segunda-feira, 30 de junho de 2014

MAS, AFINAL, QUEM É O INIMIGO?


Nos tempos da Guerra Fria, quando vivíamos sob o tacão de uma ditadura, imperavam a Doutrina e a Lei de Segurança Nacional. Na época, o mundo era dividido em dois grandes blocos – o capitalista, do lado ocidental, e o comunista, do lado oriental. A Doutrina de Segurança Nacional foi elaborada nos EUA, no final da década de 40 do século XX. O presidente Harry Truman defendia que o chamado “mundo livre” necessitava de mecanismos que pudessem conter o avanço comunista pelas Américas. No Brasil, o Gal. Golbery do Couto e Silva elaborou, após o golpe de 64, a tese de que havia um inimigo interno, agindo sob influências externas, que deveria ser combatido. Para ele, focos de perturbação social deveriam ser militarmente atingidos.

Recentemente, quando da aprovação da Lei Geral da Copa, pelo Congresso Nacional, o Ministério da Defesa regulamentou como as Forças Armadas devem agir caso sejam convocadas, pela presidência da República, para atuar em distúrbios sociais e políticos. Causou estranheza que o Ministério tenha incluído, no rol das chamadas “forças oponentes”, movimentos e organizações político-sociais. O estranhamento cresce quando se vê o que e quem compõem essa lista de oponentes do Estado brasileiro. A lista é composta por organizações criminosas, traficantes de drogas, contrabandistas de armas e grupos armados. O PCC, organização criminosa que atua fora e dentro de presídios de São Paulo, encabeça a lista dos oponentes do regime em que vivemos.

O que se sabe é que a nomenclatura “forças oponentes” foi criada para que se pudesse enquadrar manifestantes políticos que vão, ou iam, as ruas protestar contra, por exemplo, a realização da Copa da FIFA e os transportes públicos. A questão, aqui, é porque um instrumento coercitivo, nitidamente inspirado na Doutrina de Segurança Nacional dos tempos da ditadura militar, enquadra num mesmo patamar o traficante de drogas e o manifestante político? Vivemos em uma democracia, frágil, mas uma democracia, que continua a se utilizar dos mecanismos de controle social e político, tão bem explorados nos tempos do regime ditatorial que prendia, torturava e assassinava seus opositores. A questão é: por quê?

Foi a partir da MINUSTAH, a Missão das Nações Unidas para a estabilização do Haiti, que o Ministério da Defesa regulou o uso das Forças Armadas nas chamadas Operações de Garantia da Lei e da Ordem, ou GLO. A GLO começou a ser posta em prática a partir de 2010 com as ações de pacificação do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Na Copa das Confederações ela foi praticada, pois entre junho e julho de 2013 vivíamos o auge das manifestações políticas. A ideia de aplicar a GLO no combate as “forças oponentes” não é, como já vimos, uma novidade. Partindo de premissas existentes há tanto tempo se aplica um método de combate renovado na prática, mas que se mantém fiel ao seu antigo modelo.

 
O plano de Garantia da Lei e da Ordem foi revisto para prever manifestações e conturbações politico, sociais e criminosas na Copa do Mundo. Apesar de que, não foi necessário, pois todo mundo quer assistir a Copa, inclusive a marginalidade organizada. A GLO prevê que militares federais atuem, como última alternativa, em caso de incapacidade das polícias, a pedido dos governadores e por ordem da presidência da República. E eles devem atuar limitados a um determinado local e com tempo definido. Nas operações, unidades das polícias do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, além dos fuzileiros navais, devem agir usando armas não letais. A título de comparação, nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, houve o aquartelamento de tropas.

A ideia era que as tropas fossem utilizadas em caso de ataques terroristas que pusessem em risco a vida de atletas e chefes de Estado. O governo inglês nunca cogitou a possibilidade de colocar tropas federais para combater manifestações de ordem política. No Brasil, o governo coloca problemas sociais, políticos e criminais na vala comum da segurança pública e, ainda aplica sobre ela, a metodologia da Doutrina de Segurança Nacional se baseando no plano de Garantia da Lei e da Ordem. O professor Expedito Bastos, pesquisador de assuntos militares da Universidade Federal de Juiz de Fora, disse que a GLO é tão somente um material padrão do Ministério da Defesa para normatizar a utilização das Forças Armadas em operações.

O professor Bastos confirma que a Garantia da Lei e da Ordem é fruto das experiências no Haiti. Ele diz que não vê nada de excepcional na GLO e que o papel constitucional das Forças Armadas está respaldado na resolução do Ministério da Defesa. Mas, o diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil, Átila Roque, discorda e afirma que o texto é "vago, arbitrário e potencialmente danoso à democracia". Atila lembra o perigo de se criminalizar questões políticas e sociais. O fato é que não importa o que esteja acontecendo nas ruas, o método para conter os conflitos será sempre o mesmo. Podem ser estudantes fazendo manifestações, com quebra-quebra, pode ser o PCC atacando a polícia, a GLO será usada da mesma forma. A questão não é se devemos ou não combater este ou aquele problema. A questão é como vamos fazê-lo. O fato, é que o Estado brasileiro não conseguiu, ainda hoje, definir quem são seus reais inimigos. Daí se aplica a GLO seja no estudante seja no traficante.

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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).