Considero que o renomado jornalista Marcos Guterman exagera (na análise abaixo) quando, figurativamente, considera que existem duas Venezuelas – uma pró e outra contra Chávez -, pois muitos dos que votaram NÂO no referendo à Constituição chavizta não deixam de serem simpáticos a muitas das ações do governo. No entanto, não posso desconsiderar o fato de que Chávez comprou recentemente 30 mil fuzis à Rússia e não os entregou ao Exército regular da Venezuela, e sim a Milícia Bolivariana, criada por ele próprio, e que tem como função "... defender a implantação do socialismo do século XXI contra ameaças". O que pretende Chávez ao armar aqueles que ele mesmo deu tantas prerrogativas?
Vejam a análise e reflitam.
Chávez e as duas Venezuelas
por Marcos Guterman, Seção: América Latina s 11:48:27.
http://blog.estadao.com.br/blog/guterman/?blog=33&page=1&disp=posts&paged=2
O presidente Hugo Chávez sofreu a primeira derrota eleitoral de sua trajetória, encerrando, ao menos por ora, seus planos de transformar-se em Duce da Venezuela. Chávez esbarrou no que restou de democracia no país, um lugar irremediavelmente dividido e envenenado pela ideologia chavista. Pode-se dizer que Chávez inebriou-se com suas próprias palavras e ações, entendendo que o referendo de ontem apenas confirmaria suas profecias acerca do futuro da Venezuela. Como todo ser que se acredita ungido, Chávez ignorou os sinais, internos e externos, que apontavam insistentemente que ele estava indo longe demais. Ele criou enorme desgaste para a imagem do país, prejudicou relações diplomáticas com vários governos e criou desconfiança nos investidores; em casa, estrangulou a economia com uma política suicida de controle de mercado em nome do "socialismo", marginalizou a oposição e abriu caminho para um clima crescente de guerra civil. Ao fim e ao cabo, o resultado das urnas confirma que há duas Venezuelas, e que elas não se reconciliarão enquanto Chávez estiver no poder.
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