Faltando 20 dias para a eleição, o prefeito Veneziano continua a frente da disputa pela prefeitura de Campina Grande. Segundo pesquisa IBOPE, ele tem 50% das intenções de votos, enquanto o deputado Rômulo Gouveia aparece com 39%. Sizenando Leal e Érico Feitosa tem 1% cada um, i.e., continuam fazendo figuração na disputa, em que pese desempenharem papéis que precisarão oportunamente ser dessecados. Ainda, 4% votariam nulo ou branco e 4% estão indecisos. Continuam sendo margens aceitáveis e acredito mesmo que não ficaremos abaixo dos 3 pontos percentuais, se considerarmos a forma apaixonada como o campinense lida com as eleições.
Vejamos, comparativamente, os dados atuais com os da última pesquisa:
Pesquisa IBOPE
Veneziano Vital (PMDB): 15/08 - 49% / 12/09 - 50 %
Rômulo Gouveia (PSDB): 15/08 - 37 % / 12/09 - 39 %
Diferença pró-Veneziano: 12 % / 11 %
Como se vê, tivemos poucas alterações. O fato, amplamente aceito, da robusta capacidade do guia eleitoral de alterar preferências e/ou rejeições deve, pelo menos dessa vez, ser questionado. Na análise que fiz no mês de agosto, desenhava dois cenários para o resultado final dessa eleição, considerando que margens de erro variam entre 2 e 4 pontos. Propus somar e diminuir 4 pontos aos percentuais de Rômulo e Veneziano. Assim, chegamos ao seguinte resultado:
Cenário I
Veneziano Vital: 50 – 4 = 46
Rômulo Gouveia: 39 + 4 = 43
Diferença pró Veneziano: 3 pontos
Cenário II
Veneziano Vital: 50 + 4 = 54
Rômulo Gouveia: 39 – 4 = 35
Diferença pró Veneziano: 19 pontos
Se algo em torno do cenário II se confirmar, temos uma forte tendência de não haver 2° turno. Para que o cenário I se comprove Rômulo precisa, até o final deste mês, de um fato concreto em sua campanha. Precisa de um argumento factível para convencer o eleitorado a mudar de opinião. Pois, claro está, que para forçar um 2° turno terá que tirar parte do capital eleitoral do prefeito Veneziano. E esta é uma tarefa dificílima se considerarmos algumas questões.
O IBOPE aferiu que 64% afirmaram que Veneziano ganhará a eleição e que 22% crêem na vitória de Rômulo. Se desde o mês de maio a diferença pró-Veneziano mantém-se sempre acima dos 10 pontos percentuais é natural que o eleitor pense que ele irá mesmo ganhar a eleição.
As denúncias e acusações que o candidato do PSDB faz, em seu guia, ao do PMDB não parecem arrefecer os ânimos dos que já decidiram reeleger o atual prefeito. Muitos políticos ainda não aprenderam a utilizar a variável corrupção contra adversários em períodos eleitorais. A questão não é a intensidade com que se bate, mas o jeito como se bate!
Veneziano tem outras vantagens sobre Rômulo. A primeira é que conta com um cabo eleitoral de peso – o Presidente Lula. Pesquisas demonstram que, das 26 capitais, em 20 os candidatos apoiados por ele estão na frente. O Datafolha mostrou que 64% dos brasileiros consideram o seu governo ótimo ou bom e que em todos os segmentos sociais ele é aprovado acima dos 50% - um recorde depois da redemocratização. Já o principal cabo eleitoral de Rômulo, o governador Cássio Cunha Lima, mesmo se esforçando tem lá suas dificuldades em transmitir votos. Fosse ele o candidato, teríamos outro quadro. Muitos dos seus fiéis eleitores não se sentem confortáveis em votar em candidatos por ele indicados. A questão da transferência de votos ainda é um fenômeno político que precisa ser muito bem estudado.
Outra vantagem é que os efeitos deletérios que o ex-senador Ney Suassuna prometeu que traria à campanha de Veneziano ainda não aconteceram ou se foram plantados são de efeito retardado. E o Senador José Maranhão não tem aparecido na campanha de Veneziano e, sabemos, que o ex-governador não é bem um sinônimo de popularidade pelas plagas campinenses.
Temos que observar algo que poderia ser desvantagem para um e vantagem para o outro. Veneziano não tem outra alternativa a não ser ganhar. Perdendo fica sem mandato - o pior cenário para o político profissional. Isso tem lhe dado garra. Já Rômulo pode-se dar ao luxo de perder, pois teria seu mandato de deputado federal para cumprir até 2010. Isso lhe causa certa acomodação.
Tem momentos, no guia eleitoral, que não sinto o deputado Rômulo com vontade de ganhar. Às vezes, sou mesmo tentado a acreditar que ele prefere perder. Afinal, considerando a relação custo/benefício, é melhor ser deputado federal do que prefeito de uma cidade complexa como Campina Grande. Além do mais, Rômulo demonstra querer ser eleito através do seu próprio capital eleitoral e não pelo de terceiros. Isso mesmo, perder pode ser uma escolha racional.
Essa situação reflete-se nos atos de campanha. Vemos um Veneziano alegre e jovial, tentando demonstrar que todas as críticas, acusações e denúncias não o afligem. Repete a fórmula de 2004, apresentando-se como a renovação (no caso atual, a que continuaria). Rômulo carrega o mundo oposicionista às costas. O vemos sério, com o cenho cerrado. Representa os anseios, e as cobranças, daqueles que, por motivos diferentes, querem ver o grupo político comandado pelo governador de volta ao executivo municipal.
Eis a ambiência política que nos levará até o dia 05 de outubro. Mas, eleição é um jogo e isso nos deixa, também, por conta das incertezas e do imprevisível. E como sempre se diz o jogo só acaba quando termina.
Professor do Curso de História da Univ. Estadual da Paraíba desde 1993. Mestre em Ciência Política-UFPE e Doutorando em Ciência da Informação-UFPB. Especialista em História do Brasil, com ênfase na Era Vargas e na Ditadura Militar, na democracia e no autoritarismo. Autor dos livros "Heróis de uma revolução anunciada ou aventureiros de um tempo perdido" (2015) e “Do que ainda posso falar e outros ensaios - Ou quanto de verdade ainda se pode aceitar” (2024), ambos lançados pela Editora da UEPB.
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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)
A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS
Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim...
1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973).
2) “Abbey Road” - The Beatles (1969).
3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979).
4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965).
5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963).
6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979).
7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980).
8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984).
9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982).
10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966).
11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970)
12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968).
13) “Rattle and Hum” - U2 (1988).
14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985).
15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986).
16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964).
17) “Then and Now” - The Who (1964-2004).
18) “90125” - Yes - (1990).
19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005).
20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978).
21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972).
22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005).
23) “Revolver” - The Beatles (1966).
24) “Alucinação” - Belchior (1976).
25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979).
26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976).
27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989).
28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994).
29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959).
30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006).
31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973).
32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970).
33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933).
34) “Luz” - Djavan (1982).
35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971).
36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968).
37) “A Night at the Opera” - Queen (1975).
38) “The Doors” - The Doors (1967).
39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974).
40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982).
1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) .
2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002).
3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982).
4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982).
5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943).
6) “Achtung Baby” - U2 (1990).
7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980).
8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972).
9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971).
10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973).
11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957).
12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985).
13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967).
14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967).
15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988).
16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002).
17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985).
18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980).
19) “Mais” - Marisa Monte (1991).
20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).
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