quinta-feira, 4 de outubro de 2012

VITÓRIA DE PIRRO DA DEMOCRACIA



Charge do cartunista Laerte. Revista Caros Amigos - Ano IV - n° 15 - Novembro/2002.

Edição Especial “Para onde vai a democracia?”


Fala-se que Pirro, rei do Épiro na Grécia, disse, ao ganhar a batalha do Ásculo no ano 208 a.C., que outra vitória daquela e ele estaria perdido. Pirro se referia a quantidade de guerreiros que viu morrer e ao fato de não ter mais onde recrutar soldados. É por isso que se diz, quando uma vitória é obtida a um alto preço e com graves prejuízos, que se teve uma “vitória de Pirro”. Assim estamos nós em relação ao sistema democrático que temos.



Não vivemos mais em uma ditadura. Ganhamos a batalha contra o autoritarismo. Avançamos em muitos aspectos. Mas, a que preço? O que conseguimos levar dessa vitória? Temos uma democracia sólida? Vivemos em uma democracia de procedimentos, recheada de formalismos, mas nossa cultura política é herdeira das prerrogativas que as ditaduras que tivemos no século XX nos legaram. O nosso “custo democracia” é muito alto e os benefícios são muito baixos.




Antes que alguém pense que eu prefiro algum tipo de sistema autoritário, quero dizer que a mais deficiente das democracias é sempre melhor do que a mais eficiente das ditaduras. Mas, a falta de qualidade de nossa democracia é gritante.




Ouvimos o tempo todo que a democracia brasileira está consolidada. Afirma-se que eleição é a festa da democracia. Festa? Como assim? Eleição é o processo pelo qual escolhemos nossos representantes. Simples assim.



Por que, depois de tantas eleições, com alternância no poder (que é condição necessária, apesar de insuficiente, para se ter democracia), continuamos a tratar este momento como algo inusitado? Como algo raro. Temos eleições a cada dois anos, mas elas são aguardadas e tratadas como uma Copa do Mundo, como se fossem um cometa que nos visita a cada cem anos. Assim, temos mesmo que tratar as eleições como uma grande festa.




A realidade desmente os desprovidos de cautela, os que apressadamente proclamam que nossa democracia é sólida. Nós não temos, neste momento, ameaças de uma volta a um passado autoritário. Mas, isso é tudo?




Nossa democracia tem deficiências que as eleições que acompanhamos fazem aflorar. Vejamos exemplos, quem sabe se não nos convencemos do óbvio ululante. E vejam que não vou falar de fatos isolados, mas de coisas que ocorrem a cada nova eleição. Vejamos a presença das Tropas Federais nas ruas no dia das eleições. Se nossa democracia é sólida, as urnas é que deveriam assegurar as armas, não o contrário. Como na época da ditadura, seguimos recorrendo a força para garantir procedimentos formais.




Nas eleições de 2010 e nas deste ano traficantes e milicianos, em pontos da cidade do Rio de Janeiro, usavam e usam uma espécie de “tabela” com valores que variam entre 10 e 30 mil reais a serem pagos por candidatos que buscam votos nos domínios deles. Em 2010, tivemos em Campina Grande denuncias dando conta do envolvimento promíscuo de candidatos a cargos eletivos com traficantes. Sabemos que em alguns locais foi imposta a lei do silêncio para que certos candidatos fossem beneficiados.






O nosso estado de direito é tão frágil que precisa das Forças Armadas para garantir princípios e direitos do cidadão, como o de ir e vir e o de expressar opiniões. Não bastam as instituições coercitivas como a Polícia Militar? Precisamos mesmo daqueles que são treinados para a guerra?




Cada um de nós tem pelos menos uma história para contar acerca do comportamento pouco republicano de muitos candidatos que descem ao submundo dispostos a tudo para se elegerem e assim viverem às custas dessa generosa mãe que é o Estado brasileiro.



Nós sabemos que as definições sobre as coligações partidárias e sobre quem será candidato passam bem mais pelos espaços privados (familiares até) e bem menos pelos espaços públicos das instituições que por certo deveriam nos representar.



Entre os meses de maio e junho estabeleceu-se um mercado, não de produtos, mas de siglas partidárias. Era a dança das agremiações. Teve partido que circulou por entre quase todas as candidaturas até que se batesse o martelo e terminasse o leilão.



O cientista político norte-americano Scott Mainwaring definiu, num artigo chamado “Classificando Regimes Políticos na América Latina”, que para que um sistema político seja considerado minimamente democrática precisa ter cinco componentes básicos. Seriam eles: (1) a promoção de eleições competitivas, livres e limpas para o legislativo e o executivo; (2) a existência de uma cidadania adulta e abrangente; (3) ampla proteção às liberdades civis e aos direitos políticos; (4) governos eleitos e de fato governando; (5) a existência de um efetivo controle dos civis sobre os militares.



Eu sugiro que o caro ouvinte tente verificar se nós temos, aqui mesmo em nossa cidade, pelo menos metade dessas condições. Se você chegar às mesmas constatações a que chego diariamente tenha certeza que nosso sistema político está muito longe de ser uma sólida democracia.




Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).