sábado, 3 de outubro de 2026

Porque Lula deve mesmo vencer as eleições 2026 senão já no 1º turno, mas com certeza no 2º turno.

 1) Lula segue com sua amplíssima margem de vantagem na região Nordeste:

Pesquisas Quaest do início dessa semana deram o seguinte: Pernambuco - Lula lidera com 58% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro tem 20% - uma diferença de 38 pontos percentuais. Ceará - Lula tem 55% e Flávio 23%. Bahia - o maior colégio eleitoral do Nordeste, Lula tem 58% e Flávio 23%. Maranhão -  Lula tem 59% e Flávio  22%. Paraíba - Lula tem 54% e Flávio tem 23%. Alagoas (AL) - Lula tem 45% e Flávio 30%. Rio Grande do Norte - Lula tem 52% e Flávio 25%. 

2) Segundo o Datafolha, Lula cresceu 5 pontos percentuais em São Paulo em um espaço de uma semana, indo de 33% para 38%, empatando na margem de erro com Flávio Bolsonaro que tem 39%. Isso nunca tinha acontecido em outras eleições. Em 2018 e 2022 Lula perdeu em São Paulo – um Estado confuso do ponto de vista eleitoral, pois deve eleger um fascista para o governo estadual no 1º turno, apontando que parece querer eleger Lula no 2º turno. 

3) Lula abriu uma vantagem de 6 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, o maior colégio eleitoral do país. Lula tinha 39% e foi a 42%, enquanto Flávio permaneceu com 36%. 

4) As diferenças pró-Flávio Bolsonaro no Distrito Federal e no Rio de Janeiro são consideráveis, mas não devem conseguir cobrir as diferenças pró-Lula em Minas Gerais e em São Paulo. 

5) O desgaste de Flávio Bolsonaro com os episódios da santa padroeira do Brasil e do debate da Globo que não houve, além de denúncias como as orgias que o candidato da extremosa destra teria participado, acompanham o eleitor mais conservador, que não é tão fiel ao bolsonarismo, até as urnas. 

6) Flávio Bolsonaro apanhou bastante nas últimas 2 semanas e a campanha dele sentiu o baque ao ponto de voltar a usar as bandeiras dos EUA e de Israel. Os bolsonaristas voltaram a usar toda a simbologia da extremosa - armas, bíblias e bandeiras que eles tinham deixado de lado durante a campanha. A questão é que isso não muda o voto do bolsonarista raiz, mas atrapalha o voto de direita que desconfia bastante da família Bolsonaro. 

7) Hoje saiu a Pesquisa CNT de Opinião em parceria com o Instituto MDA Pesquisa. No levantamento estimulado do 1º turno, Lula tem 43,1% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro tem 38,0%. Augusto Cury tem  3,2%; Ronaldo Caiado tem 3,0%; Renan Santos tem 1,5%; Romeu Zema tem 0,8%. Os outros candidatos somam 0,5%, 4,0% dos entrevistados declararam voto em branco ou nulo e 4,7% permanecem indecisos. 

8) No que realmente importa nessa pesquisa da CNT, ou seja, nos votos válidos para o 1º turno, Lula tem 47,8% e Flávio Bolsonaro tem 42,1%. Lembrando sempre que para vencer já no 1º turno, Lula teria que ter mais de 50% dos votos válidos, que não considera os votos bancos e nulos. 

9) O que vemos aqui claramente é que Lula está a 3,2% pontos percentuais de vencer a eleição no 1º turno. Em um eventual 2º turno, Lula tem  47,3% e Flávio Bolsonaro tem 43,1%. 

10) O Datafolha deu uma arredonda nos dados e trouxe, hoje também, que Lula tem 45% dos votos válidos, Flávio Bolsonaro tem 40%, Augusto Cury tem 4%, Ronaldo Caiado e Renan Santos têm 3% cada um e Romeu Zema e Samara Martins têm 1% cada um. A conta é bem simples de fazer – Lula precisaria ter 6% pontos percentuais vindos de Cury, Caiado, Renan, Zema e Samara. Claro, ajudaria bastante se os indecisos de sempre decidissem não serem indecisos uma vez na vida.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

A GLOBO PRECISA ENTENDER QUE NÃO VIVEMOS MAIS EM UM MUNDO ANALÓGICO E QUE ELA NÃO DECIDE MAIS AS REGRAS DO DEBATE ELEITORAL


EU SOU DE UM TEMPO EM QUE OS DEBATES ERAM BONS DE VERDADE, ainda que servissem para atender aos interesses da classe dominante através de seus candidatos.

Ainda hoje assisto aos debates das eleições presidenciais de 1989 com Leonel Brizola chamando Paulo Maluf de “filhote da ditadura” ou com Aureliano Chaves e Ronaldo Caiado disputando quem seria mais fiel aos militares e a ditadura que se encerrava. Lembro bem da qualidade que Mario Covas, Ulysses Guimaraes, Roberto Freire, Lula e o próprio Brizola emprestavam ao debate.

Claro, temos que lembrar que foi em 1989 que a Rede Globo promoveu aquele “debate” do 2º turno entre Fernando Collor e Lula, montado para beneficiar o candidato de Roberto Marinho, com a farsa das pastas vazias feita por Boninho e sua equipe e com aquela edição do dia seguinte que beneficiou Collor e prejudicou Lula.

Trabalhando como cientista político, analisando e comentando processos eleitorais na imprensa paraibana, acompanhei debates de todo tipo e vi acontecer muita coisa ao vivo. Vi candidato passar mal de verdade e candidato fingir que ia desmaiar. Vi um candidato ameaçar se retirar do debate ao lhe perguntarem por que ele pagava a pensão de sua ex-esposa com a verba de seu próprio gabinete.

Vi um candidato se recusar a entrar em um estúdio alegando que suas cadeiras tinham a mesma cor da campanha do seu adversário. O detalhe é que a emissora era de rádio – o público não poderia saber a cor das cadeiras. Vi dois candidatos acertando um encontro para saírem literalmente no braço, após um debate em que um acusar o outro de mentiroso foi elogio. Enfim, vi coisas que só mesmo nossa democracia eleitoral patrimonialista pode produzir.