Essa eleição foi
um marco para minha geração de militantes de movimentos políticos e sociais de
esquerda que votamos em Lula desde 1989. Fomos às urnas ontem sabendo que era a
última vez que votávamos em Lula, pois em 2030 ele não poderá mais ser candidato.
Ontem, votei feliz por ter sempre me colocado do lado certo. Votei convencido
de que estava defendendo nossas vidas e nossas conquistas.
Desde 1989, foram 10 eleições.
Vencemos 6 e perdemos 4. Mas, ainda que tivéssemos vencido apenas uma única
eleição estaria bem comigo mesmo, pois me mantive sempre fiel a minha ideologia
política e à classe social a qual pertenço. Eu sou, sempre fui, um trabalhador
e desde 1989 votei considerando isso.
Foi lindo, foi belo, foi emocionante ver as pessoas nas ruas se abraçando, rindo e chorando, emocionadas por uma vitória que representa bem mais do que uma “simples” eleição. Uma amiga de Salvador me mandou uma mensagem dizendo “Fizemos uma Revolução. E foi uma honra lutar ao seu lado”. Sim, revolucionamos o ato de lutar por direitos e defender nossas vidas utilizando às (poucas) armas que a democracia eleitoral oferece.
Aliás, temos que de uma vez por
todas entendermos que a luta política e ideológica não se circunscreve aos
processos eleitorais. A nossa luta é a de classes! Temos que travar a luta para
acima e além de uma candidatura, ainda que seja a de Lula o maior e melhor
representante dos trabalhadores na política. Agora mesmo, isso nos foi provado
com o fim da Escala 6X1, pois ela só caiu porque nós, a sociedade, dissemos a
elite que não queríamos trabalhar única e exclusivamente para atender aos
interesses da burguesia.
Foi marcante ver as pessoas se
mobilizando para convencer os que se abstiveram no 1º turno da importância de
votar no 2º turno. Ver os estudantes indo às ruas, em manifestações memoráveis,
me encheu de orgulho, pois sei que de alguma forma minha geração contribuiu
para isso. Ver idosos dizendo que iriam votar no 2º turno para defender suas
famílias foi algo inesquecível. Ver pessoas, que nunca participaram de lutas
políticas, se envolvendo com as manifestações em defesa da democracia foi uma
lição para nós da esquerda que costumamos não admitir que o senso de pertencimento
ao movimento político não nos é exclusivo.
Ver Ana Elisa
Santos, eleita deputada federal por Minas Gerais com apenas 21 anos, ensinando
Lula como se comportar nas redes sociais e como utilizá-las durante a campanha
do 2º turno me encheu de esperanças de que temos pessoas capazes de levar a
luta adiante não apenas nas ruas, como no parlamento e nas redes sociais.
Enfim, vamos sair desse processo vitoriosos não apenas por ter elegido Lula mais uma vez, mas por termos sabido conduzir a luta em uma patamar político e ideológico, diria mesmo em um patamar civilizacional.

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