quinta-feira, 4 de abril de 2013

Marco Feliciano e o obscurantismo medieval.





O pastor e deputado federal Marco Feliciano é um incansável quando se trata de dar declarações polêmicas. Ele é daqueles que não consegue se calar, ou mesmo medir as palavras, diante de situações em que é confrontado ou questionado. Marco Feliciano pertence ao Partido Social Cristão que abriga grande quantidade de pastores evangélicos que buscam, na política, viabilizar interesses religiosos. O PSC havia migrado para a base de apoio do governo federal.




Em reconhecimento ao gesto, e atendendo aos pedidos do pastor/ministro Marcelo Crivella, a presidente Dilma Rousseff articulou a indicação de Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Alguns ouvintes, que acompanham diariamente o POLITICANDO, me perguntaram por que tanta confusão para presidir uma comissão que nem é tão importante assim se comparada, por exemplo, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.




É que é na Comissão de Direitos Humanos e Minorias que temas importantes para as religiões cristãs, e a própria sociedade, são tratados a exemplo da criminalização da homofobia, da regulamentação da prostituição e dos direitos civis para casais do mesmo sexo. Essa confusão se deu porque o governo federal não mede esforços quando se trata de aumentar sua base aliada. Desculpem-me o trocadilho, mas não importa se a raposa vai tomar conta do galinheiro, importa é ter maioria na Câmara dos Deputados.




A bancada evangélica na Câmara Federal se uniu em torno do propósito de comandar uma Comissão que, por definição, atende a muitos de seus interesses. Marco Feliciano foi ungido ao cargo por ser o mais obscuro e midiático dos pastores/deputados. É bom não esquecer que esta Comissão esteve sempre nas mãos dos partidos de esquerda desde que foi criada em 1998. O PC do B a comandou uma vez, o PDT esteve a sua frente três vezes e o PT a presidiu por dez vezes consecutivas.




Percebam a gravidade da situação. Dilma tirou a presidência da Comissão que trata dos crimes de tortura e morte, cometidos na ditadura militar, das mãos da esquerda e a entregou para aqueles que acham que essas coisas não devem ser discutidas. Fosse Marco Feliciano mais discreto em seus posicionamentos nada disso estaria acontecendo. O fato é que ele é um histórico ativista em defesa de causas racistas e homofóbicas, além de ser contra a afirmação dos direitos civis das chamadas minorias.




Se Feliciano não tivesse dito que os negros são “descendentes amaldiçoados de Noé” e que a “podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio e ao crime”, a Comissão funcionaria normalmente e ele a estaria presidindo com suas ideias medievais. Mas, Feliciano não se contém. Mesmo com os protestos contra sua permanência na presidência da Comissão e com as articulações políticas para tirá-lo do cargo, ele pronunciou mais uma de suas frases obscuras. Chegando para participar de um culto evangélico em Passos, sul de Minas Gerais, Feliciano afirmou que a Comissão de Direitos Humanos era “dominada por Satanás antes de sua chegada ao posto”. Pronto, mais protestos. Mais confusões.





Das duas uma. Ou Feliciano sofre de uma doença mórbida que o força a ser sempre sincero. Ou ele é acometido de um tipo raro de flatulência verbal que o faz tornar público aquilo que só deveria ser dito em recintos fechados e para poucas pessoas. Na verdade, Feliciano não passa de um ator que representa bem a farsa que lhe deram. Ele é o bufão, o bobo da corte, que ao encenar esse papel grotesco e obscuro serve a vários propósitos. Aliás, alguém está perdendo com toda essa confusão?

  


Renan Calheiros esbanja um sorriso vitorioso cada vez que Feliciano e seus adversários se engalfinham pelos corredores da Câmara dos Deputados. Ninguém mais pede a sua renúncia. Todos esqueceram que Renan, e Satanás, continuam onde sempre estiveram. Os pastores/políticos evangélicos ganham com esse embate, pois conseguiram se mostrar unidos numa ação coordenada para alcançar um objetivo específico. Eles falavam em nome de suas Igrejas, agora falam em nome de uma força única.




Vejam que os evangélicos tem todo interesse em, por exemplo, que a Comissão de Direitos Humanos não criminalize a homofobia. Até porque, se isso acontecer, vai ser preciso criar um presídio para abrigar todos os que manifestam suas fobias sociais. Ganham os manifestantes que se dizem a favor dos direitos humanos, pois estam tendo seus 15 minutos de glória midiática. Claro, eles são tão autoritários quanto os pastores do PSC. Vejam a forma violenta como agem. Na verdade, quem perde com tudo isso são os que recusam esse obscurantismo antidemocrático. Quem perde são os que sabem que Marco Feliciano não é a exceção e sim a regra neste país medievalizado.



Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA? Ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com




Nenhum comentário:

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).