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Professor do Curso de História da Universidade Estadual da Paraíba. Mestre em Ciência Política (UFPE) e Doutorando em Ciência da Informação (UFPB). Especialista em História do Brasil, com ênfase na Era Vargas e na Ditadura Militar, na democracia e no autoritarismo. Autor dos livros "Heróis de uma revolução anunciada ou aventureiros de um tempo perdido" (2015) e “Do que ainda posso falar e outros ensaios - Ou quanto de verdade ainda se pode aceitar” (2024) lançados pela Editora da UEPB.
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
Amigos, não duvidem, nossa luta é contra o fascismo!
Esse texto é para você que enfrenta alguns dramas de consciência para votar em Fernando Haddad no 2º turno da eleição presidencial. Ele é, também, para aquele seu amigo que está “medinho” de votar no PT. Gostaria de lembrar que as pessoas passaram uma vida inteira votando alegremente nos Cássio Cunha Lima, ACM, Sarney, Maluf, e na “catrevagem” política de sempre. Agora, que chegou a hora de se posicionar ante a ameaça do fascismo, votando num partido de esquerda, apresentam dramas existenciais e de consciência.
A questão agora é a LUTA CONTRA O FASCISMO. O resto é de bem menor
importância. Votei em Haddad no 1º turno, farei o mesmo no dia 28/10, claro! E digo
a vocês que não sinto nenhum desconforto em votar no PT, pois é o instrumento
que temos no momento contra o fascismo. Ciro Gomes é também um instrumento
desse tipo, espero que ele entenda isso e se posicione logo da forma mais clara
possível. Fui e sigo sendo muito crítico ao PT e ao comportamento político da
esquerda brasileiro em relação, por exemplo, a democracia. Até escrevi um livro
sobre isso, como vocês bem sabem...
No entanto, não conheço outro setor do espectro político nacional
que, hoje, possa ser o vetor contra o FASCISMO. Assim, vamos à luta contra o
mal maior votando em HADDAD e tentando convencer pessoas a fazerem o mesmo. Alguns, que votaram em Ciro Gomes no 1º turno, dizem não se sentir
à vontade para votar no PT, por causa dos “escândalos” e porque depois de
“tantos anos o PT não mudou nada”, mesmo que abominem a ideia de votar no
Inominável. Já me disseram pretender anular o voto no 2º turno, mesmo torcendo
para que “a democracia sobreviva”. Inclusive, ouvi muita gente até a semana passada
dizendo que votaria em Ciro Gomes por ter se “decepcionado com o PT”. Certo, compreendo isso tudo, mas essa neutralidade poderá nos custar
muito caro! Não espere aliviar sua consciência ficando neutro. Se é para pensar
em consciência, fico com a minha pesada, mas lutando contra o fascismo! Por favor, tente analisar as coisas fugindo do falso dilema (dos
escândalos) proposto pela Conglomerado Golpista. A democracia só vai sobreviver
se os que são favoráveis a ela demonstrarem isso claramente, como fez o povo nordestino
no 1º turno que consagrou Fernando Haddad nas urnas.
Infelizmente, hoje temos dois caminhos apenas: ou bem se é contra o
fascismo, e a favor da democracia, ou se é a favor do fascismo e tudo aquilo
que de pior a humanidade logrou fazer. Hoje a questão é votar em Haddad, sem dramas de consciência. Deixemos
isso para a classe média e/ou a direita, dita liberal, cheia de (falsos)
pruridos, que não sabe se sai ou fica dentro do armário obscuro recheado de
preconceitos, mitos, questões morais e os valores dos “homens de bem”. Vamos à
luta, pois foi duvidando do caminho a seguir que o povo alemão se deixou levar
pelo nazismo.
sábado, 6 de outubro de 2018
O que ainda consigo dizer
Antes de analisar o
debate da quinta-feira (04/10/18) entre os candidatos à presidente, na Rede
Globo, de falar das pesquisas e do que ainda espero para este 1º turno, preciso
lembrar da premissa do nosso momento e da tolerância, algo que nos falta em
abundância. Vamos ao fato inicial de
onde parte toda questão. Nas democracias, eleição é condição necessária, porém
insuficiente. No Brasil, a eleição 2018 aprofunda um projeto de Estado e de
sociedade desigual, onde liberdade caminha para ser um bem de poucos, e fascismo,
neoliberalismo, neopentecostalismo e conservadorismos reacionários se unem para
governar. Não esquecendo que o conglomerado golpista (tendo PSDB, MDB,
Judiciário e a velha mídia à frente) se utiliza dessa eleição como o inseto que
se viciou em inseticida.
A mãe de todos os
paradoxos, que norteia a ação política de muito brasileiros, é a que se utiliza
de procedimentos democráticos (liberdade de expressão) para fulminar a democracia
e implantar um regime ditatorial. É por isso que parte da população quer
abancar no governo um tirano medíocre (que foge do debate como ele próprio
fugiria da cruz) que trabalha como a formiga, por causa do longo inverno, para acabar
com os, pouco é bem verdade, vestígios de democracia que temos.
Concordo os que dizem
que é a disseminação da intolerância e do ódio, como estratégia política, que mina
a vida democrática do país. O filósofo Karl Popper dizia que: "Tolerância
ilimitada culminará no desaparecimento da tolerância, pois se a tolerância
ilimitada for estendida aos intolerantes, os tolerantes serão destruídos”. Confuso?
Nem tanto. Mas, isso é mesmo algo sensível. Assista ao filme “Operação Final”,
de Chris Weitz, e veja que você mesmo vai terminar defendendo tolerância zero aos
intolerantes. O filme conta a ação de um comando do Mossad que sequestrou o
arquiteto da solução final nazista, Adolf Eichmann, na Argentina e o levou para
ser julgado, condenado e executado em Israel.
Foi usando procedimentos
democráticos que o Partido Nazista subiu ao poder. É fazendo o mesmo que
fascistas brasileiros querem governar. Quem não lembra dos “camisas verde-amarela”
usando a liberdade de expressão para pedir o fim da democracia? Nos EUA os
“Alt-Right” (movimento ultraconservador, supremacista, nacionalista, que reúne
neonazistas, neo-confederados e a Ku Klux Klan) usam direitos consagrados na
Constituição para fazerem sua pregação antidemocrática e pró-fascista. Mas, não
é isso mesmo que acontece no Brasil?
Os tolerantes devem se
unir em torno de uma candidatura comprometida com a tolerância, pois nosso
futuro, e o de nossas crianças, está em questão, mesmo que o passado seja tão
comprometido pelo autoritarismo. Se os intolerantes vencerem vão, não duvide,
perseguir os tolerantes, pois a primeira coisa que farão será acabar com a
liberdade de expressão. Não se trata do projeto
desse ou daquele político, ou do ódio que você pensa que sente a um partido
e/ou projeto político. A NOSSA LUTA AGORA É CONTRA O FASCISMO! Precisamos tratar da união republicana, democrática, humanista,
progressista, contra o mal maior. Você consegue imaginar como estará o Brasil
daqui a dez anos depois de uns dois governos do Inominável? Como conheço bem
nossa história republicana, mais especificamente o período da ditadura militar,
imagino que estaremos mal, muito mal.
Falemos do debate que
teve um William Bonner cheio de mesuras que ria de seus erros e gafes, querendo
nos convencer que toda aquela simpatia é verdadeira. Nem parecia o Bonner
autocrático, irascível, neurastênico, das entrevistas com cada um dos
candidatos. Álvaro Dias tomou whisky com uns dois comprimidos de Rivotril. Trôpego, não concatenava
pensamento/fala. Após tentativas patéticas de se fazer engraçado mereceu
reprimenda do professor Haddad e voltou a insistir na corrupção como se fosse
um homem puro. Marina Silva tomou uma infusão
de ervas, trazidas das profundezas da Floresta Amazônica para seguir sendo Mariana
Silva, só que em ebulição. Marina se confunde ao supor que sua revoltazinha
amestrada vai convencer o eleitorado de alguma coisa.
Geraldo Alckmin, o
“santo” da Odebrecht, tomou chá de óleo de peroba para lustrar seu discurso
cara-de-pau. Ele teve a desfaçatez de dizer que a reforma trabalhista não
mexeu nos direitos do trabalhador. Fosse viva minha avó e teria
dito: “esse coisa tá om o cão no couro!”. Meirelles tomou 1/2 comprimido da
caixa de Rivotril de Álvaro Dias. Se comportava como se estivesse numa reunião
com os técnicos do Banco Central. Seu discurso tecnoburocrata faz lembrar
Delfim Netto justificando a necessidade de o governo militar decretar o AI-5. Ciro Gomes tomou chá
de Camomila com Maracujina. Nunca o vi tão zen-budista. Mas, notícias dão
conta que, nos camarins da Vênus Plantinada, o Ciro “cabra-macho-do-Nordeste”
apareceu célere. Ciro foi muito bom nos ataques a Bolsonaro e foi bem na
estratégia de fazer o caminho de volta ao PT, mirando o 2º turno. No entanto, não
entendo que cálculo é esse que o mostra ganhando a eleição no 2º turno,
mesmo que todas as pesquisas mostrem que ele não vai ao 2º turno. Alguém
explica?
Boulos, disparado o
melhor de toda eleição, não tomou nada, mas deu à
audiência o chá da verdade ao falar da ditadura militar. Boulos foi brilhante ao perguntar a Alckmin porque a turma dele só
“corta nos direitos do povo, nunca nos privilégios da elite”. Haddad não tomou nada. É que o líquido misterioso que sua mãe colocava em sua mamadeira segue fazendo efeito - vai ter calma assim lá na .... USP. Haddad é aquele professor
paciente, que dá aulas sentado de pernas cruzadas, calmo com um hipopótamo
meditando. O que, diga-se, é tudo o que mais precisamos quando o
ódio é o capital do povo brasileiro. Haddad teve ótima participação no debate.
Seguro, bateu nos momentos certo, mas do seu jeito.
Antes do debate muito se
falou num bloco ALCIRINA (Alckmin + Ciro + Marina), mas o que vai rolar mesmo é
o bloco BOUCIDDAD (Boulos + Ciro + Haddad). Isso se conclui, depois do debate,
pela dobradinha entre Boulos e Haddad e com Ciro tendo um comportamento
republicano e democrático. A “direitosa” extrema pira com essas coisas! Para votar temos que ter
claro que o crescimento do Inominável se dá pelo enfraquecimento, e falta de
reação, dos outros candidatos da direita. Claro, a ofensiva dos setores neopentecostalistas,
com Edir Macedo à frente, carreou muitos votos para a alegoria fascista nos
últimos dias. Mas, não esqueçam que o “mito” não é favorito para ganhar no 2º
turno. Haddad é o segundo colocado nas pesquisas e aparece nelas ganhando no 2º
turno.
No 2º turno o Infame não
poderá se esconder, em algum momento ele vai ter que aparecer para seus próprios
eleitores. Estou muito ansioso para um debate entre Haddad, com seu
conhecimento e sua sensibilidade, e o Ignóbil, com tudo aquilo que sabemos que
ele não tem. O Execrável ganha votos por causa, também, de setores do conglomerado golpista que abandonaram
suas candidaturas para se atarem ao fascismo. Veja o caso do PSDB paraibano. O senador Cássio Cunha Lima, e o prefeito de Campina Grande, Romero
Rodrigues, mandaram às favas os escrúpulos de consciência e abraçaram a postulação da extrema direita. No futuro serão chamados pela
sociedade para explicarem suas escolhas atuais.
No entanto, é assim
mesmo. A direita, dita liberal, que não quer ser chamada de fascista, não
pestaneja em abrir mão de suas fantasias democráticas para proteger seus
interesses mais comezinhos. Como diria Karl Marx, “perde uma mão, mas não perde
a bolsa”. Sensato seria abrir mão
do tal discurso dos “dois extremos”. A balela de que Haddad e o Abjeto são
iguais por serem extremos. Discurso confortável para quem não quer assumir sua condição
política e ideológica. Para esse dilema, dou uma sugestão: faça sua escolha e
tente viver bem com ela, não esquecendo de assumi-la para o bem e para o mal.
Temos duas opções. Uma,
é a defesa da democracia, da liberdade e do desenvolvimento social. Outra, nos
fará andar para trás com uma venda nos
olhos. Escolha a sua, mas não seja egoísta, não pense apenas em si mesmo, pense
em seus filhos e nas pessoas que você ama. Temos, neste 1º turno,
uma das batalhas dessa guerra que precisamos travar contra o fascismo. Essa
eleição é a mais importante das que tivemos até hoje, pois significa a volta ao
caminho da construção de uma sociedade mais justa, menos desigual. Ganhar esta
eleição significa acumular forças para as próximas batalhas, até porque ainda
teremos que lutar muito para garantir que o resultado das urnas seja
respeitado.
Outubro - 2018
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
Um ultimato ao fascismo
Muito já se falou sobre problemas e perigos de se votar numa candidatura
que é a pura expressão do fascismos que viceja, renitente, em nosso meio. Infelizmente,
o texto abaixo não é meu. O caro leitor desculpe a desatenção, mas não consegui
descobrir quem é Polly Valéria, autora dessa composição que me chegou na forma
de mensagem via WhatAspp.
O texto, que mais parece uma carta, é, em minha opinião, categórico, decisivo, definitivo. É uma espécie de ultimato para aquele familiar, amigo, vizinho, colega de trabalho (ou mesmo ativistas das redes sociais) que nem mesmo sabe porque perdeu a razão ou os vestígios de humanidade que ainda trazia consigo até que a caixa de pandora do obscurantismo fosse aberta. Esse texto é uma última tentativa desesperada de fazer com que algumas pessoas recobrem a razão e o senso de responsabilidade cidadã até o dia da eleição.
Bem sei que em algum momento muitos olharão para trás e se darão conta da péssima escolha que fizeram. Vão se perguntar porque adotaram o ódio, a violência, a ignorância, o preconceito, numa palavra, porque se encantaram com o fascismo. Espero que isso possa acontecer sem que o Inominável vença o arremedo de procedimento democrático que vamos ter no próximo dia 07 de outubro.
O que você sente ao apoiar o extermínio de indígenas, negros e homoafetivos? Você reza para que seu familiar/amigo/vizinho gay morra em um acidente? Você empresta seu cinto para que seu vizinho corrija seu filho afeminado, com uma surra até a morte?
Você apoia o policial que confunde um guarda-chuva com um arma e mata o trabalhador que está apenas esperando os filhos descerem do ônibus?
Quem é você na homenagem ao Carlos Alberto Brilhante Ustra, que
desencapa o fio e dá o choque? O que sufoca o torturado com um saco na cabeça? O
que leva as crianças pela mão para assistirem a mãe sendo torturada. Ou o que
alimenta os ratos que o torturador colocará nas genitais de mulheres? O que
você sente ao imaginar isso? De que ângulo você mais gosta de assistir isso? Quem é você no futuro educacional das crianças? O que ensina elas a
fazerem sinal de arma com as mãos? O que vota pelo congelamento dos
investimentos na educação?
By Polly Valéria
O texto, que mais parece uma carta, é, em minha opinião, categórico, decisivo, definitivo. É uma espécie de ultimato para aquele familiar, amigo, vizinho, colega de trabalho (ou mesmo ativistas das redes sociais) que nem mesmo sabe porque perdeu a razão ou os vestígios de humanidade que ainda trazia consigo até que a caixa de pandora do obscurantismo fosse aberta. Esse texto é uma última tentativa desesperada de fazer com que algumas pessoas recobrem a razão e o senso de responsabilidade cidadã até o dia da eleição.
Inclusive, vale muito ler o último artigo do jornalista Mario Magalhães
no site The Intercept Brasil, onde ele defende que “(...) irrompe no
ecossistema do poder um raciocínio extravagante: o de que o segundo colocado
nas pesquisas, Fernando Haddad, padeceria do mesmo mal do capitão, o
“extremismo”. Nivelam quem é diferente. De caso pensado ou não, ajudam o único
extremista tresloucado”. A verdade é dura:
quem fica em cima do muro consente com as ideias nazifascistas do bolsonarismo
Bem sei que em algum momento muitos olharão para trás e se darão conta da péssima escolha que fizeram. Vão se perguntar porque adotaram o ódio, a violência, a ignorância, o preconceito, numa palavra, porque se encantaram com o fascismo. Espero que isso possa acontecer sem que o Inominável vença o arremedo de procedimento democrático que vamos ter no próximo dia 07 de outubro.
Foi assim mesmo que aconteceu na Alemanha no pós 2ª guerra mundial.
Muitos alemães se arrependeram de ter apoiado Hitler e a sociedade precisou
passar por um lento processo de reeducação. Aqui, no Brasil, isso vai acontecer,
também. Chegará o momento em que muitos se arrependerão do caminho escolhido.
Quando isso acontecer, teremos que estar bem próximos para ajudar na reeducação
dessas pessoas. Claro, tem casos que não tem solução. Mas, aí deixaremos para a
própria justiça resolver. Uma justiça diferente, não essa que temos hoje. Mas, vamos viver um dia de cada vez. No momento, a tarefa é impedir que
o mal maior vença as eleições. O texto de Polly Valéria pode ajudar.
Aos meus familiares, amigos e conhecidos
eleitores do Bolsonaro.
QUANDO FOI QUE VOCÊS SE TORNARAM FASCISTAS?
O que é que vocês precisam proteger derramando o sangue dos seus irmãos?
O que você sente ao imaginar a fala do seu candidato sendo realizada?O que você sente ao apoiar o extermínio de indígenas, negros e homoafetivos? Você reza para que seu familiar/amigo/vizinho gay morra em um acidente? Você empresta seu cinto para que seu vizinho corrija seu filho afeminado, com uma surra até a morte?
Você apoia o policial que confunde um guarda-chuva com um arma e mata o trabalhador que está apenas esperando os filhos descerem do ônibus?
QUAL É O SEU PAPEL NESSA BARBÁRIE TODA?
O QUE AS MULHERES REPRESENTAM PARA VOCÊ?
E você mulher eleitora desse candidato, o que você é? Uma fraquejada? Mão
de obra barata? Uma vagabunda incompetente? Uma fábrica de criar desajustados? O
que te faz se conectar com um ser humano que quer o seu extermínio? Que pulsão
de morte é essa? O que te faz se sentir um ser superior e apoiar o extermínio das
minorias (Nas quais você certamente está inserido)? Que parte de você se
conecta com tanta violência, desumanidade e ódio? Você vai dormir tranquilo dando o cargo de maior poder do seu país a um
desajustado, incapacitado e violento que o que mais deseja é derramar sangue? Eu pergunto a você meu familiar, amigo e conhecido eleitor desse
sujeito. AONDE FOI QUE VOCÊ PERDEU SUA HUMANIDADE?By Polly Valéria
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
Tutorial para não ser tido como um idiota
Depois de ouvir asneiras de toda sorte que meus conscienciosos ouvidos puderam suportar (sobre política, história, filosofia, ideologias, cultura, religiões) fiz uma espécie de guia para quem não quer ser tido como um “coxinha-manifestoche” e para que não se confunda quem ignora o bê-á-bá do conhecimento social e humano com os que adotaram, em livre e espontânea vontade, o receituário conservador-fascista-reacionário que carece de verossimilhança com a realidade. Recolhi as pérolas que se lerá abaixo, a partir de meus (desnecessários?) esclarecimentos, sem fazer pesquisa pelas redes sociais onde a estupidez grassa livre, leve e solta. Pouco me esforcei, bastou apurar os ouvidos em alguns lugares públicos e, principalmente, nas salas de aula onde atuo como professor, essa profissão alvo preferencial de uma horda de néscios obcecados em divulgar o desconhecimento e a estupidez para atingir objetivos que não vem ao caso discutir.
João Goulart não era, nunca foi, comunista. Pelo contrário, defendia a modernização do capitalismo e o desenvolvimento da sociedade brasileira sem romper com os conflitos entre as classes sociais. Aliás, Goulart não condecorou Ernesto “Che” Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul em 1961. Quem o fez foi Jânio Quadro que, como Jango, também não era comunista. A esfera vermelha que aparece na bandeira do Japão não é símbolo do comunismo. Ela representa o sol já que o Japão é a terra do sol nascente. O vermelho não é cor exclusiva do comunismo, já que aparece nas bandeiras de países como EUA, França, Alemanha, Bélgica, Espanha. A Constituição Brasileira não é influenciada ideologicamente pelo marxismo nem pelo comunismo. Ela, assim como a Constituição dos EUA, é inspirada no ideário liberal-burguês-iluminista.
Gênero são características da masculinidade e da feminilidade; e é um instrumental de análise das relações humanas e sociais. As distinções entre mulheres e homens são construídas socialmente, variam de acordo com as culturas, e determinam o papel social atribuído à mulher e ao homem, além de suas identidades sexuais. Assim, o gênero não pode ser uma ideologia! “Ideologia de gênero" foi criado por fundamentalistas religiosos e não tem respaldo nas ciências humanas e sociais. Mais adequado seria usar o termo "ensino de gênero e sexualidade".
Nazismo e socialismo não tinham vínculos ideológicos! Pelo contrário, os nazistas eram visceralmente anticomunistas, de extrema-direita e defensores do capitalismo. Entre as primeiras vítimas das tropas fardadas do Partido Nazista estavam militantes do Partido Comunista Alemão. Hitler era tão averso ao comunismo como era ao judaísmo. Olavo de Carvalho não idealizou o conservadorismo e não é sua referência única. Quem deseja estudar o conservadorismo deve começar lendo a obra do filósofo irlandês Edmund Burke que defendia o crescimento orgânico das sociedades e era avesso a reformas e revoluções violentas.
É um extremo equívoco se basear no mandamento bíblico “não matarás” para se opor ao aborto, já que o próprio texto bíblico mostra que podia-se matar estrangeiros, inimigos de Israel, mulheres adúlteras. Vincular o quinto mandamento ao aborto termina sendo uma manipulação do texto bíblico. Facebook não é uma biblioteca virtual onde se busca o conhecimento. As Redes Sociais são tão somente grupos de relacionamento virtual.
Não se é liberal na economia e conservador nos costumes. Como a água e o óleo, essas questões não se misturariam. Do ponto de vista político, é a visão sobre os limites dos poderes do Estado, e não os valores morais, que torna a pessoa liberal ou conservadora. A diferença não está nos valores, mas nos princípios que se possa defender.
Dilma Rousseff não fez parte do atentado, promovido pela Vanguarda Popular Revolucionária, que vitimou o soldado do exército brasileiro Mario Kozel Filho em 26/06/1968 em São Paulo. Nem poderia, neste ano era militante da COLINA e atuava em Minas Gerais. Marielle Franco NÃO fazia parte de organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho. Ela foi executada por denunciar atividades criminosas de grupos que agem dentro da Polícia Militar e do parlamento carioca. Marielle foi assassinada por lutar contra o racismo, a homofobia, a misoginia e pelos direitos dos desprivilegiados de sempre. Mulheres não saem de casa com roupas diminutas “apenas” em busca de um homem que lhes faça “o favor” de estupra-las. Mulher nenhuma quer ou gosta de ser violentada.
Lula não
é analfabeto em que pese sua origem social. Claro está que um analfabeto não seria
presidente, principalmente num país como o Brasil, e que cerca de vinte Universidades nacionais e estrangeiras não o tornariam Doutor Honoris Causa se ele não possuísse instrução formal. Direitos Humanos são prerrogativas básicas dos seres humanos - direitos civis e políticos, econômicos, sociais e culturais. Os defensores dos Direitos Humanos não são vagabundos e não gostam de bandidos, apenas lutam para que viver à margem da lei não seja opção única para quem quer que seja.
Monarquias davam sustentação ao feudalismo, por exemplo. O capitalismo criou seu sistema político próprio a partir das revoluções burguesas. Com raríssimas exceções, pelo mundo ocidental, monarquias têm papeis meramente figurativos e/ou decorativos. Defender que o Brasil se torne uma monarquia é tão anacrônico quanto querer a volta da escravidão. Homossexualismo não é doença, daí não ser possível haver uma “cura gay”. Aliás, não existe uma “ditadura gayzista”, seja lá o que isso possa vir a ser.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra não é uma quadrilha, no sentido criminal da palavra. O MST é uma das organizações que lutam pela reforma agrária nunca realmente feita no Brasil. Não existe real e efetiva possibilidade do Brasil se tornar comunista. Inclusive Fernando Henrique Cardoso não é, nunca foi, comunista! A nudez não é autoexplicativamente imoral, ela é aquilo que os olhos que a veem querem que ela seja. O Planeta Terra NÃO é plano, é REDONDO. Cerca de 350 a.C., Aristóteles demonstrou isso ao observar que nos eclipses lunares a sombra da Terra na face do sol é curva. Ao atravessar o Oceano Pacífico, indo até à costa oriental da Ásia (entre 1521 e 1522), o português Fernão de Magalhães fez a primeira viagem de circum-navegação na Terra provando sua esfericidade. No final do século XVII, ao apresentar o conceito de gravidade, Isaac Newton também provou a impossibilidade de a Terra ser plana.
A Terra
NÃO é o centro do Universo. O astrônomo e matemático Nicolau Copérnico desmontou
(entre os séculos XV e XVI) o geocentrismo ao provar que o Sol é o centro do Universo,
desenvolvendo o heliocentrismo. No
século XVII, O físico, astrônomo e filósofo Galileu Galilei também provou que o
Sol, e não a Terra, é o centro do sistema não por acaso chamado de SOLAR. Aristóteles
já dizia que o “homem é o animal político”, assim pode-se não ter opinião
formada sobre certas coisas, mas ser apolítico é impossível.Não há registro crível de que algum africano tenha se oferecido a um europeu para ser escravizado nas Américas entre os séculos XVII e XIX. Não é razoável supor que alguém quisesse ser acorrentado, açoitado, humilhado, para trabalhar sem remuneração. Aliás, não foi por obra e graça do divino espírito santo que países como Angola, Cabo Verde, Moçambique e Brasil adotaram a língua portuguesa. Não houve um processo seletivo para que esses países escolhessem seus idiomas que foram, na verdade, impostos pelo colonizador português. A ação humana tem sim impacto sobre o clima. Basta prestar atenção na relação entre desmatamento e alterações significativas nas estações do ano.
A Escola até deve não ter partido (no sentido das instituições político-partidárias), o que ela não pode em hipótese nenhuma é não ter filosofia, política, sociologia, ideologia, diversidade em seu meio e em seu entorno. Os homens mais ricos do mundo, como Bill Gates, Warren Buffett e os irmãos Koch, não são de esquerda, são capitalistas que tem no lucro a própria razão de suas existências.
Vacinas existem para combater um sem número de doenças, mesmo que provoquem efeitos colaterais. As vacinas não são, propositadamente, feitas para matar ou adoecer crianças. Programas sociais como Bolsa Família não são esmolas dadas pelo governo, são políticas públicas que visam diminuir as desigualdades sociais brasileiras. O PT não é um partido comunista que quer transformar o Brasil numa Cuba, até porque, quando no poder, se encantou pela economia de mercado e tentou conciliar os interesses das classes sociais.
Infelizmente,
não existe uma União das Repúblicas Socialistas da América Latina (URSAL), ou
algo que o valha. Havia, nos anos 1960, uma relação entre partidos e organizações
de esquerda de vários países do continente americano baseada nos ideais da
Revolução Cubana.
PS: O
eclipse lunar conhecido como “Lua Vermelha” não é uma jogada de marketing dos
petistas para difundir o comunismo pelo mundo. Ninguém me falou isto, estou
antecipando caso tenha passado pela cabeça de algum militante da Juventude
Hitlerista do Movimento Brasil Livre. Agradeço
antecipadamente ao que quiserem contribuir com este tutorial, acrescentando
outras asneiras recolhidas não importa onde.
Com
as contribuições de Clara Freitas. Agosto/2018domingo, 1 de julho de 2018
Sou brasileiro, sem orgulho e sem amor!
Copa do Mundo na Rússia, quinta-feira, 21 de junho. Estou em Campina Grande, numa praça de alimentação de um shopping Center (por que não digo centro de compras?!), assistindo a Croácia dar um chocolate na Argentina. Não torço pela Argentina, isso é coisa de futebol, como não consigo torcer pelo Vasco, Corinthians e Treze.
O narrador Global fala "no amor pela nossa
seleção" e os comerciais de um Brasil que não existe mais, insistindo no
ufanismo pachequista de quando Seleção Brasileira, Ditadura Militar e Rede
Globo tinham tudo haver. Pessoas passam com camisas de times de futebol (estou com
uma rubro-negra da Raposa do Nordeste) e de seleções como Argentina e Espanha.
A camisa dos portugueses é tão bonita que até quis adquirir uma. Mas, se me
recuso a usar a camisa do meu país, porque vestiria a da nação que nos impôs um
sistema escravocrata que nos legou este presente horroroso que temos?
Um funcionário de uma loja, desse centro de
compras onde estou, me disse que em uma manhã vendeu três camisas da Argentina
e uma de Portugal. Perguntei quantas da Seleção da CBF foram vendidas. Nenhuma!
Isso mesmo, quatro camisas de seleções adversárias do Brasil foram vendidas
enquanto não se comprou uma mísera camisa amarela. O brasileiro parece não amar
mais a Seleção como quer o galvanizado narrador da emissora que tem tudo haver
com o estado de coisas lastimável em que vivemos.
À minha volta, “técnicos do Brasil” insistem
nas estultices de sempre. Muitos não sabem que Danilo, Fernandinho, Felipe Luís
e Alisson jogam nessa Seleção. São os que acham que “seleção é Neymar + dez que
não jogam porra nenhuma porque só pensam em dinheiro”, que só veem os jogos pela
TV Globo, narrados por Galvão Bueno, e que Neymar é “um menino querendo se
divertir”. Para mim, Neymar é mais um bom jogador, de caráter duvidoso, que se
pretende pop star. Neymar só seria um ídolo se jogasse como Zico, Sócrates,
Falcão. A seleção de 2018 só tem um Neymar, naquela de 1982 havia dez!
Em Brasileiro pode sim não torcer na Copa, Marcelo Rubens Paiva diz: “É justa a decepção com a Seleção. Pode sim não torcer na Copa. É justo não se identificar com os heróis da ostentação, comandados por dirigentes corruptos. É um direito dizer “sou brasileiro, sem orgulho”, trata-se de um país retrógado e conservador em direitos fundamentais, em que teses progressistas são barradas por uma classe política não laica”.
Em Brasileiro pode sim não torcer na Copa, Marcelo Rubens Paiva diz: “É justa a decepção com a Seleção. Pode sim não torcer na Copa. É justo não se identificar com os heróis da ostentação, comandados por dirigentes corruptos. É um direito dizer “sou brasileiro, sem orgulho”, trata-se de um país retrógado e conservador em direitos fundamentais, em que teses progressistas são barradas por uma classe política não laica”.
Vendo o mundo em minha volta, enquanto a Copa
passa no telão, lembro que fazem 94 dias que Marielle Franco foi executada e
que ainda não se fez justiça, se é que se fará. Como torcer pela seleção que
usa o símbolo do golpe que destituiu uma presidente eleita? Golpe este que
instituiu um sistema que mescla procedimentos democráticos com entulhos
autoritários, legados pelo Regime Militar, e que pôs no poder uma quadrilha
formada pelo que de pior uma sociedade, forjada num sistema de exploração e
violência, pôde formar.
Não posso torcer alienadamente pela seleção da
CBF enquanto um ex-presidente está há 70 dias preso, condenado que foi, sem
provas, a partir das convicções de um juiz de frágil instância e nenhum
caráter. Lamento, não posso vestir as mesmas cores usadas para se por fim a uma
série de direitos sociais que conquistamos lenta e penosamente. Vestir uma camisa amarela me fará sentir igual aos
estúpidos que, lá na Rússia, se comportam como um bando de trogloditas que veem
uma mulher como ser inferior que só interessaria por, supostamente, ter sua
vagina de uma determinada cor. Não, verde-amarelo nunca mais! Meu coração é
vermelho, como já dizia o poeta.
Sinto um profundo pesar quando lembro que
muitos dos que torcem ardorosamente por esta seleção são os que, na abertura da
Copa de 2014 em São Paulo, mandaram a Presidente Dilma Rousseff TNC. São os que
bateram panelas para pedir o impeachment de Dilma e que querem intervenção e ditadura
militares. O verde-amarelo ficou indelevelmente identificado com o golpismo
reacionário dos coxinhas-manifestoches!
Por favor, não exijam o que não posso dar. Não vestirei
uma camisa verde-amarela para torcer. Sim, estou assistindo aos jogos da seleção
da CBF, mas ainda não consegui vibrar. Ainda não pude comemorar uma vitória sequer,
mesmo que tenha achado lindo o gol de Paulino, contra a Sérvia, com aquele
lançamento primoroso de Philippe Coutinho.
Torcerei contra o Brasil? Vestirei uma camisa da Argentina em sinal de protesto? Não, nada disso! Para mim, o futebol é algo que transcende tudo isso. Amo o futebol e assisto a Copa como se fosse o maior espetáculo da terra. Mas, nesta Copa não tenho nada para comemorar, muito menos do que me ufanar. Sou brasileiro, mas sem nenhum orgulho e sem nenhum amor.
Torcerei contra o Brasil? Vestirei uma camisa da Argentina em sinal de protesto? Não, nada disso! Para mim, o futebol é algo que transcende tudo isso. Amo o futebol e assisto a Copa como se fosse o maior espetáculo da terra. Mas, nesta Copa não tenho nada para comemorar, muito menos do que me ufanar. Sou brasileiro, mas sem nenhum orgulho e sem nenhum amor.
Julho - 2018
sábado, 26 de maio de 2018
Locaute a la Brasil
A luta político-ideológica neste momento se dá para
levar o Exército a intervir, pois estamos sem governo. Quem governa o país
hoje? Michel Temer? Os presidentes do Senado e da Câmara federais tentaram
alguma coisa, mas como agir sem legitimidade? O STF está de braços cruzados e
assim ficará, pois os homens da toga preta esperam que governo e partidos rastejem
até eles. Parte da sociedade, que vê os
caminhoneiros como sua caixa de ressonância, quer intervenção militar mesmo que
não saiba para quê e que não vislumbre as funestas consequências se, e/ou
quando, os militares tomarem o poder para “reestabelecer a ordem”. Parecemos nas
mãos deles até porque setores que são contra o intervencionismo apenas gritam
histericamente nas redes sociais.
A paralização dos caminhoneiros é um movimento autoritário, pois não representa os interesses de uma classe social e parece ser a reedição das “greves de caminhoneiros” de 1964, no golpe civil-militar brasileiro, e 1973, no golpe militar chileno, onde a ideia era paralisar o setor produtivo para implantar o caos e desestabilizar seus governos, contribuindo para o golpismo. Essas paralisações foram promovida pelos empresários com apoio logístico da CIA e do Departamento de Estado dos EUA.
O
professor de direito da UERJ, Afrânio Jardim, afirmou em seu Facebook que essa greve
é uma “paralisação das empresas, um ‘Lock
Out’ para truncar o processo eleitoral”. Jardim disse que “pela televisão, se verifica caminhões sem
carroceria, do mesmo modelo e cor, com faixas contra os impostos e não contra o
preço do combustível. O Sistema Globo dá ampla e permanente cobertura para inflar
o movimento dos patrões. Este tipo de ‘Lock Out’ ajudou na queda do socialista Salvador Allende, no
Chile, e criou clima favorável ao golpe que derrubou João Goulart. Podemos
dizer que ‘há mais coisa entre o céu e a terra do que sonha nossa vã
filosofia".
Entidades
empresariais como Associação dos Produtores de Soja, Associação Brasileira de
Atacadistas e Distribuidores, Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas e Confederação
Nacional dos Transportes afirmaram que a greve dos caminhoneiros é legítima,
num claro posicionamento favorável a um movimento do qual deveriam ser contra. Estranho
que patrões estejam ao lado de trabalhadores considerando que somos uma
sociedade capitalista. Fiquemos em alerta pelos efeitos colaterais dessa
paralisação, pois ela pode ser a justificativa para não termos eleições. É que
o conglomerado golpista de 2016 não consegue viabilizar o anti-Lula – uma
candidatura para enfrentar, com chances reais, o próprio Lula ou alguém que ele
apoie. Assim, o adiamento das eleições e a constituição de um governo
interventor jurídico-militar, com apoio da grande mídia, é uma possibilidade
que não se deve descartar.
A
Revista Fórum, em editorial da quarta-feira (23/05/18), Crise pode levar Brasil a um golpe dentro do golpe, afirma que: “Em grupos de
direita pelas redes sociais as mensagens defendendo intervenção militar estão
viralizando. Vídeos falando sobre o caos com o aumento do preço dos
combustíveis e invocando as Forças Armadas para resolver a crise têm sido
espalhados. Os indícios são de que parte dessas mensagens está sendo enviada
não de maneira orgânica ou espontânea, mas por postagens pagas e provavelmente
a partir de distribuição por linhas telefônicas do exterior”.
Sobressaltado,
vi vídeos onde a preocupação não é a luta pelos interesses de uma categoria
profissional, mas sim instrumentalizar o movimento para pavimentar a incursão
golpista dos militares. Vi um caminhoneiro dizer: “Estamos juntos na greve, fazendo adesivos para colar nos nossos carros
e nos de quem apoiar essa greve. Intervenção militar já! Se a gente não tirar
esses corruptos do poder, a gente não vai para frente". Em outro
vídeo, viralizado pelo WhatsApp, um homem aparece em frente a uma impressora
industrial mostrando adesivos com a frase: “Intervenção
militar já!”.
Um terceiro vídeo mostra uma fila de caminhões,
bloqueando uma rodovia, com um caminhoneiro exaltado pelo fervor nacionalista
berrando autoritariamente: "Representando
o caminhoneiro, o transportador de carga. Aqui tem brio, aqui tem sangue (...) parando
São Paulo, parando o Brasil e indo para Brasília destituir os três poderes
corruptos. Intervenção militar já. O povo está cansado de sustentar estes
corruptos. Aqui é patriota". Mesmo que não queira subestimar o
brasileiro em sua infinita capacidade de abusar de seus próprios direitos, fico
imaginando uma caravana de caminhões adentrando a Esplanada dos Ministérios
para depor os tais poderes corruptos. Estaria o bolsonariano motorista
delirando ou teriam lhe dito que tanques de guerra se juntariam aos caminhões
na Praça dos Três Poderes em Brasília?
Um
jornalista me perguntou se estamos na antevéspera de uma intervenção militar? Disse
não ter certeza, mas afirmei que trilhamos rapidamente o caminho que ainda nos
levará a uma ditadura ou a adotarmos um sistema político em que o autoritarismo
dará sustentação ao funcionamento de alguns, poucos é bem verdade,
procedimentos democráticos. Neste cenário, teremos eleição e censura
funcionando juntas, como se não fossem paradoxais entre si, e a garantia da
liberdade de expressão mesmo que o cidadão possa ser preso e até condenado por tornar
públicas suas opiniões. Assim, o regime político elegerá seus governantes, mas
estes poderão reprimir seus inimigos, com “Supremo com tudo”.
Alguma
surpresa? Nenhuma, não foi assim que o regime militar funcionou? Lembro que Hannah
Arendt, em “As Origens do Totalitarismo”, nos mostra que em situações de caos,
de ausência de direção, com instituições politicas fragilizadas e governo
anódino, vale a lei do mais forte. O caos interessa aos que preferem a
ditadura!
Para finalizar,
sugiro relacionar toda essa questão com o processo eleitoral que cada vez mais
tenho menos esperança que possa se realizar ainda este ano. Vejamos o que diz Celso
Rocha de Barros, doutor em sociologia pela Universidade de Oxford, num artigo
para a Folha de São Paulo, Bolsonaro
te acha otário
“E se você acha que roubarem seu dinheiro e te deixarem sem comida é a pior coisa que pode lhe acontecer nessa história, veja o que Bolsonaro está fazendo. Bolsonaro gosta da greve dos caminhoneiros porque cedo ou tarde alguém vai morrer sem hemodiálise por causa da paralisação, e Bolsonaro quer que pessoas morram sem hemodiálise. Bolsonaro apoia a greve dos caminhoneiros porque o desabastecimento vai deixar a população com fome, e Bolsonaro quer a população com fome. Bolsonaro quer isso tudo porque sabe que quanto mais você estiver com raiva, medo e fome, quanto mais estiver desesperado e sem saber o que fazer, menor será sua capacidade de pensar direito. E ninguém jamais votará em Bolsonaro se estiver pensando direito. Bolsonaro apoia a greve para produzir desordem agora e vender ordem em outubro”.
“E se você acha que roubarem seu dinheiro e te deixarem sem comida é a pior coisa que pode lhe acontecer nessa história, veja o que Bolsonaro está fazendo. Bolsonaro gosta da greve dos caminhoneiros porque cedo ou tarde alguém vai morrer sem hemodiálise por causa da paralisação, e Bolsonaro quer que pessoas morram sem hemodiálise. Bolsonaro apoia a greve dos caminhoneiros porque o desabastecimento vai deixar a população com fome, e Bolsonaro quer a população com fome. Bolsonaro quer isso tudo porque sabe que quanto mais você estiver com raiva, medo e fome, quanto mais estiver desesperado e sem saber o que fazer, menor será sua capacidade de pensar direito. E ninguém jamais votará em Bolsonaro se estiver pensando direito. Bolsonaro apoia a greve para produzir desordem agora e vender ordem em outubro”.
PS: Na matéria do UOL, PF pediu prisão de
empresários acusados de articular greve, “Locaute acontece quando donos das empresas impedem seus trabalhadores
de exercerem suas funções, agindo em interesse próprio e não para atender
reivindicações laborais. Diferente da greve, um direito previsto na
Constituição Federal, o locaute (termo que vem do inglês lock out e em tradução
livre significa trancar) é ilegal”. Agora mesmo, vejo notícias de que
empresários do ramo de transportes estão por trás das greves dos caminhoneiros.
É por isso que os “grevistas” só falam em baixar os impostos e em intervenção
militar, demandas claras dos donos do capital.
PS: Menos de 24 horas após ter postado esta
coluna, a realidade (sempre mais contundente do que minhas opiniões poderiam e gostariam
de ser) veio, infelizmente, confirmar a análise que faço acima. O vídeo abaixo
traz um exemplo lamentável de vergonha alheia!
O fato se deu em frente ao 31° Batalhão de
Infantaria Motorizada, no domingo (27/05/18), em Campina Grande-PB, também conhecida
como a “ilha tucana” por que consagrava nas urnas o PSDB, em sua versão
coronelística, enquanto o Nordeste em peso elegia governos comprometidos com o
desenvolvimento social brasileiro, falo de Lula e Dilma Rousseff. Nas imagens podemos ver, literalmente, vivandeiras-manifestoches (veja o artigo Vivandeiras querem golpe), claro, batendo à porta de um quartel pedindo golpe e ditadura, numa atitude sabuja, reacionária, alienada, totalitária. Sabemos bem onde isso termina! A charge de Duke demonstra claramente o que inevitavelmente acontecerá com essa gente estúpida que pensa que a força é solução para todos os nossos dilemas.
Maio – 2018.
segunda-feira, 2 de abril de 2018
Bichos escrotos dão nome aos bois
Bichos escrotos dão nome aos bois
Vez por outra, quando sou acometido pela incurável dor do saudosismo, aquela dor que é boa de doer, do “tempo-em-que-tudo-era-melhor-do-que-nos-dias-de-hoje”, ouço meus discos de vinil em minha vitrola “Harmony” que, com seu estilo “retrozão”, torna tudo mais delicioso, mais emocionante, com mais cheiro e sabor de antigo.
Para mim, o antigo tem o cheiro delicioso do pão assado pela minha mãe na velha grelha de ferro. O “meu tempo antigo” tem o cheiro do enorme “abacaxi” que saía na palmeira de nosso jardim anunciando que novas folhas brotariam. Minha antiguidade nunca esquecida tem o som do “chiadinho” dos discos de vinil que ouvíamos em casa.
Aliás, o “chiadinho” dos meus discos de vinil é santo remédio para os males de nossos dias. Salvo-me da estupidez que campeia nosso entorno, que faz um procurador da República dizer que está orando e jejuando para que um ex-presidente seja preso, ouvindo meus discos de vinil. Por ser fruto desse tempo que é antigo, mas não é velho, desisti de tentar entender porque sempre acho que as coisas (músicas, filmes, livros, movimentos político-sociais, ideias, modas, costumes) do tempo em que eu era mais jovem são bem melhores do que as de hoje.
E, quer saber? As coisas do tempo em que eu tinha 20 e poucos anos eram bem melhores do que as coisas de hoje quando estou à beira do ½ século de vida. Afinal, não vamos aqui discutir quem é melhor: se Belchior ou Pablo Vittar...
E, quer saber? As coisas do tempo em que eu tinha 20 e poucos anos eram bem melhores do que as coisas de hoje quando estou à beira do ½ século de vida. Afinal, não vamos aqui discutir quem é melhor: se Belchior ou Pablo Vittar...
Mas, porque estou divagando? É que estou ouvindo o vinil “Go Back” dos Titãs de 1988 - o primeiro lançamento da banda gravado ao vivo. No encarte, leio a mensagem: “A música ‘Bichos escrotos’ tem a rádiofusão e execução pública proibida em virtude de ter sido vetada pelo Departamento de Censura e Diversões Públicas da S.R. do D.P.F”. Censura?! Mas, a ditadura
militar já não tinha acabado em 1985? Em 1988 não estávamos aprovando a Constituição Cidadã? Sim e não!
Em 1988 não tínhamos mais um general-presidente no poder e só. De resto, vivíamos numa fragilíssima democracia. Era a “Nova República” do PDS/PFL, de José Sarney, Marco Maciel, ACM, Fernando Collor, et caterva, dos Planos Econômicos Cruzados, da hiperinflação, da incerteza se iríamos eleger um presidente. Neste ano, o líder seringueiro e ambientalista, Chico Mendes, foi assassinado por causa de suas ideias e lutas – a semelhança com a execução de Marille Franco não é mera coincidência. Vivíamos numa ilha de democracia tutelada por um mar de autoritarismo.
Em 1988 não tínhamos mais um general-presidente no poder e só. De resto, vivíamos numa fragilíssima democracia. Era a “Nova República” do PDS/PFL, de José Sarney, Marco Maciel, ACM, Fernando Collor, et caterva, dos Planos Econômicos Cruzados, da hiperinflação, da incerteza se iríamos eleger um presidente. Neste ano, o líder seringueiro e ambientalista, Chico Mendes, foi assassinado por causa de suas ideias e lutas – a semelhança com a execução de Marille Franco não é mera coincidência. Vivíamos numa ilha de democracia tutelada por um mar de autoritarismo.
Vejam a contradição. Enquanto aprovávamos uma nova Constituição, para servir a um Estado que se pretendia democrático, seguíamos censurando bem ao estilo da época em que o Regime Militar mantinha um censor em cada uma das redações dos principais jornais do país. Interessa notar que os diligentes censores da imberbe democracia de 1988 foram tão ágeis e zelosos em
proibir “Bichos Escrotos”, mas deixaram passar “Nome aos Bois”, “Massacre” e “Polícia”. São todas músicas que criticavam fortemente o sistema político-social da época.
Sim, a música “Bichos Escrotos” não fugiria ao crivo do falso moralismo autoritário da época por causa do verso: “Oncinha pintada / Zebrinha listrada / Coelhinho peludo / vão se fuder! / Porque aqui na face da terra / Só bicho escroto é que vai ter”. Mas, as limitações intelectuais dos censores não lhes deixou ver que “Nome aos Bois” nomeia, literalmente, os tais bichos escrotos que existiram e existiam na época. Em “Polícia”, os Titãs diziam: “Polícia para quem precisa / Polícia para quem precisa de polícia”. Nada mais atual. Aliás, se trocássemos a instituição coercitiva policial pela judiciária, a música ficaria ainda mais atual. Imagine que poderíamos cantar: "STF para quem precisa / STF para quem precisa de Judiciário".
Ouvindo “Nomes aos Bois” me permiti, com devido respeito a uma de nossas melhores bandas de rock, uma licença politico-ideológica. Troquei os nomes que Nando Reis, Marcelo Fromer, Arnaldo Antunes e Tony Bellotto, compositores da música, colocaram por outros que estam em evidência. Os nomes que aparecem na versão original são bastante representativos do que poderíamos chamar daquele nicho da raça humana que não deu certo. Os nomes que coloquei não pretendem superar os originais, mas bem que eles tentam.
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