terça-feira, 23 de agosto de 2022

Remoendo os dados em busca de uma certeza

Não podemos confiar numa conversão democrática, neste próximo

mês de setembro, de quem nunca soube valorizar a democracia

 

23 de agosto de 2022, 09:57 h

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www.brasil247.com.br  

 

Considero sempre que pesquisas não são mais importantes do que a realidade, apesar de refletirem o momento. Mas, vamos remoer os dados, pois eles sempre tem algo novo a revelar, sem contar que podem, sim, apontar para uma certeza com certo grau de confiabilidade.

A semana passada começou com Jail Bozo sendo tratado como pária na posse de Alexandre de Morais no Tribunal Superior Eleitoral. Jail teve que engolir seco vendo Lula sendo ovacionado pelo espectro político nacional. A semana teve, também, pesquisas eleitorais relevantes e terminou com Jail sendo chamado de "Tchutchuca do Centrão”. Inclusive, estou em dúvida se sigo tratando o “despresidente” por “Jail Bozo” ou se passo a chamá-lo de “Tchutchuca do Centrão”.

Pesquisas trazem boas notícias para os que, como eu, não aguentam mais o bolsonarismo nazificado. Na segunda (15\8), a pesquisa do Instituto FSB e do banco BTG\Pactual trouxe Lula com 45% das intenções de votos e todos os outros candidatos com 46%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, Lula pode chegar a 47% e, assim, o jogo já se resolveria no 1º turno.

Uma leitura apressada do Datafolha da quinta (18\08) fará você ver Lula estacionado em 47% e Jail crescendo de 29% para 32%. Esse dado surge da pergunta: “Se a eleição para presidente fosse hoje e os candidatos fossem estes, em quem você votaria?”. Notem que ela está no condicional, pois alguém sempre pode mudar de opinião, mesmo que pesquisas que venho analisando desde março mostrem algo em torno de 80% dos eleitores, tanto de Lula como de Jail, afirmando que não mudarão o voto até o dia 02\10. Já 62% dos que dizem que vão votar em Ciro Gomes admitem que podem mudar para Lula até o dia 02/10. Ou seja, o voto útil em Lula, para evitar um 2º turno, tem endereço certo.

Mas, a rejeição é o dado que mais importa, pois ela é taxativa quando se responde à pergunta: “Em quais desses candidatos você não votaria de jeito nenhum no primeiro turno da eleição para presidente deste ano?”. Aqui, Jail é imbatível, pois 51% cravam que não votarão nele. Ou seja, metade dos entrevistados pelo Datafolha não querem ver Jail nem pintado de ouro. Já quando o Datafolha trata dos votos válidos, Lula aparece com 51%. Com a margem de erro de 2 pontos percentuais, Lula pode até chegar em 53% e a chance de vencer já no 1º turno torna-se real.

Eu sou historiador, mas sei fazer umas continhas, e vi que, para vencer a eleição no 1º turno, Jail tem que tirar de Lula algo em torno de 450 mil votos por dia até o dia 02\10. E não vai adiantar arrumar votos na nanicada serelepe de sempre, até porque não tem votos nem para ela mesma. A cada novo dia, Jail tem que convencer 450 mil eleitores de Lula a mudar o voto. Como ele fará isso? Não tenho a menor ideia. Acho que nem Jail e seus asseclas sabem como fazê-lo!

Importa, ainda, lembrar que Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, disse numa entrevista ao Brasil 247, que a “eleição está praticamente decididas em favor de Lula, pois Bolsonaro não tem de onde tirar votos já que o número de indecisos é muito pequeno”. E eu digo mais, além de ser pequeno, não cobre a diferença dele para Lula. Tem uma outra continha que podemos fazer. Vamos considerar que 30% do eleitorado segue bovinamente fiel a Jail e que a maioria esmagadora dos 70% restantes já decidiu que vai votar em Lula. Dito de outra forma, de cada 10 eleitores, 3 votarão em Jail e quase 7 votarão em Lula. É por isso que dá para crer que a eleição pode se resolver já no 1º turno.

Porém, sempre há um porém, estamos no Brasil onde, como diria Millôr Fernandes, o “fundo do poço é só uma etapa”. Como não vivemos sob Condições Normais de Temperatura e Pressão e como nosso formato democrático esgarçou-se completamente, sugiro não subir no salto alto e comemorar antes do final da eleição. É que não dá para acreditar que o bolsonarismo nazificado vai aceitar passivamente ser escorraçado pelas urnas eletrônicas. Não podemos confiar numa conversão democrática, neste próximo mês de setembro, de quem nunca soube valorizar a democracia, de quem só sabe viver sob as amarras do autoritarismo.

 

domingo, 21 de agosto de 2022

DO QUE AINDA POSSO FALAR

Veja no DO QUE AINDA POSSO FALAR que pesquisas não são mais importantes do que a realidade, apesar de refletirem o momento. Mas, vamos remoer os dados, pois eles sempre tem algo novo a revelar.



A semana começou com Jail Bozo sendo tratado como pária na posse de Alexandre de Morais no TSE. Jail teve que engolir seco com Lula sendo ovacionado pelo espectro político nacional. A semana teve, também, pesquisas eleitorais relevantes e terminou com Jail sendo chamado de a "Tchutchuca do Centrão”. Inclusive, estou em dúvida se sigo tratando o “despresidente” por “Jail Bozo” ou se passo a chamá-lo de “Tchutchuca do Centrão”.

Pesquisas trazem boas notícias para os que, como eu, não aguentam mais o bolsonarismo nazificado. Na segunda (15\8), a pesquisa FSB\BTG Pactual trouxe Lula com 45% e todos os outros candidatos com 46%. Com margem de erro de 2 pontos Lula pode chegar a 47% e o jogo já se resolveria no 1º turno.

Uma leitura apressada do Datafolha da quinta (18\08) fará você ver Lula estacionado em 47% e Jail crescendo de 29% para 32%. Esse dado surge da pergunta: “Se a eleição fosse hoje, em quem você votaria?”. Está no condicional, pois pode-se mudar de opinião. Mas, pesquisas que vi desde março mostram algo em torno de 80% dos eleitores, tanto de Lula como de Jail, afirmando que não mudarão o voto até o dia 02\10. Já 62% dos que dizem que vão votar em Ciro Gomes admitem que podem mudar para Lula até o dia 02/10. Ou seja, o voto útil em Lula, para evitar um 2º turno, tem endereço certo.

Mas, a rejeição é o dado que mais importa, pois ela é taxativa quando se responde à pergunta: “em qual desses você não votaria de jeito nenhum?”. Aqui, Jail é imbatível, pois 51% cravam que não votarão nele. Ou seja, metade dos entrevistados pelo Datafolha não querem ver Jail nem pintado de ouro.

Quando o Datafolha trata dos votos válidos, Lula aparece com 51%. Com a margem de erro de 2 pontos, Lula pode até chegar em 53% e a chance de vencer já no 1º turno torna-se real.  Eu sou historiador, mas sei fazer umas continhas, e vi que, para vencer a eleição no 1º turno, Jail tem que tirar de Lula algo em torno de 450 mil votos por dia até o dia 02\10. E não vai adiantar arrumar votos na nanicada serelepe de sempre, até porque não tem votos nem para ela mesma. A cada novo dia, Jail tem que convencer 450 mil eleitores de Lula a mudar o voto. Como ele fará isso? Não tenho a menor ideia. Acho que nem Jail e seus asseclas sabem como fazê-lo!

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

DO QUE AINDA POSSO FALAR

Veja no DO QUE AINDA POSSO FALAR que a mesma Fiesp que bancou o golpe de 2016, está lançando um manifesto em defesa da democracia. Estranho, não é?! Nem tanto, pois o Brasil não é para principiantes!


A elite brasileira, a burguesia que fede como diria Cazuza, mas que é dona do capital, finalmente entendeu o quanto o bolsonarismo é danoso para este pais, inclusive para ela própria. É por isso que a poderosa Federação das Indústrias de São Paulo está bancando um manifesto em defesa da democracia (que eu, inclusive, já assinei). Interessa ver que este manifesto será publicado nos grandes meios da mídia corporativa.

A Fiesp parece mesmo cansada de Jail Bozo, pois seu ex-presidente Horácio Piva disse que "as coisas estão transbordando". Piva só não disse o que é que está transbordando, mas vindo de Jail a gente até já desconfia o que possa ser.

Interessante ver a Fiesp em defesa da democracia. A mesma que apoiou a Lava Jato e o tribunal discricionário de Sérgio Moro, que bancou o golpe que depôs Dilma, que defendeu a prisão de Lula e se jogou na eleição de Jail Bozo. É a mesma Fiesp que apoiou o golpe civil\militar de 1964, e a ditadura militar; e que depois se comprometeu com as lutas pelo estabelecimento da democracia, já nos anos 1980. Alguma surpresa com isso?

É que é assim que age “A Elite do Atraso” como diria Jessé de Souza. Essa elite, que não aguenta mais o material fecal do bolsonarismo transbordando, pode ser democrática ou ditatorial, a depender de seus interesses.

O fato é que a aliança entre neoliberalismo e bolsonarismo nazificado quebrou a indústria brasileira. Por isso a Fiesp aposentou o pato amarelo de 2016. O fato é que a Casa Grande e os Faria Limers são assim mesmo, dão golpes e sustentam ditaduras, sabendo o que vai acontecer, e depois lançam manifestos em defesa da democracia.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Jail precisa de um golpe e nós precisamos de democracia


A aliança entre neoliberalismo e bolsonarismo nazificado quebrou a indústria brasileira

Jail precisa de um golpe e nós precisamos de democracia - Publicado no Brasil 247

Meus alunos sempre me ouvem dizer que nosso sistema político mescla procedimentos democráticos e entulhos autoritários e que temos uma cultura política pretoriana. Eles sabem que considero eleição condição necessária, porém insuficiente das democracias. Dito de outra forma, não adianta ter uma eleição eficiente, se golpismos de toda sorte derrubarão a decisão das urnas. Foi assim em 1964, com João Goulart, e em 2016, com Dilma Rousseff. Eles foram eleitos e sacados do poder por golpes ancorados nas forças militares, no legislativo e no judiciário, sempre contando com o auxílio luxuoso dos EUA.

O ex-governador de Minas, Fernando Pimentel, disse que é “preciso garantir a eleição, a vitória e a posse de Lula”. Se tivéssemos uma democracia fincada em bases sólidas, falaríamos apenas em eleições, e eu não estaria aqui falando da possibilidade de o eleito não tomar posse. A convenção que formalizou Jail Bozo candidato à reeleição foi mais uma emboscada contra a democracia. Chamou a atenção bolsonaristas com camisas onde se lia: “Voto impresso auditável. Eu apoio Art. 142”. O Artigo 142 não é peça decorativa na Constituição. Ele foi colocado lá para ser usado - é como um revólver que se guarda no fundo de uma gaveta, um dia a oportunidade para usá-lo vai aparecer.

De fato, Jail sabe bem que “voto impresso auditável” é algo sem necessidade e que a urna eletrônica é confiável. O que ele quer mesmo é armar um circo de desconfianças para poder oferecer seu golpe de estado, baseado no Art. 142, ou seja na própria Constituição Federal. Mas, notemos que enquanto o genocida mor segue firme em sua sanha golpista, para implementar seu projeto de ditadura, a mesma FIESP, que bancou o golpe de 2016, está lançando um manifesto em defesa da democracia. Estranho, não é?! Nem tanto, pois o Brasil não é para principiantes!

Parte inferior do formulárioA elite brasileira, a burguesia que fede como diria Cazuza, mas que é dona do capital, finalmente entendeu o quanto o bolsonarismo é danoso para este país, inclusive para ela própria. É por isso que a poderosa Federação das Indústrias de São Paulo está bancando um manifesto em defesa da democracia (que eu, inclusive, já assinei!). Interessa ver que este manifesto vem sendo publicado nos grandes meios da mídia corporativa. A Fiesp parece mesmo cansada de Jail Bozo, pois seu ex-presidente Horácio Piva disse que "as coisas estão transbordando". Piva só não disse o que é que está transbordando, mas vindo de Jail a gente até já desconfia o que possa ser.

Interessante ver a Fiesp em defesa da democracia! A mesma que apoiou a Lava Jato e o tribunal discricionário de Sérgio Moro, que bancou o golpe que depôs Dilma, que defendeu a prisão de Lula e se jogou na eleição de Jail Bozo. É a mesma Fiesp que apoiou o golpe civil\militar de 1964, e a ditadura militar; e que, depois, se comprometeu com as lutas pelo estabelecimento da democracia, já nos anos 1980. Alguma surpresa com isso? Nenhuma, pois é assim que age “A Elite do Atraso” como diria o sociólogo Jessé de Souza. Essa elite, que não aguenta mais o material fecal do bolsonarismo transbordando, pode ser democrática ou ditatorial, a depender de seus interesses.

O fato é que a aliança entre neoliberalismo e bolsonarismo nazificado quebrou a indústria brasileira. Por isso a Fiesp aposentou o pato amarelo de 2016. O fato é que a Casa Grande e os Faria Limers são assim mesmo, dão golpes e sustentam ditaduras, mesmo que saibam o que vai acontecer, e depois lançam manifestos em defesa da democracia.

domingo, 31 de julho de 2022

DO QUE AINDA POSSO FALAR


Nessa coluna do DO QUE AINDA POSSO FALAR, questiono do que adianta ter uma eleição eficiente, se um golpe de Estado poderá vir para solapar a decisão das urnas?
 

Meus alunos sempre me ouvem dizer que nosso sistema político mescla procedimentos democráticos e entulhos autoritários e que temos uma cultura política pretoriana. Eles sabem que considero eleição condição necessária, porém insuficiente das democracias. Dito de outra forma, não adianta ter uma eleição eficiente, se golpismos de toda sorte derrubarão a decisão das urnas.

Foi assim em 1964, com João Goulart, e em 2016, com Dilma Rousseff. Eles foram eleitos e sacados do poder por golpes ancorados nas forças militares, no legislativo e no judiciário, sempre contando com o auxílio luxuoso dos EUA.

O ex-governador de Minas, Fernando Pimentel, disse que é “preciso garantir a eleição, a vitória e a posse de Lula”. Se tivéssemos uma democracia fincada em bases sólidas, falaríamos apenas em eleições, e eu não estaria aqui falando da possibilidade de o eleito não tomar posse.

A convenção que formalizou Jail Bozo candidato à reeleição foi mais uma emboscada contra a democracia. Chamou atenção bolsonaristas com camisas onde se lia: “Voto impresso auditável. Eu apoio Art. 142”. O Art. 142 não é peça decorativa na Constituição. Ele foi colocado lá para ser usado - é como um revolver que se guarda no fundo de uma gaveta, um dia a oportunidade para usá-lo vai aparecer.

Jail Bozo sabe bem que “voto impresso auditável” é algo sem necessidade e que a urna eletrônica é confiável. O que ele quer é armar um circo de desconfianças para poder oferecer seu golpe de estado, baseado no Art. 142, ou seja na Constituição.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

DO QUE AINDA POSSO FALAR Lula tem 44% e todos os outros candidatos têm 45%. Estamos numa margem de erro mínima para não termos nem 2º turno

 

O Banco BTG\Pactual de Paulo Guedes, o “tchutchuca” do mercado, contratou pesquisa, junto ao Instituto FSB, pois o mercado quer se convencer de quem ganha e de quem perde nas eleições. Claro, ele mesmo não perderá nada. O mercado só perderá para a política, quando este país tiver realmente mudado.

A pesquisa traz Lula, em 1º lugar, com 44% e Jail Bozo em 2º lugar com 31%. Há duas semanas, Lula tinha 41% e Jail tinha 32%. Lula ganhou 3% e Jail perdeu 1%. Lula ganha mais do que Jail perde e a diferença está em 13 pontos percentuais.

Ciro Gomes segue em 3º lugar, com 9%, sem apoios e exalando ódio. Ainda não se sabe quando ele vai para Paris, mais ele vai. Simone Tebet vem em 4º lugar com 2%. Notaram que ela não é mais chamada de 3ª via? Deve ser porque nunca existiu uma! O percentual de Tebet é tão ruim que se forçarmos um pouco a margem de erro para baixo ela empata com André Janones e Pablo Marçal, cada um com 1%, e com a “cacarecada” que não atinge nem isso. Mas, não se preocupem, “Ey Ey Ey Mael, um democrata cristão” vai ter seus 3 segundos de glória na TV.

Interessa notar que o cientista político Felipe D'Avila, do Novo de Amoedo, não atingiu nem 1% na pesquisa. Ao que parece os conselhos que o D'Avila cientista político dá ao D'Avila candidato não estão servindo muito. Eu, sigo tentando entender a lógica de milhões, ou de centavos, que faz uma pessoa se lançar candidata à presidência da República, quando ela não tem capital eleitoral para se eleger sequer vereadora de sua própria cidade.

Com Lula tão bem postado nas pesquisas, e com reais chances de não termos 2º turno, é que se entende porque o bolsonarismo nazificado emula o TRUMPismo com suas ameaças golpistas. É que para Jail só restam 2 alternativas: ou vence ou vai preso em 2023. Mesmo assim vale o velho ditado: “caldo de galinha e cautela não faz mal a ninguém”. Vale, também, o clichê “o jogo só acaba quando termina”. Afinal, não vivemos numa democracia modelar, até porque, como diria Millôr Fernandes, “no Brasil, o fundo do poço é só uma etapa”.

Este foi mais um “DO QUE AINDA POSSO FALAR” com texto e apresentação de Gilbergues Santos e produção e edição de Lívia Freitas.


sábado, 23 de julho de 2022

DO QUE AINDA POSSO FALAR - Jail Bozo precisa desesperadamente de um novo AI-5

  

Se estivéssemos nos anos 1960, agora já seria 1968. O golpe civil\militar de 1964 já teria ocorrido e o AI-5 estaria bem próximo. O golpe com “Supremo com Tudo” de 2016 foi uma reedição do golpe militar, com novos elementos. Ele emula a tragédia de 64, que foi a farsa de tantos outros golpes dados desde a Proclamação da República. Jail Bozo anseia por uma farsa, da tragédia do AI-5, para chamar de sua. Lembrando que não é de hoje que o gado pede por um "novo" AI-5.

Considerando que o GOLPE JÁ FOI DADO EM 16, o embuste que Jail promoveu, ao se encontrar com os embaixadores, não é diferente do desfile dos tanques fumacê e do 07 de setembro bolsonarista, ambos ocorridos no ano passado.

São tentativas de Jail de ter um AI-5 para chamar de seu, beneficiado que foi pela ação de Sérgio Moro na Lava Jato, pelo golpe de 16 e pela prisão de Lula. Isso tudo, o levou ao poder. Agora, Jail quer um "golpe dentro do golpe" para permanecer no poder e não ser preso em 2023.

O evento com os embaixadores é mais uma das emboscadas que ele e seus asseclas promovem contra os procedimentos democráticos que ainda temos. Jail age por tentativa e erro, numa dessas ele acerta!

Ele não faz campanha, pois sabe que eleição está perdida. Sua ação, e de sua horda de malfeitores, é para que as instituições e a própria sociedade capitulem ante seu projeto ditatorial. Conseguirá Jail, ao contrário de Trump, ter sucesso em seu AI-5, versão Capitólio? Dito de outra forma, deixaremos o genocida mor implantar sua ditadura tal qual se fez em 64? 


sexta-feira, 27 de maio de 2022

Bolsonaro precisa melhorar nas pesquisas para ter um golpe para chamar de seu

Pesquisa do Datafolha de 26\5 trouxe Lula (PT) com 48% e todos os outros candidatos, que pontuaram, somando 40%. Assim, Bolsonaro (PL) tem 27%, Ciro Gomes (PDT) tem 7%, André Janones (Avante) e Simone Tebet (MDB) têm 2% cada, Pablo Marçal (PROS) e Vera Lúcia (PSTU) têm 1% cada. A nanica de sempre - Felipe D’Ávilla (Novo), Luciano Bivar (União), Santos Cruz (Podemos), Leonardo Péricles (UP), Eymael (DC), Sofia Manzano (PCB) - não pontuou, se é que vai.

Esperava que Tebet, a 3ª via da vez, e Ciro, após o “debate” com Gregório Duvivier, aparecessem pontuando melhor na pesquisa, pois Dória desistiu e já foi cuidar de sua vida empresarial. Mas, Tebet segue com seus 2 pontinhos de sempre e Ciro segue caindo, mesmo que ainda acredite que vai ao 2º turno. Talvez, numa eleição em Paris, ele possa ser eleito.

Onde foi parar os 3% de Dória? Se não foi para Lula, muito menos para Bolsonaro, se evaporaram entre as tapas, lágrimas e beijos derramados pelo grã-tucanato paulista? Lula cresceu ainda mais nessa pesquisa Datafolha. Se forçarmos a margem de erro, de 2 pontos percentuais, para  cima, ele pode bater nos 50%. Estou otimista? Sim! Mas, caldo de galinha e cautela...

O “timing” político nada democrático, bastante autoritário, mostra Bolsonaro em desespero, pois sabe que perderá a eleição e que pode terminar preso junto com seus filhos. O que ele ainda poderá fazer para manter a fidelidade bovina de seus seguidores? Mesmo com sua desprivilegiada capacidade cognitiva, Bolsonaro entendeu que piadinhas no cercadinho, motociatas e “amizade” com centrão não resolvem mais a situação, pois o povo não o aguenta mais e quer mudanças.

Para Bolsonaro, resta um golpe de Estado que o mantenha no poder. Mas, quem o daria? Parte considerável do conglomerado golpista de 2016 se reconverteu aos procedimentos democráticos, leia-se eleições. Não que isso signifique algo palatável, pois o conglomerado é golpista por definição e serve-se da democracia apenas em situações pontuais. Em tempo, o conglomerado é composto por amplos setores dos três poderes, pela mídia corporativa, pelas Forças Armadas, por ramos do cristianismo (neopentecostais e católicos ultra conservadores), pelos donos do grande capital, pela classe média que pensa como a burguesia, etc, etc, etc...

Para ter um golpe que possa chamar de seu, Bolsonaro tem que melhorar nas pesquisas para poder legitimar o discurso (falso) da fraude eleitoral. Se conseguir perder por uma pequena margem, pode até mesmo estrebuchar que foi fraude, mas se perder por uma grande diferença, e já no 1° turno, não terá como alegar fraude e dar um golpe. Bem dito, os militares não terão como golpear as instituições para atender aos interesses de um presidente humilhado nas urnas.

Desesperado, Bolsonaro colocou a Polícia Rodoviária Federal para tocar o terror, matando civis inocentes à luz do dia, para ter o que dizer para seus bovinos seguidores. A ideia é manter o gado no cercadinho com o discurso de que “bandido bom é bandido morto” e\ou de que está zelando pela segurança pública.

É bom lembrar que Bolsonaro sempre falou na morte como solução para todos os nossos problemas, por isso pôs suas milícias para atentar contra a vida do povo pobre e preto desse país. Essa matança indiscriminada é, também, uma vingança por causa dos resultados das pesquisas eleitorais. E é, ainda, uma forma de pôr medo na população e assim poder fazer o discurso do uso da força que acaba com a violência. O gado ainda acredita nisso! 

O meu receio é que setores da esquerda achem que a eleição está ganha, que não precisa fazer mais nada, por ainda acreditarem que eleição é condição única e necessária para se ter democracia. É bom lembrar que a extremosa destra não para, está sempre armando alguma crueldade.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Sobras do “cesto departamento”

Remexendo um velho arquivo (que chamo de “cesto departamento”, para onde vão coisas que finjo que estou jogando na lixeira) encontrei esses artigos, escritos entre 1998 e 2001, que nunca foram publicados. Não sei, não lembro, porque não “postei” o primeiro, “O que esperar dos eleitos?”. Talvez, à época, ele tenha se mostrado tão frágil, que eu mesmo tenha preferido esquecê-lo. Acontece!

Os outros dois foram censurados pelo jornal, com o qual contribuía semanalmente. Sobre o artigo “A TV que faz chorar”, a justificativa foi que eu estaria (SIC) “indo de encontro à TV da qual a empresa é associada”. É que o jornal, onde eu publicava, era afiliado de umas das emissoras que havia criticado. De fato, havia mesmo, mas ... acontece, também! Sobre o artigo “Fé e iogurtes”, não lembro que justificativa se deu para o artigo ter “caído”, mesmo que desconfiei que tenha desgostado algum explorador da fé alheia.

Não queria publicar estes três artigos, pois os considerei “datados”, mas sob os incentivos de minha editora\filha\leitora Lívia Freitas, resolvi que eles deviam vir a público. Pensando bem, eles não estão tão obsoletos assim!

 

O que esperar dos eleitos? (1998)

Analisando o resultado das eleições paraibanas, de 1998, chama atenção a quantidade de votos brancos\nulos para governador e senador. Para se ter ideia, o 2° colocado para governador, Gilvan Freire, teve 175.234 votos, enquanto brancos\nulos somaram 588 mil votos. Uma explicação para isso é a falta de boas opções apresentadas aos eleitores. A apregoada falta de interesse do povo, quando o assunto é política eleitoral, é frágil, pois gostamos tanto de eleição quanto de futebol e novelas.

Tivemos um processo eleitoral onde o governador/candidato, José Maranhão, monopolizou as eleições. Outra questão é que não houve renovação para a bancada paraibana na Câmara Federal, no Senado e na Assembleia Legislativa. Sempre se poderá dizer que muitos não se reelegeram e que outros vão ao parlamento pela primeira vez. Mas, não é desse tipo de renovação que falo.

A renovação que quero discutir é a de ideias e práticas políticas, pois não há nada de novo sobre o senador e os 12 deputados federais eleitos. As práticas são as mesmas desde o começo do século, próximo de acabar, mudam apenas a forma de realizá-las. Um distribui consultas médicas em programas de rádio, outro mal sabe expressar-se, um terceiro ocupou o guia eleitoral para só ensinar como votar nele e ainda tem o que se diz herdeiro político de um outro que já faleceu. Sem contar o "senador do povão" que facilmente transita entre o trágico e o cômico.

O que estes senhores irão fazer em Brasília? Será que eles sabem para que serve um mandato parlamentar? Eles dizem que vão lutar por verbas para a Paraíba, mas e quanto a “Reforma Política”, que traz a fidelidade partidária e a revisão da reeleição dos prefeitos, e a questão fiscal, criando e aumentando impostos, além da administrativa para demitir funcionários públicos? E sobre a reforma da previdência social, algo de nosso óbvio interesse, eles sabem o que fazer? Foi possível, durante as eleições, ver o que eles tem a dizer sobre estes assuntos?

Sabemos que um único voto, de um deles, pode mudar totalmente nossas vidas. É por isso que não podemos ficar impassíveis, esperando que eles "lutem pela Paraíba" da forma que bem quiserem, pois não foram eleitos para distribuir cadeiras de rodas e nebulizadores, e sim para envolverem-se nos grandes temas nacionais, como nossos representantes. Além disso, estes senhores, que serão protegidos pelo manto da imunidade parlamentar, precisam ser monitorados pela sociedade civil, caso contrário teremos que viver apenas com a renovação de nomes, não de práticas políticas.

 

A TV que faz chorar (2000)

É domingo. Ligo a TV e vejo o apresentador de popular programa de auditório, com os olhos vermelhos, falando tristemente da vida de uma mulher que, abandonada pelo marido, teve que criar uma penca de filhos e ainda teve seu casebre destruído por um incêndio. A mulher está presente ao palco, com seus filhos, para dar veracidade a estória do comovido (des)animador. Ao fundo, ouve-se uma música que faria o mais brutal dos nazistas chorar feito criancinha. Por fim, o benevolente apresentador oferta uma casa mobiliada para a pobre família e todos se regozijam. Um final feliz!

Mas, por ser domingo, quero relaxar, ver algo ameno. Mudo de canal. Aparece-me outro apresentador que, gritando descontrolada e irritantemente, quer comover o público com sofridos detalhes da vida de uma atriz de novelas. Não há interatividade, ele faz as pergunta e ele mesmo as responde. Parece que só ele pensa. Sigo querendo relaxar, mudo o canal e vejo um terceiro apresentador que tenta ser a síntese dos dois anteriores: grita burramente, como o segundo, e faz caridades como o primeiro. Trágico, cômico, bizarro! Minha busca só termina quando me convenço que a melhor forma de relaxar é desligando a TV. Escutar uma boa música é a solução.

A questão é que os canais da TV aberta não nos dão opção, possuem uma programação que só considera o baixo nível educacional do povo brasileiro. Com o advento da chamada TV paga e com a programação segmentada (programas dirigidos a grupos específicos) criou-se a lógica de mercado (cruel e excludente) que se o telespectador quer ver boa programação que pague para tê-la, senão aguente as porcarias que lhe são oferecidas, aliás, impostas. Não é à toa que a Rede Globo exibe seu "apresentador" ao invés de um jogo de futebol. Quer assisti-lo? Pague para isso!

Uma outra grave questão é que devido à ausência de um Estado social, que efetive políticas públicas, as populações pobres ficam à mercê da própria sorte e terminam recorrendo aos oportunistas de plantão, no caso apresentadores em busca de pontos no Ibope, que renderão polpudos contratos de publicidade, e que não pestanejam em explorar as desgraças humanas. Se lembrarmos a eles que somos nós que fazemos a audiência, mudando de canal e até desligando a TV, com certeza irão se preocupar em melhorar o nível da programação. Ou não?!

  

Fé e iogurtes (2001)

Imagine a situação: cidadão, com R$ 100,00, uma ata que o designa representante de um grupo e um estatuto que regerá este grupo, vai até a Receita Federal cadastrar-se. Em dois dias, ele já tem a sua disposição, pela Internet, o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica que permite que o estabelecimento funcione. Não, não estou falando de um comércio, refiro-me a uma igreja evangélica.

Para se abrir uma igreja no Brasil basta ter fé, pois as facilidades mundanas são muitas. Veja-se que não se cobra taxa de IPTU, nem licenciamentos, e não se paga imposto de renda, já que os templos são considerados entidades filantrópicas. Mas, essas igrejas, que vemos surgir em profusão, tem um alto poder de lucro que vem, principalmente, da contribuição que cada fiel dá a seu pastor. É o chamado dízimo - aqueles 10% que cada "um oferta a Deus".

Vi um membro de uma dessas igrejas dizer que (SIC) “o aluguel da sede custa R$ 2.500,00 e é preciso mantê-la, pois a contribuição está prevista no livro bíblico de Malaquias”. Porém, o que se vê, na verdade, são denúncias de enriquecimento ilícito de pessoas inescrupulosas que, a título de dar conforto espiritual a quem precisa, exploram a fé das pessoas.

Para se ter ideia de como se dá a exploração, vejamos o caso das Igrejas neopentecostais, conhecidas pelos seus cultos barulhentos, onde os fiéis gritam a plenos pulmões palavras de exaltação a Deus, talvez acreditando que Ele seja surdo. Prometem prosperidade material, ou seja, o fiel que contribui, com o dízimo, investe em si próprio, já que “terá em dobro tudo o que doou”. Assim, Deus funciona como uma poupança: entrega-se uma quantia a Ele e após certo tempo Ele a devolve com juros e correção. Mas, é bom lembrar, "pequena" parte fica com o pastor para investimentos no “negócio da fé", como diria o cangaceiro do Auto da Compadecida.

Em tempos de crise qualquer um que prometer prosperidade material só pode conquistar adeptos. São palavras mágicas para ouvidos desesperados. O fato é que essas igrejas são negócios privados como outro qualquer, onde o lucro é a meta. Por isso deixemos de hipocrisia e passemos a tratá-las como tal. Já que elas viraram um lucrativo negócio, que explora a fé do povo, como quem vende iogurtes no supermercado, porque o Estado não as trata como tal e passa a cobrar delas impostos para fazer, pelo povo, aquilo que elas mesmas não fazem?

quinta-feira, 31 de março de 2022

O GOLPE CIVIL-MILITAR DE 1964

 

Laerte. Revista Caros Amigos. Ano IV - n° 15. Novembro/2002. Edição Especial “Para onde vai a democracia?”

Passados 58 anos do Golpe Civil-Militar de 1964 temos que revê-lo pois à medida que nos distanciamos dos fatos nossa visão sobre eles muda. Temos que redimensionar o 31 de março para nossa atual visão e refletir sobre a cultura política pretoriana que dele herdamos. Memórias do golpe e da ditadura ainda nos são vivas pois as feridas não cicatrizaram. Somos uma Sociedade e temos um Estado recheados de entulhos autoritários que nosso débil processo de liberalização não foi competente para extrair do nosso entorno. Um falso dilema entre democracia e mudanças sociais foi uma das causa do golpe. No Brasil de 1964 se antagonizava desnecessariamente esses fatores. Para a direita, se faria mudanças sociais pela democracia, por isso mesmo ela deu o golpe. Para a esquerda, só teríamos mudanças pondo fim a democracia. O resultado a que se chegou foi nenhuma reforma social, democracia inexistente e muito autoritarismo. A liberalização (notem que não falo em redemocratização) não foi capaz de afastar de nosso entorno atores políticos e entulhos autoritários da ditadura. Hoje eles governam! O que tivemos foi tão somente um pacto entre forças políticas iniciado em 1974 e capitaneado por militares. Lentamente se foi inserindo uma ritualística democrática nas instituições, sem reformá-las, mantendo intocada a espinha dorsal da ditadura: o poder militar.