segunda-feira, 29 de setembro de 2014

AFINAL, PORQUE TEMOS QUE VOTAR?

É bastante comum, em períodos eleitorais como este, que os eleitores tenham dúvidas sobre a utilidade ou não do voto nulo e sobre a questão de termos um sistema político eleitoral que obrigado o cidadão a votar em cada nova eleição. Alguém me disse certa vez que o maior crime que o Estado brasileiro pode cometer é obriga seus cidadãos a votarem, além de puni-los com os rigores da lei, caso eles não exerçam o que seria seu livre direito. Soa mesmo estranho que sejamos punidos caso não queiramos exercer um direito. Eu entendo bem que o Estado tenha que punir àqueles que se recusam a cumprir seus deveres, mas porque coagir as pessoas para que eles recebam seus direitos?
Certo, vamos refletir sobre isso. De vez em quando rolam pelas redes socais enquetes do tipo: “Você concorda que o cidadão seja obrigado a votar em todas as eleições, sejam elas nacionais, regionais ou locais?” “Sim ou não?”. Considerando a opinião de muitos ouvintes, pelo que escuto em locais públicos e pelo que, por exemplo, meus alunos dizem, além do que acompanho no noticiário político, provavelmente a maioria da população diria não. Ou seja, me parece ser uma tendência o cidadão brasileiro não querer mais ser obrigado a votar. A título de ilustração, vejamos como funciona o sistema eleitoral nos EUA e em alguns países europeus.
Nos EUA o cidadão tem que se alistar no sistema eleitoral, mas não é obrigado a votar em todas as eleições. A cada nova eleição ele pode escolher se vai ou não votar e ele não precisa comunicar previamente sua decisão ao sistema eleitoral. O cidadão que foi às urnas votar na 1ª eleição de Barack Obama não poderia ser obrigado a votar na 2ª esta eleição e vice-versa. O eleitor americano que deixa de votar não precisa se explicar ao Estado, muito menos sofre qualquer tipo de sanção. Países com sólidas democracias consideram que o cidadão deve ser livre politicamente. Eles aceitam que numa democracia deve-se ser livre para decidir, apesar de que consideram que se o cidadão decide não participar esta abrindo mão de um direito.

A ideia dos americanos é que se o cidadão abre mão do direito de decidir está relegando este direito para outros. Eles entendem que se o cidadão não está preocupado em participar do processo decisório, muito menos deve se preocupar o Estado. No Brasil é do jeito que já bem conhecemos. O eleitor que não justificar porque deixou de votar ou que não tiver comprovantes de votação das três últimas eleições pode sofrer punições. Ele pode ser proibido de se inscrever em concursos públicos. Ele pode impedido de tomar posse em cargos públicos e de participar de licitações promovidas pelo próprio Estado. O Estado brasileiro entende que o direito de votar é algo tão bom, mas tão bom, que quem dele abre mão tem mais é que ser punido.
Quando afirmei que a maioria do eleitorado brasileiro deve querer deixar de ser obrigado a votar, estava, na verdade, especulando. Eu não tenho dados quantitativos sobre a questão. Mas, posso oferecer algo para a polêmica. Somos apaixonados por eleição. Muitos a veem como um jogo de futebol. Em Campina Grande nos envolvemos até a alma com o processo eleitoral, mesmo que não queiramos dar a devida atenção a atuação daqueles que escolhemos para nos representar. Será que deixaríamos de participar de algo que é tão empolgante? Será que deixaríamos de ir às urnas caso não mais fôssemos obrigados? Será que existe uma forte correlação entre o fato de sermos obrigados a votar e o fato de gostarmos de votar?
Opinarei baseado na experiência de analista político. A população brasileira continuaria indo em peso às urnas mesmo que não fosse obrigada, pois já tornou habitual o ato de votar mesmo que continue votando mal. Para nós votar é a maneira de nos sentirmos minimamente participativos de um sistema político que é por natureza e por definição excludente, elitista, autoritário e frágil do ponto de vista institucional. A questão não é ser obrigado ou não a votar e sim a qualidade da participação. Mais importante do que votar de todo jeito, é votar de uma forma séria. Nosso sistema eleitoral seria mais sério e menos corrupto se nos fosse facultada a ida às urnas?
O fato de um cidadão abrir mão da participação, não obriga outros a, também, fazê-lo. Este é o problema. Ao se auto excluir do processo de escolha dos representantes, o cidadão está dizendo que não se importa com o resultado seja ele qual for. Mesmo que não seja bom saber que se está sendo obrigado a fazer algo e mesmo que este algo esteja tão desgastado aos olhos da sociedade, importa sabermos que de alguma forma o processo de escolha de governantes e representantes nos atinge. A dúvida sobre se nosso sistema política melhorará caso não sejamos mais obrigados a votar persiste. Em todo caso, não custaria muito tentarmos, pois já está mais do que na hora de encararmos o voto bem mais como um direito do que como uma obrigação.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).