quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Viva a Bossa Nova e viva a Garota de Ipanema.





 





Na sexta-feira terminamos o Jornal Integração com “Garota de Ipanema” de Tom Jobim e Vinícius de Morais. É que se instituiu que o dia 25 de janeiro é o dia da Bossa Nova, uma homenagem a Tom Jobim que nasceu nesse dia no ano de 1927. Hoje eu não vou falar de política, e sim de um movimento musical que surgiu no Brasil e ganhou o mundo, se tornando uma referência de bom gosto musical. Acreditem, houve uma época em que, nos EUA e na Europa, o Brasil era o país da Bossa Nova.





Foi uma época em que Tom Jobim era tão famoso quando Pelé pelo mundo afora. Foi uma época em que o Brasil era uma referência em termos de boa música. Em pensar que hoje a maior referência musical brasileira na Europa é Michel Teló. Em 1958, Elizeth Cardoso gravou um disco com músicas de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Neste mesmo ano, Carlos Lyra, Roberto Menescal e João Gilberto já tinham definido bem a estrutura musical do que depois se chamou de Bossa Nova. Oficialmente, a Bossa Nova surgiu quando João Gilberto lançou o disco “Chega de Saudade” em 1959. Era um ritmo novíssimo. Cheio e acordes sofisticados e tendo a marca do improviso, daí muitos terem dito que a Bossa Nova era o jazz verde-amarelo.





Caetano Veloso diz que tomou um susto quando ouviu João Gilberto pela primeira vez, pois ele ia para um lado com seu violão e a orquestra ia para o outro e no final todo mundo se entendia. Isso é bem a nossa cara, pois no Brasil é assim mesmo. Aqui, cada um vai para um lado e no final terminamos nos entendendo, ou tentando. A Bossa surgiu nos bares e apartamentos da Zona Sul do Rio de Janeiro. Surgiu e sempre foi uma coisa das classes sociais mais abastadas, apesar de que Tom Jobim a fez subir o morro da Mangueira com piano e tudo.





Certo, a Bossa era um movimento musical elitista. A classe média carioca a criou, mas isso não quer dizer nada. Pois o que importa é a qualidade. Na verdade, a Bossa é o movimento mais eclético que já existiu no Brasil. Seus criadores se inspiraram no samba, no jazz, na música erudita e onde mais puderam buscar sonoridades. João Gilberto já disse que aprendeu a tocar violão ouvindo Jackson do Pandeiro, que, não por acaso, era conhecido como o Rei do Ritmo.








Apesar disso a Bossa Nova foi um movimento musical minimalista. Para eles bastava um banquinho e um violão. Nem era preciso ter uma boa voz. Vejam que João Gilberto tem aquela vozinha sem graça que chega a irritar. Aliás, as deficiências vocais de Tom Jobim e João Gilberto eram tão apontadas que virou tema de uma música. Em “Desafinado”, eles diziam que: “Se você disser que eu desafino/saiba que isso em mim provoca imensa dor”. E terminavam ironizando ao disserem que no “peito dos desafinados também bate um coração”.





Em 1962, Tom & Vinícius fizeram o clássico da Bossa Nova e da própria MPB. Uma das 10 músicas mais gravada e regravada de todos os tempos surgiu numa mesa de bar e para chamar a atenção de uma moça que vinha, passava e não dava bolas para ninguém. Reza a lenda, que os dois passavam os dias tomando chope no Bar Veloso, hoje Garota de Ipanema. Quase todos os dias, Helô Pinheiro, no esplendor de seus 20 e poucos anos, passava pela calçada do bar com “aquele doce balança a caminho do mar”.





Eles passavam todas às cantadas possíveis e Helô não dava a menor atenção aqueles dois bebuns com um violão. Até que um dia eles resolveram usar o talento que Deus lhes deu e passaram uma cantada que funcionou. Tom Jobim contou, numa entrevista muitos anos depois, que lá vinha Helô, com o doce balanço, e eles começaram a cantarolar: “olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é essa morena que vem e que passa, num doce balança a caminho do mar”.




Aí não teve jeito. Helô, parou, sentou a mesa com os dois e virou a garota do Tom e do Vinícius. Dizem que, literalmente, pois ela teria namorado com os dois. Depois a garota ganhou o Rio, o Brasil, os EUA e o mundo. Até Frank Sinatra se dobrou as curvas sinuosas da Garota de Ipanema, eu estou falando da música, não da garota. Tom e Cia foram fazer shows nos EUA e na Europa. João Gilberto gravou um memorável disco com Stan Getz, que era o Jobim dos EUA.






A Bossa influenciou muita gente boa. Chico Buarque, os tropicalistas e os grandes da MPB nas décadas de 70 e 80. Até Roberto Carlos flertou com a Bossa. Tim Maia gravou um disco só com clássicos e dizia que era Bossa sem fazer biquinho. Mas, o que teria acontecido com o país que abrigou tão rico movimento musical? Hoje Tom Jobim, Vinícius de Moraes e João Gilberto não são mais conhecidos por uma geração que só ouve esse excremento que indústria musical deposita nas ruas.






Se eu fosse vivo em 1962, e estivesse nos EUA, andaria com uma camisa da seleção brasileira para que todos soubessem que eu vinha do mesmo país de Tom Jobim. Hoje, se eu for a Europa, fico de boca fechada para que ninguém saiba que sou do mesmo país de Michel Teló.







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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).