sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

OS GARGALOS SOCIAIS DA PARAÍBA

Acontece sempre do mesmo jeito. Temos que esperar o fim das eleições para poder falar dos nossos problemas que os governantes teimam em não enfrentar. Nas eleições, somos podados pelas severas limitações impostas pela justiça eleitoral. Limitações que são efeitos do fato de serem eles mesmos, os políticos, a elaborarem as legislações eleitorais. Se pudéssemos falar mais e melhor, se não fôssemos ameaçados por medidas coercitivas de todas as ordens, talvez eu não escrevesse essa coluna. O fato, é que passadas as eleições, quando vencedores já comemoraram e derrotados já se lamuriaram o bastante, é que podemos publicar e analisar fatos e dados que bem demonstram o contínuo descaso de nossos governantes para com saúde e educação.

O Tribunal de Contas da União (TCU) lançou um relatório intitulado “Pacto pela boa governança – um retrato do Brasil”. O titulo é pomposo, mas o retrato que o TCU nos traz, desse Brasil mal e porcamente administrado, é muito feio. Já o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE) nos mostra que os investimentos no ensino médio público paraibano estam cada vez menores. O TCE relata que, desde 2007, governos da Paraíba reduziram drasticamente recursos destinados à saúde. Não tem jeito, eu me esforço para fazer o contrário, mas, ao POLITICANDO, o que cabe mesmo é tratar dos problemas de nossa realidade politica e social. Isso irrita ou desgosta a alguns, mas, enfim, eu não sei a fórmula de fazer omelete sem quebrar ovos.

No relatório “Pacto pela Governança”, o TCU mostra que, no comparativo entre os anos 2011/2012, o governo do Estado da Paraíba reduziu os valores investidos na saúde em 56%. Ou seja, o montante de 2012, foi exatamente a metade do de 2011. Os dados do TCE nos dão uma percepção das prioridades do governo Ricardo Coutinho. Nos dois primeiros anos de sua administração os recursos da saúde foram sendo cortados, enquanto as despesas com pessoal e encargos sociais aumentaram.

Em 2011, o governo aplicou quase R$ 494 milhões com pessoal e encargos, mas para a saúde foram direcionados R$ 43 milhões. Desses R$ 494 milhões, quase R$ 127 milhões foram para organizações sociais que operam em hospitais paraibanos. Ou seja, o governo tem uma politica específica para que as tais organizações sociais, muitas delas privadas, tenham acesso ao dinheiro público que, no limite, deveria ser reinvestido na melhoria dos serviços públicos de saúde do Estado da Paraíba. O TCE fez duas constatações. Uma é que a Paraíba necessita urgentemente construir novas unidades hospitalares e a outra é que, paradoxalmente, o governo vem reduzindo gastos, despesas e consumo com obras e investimentos.

O caro ouvinte já sabe que o POLITICANDO é o portador das más notícias, então lá vai mais uma: não espere que em 2015 seja diferente, pois o que nos espera é o agravamento da crise econômica com o aumento da inflação e queda nos investimentos. Quando o sinal vermelho da crise acende, onde mais se corta é na carne da saúde, da educação e nos salários. Esse é o modelo de política econômica, que herdamos da ditadura militar, e que os governos democráticos não foram capazes de reformular.

Mas, não pense que cortar verbas da saúde é exclusividade de Ricardo Coutinho. Na série histórica que o TCE nos oferece, vemos que, por exemplo, o governo de Cássio Cunha Lima investiu apenas R$ 21 milhões em 2007 e R$ 28 milhões em 2008. Exceção à regra foi José Maranhão. Em 2009, o governo aplicou R$ 137 milhões na saúde. Em 2010, foram R$ 133 milhões. Vejam que os montantes de Cássio e Ricardo, na saúde, não fazem frente aos investimentos de Maranhão em apenas dois anos. Isso significa que Maranhão investiu grande quantidade de dinheiro na saúde? Não. Quer dizer que Ricardo e Cássio investiram pouquíssimo. Nas eleições, enfrentamos um falso dilema entre dois projetos, para a saúde, que se pretendiam ótimos.
 
O TCE ainda nos mostra que o governo da Paraíba vem reduzindo o número de matrículas no ensino médio, que tem uma capacitação insuficiente de professores, com concursos públicos que nunca conseguem atender as demandas impostas. Resultado? O governo termina recorrentemente contratando servidores temporários em condições trabalhistas precárias. Sabe a consequência disso? Desde 2011 a Paraíba está entre os estados com menor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Pelo “Pacto da Boa Governança”, o TCU recomendou que o próximo governo de Ricardo Coutinho aumente investimentos na saúde, construindo mais hospitais e aparelhando mais e melhor os que já existem, e que reformule as escolas da rede pública. O TCU pediu, ainda, para que se promovam políticas públicas para melhorar os índices da educação. O povo da Paraíba faz suas as palavras do TCU. Afinal de contas, deve ter sido para isso que ele reelegeu o governador Ricardo Coutinho.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

Nenhum comentário:

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).