segunda-feira, 3 de agosto de 2026

SOBRE IDEOLOGIAS E ESCOLHAS POLÍTICO-PARTIDÁRIAS

Se o animador de auditórios da Globo, que acha que o Bolsa Família não gera estímulos para tirar as pessoas da pobreza, é de centro esquerda, sou um dromedário com 5 corcovas do lado esquerdo. Não existe no espectro político-ideológico a figura do centro disso ou daquilo.

Pode-se ser de esquerda com viés liberal ou revolucionário. A esquerda atua no cenário político capitalista, jogando o jogo da democracia burguesa que é neoliberal. Aliás, supor que operando nas instituições políticas burguesas é possível dotar o capitalismo de uma face humanizada é como acreditar que o escorpião não vai picar o sapo na primeira oportunidade que tiver.

E temos a direita, que pode ser conservadora, neoliberal e\ou filosoficamente liberal. É a direita “limpinha” que se vê acima do bem e do mal por defender a democracia, ainda que vez por outra apoie golpes de Estados e ditaduras. Ainda tem a extrema-direita que, claro, é fascista\nazista.

Nos EUA, a direita é republicana ou democrata, apesar de Bernie Sanders ser de esquerda. A social-democracia defende o Estado intervindo na economia para promover desenvolvimento e justiça social. Aqui foi representada por Leonel Brizola, após a ditadura militar, e por setores do PT e pelo próprio Lula. Aliás, o líder comunista Luís Carlos Prestes costumava dizer que o grande problema de Lula e Brizola era defender um capitalismo bonzinho – para Prestes, tentar humanizar o capitalismo era um erro conceitual grave!

O PT tem suas tendências, que divergem, mas todas são de esquerda. O PSOL é de esquerda e não se desloca para outro lugar. Existem partidos que renunciaram a princípios ideológicos e se deslocaram da esquerda para a direita, ainda que mantenham questões originais, é o caso do PDT.

Temos os de direita (PSDB, MDB, DEM) que por “oportunidades” eleitorais adotam discurso diferente. Como não podem dizer que não são mais aquilo que sempre foram ou que agora são uma coisa que nunca aceitaram ser, começam a se autodenominar de centro alguma coisa como se isso repaginasse uma imagem conhecida.

Devemos lembrar que o tal “centrão” não tem nada a ver com ideologias. Pelo contrário, o sujeito é do “centrão” porque despreza as ideologias políticas e apenas contempla seus interesses fisiológicos. É bom desconfiar dos que se dizem centro alguma coisa, em geral o fazem para esconder algo.

 

Sempre existiram dois lados. Escolha o seu! Não busque saídas fáceis, não seja neutro(a), isento(a).

Não diga que não sabia, que foi enganado. Assuma e reconheça de que lado esteve, refaça seu pensamento, se for o caso, e siga em frente. Não se vitimize para justificar escolhas. Não se esconda atrás do biombo da ingenuidade ou da falta de conhecimento. Se foi capaz de votar em quem defende estupro, eugenia, escravidão\racismo, homofobia, torturadores, nazistas, seja capaz de enfrentar consequências e se reposicione

A luta é contra o fascismo genocida e os que são contra isso são bem-vindos. Mas, se autocritique para não repetir erros. Quem votou em Collor e não reviu sua posição, votou em Bolsonaro. Não se trata de engano, mas de posicionamento político e ideológico.

Sempre se poderá dizer: “me enganei com Moro, Dallagnol, Bolsonaro” para não ter que assumir responsabilidades, mas os criminosos de guerra nazistas ou os torturadores da ditadura militar diziam ter "apenas seguido ordens" para justificar seus crimes. Manter-se apoiando um Bolsonaro qualquer, significa desumanização, nazificação, manter-se aferrado ao fascismo genocida.


“A mentalidade fascista é a mentalidade do zé-ninguém, que é subjugado, sedento de autoridade e, ao mesmo tempo, revoltado. Não é por acaso que todos os ditadores fascistas são oriundos do ambiente reacionário do zé-ninguém. O magnata industrial e o militarista feudal não fazem mais do que aproveitar-se deste fato social para os seus próprios fins, depois de ele se ter desenvolvido no domínio da repressão generalizada dos impulsos vitais. Sob a forma de fascismo, a civilização autoritária e mecanicista colhe no zé-ninguém reprimido nada mais do que aquilo que ele semeou nas massas de seres humanos subjugados, por meio do misticismo, militarismo e automatismo durante séculos. O zé-ninguém observou bem demais o comportamento do grande homem, e o reproduz de modo distorcido e grotesco. O fascista é o segundo sargento do exército gigantesco de nossa civilização industrial gravemente doente. Não é impunemente que o círculo da alta política se apresenta perante o zé-ninguém; pois o pequeno sargento excedeu em tudo o general imperialista: na música, no passo de ganso, no comandar e no obedecer, no medo das ideias, na diplomacia, na estratégia e na tática, nos uniformes e nas paradas, nos enfeites e nas condecorações. Um imperador Guilherme foi em tudo isto simples “amador”, se comparado com um Hitler, filho de um pobre funcionário público”.

"Psicologia de massas do fascismo” – Willelm Reich (1897-1957)

Minha lista de blogs

Pesquisar este blog

Arquivo do blog


Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Translate

Um dia qualquer numa sala de aula qualquer

Um dia qualquer numa sala de aula qualquer

PROFESSOR ANTI FASCISTA, PELA LIBERDADE E PELA IGUALDADE.

PROFESSOR ANTI FASCISTA, PELA LIBERDADE E PELA IGUALDADE.

FILMES QUE FIZERAM MINHA CABEÇA

FILMES QUE FIZERAM MINHA CABEÇA
OS CANHÕES DE NAVARONE. (Inglaterra, 1961). Diretor: J. Lee Thompson