segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Cultura politica autoritária contesta a hegemonia da democracia

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ARTIGO DO DIA
Política
GILBERGUES SANTOS


Especial para o UOL - 22/08/201
Arcabouço jurídico de um Estado pode afiançar ou cercear a lei que serve tanto às democracias como às ditaduras




Em 2009, as Forças Armadas de Honduras efetivaram um clássico golpe de Estado sacando do poder o presidente democraticamente eleito Manuel Zelaya sob acusação de que ele poria, nas eleições daquele ano, um item plebiscitário para que os hondurenhos opinassem sobre a inclusão da reeleição na Constituição Federal. O golpe foi ilegítimo e legal. É que a Constituição de Honduras, tal qual a brasileira, possui dispositivo que dá as Forças Armadas prerrogativas para garantir a lei e a ordem. O que não se questionou é se a ordem político-social hondurenha estava mesmo ameaçada pelo fato de Zelaya querer se reeleger.

Em 2012, o presidente paraguaio Fernando Lugo, eleito democraticamente, sofreu um impeachment em apenas 48 horas. A maioria conservadora do Congresso Nacional golpeou Lugo se valendo de uma crise politica gerada pelo confronto entre policiais e camponeses num ato de reintegração de posse de uma fazenda. O processo cerceou o amplo direito de defesa de Lugo. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos condenou a rapidez do julgamento e a falta de concretude das acusações. O golpe foi dado com a contribuição da Suprema Corte Eleitoral, do Partido Colorado, das Forças Armadas e do vice-presidente Federico Franco que assumiu o cargo.

Coincidências com um enorme país fronteiriço ao Paraguai nunca foram, nem devem ser, mera coincidência. Não na América Latina que segue precisando de ridículos tiranos como bem disse aquele "antigo compositor baiano".
Vimos agora um golpe de Estado na Turquia. Mesmo fracassado, ele reforça a noção de que uma cultura politica autoritária viceja mundo afora e contesta a hegemonia da democracia. Essa aventura golpista custou a vida de centenas de pessoas e mais de três mil foram presas. Li que os turcos ficaram traumatizados com tanques de guerra atropelando as vias públicas. Mas, como nós, eles estão acostumados com golpes, pois tiveram cinco ao longo de 56 anos. O presidente Recep Erdogan proclamou que a democracia havia saído vitoriosa. Vitória de Pirro essa, pois um sistema democrático só se consolida quando seus procedimentos e instituições funcionam livres de ameaças golpistas. Cada tentativa de golpe intensifica a ideia de que sistemas de força são mais eficientes para lidar com crises econômicas e politicas.

O prêmio Nobel Adolfo Pérez Esquivel aqui esteve e se assustou com tantos brasileiros defendendo golpes e ditaduras. Ele lembrou Honduras e Paraguai, que afastaram presidentes através do ordenamento jurídico e tendo o Parlamento como protagonista da ação golpista. Temos uma nova modalidade de golpe de Estado que se respalda nos entulhos autoritários que as constituições trazem. Continua-se depondo presidentes eleitos, mas agora é a elite político-partidária quem dá cabo das ações golpistas, contando ou não com o apoio das Forças Armadas. Senão, vejamos o atual caso brasileiro.

No passado, o totalitarismo desafiou a democracia que espalhou suas ideias numa primeira onda de democratização a partir de 1945. Os rigores da Guerra Fria fizeram surgir uma segunda onda de autoritarismo militarizado na década de 1960. No início dos anos 1980 ele caiu em desuso e uma terceira onda de redemocratização se fez sentir em que pese países como Brasil, Honduras e Paraguai terem se tornado democráticos sem reverem seus passados autoritários. E agora, o que temos? Seria uma quarta onda de reversos golpistas comandados por Parlamentos e Judiciários? Temos um padrão ou esses exemplos são pontos fora da curva?
Sistemas políticos que mesclam elementos autoritários com procedimentos democráticos são cada vez mais comuns. Na "Primavera Árabe", as revoltas populares contra governos queriam deter anacrônicos ditadores, mas não se falava em democracia. Defendia-se eleições livres, mas se fechava os olhos para liberdade de culto e expressão. Lutava-se pelo fim da opressão estatal, mas as mulheres não podiam participar das manifestações.
A democracia, como sistema e cultura política, é cara ao Ocidente, onde as revoluções burguesas vingaram e as ditaduras totalitárias serviram como contraste. A democracia tem valor universal, do contrário a luta pelos direitos humanos não se daria no Irã, por exemplo. Cultura não é variável independente, com papel central no mapeamento de fenômenos. Ela não explica e nem justifica tudo. Se assim fosse, a democracia seria inviável, inclusive na Europa. O arcabouço jurídico de um Estado pode afiançar ou cercear a lei que serve tanto às democracias como às ditaduras. Essas são as questões que podem iluminar o debate sobre em que sistema politico é melhor viver.
Ontologicamente, temos Alexis de Tocqueville ("A democracia na América"), para o qual a democracia é o somatório (em doses iguais e sem hierarquias) de liberdade e igualdade. Realisticamente, serve a descrição minimalista procedural do cientista político Scott Mainwaring que, em "Classificando Regimes Políticos na América Latina", diz que democracia é o regime que (1) promove eleições competitivas, livres e limpas; (2) que pressupõe uma cidadania adulta e abrangente; (3) que protege liberdades civis e direitos políticos; (4) onde governos eleitos de fato governam e militares são controlados pelos civis.
Proponho um exercício simples. Verifiquemos se esses quatro itens são de fato praticados em nossa sociedade. Se a resposta for sim, ótimo!, vivemos em uma democracia minimamente consolidada. Mas, se a resposta for não, sugiro que comecemos desde já a ler tudo que pudermos sobre ditaduras.
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·         O texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL
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GILBERGUES SANTOS é cientista político e professor da UEPB (Universidade Estadual da Paraíba)

sábado, 6 de agosto de 2016

BRASIL: MEDALHA DE OURO EM AUTORITARISMO.


Fiquei orgulhoso com a brilhante abertura dos Jogos Olímpicos 2016 no Rio de Janeiro. Foi lindo ver Paulinho da Viola cantando o Hino Nacional. Como disse uma jornalista inglesa, “com Paulinho da Viola até o Hino brasileiro vira canção de amor”. Ver Gisele Bündchen no “doce balanço a caminho do mar” me tocou o coração. Que me perdoem os saudosistas, eu sou um deles, mas Gisele reinventou a nossa Garota de Ipanema. Usar "Construção" de Chico Buarque foi algo de muito bom gosto e mostrou que, quando queremos e podemos, somos inteligentes. Adorei ver o 14 Bis decolando do Maracanã para sobrevoar o Rio de Janeiro. Os americanos não gostaram! Azar o deles, quem manda os irmãos Wright não serem brasileiros.

As homenagens a Tom Jobim e Vinícius de Moraes "pagaram o ingresso", mesmo que o discurso grotesco, positivista, abobalhado de Regina Casé fosse motivo para "pedir o dinheiro de volta". Sim, Michel, o golpista temerário, mereceu cada uma das vaias que recebeu, afinal ele não deveria estar ali, não como Presidente da República.

O fato, é que a noite de sonhos passou. O show que ajudou a aplacar nosso eterno “complexo de vira-latas” acabou, mesmo que as imagens tenham ficado. Hoje, estamos de volta a dura realidade onde cotidianamente vemos nossa frágil e combalida democracia sendo atingida com golpes e estocadas cruéis.

Nas imagens que reproduzo vemos um homem que assistia as finais olímpicas do tiro com arco no Sambódromo, no Rio de Janeiro, ser forçado a sair da arquibancada. Agentes da Força Nacional de Segurança obrigaram o torcedor (do Flamengo) a deixar o recinto alegando que ele havia gritado “Fora Temer”. Na verdade, ele havia mostrado um cartaz com o “Fora Temer”. Mas, mesmo que tenha gritado, não há mais liberdade de expressão nesse Brasil medalha de ouro quando o assunto é autoritarismo? 

Notem, nas imagens, que um dos agentes da Força de Segurança afirma que o celular do torcedor vai ser confiscado, pois ele estaria gravando a situação. Notem, também, que algumas pessoas protestam contra a cena grotesca e que tantas outras fingem não ver tamanho absurdo. Enfim, nesses dias de espírito olímpico o que impera mesmo no Brasil são os entulhos autoritários que herdamos da ditadura militar.



É possível vê-las, para fazer download, no YouTube. (https://www.youtube.com/watch?v=7eSxzFj9844&ab_channel=CAMFWAYNEWORLD).

Mas, seja rápido, não demorará para que ditadores de plantão apaguem as imagens e proíbam sua veiculação, pois se não fosse assim não seria o Brasil, seria uma democracia verdadeiramente consolidada. 

sábado, 30 de julho de 2016

PORTAL DA TRANSPARÊNCIA

Cidadãos podem acompanhar administração municipal através de portal na internet





Matéria da TV PARAÍBA, em 30/07/2016, sobre o Portal da Transparência da Prefeitura Municipal de Campina Grande, com comentários do Cientista Político Gilbergues Santos analisando como o cidadão pode utilizar essa ferramenta que não deixa de ser um mecanismo de controle da administração Pública municipal.




sábado, 16 de julho de 2016

Honduras, 2009; Paraguai 2012; Brasil e Turquia 2016. Mas, o que está acontecendo? Estamos tendo uma nova onda golpista pelo mundo? Temos um padrão antidemocrático se desenvolvendo? Agora que golpes parecem ser um padrão na politica mundial, não resta outra coisa a não ser dizer NÃO AO GOLPE!


quinta-feira, 14 de julho de 2016

Em resposta ao Estadão, neta de Marc Bloch diz que avô jamais apoiaria um golpe

Em resposta ao Estadão, neta de Marc Bloch diz que avô jamais apoiaria um golpe. Suzette Bloch lembrou que seu avô foi um defensor da liberdade fuzilado pelos nazistas e condenou o jornal por usar o historiador para defender posições ideológicas diametralmente opostas às dele.

http://brasileiros.com.br/
http://brasileiros.com.br/2016/07/neta-historiador-marc-bloch-responde-editorial-estadao/


Suzette Bloch, neta do historiador Marc Bloch (1886-1944), fundador dos Annales d’Histoire Économique et Sociale (Anais de História Econômica e Social), rebateu as críticas que o jornal O Estado de S. Paulo fez aos intelectuais que assinaram o manifesto Historiadores pela Democracia. No editorial “O lugar de Dilma na história”,  o jornal atacou os pensadores que condenaram o golpe de Estado que afastou Dilma Rousseff da Presidência, no mês de maio.
Na carta aberta, a jornalista Suzette Bloch, “neta e detentora dos direitos autorais do historiador e resistente Marc Bloch”, declara-se espantada com o editorial do Estadão: “Eu li seu editorial do dia 14 de junho sobre o manifesto dos Historiadores pela Democracia. Ele me deixou estupefata e indignada. Seu jornal utiliza o nome de meu avô para justificar um engajamento ideológico totalmente oposto ao que ele foi, um erudito que revolucionou a ciência histórica e um cidadão a tal ponto engajado na defesa das liberdades e da democracia que perdeu a vida, fuzilado pelos nazistas em 16 de junho de 1944″. Ela prossegue: “O jornal recorre ao nome de Marc Bloch para responder aos historiadores brasileiros que se posicionaram contra o afastamento da presidenta Dilma Rousseff. ‘Pensamento único, historiadores muito bem posicionados na academia, a serviço de partidos, bajuladores do poder etc.'; seu editorial não argumenta, apenas denigre. Eis porque tiveram necessidade de se valer de uma obra de alcance universal e da vida irretocável do meu avô para tonar virtuoso seu apoio ao golpe de Estado”.
Na sequência, ela recorda ao jornal que os descendentes de Marc Bloch condenaram o golpe de 1964, no Brasil, que O Estado de São Paulo apoiou: “”Condeno toda instrumentalização política de Marc Bloch. Para além do homem público, ele é o avô que eu não conheci, mas que nos deixou como herança a memória de uma família para a qual a liberdade representa a essência de toda humanidade. Em todo lugar, a cada instante, no Brasil inclusive. Vocês omitiram aos seus leitores o fato de que o filho mais velho de Marc Bloch, meu tio Étienne, que libertou Paris junto com a 2ª Divisão Blindada do General Leclerc, foi o presidente do comitê de solidariedade França-Brasil nos anos 1970. Este comitê auxiliou as vítimas do regime civil-militar iniciado com o golpe de 1964 e manteve-se na luta pelo retorno da democracia brasileira. Poderiam ainda ter explicado aos seus leitores que a neta de Marc Bloch se casou com um brasileiro, Hamilton Lopes dos Santos, refugiado político do Brasil e depois do Chile, tendo chegado na França em 1973 em razão do golpe de Pinochet. Poderiam, enfim, ter anunciado que dois dos bisnetos de Marc Bloch, Iara e Marc-Louis, são franco-brasileiros”.
E prossegue: “Conseguem imaginar a reação de meu avô diante do espetáculo dos deputados que votaram pelo afastamento de Dilma Rousseff em nome de suas esposas, de seus filhos, de Deus ou de um torturador? Imaginem ainda sua reação diante de um presidente interino que formou um governo exclusivamente de homens e cuja primeira medida foi suprimir o Ministério da Cultura e o Ministério das Mulheres, Igualdade Racial, Juventude e Direitos Humanos, suspendendo e reduzindo diversos programas sociais, como o Minha Casa Minha Vida. Ministros empossados são investigados por corrupção e alguns foram exonerados após a divulgação de conversas nas quais admitiam que o afastamento de Dilma não tinha senão um objetivo: parar as investigações contra a corrupção. Imaginem a reação de meu avô!”
Suzette contrapõe então a conjuntura política no Brasil com a da França: “O presidente francês, François Hollande, foi eleito com 51,9% dos votos em 2012 e sua popularidade não passava de 16% em maio. No entanto, seus adversários políticos sequer sonharam em contestar sua legitimidade conquistada nas urnas, apenas estão se preparando para as próximas eleições, como em toda democracia digna deste nome. Não pode haver democracia sem o respeito às eleições. Contudo, um grande jornal como este aplaude o confisco do voto popular”. 
No final, ela cedeu espaço ao “historiador Fernando Nicolazzi, integrante do grupo de Historiadores pela Democracia”, ao qual solicitou uma resposta para o jornal. Segue-se o texto deNicolazzi:
“O convite feito por Suzette Bloch para juntar minhas palavras às suas, no ato solidário e indispensável de combater a impostura de um jornal comprometido, em cada linha de seus editoriais, com a defesa de um golpe de Estado em curso, não poderia ser recusado. Este mesmo jornal, que há alguns meses disse um ‘basta!’ à democracia, ecoando o gesto autoritário cometido pelo Correio da Manhã em 1964, agora direciona seus impropérios ao grupo de historiadores e historiadoras que atuam em defesa dos princípios democráticos de nossa sociedade. Faço parte deste grupo e estive na audiência realizada com a presidenta eleita Dilma Rousseff no último dia 7 de junho.
O editorial de 14 de junho, que pretende definir o ‘lugar de Dilma na história’, faz menção a palavras escritas por Marc Bloch, desvinculando-as irresponsavelmente daquele que as escreveu. Nesse sentido, instrumentaliza politicamente o nome do historiador francês, autor de uma apologia da história elaborada no momento mesmo em que atuava na resistência contra o fascismo e em defesa das liberdades democráticas. Suzette Bloch, em justificável indignação, já apontou acima o desrespeito ético e a desonestidade intelectual que caracterizam este texto. Quanto a isso não cabem aqui outras palavras.
Porém, é preciso fazer frente também à outra dimensão contida naquele editorial: sua falaciosa representação dos historiadores e historiadoras que assinaram o manifesto, definidos ali como intelectuais ‘a serviço de partidos políticos’, comprometidos com a elaboração de um ‘pensamento único’, ‘bajuladores do poder’. O editorial traz ainda as marcas da sua baixeza moral ao sugerir, sem qualquer respaldo aceitável, que muitos dos participantes do encontro com a presidenta a ‘detestam’. Nada mais desonesto, nada mais mentiroso! Mas também nada mais compreensível!
Afinal, não é difícil compreender que, para setores da sociedade comprometidos com a manutenção da exclusão em suas diferentes formas, a defesa da democracia e da inclusão social cause incômodo e provoque atitudes como esta que, faltando com a verdade, apenas encontra amparo na ofensa e na intolerância. Além disso, é fácil compreender que essa seja a única forma de linguagem política assumida pelo jornal, que já definiu os opositores ao golpe de ‘matilha de petistas e agregados': a propagação do seu ódio na busca de cumplicidade, como se ele fosse compartilhado por todas as pessoas. Basta acompanhar as inúmeras e diversas intervenções dos Historiadores pela democracia para constatar quão caluniador e distante dos fatos é o editorial.
O golpe parlamentar, jurídico e midiático em curso ataca direitos sociais, políticos e civis que são fundamentais para a existência da democracia. Tais direito foram conquistas feitas pela sociedade e não simples concessões governamentais. Lutar contra este golpe não significa defender um governo ou um partido político, mas sim defender a vigência de princípios básicos de cidadania, considerando que a justiça social deve ser um valor preponderante em nossa sociedade. Foram estas razões que me fazem participar do grupo, além da convicção íntima, enquanto historiador e enquanto cidadão, de que posicionar-se pela democracia se coloca hoje como um imperativo incontornável na nossa vida pública.
Em um texto que pretende dizer o que deve ser o exercício da historiografia, lemos apenas o uso inconsequente da história e a utilização deturpada da obra de um historiador que soube como poucos escrever sobre o próprio métier. Apesar da indignação causada, o editorial cumpriu seu papel esperado, sem nenhuma surpresa. E ao menos algo positivo ficará dessa situação: não será preciso aguardar historiadores futuros para colocar o Estadão em seu devido lugar na história, ou seja, ao lado dos golpistas do passado, os mesmos que em 2 de abril de 1964 comemoraram a vitória do “movimento democrático” que hoje conhecemos como ditadura civil-militar e que, além de vitimar milhares de pessoas, ampliou a desigualdade social no Brasil. Seus editorialistas continuam realizando com esmero essa função no presente”.

O texto foi enviado ao portal do Estadão, mas não houve resposta por parte dos editores. A carta foi publicada pelo blog “Hum Historiador”, de José Rogério Beier, mestre em História pela USP. 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

#HISTORIADORES PELA DEMOCRACIA!

#Historiadores Pela Democracia

Arquivo de Vídeos e Textos do Grupo Historiadores Pela Democracia
#ForaTemer #VoltaDilma #StopCoupInBrazil


Acessando o http://historiadorespelademocracia.tumblr.com/ pode-se este manifesto em favor da democracia no Brasil e vários artigos de vários historiadores sobre ditadura e democracia no Brasil. São exercícios de história imediata sobre os eventos políticos (sobretudo de 2016) publicados por historiadores profissionais em diversos veículos de comunicação:
Vários Autores
Contradança: Réplicas às críticas ao movimento historiadores pela democracia (compilação de todos os textos em resposta ao editorial de O Estado de São Paulo de 14 de junho de 2016, “O Lugar de Dilma na História”, e ao artigo de Demétrio Magnoli, “Formação de Quadrilha”, publicado na Folha de São Paulo, em 25 de junho de 2016) 
Alexandre Moraes/UFF e Rodrigo Peres de Oliveira/ Universidade Estácio de Sá
semrodape.com  (todos os textos de 2016)
Caroline Silveira Bauer/UFRGS
Ustra, morto e vivo
Carlos Fico
brasilrecente.com (todos os textos de 2016)
Fernanda Sposito/ UNICAMP
Brasil despedaçado
Luiz Felipe de Alencastro
O Cavalo de Troia do parlamentarismo






segunda-feira, 16 de maio de 2016

I SEMANA ACADÊMICA DO DIREITO


Esta semana o LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE da Universidade Federal da Paraíba (Campus de João Pessoa) promove a I SEMANA ACADÊMICA DO DIREITO entre os dias 18 e 20 de maio de 2016 no Auditório do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ).

Participarei proferindo a palestra “HERANÇA JURÍDICO POLITICA DA DITADURA MILITAR” e lançando o meu livro “HERÓIS DE UMA REVOLUÇÃO ANUNCIADA OU AVENTUREIROS DE UM TEMPO PERDIDO”.

A I SEMANA ACADÊMICA DO DIREITO tratará de temas como Reforma Política, Segurança Pública, Direito à Cidade e Meio Ambiente. Também, se aponta para a necessidade de se aprofundar o debate sobre os resquícios da ditadura militar no atual Estado Democrático de Direito e o conturbado momento jurídico-politico da sociedade brasileira.

Veja a programação:





terça-feira, 10 de maio de 2016

Cidadão tem que se responsabilizar pelas escolhas feitas nas urnas


ARTIGO DO DIA

Política

GILBERGUES SANTOS


Temos que nos submeter às incertezas do jogo eleitoral democrático, ou seguiremos nos perguntando se devemos defender a democracia ou, dito de outra forma, se não seria melhor vivermos em uma ditadura.

Especial para o UOL 10/05/2016


http://noticias.uol.com.br/opiniao

http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2016/05/10/cidadao-tem-que-se-responsabilizar-pelas-escolhas-feitas-nas-urnas.htm







Os nascidos em 2000 poderão votar nas eleições deste ano numa democracia parida da liberalização iniciada pelo regime militar. Quando os atuais jovens de 16 anos nasceram, havia apenas 15 anos que a ditadura acabara. São latentes em nosso entorno seus entulhos autoritários.

A Constituição de 1988 traz os germes da ditadura –vide os artigos 142 e 144, inexistentes em várias democracias, que dão prerrogativas aos militares para agirem sobre a ordem politica e social do país. E isso para não falar que o Congresso Nacional e a sociedade brasileira são povoados por uma fauna de saudosistas do regime militar. O discurso do deputado Jair Bolsonaro, na sessão da Câmara dos Deputados que abriu o processo de impeachment contra a presidente Dilma, reverenciando a memória de um torturador, é um plangente exemplo disso. Nossa democracia repousa sob escombros de um regime que tinha a tortura como política de Estado.
Como viver em uma democracia tão frágil? Como respeitar uma eleição se os eleitos não pretendem cumprir as funções delegadas pelos eleitores? Como o jovem eleitor quererá participar sabendo que suas decisões poderão ser desfeitas por golpes travestidos de impeachment? Por que valorizar um sistema que pode desmanchar decisões tomadas nas urnas? 54.501.118 eleitores decidiram que Dilma Rousseff nos governaria entre 2015 e 2018.
Como eles se sentem ao ver um grupo de parlamentares corruptos, conservadores, oportunistas, autoritários e pateticamente irresponsáveis processando a destituição da presidente eleita democraticamente e que não cometeu crime algum?
Eleições permanentes e alternância no poder são essenciais. Mas, o cidadão tem que se responsabilizar pelas escolhas feitas nas urnas. Não adianta fazer discursos enfurecidos diante dos escândalos de corrupção e depois dar ao corrupto o conforto de ter um mandato e foro privilegiado.
Eleições em profusão pouco adiantam se não estamos dispostos a cumprir os mecanismos institucionais que permitem que os que descumprem suas funções (e as leis) sejam responsabilizados com pressupostos penais que causem punibilidade. Por que supomos que esse revezamento de nomes e siglas nos cargos governamentais é solução única para nossos males? Por que nos contentamos com tão pouco?
Nosso processo eleitoral evoluiu com dificuldades. Em 1960, na última eleição presidencial antes do golpe de 1964, 6 milhões de eleitores votaram. Na eleição seguinte, 29 anos depois, foram 120 milhões de eleitores. Crescíamos quantitativamente enquanto desaprendíamos a votar. Já em 2004, os eleitores entre 16 e 25 anos foram cerca de 25 milhões. Quantos destes amadureceram para intervirem no processo eleitoral e para atentarem para a responsabilidade de se eleger um reconhecido corrupto?
O governo e o sistema representativo devem ter o consentimento do cidadão para serem legítimos. Essa anuência vem do contrato social, materializado no sufrágio universal, onde os cidadãos dão autoridade para que leis sejam criadas. Em "Capitalismo, Socialismo e Democracia" o economista e cientista político austríaco Joseph Schumpeter se refere à democracia como um método político por onde se escolhe os que decidem e que dá ao cidadão o poder de substituir um governo por outro para que ele próprio se proteja dos riscos dos escolhidos se tornarem uma força inamovível. Dizia ele: "A democracia significa apenas que o povo tem a oportunidade de aceitar ou recusar os homens que a governam".
Devemos nos contentar com isso? Não, é insuficiente! Mas, se não consolidarmos nem isso, como avançaremos para um sistema que contemple aspectos mais amplos do funcionamento de um Estado que seja a um só tempo legal e legítimo, e, portanto, de direito e democrático?
Hoje, ditaduras parecem coisa do passado e eleições se sucedem a cada dois anos. Falta-nos ter a política como o que orienta as relações sociais e uma mentalidade democrática que substitua essa pretoriana visão de mundo que temos. Mas, isso não se faz apenas com discursos. Eleições podem ser uma via para isso. Se é ruim conviver com elas, o que dirá sem?
Pela educação, nosso passado autoritário precisa ser revisto. Na ditadura, Estudos Sociais, Educação Moral e Cívica, Organização Social e Política do Brasil e Estudos dos Problemas Brasileiros constavam nos currículos escolares para afirmarem os interesses e a ideologia do regime militar. Mas, paradoxalmente, essas matérias eram subvertidas por professores que driblavam a censura e o medo para ensinar "assuntos diferentes". Foi assim que muitos, como eu, puderam ter acesso à filosofia, política, história, sociologia.
Os que se lembrarem disso são menos jovens do que esses que vão votar pela primeira vez e podem contribuir num processo de educação política. Se não estamos em uma ditadura e temos liberdade de expressão, por que não usar espaços devidos para educar para a cidadania que ensina para que servem as instituições políticas? O que é a República, a Federação, a Constituição, os Poderes e suas funções, as eleições e os partidos, os direitos e os deveres, o papel da imprensa. É preciso munir o jovem para que ele entenda a democracia e possa valorizá-la como algo útil para sua existência.
No século 20 vivemos 36 anos sob ditaduras, sem contar os anos nos quais vestígios de democracia coexistiam com uma couraça de autoritarismo. Desde a proclamação da República, ainda não tivemos mais de 35 anos contínuos de democracia sem que ditaduras e autoritarismos de toda sorte solapem as instituições. Do fim do regime militar, em 1985, até aqui, ainda somamos menos anos do que os vividos sob as duas ditaduras do século 20.
Nossa jovial e festiva democracia eleitoral ainda tem muito que evoluir. É preciso ter instituições responsáveis com cidadãos respeitados em seus direitos e igualmente responsáveis. Temos que nos submeter às incertezas do jogo eleitoral democrático. Do contrário, seguiremos nos perguntando se realmente devemos defender a democracia ou, dito de outra forma, se não seria melhor vivermos em uma ditadura.

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O texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL
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GILBERGUES SANTOS


é cientista político e professor da UEPB (Universidade Estadual da Paraíba)