terça-feira, 17 de junho de 2014

A ARMADA DE BRANCALEONE CONTINUA NAS RUAS


Quinta-feira, 12 de junho, mais de 1 bilhão e meio de pessoas, no mundo inteiro, se postaram diante das televisões para assistirem a transmissão da solenidade de abertura e do primeiro jogo da Copa da FIFA. Esta foi uma das maiores audiências da história. Enquanto isso, manifestantes protestavam contra a Copa da FIFA no Brasil. Em pelo menos 06, das 12 cidades-sede da Copa do Mundo, houveram protestos com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha, pessoas feridas e manifestantes detidos. Em São Paulo, a Polícia Militar usou da truculência de sempre, com bombas de efeito moral e cassetetes, para dispersar manifestantes numa estação de metrô próxima ao Itaquerão, onde a seleção brasileira jogaria logo depois.

Em Porto Alegre, manifestantes tentaram se aproximar do local da FIFA Fan Fest, mas a Polícia Militar não permitiu e várias pessoas foram detidas. Os que foram presos, e não foram logo liberados, sofrerão pesadas punições. É que de acordo com a Lei Geral da Copa, aprovada a toque de caixa pelo Congresso Nacional, eles deverão ser enquadrados na Lei de Segurança Nacional, instrumento antigo dos tempos da ditadura militar, por crime contra a pátria. Os manifestantes gaúchos picharam muros dizendo: "FIFA go home", i.e., FIFA vá embora. Eles quebraram vidraças de bancos e do McDonald's, patrocinador da Copa. Em Porto Alegre as manifestações são convocadas pelo “Comitê Popular da Copa”.

Em Fortaleza não foi diferente. Manifestantes tentaram invadir a “FIFA Fan Fest”. Em Brasília tentaram fazer um “catracaço” na estação de metrô da Praça do Relógio. “Catracaço” é quando as pessoas pulam as catracas e entram nos trens sem pagar. Mesmo com palavras de ordem contra a realização do Mundial, membros do Comitê Popular da Copa disseram que estam protestando contra o fato de pessoas terem sido removidas, a força, de seus locais de moradia por causa de obras para a Copa. Já no sábado, a Polícia Militar mineira prendeu dez pessoas com coquetéis molotov. Enquanto Colômbia e Grécia se enfrentavam no Mineirão, cerca de 200 pessoas protestavam contra a Copa do Mundo na Praça Sete, no centro de Belo Horizonte.

Eu vi uma foto, tirada na manifestação de São Paulo, que exemplifica a atual situação dos protestos. Nela se vê um jovem, sem máscara e com uma bolsa às costas, com os braços levantados e as mãos espalmadas como se estivesse pedindo calma. Bem a sua frente, numa distância de uns 2 metros, se vê um grupo de uns 10 policiais com aquela roupa especial contra choques urbanos. Os policiais portam escudos e um deles tem uma arma apontada em direção ao jovem manifestante. Eu tentei imaginar o que poderia se passar na cabeça do jovem manifestante para agir daquela forma. Lembrei a famosa foto do jovem chinês, postado à frente de vários tanques de guerra, quando dos protestos da Praça da Paz Celestial (1989) em Pequim.


 Mas, logo em seguida, lembrei um filme que assisti quando era estudante do Curso de História na UFPB. Chamava-se “O incrível exército de Brancaleone”. Ele foi produzido em 1966, na Itália, e foi dirigido por Mario Monicelli. A história se passa no ano 1.000 d.C., quando um cavaleiro francês é assassinado por bandoleiros, depois de sair em busca de suas terras. Os bandoleiros decidem encontrar as terras para delas tomar posse. Para isso, precisam de alguém que finja ser cavaleiro. É aí que entra o atrapalhado Brancaleone. Ele passa a liderar um pequeníssimo exército de homens esfarrapados, esfomeados e quase sem armas, que vão perambulando pela Europa em busca da terra prometida e de aventuras.

Tal qual os manifestantes brasileiros, contrários a Copa da FIFA, a pequena armada de Brancaleone enfrentava a tudo e todos.  Eles lutavam contra a peste negra, contra os sarracenos e os bizantinos, além de guerrearem contra outros grupos de bandoleiros. Este filme fez sucesso, tanto é que sempre que uma pequena minoria, estabanada e desorganizada, resolve lutar contra uma maioria organizada, e forte o suficiente para não se sentir ameaçada, logo se chama essa minoria de “exército de brancaleone”. Longe de achar que os manifestantes não têm lá suas razões, e convencido de que eles tem o sagrado direito de se expressarem, mas não de depredarem um bem público ou privado que seja, me parece que eles deveriam, também, assistir a Copa da FIFA.

É que eles cumpriram um papel político dos mais interessantes. Com suas manifestações, contribuíram para que a sociedade brasileira tivesse um razoável senso critico sobre os problemas que enfrentamos por causa da Copa da FIFA. Mas, a Copa está acontecendo. Lutar contra ela é a mesma coisa de querer impedir que o sol nasça ou se ponha. Essas manifestações terminam soando falso, pois a Copa é o futebol, e o futebol está em nossa alma. É uma expressão de nossa cultura. Talvez, este fosse o momento dos manifestantes de Brancaleone se resguardarem, para outro momento, onde a Copa não poderá ser usada como justificativa para rebeldias de toda sorte. Talvez este seja o momento de vibrar com o maior espetáculo da terra -  o futebol.

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).