quarta-feira, 21 de maio de 2014

QUEM TEM MEDO DO LOBO MAU ELEITORAL?


Um fato marcante da eleição de 2002, quando Lula foi eleito para o seu primeiro mandato, foi o programa eleitoral do PSDB onde a atriz Regina Duarte aparecia pedindo votos para José Serra e dizendo que estava com medo de Lula ser eleito. A Viúva Porcina de Roque Santeiro dizia que tinha medo do Brasil perder a estabilidade conquista nos anos de governo de FHC. Ela afirmava que “não se pode jogar o que foi feito na lata do lixo” e que tinha muito medo da “volta da inflação desenfreada”. Foi uma celeuma. Artistas, tão famosos quanto Regina Duarte, fizeram pesadas criticas a ela. Lula e o PT pediram direito de resposta e entraram com representações, junto ao TSE, pedindo para que os programas do PSDB fossem retirados do ar.

Na representação, o PT alegava que o depoimento criava artificialmente, junto à opinião pública, estados mentais de medo e terror contra a candidatura de Lula. O pedido foi negado, Regina Duarte continuou com medo e Lula foi eleito. Eu não via problema algum no programa do PSDB a não ser a pieguice de Regina Duarte fazendo cara da esposa, da classe média carioca, que acabou de pegar o marido beijando a vizinha na novela das nove. Eu até acho que o melodrama de Regina Duarte teve um efeito contrário e tirou votos de José Serra. É que os marqueteiros tucanos contrariam a regra informal das campanhas eleitorais que diz que não se deve misturar eleição com novelas.

É que o brasileiro não admite que aquilo que mais leva a sério, eu falo das novelas, seja confundido com eleições. Vejam que candidato algum ousa fazer paródias com os personagens da novela. Mas, afinal, porque estou falando disso? É que foi ao ar na semana passado uma propaganda partidária do PT. Qual foi a minha surpresa quando vi o PT dando uma “tucanada” daquelas ao reeditar o discurso do medo. É isso mesmo, o PT quer que sintamos medo da oposição ganhar a eleição. A mensagem era de que é preciso ter medo de uma volta ao passado. A propaganda enfatizava a ideia de que os brasileiros devem temer a perda dos avanços conquistados nos últimos anos. É incrível, mas os marqueteiros querem ditar até nossos sentimentos.

Os petistas disseram, ainda, que se deveria temer um retrocesso nas investigações de casos de corrupção. Ou seja, eles fizeram a mesma coisa que o PSDB fez com Regina Duarte. Essa é a estratégia da chantagem politico-emocional. A ideia é apelar para as emoções e para a volta de uma situação que ninguém mais quer. Ao dizer que se está com medo ou que se deve ter medo, se invoca nosso lado emocional, sentimental, que não gosta de se sentir fragilizado. Na verdade, o comercial exibido mostra os medos do próprio PT, pois Aécio Neves vem subindo nas pesquisas e Dilma andou caindo. Na propaganda temos dois mundos distintos. Num vemos brasileiros empregados, com acesso a remédios, estudo e lazer.

 

Noutro, vemos pessoas desempregadas, passando fome e pedindo esmolas. O narrador diz que é preciso ter medo do retorno dos "fantasmas do passado". Ou seja, o PT oferece a mesma coisa do PSDB em 2002. Ou o eleitor vota neles ou vai direto para a miséria. O que o PT fez semana passada é a mesma coisa que o PSDB fez em 2002. A diferença é que os marqueteiros de Dilma Rousseff tiveram o bom senso de não colocar uma atriz global chorosa na esperança de fazerem lágrimas brotarem de nossos olhos. Aliás, foi à tese da esperança que reverteu os efeitos da propagando tucana de 2002. Em resposta as lamúrias de Regina Duarte, o PT veio com o discurso de que a esperança venceria o medo. Deu certo, pois Regina Duarte sumiu do guia eleitoral do PSDB.

A questão agora é esperar para ver se os tucanos vão dar uma “lulada” e responder às chantagens petistas com o discurso que é preciso ter esperança, ter fé, ter garra, enfim, será que eles vão oferecer o mesmo discurso autoajuda do PT de 2002? Foi a sempre lúcida Marina Silva quem meteu o dedo na ferida. Ela disse que a propaganda do PT causou um “desserviço" a nação. A ex-senadora disse que num país onde as pessoas vivem tensionadas pela violência não se deve apelar para o medo. Mas, Marina falou como candidata. Por isso, ela afirmou que as conquistas sociais não podem ser "fulanizadas", pois pertencem ao povo. Ela disse que a estabilidade econômica, de FHC, e a inclusão social, de Lula, são conquistas do povo brasileiro.

Essa é uma estratégia bem mais inteligente, pois não nega os feitos de outros governos, mas lhes retira a patente quando diz que eles pertencem ao povo. A questão é que ao se admitir os bons feitos do adversário, se admite, também, que se pode nele votar. O fato é que esses marqueteiros não tem jeito mesmo. Eles não aprendem! Vez por outra apelam para as surradas estratégias “sentimentaloides” como se nós, eleitores, não soubéssemos diferenciar uma novela de um guia eleitoral. Na verdade, a estratégia da chantagem politico-emocional revela o descaso dos políticos em relação ao verdadeiro sentido de uma campanha política. O que eles não entendem é que cada lágrima derramada no guia eleitoral diminui um voto na urna eletrônica.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

terça-feira, 20 de maio de 2014

PARTIDOS PIGMEUS NA POLÍTICA BRASILEIRA


Existe no Brasil a fantástica soma de 32 partidos políticos em condição de participar do sistema representativo e eleitoral. É difícil precisar, mas o TSE calcula algo em torno de 30 agremiações que trabalham para se tornarem partidos políticos. Se metade dessas organizações conseguirem, nos próximos três anos, se registrarem junto ao TSE teremos, nas eleições de 2018, algo em torno de 40 partidos funcionando. Não esquecendo que o TSE só registra um partido se ele cumprir as exigências legais. Para se tornar partido político é preciso ter, pelo menos, 1o1 eleitores, com domicílio eleitoral em, no mínimo, um terço dos Estados da federação. O partido deve ter um programa, um estatuto e seus dirigentes nacionais têm que ser eleitos em congresso.

É preciso, ainda, ter as listas de apoiamento mínimo. Os partidos tem que reunir quase 492 mil assinaturas. Mas, nada disso parece ser difícil ou algo intransponível. Do contrário, não teríamos um sistema multipartidário inchado de siglas. Não parece ser difícil preencher essas listas que o digam PSD, PPL, PEN, PROS e Solidariedade. Só mesmo o “REDE Sustentabilidade” é que enfrentou dificuldades. Mas, isso pode ser explicado pela Justiça Eleitoral e, talvez, pelo ex-presidente Lula. O que faz um partido grande não é a quantidade de seus filiados. O que faz uma sigla ser de primeira grandeza é o número de parlamentares e de cargos eletivos que ela ocupa no poder executivo. Grandes de verdade, no Brasil, são PMDB, PT, PSDB, PSB, PTB, PP.

Um partido é nanico quando ele não consegue ter mais do que 10 parlamentares no Congresso Nacional. Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, tem muitos partidos que são pequenos, gostam de sê-lo e pouco ou nada fazem para mudar esse status. Os partidos mínimos servem aos propósitos dos grandes líderes, mesmo que contribuam pouco para eleger um governante. A exceção foi Fernando Collor, que se tornou presidente pelo obscuro PRN. Mas, isso é um caso de polícia, não de política. O partido pigmeu existe para maximizar objetivos menores de pequenos grupos. Ele nunca irá crescer para que não tenha que atender a interesses difusos de muitas pessoas. A sigla nanica funciona como uma espécie de pequena empresa familiar.

 

Um grupo toma conta da sigla diminuta para garantir cargos menores para seus membros, geralmente no 2º e 3º escalões. A ideia é se fazer presente na seara política para interferir nos negócios, que dela se originam, ganhando suas devidas porcentagens. A grande dificuldade dos pigmeus da política brasileira é garantir seus pequenos espaços no parlamento, pois o partido que não tiver sequer uma cadeira na Câmara Federal não acessa o fundo político partidário, i.e., não recebe verbas públicas. Sem representação no parlamento, o partido nanico não ganha tempo na propaganda eleitoral. Sem aqueles preciosos segundos no rádio e na TV ele fica sem poder de barganha para participar das articulações que criam as coligações partidárias.

A eleição termina sendo mais difícil para os partidos pequenos do que para os grandes. É que um Golias como o PMDB busca cadeiras parlamentares no atacado – sai mais barato. Já os Davis trabalham no varejo, o preço da fatura termina ficando muito alto. É por isso que os nanicos se unem para tentar eleger o maior numero de deputados. É por isso que inventaram aquele negócio de bloco, bloquinho, blocão para atuarem no parlamento. Literalmente, é a história de que a união faz a força. Esses Davis partidários lançam chapas majoritárias ao governo do Estado e ao Senado Federal para fortalecer suas campanhas proporcionais e aumentar o poder de troca quando a campanha for afunilada para o 2º turno.

Na estratégia dos pequeninos os partidos fortões não entram, pois eles amealham os poucos votos dos nanicos e os diluem em suas vigorosas coligações. Aqui na Paraíba, o PT do B e o PSL, por exemplo, uniram suas poucas forças em busca de melhores dias. O deputado estadual Tião Gomes do PSL explicou que eles vão disputar a eleição com cerca de 40 candidatos, cada um com chances de obter algo em torno de 10 a 15 mil votos. Dessa forma, eles têm chances de eleger até três deputados estaduais. Uma coligação que elege três deputados assegura seu assento na composição do futuro governo, ou seja, garante aqueles cargos no 2º e 3º escalões que fazem a festa dos partidos de baixa estatura.

Os nanicos não gostam do puxador de votos. Eles não são tolos de trabalhar para eleger um único deputado com capital eleitoral próprio. Eles preferem os candidatos com pequenas votações para soma-las e privilegiarem os interesses da coligação. O presidente do PTC, Neto Franca, afirma que seu partido deve formar uma coligação com PTN, PMN e PSDC. Ele acusa o problema de se votar em um candidato para terminar elegendo outro, devido ao complexo cálculo do coeficiente eleitoral. O que a “nanicada” quer mesmo é a reforma que vai permitir que sejam eleitos os que tiveram mais votos. Esses partidos baixinhos, mas de vida fácil, deveriam lutar para crescerem. Mas isso é muito difícil, sem contar que pode até atrapalhar os negócios.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

QUANDO AS PLACAS TECTÔNICAS DA POLÍTICA SE REAGRUPAM


Placas tectônicas são blocos que compõem a camada sólida externa do planeta terra para sustentar continentes e oceanos. Elas se empurram, se afastam e se aproximam modificando constantemente os contornos do relevo da Terra. Quando as placas se mexem causam problemas, são os abalos sísmicos, os terremotos e maremotos. Tectônico é de origem grega e significa "a arte de construir". Na verdade, os terremotos podem ser a rearrumação ou o reagrupamento das placas tectônicas. Para se fazer uma grande rearrumação é preciso se partir de uma grande desordem. Quando as placas se movimentam, causam aquele tumulto inicial, mas depois vem a natural acomodação. Assim, é na política partidária.


As placas, ou melhor, atores e partidos políticos, estam em constante movimento. Os caciques políticos se empurram, se afastam e se aproximam buscando mais espaços, i.e., elas se movem em busca de mais e mais poder. Ao se mexerem podem causar abalos sísmicos e devastadoras catástrofes. Mas, às vezes, a movimentação tectônica dos políticos não passa de uma marolinha que até pode fazer algum barulho, mas não rearruma ou reagrupa quem quer que seja. A política partidária na pequena e heroica Paraíba é assim. Às vezes temos terremotos devastadores como foi o nebuloso caso do Clube Campestre quando Ronaldo Cunha Lima e José Maranhão resolveram que era hora de seguirem caminhos diversos.


Mas, às vezes ficamos com a impressão que tivemos muito barulho por nada. Agora mesmo vemos os principais chefes da Paraíba numa intensa movimentação política. Eles se agitam visando às composições para as eleições de outubro de 2014. Na verdade, estam construindo os cenários pós-eleição. É que os grupos políticos, tal qual placas tectônicas, precisam vez por outra se movimentar e se reacomodar a partir dos estímulos que vão recebendo das conjunturas políticas. A aproximação entre o PSDB de Cássio Cunha Lima e o PSB de Ricardo Coutinho, em 2010, não deve ser considerada um maremoto politico. Aquilo não passou de uma marolinha, pois eles se aliaram tendo claro que se desaliariam muito em breve.


Os acontecimentos que redundaram no fim da aliança entre Ricardo e Cássio eram previstos, apesar de que a secessão foi precipitada. Seus principais artífices não souberam conduzi-la de forma a maximizar ganhos e minimizar perdas. Cássio Cunha Lima entendeu que tinha que acabar a aliança para poder ser candidato ao governo do Estado. Sua estratégia foi bem articulada. Quando ele deu o xeque-mate, Ricardo não teve mais como defender sua rainha. Mas, para encurralar a rainha de Ricardo, Cássio teve que entregar muitos peões e até seus bispos e torres. Vejam que ele perdeu aliados históricos como o vice-governador Rômulo Gouveia e os deputados Adriano Galdino e Manoel Ludgério.

 

Mas, se tem alguém que perdeu com o fim da aliança, foi Ricardo Coutinho. Basta lembrar que ele só se elegeu governador com os votos campinenses que Cássio lhe transferiu. Sem o apoio de Cássio, as coisas ficam difíceis, em que pese não impossíveis. Ricardo já sabe a extensão dos danos causados pelo abalo sísmico que os tucanos fizeram ao deixarem seu governo. É por isso que corre atrás de forças políticas ainda à venda no mercado eleitoral. Wilson Santiago e Wellington Roberto que o digam. O senador Cássio trabalha para recompor seu exército de forma a ir para a eleição de outubro com reais chances de bater o governo e sua poderosa máquina administrativa. No entanto, a política na Paraíba não vai acabar junto com as eleições de outubro.

O que temos, hoje, são articulações para a composição das coligações ao governo do Estado e ao Senado Federal. Mas, os políticos nunca agem como se a próxima eleição fosse a última. Eles estam, sim, pensando no futuro. As composições de hoje serão os grupos políticos de amanhã. Cássio e Ricardo não se separaram por causa do passado, mas devido ao futuro. Duas lideranças desse porte não podem mesmo ocupar o mesmo espaço político. O PMDB será o centro dessa rearrumação política, pois ele vai emprestar lideranças para a renovação dos grupos políticos após outubro. A família Vital do Rêgo buscará uma nova sigla partidária, a não ser que consiga se apoderar de todo o PMDB.


José Maranhão segue enfrentando seu ocaso, mas ainda influirá, pois tem gordura política e eleitoral para queimar por um bom tempo. A família Ribeiro deverá se realiar ao grupo Cunha Lima tentando sempre resguardar alguma autonomia. Cássio permanecerá onde está, independente de ganhar ou perder a eleição, até porque ele é o polo de maior atratividade. Ricardo seguirá forte, mas só se for reeleito governador, do contrário verá sua placa tectônica se partir em mil pedaços. Em 2015, reis e rainhas da política paraibana serão os mesmos, mas veremos que eles se farão acompanhar de novos bispos, novas torres e novos peões. A partir de 2015 veremos adversários se tornando aliados, até que o próximo abalo sísmico rearrume mais uma vez as placas tectônicas da política paraibana.


Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com
AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

O PARTIDO DAS FARDAS VERDES VAI ÀS URNAS.


Desde que aderimos ao sistema republicano, ainda no final do século XIX, que os militares brasileiros participam ativamente das coisas da política. Aliás, a própria República foi instituída por um golpe de força militarizado. Em 1922 os tenentes do Exército Brasileiro se lançaram num movimento que definiu o modus operandis autoritário dos militares intervirem na política. Entre as décadas de 30 e 60 do século XX os brasileiros se acostumaram a vê-los disputarem eleições. Os generais Eurico Gaspar Dutra, Eduardo Gomes, Henrique Teixeira Lott e Juarez Távora foram todos candidatos a presidente da República, mesmo que apenas Dutra tenha sido eleito em 1945.

Fiéis a essa tradição, um grupo de militares criou, em 2013, o Partido Militar Brasileiro que já teria filiado 490 mil eleitores. Faltariam 80 mil filiados para que o PMB pudesse requerer, junto ao TSE, o registro para atuar como partido político. Por enquanto, e a exemplo do que acontece com os membros da REDE de Marina Silva abrigados no PSB, políticos e militantes do PMB estam acoitados no PRTB, uma espécie de sigla franqueada, para poderem disputar as eleições 2014. O PMB não tem a estrutura oficial para ser aceito no sistema político, mas já tem candidato a presidente. Trata-se do General Augusto Heleno Ribeiro, de 66 anos, que foi comandante militar da Amazônia e da Missão para Estabilização do Haiti.

Não se sabe se ele pode ser candidato. Para isso, teria que ter se filiado a algum partido até outubro de 2013. General Heleno não afirma, mas também não nega, se cumpriu as exigências eleitorais. Mas, e se ele tiver se filiado, discretamente, ao PRTB? O General Heleno é o típico militar politico, apesar de que as análises políticas mais conservadoras ou superficiais não conseguem detectá-lo. Ele não aparece nas pesquisas eleitorais, até porque não dispõem de uma estrutura partidária oficial que lhe dê lastro. Heleno é um desses fenômenos da internet. Ele possui um blog, além de perfis no Facebook e no Twitter, por onde se manifesta sobre tudo e, claro, sobre política. Inclusive, existe um movimento virtual intitulado “General Heleno Presidente”.

Segundo o Capitão do Exército Augusto Rosa, ativo aliado de Heleno, este movimento conta com quase 6 milhões de apoios manifestados virtualmente. Apesar de que, o que conta mesmo são as fichas de filiação devidamente assinadas. O General Heleno é, hoje, a liderança política entre os militares brasileiros. Ele se tornou uma espécie de porta-voz das associações de militares da reserva existentes em todo o Brasil. Como se sabe, elas refletem em cores vivas o pensamento da caserna. O General Heleno faz comentários que agradam os setores mais conservadores. Certa vez ele afirmou que a política indigenista do governo Lula era “lamentável, para não dizer caótica”. Por causa disso, foi exonerado do comando militar da Amazônia.

Em outro momento ele ironizou o que chamou de “passado ilibado de Renan Calheiros” e chamou o MERCOSUL de um “mero tratado bolivariano”. Ele não perde tempo em criticar a política econômica do ministro Guido Mantega. Mas, a melhor dele foi quando definiu José Dirceu como “o maior colecionador de rabos presos da República”. Heleno se auto define como parte de um “movimento anti-PT”. Enquanto estava na ativa, ele evitava comentários sobre o golpe militar de 1964. Mas, ao ir para a reserva, ele passou a saudar o movimento ou a revolução de 64. Mesmo se dizendo a favor dos valores democráticos, ele sempre se refere ao ciclo dos governos militares como o melhor momento que já tivemos na política.


Heleno e o PMB atraem interesses difusos e atenções díspares. O deputado Jair Bolsonaro (PP) trabalha ativamente na organização do PMB no Rio de Janeiro. Mas, nem deveria, pois o que ele quer mesmo é implantar uma ditadura sem partidos. O Cel. Marcos Pontes, o astronauta brasileiro, atua na organização do PMB em São Paulo e já disse que fará parte de seu diretório assim que ele for criado. O deputado Protógenes Queiroz (PC do B), aquele mesmo da Operação Satiagraha, assinou uma ficha de apoio ao PMB e defende seu registro junto ao TSE. O fato é que a ideologia conservadora do PMB atrai muita gente. Quem é contra as cotas raciais, ao casamento entre homossexuais e ao aborto vai encontrar no PMB e no General Heleno entusiasmados defensores dessas bandeiras conservadoras.

Para o PMB as investigações conduzidas pelas Comissões da Verdade, em torno dos crimes cometidos no Regime Militar, não passam de puro revanchismo. Claro, o General Heleno já se manifestou contrário à revisão da Lei da Anistia. O fato é que os militares têm, sim, direito a terem e manifestarem suas opiniões, não importa quais, afinal vivemos em uma democracia, frágil, mas uma democracia. A questão é: os militares pertencem a um poder coercitivo. O argumento deles é a força. Poderiam eles se envolver nos assuntos dos poderes constituídos que usam o voto para alicerçar seus argumentos? Quando aqueles que seguram o fuzil passam a querer segurar, também, a urna eleitoral é sinal que a democracia está cedendo espaço para outro tipo de sistema político.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

BRASIL: ENTRE A DEMOCRACIA E A DITADURA.

Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim. (Millôr Fernandes)

Antes de iniciar esta COLUNA POLITICANDO quero fazer uma pergunta ao caro ouvinte. Por favor, responda rápido. Suponha que nós fôssemos mudar nosso sistema política e nossa forma de governo após as eleições de outubro. Se você pudesse escolher que tipo de governo nós iríamos adotar, com qual dessas formas ficaria: com uma democracia? Com uma ditadura? Ou você não se importa, pois os políticos são todos iguais e os sistemas são corrompidos. (....) Pensou? Respondeu?

Na verdade, foi o Instituto Datafolha que fez essas perguntas, entre os dias 19 e 20 de fevereiro, para 2.614 entrevistados em 161 municípios brasileiros. A margem de erro foi de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e a pesquisa foi estimulada. O resultado da aferição propõe uma reflexão. 62% dos entrevistados disseram que a “democracia é sempre melhor que qualquer outra forma de governo”. I.e., não importa que outra forma de governo se ofereça, esses brasileiros vão preferir a democracia. 16% dos brasileiros afirmaram que “tanto faz se é uma democracia ou uma ditadura”. Essas pessoas não sabem a diferença entre ditadura e democracia, por isso não se preocupam em escolher entre uma das duas formas de governo. 14% dos brasileiros afirmaram que “em certas circunstâncias, é melhor uma ditadura”. Mesmo que as circunstâncias não tenham sido especificadas, essas pessoas acham que deveríamos ter uma ditadura, dentro de certas condições de temperatura e pressão.


Não deixa de ser interessante ver que, nos 50 anos do golpe civil-militar de 1964, 62% dos brasileiros não querem mais viver em um sistema de força ou governados por uma ditadura. É alvissareiro saber que 62% dos brasileiros preferem a democracia. Por outro lado, eu nem deveria estar falando nisso, pois o lógico é que 100% dos brasileiros não mais considerassem viver em outro sistema que não o democrático. O fato de ainda termos brasileiros aventando viver numa ditadura quer dizer algo. Evoluímos, a passos de formiga e sem vontade, mas foi uma evolução. Em 1989, quando houve a 1ª eleição presidencial após o fim da ditadura militar, apenas 43% dos brasileiros diziam preferir a democracia, segundo o Datafolha daquele momento.

Em setembro de 1989, 40% dos brasileiros preferiam voltar à ditadura militar. Quase a metade da população dizia que trocava a frágil democracia, presidida por José Sarney, por um governo de força desde que ele promovesse desenvolvimento econômico. Quando do impeachment de Fernando Collor, 47% preferiam ficar na democracia, mesmo que enlameada pelos golpes sujos da Família Collor e de PC Farias. No entanto, 46% diziam que exatamente por isso preferiam voltar a viver numa ditadura. No início do primeiro governo de FHC, em 1994, as coisas mudaram. Devido à estabilidade econômica, promovida pelo Plano Real, 54% dos brasileiros se assumiam como democratas e apenas 28% ainda insistiam que uma ditadura poderia ser melhor.

Quando Lula subiu ao poder, em março de 2003, éramos 59% dizendo preferir viver numa democracia contra 29% de brasileiros saudosistas de um tempo em que as liberdade democráticas serviam para absolutamente nada. Enfim, fomos engatinhando lentamente até chegarmos a esse patamar de 62% de apoio a democracia. Se continuarmos nessa preguiçosa progressão deveremos alcançar o patamar do povo chileno, algo em torno de 82%, lá por volta de 2040. Mas, para que a pressa? Afinal, somos o país do futuro. Para que nos preocuparmos se vamos ter a Copa das Copas, se vamos ter as Olimpíadas das Olimpíadas? A questão é, como diriam os americanos, what’s the point?

A questão é que ainda se opta pela ditadura no Brasil. Enquanto tivermos pessoas, não importando quantas, preferindo ditaduras temos muito que nos preocupar, pois já enfrentamos longas ditaduras e sabemos bem o que elas representam. A pesquisa do Datafolha quis saber se “há chances de ocorrer uma nova ditadura no Brasil”. 51% disseram que não, que não há chance alguma de termos uma nova ditadura. Mas, 24% disseram que há um pouco de chance de uma nova ditadura. Já 15% afirmaram que há muita chance de termos uma nova ditadura. Se somarmos estes dois últimos percentuais, teremos que 39% dos brasileiros consideram que existem chances, poucas ou muitas, de termos uma nova ditadura.


Brasileiros apontam a possibilidade de termos uma nova ditadura por não considerarem a democracia como o único sistema político possível. Essa insistente lembrança que temos da ditadura quer dizer que não apostamos todas as nossas fichas na democracia. Sérgio Buarque de Holanda, pai de Chico Buarque, já dizia que a “democracia, no Brasil, foi sempre um lamentável mal entendido”. Foi, e continua sendo, para pelo menos 15% da população que pensa ser bom viver num sistema onde as liberdades e os procedimentos democráticos são artigos de luxo para bem poucos.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

terça-feira, 13 de maio de 2014

A COPA DO MUNDO NÃO É NOSSA.


Devido a uma forte gripe fiquei acamado alguns dias. Um diligente médico me proibiu ler jornais, revistas e acessar a internet. A ideia era me desconectar do mundo das notícias. Zeloso de minhas cordas vocais, o doutor impôs silêncio absoluto. Fiquei deitado, proibido de me comunicar. Como último recurso, ao alcance da mão, restou-me o controle remoto de uma pequena televisão desconectada da TV a cabo. Agarrei-me a ele tal qual um naufrago faria com um pedaço de madeira sobre o mar. Passei um final de semana inteiro assistindo aos canais abertos da televisão brasileira. Testei a agilidade de meu cérebro, e de meus dedos, para mudar o mais rápido possível de canal a cada vez que as mais pavorosas atrações da TV brasileira apareciam na tela.

Como não poderia deixar de ser só se falava na Copa da FIFA. Programas esportivas, jornalísticos, de variedades, novelas e até mesmo os programas mais toscos, que tratam a tragédia humana como algo engraçado, faziam milhares de referencias a Copa. Nada a se estranhar se considerarmos que faltam apenas 30 dias para o início do evento. Gostemos ou não, e eu não gosto, a Copa da FIFA vai começar para a alegria de muitos, lucro de poucos e o fabuloso prejuízo de uma nação inteira. O que me chamou atenção foi que os 4 maiores canais da TV aberta (Globo, Record, Band e SBT) falavam de um Brasil verde e amarelo aonde tudo vai muito bem obrigado. Neste Brasil dos nossos sonhos não existiriam problemas, só esperanças.

Esperanças de que teremos um futuro melhor? Não, claro que não. Eu falo da fé de que os “meninos” do Felipão conquistarão a Copa do Mundo, para que ninguém, inclusive Maradona, ouse duvidar de que, pelo menos no futebol, somos os melhores do mundo. Eu não vi nos canais da televisão aberta as denúncias dos desmandos administrativos em torno da organização da Copa. Não vi nada sobre os acidentes que, semanalmente, tiram a vida de cidadãos brasileiros que trabalham nas obras intermináveis das Arenas. As reportagens especiais, feitas pelos jornais desses canais, não abordaram o fato de que não teremos legados sociais pelos quais possamos dizer que, apesar de tudo, valeu a pena termos tido essa Copa dos horrores em nosso país.

Vi muitas reportagens sobre a Copa da FIFA e em nenhuma delas se falou nos muitos erros e falhas que vão, por certo, acontecer pelo fato de que obras aeroportuárias e de transportes públicos, de vias de comunicação e de acessibilidade sequer foram iniciadas. O aeroporto de Viracopos, em Campinas, por onde devem passar oito seleções de futebol, além de um sem número de turistas, não teve nem a primeira fase de suas obras, de um total de quatro, concluída. Os canais só mostram a felicidade, a expectativa e os preparativos dos brasileiros para a Copa. Vi reportagens otimistas, mostrando a alegria das pessoas, vestidas de verde e amarelo, por finalmente só estar faltando um mês para a abertura do evento.

Os programas esportivos falam das seleções que vão disputar o mundial dando especial atenção àquelas que por ventura podem se colocar no caminho da seleção brasileira que, claro, segue lépida e fagueira rumo ao hexa campeonato. Vi matérias na Globo e na Band sob os jogadores brasileiros. Em geral, mostravam como eles vivem bem, depois de terem tido uma origem humilde. A lógica era a de sempre mostrar que foi o futebol que lhes deu ascensão social. A ideia era pontuar que sem o futebol esses meninos continuariam pobres, entregues a própria sorte. A frase “o futebol salvou a minha vida” é sempre utilizada. Muitas matérias tem aquele tom “autoajuda” piegas a la Paulo Coelho.


É aquela história que para se realizar um sonho basta ter força de vontade, basta querer. O meia-atacante Oscar disse que chegou à seleção porque sempre acreditou que isso iria um dia acontecer. Disto dessa forma nem parece que é preciso ser um bom jogador. Numa dessas matérias a mãe do atacante Jô contou, rindo, que ele pedia para não mais ir para escola para se dedicar só ao futebol. Noutra a mãe do Zagueiro Thiago Silva enumerava, também rindo, as vezes que ele fugiu de casa ou da escola para jogar bola. Eu não vi nenhuma reportagem falando de como um desses jogadores se dedicou aos estudos. É como se estudar não fosse importante. Também não vi matérias mostrando pessoas que tiveram ascensão social graças ao estudo e a qualificação intelectual.

A mensagem subliminar é que é possível ser grande sem investir na educação. Afinal de contas chegamos até aqui sendo o país do futebol, abençoado por Deus e bonito por natureza, do que mais precisamos? O que vi foi o símbolo maior de nossa cultura sendo mostrado como a válvula de escape para àqueles que nasceram no meio da pobreza. O que vi foi o futebol sendo tratado como a salvação de um país fadado a não ter legados. O que vi foi à promessa de que essa será a Copa das Copas. E deverá mesmo ser a maior de todas as copas. Mas, não será para mim e nem para você, caro ouvinte. Essa será a maior de todas as Copas, mas apenas para aqueles que não precisam do futebol.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

IDEIA LIVRE VENEZIANO VITAL BL 03




Programa IDEIA LIVRE da TV ITARARÉ com o ex-prefeito de Campina Grande e candidato ao governo do Estado da Paraíba Veneziano Vital do Rêgo. Programa exibido em 08 de Maio de 2014, com a participação dos jornalistas Paulo Roberto e Milton Figueiredo e a mediação do também jornalista e editor chefe da TV Itararé Anchieta Araújo. Participei dessa entrevista fazendo perguntas e colocando questões que me pareceriam pertinentes no momento. O formato desse programa é muito bom, pois gera um debate onde o entrevistado é de fato exposto para o público.

domingo, 11 de maio de 2014

IDEIA LIVRE VENEZIANO VITAL BL 02



Programa IDEIA LIVRE da TV ITARARÉ com o ex-prefeito de Campina Grande e candidato ao governo do Estado da Paraíba Veneziano Vital do Rêgo. Programa exibido em 08 de Maio de 2014, com a participação dos jornalistas Paulo Roberto e Milton Figueiredo e a mediação do também jornalista e editor chefe da TV Itararé Anchieta Araújo. Participei dessa entrevista fazendo perguntas e colocando questões que me pareceriam pertinentes no momento. O formato desse programa é muito bom, pois gera um debate onde o entrevistado é de fato exposto para o público.

Minha lista de blogs

Pesquisar este blog