quinta-feira, 14 de março de 2013

Marina Silva – essa política atemporal.





Depois de entrevistar a presidente Dilma Rousseff no dia seguinte a vinda dela à Paraíba, a equipe de jornalismo da CAMPINA FM cravou mais um feito. Agora foi a entrevista, mais do que exclusiva, que a ex-senadora Marina Silva nos concedeu ontem. Falando de Brasília, a ex-candidata a presidente esteve do seu jeito habitual. Tranquila e cordial como sempre, Marina foi falando como se estivesse em uma conversa entre amigos, apesar de que, ela foi, também, enfática e direta quando julgou necessário.



Marina foi de uma gentileza a toda prova. Aceitou acordar-se bastante cedo para conceder a entrevista no Café com a Notícia daqui do Jornal Integração. Eu até cheguei a achar que ela estava com certo mau humor ou alguma impaciência. Mas, nada grave. Depois de apresenta-la, Arquimedes de Castro perguntou se ela sabia que, na eleição de 2010, tinha tido mais votos do que Dilma em Campina Grande. Pelo visto, Marina não sabia e parece ter ficado surpresa com a revelação. Mas, Marina é política e foi logo expressando sua gratidão, mesmo não resistindo em explorar a justificativa de que não ganhou porque sua candidatura era o Davi em relação às candidaturas Golias de Dilma e José Serra.


A segunda pergunta foi feita por Geovanne Santos que quis saber mais sobre o “Rede Sustentabilidade”. Ele perguntou que frutos estam sendo colhidos após o evento realizado em Brasília, há alguns dias atrás, e que criou o partido. Marina disse que o encontro foi maravilhoso e reuniu 1.700 pessoas de todo o país. Ela não tentou dourar a pílula e deixou claro que ainda não existe um partido formalizado. Que, na verdade, existe um movimento, em crescimento, mas um movimento. Marina tratou o “Rede Sustentabilidade” como uma ferramenta política para defender o desenvolvimento sustentável, considerando a realidade brasileira. Foi quando ela passou a falar como o que ela realmente é no momento – CANDIDATA.



Ela disse que é preciso desenvolver o Brasil com saúde, moradia, trabalho e, claro, proteger o meio ambiente. Foi aí que Marina lembrou que seu objetivo é recolher as tais 500 mil assinaturas para dar entrada, junto ao TSE , no pedido de registro de seu partido. Marina adentrou no tema da reforma política, o que demonstra que ela não é a candidata de um discurso só. Ela pôs o dedo na ferida e falou do financiamento de campanhas e da ideia de que cada parlamentar só possa cumprir no máximo dois mandatos.



Marina diz que quer inverter a ordem. Ao invés dos movimentos servirem aos partidos, eles é que se colocariam a favor das causas dos movimentos. Mas, então, fica a dúvida. O que realmente quer Marina com seu “Rede Sustentabilidade”? Criar um movimento político que dê lastro a um partido? Ou criar um partido para dar sustentabilidade formal e legal a um movimento? Apesar de que isto não é novidade no Brasil. O PT fazia, ou faz ainda, a mesma coisa em relação ao movimento dos Sem-Terra. Marina falou que seu movimento/partido defende novas ideias, como ética na política, desenvolvimento sustentável, transparência e visibilidade. Mas, que me desculpe Marina Silva, essas ideias não são novas, apenas nunca foram postas em prática no Brasil.



Eu insisti com a Marina Silva sobre que formato ela está dando ao “Rede Sustentabilidade”. Eu quis saber se, de fato, ela quer formar algo não partidário ou suprapartidário ou até mesmo com um caráter despolitizado. Marina Silva parece não ter gostada de minha pergunta. Depois de um suspiro, ela negou a pecha de despolitizado e disse que a defesa do meio ambiente é a bandeira política mais importante do século XX. Daí, Marina foi falar um pouco das conjunturas.



Mas, Marina disse algo que não contribui para esclarecer a questão. Para ela “mesmo que a Rede se torne um partido...”. Ou seja, ela própria parece ter lá as suas dúvidas se o movimento vai se tornar um partido. Daí, Marina foi falar como candidata da oposição. Ela cobrou que PT, PSDB e PMDB parem de mudar o código florestal no Congresso para, assim, ver se se acaba com o desmatamento na Amazônia. Aí, Marina falou do jeito que melhor sabe. É quando ela cobra dos partidos que façam aquilo que eles não querem.


 

Marina disse que isso é altamente politizado. Eu concordo com essa tentativa de fazer com que os políticos lutem pelo que é realmente importante para nós. Eu apenas lamento em vê-la tão isolada, sem aliados de peso à sua causa. O melhor momento da entrevista foi quando Marina disse que Dilma é a responsável pela indicação de Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos. Ela lembrou que isso se deu pelos acordos existentes entre os poderes.



Marina tem um jeito cativante de fazer política. Ela nunca bate em um adversário, prefere convidá-lo à reflexão. Marina Silva é uma política atemporal. Ela parece estar no tempo errado. Eu espero que no futuro tenhamos muitas Marinas pelo Brasil afora.




terça-feira, 12 de março de 2013

Você sabe como termina uma CPI?









A propósito da possível instalação da “CPI da Maranata” na Câmara Municipal de Campina Grande, lembrei uma frase de Ulysses Guimarães. Ele costuma dizer que “CPI é um negócio que sabemos como começa, mas não sabemos como termina”. É que não é possível ter controle sobre as informações que a investigação feita em uma CPI traz à tona. O fato é que, depois de aberta, uma CPI pode trazer para o público uma série de informações com consequências imprevisíveis.




É comum a oposição abrir uma CPI para tentar prejudicar a situação e com o desenrolar das investigações se descobrir políticos oposicionistas envolvidos nos atos criminosos que deram origem a tal CPI. Sendo que a recíproca é absolutamente verdadeira. Vejam que a CPI das Sanguessugas foi enterrada quando se tornou suprapartidária, ou seja, quando políticos de vários partidos, da oposição e da situação, começaram a aparecer nos depoimentos e nas provas documentais como beneficiários do esquema.




É comum as CPI’s trazerem à tona a relação promíscua entre governantes e empresários. Em geral, os escândalos acontecem quando empresas privadas subornam gestores públicos para obterem vantagens. Na Operação Navalha na Carne, de 2007, se descobriu que empresários ligados à Construtora Gautama pagavam propina a servidores públicos para que os resultados de licitações de obras fossem fraudados.




A CPI que os vereadores da situação que rem instalar na Câmara Municipal pretende investigar as relações entre a Prefeitura Municipal e a Maranata Prestadora de Serviços e Construções Ltda durante a gestão do prefeito Veneziano Vital. A ideia inicial é que se instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito para que se investigue de que maneira, e com que objetivos, eram realizados contratos entre a Prefeitura Municipal e a empresa Maranata.




Com base em balancetes da prefeitura, que alguns vereadores tiveram acesso, se pode saber que a Maranata obteve empenhos, ou seja dinheiro a receber, no valor de R$ 104 milhões e 995 mil. Desse montante a Maranata recebeu R$ 90 milhões e 663 mil. A vereadora Ivonete Ludgério, líder da bancada da situação, tem recolhido assinaturas de seus colegas, para instalar a CPI, motivada pela decisão do juiz da 2ª Vara do Trabalho, Marcelo Rodrigo Carniato.




A sentença determina o bloqueio e a penhora de todos os valores que a Maranata ainda tem a receber junto à Secretaria de Saúde de Campina Grande. É que a empresa deve, a cerca de 800 funcionários, salários atrasados e indenizações trabalhistas. A questão só veio à tona quando o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Prestadoras de Serviço de Campina Grande foi à justiça para que seus associados recebessem uma dívida de R$ 3 milhões. Mas, as suspeitas existem há muito tempo.




Já no início do primeiro mandato de Veneziano Vital foram celebrados contratos entre a prefeitura e a Maranata. Inclusive, a empresa esta envolvida no caso que provocou a cassação de Veneziano, em tribunal de 1º grau, decisão que foi reformada pelo TRE. O vereador Murilo Galdino afirmou que “os gastos com a Maranata são absurdos” e que através de informações vindas do Tribunal de Contas do Estado se percebe que os valores duplicaram nos anos eleitorais.







Galdino afirma que foram gastos R$ 20 milhões, com a Maranata, nos anos de 2010 e 2012 quando, coincidência ou não, tivemos eleições. Não se pode afirmar que a Maranata aplicou em campanhas eleitorais parte do dinheiro que recebeu da prefeitura. Mas, é preciso que se saiba como se movimentava somas tão altas. A sociedade precisa saber se de fato se instalou na prefeitura aquele velho esquema de usar dinheiro público para financiar campanhas eleitorais, tendo uma empresa privada como intermediária.




Existe a suspeita que a Maranata contratava pessoas indicadas por gestores municipais e que elas eram pagas pela prefeitura sem que houvesse concurso. O vereador Murilo disse que há suspeitas que as pessoas contratadas pela Maranata não trabalhavam. A ideia é que a CPI investigue os contratos feitos, quantas pessoas foram contratadas e quantas trabalhavam. Murilo Galdino disse que se deve ver se existem folhas de ponto, já que as pessoas eram contratadas como prestadores de serviço.




De acordo com o regimento da Câmara Municipal uma CPI se instala com um mínimo de oito assinaturas. Ivonete Ludgério afirma ter pelo menos 10 assinaturas. Hoje, a CPI pode ser instalada e os vereadores que a comporão podem ser escolhidos também. O vereador Pimentel Filho se disse disposto a assinar o pedido de CPI, mas desde que se tenha um indício de irregularidade que envolva o poder público. Pimentel é da bancada da oposição e não parece que ela esteja disposta a remexer nas contas da gestão passada. O fato é que a CPI deve ser instalada. Mas, neste momento, o que cada um dos 23 vereadores deve estar se perguntando é de que maneira esta CPI pode terminar, pois eles bem sabem que ela só está começando por questões político-partidárias.






segunda-feira, 11 de março de 2013

Três personagens obscuros.









Na semana passada tivemos um show de obscurantismos. Parece que nós não temos jeito, pois vez por outro uma mentalidade autoritária medievalizada vem à tona através de fatos protagonizados por personagens de nossa realidade política e social.





Na sexta-feira, tivemos a mãe de todos os paradoxos. Justamente no Dia Internacional da Mulher, Bruno Fernandes, o ex-goleiro do Flamengo, foi finalmente condenado pelo assassinato da mãe de seu filho, Elisa Samúdio. Coincidência ou não, há três anos Bruno Fernandes comentava ironicamente: “Quem nunca saiu na mão com a mulher? Não tem jeito: briga de marido e mulher, ninguém mete a colher". Ele se referia ao fato do ex-jogador Adriano ter espancado sua namorada. O fato é que Bruno Fernandes não via problema algum em se bater numa mulher, assim como não teve dificuldades em mandar matar a mãe do seu filho. Vejam que Bruno não confessou o que fez como, também, não demonstrou arrependimento.





Joaquim Benedito Barbosa Gomes é advogado, professor, jurista e magistrado. Ele é, também, o Presidente do Supremo Tribunal Federal. Na semana passada ele protagonizou um episódio que diz muito do que somos e como pensamos. Joaquim Barbosa saía de uma reunião do Conselho Nacional de Justiça, do qual também é presidente, quando os jornalistas se aproximaram e um deles foi logo perguntando: "Presidente, como o senhor está vendo...".





O paladino da justiça interrompeu e disse: "Não estou vendo nada, me deixa em paz. Vá chafurdar no lixo como você faz sempre".  O jornalista tentou entender o que estava acontecendo, mas o justiceiro-mor logo emendou: "Estou pedindo, me deixe em paz". Susto nacional. Ficamos estupefatos. Não era um cidadão qualquer, muito menos um ditador militarizado do passado que agia dessa forma. Tratava-se do atual chefe do poder judiciário brasileiro que ordenava que um repórter fosse chafurdar na lama.





Aquele que foi alçado ao posto de herói nacional, por ter levado a julgamento parte da elite política nacional envolvida no caso do mensalão, agiu como um inspetor de quarteirão. Mais parecia o ditador de uma republiqueta de bananas. Nosso “Dark Man” expôs claramente nossa mentalidade autoritária, pouco democrática. Ao mandar o repórter chafurdar no lixo, o homem que veste a toga preta estava querendo dizer que não aceita ser questionada, muito menos criticado.





Mas, em termos de obscurantismo, nada foi mais cristalino do que a indicação do pastor e deputado federal pelo estado de São Paulo, Marco Feliciano, para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Não por acaso, Feliciano é filiado ao Partido Social Cristão. A sua escolha revoltou ONG’s ligadas aos direitos humanos, entidades que lutam pelos direitos civis dos homossexuais e a todos aqueles que defendem os valores liberais e democráticos. As entidades protestaram com razão, pois Marco Feliciano é um histórico ativista em defesa de causas racistas, homofóbicas e contra a definição e afirmação dos direitos civis de todos os que ele considera uma ameaça a suas crenças.





Pelo Twitter, em 2011, Feliciano disse que os negros são “descendentes amaldiçoados de Noé”. Ele disse, ainda, que a “podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime e à rejeição”. Quando foi questionado, ele disse que “ama os homossexuais, mas abomina suas práticas promíscuas”. Já como deputado, Feliciano defendeu que cada cidadão só poderia se divorciar uma vez. Como se fosse divertido praticar o divórcio.







Em um vídeo que circula pela internet, Feliciano mostra do que é capaz. Ele conta que quando os fiéis dizem que não podem doar R$ 1.000 para o caixa de sua Igreja, ele pede, então, para que doem R$ 500, argumentando que eles não podem deixar de contribuir. Em outro momento do vídeo, ele diz: “Samuel de Souza doou o cartão, mas não doou a senha. Aí não vale. Depois vai pedir milagre para Deus, Deus não vai dar, e vai dizer que Deus é ruim”. Feliciano é autoexplicativo basta olhar para ele, que tudo se entende. A indicação de Marco Feliciano para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias foi um escárnio, um menosprezo, um total descaso dos deputados e partidos para com os interesses de boa parte da sociedade civil.





O que Bruno Fernandes, Joaquim Barbosa e Marco Feliciano têm em comum é o fato de pertencerem a mesma sociedade autoritária, preconceituosa, conservadora e pouco democrática, onde interesses obscuros se sobressaem em detrimento da sociedade civil. Mas, por favor, não se assustem e nem escondam suas crianças. Pois estes homens não vieram de Marte, eles são fruto do mesmo lugar que nós. Afinal, atire a primeira pedra, ou a primeira bíblia, quem nunca teve uma atitude obscura.




sexta-feira, 8 de março de 2013

Não te dou parabéns, te dou todo meu respeito.








                           

Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Hoje é aquele dia em que nos sentimos obrigados a parabenizar toda e qualquer mulher que venha a passar em nossa frente. É que com o passar do tempo essa data foi deixando de ser um dia de luta para ser um dia de festas. Vejam que cada vez mais o papel político do Dia Internacional da Mulher vai sendo substituído por um dia destinado a homenagear as mulheres, com aquelas mensagens que, em geral, servem para escamotear a realidade em que vivemos. Hoje, mulheres vão receber flores, declarações de amor e mensagens que as enaltecem como se pertencessem a uma raça superior. Em apenas um único dia a mulher será tratada como se não tivesse defeitos, como se não fosse um ser humano normal.





A diretoria de Recursos Humanos do Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande promove ato alusivo à data. No folder, que divulga o evento, não há nada que lembre o papel político do oito de março. Pelo contrário. No folder não se faz alusão ao fato do dia 08 de março ser consagrado às mulheres pelas lutas que elas travaram ao longo da história, mas por ela ser raiz da sensibilidade, tronco da multiplicidade, folha da serenidade, essência da natureza humana, etc, etc, etc. Essas características não são exclusivas do gênero feminino, elas fazem parte da essência humana, ou pelo menos de uma parte da raça humana.




O fato é que o 08/03 foi consagrado à mulher como um reconhecimento às lutas por ela empreendidas. Em 8 de março de 1857, operárias de New York ocuparam a fábrica têxtil onde trabalhavam para reivindicar redução na jornada de trabalho, equiparação de salários com os homens e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. As manifestantes foram violentamente reprimidas. Elas foram trancadas na fábrica, que foi incendiada. Cerca de 130 tecelãs morreram carbonizadas. Em 1910, numa conferência na Dinamarca, se convencionou que o 08/03 seria o "Dia Internacional da Mulher" em homenagem àquelas que, como as têxteis, lutavam por seus direitos. Em 1975, a ONU oficializou a data através de um decreto.





Assim, e pelo mundo afora ao longo do século XX, o 08/03 ficou sendo usado para que as mulheres se manifestassem e lutassem pelos seus direitos. O 08/03 passou a ser o símbolo da luta das mulheres contra a opressão, a violência, o preconceito, etc. É por isso que hoje não é um dia para se dar parabéns às mulheres. Também não deve ser um dia para você, caro ouvinte, fazer uma declaração de amor para sua esposa, namorada, companheira, ou seja lá como você a trate.





Hoje não é o dia ideal para você ofertar flores para sua amada. Também não indico que você dê uma caixa de bombons de chocolate para ela, pois corre o risco dela comer tudo e, depois, dizer que engordou por causa dos bombons que você deu a ela. Se o caro ouvinte aceita uma sugestão, não dê nada disso a sua amada. A melhor coisa a dar a ela hoje é RESPEITO. Diga a ela, com sinceridade, claro, que a respeita pelo que ela é, pelos valores e opiniões que ela têm.




Se você é daqueles que costuma violentar física e/ou emocionalmente a mulher que diz amar, aproveite o dia de hoje para refletir. Já que o 08/03 é uma homenagem às mulheres que se levantaram contra a opressão, use o dia de hoje para prometer a sua amada que nunca mais vai oprimi-la. Quando chegar o dia do aniversário dela, ou o dia dos namorados, ou ainda o aniversário de casamento de vocês, aí sim, você solta a imaginação. Declara-se para ela, mande flores, dê os parabéns, recite poemas, mande mensagens apaixonadas, etc.




 




Hoje, é um dia para as mulheres se manifestarem politicamente e para reafirmarem seus direitos, mesmo que estejam reavaliando se realmente valeu a pena lutar tanto para entrar no mercado de trabalho e ter os mesmo direitos e deveres dos homens. O movimento feminista não fez a luta completa. Deveria ter lutado para que a mulher fosse para o mundo do trabalho, com os mesmo direitos dos homens, e para que estes fossem obrigados a assumir das tarefas de casa. Nessa luta as mulheres saíram perdendo na medida em que passaram a ter a dupla jornada de trabalho e os homens seguiram tendo a jornada de sempre. Mas, nem tudo está perdido, pois muitos homens, como eu, são bons donos de casa.




Outra coisa que fugiu do roteiro foi o fato de que a mulher entrou pela porta dos fundos na política institucional. Vejam que as deputadas, vereadoras e prefeitas da Paraíba são, com raras exceções, meras extensões dos interesses de seus maridos, país ou irmãos. Mas, elas tiveram conquistas fabulosas, como a de não mais precisarem adotar o sobrenome do marido após o casamento. É que antigamente os senhores cravavam no gado e em suas esposas a marca que carregavam, como símbolo de poder.





O fato é que não adianta, hoje, parabenizar a mulher, apontando as qualidade dela, e passar o resto do ano desrespeitando-a em seus direitos. Eu mesmo, hoje, não vou dar parabéns para minha esposa e para minhas filhas. Eu vou, na verdade, reafirmar todo o respeito que tenho por elas.




quinta-feira, 7 de março de 2013

Comissão, você tem uma para chamar de sua?





 




Há alguns dias os vereadores de Campina Grande estavam em pé de guerra. Com os ânimos exaltados, eles não terminaram a primeira sessão ordinária da Câmara Municipal que foi suspensa depois de uma confusão em que quase todos se envolveram. Mas, porque (ou por quem?) se batiam nossos vereadores? A confusão girava em torno da resolução que propunha aumentar o número das comissões técnicas permanentes da Casa de Félix Araújo.




Na verdade, os enfrentamentos se deram não pelo aumento das comissões, isso todos concordavam, e sim em relação a escolha dos presidentes e demais membros de cada uma das comissões. O fato é que havia comissões de menos para vereadores demais. O problema é que cada um dos 23 vereadores queria presidir uma comissão para poder chamá-la de sua. Enfim, o que estava acontecendo no plenário e, principalmente, no Salão Azul da Câmara Municipal era a velha e boa briga pelos espaços de poder.




Claro, havia a disputa entre a situação e a oposição. Ambos os lados queriam controlar a maior quantidade de comissões, pois é assim que se garante, ou não, a governabilidade e o bom desempenho da administração pública. Como o prefeito Romero Rodrigues conseguiu garantir uma confortável maioria, não só nas urnas como num processo de convencimento que durou uns três meses, a situação goleou a oposição no placar das comissões.




Bruno Cunha Lima vai presidir a Comissão de Constituição e Justiça. Bruno é um vereador de primeiro mandato e já vai comandar a comissão mais importante da Casa. Claro, ele contou com a força do sobrenome que carrega e com o apoio do prefeito. Marinaldo Cardoso ficou com Finanças e Orçamento. Comissão das mais importantes, pois é nela que a Lei Orçamentária Anual é construído ou desmontado. Um prefeito que tem um aliado nesta comissão já entra no jogo com uns dois gols de vantagem.




Joia Germano vai presidir Obras e Habitação; Lula Cabral fica com Meio Ambiente e Recursos Hídricos; Sargento Regis se encarregará de Transporte e Mobilidade Urbana; e Hércules Lafitte atuará em Desenvolvimento, Indústria e Comércio. São comissões estratégicas que garantem, ou não, uma administração. Os governistas ficaram, ainda, com Direitos da Mulher, Idoso, Criança e Adolescente, presidida por Vaninho Aragão. Esta comissão encaminha políticas públicas em rol da sociedade. Por fim, a situação vai presidir as comissões de Segurança Pública e Defesa Social, com Alexandre do Sindicato, e de Ciência e Tecnologia com Saulo Noronha. Romero Rodrigues passou em seu primeiro grande teste na Câmara Municipal.



 




O prefeito conseguiu ter aliados presidindo 09 das 13 comissões. Sem contar, que as comissões mais importantes e estratégicas ficaram sob seu controle. Dessa forma se garante ampla maioria e bastante conforto para aprovar projetos na Câmara. A oposição teve que se contentar com a presidência de três comissões. Ivam Batista ficou com Educação, Esporte e Turismo; Rodrigo Ramos com Saúde e Bem Estar Social; e Galego do Leite com Agricultura e Pecuária.




Mas, é bom lembrar que Ivam Batista, por exemplo, já disse que não é nem de oposição e nem de situação. Ele pode vir a se aliar ao prefeito em alguns momentos pontuais. Coube a Napoleão Maracajá presidir a Comissão de Direitos Humanos, Consumidor e Servidor. Maracajá se diz independente. Assim como Ivam Batista, ele não quer ser nem de oposição e nem de situação. Na verdade, ele parece não saber que caminho seguir. Pois, representa ao mesmo tempo um partido e um sindicato. Ele é filiado ao PC do B, que é da base aliada de Romero Rodrigues, e preside o sindicato dos servidores municipais que vem se confrontando com o prefeito. A qual desses senhores Maracajá servirá não é possível se dizer agora.




A questão, é que é preciso ficar atento para o fato de que presidir uma comissão pode ser bom ou pode ser ruim. Ao se colocar a frente de uma comissão o vereador pode demonstrar sua capacidade através da especialização que o tema exigir. A frente de uma comissão, o vereador pode se mostrar um legislador eficiente, capaz de desenvolver bons projetos e boas leis. Ele pode ser o melhor representante da Câmara se conseguir viabilizar bons projetos e os anseios da sociedade através de sua comissão.




Mas, o vereador pode se desgastar se não souber conduzir os trabalhos de sua comissão. Basta ele não dominar os aspectos técnicos que lhes serão exigidos. Basta ele não entender as funções regimentais de sua comissão para por tudo a perder. As cartas foram postas na mesa, os jogadores ocuparam seus lugares e as regras do jogo foram mais ou menos definidas. Apesar de que neste jogo é muito comum os jogadores mudarem de lugar e sempre tem aquele com uma carta escondida na manga.






quarta-feira, 6 de março de 2013

Chávez se foi, o obscurantismo não.









No dia 02 de fevereiro de 1999, Hugo Chávez, um ex-oficial do Exército da Venezuela que há sete anos tinha liderado uma rebelião militar, tomava posse no cargo de presidente da República no Congresso Nacional da Venezuela. Do lado de fora do Congresso havia uma multidão de venezuelanos, quase todos de boinas e camisas vermelhas. Eles davam vivas a Chávez que os conquistou com um discurso reacionário, anti-político e autoritário. No discurso da posse, Chávez disse que: “Quando Deus criou o mundo deu à Venezuela alumínio, petróleo, gás, ouro, minerais, terras férteis, tudo. Mas, se deu conta de que era muito. Não vou dar vida fácil aos venezuelanos, disse Deus, e nos mandou os políticos”.




Depois em várias oportunidades, Chávez disse que Deus o tinha mandado porque tinha ficado com pena dos venezuelanos. Ele sempre disse que não se reconhecia como um político e que não gostava da política. Mas, Chávez era o próprio animal político. Ele tinha experiência, inteligência e sagacidade. Tinha grande intuição para o negócio da política, tanto é que depois que nela entrou nunca mais a deixou. Vejam que Chávez transformou sua doença, e sua própria morte, num grande ato político. A cerimônia da posse de Chávez, para seu primeiro mandato, foi assistida de perto por Fidel Castro que passou a ser uma espécie de guru político do líder venezuelano. Foi Fidel quem ensinou Chávez a se comportar e agir como um ditador.




No dia da posse, o presidente que deixava o cargo, Rafael Caldera, relutou em entregar a faixa presidencial. Alguns anos depois, ele confirmou que não queria passar o cargo para Chávez, pois tinha medo do que poderia vir a acontecer. No ato do juramento, Chávez ergueu a mão diante do presidente do Congresso e com o vozeirão de militar disse: “Juro perante Deus e a Pátria, juro perante meu povo, que sobre essa moribunda constituição darei impulso às transformações necessárias”




Chávez foi original. Prometeu acabar com a constituição, sob a qual jurava fidelidade. E assim foi, quando tempos depois ele criou a Lei Habilitante. Um instrumento que permitia que ele passasse por cima do Congresso e do Judiciário a seu bel prazer. Em outro discurso, Chávez convidou o povo para o funeral da constituição que ele dizia ter encontrado doente. Um dos primeiros trabalhos de Chávez foi acabar com dois partidos tradicionais da Venezuela, o “Ação Democrática” e o “COPEI”.




Foi no início de seu primeiro governo que Chávez lançou as bases para o bolivarianismo. Ele dizia que a Venezuela estava ferida no coração e a beira do sepulcro e que ele era o predestinado a salvar aquilo que, anos depois, chamou de paraíso bolivariano. Ele convidava o povo a segui-lo numa cruzada revolucionária que criaria um novo sistema político e econômico. A rebelião que ele mesmo liderou em 1992 passou a ser tratada como a data em que a independência havia começado.



 


Hugo Chávez não era um homem apenas de palavras. Ele era principalmente de ações e quanto mais espalhafatosas fossem melhor serviam a seus propósitos. No discurso da posse ele editou sua primeira grande medida. Ali mesmo, na tribuna do Congresso, ditou um decreto convocando à realização de um referendo consultivo que desse lastro a ideia de realizar uma Assembleia Constituinte para sepultar a Carta Magna. Ao mesmo tempo em que jurava respeito às instituições, Chávez afirmava seus pendores ditatoriais e prometia fechar o Congresso e rasgar a Constituição. Com a Lei Habilitante e com a força do Exército ele fez as duas coisas em momentos diferentes.




Ao fim de seu discurso de posse, Chávez desceu da tribuna e se dirigiu aos primeiros bancos onde estam senadores da República da Venezuela. Eles se levantaram para cumprimentar o novo presidente. Para surpresa de todos, Chávez passou reto. Não lhes dirigiu uma palavra, um olhar, um gesto qualquer. Pelo contrário, desviou deles de propósito para não ter que cumprimenta-los. O Congresso tinha, então, seus dias contatos. Chávez foi para fora e lançou-se sobre a multidão. Foi abraçado e beijado. Dali ele foi levado, literalmente, nos braços do povo até o Palácio de Miraflores. Lá, improvisou uma cerimônia em homenagem aos mortos na luta contra o imperialismo. Eu não sei que luta foi essa, desconfio que ela nunca existiu.





O furacão Chávez não se acalmava. Ele batizou os 40 anos que o antecederam na presidência de corruptocracia. Foi por isso que ele criou o sistema de assembleísmo, para impor suas vontades às instituições. Chávez dizia que se a natureza se opõe, lutaremos contra ela e a faremos com que nos obedeça. Chávez foi um ditador da era das comunicações. Ele ditava suas ordens sim, mas fazia de um jeito que todo mundo pensava que ele estava pedindo.







terça-feira, 5 de março de 2013

Como foi a visita de Dilma à Paraíba?











Se o caro ouvinte quer que eu defina em apenas uma única palavra o que foi a primeira visita da presidente Dilma Rousseff à Paraíba eu direi que ela foi pitoresca. Ou seja, ela chamou atenção pela originalidade. Dilma conseguiu proezas em sua rápida passagem pela Paraíba. Ela colocou num mesmo palanque adversários políticos como o governador Ricardo Coutinho e o prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo. Até aí nenhuma novidade.





Inusitada, foi a inversão momentânea dos papéis. Eu explico. No plano federal, o PSDB é o partido que lidera a oposição ao governo de Dilma Rousseff. Já o PMDB governa o país junto com o PT, solidificando a base aliada. Mas, e apenas no dia de ontem, os partidos trocaram de lugar. O PSDB parecia ser um fiel aliado de Dilma e o PMDB parecia não querer se envolver na visita presidencial. Não queria ou alguém impediu que o PMDB ocupasse seu lugar governista de sempre.





Vejam que o senador Vital Fº e outras importantes lideranças do PMDB paraibano, a exemplo de José Maranhão e Veneziano Vital, foram ausências sentidas. Vital Fº se sentiu isolado e desprestigiado por não ter sido o cicerone de Dilma na Paraíba. E ele externou todo o seu desconforto através da indiferença. Sua assessoria divulgou que ele foi cumprir agenda no Rio de Janeiro, com o governador Sérgio Cabral, e a mando da própria presidente Dilma.





A agenda da visita foi controlada pelo ministro Aguinaldo Ribeiro. As mágoas da eleição de 2012 foram expostas ontem. Aguinaldo desconvidou a família Vital para se vingar. Quem disse que os políticos não são movidos, também, pela passionalidade? Dilma foi muito bem recebida pela oposição. Romero Rodrigues, do PSDB, a tratou muito bem. Deu-lhe até uma réplica do monumento aos pioneiros. Romero não se fez de rogado e pediu uma audiência com Dilma, em Brasília, para elencar seus pedidos.





Quem aproveitou a ausência para afirmar que é oposição ao governo foi o senador Cássio Cunha Lima. Enquanto Dilma andava “prá-lá-e-prá-cá”, Cassio anunciava via Twitter que estava no Estreito de Magalhães, na Patagônia, e a caminho da Antártica. Ricardo Coutinho, do PSB de Eduardo Campos, se esforçou para ser simpático com Dilma, sendo que ela tratou o governador muito bem, mesmo sabendo que ele não votará nela em 2014, a não ser que Campos desista de ser candidato a presidente da República.





Aliás, um momento constrangedor da viagem foi quando o governador discursou ao ritmo de uma sonora vaia. Pior, foi que além de ser vaiado, Ricardo Coutinho teve que ouvir aplausos demorados ao ex-prefeito Luciano Agra, seu arquirrival. Ricardo Coutinho deve estar até agora se perguntando quem foi o espírito de porco que teve a ideia de chamar Luciano Agra, que nem cargo público ocupa, para subir ao palco. O fato é que levar Luciano para o palanque de Dilma tinha alvo certo. O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, citou Luciano Agra em seu discurso. Neste momento, ele teve que dar uma pausa, pois os aplausos em homenagem ao ex-prefeito abafavam o som vindo dos alto-falantes. Cartaxo aproveitou para dar mais uma estocada em Ricardo Coutinho e se dirigiu a Agra dizendo que “pelo que percebemos a sua popularidade continua em alta”. Mais aplausos para Agra e mais vaias para o governador.




 







Dilma fazia cara de paisagem para tudo isso, pois, lógico, ela não se envolveria nas querelas da política paraibana. Pelo contrário, ela deixou claro que naquele palanque todos são bem vindos, desde que a apoiem. Dilma fez questão de pontuar que o governo “não pode e nem tem justificativa para perseguir quem não é do mesmo partido".  O que ela estava querendo dizer era: “venham a mim, estou de braços abertos, pois sou candidata à reeleição”.





Querendo se colocar como multipartidária e/ou pluripartidária, Dilma disse que “Nós podemos brigar na eleição; podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição. Agora, quando a gente está no exercício do mandato, temos que nos respeitar”. Se me fosse dada à oportunidade eu solicitaria, com todo respeito, claro, que a Sra. Presidente da República, Dilma Rousseff, conceituasse o que ela entende por “fazer o diabo em uma eleição”.





Seria bom lembrar a nossa presidente que não é possível agradar ao diabo nas eleições e a Deus no governo pelo simples fato de que quem está na campanha eleitoral em busca da reeleição está, também, governando. O fato é que Dilma veio à Paraíba e inaugurou obras, distribuiu algumas benesses e muitos sorrisos, cumpriu os protocolos de sempre e, principalmente, lançou a pedra fundamental para seu palanque eleitoral em solo paraibano.







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Um dia qualquer numa sala de aula qualquer

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OS CANHÕES DE NAVARONE. (Inglaterra, 1961). Diretor: J. Lee Thompson