quinta-feira, 2 de outubro de 2014

ELEIÇÕES MILITARIZADAS NA FESTA DA DEMOCRACIA.

No 2º turno das eleições de 2004 Veneziano Vital foi eleito prefeito de Campina Grande com 791 votos de diferença sobre Rômulo Gouveia. Além dessa diferença, quase imperceptível, tivemos a presença ostensiva de soldados do Exército no dia da eleição. Eu pude ver, claro, os eleitores indo de um lado para o outro buscando seus locais de votação. Mas, lembro-me de ter visto, na Praça da Bandeira, aquela cena que tão bem caracterizou os anos de ditadura militar que enfrentamos. Eu fiquei impactado com aquelas duas longas filas de soldados do Exército, com roupas camufladas, portando seus fuzis automáticos leves. Estacionados, bem próximos, vi dois enormes caminhões do Exército, também camuflados.

Não era a primeira vez que tropas federais eram chamadas pela Justiça Eleitoral para cuidar da segurança pública nos dias de uma eleição. Também não foi a última. O que não esqueço foi à forma ostensiva como os soldados se comportavam nas ruas. Lembro-me de ter comentado com alguém que o mesmo Exército que destituiu um presidente eleito, em 1964, estivesse ali garantindo um procedimento democrático que tanto valorizamos, ao ponto de não darmos atenção alguma a processo representativo. Lembro, ainda, de ter feito um artigo, para um jornal da época, em que dizia que em sólidas democracias é o voto que dá sustentação às armas. Eu lamentava o fato de que nossa frágil e festiva democracia eleitoral precisasse das armas para poder funcionar.

Em todas as eleições seguintes a de 2004, fossem elas municipais ou gerais, se pediu a presença do Exército nas ruas de Campina Grande. O argumento foi sempre o de que a Polícia Militar não tinha condição de garantir a segurança e tranquilidade do pleito. É certo que tivemos uma ou duas eleições em Campina Grande em que fatos gravíssimos aconteceram como as denúncias de que candidatos teriam sido barrados na entrada de alguns bairros por determinação de traficantes. É certo, também, que nunca se apurou a fundo as denúncias de que traficantes teriam, não só financiado a campanha eleitoral de certos candidatos, como imposto essas candidaturas para moradores de certos bairros populares da cidade.

Sempre tivemos os acirramentos naturais nos períodos eleitorais. Sabemos que é comum que eleitores e cabos eleitorais queiram impor suas candidaturas a todo preço e a todo custo, mas porque a Polícia Militar não conseguiria lidar com isso? O fato é que já no inicio da campanha eleitoral, ainda no mês de agosto, as quatro juízas eleitorais de Campina Grande cogitavam a possibilidade de convocar tropas federais para que auxiliassem na segurança das eleições do próximo dia 05 de outubro. Na metade do mês de setembro, o TRE da Paraíba aprovou o pedido de tropas federais para atuarem em Campina Grande durante as eleições. O Juiz relator do processo, Breno Wanderley Cézar, foi a favor da matéria considerando as questões de sempre.

No seu voto, o Juiz ressaltou o acirramento da disputa eleitoral em Campina Grande e o fato da cidade contar com dois candidatos ao governo do Estado. O relator ainda se referiu ao fato de termos policiais militares envolvidos no pleito. O procurador regional eleitoral, Rodolfo Alves, foi a favor da decisão do relator com uma frágil alegação. Disse ele que 60% dos termos de constatação, que chegam à Procuradoria, são oriundos de Campina Grande e se relacionam a propaganda eleitoral. Será que precisamos realmente ocupar tropas do Exército devido a problemas na propaganda eleitoral? Para isso não bastaria à atuação dos próprios funcionários da Justiça Eleitoral, ancorados na segurança prestada pela Polícia Militar?

Afinal, porque nós, os civis, não damos conta dos procedimentos democráticos que nos mesmos instituímos? Por que não nos sentimos capazes de garantir que algo tão normal e corriqueiro, como eleição, ocorra sem que tenhamos que recorrer à força das armas? Interessa notar que a mesma justiça eleitoral, que autoriza as pavorosas carreatas do inferno, tenha que recorrer ao Exército para garantir a segurança das eleições. Eia a mãe de todas as contradições dessa questão. Afinal, sabemos bem que as carreatas atraem todo tipo de problema no campo da segurança pública. Se queremos uma eleição tranquila e segura, porque não acabar com o motivo que pode causar tantos problemas?

Mas, nem todos concordam com a militarização das eleições. O juiz Rudival Gama, também do TRE, afirmou que: “Campina é conhecida no mundo todo. A repercussão que fica é como se aquele povo não pudesse se comportar numa eleição”. O Juiz disse ainda que: “Existe uma tradição de acirramento, mas quando é que vamos dar a carta de alforria a Campina e cortar esses grilhões”. Já eu questiono quando é que vamos poder ter uma eleição totalmente civil, um pleito desmilitarizado. Pobre e frágil democracia essa em que vivemos. Ainda precisamos das armas para sustenta-la, quando deveria ser o contrário. Em uma sólida democracia o papel das armas é definido pelas instituições civis. No nosso caso, não fazemos nada sem nos ancorarmos na força, nem mesmo votar.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

Nenhum comentário:

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).