quinta-feira, 25 de setembro de 2014

OS GOVERNADORES NÃO QUEREM SABER EM QUEM VOTAR PARA PRESIDENTE – PARTE I.

Um dos dilemas dessa eleição é o que se coloca para os candidatos aos governos estaduais e aos candidatos a presidência da República. A questão é: como defender a mudança em nível nacional, fazendo o discurso da continuidade em nível local? É possível surfar na onda da continuidade, que Dilma oferece, e defender um projeto de mudança em um dos estados da federação? Podemos aceitar que o governador Ricardo Coutinho fale em continuidade mesmo que apoie Marina Silva que defende a mudança? Se o caro ouvinte perguntar isso a um dinamarquês ou a um suíço ele dirá que não, que isso é impossível. Mas, como no Brasil ser oposição ou situação não passa, às vezes, de um estado de espírito, podemos, então, tratar dessa questão.

De antemão, aviso ao caro ouvinte que não busque coerência nos partidos e atores políticos quando estivermos tratando de alianças políticas. Para viabilizar projetos eleitorais, vale tudo, inclusive se aliar ao inimigo e se afastar do aliado. Interessa vermos o desempenho de Dilma, Marina e Aécio nos Estados. Segundo pesquisas feitas pelo Ibope, nas duas primeiras semanas de setembro, Dilma lidera as pesquisas em 15 estados, Marina lidera em 04 e Aécio não lidera em estado algum. Apesar de que temos empate técnico entre Dilma e Marina em 08 Estados. Dilma lidera em Roraima, Tocantins, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco, enquanto Marina lidera em Goiás e no Mato Grosso do Sul.

Nestes estados a diferença entre as candidatas é sempre inferior à margem de erro de 3 pontos percentuais que o Ibope estabeleceu para essas pesquisas. Apenas no Paraná temos um empate concreto. Dilma e Marina têm cada uma, 29 pontos percentuais. Vejamos alguns casos bem interessantes. No Ceará, Dilma lidera com 56%, Marina tem 25% e Aécio tem 5%. No entanto, o candidato ao governo, do PT, Camilo Santana, está em 2º lugar e corre o risco de não ir para a disputa do 2º turno. No Rio Grande do Sul, Dilma tem 16 pontos percentuais de vantagem sobre Marina, mas seu candidato ao governo, o ministro da justiça Tarso Genro está em 2º lugar nas pesquisas, sete pontos atrás de Ana Amélia do PP.

 
Na Bahia, Dilma tem 50% contra 28% de Marina, mas o candidato do PT, deputado Rui Costa está em 2º lugar com 27% enquanto o 1º colocado, o ex-governador Paulo Souto, tem 43%. E não esqueçamos do nosso caso. Na Paraíba, Dilma lidera a pesquisa do IBOPE com 53% e Marina está em 2º lugar com 24%. Mas, o candidato de Dilma, na Paraíba, é Vital Filho, do PMDB, que ainda não conseguiu ultrapassar a barreira dos 05 pontos percentuais em várias pesquisas feitas. Em Goiás, Marina lidera com 34%, Dilma tem 29% e Aécio tem 19%. Mas, é o tucano Marcone Perillo que está em primeiro lugar na disputa para o governo do Estado. Os candidatos do PT e do PSB estam em 3º e 4º lugares.

Marina lidera a pesquisa no Acre, seu estado natal, com 24 pontos percentuais a frente de Dilma, mas é Tião Viana, do PT, que lidera, com folga, as pesquisas ao governo do Estado. Estes são os exemplos que confirmam a regra de não haver coerência nos dados. Mas, o que está havendo com a cabeça do eleitor? Por que essa tendência de se eleger, nos estados, um governador adversário do candidato à presidência que lidera as pesquisas locais? Porque quase ninguém está conseguindo transferir votos nos Estados? A explicação para esse fenômeno está no fato de que a maioria dos partidos e atores políticos resolveram dar prioridade total a seus interesses paroquiais em detrimento das alianças feitas em nível nacional.
 
Paulo Skaf, candidato pelo PMDB ao governo de São Paulo, não admite votar em Dilma, pois o PT tem a candidatura de Alexandre Padilha. Quando perguntado em que vai votar Skaf diz que seu candidato a presidente é Michel Temer que, claro, é o vice de Dilma. O que Skaf não quer é associar seu nome ao de Dilma que tem uma alta rejeição em São Paulo. Um repórter insistiu sobre se ele iria, afinal, apoiar Dilma. Ele se limitou a dar uma resposta no mínimo grosseira. Disse Skaf: “Tu sabe de nada inocente!”.  A ideia é mesmo confundir o eleitor, pois as alianças estaduais passam ao largo das alianças nacionais, causando esse tipo de situação esdrúxula, onde um candidato ao governo apoia o vice, de uma chapa para a presidência, mas não apoia a titular da chapa.

Aliás, a situação em São Paulo é mesmo confusa. Pois, Geraldo Alckmin, do PSDB, que lidera todas as pesquisas, tem que ser comedido no apoio à candidatura de Aécio Neves, pois o seu vice é Marcio França, do PSB de Marina Silva. Alckmin não pode pedir votos para Aécio e França não pode pedir votos para Marina no Guia Eleitoral, pois, do contrário, terminam trincando o palanque que montaram numa situação em que atropelaram os interesses nacionais de seus partidos. Amanhã, eu vou continuar tratando das alianças estaduais e de como elas impedem que os candidatos a presidente da República maximizem seus capitais eleitorais nas unidades da federação. Claro, não deixarei de mostrar como essa questão se reproduz aqui mesmo na pequena e heroica Paraíba.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com
AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.


Nenhum comentário:

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).