terça-feira, 13 de maio de 2014

A COPA DO MUNDO NÃO É NOSSA.


Devido a uma forte gripe fiquei acamado alguns dias. Um diligente médico me proibiu ler jornais, revistas e acessar a internet. A ideia era me desconectar do mundo das notícias. Zeloso de minhas cordas vocais, o doutor impôs silêncio absoluto. Fiquei deitado, proibido de me comunicar. Como último recurso, ao alcance da mão, restou-me o controle remoto de uma pequena televisão desconectada da TV a cabo. Agarrei-me a ele tal qual um naufrago faria com um pedaço de madeira sobre o mar. Passei um final de semana inteiro assistindo aos canais abertos da televisão brasileira. Testei a agilidade de meu cérebro, e de meus dedos, para mudar o mais rápido possível de canal a cada vez que as mais pavorosas atrações da TV brasileira apareciam na tela.

Como não poderia deixar de ser só se falava na Copa da FIFA. Programas esportivas, jornalísticos, de variedades, novelas e até mesmo os programas mais toscos, que tratam a tragédia humana como algo engraçado, faziam milhares de referencias a Copa. Nada a se estranhar se considerarmos que faltam apenas 30 dias para o início do evento. Gostemos ou não, e eu não gosto, a Copa da FIFA vai começar para a alegria de muitos, lucro de poucos e o fabuloso prejuízo de uma nação inteira. O que me chamou atenção foi que os 4 maiores canais da TV aberta (Globo, Record, Band e SBT) falavam de um Brasil verde e amarelo aonde tudo vai muito bem obrigado. Neste Brasil dos nossos sonhos não existiriam problemas, só esperanças.

Esperanças de que teremos um futuro melhor? Não, claro que não. Eu falo da fé de que os “meninos” do Felipão conquistarão a Copa do Mundo, para que ninguém, inclusive Maradona, ouse duvidar de que, pelo menos no futebol, somos os melhores do mundo. Eu não vi nos canais da televisão aberta as denúncias dos desmandos administrativos em torno da organização da Copa. Não vi nada sobre os acidentes que, semanalmente, tiram a vida de cidadãos brasileiros que trabalham nas obras intermináveis das Arenas. As reportagens especiais, feitas pelos jornais desses canais, não abordaram o fato de que não teremos legados sociais pelos quais possamos dizer que, apesar de tudo, valeu a pena termos tido essa Copa dos horrores em nosso país.

Vi muitas reportagens sobre a Copa da FIFA e em nenhuma delas se falou nos muitos erros e falhas que vão, por certo, acontecer pelo fato de que obras aeroportuárias e de transportes públicos, de vias de comunicação e de acessibilidade sequer foram iniciadas. O aeroporto de Viracopos, em Campinas, por onde devem passar oito seleções de futebol, além de um sem número de turistas, não teve nem a primeira fase de suas obras, de um total de quatro, concluída. Os canais só mostram a felicidade, a expectativa e os preparativos dos brasileiros para a Copa. Vi reportagens otimistas, mostrando a alegria das pessoas, vestidas de verde e amarelo, por finalmente só estar faltando um mês para a abertura do evento.

Os programas esportivos falam das seleções que vão disputar o mundial dando especial atenção àquelas que por ventura podem se colocar no caminho da seleção brasileira que, claro, segue lépida e fagueira rumo ao hexa campeonato. Vi matérias na Globo e na Band sob os jogadores brasileiros. Em geral, mostravam como eles vivem bem, depois de terem tido uma origem humilde. A lógica era a de sempre mostrar que foi o futebol que lhes deu ascensão social. A ideia era pontuar que sem o futebol esses meninos continuariam pobres, entregues a própria sorte. A frase “o futebol salvou a minha vida” é sempre utilizada. Muitas matérias tem aquele tom “autoajuda” piegas a la Paulo Coelho.


É aquela história que para se realizar um sonho basta ter força de vontade, basta querer. O meia-atacante Oscar disse que chegou à seleção porque sempre acreditou que isso iria um dia acontecer. Disto dessa forma nem parece que é preciso ser um bom jogador. Numa dessas matérias a mãe do atacante Jô contou, rindo, que ele pedia para não mais ir para escola para se dedicar só ao futebol. Noutra a mãe do Zagueiro Thiago Silva enumerava, também rindo, as vezes que ele fugiu de casa ou da escola para jogar bola. Eu não vi nenhuma reportagem falando de como um desses jogadores se dedicou aos estudos. É como se estudar não fosse importante. Também não vi matérias mostrando pessoas que tiveram ascensão social graças ao estudo e a qualificação intelectual.

A mensagem subliminar é que é possível ser grande sem investir na educação. Afinal de contas chegamos até aqui sendo o país do futebol, abençoado por Deus e bonito por natureza, do que mais precisamos? O que vi foi o símbolo maior de nossa cultura sendo mostrado como a válvula de escape para àqueles que nasceram no meio da pobreza. O que vi foi o futebol sendo tratado como a salvação de um país fadado a não ter legados. O que vi foi à promessa de que essa será a Copa das Copas. E deverá mesmo ser a maior de todas as copas. Mas, não será para mim e nem para você, caro ouvinte. Essa será a maior de todas as Copas, mas apenas para aqueles que não precisam do futebol.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

IDEIA LIVRE VENEZIANO VITAL BL 03




Programa IDEIA LIVRE da TV ITARARÉ com o ex-prefeito de Campina Grande e candidato ao governo do Estado da Paraíba Veneziano Vital do Rêgo. Programa exibido em 08 de Maio de 2014, com a participação dos jornalistas Paulo Roberto e Milton Figueiredo e a mediação do também jornalista e editor chefe da TV Itararé Anchieta Araújo. Participei dessa entrevista fazendo perguntas e colocando questões que me pareceriam pertinentes no momento. O formato desse programa é muito bom, pois gera um debate onde o entrevistado é de fato exposto para o público.

domingo, 11 de maio de 2014

IDEIA LIVRE VENEZIANO VITAL BL 02



Programa IDEIA LIVRE da TV ITARARÉ com o ex-prefeito de Campina Grande e candidato ao governo do Estado da Paraíba Veneziano Vital do Rêgo. Programa exibido em 08 de Maio de 2014, com a participação dos jornalistas Paulo Roberto e Milton Figueiredo e a mediação do também jornalista e editor chefe da TV Itararé Anchieta Araújo. Participei dessa entrevista fazendo perguntas e colocando questões que me pareceriam pertinentes no momento. O formato desse programa é muito bom, pois gera um debate onde o entrevistado é de fato exposto para o público.

IDEIA LIVRE VENEZIANO VITAL BL 01




Programa IDEIA LIVRE da TV ITARARÉ com o ex-prefeito de Campina Grande e candidato ao governo do Estado da Paraíba Veneziano Vital do Rêgo. Programa exibido em 08 de Maio de 2014, com a participação dos jornalistas Paulo Roberto e Milton Figueiredo e a mediação do também jornalista e editor chefe da TV Itararé Anchieta Araújo. Participei dessa entrevista fazendo perguntas e colocando questões que me pareceriam pertinentes no momento. O formato desse programa é muito bom, pois gera um debate onde o entrevistado é de fato exposto para o público.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

QUEM FICA COM QUEM ATÉ OUTUBRO.


A preço de hoje as decisões centrais sobre as eleições na Paraíba já foram tomadas, pois temos nomes bem definidos para a disputa ao governo do Estado e já temos mais ou menos claro a formatação das composições partidárias. Mas, ainda falta resolver aqueles detalhes que farão a diferença durante a campanha eleitoral. São questões que vão influir diretamente no resultado das eleições, pois ninguém se candidata a um cargo majoritário dono de si mesmo, sem apoios. Os movimentos na política são como as ondas sobre a areia da praia, cada vez que elas se movem causam mudanças na areia. Como as nuvens que mudam de posição, mas são sempre nuvens no mesmo céu, a política partidária eleitoral se move e causa mudanças.

O governador Ricardo Coutinho é candidato a sua reeleição, em que pese enfrentar imensas dificuldades para compor seu arco de apoios e alianças. E não deveria, pois em condições normais de temperatura e pressão quem não gostaria de se aliar ao governo? O senador Cássio Cunha Lima é candidato ao governo pelo PSDB, em que pese o fato de ainda pairarem dúvidas sobre as possibilidades de sua inelegibilidade. O fato é que o TSE e o STF ainda vão ter que se pronunciar sobre essa problemática questão. O ex-prefeito Veneziano Vital é candidato ao governo do Estado pelo PMDB, mesmo enfrentando desconfianças sobre sua viabilidade eleitoral. Aliás, os caciques do PMDB ainda terão que explicar porque a escolha recaiu sobre Veneziano.

Porque o PMDB não lançou nomes de maior musculatura eleitoral, como o senador Vital Fº, o ex-governador José Maranhão ou mesmo o deputado federal Manoel Jr.? Porque apostar no ex-prefeito depois da derrota sofrida em Campina Grande em 2012? O deputado federal Major Fábio, do PROS, deve ser candidato ao governo, mesmo que sem maiores pretensões a não ser a de se tornar mais conhecido, aumentar seu capital eleitoral e, de seu partido, que surgiu pelos corredores parlamentares sem bases sociais. Aquela esquerda mais a esquerda deverá ter uma única candidatura. Trata-se do assistente social Tárcio Teixeira, filiado ao PSOL. Desse projeto devem participar o PSTU, o PCB e quem sabe o PCO se entender o quão inútil são suas postulações.

As alianças políticas giram em torno das tão almejadas vagas para o Senado Federal e a para vice-governador. Ricardo Coutinho precisa ampliar seu arco de alianças depois da debandada tucana de dentro de seu governo. O problema é que Ricardo não pode oferecer a possíveis aliados a vaga de senador, pois esta foi à condição para que o vice-governador Rômulo Gouveia ficasse ao seu lado e não seguisse Cássio no seu vôo rumo à oposição. Rômulo aceita se aliar com quem quer se seja, até com o PMDB, mas não abre mão da vaga para o Senado. Isso impede que Ricardo traga para perto de si partidos como o PTB de Wilson Santiago, o PP de Aguinaldo Ribeiro ou o PR de Wellington Roberto.

Como Ricardo não quer muitos pássaros voando sobre sua cabeça, terminará tendo que aceitar as condições de Rômulo Gouveia, mesmo que isso traga danos como a sensível diminuição do tempo na propaganda eleitoral no rádio e na TV. Wilson Santiago mais parece a noiva virginal cortejada até pelo padre. Cássio só pensa em compor com Wilson, pelo seu poder de arregimentar apoios, inclusive financeiros, e pela sua capilaridade eleitoral pelos rincões do alto sertão da Paraíba. Mas, no meio da reta, que pode levar Cássio até Wilson, existe uma enorme pedra chamada Cícero Lucena. Como se sabe o alvo da disputa é a cadeira que ele ocupa no senado. Seria natural que Cícero fosse o candidato do PSDB para sua reeleição?


 

Sim e não, pois essa naturalidade acaba onde começam os interesses eleitorais. O fato é que alguém deverá sobrar na curva dessa disputa. Se eu fosse o senador Cícero estaria tentando viabilizar minha eleição para outro cargo, como o de deputado federal. O PMDB não tem escolha vai ter que compor seu palanque com os problemáticos petistas da Paraíba. O PT indicou nomes para a vaga de senador, mas as lideranças do PMDB não gostaram de nenhum deles por não possuírem expressivos capitais eleitorais. Manoel Jr disse que o PMDB não aceita indicação de cacarecos. Veneziano tem que aguardar pacientemente que os petistas parem de brigar e se apresentem unidos para a eleição. Mas, é mais fácil nevar em Campina Grande do que o PT paraibano se unir.

O ex-ministro Aguinaldo Ribeiro tenta se alocar num espaço para garantir sua presença em Brasília em 2015. Ele praticamente descartou se aliar ao PMDB e cogita se unir ao PSB de Ricardo ou ao PSDB de Cássio. Resta saber o que Dilma Rousseff acha disso. Ainda temos as vagas para vice-governador, neste caso quem sobrar nas definições para o senado pode ser contemplado com esse posto. Para uns ele não passa de prêmio de consolação, para outros é a possibilidade de influir no jogo com boas cartas na mão. O fato é que as nuvens da política vão se mexendo e os cenários vão sofrendo alterações. Estamos naquela fase em que todo cuidado é pouco. Um comentário mal dito, num momento errado, pode por tudo a perder. Aguardemos as ondas da política passarem para ver o que ficará na areia eleitoral.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

BRASIL, UM PAÍS DE TROGLODITAS.


Você sabe quem é Paulo Ricardo Gomes da Silva? Já ouviu falar em Fabiane Maria de Jesus? E Altenor Faria e Israel Moraes? Por acaso você já viu estes nome em algum lugar? Não? Pudera, essas pessoas não possuem rostos, muito menos cidadania. Fabiane é aquela moça que foi linchada em São Paulo, no Guarujá, no sábado. Ela foi confundida com uma sequestradora, que estaria capturando crianças para rituais de magia negra. Ele teve múltiplos traumatismos e faleceu na segunda-feira. Paulo Ricardo assistia a uma partida de futebol, em Recife, e morreu após ser atingido por um vaso sanitário. Altenor invadiu uma casa, foi pego, atacado a socos e pontapés e depois arrastado pelas ruas de Goiás até que a policia o levasse ao hospital.

Israel roubou uma bolsa e fugiu. Três motociclistas o perseguiram e deram-lhe uma surra. Talvez você possa dizer que Israel e Altenor, ao contrário de Fabiane e Paulo Ricardo, mereceram o linchamento, pois são dois marginais. Será mesmo? Essa nova onda de barbáries sociais começou em fevereiro quando um adolescente, acusado de assalto, foi agredido a pauladas e acorrentado, nu, a um poste no Rio de Janeiro. A partir dai linchamentos e violências de toda sorte não param de acontecer. Pior, é a repercussão deles e o fato de não faltarem vídeos, pelas redes sociais, onde linchadores agem como se fossem justiceiros para acima e além do Estado. O vídeo com o espancamento de Fabiane é um show de horrores de causar náuseas.

Raquel Sheherazade e José Luiz Datena devem estar realizados, pois o que tanto defenderam está ocorrendo. Sheherazade defendeu os agressores do jovem marginal carioca, dizendo que a “atitude dos vingadores é compreensível”. Disse ela que: “O contra-ataque aos bandidos é legítima defesa coletiva. Aos defensores dos direitos humanos que se apiedaram do marginalzinho preso no poste, lanço uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido”. Pelo Brasil afora brasileiros estam seguindo os conselhos da raivosa jornalista paraibana. Estam “adotando” bandidos para linchá-los nas ruas como se vivessem nos tempos da completa barbárie, quando ainda não havíamos criado o Estado.

 


Mas, afinal, o que está acontecendo conosco? Viramos de vez um bando de trogloditas sem nenhuma noção de civilidade? Pessoas comuns, inocentes como Fabiane e Paulo Ricardo, estam sendo linchadas, apedrejadas, atingidas por vasos sanitários! Fabiane era casada, tinha duas filhas, uma delas tem um ano de idade. Ela foi violentamente retirada de sua casa por uma horda ensandecida que pensa saber o que significa a palavra JUSTIÇA. Os dois criminosos foram espancados em nome de uma tosca noção de “se fazer justiça com as próprias mãos”. E por favor, não me falem na tal ausência do Estado. Sim, ele existe! Nós é que temos que demanda-lo, eu diria exigir, para que cumpra suas funções.

Interessa ver que essa gente estúpida justifica seus atos violentos pelo fato do Estado não prover bem a segurança do cidadão. Porque, então, não se reúnem e vão recolher o lixo que fica pelas ruas já que o Estado não faz a coleta como deveria? Porque não vão reformar escolas públicas que estam caindo aos pedaços pela tal ausência do Estado? Porque não formam brigadas e vão tapar os buracos que as prefeituras vão deixando pelas ruas devido a suas incompetentes administrações? Porque só se lembram de fazer às vezes do Estado para exercitar uma ancestral violência? O sociólogo da USP, José de Souza Martins, estuda o linchamento há 20 anos. Ele diz que “estamos ficando progressivamente descontrolados”.

Martins diz que “o linchamento é quase um ritual, com regras claras, onde os envolvidos sabem do significado do que estão fazendo”. Eles sabem da vulnerabilidade social daqueles que são atacados. Ariadne Natal, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, autora de uma tese sobre casos de justiçamentos sumários, diz que linchamentos, como o de Fabiane, não podem “ser vistos meramente como uma ação irracional”. Ariadne diz que “acusados do linchamento de Fabiane dizem ter certeza de que ela era o mal encarnado. Que era preciso linchá-la para expiar o seu mal”. Eles estam erradíssimos, mas não estão agindo irracionalmente. Existe lógica no ato deles.

Um dos acusados, já preso, pela morte de Fabiane disse: "Tenho três filhos e achei que o boato era verdadeiro". Eu também tenho três filhos, mas não acho que sair por aí linchando quem quer que seja vai oferecer a eles algum tipo de segurança. O uso da violência, como solução para conflitos, é prática comum nossa. O Levantamento Nacional de Álcool e Drogas , feito na Universidade Federal de São Paulo, concluiu que um em cada cinco brasileiros já sofreu agressão física durante a infância. Se formos olhar a história de vida desses linchadores encontraremos relatos da força física substituindo o diálogo, da violência sendo usada para resolver questões familiares. São pessoas que foram criadas sob o signo da repressão, elas só sabem resolver problemas usando força igual ou superior a que foi nelas aplicada.
Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

PORQUE VAMOS TER O 2º TURNO?


O Instituto Sensus e a Revista Isto É divulgaram, no final de semana, uma pesquisa sobre a eleição para Presidente da República. Os números que vi só confirmaram minhas impressões. A chance dessa eleição se resolver já no 1º turno é mínima. É que não estamos falando de uma eleição qualquer. Quando se trata da disputa pelo Palácio do Planalto as questões eleitorais devem ser colocadas sempre no superlativo. Dessa vez a peleja não vai se resumir ao FLA X FLU de sempre entre PT e PSDB. Dessa vez temos novos atores políticos na disputa, com potencial para mudar os rumos do processo eleitoral. Já na eleição de 2010, Marina Silva influiu na medida em que tirou votos de Dilma Rousseff, contribuindo para o 2º turno contra José Serra.

De acordo com a pesquisa, Dilma tem 35% das intenções de voto, Aécio Neves tem 23.7% e Eduardo Campos tem 11%. A margem de erro é 2.2%. É bem simples entendermos por que as chances de termos 2º turno cresceram exponencialmente. Basta somar os percentuais dos candidatos que não estam em 1º lugar. Se todos eles juntos tiverem mais votos do que o candidato mais bem posicionado a eleição não termina. Os dois mais bem votados vão para o 2º turno, disputar a maioria simples. Dito de outra forma, se o candidato que está em 1º lugar tiver metade mais um dos votos válidos ele é eleito em 1º turno. A pesquisa Sensus aponta para o 2º turno porque Aécio e Eduardo somam 34.7%, enquanto Dilma tem 35%. Uma diferença ínfima de 0.3%.

Por essa lógica quanto mais candidatos houver na eleição, melhor para Aécio ou para o candidato que for para o 2º turno com Dilma. Eu explico. Digamos que se confirme a expectativa de termos algo em torno de dez candidatos, não contando com Dilma. Os votos de um candidato, que não almeja ganhar a eleição, se somarão ao percentual que definirá a realização ou não de um 2º turno. Em 2010, Dilma terminou o 1º turno com 46.09% dos votos válidos, os outros oito candidatos juntos tiveram 53.09%. Digamos que Marina Silva não tivesse concorrido em 2010, provavelmente Dilma teria sido eleita no 1º turno. É que José Serra teve 32.61% dos votos válidos e Marina teve 19.33%. Juntos, Serra e Marina tiveram 51.94%, contra os 46.9% de Dilma.

Marina tirou votos de Dilma e a jogou numa disputa de 2º turno. Quem fará o papel de Marina nesta eleição, além dela própria, deve ser Eduardo Campos que trabalha para tirar votos de Dilma e de Aécio, pois ele quer ir para o 2º turno. Mas, quem decide quem tira votos de quem, é o eleitor. Ainda não deu para aferir em qual capital eleitoral Eduardo vai fazer mais estragos, se é que vai. Sendo da oposição, ele tende a tirar mais votos de Dilma e ajudar Aécio a ir para o 2º turno. Isso aumentaria seu cacife junto ao PSDB. Mas, o eleitor pode querer comparar Aécio com Eduardo, pois eles são parecidos em termos de perfil político. Aécio e Eduardo são moderados, de uma vertente liberal, além de se colocarem como algo novo na política.

É possível que o eleitor divida a eleição em dois atos distintos. Num 1º ato, ele isolaria Dilma em 1º lugar e se dedicaria a decidir quem disputaria com ela o 2º turno. Dessa forma, o 1º turno seria uma disputa acirrada entre o segundo e o terceiro colocados. Se o Sensus não pesou a mão, este 1º turno deverá manter os três primeiros colocados sempre muito próximos. Daí que as outras candidaturas vão ter papel importante, não pelas suas próprias pretensões, mas na maneira como podem vir a influir no resultado. Vejamos que na pesquisa estimulada aparecem nomes como o do Pastor Everaldo (PSC), do senador Randolfe Rodrigues (Psol), de Mauro Iasi (PCB) e dos eternos candidatos cacarecos José Maria Eymael e Levy Fidelix.


Juntos somam algo em torno de 4 pontos percentuais. Numa eleição apertada, isso pode ser a diferença entre ter ou não um 2º turno. Mas, interessa ver que quando aparece apenas os 3 grandes da eleição, Dilma tem 35%, Aécio tem 23% e Eduardo 11%. Quando a pesquisa Sensus incluiu as pequenas candidaturas, Dilma perdeu apenas 1 ponto percentual, enquanto Aécio perdeu 3.8% e Eduardo perdeu 2.7%. Ou seja, as candidaturas sem maiores pretensões eleitorais devem preocupar mais a oposição do que a situação. O eleitor parece decidido a utilizar este 1º turno como pré-seleção para ver quem reúne as melhores condições de enfrentar Dilma no 2º turno. Mas, isso tudo não passa, claro, de especulações. Pois, a preço de hoje, Dilma estaria reeleita por pequenina margem de votos.

O que vai importar neste jogo é o comportamento da oposição, pois a situação agirá na perspectiva de não mudar, de deixar tudo como está para ver como é que fica. A oposição é quem vai ter que mostrar alternativas melhores das que se apresentam. Por enquanto a estratégia é explorar o assalto que o PT e seus aliados fizeram nos cofres da Petrobrás. Mas, o passado serve para nos ensinar algo. É bom ver que o Mensalão não serviu para barrar Dilma nas urnas, pelo contrário, ela pareceu ter se fortalecido ao mostrar que não era conivente com a quadrilha de José Dirceu.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

terça-feira, 6 de maio de 2014

O RETORNO DAQUELE QUE NUNCA FOI.


Em 1950, Getúlio Vargas era candidato a presidente da República, depois de ter sido chefe supremo da ditadura do Estado Novo. Havia uma euforia pelo Brasil afora com a clara possibilidade de Vargas retornar ao Palácio do Catete, dessa vez eleito pelo povo. O mote da campanha de Vargas era o fato dele retornar ao poder. Haroldo Lobo compôs o jingle da campanha, na verdade uma marchinha de carnaval, que dizia: “Bota o retrato do velho outra vez, bota no mesmo lugar / O sorriso do velhinho, faz a gente trabalhar”. Dizem que Vargas detestou a música, que ficou famosa pela interpretação de Francisco Alves, o “Rei da Voz”. Getúlio não teria gostado de ser chamado de velhinho. Mas, a marchinha caiu nas graças do povo, ganhou as ruas. Vargas ficou sendo chamado de velho e criaram até o carinhoso apelido de “seu gegê”. A metáfora funcionava bem. Colocar o retrato oficial de Vargas de volta à parede, aquele que o governante está com a faixa presidencial, significava o seu retorno ao poder.

Qual foi minha surpresa, há uns dias atrás, quando vi essa história de “colocar o retrato outra vez” como uma referência ao tal movimento “volta Lula” que petistas, que são “lulistas” de carteirinha, além de alguns aliados, voltaram a falar com veemência. É que as pesquisas eleitorais não estam trazendo boas notícias para Dilma e seu projeto de reeleição. Até meados de fevereiro havia quem apostasse alto que a eleição presidencial terminaria no 1º turno com a recondução de Dilma ao Palácio do Planalto. Mas, com as denuncias sobre o assalto organizado que se montou sobre a Petrobrás e com algum crescimento que a oposição vem tendo, as luzes da preocupação se acenderam nas hostes situacionistas e aquela história do “volta Lula” veio à tona.

Não tem jeito, o instinto de sobrevivência dos políticos fala sempre, sempre mesmo, mais alto. Ao menor sinal de perda do controle da situação, os governistas já lançaram mão do plano B, ou seria o plano A+? É que ficou claro, quando Lula escolheu Dilma para substituí-lo, que se ela não fizesse um bom governo ele anteciparia seu retorno à presidência. O Plano sempre foi Dilma cumprir dois mandatos, para só então Lula retornar, também para mais dois mandato. O que se sabe é que Lula só quer retornar ao governo em 2019 para que possa estar ocupando a presidência em 2022 quando iremos comemorar os 200 anos da emancipação política ou Independência do Brasil como se prefere.

Obviamente, que para que tudo isso acontece é preciso combinar com os russos, além de paulistas e mineiros. O fato é que Lula só anteciparia seu retorno no caso das coisas desandarem. A questão é: desandou? Os petistas têm motivos para se desesperarem? Já está na hora de lançar o plano A+? I.e., Dilma deveria desistir da reeleição e ceder sua vaga à Lula? Em que peses a crise da Petrobrás e o pífio crescimento que estamos experimentando, teria o governo perdido o controle da situação? O “Bolsa Família” teria deixado de ser o carro chefe eleitoral do governo? Parece, então, precipitado querer colocar o retrato do velho, digo do Lula, de volta a parede. As condições que garantem a permanência do PT no poder são as mesmas tanto para Dilma quanto para Lula.

Mas, essa não é a opinião de 20 deputados do Partido Republicano que assinaram um documento pedindo que Lula seja candidato a presidente da República no lugar de Dilma. Também não é o que pensa parte do Diretório Nacional do PT. Foi aí que o líder do PR na Câmara Federal, Bernardo Santana, pendurou em seu gabinete aquela foto oficial de quando Lula assumiu o governo ainda em 2003. Ele chamou a imprensa para documentar o fato cercado pelos seus pares. O deputado Santana tentou criar um fato, uma situação que, comparada a campanha de Getúlio, faria o movimento “volta Lula” ganhar as ruas. Mas, tudo não passou de um factoide, até porque Lula não pode voltar, já que ele nunca foi para lugar algum.


Lula nunca deixou de influenciar, eu diria mesmo de comandar, os rumos da administração de Dilma. Afinal, a quem é que Dilma recorre sempre que lhe pesa às costas o pesado fardo de ser presidente da República Federativa do Brasil? Lula não pode retornar de um lugar para onde ele nunca foi. Vargas deixou o governo federal em 1945 e se recolheu a sua fazendo no Rio Grande do Sul. De lá saiu, em 1949, para fazer a campanha eleitoral que o levou de volta à presidência. Lula esteve e está sempre por perto. É ele quem dá sempre a última palavra. E os caros ouvintes podem acreditar que essa última palavra não é “sim, senhora”. Pelo contrário, a última palavra lulista é aquela que aponta o caminho a seguir.

Vejam que Dilma queria mandar o PMDB para aquele lugar bem distante que, dizem, não é dos melhores para se permanecer. Mas, foi Lula que disse que ela não podia fazer isso. Foi Lula quem trabalhou para acalmar os ânimos, pois foi ele quem decidiu que a aliança PT/PMDB irá continuar. O fato é que o tal “volta Lula” é o medo manifesto dos petistas e aliados terem que deixar o governo. O “volta Lula” cresce se Dilma continuar a cair nas pesquisas. Do contrário, o “volta Lula” não vai render nem marchinha de carnaval.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

YES, NÓS TEMOS BANANAS!


Eu li em algum lugar, pode ter sido numa rede social ou no Google – o santo oráculo de nossos dias – uma frase que tomei como conselho. Dizia ela que (SIC) “nunca discuta com um idiota, pois ele lhe fará descer ao seu nível e ganhará por ter mais experiência". Eu não sei quem é o autor dessa pérola, mas gostaria de conhecê-lo para lhe parabenizar, pois ela termina por resumir o que de fato nos tornamos quando entramos em discussões sem sentido, com pessoas que não sabem o que dizem. Já dizia meu frasista predileto, Millôr Fernandes: "ignorar é a resposta possível para a ignorância”. Mas, porque estou citando essas frases? Será que me meti em alguma discussão com algum perito em dizer nada? Não, pelo menos não nos últimos dias.

Essas frases me vieram à mente quando vi o lateral-direito do Barcelona e da Seleção Brasileira de Futebol, Daniel Alves, comer a banana que um torcedor idiota e racista do Villarreal lhe atirou aos pés. A cena é antológica, não pelo ato racista em si, mas pela resposta que Daniel Alves deu. Literalmente, ele preferiu não discutir com o idiota, pois perderia feio a discussão. Daniel Alves foi de uma inteligência suprema ao ignorar o ato ignorante. O fato é que Daniel Alves se preparava para bater o escanteio quando lhe atiraram aquela banana próximo a seus pés. Espirituosamente, como é próprio do jogador brasileiro, ele pegou a fruta, retirou sua casca e a colocou de uma vez só na boca.

Ato contínuo, ele atirou a casca no chão, limpou as mãos em seu calção, demonstrando desdém, e, ainda mastigando a banana, bateu o escanteio. O melhor foi que o cruzamento de Daniel Alves redundou em um gol, i.e., foi o gol da banana. Essa foi a melhor resposta que já vi aos atos de racismo que tanto vemos acontecer no futebol europeu, mas não só nele, pois temos visto essas bananadas racistas por aqui mesmo. Foi o caso das agressões sofridas pelo jogador Tinga do Cruzeiro. E, por favor, não me digam que estes são casos isolados. Pois, rapidamente posso lembrar as agressões sofridas pelo ex-lateral-esquerdo da seleção Roberto Carlos ou as do atacante italiano Mario Balotelli. Para ficar em apenas casos famosos.

Foi estarrecedor ver, pela TV, um pai ensinado o filho a imitar um macaco enquanto Tinga se dirigia para bater uma falta. Pior mesmo, só a declaração do secretário-geral da Conmebol, José Luis Meiszner, sobre as agressões racistas que Tinga sofreu. Disse ele que “um moreno peruano, imitando um macaco para um brasileiro um pouco mais escuro do que ele não é discriminação racial. É sim uma provocação mal-educada”. Pasmem, o cartola idiota não viu racismo alguma no ato. Apesar de que, sua frase exala o mau cheiro desse racismo ancestral que muitos trazem consigo. Pior, ele ainda disse que nós, sul-americanos, não somos racistas, somos apenas mal-educados. Ainda bem, pois se fôssemos racistas, faríamos o quê? Daríamos chicotadas nos Danieis Alves, Tingas e Pelés que jogam futebol?



Aliás, por falar em Pelé, o “rei do futebol” resolveu dar seu nobre pronunciamento sobre a questão. Mas, como é comum, Pelé perdeu outra ótima oportunidade de ficar quieto. Eu não sei por que é que nossa majestade não se restringe a falar apenas em futebol. Na verdade, quem falou foi o Edson Arantes do Nascimento, pois Pelé é só um personagem que vive acima do bem e do mal. Disse o cidadão Edson que não viu nada de mais no caso da banana atirada sobre Daniel Alves. Ele disse, ainda, que: “racismo não é no futebol, tem em todos os setores da sociedade. O que não podemos é deixar uma coisa tão banal, de um carinha que jogou uma banana, e fazer do limão uma limonada”.

Mas, e com todo desrespeito possível ao Rei-sol do futebol, eu vou sim fazer da banana uma bananada, pois não é possível ver isso e simplesmente calar. Há quanto tempo europeus, brancos, de almas impuras, achincalham jogadores negros e nada acontece? O fato é que ficamos horrorizados com a banana atirada aos pés de Daniel Alves e felizes da vida pela resposta dada. Mas, nós, brasileiros, somos tão racistas quanto os europeus. A diferença é que nós disfarçamos mais e melhor nossos preconceitos. Vi uma pesquisa do Datafolha que mostrava que 82% dos brasileiros diziam não serem racistas. A mesma pesquisa descobriu que 81% dos brasileiros não gostariam de ter como vizinhos, num condomínio de Classe A, uma família de pessoas negras.

Eu lembrei aquela marchinha de carnaval, mais racista impossível, que tão bem nos define: “O teu cabelo não nega, mulata, porque és mulata na cor / Mas como a cor não pega, mulata, eu quero o teu amor”. Assim somos nós, aceitamos viver com quem é diferente, desde que o que nos incomoda não seja contagioso. Por fim, a agressão contra Daniel Alves não deve ficar por isso mesmo. Mas, nada desse negócio de obrigar as seleções que jogarão a Copa da FIFA, aqui no Brasil, de entrarem em campo com faixas contra o racismo, pois, como se percebe, isso não resolve. Eu sugiro que cada um dos jogadores, das seleções que aqui jogarão, receba, ao entrar em campo, uma grandiosa e rotunda banana. Enquanto isso a torcida pode cantar, se a FIFA não proibir: “Yes, nós temos banana, banana prá dar e vender....”.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

Minha lista de blogs

Pesquisar este blog