segunda-feira, 22 de outubro de 2012

COMO FOI O DEBATE DE SÁBADO?








O debate, promovido pela CAMPINA FM, foi até agora o melhor dessa eleição. Romero Rodrigues e Tatiana Medeiros estavam dispostos ao enfrentamento. Em quase duas horas eles não fugiram às questões polêmicas e aos temas espinhosos. Eu acompanhei o debate por dentro, estava no estúdio, bem próximo aos candidatos. Enquanto eles se batiam, eu tomava notas para escrever essa coluna. Posso, então, demonstrar algumas coisas que, você caro ouvinte, ouviu, mas não viu.




Um debate com duas pessoas pode fluir mais e melhor do que um debate com sete pessoas que possuem interesses difusos. Vejam que Romero e Tatiana se enfrentaram em torno do objetivo único de conquistar votos para ganhar a eleição. No 1º turno, tínhamos candidatos que nem pensavam em ganhar a eleição. Alexandre Almeida, por exemplo, nem sequer pedia votos para si mesmo. Sábado, foi diferente, pois os dois candidatos vieram para o debate entendendo bem a importância que ele tem.




Mas, as motivações para a disposição no debate eram diferentes. Romero parecia mais tranquilo, mais ponderado. Tatiana demonstrava mais estresse, menos calma. Em alguns momentos vi Tatiana tensa. Se Romero estava, também tenso, soube disfarçar.




A questão é que a expectativa de vitória de Romero é maior do que a de Tatiana. De acordo com as pesquisas ele está à frente dela na preferência do eleitor. É isso que gera uma expectativa de vitória mais favorável a Romero do que a Tatiana. Se o debate fosse um jogo, Tatiana seria o time que entrou em campo tendo que ir para o ataque por precisar virar o placar. Romero seria o time que entrou podendo se poupar mais por contar com um empate para ser o campeão.




Mas, Romero não se fez de rogada e iniciou o debate tomando a iniciativa. Ele começou “batendo preventivamente”, ou seja, atacou para demonstrar que não aceitaria ficar nas cordas, ou na defensiva. Ele perguntou sobre uma promessa feita por Veneziano quando foi candidato à reeleição. Romero afirmou que a tal promessa não foi cumprida. Aliás, ele fez várias referências aos problemas da atual gestão da prefeitura. Claro, esse é o papel da oposição.




Tatiana respondeu mostrando suas garras, se referindo a Romero como membro do grupo que esteve no poder por 20 anos. E usou a tática de falar de suas realizações como secretária de saúde e de enaltecer a gestão municipal. Claro, esse é o papel da situação.




Tatiana usou e abusou dos dados que dispõe sobre a saúde. Romero, inclusive, a criticou por ela não responder algumas questões para falar da saúde. Mas, Tatiana não deve ver nisso um problema já que lastreia sua candidatura em dois pontos. Em o que fez como secretaria de saúde e no apoio do prefeito Veneziano. Tatiana atacou Romero em dois aspectos. O de pertencer ao chamado “grupo dos 20 anos” e o de ser apoiado pelo Governador Ricardo Coutinho.








Romero respondeu bem a primeira crítica, pois não vê nisso um problema. Mas, quanto à relação que teria com o governador deixou a desejar, pois se esse apoio não existe, ou existe de alguma forma, por que não se explicar a questão de uma vez por todas?




Tatiana se pegou com um dado da campanha de Romero, que é a promessa de entregar remédios nas residências de pessoas atendidas pelo sistema de saúde pública. Tatiana alegou, através de questões técnicas, que essa promessa não pode ser atendida. Romero contra-atacou com a questão de que a prefeitura teria atrasado o repasse, aos bancos, dos empréstimos consignados feitos por servidores municipais. Tatiana parece ter se confundido e respondeu que: “eu desconheço esse atraso, não há esse atraso”.




Os candidatos não fugiram dos chamados temas tabu das campanhas eleitorais. Tatiana acusou Romero de ser intolerante porque ele teria “tentando impedir a liberdade de manifestação do povo evangélico”.  Romero se defendeu afirmando ter bom relacionamento com evangélicos e levou a discussão para o campo da família, falando de sua família e da religiosidade dela. Não é que família e religião sejam temas centrais de uma eleição, mas é sempre bom ver como os candidatos se saem nestas questões sensíveis.




O momento mais tenso do debate foi quando Tatiana afirmou que “Romero se agachou perante o governo de Ricardo Coutinho que excluiu Campina Grande do mapa da Paraíba”. Romero devolveu a acusação de forma incisiva. Disse ele que: “quem vive se agachando nessa eleição não sou eu. Nem na eleição nem no período pré-eleitoral”. O que ele quis dizer com isso não se sabe bem, mas parece ter funcionado, pois Tatiana acusou o golpe e titubeou. Foi visível seu constrangimento.




O fato é que o debate foi bom, como a muito não se via. Várias pessoas que o acompanharam pelo rádio me disseram terem ficado satisfeitas. Está provado que se pode fazer um debate, com regras simples, enfrentamentos políticos e nenhuma baixaria.






sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Dilma, “Avenida Brasil” e a eleição.









Ontem, quando eu começa a escrever a coluna de hoje, que analisaria a nova composição que a Câmara Municipal de Campina Grande terá a partir de 01 de janeiro de 2013, me deparei com uma notícia que me chamou a atenção. Na verdade, eu não deveria levar essa notícia a sério, deveria estar agora tratando dos nossos novos representantes. Mas, eu fico devendo essa coluna para a próxima semana. O caro ouvinte , se quiser, pode me cobrar.




A notícia, que me desviou da pauta original, dava conta que o TRE da Bahia proibiu que Nelson Pelegrino, candidato a prefeito de Salvador pelo PT, exiba o último capítulo da novela "Avenida Brasil", da TV Globo, em seu comício. Este comício ocorrerá logo mais a noite e contará com a presença da presidente Dilma Rousseff. Ela mesma tinha manifestado o desejo de ficar em casa, digo no Palácio da Alvorada em Brasília, junto com sua mãe assistindo ao último capítulo da novela. Uma coisa meiga, nada soa mais familiar que sentar no sofá da sala para assistir a novela. Tudo normal, não fosse o fato de antes da “noveleira Dilma” existe a presidente Dilma que tem toda uma série de responsabilidades para com o país.




Ao confirmar a presença de Dilma no comício, o senador e coordenador do comitê de Pelegrino, Walter Pinheiro, disse, em tom de brincadeira, que “por causa da novela, um telão transmitirá Dilma e Carminha”, numa alusão a uma das personagens da novela.




O que aconteceu foi que a coordenação da campanha de Nelson Pelegrino levou a coisa a sério e ficou com receios de que o comício fosse esvaziado por causa da audiência da novela “Avenida Brasil”. Eles ficaram em dúvida se as pessoas deixariam de ver a novela para ir ao comício ver Dilma. Na dúvida, melhor não arriscar. Alguém teve a brilhante ideia de instalar um enorme telão no local do evento.




O comício será em Cajazeiras, que é um dos bairros mais populosos de Salvador. Um desses gêniosinhos do marketing eleitoral deve ter dito: “vamos incorporar o último capítulo da novela ao comício, pois isso dá muitos votos”.




O aprendiz de Duda Mendonça deve dito: “Já pensou parar o comício para ver quem foi que matou o Max”. Imagine, caro ouvinte, a cena. Está lá a presidente Dilma discursando, pedindo votos para seu candidato. Todo mundo prestando atenção na presidente que vai mostrando como “... nunca antes na história desse país fomos tão desenvolvidos e tão felizes”. Aí se aproxima um assessor, cochicha no ouvida da presidente e ela diz: “gente, vamos assistir a novela?”.




Aí para tudo. Para o comício, para o trânsito, para o Brasil, porque tudo mundo quer saber quem matou o Max. Será que essa gente imaginou que isso daria votos para Nelson Pelegrino? Mesmo querendo acreditar que não, eu acho que pensaram sim. Chega a ser patético. A elite política desse país aceitando dar um tempo na luta pelo poder (o oxigênio deles) para assistir ao último capítulo da novela. E sabe o que é mais engraçado? É que houve quem desse cabimento a um disparate desses.








Foi à coordenação de Campanha de ACM Neto, que disputa o 2º turno com Pelegrino em Salvador, quem encaminhou o pedido ao TRE solicitando que fosse proibida a exibição do último capítulo da novela. O advogado Ademir Ismerim, do DEM, argumentou na solicitação ao TRE que “a prática anunciada pelo PT se assemelharia a um showmício, algo não permitido pela legislação eleitoral”. E eu fico imaginando se a legislação eleitoral deveria se preocupar com isso.




A juíza da 9ª Zona Eleitoral, Ana Conceição Barbudo, disse que “tal conduta teria fins eleitoreiros, usufruindo de imagens de artistas globais e do Ibope da programação". Ela vedou a exibição, no telão, de "qualquer tipo de situação que não se relacione com o objeto da campanha". Eu acho que essa juíza não gosta de novelas. E ela ainda solicitou que a Polícia Militar garanta o cumprimento da decisão. Imagine, a PM em praça pública proibindo as pessoas de assistirem o último capítulo da novela. Só faltou chamar o exército para impedir que a presidente Dilma assista à novela.




O PT baiano chegou a antecipar o horário do comício para as 19h, para que não coincidisse com o horário da novela. Mas, algum espírito de porco deve ter dito que as pessoas não chegariam em casa a tempo e que era melhor passar no telão.




Disso tudo o que se conclui e que continuamos a não saber separar o que é público do que é privado. E seguimos valorizando o que não tem importância e desdenhando daquilo que é fundamental para nós.




Hilário foi o comentário de Pelegrino ao saber que ACM Neto tinha conseguido impedir que ele e a presidente assistissem à novela de cima do palanque. Solenemente, disse ele que: “meu adversário, mais uma vez, tem uma conduta contra o povo de Salvador".




Incrível, um defende o povo porque quer que ele assista à novela, o outro é contra porque tentou impedir. E eu fico a me perguntar por que deixei de analisar a nova composição da Câmara dos Vereadores de Campina Grande para falar dessa patuscada toda. Será que eu consegui ser mais noveleiro do que nossa presidente?






quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Uma projeção para o final.






O Grupo 6Sigma divulgou um estudo de intenção de votos para o segundo turno em Campina Grande com projeções sobre a probabilidade de migração de votos e uma estimativa de quantos votos cada candidato terá ao final da disputa.




Probabilidade de migração é o que os cinco candidatos derrotados no primeiro turno podem vir a transferir para os que disputam o segundo turno. Trata-se da disposição dos que não votaram em Romero Rodrigues e Tatiana Medeiros de vir a escolher um dos dois.




Estes dados são importantes, pois consideramos que o eleitor que votou em Romero ou Tatiana no primeiro turno dificilmente mudará de opinião no segundo turno. Apenas para lembrar Romero teve 97.659 votos ou 44.94% dos votos validos. Tatiana teve 65.195 votos ou 30.0% dos votos válidos. Os outros cinco candidatos obtiveram, juntos, 54.462 votos ou 23.97% dos votos validos. Considerando que Romero teve 32.464 votos a mais do que Tatiana eu vou, agora, desenhar o cenário.




A primeira melhor estratégia de Romero e Tatiana é conquistar o eleitor que não votou neles no primeiro turno. Existem mais de 54 mil eleitores para se conquistar. E vejam que eles não anularam ou votaram em branco no primeiro turno. Agora, serão chamados às urnas para fazerem nova opção. Os quase 163 mil eleitores que votaram em Romero e Tatiana irão às urnas reafirmarem suas vontades. Assim, são os não eleitores de Romero e Tatiana que vão decidir a eleição.




A probabilidade de migração de votos foi feita na pesquisa de boca de urna do primeiro turno. Quando o eleitor dizia que tinha a votado em um dos cincos candidatos, o entrevistador perguntava em quem ele votaria no segundo turno, se em Romero ou se em Tatiana. Essa sistemática foi adotada porque, claro, Romero e Tatiana lideravam as pesquisas e todas davam conta que o segundo turno seria entre o candidato do PSDB e a candidata do PMDB. Assim, se chegou aos seguintes percentuais.




Dos eleitores que votaram em Alexandre Almeida no primeiro turno, 44.7% disseram que votariam em Romero no segundo turno e 31.9% em Tatiana. Vejam que a maioria dos eleitores de Alexandre ficou contra ele, mesmo que ele tenha dado seu apoio a Tatiana e que no primeiro turno tenha trabalhou para favorecê-la em detrimento de sua própria candidatura. Será que quase metade dos eleitores de Alexandre estam reprovando o comportamento dele no primeiro turno ao optarem por Romero? Isso servirá para que se entenda o quanto candidaturas, com acentuado sabor cítrico, são reprováveis aos olhos dos eleitores?








Dos que votaram em Arthur Bolinha no primeiro turno, 52.0% disseram que votariam em Romero e 26.5% em Tatiana. Arthur até nega, mas mais da metade de seus eleitores parecem não desconhecer os vínculos que ele teve com o grupo ao qual pertence Romero.




Dos que votaram em Daniella Ribeiro, 54.2% disseram que votariam em Romero e 32.1% em Tatiana. Vemos uma maior migração para a candidatura que, no segundo turno, faz oposição a administração do prefeito Veneziano. Daniella ofereceu um modelo dito independente e buscou, também, votos nos eleitores descontentes com a atual gestão municipal. É até natural que quem votou nela como voto de oposição, agora queira votar em Romero.




Dos que votaram em Guilherme Almeida, 40.9% disseram que votariam em Romero no segundo turno e 43.3% em Tatiana. Esse equilíbrio se deve ao fato dos eleitores de Guilherme não terem sido bem esclarecidos sobre sua posição política. Se agora ele aderiu à candidatura de Romero, nos primeiros dois meses fazia referências elogiosas à gestão de Veneziano. Mas, eu quero pontuar, Guilherme teve uma postura louvável ao não se declarar neutro, não importando muito quem esteja apoiando.




Dos que votaram em Sizenando, 47.6% disseram que votariam em Romero e 14.3% em Tatiana. No primeiro turno, Sizenando criticou bastante a gestão municipal. Assim, a maioria dos seus eleitores tende a votar na oposição.




Romero somaria desse processo de migração algo em torno de 28 mil votos, enquanto Tatiana reuniria cerca de 17 mil votos. Somemos, então, estes dois valores ao capital eleitoral que Romero e Tatiana trouxeram do primeiro turno. Romero terminaria o 2º turno com cerca de 125 mil votos (ou quase 60% dos votos válidos). Tatiana teria cerca de 82 mil votos (ou quase 40% dos votos válidos). Isso significa que Romero Rodrigues é, virtualmente, o próximo prefeito de Campina?




Não. Significa que considerando apenas a probabilidade e a estimativa da migração Romero está mais bem posicionado do que Tatiana. Temos que ficar atentos, por exemplo, a movimentação dos candidatos nas ruas e nos bastidores da campanha. Pois isso pode, sim, alterar ou manter esse estado de coisas. Além do mais, ainda faltam 10 dias para a eleição e o jogo só acaba quando termina.






quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ABAIXO A NEUTRALIDADE!






Eu tenho acompanhado uma movimentação estranha na política paraibana. Atores políticos relevantes que participaram ativamente (como candidatos) do 1º turno passaram a assumir uma postura de neutralidade para este 2º turno. Eu vou analisar essa questão, pois considero que nada pode ser mais tendencioso do que a neutralidade de um ator político. Se na política vive-se de fazer escolhas e buscar alternativas, adotar a neutralidade soa, no mínimo, falso.




Na química, o elemento neutro é aquele que nem é ácido e nem é base. Na física, neutros são os corpos sem eletrização, são os condutores que não sediam correntes. Já na gramática, neutras são as palavras que não são nem masculinas nem femininas. Nas relações de poder entre nações, um Estado é neutro quando não toma parte em uma guerra. Nações que não participam de um conflito direta ou indiretamente são chamadas neutras, já as que se envolvem são tidas como beligerantes.




Em política, assumir-se neutro é não ter (ou não querer ter) uma posição definida. A neutralidade na política é, em geral, a atitude de quem prefere não assumir uma posição política à frente de todos para se preservar para outros momentos. De antemão eu devo dizer que a neutralidade não existe. Quando um ator político se assume neutro está na verdade assumindo uma postura política, portanto está deixando de seu neutro.




O político, poeta e escritor italiano Dante Alighieri, autor de a “Divina Comédia”, afirmou que “no inferno os lugares mais quentes serão reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempos de crise”.




Eu não seria radical como Alighieri, mas bem que o político que assume uma postura dessas deveria sofrer alguma punição. Na verdade, isso já está acontecendo, pois este festival de neutralidade que assola a Paraíba vem dos que foram punidos pelas urnas.







A Deputada Daniella Ribeiro optou pela neutralidade depois de ficar em 3º lugar na eleição do 1º turno. Numa entrevista, com clima de fim de festa, ela anunciou: “Eu não apoiarei nenhum candidato, não votarei em nenhum dos dois”. O fato é que a deputada do PP ficou sem alternativas. Depois de se colocar como independente e de criticar as candidaturas de Romero Rodrigues e Tatiana Medeiros ela não teve como fazer o caminho de volta.




Arthur Bolinha não só declarou-se neutro como ainda desdenhou do fato de o eleitorado campinense não ter comprado o projeto apolítico que ele oferecia. Assim como Daniella, declarou-se neutro e se afastou do processo. O que Daniella e Arthur não entendem é que ao se declararem neutros estam cometendo apostasia, ou seja, estam abandonando a própria sorte seus eleitores que de uma forma ou de outra acreditaram em suas propostas, intensões e projetos.




Em João Pessoa a neutralidade campeia. Até os animais do Parque Arruda Câmara (a famosa Bica) se declaram neutros. A ida de Luciano Cartaxo e Cícero Lucena para o 2º turno deixou muitos sem alternativa. É que atores e partidos políticos não trabalham com a possibilidade de apoiarem alguém no 2º turno. Agem para serem apoiados, nunca para apoiar. Além dos mais eles tanto se desgastaram no processo pré-eleitoral que agora não mais conseguem dialogar.




Os democratas da Capital foram os primeiros. Decretaram a neutralidade depois de verem a esdrúxula equação que levou Efraim Filho a ser o vice de Estelizabel Bezerra fracassar. Na verdade, eles não ficaram neutros, preferiram sumir do mapa político. A própria Estilizabel defendeu a neutralidade. Outro caso em que subir ao cimo do muro foi saída única. É que para ela, e para o governador Ricardo Coutinho, só restava ir para o 2º turno, pois como compor com inimigos declarados?







O ex-governador José Maranhão declarou-se neutro e, ato continuo, seu partido (PMDB) seguiu sua orientação. Neste caso, não se trata de indisposições. É que Maranhão está acostumado a ser seguido, nunca a seguir.




PDT, PTN e PEN também se declararam neutros, apesar de terem liberado seus militantes a apoiarem quem bem quiserem neste 2º turno. Aqui a neutralidade serve de escudo para que se tomem outros caminhos. Renan Palmeira e o PSOL de João Pessoa se declararam neutros, dizendo que o resultado da eleição expressa a limitação da democracia brasileira. O que se conclui disso? Que se Renan estivesse no 2º turno nossa democracia seria ilimitadamente boa.




A neutralidade foi uma confortável justificativa encontrada pelos candidatos para se ausentarem dos processos políticos na perspectiva de não terem que se comprometer em futuras negociações políticos. Estes atores políticos não entende que no mundo da política se permite muita coisa. Existem justificativas para tudo, até para as tais condutas vedadas, menos para a neutralidade.



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O MAPA ELEITORAL BRASILEIRO APÓS O 1º TURNO






A análise das eleições municipais de 07 de outubro se apoia em dois pontos: quais os partidos que se saíram vitoriosos, quando se faz o apurado dos 5.568 municípios brasileiros, e os impactos desses resultados para as eleições de 2014.




Os impactos são de curta, média e longa duração a depender do tipo de vitória que cada partido teve. Alguns partidos, é o caso do PMDB, ganharam no atacado. Outros, como o PSB, ganharam no varejo. Vejamos quem se saiu melhor.




O PMDB ficou em 1º lugar com 1.018 prefeituras. A maioria das cidades conquistadas são as de pequeno porte com um máximo de 30 mil habitantes. Não é ruim, mas é que para fazer frente a uma capital como Recife quantas cidades se precisa ganhar? O PMDB segue fiel a sua estratégia de ganhar o máximo que puder de prefeituras. A preocupação é quantidade mesmo. Muitos prefeitos dão sustentação a uma sólida bancada na Câmara dos Deputados e isso é fundamental para se ter ministérios. Em termos de capitais, o PMDB ganhou no 1º turno no Rio de Janeiro, com Eduardo Paes, e em Boa Vista com Teresa. Disputa o 2º turno em Campo Grande, Natal e Florianópolis.




O PSDB ficou em 2º lugar com 692 municípios, a maioria deles nos estados das regiões Sudeste e Sul. O que confirma a vocação tucana para atuar nos grandes centros e nas cidades mais desenvolvidas. O desempenho do PSDB no Nordeste, por exemplo, é fraco em que pese estar, em Campina Grande, disputando o 2º turno com o deputado Romero Rodrigues.




Projetando isso para 2014 o PSDB tem um problema sério que é ter poucas prefeituras na região que concentra a maior quantidade de eleitores do Brasil. Na verdade, a grande batalha do PSDB é pela prefeitura de São Paulo pelo que isso representa em termos de disputa para a eleição presidencial. José Serra foi para o 2º turno com Fernando Haddad do PT. Se Serra for eleito ganha fôlego para ser o nome dos tucanos para disputar a presidência em 2014. Se perder, não vai faltar quem lhe diga que está na hora dele se aposentar de uma vez por todas.




Aliás, o senador Aécio Neves deve torcer pela vitória de Haddad tanto quanto o ex-presidente Lula. Se Serra ganhar, Aécio não sai candidato a presidente pelo PSDB. Mas, se Serra perder, Aécio torna-se o candidato do tucanato com as bênçãos de FHC. O PSDB só ganhou no 1º turno em Maceió. Disputa o 2º turno em Vitória, João Pessoa, Terezina, Belém, Rio Branco, Manaus e São Paulo. Ou seja, pode vir a ter 08 capitais. Mas, eu aposto como o tucanato paulista troca tudo isso por uma vitória de Serra.




O PT ficou em 3º lugar com 627 prefeituras. Não foi ruim, mas poderia ser melhor. Já se sabe que o PT teve seu desempenho afetado pelo julgamento dos mensaleiros no STF. Mas, com os mensaleiros petistas sendo condenados no atacado e com Joaquim Barbosa fazendo justiça a serviço de todos os nós, era de se esperar que o PT ganhasse bem menos prefeituras.



O fato é que em algumas cidades, como São Paulo, não houve, e eu duvido que aja, uma clara associação do PT sentado no banco dos réus com o PT disputado prefeituras. No 1º turno o PT só ganhou em Goiânia. Disputa o 2º turno em João Pessoa, Cuiabá, Salvador, Rio Branco, Fortaleza e São Paulo. Ou seja, pode vir a ter sete capitais. E eu aposto que o PT, fiel a seu projeto duradouro de poder, não troca nada por nada disso.






O PSD, do prefeito Kassab e do vice-governador Rômulo Gouveia, obteve 495 prefeituras. Estranho que um partido que teve que brigar no TSE para disputar as eleições tenha obtido quase 500 prefeituras. São as coisas dessa nossa democracia multipartidarizada.



O PP, do Ministro Aguinaldo Ribeiro, obteve 434 prefeituras. Para um partido que ocupa o Ministério das Cidades e com todo o apoio que teve do governo federal esse número teria que ter sido bem maior. Inclusive, existem rumores de que o Ministro Aguinaldo deve ser remanejado para outro posto menos importante do governo federal pelo desempenho fraco que seu partido obteve nas urnas.




O PSB, do governador Eduardo Campos de PE, ficou em 6º lugar com 434 cidades. Aparentemente é pouco. Mas, o PSB foi o partido que mais cresceu em termos de prefeituras. Sem contar que Eduardo Campos foi o grande vencedor do dia 07/10. Quem ele apoiou venceu. O mapa eleitoral de Pernambuco ficou favorável a Campos. O mapa nacional também, pois foi ele quem se empenhou diretamente na articulação de várias candidaturas pelas capitais. Claro, ele está cuidando de sua postulação para 2014.


O PSB ganhou no 1º turno em Belo Horizonte e Recife e disputa o 2º turno em Cuiabá, Fortaleza e Porto Velho. Ao contrário do PMDB, a maioria das cidades em que o PSB ganhou possui mais de 70 mil habitantes. Muitas somam mais de 100 mil habitantes.



Pensando em perspectivas futuras a disputa pelo poder central será entre o PT e o PSDB, com o PMDB se equilibrando entre um e outro, pendendo para quem tiver maiores chances de ganhar, claro. Mas, agora tem o PSB com um capital eleitoral nada desprezível Brasil afora.





sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A MINHA FILHA NÃO GOSTA DE POLÍTICA




Minha filha me perguntou o que eu daria a ela no dia das crianças. Como ela vive dizendo que é uma pré-adolescente, eu disse que não daria nada, pois o dia era das crianças. Eu disse que no dia do pré-adolescente lhe daria um presente. Ela argumentou que esse dia ainda não foi criado. Vi, então, que minha filha está deixando de ser criança. Percebi que o dia da criança existe para que lembremos que elas são eternas.



Minha filha diz que não gosta de política. Ela reclama que eu só falo de política e já me questionou porque é que a COLUNA POLITICANDO só fala dessa “coisa chata que é a política”. Eu já elaborei várias teses para explicar a minha filha (e algumas outras pessoas, candidatos inclusive) que a política é uma coisa só nossa, dos animais racionais, que a política existe para, junto com outras coisas, dar razão a nossa existência.



O mais engraçado é que minha filha diz não gostar de política, mas ela me enche de perguntas sobre a política eleitoral. Domingo passado ela fez questão de ir até a urna comigo, apesar de que eu impus a ela um voto de silêncio. É que a democracia pertence ao mundo das crianças. Já as ditaduras e os autoritarismos de toda sorte pertencem ao mundo dos adultos. Minha filha diz detestar política, mas ela pratica a exaustão o oxigênio da política que é a capacidade de argumentar.



Certa vez ela disse que “queria tirar a pilha do Jornal Nacional”. É que ela queria que eu não assistisse o jornal para brincar com ela e eu dizia que precisava assisti-lo para me informar.



Tal qual os políticos experientes, minha filha não perde a oportunidade de se sair com uma boa resposta. Um dia eu disse que “ia chamar a Supernanny para dar um jeito na teimosia dela”. Ela não se fez de rogada e disse que: “Quem está precisando da Supernannny é você e minha mãe que só hoje já brigaram duas vezes”.



Minha filha gosta, como alguns políticos, de dar respostas diretas. Quando eu perguntei o que ela iria fazer com minha máquina calculadora, ela respondeu de bate-pronto: “somações”. Outra vez ela justificou da seguinte maneira, quando eu perguntei por que a aula tinha acabado tão cedo: “é que estava goteirando na escola, papai”. Ao ver a mãe dela saindo de casa para uma festa, Clara assim a definiu: “mamãe é empiriquitosa”.



Em termos de questionamento, impagável foi o dia em que minha filha resolveu questionar o próprio Papai Noel. É que ela tinha enviado uma carta para ele pedindo uma bicicleta. Papai Noel, do alto de suas atribulações, se confundiu. Ao invés de trazer uma bicicleta, o bom velhinho trouxe uma boneca. Clara, escreveu mais uma carta reclamando, dizendo que: “Papai Noel, eu pedi uma bicicleta, mas você trouxe uma boneca”.  Mais um pouco e ela denunciava Papai Noel ao PROCON.




Certa vez, Clara perguntou a mãe dela o que é ser gay. Minha esposa disse, para simplificar, que gay é um homem que gosta de outro homem. Minha filha disse, concluindo: “Então papai é gay, porque ele gosta de meu irmão e ele é homem”.



Outro dia a mãe de Clara disse que iria sair para trabalhar e que só voltaria à noite. Clara até não reclamou, mas saiu-se com a seguinte pérola: “Mamãe eu queria que você fosse idosa para não precisar trabalhar e ganhar dinheiro sem sair de casa”.



Assim como os candidatos, Clara gosta de dar respostas malucas para perguntas que ela não sabe a resposta. Um dia lhe perguntei se ela sabia por que só estava aparecendo metade da lua e ela disse que tinha sido um cachorro que tinha comido a outra metade.



Clara não gosta de política, muito menos de políticos, mas sabe interpretar interesses que não ficam claros. Um dia ela me perguntou se eu ia para o aniversário da amiguinha dela. Eu disse que não, mas que queria que ela trouxesse muitos doces para mim. Clara foi direta na interpretação dela: “papai, você quer comer os doces do aniversário de minha amiga, mas não quer ir para a festa”. Bem vinda ao mundo real, minha filha, os adultos são assim mesmo.



Minha filha não é versada só em política. Ela entende de filosofia também. Alguns dias depois que a bisavó dela faleceu ela racionalizou a morte da seguinte maneira: “o ruim de morrer é que agente não pode ficar mais vivo”. Eu sou suspeitíssimo para falar. Mas, convenhamos, essa é a melhor definição que se tem para a morte. Minha filha definiu em um minuto o que a humanidade tenta fazer a pelo menos 15 séculos.



Um dia, querendo acabar com uma discussão de adultos insanos, minha filha disse que “quanto mais o pinto pia, mais a pia pinga”. Simples assim. Ainda bem que minha filha não gosta de política. Se ela gostasse, imaginem o moído que ia ser.




quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Campina só quer ser New York.






Seguindo a lógica do processo de colonização, Campina Grande surgiu, como a “Vila Nova da Rainha” para atender as necessidades da Coroa Portuguesa. O nosso “descobridor” foi Teodósio de Oliveira Ledo, mas eu preferia que tivesse sido outro. É que Teodósio era um raivoso serial killer. Ele matou tantos índios na grande Campina, que ocupava em nome de Portugal, que a própria coroa lhe enviou uma carta pedindo que tivesse moderação. 




Caso similar só o do Gal. George Custer que, na metade do século XIX, foi repreendido pelo governo dos EUA pela carnificina que promovia no oeste. O governo mandara Custer controlar os índios, mas, tal qual Teodósio, ele passou a exterminá-los.



Certa vez eu falava disso em sala de aula e um aluno afirmou que eu sou um campinense que não deu certo. Eu disse a ele que tenho lá meus sentimentos em relação à cidade onde nasci, me criei, constitui família, onde vivo, moro e trabalho.




E disse que isso não significa que eu tenha que fazer declarações de amor a minha cidade. Também, não pode servir de justificativa para que eu feche os olhos para os problemas e defeitos que temos. Pois a cidade é feita pelas pessoas que nela moram.




Claro, eu não gosto que alguém de fora fale mal de Campina. É que eu, como a maioria dos campinenses, acho que para falar mal de Campina tem que ter bebido das águas do Açude Velho e tem que ter ido, pelo menos uma vez, no Clube Ipiranga. Só fala mal de Campina quem, nas sextas-feiras, ia ao Clube dos Estudantes Universitários, o velho e bom “CEU”. Para criticar Campina, só quem saia do “CEU”, atravessava a rua e entrava no “CAVE”, do saudoso Carlinhos, e depois tirava a pé, com o dia amanhecendo, lá para o Catolé para ouvir o Bolero de Ravel no REFAVELA.









Eu deixo você esculhambar com Campina se depois do REFA, a pé também, ia lá para a Feira Central comer picado de bode com pão e tomar uma lapada de cana lá em D. Maria do picado. E se não tiver comido a tapioca de D. Maria é melhor nem abrir a boca. Para mandar ver em minha Campina tem que ter conhecido o Açude de BODOCONGÓ no tempo em que ele ainda era um açude e que fazia Jackson do Pandeiro feliz. Elba Ramalho pode falar mal de Campina, pois ela foi feliz lá no meu Bodocongó.




Certa vez, nos idos do final da década de 80 (que foi perdida para o Brasil e para Campina Grande) Gilberto Gil veio aqui lançar o Movimento Onda Azul, no tempo em que era mais fácil ver um marciano vermelho do que um ecologista. Numa entrevista, Gilberto Gil disse que “Campina Grande tem uma vontade danada de ser New York”. Muita gente não gostou. Alguns diziam: “quem ele pensa que é para vir aqui e falar mal de nossa cidade”.




Eu fiquei com raiva de Gilberto Gil. Lembro ter dito: “porque ele não vai falar mal de Salvador?”. Hoje, olhando em perspectiva, entendo bem o que Gil quis dizer. É que o campinense é um enxerido por natureza e exibido por definição.Se não fosse essa vontade de ser New York, de ser grande, onde estaríamos hoje? Imagine se nossa vontade fosse ser igual a uma cidade perdida lá do sul dos EUA? Campinense que é campinense não tem o complexo de vira-latas Nelson Rodriguiano.




Campinense da gema nasce aprendendo a lamber suas feridas e não esquece nossa vocação para o desenvolvimento e que exalamos política e cultura por todos os poros.  Não fosse nosso complexo de superioridade seríamos quase insignificantes.




Como teríamos conseguido ser a segunda maior exportadora de algodão do mundo se sofrêssemos de um irremediável complexo de inferioridade? Eu sei que temos que conviver com o fato de, pelo menos nisso, sermos vice-campeões. Mas, dá para concorrer com Liverpool, a cidade que ofereceu os Beatles ao mundo? Tudo bem, ficamos em 2º lugar no algodão, mas quem se desenvolveu mais do que nós graças um produto agrícola? Foi pura inventividade termos aproveitado os lucros auferidos pelo ouro branco.




Mas, vejam como são as coisas, um dos símbolos dessa época de apogeu foi um cabaré, mas não um cabaré qualquer. Foi no salão do Eldorado que desfilou nossa riqueza econômica e política que os tropeiros trouxeram para Campina. Foi isso que Luiz Gonzaga percebeu e cantou tão bem nos “Tropeiros da Borborema”. Aliás, o rei do baião nasceu em Exu (PE), mas bem que poderia ter nascido aqui. Assim teríamos mais uma coisa do que nos orgulhar.




Já pensou colocarmos um grandioso e luminoso portal à entrada principal da cidade que diria em letras garrafais: “você está chegando à terra do Rei do Baião”.  Mas, temos o Maior São João do Mundo, olha aí nosso complexo de superioridade à flor da pele. É como se olhássemos de cima para baixo para todo o Brasil e disséssemos: “somos os fiéis depositários da cultura popular tupiniquim”. Dai que a prefeitura municipal de Campina Grande bem que poderia se valer dessa vontade danada de ser New York.




Bem que poderia colocar um portal colossal à entrada de quem vem da capital anunciando não uma marca de cervejas qualquer, mas que se está chegando à cidade que faz a maior festa popular do mundo, quiçá da Via Láctea.




Quem tem complexo de superioridade não deve ter vergonha de nada. Se somos grandes, temos que nos orgulhar até dos nossos problemas urbanos, pois só os tem quem é grande. Agora que estamos no 2º turno eu decidi que vou votar naquele que prometer que vai transformar Campina Grande na New York do sul do Equador.






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