sexta-feira, 6 de junho de 2008

Que me valha Chico Buarque – Parte II

Talvez, já se tenha dito tudo sobre Chico. Talvez eu esteja sendo redundante. O fato é que escrevo para significar sua importância para a cultura nacional. Em um tempo de crise, em um momento em que a MPB conceitual é continuamente enxovalhada pelo lixo escatológico vindo das gravadoras – falo dos ritmos considerados “populares” como o sertanejo, o pagode, o axé music, o forró (aquele que considera a sanfona, a zabumba e o triângulo dispensáveis e que ignora Jackson do Pandeiro e Luís Gonzaga), o funk e o tal hip hop, enfim, tudo aquilo que dispensa talento para ser feito, a salvação é escutar e ler Chico Buarque em maciças doses.

É realmente um instante preocupante! Para cada Lenine, Zélia Duncan, Zeca Baleiro ou Ana Carolina que surgem, logo aparecem dez ou quinze bandas daquelas que poderiam muito bem colocar seus cantores e dançarinos para atuarem em filmes pornográficos.

Enfrentamos circunstâncias delicadas, em que outros da geração de Chico Buarque, como Caetano Veloso, metem os pés pelas mãos e, avaliando-se acima do bem e do mal, passam a chancelar os resíduos expelidos pela indústria fonográfica. Caetano Veloso cospe na sua história ao querer colocar-se como defensor daquele “estilo musical” pavoroso que vem das favelas cariocas. Pior, quer nos convencer de que aquilo é a pura expressão de uma coisa que ele (in) define como a “cultura dos oprimidos”. O autor de Sampa, Podres Poderes, Panis et Circenses, Baby, Trem das Cores, Terra, etc, não poderia cuspir assim em sua própria biografia.

Estamos em conjuntura tão difícil que, lamentável e paradoxalmente, me vi, dia desses, defendendo a censura. Isso mesmo, por um momento pensei que a única solução para me livrar da poluição sonora que infecta as ruas, com aqueles carrinhos legitimadores da pirataria, seria a censura. Refeito de meu lapso autoritário, questionei-me como alguém que depende de sua liberdade de expressão defende algo tão nefasto? Perguntei-me porque cai em brutal contradição? E a resposta foi: vi-me tão irritado com essa escatologia, que alguns denominam de “forró eletrônico”, que pensei que para o bem de nossos cérebros, ouvidos e corações fosse por bem censurá-lo.

Mas, sossegue caro leitor, ao contrário dos escatófagos “forrozeiros” ainda sou dotado de suficiente inteligência e sensibilidade para rever meu erro: não quero a censura! Ela é algo terrível, que o diga aqueles que já foram vítimas dela. Mas então o que fazer? Se não posso censurar, nem quero, estou condenado a ouvir esta música fecalóide, produzida e comercializada por pessoas versadas nos meandros da coprofagia?

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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).