segunda-feira, 11 de março de 2013

Três personagens obscuros.









Na semana passada tivemos um show de obscurantismos. Parece que nós não temos jeito, pois vez por outro uma mentalidade autoritária medievalizada vem à tona através de fatos protagonizados por personagens de nossa realidade política e social.





Na sexta-feira, tivemos a mãe de todos os paradoxos. Justamente no Dia Internacional da Mulher, Bruno Fernandes, o ex-goleiro do Flamengo, foi finalmente condenado pelo assassinato da mãe de seu filho, Elisa Samúdio. Coincidência ou não, há três anos Bruno Fernandes comentava ironicamente: “Quem nunca saiu na mão com a mulher? Não tem jeito: briga de marido e mulher, ninguém mete a colher". Ele se referia ao fato do ex-jogador Adriano ter espancado sua namorada. O fato é que Bruno Fernandes não via problema algum em se bater numa mulher, assim como não teve dificuldades em mandar matar a mãe do seu filho. Vejam que Bruno não confessou o que fez como, também, não demonstrou arrependimento.





Joaquim Benedito Barbosa Gomes é advogado, professor, jurista e magistrado. Ele é, também, o Presidente do Supremo Tribunal Federal. Na semana passada ele protagonizou um episódio que diz muito do que somos e como pensamos. Joaquim Barbosa saía de uma reunião do Conselho Nacional de Justiça, do qual também é presidente, quando os jornalistas se aproximaram e um deles foi logo perguntando: "Presidente, como o senhor está vendo...".





O paladino da justiça interrompeu e disse: "Não estou vendo nada, me deixa em paz. Vá chafurdar no lixo como você faz sempre".  O jornalista tentou entender o que estava acontecendo, mas o justiceiro-mor logo emendou: "Estou pedindo, me deixe em paz". Susto nacional. Ficamos estupefatos. Não era um cidadão qualquer, muito menos um ditador militarizado do passado que agia dessa forma. Tratava-se do atual chefe do poder judiciário brasileiro que ordenava que um repórter fosse chafurdar na lama.





Aquele que foi alçado ao posto de herói nacional, por ter levado a julgamento parte da elite política nacional envolvida no caso do mensalão, agiu como um inspetor de quarteirão. Mais parecia o ditador de uma republiqueta de bananas. Nosso “Dark Man” expôs claramente nossa mentalidade autoritária, pouco democrática. Ao mandar o repórter chafurdar no lixo, o homem que veste a toga preta estava querendo dizer que não aceita ser questionada, muito menos criticado.





Mas, em termos de obscurantismo, nada foi mais cristalino do que a indicação do pastor e deputado federal pelo estado de São Paulo, Marco Feliciano, para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Não por acaso, Feliciano é filiado ao Partido Social Cristão. A sua escolha revoltou ONG’s ligadas aos direitos humanos, entidades que lutam pelos direitos civis dos homossexuais e a todos aqueles que defendem os valores liberais e democráticos. As entidades protestaram com razão, pois Marco Feliciano é um histórico ativista em defesa de causas racistas, homofóbicas e contra a definição e afirmação dos direitos civis de todos os que ele considera uma ameaça a suas crenças.





Pelo Twitter, em 2011, Feliciano disse que os negros são “descendentes amaldiçoados de Noé”. Ele disse, ainda, que a “podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime e à rejeição”. Quando foi questionado, ele disse que “ama os homossexuais, mas abomina suas práticas promíscuas”. Já como deputado, Feliciano defendeu que cada cidadão só poderia se divorciar uma vez. Como se fosse divertido praticar o divórcio.







Em um vídeo que circula pela internet, Feliciano mostra do que é capaz. Ele conta que quando os fiéis dizem que não podem doar R$ 1.000 para o caixa de sua Igreja, ele pede, então, para que doem R$ 500, argumentando que eles não podem deixar de contribuir. Em outro momento do vídeo, ele diz: “Samuel de Souza doou o cartão, mas não doou a senha. Aí não vale. Depois vai pedir milagre para Deus, Deus não vai dar, e vai dizer que Deus é ruim”. Feliciano é autoexplicativo basta olhar para ele, que tudo se entende. A indicação de Marco Feliciano para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias foi um escárnio, um menosprezo, um total descaso dos deputados e partidos para com os interesses de boa parte da sociedade civil.





O que Bruno Fernandes, Joaquim Barbosa e Marco Feliciano têm em comum é o fato de pertencerem a mesma sociedade autoritária, preconceituosa, conservadora e pouco democrática, onde interesses obscuros se sobressaem em detrimento da sociedade civil. Mas, por favor, não se assustem e nem escondam suas crianças. Pois estes homens não vieram de Marte, eles são fruto do mesmo lugar que nós. Afinal, atire a primeira pedra, ou a primeira bíblia, quem nunca teve uma atitude obscura.




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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).