quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A TIRANIA DOS INDEPENDENTES

Na COLUNA POLITICANDO de ontem analisei o nauseabundo processo que definiu quem presidirá a Assembleia Legislativa da Paraíba pelos próximos 4 anos. Sim, fiz porque esse é meu metiê. Mas, não pretendo bater na mesma tecla. Não foi a primeira vez, tampouco a última, que nossos representantes desceram às profundezas, onde uma lama espessa, escura e fétida alimenta práticas condenáveis na luta diária por alguns interesses vulgares e outros nem tanto. Falemos, então, da política, deixemos a politicagem para quem dela precisa. O fato é que o governador Ricardo Coutinho iniciou seu 2º mandato, obtendo consistente vitória, justamente na seara parlamentar onde teve tantos dissabores em seu 1º mandato.

Se é verdade que a dor é mestra em nos indicar a arte da lamúria, eu diria que, hoje, Ricardo Coutinho é um perito quando o assunto é lamentação. O governador aprendeu a gemer a partir das dores causadas pelas chicotadas que a Assembleia lhe aplicou. Depois de um 1º mandato colecionando derrotas num parlamento onde não tinha uma base aliada encorpada, que agisse de forma proativa na defesa dos interesses do governo, Ricardo fez o deputado Adriano Galdino, seu aliado, presidente da Assembleia. Essa foi a 3ª vitória que Ricardo teve sobre seu adversário direto, Cássio Cunha Lima, num espaço de apenas 4 meses. Por trás da disputa entre os deputados Adriano Galdino e Ricardo Marcelo esteve a lógica que permeou o processo eleitoral de 2014.

A disputa foi sempre em torno da formação das bancadas de situação e oposição. É que até o jacaré do Açude Velho sabe que o governante que não tiver sólida maioria no parlamento é logo acometido do mal da ingovernabilidade. Ricardo Coutinho que o diga, pois assistia seus vetos serem sistematicamente derrubados pela bancada da oposição que reinava absoluta na Assembleia graças, claro, as contribuições de alguns deputados rebeldes e dos tais independentes. O jogo, imundo, por sinal, se deu em torno da formação das bancadas, pois quem tem a maioria simples ganha quase tudo, inclusive a presidência da Mesa Diretora. Sherlock Holmes diria que isso é elementar, mas seu submisso amigo Watson duvidaria. O detetive inglês teria razão se aqui fosse a Dinamarca. Mas, na pequena e heroica Paraíba nem sempre se chega a 4 quando se soma 2 + 2. Vejam que o governo contava que teria 21 votos, na eleição da Mesa Diretora, contra 15 da oposição.

O então candidato a presidente da Assembleia, Adriano Galdino, mostrou o requerimento de inscrição de sua chapa com a subscrição de 21 deputados. A intenção era comprometer os que diziam que votariam na chapa da situação. Mas, quando aquela ridícula urna de papelão foi aberta, a chapa da situação contava com 19 votos contra 17 da oposição. Não precisa ser Sherlock Holmes para intuir que dois deputados mudaram de lado na ultíssima hora. São os famosos “traíras” da política. Mas, se não estou interessado na politicagem, imagine se quero gastar meu espaço com infidelidades de toda sorte justo num ambiente em que atraiçoar, ludibriar, é um hábito sistemático. Assim, a bancada da situação teria entre 19 e 21 deputados.

A oposição teria entre 15 e 17 deputados. Certo, o caro ouvinte tem razão, desse jeito a conta não fecha, pois são 36 deputados. Mas, quem disse que essa conta foi feita para ser matematicamente fechada num sistema politico pouco republicano como o nosso? Quem poderá se gabar de ter maioria confortável num ambiente de tanta volatilidade política? A maioria alcançada pelo governo foi circunstanciada ao momento eleitoral, pois sabemos que existem parlamentares que mudam mais de lado do que de gravatas. Vejam como a conta não pode mesmo fechar. Os deputados Branco Mendes, Caio Roberto e Edmilson Soares assumiram ter votado na chapa governista de Adriano Galdino, mesmo que insistam em provar pertencerem a bancada da oposição.

O que eles não disseram, nunca dirão, é que incentivos receberam para votar no governo. Estes são os muristas. Eles dizem estar de um ou outro lado quando na verdade estam sempre confortavelmente sentados bem em cima do muro. Os deputados Frei Anastácio, Raniery Paulino e Trócolli Jr não dizem em quem votaram, pois não pertenceriam a esta ou aquela bancada. São os tais independentes. Neste 2º mandato eles não serão contra, a favor, muito menos pelo contrário.  Temos, então, 06 deputados sem assento fixo. O jogo estaria empatado, pois situação e oposição têm, ou teriam, 15 deputados cada uma. O X da questão é que os deputados desbancados desempenham papel tirânico por terem o trunfo de decidirem votações. Isso não desmereceria os méritos de quem parece estar aprendendo com os erros do passado recente, em que pese o fato de que a relação entre os poderes executivo e legislativo é sempre intermediada por longos dias com infinitas noites ao meio.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).