abbey Road foi o 12° álbum lançado pelos Beatles. Foi lançado em 26 de setembro de 1969, e leva o mesmo nome da rua de Londres onde situa-se o estúdio Abbey Road. Foi produzido e orquestrado por George Martin para a Apple Records. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame

The End

Oh yeah. Alright.
Are you gonna be in my dreams tonight.

Love you. Love you. Love you. Love you.

And in the end, the love you take
Is equal to the love you make.



O Fim

Ohh, sim. Tudo bem.
Você vai estar nos meus sonhos hoje à noite.

Amo você. Amo você. Amo você. Amo você.

E no final, o amor que você recebe,
É igual ao amor que você doa.

domingo, 10 de abril de 2011

O Oriente Médio e o Norte da África em questão

A Coordenação do Curso de Geografia, da Universidade Estadual da Paraíba, promoverá o Fórum de Debates sobre o Oriente Médio e o Norte da África, objetivando compreender diversas questões políticas e culturais sobre a região.

Ester evento será oportuno para discutirmos a questão atual do Oriente Médio e da África passando ao largo do sensacionalismo midiático, considerando que efetivamente a democracia ainda não é um interesse político naquela parte do mundo.



FORUM DE DEBATES: “O Oriente Médio e o Norte da África em Questão"



A Geografia e a Geopolítica: encruzilhada estratégica


(12/04 – 14:00 hs)


Profº Ms. FAUSTINO MOURA NETO (Geógrafo - UEPB)


Profº Ms. EDILSON NÓBREGA DE SOUZA (Geógrafo - UEPB)



História, cultura e religião


(13/04 - 14:00 hs)


Profº Ms. UELBA ALEXANDRE DO NASCIMENTO (Historiadora – UEPB)


Profª Drª CRISTIANE NEPOMUCENO (Antropóloga - UEPB)



O despertar dos povos árabes: a onda pró-democracia e a reação do Ocidente


(19/04 – 14:00 hs)


Profº Ms. GILBERGUES SANTOS SOARES (Cientista Político - UEPB)


Profº Ms. FÁBIO FERNANDO B. DE FREITAS (Cientista Político – UFCG)



O conflito árabe-israelense: Judeus x Palestinos, a paz difícil


(20/04 - 14:00 hs)


Prof. YNAKAN LUIS DE V. LEAL (Geógrafo - ensino médio)


Prof. JOÃO CLlMÁCO X. NETO (Prof. Geógrafo - ensino médio)



Local dos debates: AUDITÓRIO DO CEDUC I - UEPB (Catolé)


Inscrições: COORDENAÇÃO DO CURSO DE GEOGRAFIA - Fone: 3310-7117


Coord. do evento: Profº FAUSTINO MOURA NETO

sábado, 19 de março de 2011

Projeto obriga os eleitos a matricularem seus filhos em escolas públicas.

O Senador Cristovam Buarque teve uma idéia relevante, diria mesmo fantástica. Ele apresentou um Projeto de Lei que propõem que todos os políticos eleitos (vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, governadores, senador, etc.) sejam obrigados a matricularem seus filhos em escolas públicas.

As conseqüências, além de um tanto quanto óbvias, seriam as melhores possíveis. Ao se virem obrigados a colocar seus filhos em escolas públicas, eles, os políticos, iriam cuidar de melhorar a qualidade do ensino público brasileiro. Todos sabemos as implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil e bem sabemos que podemos tirar proveito do “modus operandis” de nossos políticos que, em geral , privilegiam seus interesses mais comezinhos.

SE VOCÊ CONCORDA COM A IDEIA DO SENADOR, DIVULGUE ESTE TEXTO, POIS ESTE PROJETO PODE CONTRIBUIR PARA MUDAR A REALIDADE DA EDUCAÇÃO EM
NOSSO PAÍS. CLARO, O PROJETO SÓ PASSARÁ SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA!!!

Seria bom tomar como exemplo o Projeto do "Ficha Limpa" que só se tornou realidade por uma iniciativa da sociedade civil organizada. O projeto chegou ao Congresso Nacional através de uma Emenda Popular. Portanto, não é impossível. É difícil, mas não é impossível.
Link para acessa a página do senado onde se encontra o Projeto:


http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 480, DE 2007 - Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Deus como coisa útil


“Acreditar é mais fácil do que pensar.
Daí, existirem mais crentes do que pensadores”


A sociedade da informação requer espaços para anunciar suas novidades, curiosidades e produtos. As redes sociais, os blogs e os sites são os outdoors virtuais onde se diz o que bem quer. Mas, parece pouco, pois vemos automóveis anunciando de tudo.

Vemos pára-brisas declarando que o casal proprietário do carro está “CASADO PARA SEMPRE”. Desconhecem que relações, assim como carros, se sujeitam as ações corrosivas do tempo. E tem os que trazem os nomes de sua prole. Então, vemos as Danniellys, Thaysis, Davysons, Francyellys - grafados ao bel prazer e a revelia da nossa detratada língua portuguesa.

Têm autos com frases jocosas: “ANDO NESTE CARRO, MAS DEUS ME DARÁ UM CROSS FOX NOVO.” Além do bom humor, ela transparece que a pessoa só se vê feliz em um carro novo e que espera que Deus lhe dê um. Nunca vi um adesivo com o desejo de se ter um carro pela via do trabalho. Não entendo por quais motivos e mecanismo Deus daria um Cross Fox a seja lá quem for. Se pudesse pedir um carro a Ele quereria um Aston Martin (igual ao de 007). Duvido que Ele atenda logo quem tem lá suas reservas para com as religiões que falam em Seu nome.

Eis o problema: esperamos que Deus e/ou o Estado nos dê aquilo que bem poderíamos obter através do trabalho. Formados pela égide do escravismo, encaramos o trabalho como um pesado fardo a carregar. Assim, esperamos de outrem aquilo que podemos (e devemos) conseguir pelo esforço próprio. Em artigo, na Folha de São Paulo, Hélio Schwartsman, trata o Brasil como o “país da boquinha” e demonstra como as pessoas, categorias profissionais e empresas tentam “sequestrar a autoridade do Estado para impor-se a todos e garantir ‘o seu”. Aqui virou hábito não buscar se firmar pela excelência do trabalho e/ou pelo mérito. Vemos o Estado como um butim a se conquistar e Deus seria uma “coisa útil” da qual se aproxima para tirar proveito.

Vejo, também, frases que exprimem da repulsa aos políticos, passando pelas locuções subliminares que lançam candidaturas em períodos não eleitorais, até os desejos de “PAZ PARA O MUNDO”. E temos as assertivas emprestadas dos pára-choques de caminhões: “SUA INVEJA É A VELOCIDADE DO MEU SUCESSO”.

Mas, nada se iguala aos dizeres em que crenças são proclamadas. Temos menos a convicção de cada um e mais, muito mais, o fenômeno em que a fé, a religião e Deus são tratados de forma utilitária. As pessoas vão abraçando ramos do cristianismo para obter benesses. Vamos aos exemplos recolhidos, por mim e por prestativos colaboradores, em carros.

A mais vista das frases é a que atribui a Jesus Cristo uma fidelidade a toda prova – “JESUS É FIÉL”. Mas, a quê ou a quem Jesus é fiel? Não seriam os seguidores de Jesus que restituiriam lealdade a Ele e a seus ensinamentos? Mas, sendo justo, vi uma frase em que se estabelece uma via de mão dupla para com Ele: “JESUS É FIEL... E VOCÊ?”.

No entanto, temos aquela que recupera a via de mão única - “ATÉ AQUI NOS AJUDOU O SENHOR”, i.e., Jesus tem como função única ajudar seus seguidores. E os prosélitos de Jesus auxiliam em quê ou a quem? Nesta mesma linha temos: “DEUS CUIDA DE MIM”, onde Ele é privatizado e tem a função de tratar de uma só pessoa. Vi uma frase que é o cúmulo da prepotência: “TODOS ME SEGUEM, SÓ DEUS ME ACOMPANHA”. O indivíduo se vê como o centro, todos o seguem e Deus o acompanha por onde quer que vá. Mas, segundo o Dicionário Aurélio, “ir em companhia de” é a mesma coisa de seguir. Assim, até mesmo Deus marcha, caminha, persegue este motorista encarcerado em seu complexo de superioridade.

E existem as simplificações conformistas: “ORA QUE MELHORA”. Simples assim! Não precisa fazer mais nada. Basta orar e ficar sentado (ou ajoelhado) que tudo vai melhorar. O bom emprego (público, de preferência), o carro novo, a casa própria, o consumismo desenfreado, numa palavra a boa vida, acontecerão para o devotado crente automaticamente. Quisera fosse assim!

Mas, é bom não esquecer, as benesses divinas só são alcançadas mediante pagamento do dízimo, pois, segundo interpretações e/ou deturpações as “graças” só são alcançadas mediante pagamento, i.e., é dando que se recebe! E quem se utilizar de tal frase pode, constatando que a vida melhorou, afixar o seguinte em seu possante: “COM DEUS SOMOS MAIS QUE VENCEDOR”. Não deveria ser vencedores? Até nessa hora a língua portuguesa é achincalhada.

Em outra frase a preocupação gira em torno do eu: “SE JESUS VOLTASSE HOJE COMO EU ESTARIA?”. Não importa a volta Dele e sim como estará o fiel, pois o retorno de Jesus só deve significar algo para ele próprio. Sem contar que sendo Ele onipotente, onipresente e onisciente tornar-se-á desnecessário Seu regresso.

E vamos às frases onde Deus é mero instrumento para saciar interesses materiais. As mais famosas são: “PRESENTE DE DEUS”; “ESSE FOI JESUS QUE ME DEU”; “PROPRIEDADE EXCLUSIVA DE DEUS”. Por que Deus ou Jesus sairiam por aí distribuindo carros? Com que fins Eles seriam felizes proprietários de um veículo? Imaginemos quanto inverossímil é um deus que se preocupa em dar carros para seus seguidores.

A racionalização disso mostra que se adere a esta ou aquela Igreja para poder “ganhar” um carro, numa relação mercantil. É isso que se coloca para os futuros crentes – venha para nossa Igreja e terás tudo o que quiseres Você quer um carro novo? Assim seja! Mas, não esqueça, se deixar de pagar o dízimo estarás cometendo o maior de todos os pecados.

Uma abnegada colaboradora recolheu a seguinte frase: “RASTREADO POR JESUS”. Teria Ele um GPS para rastrear seus fiéis mais fiéis? Também me brindou com a pérola: “DEUS QUANDO QUER FAZ ASSIM”. Assim? Como? A frase tenta, implicitamente, provar que Deus só faz maravilhas para alguns poucos iluminados que crêem cegamente nele.

Li certa vez, não lembro onde e nem o autor, que “acreditar é mais fácil do que pensar. Daí, existirem mais crentes do que pensadores”. Eis outra mensagem subliminar, não pense, não reflita, apenas creia cegamente e você será “divinamente” recompensado.

Vão longe os tempos em que os fiéis queriam “apenas” o reino dos céus. Hoje, eles se “contentam” com um carro novo. Todos querem o reino de Deus, a salvação e seja lá mais o que for, mas é preciso lembrar que antes existe um período probatório aqui mesmo na terra. No dia do “juízo final” não importará ter um Cross Fox vermelho, mesmo que tenha sido dado por Deus. Na hora de “acertar as contas” com o Todo Poderoso serão os atos e as palavras distribuídos aqui na Terra que vão definir quem vai para o “Nosso Lar” e quem vai para o “Umbral”.

Fevereiro/2011.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O país da "boquinha"...

Neste artigo, "Tiradentes e as boquinhas", publicado na Folha de São Paulo de hoje (26/01/2011) Hélio Schwartsman acerta no diagnóstico. Somo mesmo o "país da boquinha", onde a Lei de Gérson continua vigente e sendo alargamente utilizada. É assim que seguimos: acusando os políticos de todos os males, como se fóssemos diferentes.


Agora são duas tetranetas de Tiradentes que estão pleiteando uma pensãozinha, pelos serviços prestados por seu antepassado. Faz sentido. Se a filha do Hercílio Luz, que foi eleito governador de Santa Catarina no século 19, faz jus a R$ 15 mil, por que as descendentes do herói do século 18 não teriam direito a modestos R$ R$ 727? Nesse ritmo, logo chegaremos ao Pero Vaz de Caminha. Chegaremos? Talvez seja mais exato dizer que foi dali que partimos. É sempre bom lembrar que o escrivão real termina sua Carta do Achamento do Brasil intercedendo diante de Sua Majestade por um genro.

Com tantos antecedentes, não é difícil explicar coisas como superpassaportes, superaposentadorias etc. Na verdade, é fácil e gostoso atacar políticos e seus apaniguados, mas será que nosso comportamento privado é muito melhor? Tramitam no Congresso dezenas de projetos de "regulamentação profissional", ou seja, para tornar uma determinada atividade exclusiva para os que já a praticam e de preferência obrigatória para a população. Todo sindicato, no fundo, almeja tornar-se uma OAB.

Na indústria, a situação não é diferente. A troca das tomadas, por exemplo, foi um golpe de mestre. Numa única canetada os fabricantes de plugues e adaptadores criaram "ex nihilo" um novo mercado de quase 200 milhões de usuários. No mesmo nível de genialidade só me lembro da regra que, alguns anos atrás, obrigou todos os motoristas a adquirir e a carregar um pedaço de gaze, um rolo de esparadrapo e um par de luvas de látex. Era para garantir atendimento médico em emergências viárias.

O Brasil se tornou uma espécie de país da boquinha. Indivíduos, categorias profissionais e empresas, em vez de firmar-se pela excelência de seu trabalho, serviços ou produtos, tentam sequestrar a autoridade do Estado para impor-se a todos e garantir "o seu". É um jogo no qual os bem relacionados ganham e a maioria perde.

domingo, 26 de dezembro de 2010

AFINAL, O QUE VOCÊ FEZ?

Em uma mensagem de natal, que virou música, John Lennon
lembra que o natal chegou e pergunta: “O QUE VOCÊ FEZ?”


Este ano completou-se 30 anos do dia em que, como falou Milton Nascimento, “... um simples canalha matou um rei”. Nada, ninguém, poderia ter feito a bala parar.


E assim é a nossa vida: as balas que atiramos não voltaram e nem voltarão.
Por isso é que John Lennon perguntava o que se tinha feito!


Como não dá para parar as balas atiradas, por que não lembrar delas
e refletir se foi realmente necessário atirá-las?


Mas, não façamos estardalhaços. Nada de promessas mirabolantes, planos revolucionários ou mesmo ações grandiosas que muito provavelmente não conseguiremos por em prática.


Sugerimos apenas que no próximo ano não mais atiremos as mesmas balas desnecessárias, pois claro está que uma vez atiradas elas não retornam para a arma de quem as atirou.


O natal é sim um grande símbolo. Sempre penso em simbologias por estes dias, pois cada um de nós relaciona o natal a alguma coisa bem particular e não só ao fato de que este dia é o do aniversário de Jesus Cristo.


Confesso que no passado não gostava do Natal por relacioná-lo a coisas ruins que aconteceram em minha vida – tinha lá meus motivos. Mas, hoje é bem diferente. Relaciono o Natal a coisas boas.
O Natal, hoje, é tudo aquilo que posso fazer de bom para as pessoas que amo e tudo aquilo que elas fazem de bom para mim.


É isso, então, que desejo para vocês todos – que seu natal possa ser relacionado a coisas maravilhosas.


Gostaria de deixar para todos nós uma frase de uma das músicas
que meus verdadeiros heróis (The Beatles) fizeram: “E no final, o amor que você receb e e do mesmo tamanho do amor que você deu”.


Feliz Natal (oh, oh, oh) e muitas coisas boas em 2011.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Um país de Tiriricas.

Eis nossa 21ª eleição direta para presidente. Em 121 anos de história republicana tivemos, em média, uma eleição a cada seis anos. Mesmo com desrespeitos sofridos por nossas instituições, há 22 anos elegemos governantes e parlamentares para os três entes da federação. Assim, com tantas eleições, achamos que “nossa democracia está amadurecida, pois o sistema eleitoral brasileiro é modelar para o mundo inteiro”.


Seria, para nossa história republicana, alvissareiro ter tantas eleições não fossem os quinze militares presidentes; os quatro presidentes empossados e depostos, os três que renunciaram e dois que, eleitos, não foram empossados, além de sete que governaram sem ter voto algum. Foram nove eleições indiretas (com votações no Congresso Nacional) e quatro golpes de Estado bem sucedidos, para não falar das tentativas. Nosso processo eleitoral evoluiu manquitolando. Em 1960, última eleição antes do golpe de 1964, 6 milhões de eleitores votaram. Na seguinte, 29 anos depois, foram 120 milhões de eleitores. Crescíamos quantitativamente enquanto desaprendíamos a votar.


Lidamos com a democracia em termos quantitativos e não cuidamos de sua qualidade. Ainda não atentamos para o fato de que eleição é condição necessária, porém insuficiente das democracias. Há tanto exercendo o sufrágio universal o que sabemos sobre a representatividade? Ao ver o palhaço Tiririca eleito com mais de 1 milhão de votos, a resposta é pouco, quase nada! Seguimos sem saber o real significado de contratar a representação política pelo sufrágio.


Useiros e vezeiros na “arte” da representação nos blasonamos dos números exacerbados, mas não da qualidade. Ufanamo-nos da eficiência do sistema eleitoral com suas urnas eletrônicas e a rapidez com que saem os resultados, i.e., valorizamos a forma, não o conteúdo. Tivéssemos uma essência democrática, Tiririca não seria siquer candidato, quanto mais eleito. Mas, porque ele não poderia ser candidato? Por que é semi-analfabeto ou coisa que o valha? Em hipótese nenhuma, não!


Em tempo, no Dicionário Aurélio o verbete Tiririca possui três significados: (1) erva daninha que invade velozmente terrenos cultivados ou caule tuberculoso que dificilmente se erradica, a não ser com poderoso herbicida; (2) pessoa furiosa; (3) punguista, batedor de carteiras.


Tiririca não existe, é criação de Francisco Oliveira Silva – um imigrante nordestino que, ido tentar a sorte em São Paulo, resolveu fazer graça de sua miserabilidade econômica, social e intelectual e fez-se famoso por (des)graça da indústria do entretenimento que transforma o nada em tudo. Votou-se neste tal Francisco Silva ou em um palhaço que não tem a menor graça? Quantos votaram conscientes? Quantos votaram para protestar ou desvalorizar o sistema eleitoral brasileiro?


Tiririca não tem méritos para reivindicar uma cadeira no parlamento. A forma risível como se apresentou diz muito do que pretende. O escárnio o qual trata a instituição que fará parte justificaria não obter votos. Seus bordões de campanha retratam o descompromisso para com res pública. Ao dizer “vote em Tiririca, pior não fica”, avisa que o tipo de representação que temos é ruim, que vai piorar e que se esforçará neste sentido. Ao zombetear: “Você sabe o que faz um deputado federal? Eu não sei, mas vote em mim que eu te conto”, sinaliza que pretende se locupletar do erário. Os que elegeram Tiririca não pensaram na qualidade da democracia, nem no que ele pode fazer em nome da representação. Claro, o que quer que ele faça é responsabilidade, também, de todos os “tiriricas” que nele votaram.


A revista Época trouxe matéria mostrando que pouco se sabe das funções de um deputado. Em uma pesquisa, 60% dos entrevistados afirmaram que um parlamentar serve para arrumar empregos, ajudar aliados em negócios com o governo e promover eventos de lazer. A lógica é tacanha mesmo - o deputado não serve para aprovar leis ou fiscalizar os atos do governo, ele seria a mão invisível que retira do Estado benesses (e outras coisas mais) para si e para seus aliados. Tiririca dizia que queria ser deputado para ajudar os miseráveis, a começar pelos seus parentes.


Agora, a dúvida é em qual das três categorias, dispostas no Aurélio, ele se encaixará. Será uma erva daninha dificilmente erradicável? Um deputado furioso? Será um contumaz punguista das finanças públicas? Ou as três coisas juntas? Aguardemos, o tempo nos dirá. Mas, por favor, não façamos apostas, pois as três opções são péssimas.


Assim, resta-me o Jus esperniandis – o direito de protestar ex-post facto. Tiririca, os ex-jogadores de futebol, as “mulheres-frutas”, os cantores escatológicos e os néscios de toda sorte diziam a mesma coisa: “Quero me eleger para me dar bem”. Foram eleitos por um sistema que quase tudo aceita e que se recusa a fazer uma reforma política que impeça que a palhaçada se instale no Congresso Nacional como erva daninha. Esses tiriricas expuseram a face mais ridícula, antidemocrática e cruel de uma sociedade que costuma fazer pouco caso de suas instituições.


Em 1953 Robert Dahl cunhou o termo poliarquia para denominar um tipo de democracia representativa moderna. Um sistema político dotado de instituições democráticas, com funcionários eleitos, eleições livres, justas e freqüentes, onde a liberdade de expressão, as fontes de informação diversificadas, a autonomia para a associação e a cidadania inclusiva sejam de fato e de direito. Esta poliarquia não poderia preceder desses elementos e a falta de apenas um deles deixaria o conceito capenga. Como se vê, estamos bem longe de sermos uma poliarquia.


Com tantas tiriricas a solta, empestando nossas instituições como ervas daninha ou coisa pior, como podemos denominar nosso sistema político? Palhaçocracia?

Outubro/2010.

Apenas, escute e se emocione....

Nada para comentar, nada para analisar,

Apenas, escutemos e nos emocionemos!!!!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Torturando dados e analisando fatos – Parte III


A onda da continuidade chegou à Paraíba?

A lógica que norteia a eleição em nível nacional parece ser a mesma que orienta o pleito na Paraíba. Aqui a onda da continuidade favorece a candidatura do governador José Maranhão (PMDB). E a postulação de Ricardo Coutinho (PSB) vai sofrendo solução de continuidade por ter se alocado na onda errada, a da mudança. No entanto, é preciso atentar para o fato de que Coutinho é hoje vítima de suas próprias contradições.


Com uma carreira política pautada por boas atuações (já foi vereador e prefeito de João Pessoa, além de deputado estadual), que lhe valeram boas avaliações, Ricardo tem (ou tinha) como marca o fato de se colocar como alternativa aos dois grupos políticos hegemônicos na Paraíba – o liderado pelo governador José Maranhão e o capitaneado pelo ex-governador Cássio Cunha Lima. A médio e longo prazos, acumulando experiência, além de cargos em nível federal, ele se tornaria popular pelo estado e poderia vir a ser candidato a governador em situação amplamente favorável, até porque estes dois grupos políticos já demonstram esgarçamento de seus materiais políticos.


Mas, Coutinho apressou-se e ao invés de ser a alternativa “a tudo isso que aí está” (como ele mesmo dizia), pavimentando sua carreira em bases sólidas, aliou-se ao que ele dizia ser diferente. Aliás, não esqueçamos que Ricardo contou com o apoio de José Maranhão, quando foi candidato a prefeito de João Pessoa, e agora se coligou com Cássio Cunha Lima e Efraim Moraes, de quem já foi um critico feroz. Ricardo deixou de ter coloração própria, diluiu-se no cenário político e, pior, perdeu apoio junto a uma fatia importante do seu fiel eleitorado da capital – a classe média, que o respeitava exatamente por ser diferente e alternativo.


Em março deste ano isso era depreendido pelas pesquisas. Numa delas, Ricardo aparecia com apenas 3 pontos percentuais (dentro da margem de erro, portanto) a frente de Maranhão na cidade de João Pessoa, i.e., onde se esperava que ele largasse com algo em torno de pelo menos 20 pontos de vantagem ele dava sinais de estagnação. Já em Campina Grande, segundo maior colégio eleitoral do estado, a situação era parecida – Ricardo só ficava 2 pontos a frente de Maranhão. E em várias outras regiões do Estado, Maranhão abria um frente de 15 a 20 pontos.


Em julho, o Instituto Consult aferiu que Maranhão tinha 47,5% das intenções de voto e que Ricardo contava com 30,5%. Já em agosto, Maranhão tinha 48% e Ricardo 32%, segundo o IBOPE. Mas, nem sempre foi assim. Em setembro de 2009, pesquisa IBOPE dava a preferência de Ricardo no patamar de 38% e a de Maranhão em 37%. Na medida em que o eleitorado foi percebendo a descoloração político-partidária de Ricardo ele foi caindo nas pesquisas. Prova disso é que sua rejeição, que até março desse ano ficava em torno de 18% pontos, foi a 27% no final de julho – aquele limite perigoso para os candidatos como já vimos.


Assim, caminhamos para o desfecho eleitoral, considerando que o processo estadual está atrelado as (in)definições da questão judicial que cerca a candidatura de Cássio Cunha Lima. Aliás, um dos problemas que Ricardo enfrenta é esse, pois o PSDB local, e sua liderança maior, não estão nesta campanha com força total. A coligação PSB/PSDB/DEM era para Coutinho a possibilidade de contar com uma robusta estrutura de campanha mediante a popularidade e o capital eleitoral de seus novos aliados. Mas, isso não aconteceu, pois resignadamente esperam pela decisão judicial.


Cássio vai mantendo sua candidatura enquanto espera o julgamento dos recursos impetrados no âmbito da justiça federal. Sabe-se que quanto mais tempo levar-se para julgar a sua impugnação, nos quadros da Lei Ficha Limpa, mais tempo ganhará para ver se chega no dia da eleição podendo ser votado. Essa situação traz um estado de insegurança para todos, pois se ele for eleito e for considerado “ficha suja” não poderá ser diplomado, portanto não tomará posse. E, neste caso, as urnas não vão absolvê-lo, pois elas não têm esse poder - não lhes demos tais prerrogativas em nossos arranjos institucionais.


Cabe, aqui, um esclarecimento. O que acontece se Cássio for eleito e não puder tomar posse? Pela legislação vigente, se ele tiver obtido mais de 50%, a justiça terá de convocar novas eleições para senador, mas só para uma das vagas em disputa. Se ele não conseguir alcançar tal patamar, a justiça terá que dar posse ao primeiro da lista dos votados que não foi eleito. Seria de bom alvitre que a justiça logo se definisse para que o jogo político-eleitoral na paraibana pudesse se resolvido nas urnas e não nos tribunais.

Setembro/2010.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Torturando dados e analisando fatos – Parte II

Serra iniciou a campanha prometendo mais do mesmo, só que numa roupagem conservadora em relação ao governo Lula. Ele tentou se apresentar como o “pós-Lula” e não como o “anti-lula” – estratégia correta, diga-se, mas ínfima diante o tal “feel good factor”, aquele sentimento, bem explorado pelos marqueteiros de Dilma, que busca no senso de bem estar da massa a justificativa racional (e emocional) para votar.


Em um dado momento a tese do “pós-Lula” até funcionou a contento. Vinha dando certo a ideia de tratar FHC, Lula e Serra como o produto mais bem acabado dos 25 anos de redemocratização. Serra tentava ser a síntese dos 16 anos de governos de FHC e Lula, uma consequência natural de um processo de aprendizado coletivo. Retirava o que os dois tinham de ruim, focava nos bons atributos, e ainda ficava acima das diferenças e preferências partidárias. Um mundo perfeito, onde Serra seria a opção (melhor) a Dilma. Além disso, diluía o que há de específico do governo Lula, que na verdade é o que lhe dá a popularidade nas nuvens, para “desplebiscitar” a eleição. Mais um erro de Serra é não compreender (ou não aceitar) que a popularidade de Lula deve-se, dentre outras coisas, as qualidades de seu governo.


Mas, a tese da díade, da comparação entre dois projetos, dois partidos e, fundamentalmente, entre dois homens, era imbatível. Nós, brasileiros, não resistimos a um bom e velho embate onde a luta do “bem” contra o “mal” novelístico seja o centro da discussão. Continuamos a preferir eleições em preto-e-branco, não em cores vivas. Assim, o atual processo eleitoral se dá em dois patamares. Em um, a candidata da situação resume tudo a figura do seu guia e, portanto, na sua despersonalização. E no outro, o candidato da oposição encerra sua campanha em explorar o tema da saúde e da quebra de sigilo fiscal. A eleição vem sendo amornada, beirando a frieza.


Não temos um debate profícuo. Não temos uma saudável exploração dos projetos de governo. Também, não conseguimos detectar a importância de outras candidaturas, como a de Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), pela variedade de temas que vão tentando apresentar naquele exíguo espaço de tempo do guia eleitoral, mediante as espartanas regras impostas aos candidatos nos debates televisivos. A democracia brasileira não é, ainda, suficientemente madura para comportar em seus embates eleitorais uma candidata com um perfil complexo como o de Marina Silva. Nosso sistema político gosta de rotular os candidatos e ela é “inrotulável”. Comprometida até a medula com a defesa do meio ambiente e de um tipo de desenvolvimento sustentável não deixa de tratar dos temas da economia, ciência e tecnologia. Evangélica, defende a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Vindo da floresta amazônica, sobreviveu à miséria e ao analfabetismo, mas não endureceu e comporta-se com leveza, parece não pedir nada, apenas que a escutem. Marina é a candidata que marqueteiros não conseguem plastificar, ela tem uma couraça própria e isso nossa frágil democracia ainda não aceita, se é que um dia aceitará.



Serra, o Cristiano redivivo


Desse estado de coisas depreende-se que Serra está sendo acometido do velho fenômeno da política nacional – a "cristianização", surgida na eleição presidencial de 1950. O PSD e o PTB queriam Vargas como candidato por sua popularidade e chances de vitória, mas ele demorou a decidir por qual dos dois sairia candidato. O PSB cansou de esperar e lançou a candidatura de Cristiano Machado. Tendo a vitória de Vargas (que se lançou pelo PTB) como certa, os líderes do PSD abandonaram Machado à própria sorte, usando o sortilégio de, reconhecendo sua postulação, apoiarem Vargas. Desde então, sempre que um partido (e aliados) abandona sua candidatura oficial e migra para outra com chances de vitória, afirma-se que ele "cristianizou".



Se Serra não está sendo cristianizado, porque o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, liberou prefeitos da base aliada de quase uma centena de cidades de Pernambuco para votarem em Dilma? E porque, em Minas Gerais, Aécio Neves trabalha em favor do voto “dilmasia”, onde o eleitor consagra apoio a Antônio Anastásia (candidato a reeleição pelo PSDB) e a Dilma?


No Ceará, Tasso Jerreisatti não usa a imagem de Serra em seu material de campanha. Yeda Crusius não citou José Serra no lançamento de sua campanha à reeleição ao governo do Rio Grande do Sul. O senador Agripino Maia, do Rio Grande do Norte, além de não citar Serra, não para de elogiar Lula. Em Alagoas, o tucano Teotônio Vilela tenta reeleger-se governador se mostrando íntimo de Lula. No Espírito Santo, o tucano Luiz Paulo trata apenas sua candidatura e seu jingle abusa do nome Luiz, ao ponto de não se saber de qual Luiz se fala. No Paraná, Beto Richa (PSDB) faz poucas referências a Serra em seu material de campanha. Com aliados desse naipe, o sonho de Serra ser presidente parece ter virado um grande pesadelo.


Em São Paulo, Serra só aparece ao lado de Geraldo Alckmin na fachada do comitê de campanha. Coincidência ou não, Alckmin lidera a disputa para o governo - segundo o Datafolha (num levantamento recente) ele tem 49% das intenções de voto, contra 23% de Aloizio Mercadante (PT); mas Dilma tem uma vantagem de mais de 26% sobre Serra no estado. Ao que tudo indica, Alckmin cobra com juros e correção o desgaste que sofreu na eleição de 2006.
Aqui mesmo na Paraíba, não é diferente. Vêem-se pouquíssimas referências dos candidatos do PSDB e do DEM a candidatura de José Serra. O ex-governador Cássio Cunha Lima (candidato a senador) trabalha em faixa própria sem referir-se a candidatura de seu partido em nível nacional. O candidato a governador Ricardo Coutinho (PSB) utiliza a imagem de Lula e Dilma em seu guia eleitoral, num gritante conflito de interesses, pois seu vice é Rômulo Gouveia do PSDB. Por sinal, vejamos em quantas anda a eleição no estado da Paraíba.


Continua em breve ....