segunda-feira, 16 de abril de 2012

AFINAL, PARA QUE SERVE UM VEREADOR? PARTE I.


Na quarta-feira da semana passada houve uma discussão no plenário da Câmara dos Vereadores de Campina Grande motivada pela persistente falta de quorum. Frequentemente a Câmara de Vereadores de Campina Grande deixa de fazer sessões por que a maioria dos vereadores não comparece.



Alguns poucos vereadores defenderam que a mesa diretora adote medidas enérgicas para assegurar a regularidade da realização das sessões. O vereador Olímpio Oliveira (PMDB) disse que não tem mais que fazer reunião, tem é que cortar o ponto dos faltosos e descontar da remuneração mensal deles. Os vereadores Cassiano Pascoal (PMDB) e João Dantas (PSD) estavam indignados com o que chamaram de “os gazeteiros da Camâra”.


E a situação vai piorar quando a campanha eleitoral iniciar e os vereadores tiverem que cuidar de suas campanhas eleitorais. Sempre que acontecem essas discussões é comum as pessoas perguntarem para que é mesmo que serve um vereador. Quais seriam suas atribuições? Já ouvi muita gente dizer que não é necessário termos 16 pessoas eleitas com o nosso voto, para nos representar, e pagas com o nosso dinheiro. Antes que se pense que quero fechar a Câmara dos Vereadores, sugiro uma reflexão, pois o edil é o mais próximo representante do povo junto ao Estado. É ele quem intermedeia a relação do povo com o poder executivo da cidade, ou seja, o prefeito.


E é assim é desde a Roma antiga. Lá havia os magistrados que cuidavam da ordem pública, do comércio, das provisões de água e alimentos e de tantos outros encargos públicos. Por volta de 360 a.C., os edis andavam pela cidade vendo o funcionamento das coisas e ouvindo as pessoas. Depois se reuniam para solucionar os problemas detectados.



Guardando as devidas proporções é isso que faz, ou deveria fazer, o vereador dos nossos dias. Mas, porque muitos não fazem ou fazem de forma torta? Em várias democracias do mundo, o vereador é um trabalho voluntário em favor da coletividade, sua remuneração ou é apenas simbólica ou não existe. Os países que adotam esse sistema entendem que ser vereador não é profissão e, portanto, não exigem dedicação exclusiva do edil.


Ao contrário dos deputados e senadores, o vereador não tem custos de deslocamento. Não é comum, na Europa, por exemplo, ver a vereança como meio de vida. Porque, então, os vereadores brasileiros se profissionalizaram? Ganham bons salários, sem contar o elevado custo que representam para as contas públicas.


Antes de dizer o que o vereador deve fazer, tenho que dizer o que o vereador não pode, ou não deve fazer. Vereador deve asfaltar rua e tapar buracos? Deve emitir receita médicas e doar remédios? Pode mesmo distribuir tijolos, sacos de cimentos e próteses dentárias? Não, o vereador não pode ser provedor de necessidades individuais. Ele não pode agir como se fosse uma espécie de entidade filantrópica para quem nos dirigimos nas horas de necessidade.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

AFINAL, QUEM É RICARDO COUTINHO?


Ricardo Coutinho foi eleito em condições adversas. Numa onda de continuísmos, tivemos a mudança. Ao invés de José Maranhão, os paraibanos preferiram Ricardo. Numa eleição difícil, ele esteve sempre em 2º lugar. A virada deu-se nos últimos dias e de nada adiantou lançar panfletos apócrifos dizendo que o “mago” tinha um pacto sinistro com as forças do mal. Já a transição foi complicada. Ricardo dizia não ter acesso às informações. Falava mesmo que o governo Maranhão lhe sonegava dados.



Veio a posse e todos deram a Ricardo o benefício da dúvida. A oposição lhe deu aqueles três ou quatro meses iniciais sem pressioná-lo. Mas, eis que as contradições ricardistas vieram à tona. Como governador, Coutinho abandonou as características do parlamentar. Como vereador e deputado estadual, Ricardo era um defensor do diálogo e da participação da sociedade nas questões político-institucionais. Como governante, vimos uma personalidade dada a atos unilaterais, como aquele que decidiu que Luciano Agra seria seu lugar-tenente na prefeitura de João Pessoa.


Surpreendeu a muitos ver Ricardo desestimulado ao diálogo com aliados. Indisposto a ouvir os que o cercam antes de tomar decisões. Causou, não sei se ainda causa, estranheza o fato de Ricardo mudar tão rapidamente a relação política com as forças e lideranças paraibanas. Ele já foi aliado e adversário de José Maranhão e já se colocou como a alternativa ao espectro político paraibano. Era um crítico do senador Cássio Cunha Lima. Mas, fez uma aliança com este que, tal qual castelos de areia, podem ruir na primeira onda que passar.


A composição líquida de seu governo é como a tentativa de misturar a água e o óleo, por mais que se tente cada elemento ficará em uma camada diferente. Ricardo tem em seu governo todas as colorações partidárias. Desde o “coletivo girassol”, passando pelo PSB (seu partido) e o PPS, até o PSDB e o DEM. Mas que não se reclame da composição água-e-óleo ricardista, já que este é o modelo de governança em nosso país.


Aliás, o que viria a ser o “coletivo girassol”? Um sólido agrupamento político em torno de ideias que logrou êxito em levar Coutinho ao governo estadual? Ou, apenas, um ajuntamento em torno de um projeto político individualizado, útil até quando legitimava a inserção ricardista nas alianças políticas? Ricardo nunca foi dado à vida político-partidária. Sua eloquente personalidade não parece caber em siglas. Ele esteve sempre acima do PT, por onde passou, por exemplo.




O tal “coletivo girassol” diz muito da grandiloquente personalidade ricardista. Como todos sabem, o girassol é uma flor que se movimenta em torno do sol. Ricardo é, ou foi, o sol. O coletivo girava em torno dele. Mas isso parecia incomodá-lo, tanto é que ele decretou, no começo do ano, o fim do coletivo.


Continuará Ricardo sendo o sol, que de tão luminoso a todos ofusca? Ou será uma estrela que, mesmo brilhante, aceita dividir o céu com outras mais ou menos luminosas?

quinta-feira, 12 de abril de 2012

PORQUE UMA PREFEITURA É TÃO ATRATIVA


Nunca, em Campina Grande, tivemos tantas pessoas querendo o cargo de prefeito. Nesse exato momento temos nove pré-candidatos. Ser prefeito de uma cidade do porte de Campina Grande é tarefa para poucos. O nível de responsabilidade é altíssimo.




A primeira grande dificuldade é que se administra sempre com uma pequena quantidade de recursos e com um altíssimo índice de demandas. O gestor tem que tomar decisões e fazer escolhas. Ou seja, ele precisa elencar prioridades, daí que está sempre agradando a alguns e desagradando a muitos. Mas, mesmo assim, muitos desejam o cargo. Afinal, o que torna uma prefeitura algo tão atrativo?



Cerca de 1.700 pessoas vão concorrer as 223 prefeituras das cidades paraibanas. O que dá uma média de 6 a 7 candidatos por município. O fato é que, a partir de 2013, os eleitos vão administrar cerca de 4 bilhões de reais, distribuídos de forma desigual, claro, entre os municípios paraibanos. Um prefeito nomeia pessoas. Na Paraíba existem entre 10 e 15 mil cargos comissionados. E a distribuição de cargos entre aliados é uma valiosa moeda de troca.



Os prefeitos têm muitas regalias. Além de bons salários, diárias para viagens, possuem foro privilegiado e dispõem de considerável quantidade de pessoas a lhes servirem. O prefeito de Campina Grande ganha algo em torno de R$ 10.000,00. Tem o "PALÁCIO DO BISPO", com toda uma estrutura física, administrativa e política, para governar.




Veneziano dispõe de 178 assessores. São 28 para a área política, 48 técnicos e 102 assessores especiais. Um contingente expressivo, convenhamos. E ele não precisa se reportar a ninguém para nomear seus assessores, nem a Câmara dos Vereadores. Ele só precisa atender as suas conveniências políticas.


Veneziano tem motorista particular, alguém para lhe abrir e fechar portas. Isso não deixa de ser um símbolo de poder e status. O prefeito tem recursos de poder para determinar os caminhos que a cidade deve seguir. Ele pode implementar políticas públicos que alteram (para o bem e para o mal) a vida de todos os cidadãos. Para se ter uma ideia o orçamento municipal para o ano de 2012 é da ordem de R$ 830 milhões. As demandas são enormes, mas 830 milhões é muito dinheiro! Uma prefeitura como a de Campina Grande é atrativa para todos aqueles que pretendem alçar grandes vôos na política estadual e até nacional. 






Ser prefeito de Campina Grande projeta o ator político. Veja-se, por exemplo, que na época do São João o prefeito recebe autoridades políticas de todo o Brasil. Os benefícios de ser prefeito são maiores do que os custos. Por isso, todas as vezes que você ouvir um prefeito se lamuriando de suas atribuições lembre que nem tudo é espinho na vida de um gestor.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

QUANDO CÁSSIO CUNHA LIMA VAI ENTRAR NA CAMPANHA?

Todos devem conhecer a brincadeira que consiste em procurar um personagem, chamado Wally, num enorme desenho recheado de pessoas. Muitos têm procurado não Wally, mas sim o senador Cássio Cunha Lima. Na verdade, a pergunta não é onde ele está. A questão é quando ele vai entrar na eleição? Em que momento vai arregaçar as mangas para tentar eleger Romero Rodrigues prefeito de Campina Grande? Afora notícias dando conta que eles se reuniram para traçar planos, não vi ainda o senador dando declarações que possam influir no processo.


Sobre João Pessoa, ele foi literalmente tucano. Disse que é preciso “encontrar mecanismos para que a eleição municipal não interfira na aliança estadual”. O PSDB tem a candidatura de Cícero Lucena, mas Cássio tem seus compromissos com Ricardo Coutinho e é improvável que queira que essa aliança venha a ruir por causa de uma disputa localizada.




Daí que Cássio parece preferir ficar equidistante das polêmicas da capital. Sobre Campina Grande é que temos outra situação. É claro que Cássio quer que prefeitura de Campina volte a fazer parte de seu guarda-chuva político. Mas se a disputa já começou, por onde ele andará? O que está esperando para entrar de vez na eleição?


Ele tem cuidado de seu mandato de senador. Tem se inserido nas questões nacionais, em que pese não estar clara sua opinião sobre o envolvimento do PSDB no processo político atual. Não se sabe, por exemplo, sua opinião sobre a participação de José Serra na eleição de São Paulo ou sobre a possível candidatura de Aécio Neves a presidente da república em 2014.




O que pretende Cássio, então? Resguardar-se para o momento em que o embate eleitoral se acirrar? Ou quer esperar para ver como vai ficar sua situação política após a decisão do TSE que o tornaria inelegível em 2014? É possível que ele esteja querendo evitar que algum fato da campanha política venha a tornar sua situação futura ainda mais delicada.



O fato é que Cássio tem um alto poder de influenciar o processo. Mas esta influência pede sua presença – ela pode ser pouco importante se for mantida a distância. Na verdade, o que Cássio tem feito é trabalhado com cautela impar já que o jogo gira em torno do segundo maior colégio eleitoral da Paraíba. Também existem as articulações visando às eleições de 2014, quando as principais lideranças políticas da Paraíba vão pleitear o cargo de governador. Um passo imprudente agora ou uma decisão apressada pode causar estragos desde agora até 2014.

terça-feira, 10 de abril de 2012

O OCASO DE UMA LIDERANÇA?


Na semana passada o TRE desaprovou e rejeitou as contas da campanha eleitoral de 2010 do ex-governador José Maranhão. O TRE terminou por acatar o parecer do Ministério Público Eleitoral que apontou que a prestação de contas de Maranhão continha “vícios gravíssimos”. Alguma novidade? Não, trata-se de mais um político com suas contas rejeitadas pela configuração de “caixa 2” na campanha eleitoral. O problema é que Maranhão é pré-candidato a prefeito de João Pessoa e recente decisão do TSE atesta que a reprovação de contas de campanha torna o candidato inelegível. Maranhão disse que não existem possibilidades dele não se candidatar. Fiel ao estilo de não abrir mão do que quer, afirmou que mantém a candidatura. Mas, as coisas não são tão simples assim!


Maranhão parece enfrentar o ocaso de sua carreira política. A derrota sofrida para Ricardo Coutinho o fez sentir o golpe. A campanha de 2010 foi conduzida como se ele tivesse certeza da vitória. Ele se preparou para tudo menos para perder. Nas entrevistas após aquela eleição, Maranhão demonstrou um rancor poucas vezes visto em um político derrotado




Ele vagou dias e dias, como se fosse um fantasma, pelos corredores do poder da Capital Federal em busca de um cargo.  Tentou o 1º escalão do governo federal, Dilma disse-lhe não. Tentou o 2º escalão e a Presidente negou-lhe. Eu mesmo cheguei a ter pena da via crucis de Maranhão pelos emaranhados da burocracia brasiliense. Ele já partia para o 3º escalão, quando deve ter percebido que não ficava bem para um ex-governador e ex-senador da república mendigar por um cargo.


Então, ele veio para a Paraíba e foi descansar em uma das onze propriedades rurais que apresentou como suas na declaração de bens apresentada à justiça eleitoral. Quando eu, na minha ingenuidade de analista, achava que ele havia se resignado, eis que o ex-governador lança-se candidato a prefeito de João Pessoa. Num processo conduzido com mão-de-ferro pelo próprio Maranhão, o PMDB decidiu lançá-lo candidato, deixando de lado nomes como o do deputado federal Manoel Jr. E não tem se passado um único dia em que políticos do próprio PMDB ou aliados não deixem de pedir a Maranhão para que reconsidere sua postulação. Com a decisão do TRE, as insatisfações reinantes tendem a aumentar. Sem contar que é comum vermos pessoas dizerem que o tempo político de Maranhão findou.


E que não se diga que me refiro à idade do ex-governador, em setembro ele fará 79 anos. Também não me reporto ao fato dele ser um homem com uma situação financeira muito bem definida. Sua declaração de bens apresentada à justiça eleitoral em 2010 dá conta de um patrimônio de mais de 7 milhões de reais. Só que os políticos não costumam declarar tudo que possuem. O tempo político de Maranhão passou pelas suas ideias um tanto quanto antigas. Pelo seu jeito coronelístico de governar e sua forma rancorosa de fazer política.


Dizem que, na África setentrional, quando um elefante fica muito velho é afastado da manada pelos jovens elefantes. Ele é deixado num canto, para ter seu ocaso, e a manada segue seu caminho. Será  que o inferno astral que José Maranhão vem enfrentando significa que ele está sendo deixado de lado pelos elefantinhos da política paraibana?

segunda-feira, 9 de abril de 2012

EXPLICANDO O DILEMA DO POSTE


A capacidade de transferência de votos de um líder político pode variar entre uma eleição e outra. Ou seja, ela não é constante. Não basta um líder político pedir para se votar num determinado candidato, pois ele tem que ser merecedor, aos olhos do eleitor claro, da transferência. É preciso entender que a transferência de votos não é algo automático. Não basta um grande líder político pedir para se votar em quem ele bem queira. Não é porque o líder é um Lula da vida que os eleitores vão votar em qualquer um que ele queira. A história do poste surgiu disso.

Dizia-se que existiam políticos que de tão populares e tão bem avaliados poderiam eleger o que bem quisessem. Até mesmo um poste. Em setembro de 2008, por exemplo, Lula era tão bem avaliado que muitos analistas diziam que ele elegeria até um poste, se assim quisesse. Mas, como é que surge a história do poste? O advento da reeleição, a proibição dos governantes buscarem um 3º mandato consecutivo e as restrições para que tentem colocar parentes como sucessores criou nova situação. Assim, ter um aliado de confiança como sucessor é estratégico, pois partidos e políticos não querem deixar o governo para um adversário, por motivos mais do que óbvios.


Quando o líder político torna-se cabo eleitoral aumenta sua popularidade. Enquanto pede votos para seu aliado, aumenta sua exposição, fala do que fez e turbina seus projetos políticos futuros. Mas, este é um jogo delicado, pois se em caso de vitória a demonstração de força é grande, em caso de derrota o poder de liderar as massas é questionado de cima a baixo. Não fazer o sucessor é uma das piores derrotas que um líder político pode sofrer. É sempre um jogo de aposta alta.




É este o dilema que Veneziano enfrenta hoje. Se Tatiana for eleita, ele entra no jogo eleitoral de 2014, se ela perder, ele fica com o ônus da derrota, além do oxigênio dos políticos que é o cargo público. Cássio Cunha Lima também tem seu dilema. Além de colocar a prova seu prestígio político, apoiando Romero Rodrigues, pode vir a ter que lidar com uma terceira derrota consecutiva em seu principal reduto eleitoral. Já Daniella Ribeiro conta com a capacidade de transferência de votos, para somar ao seu capital eleitoral, mas este é um dilema menos complicado, pois se trata de uma questão de herança política. Claro, o tamanho do dilema de cada um é proporcional a situação política que possuem. A situação de Romero é mais cômoda, pois Cássio Cunha Lima vem sendo um bom cabo eleitoral. Veja-se como ele foi útil na eleição de Ricardo Coutinho.


A questão não é se o líder político transfere ou não votos. O enigma a ser decifrado é: quanto ele consegue transferir e se isso faz até um poste ser eleito. É por isso que o candidato tem que se mostrar confiável aos olhos do eleitorado. Não basta ter o apoio do líder, tem que saber transformar apoio em votos e isso, meus amigos, é algo bastante difícil. Querer ser eleito por uma força externa, apenas com votos herdados, sem um mínimo de capital eleitoral próprio, é algo arriscado. É preciso saber dosar bem duas coisas: a capacidade de escolha do eleitor e o poder de transferência de votos do líder político. É isso que se coloca no caso da eleição de Campina Grande. Temos candidatos que dependem da capacidade de transferência de votos de seus lideres para se elegerem. Qual deles resolverá o dilema do poste? Nós só saberemos durante a campanha eleitoral.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

ANALISANDO AS NOVE PRÉ-CANDIDATURAS


Em nove dias tratei das nove pré-candidaturas, postas publicamente, a Prefeito De Campina Grande. Tivemos: Romero Rodrigues, Tatiana Medeiro, Marlene Alves, Guilherme Almeida, David Lobão, Fernando Carvalho, Alexandre Almeida, Arthur Almeida e Daniella Ribeiro. O objetivo foi apresentar informações para apontar quais pré-candidaturas são viáveis. Então, veremos quais são os que não vão sobreviver ao que eu chamo de período probatório das candidaturas. Pois, até o dia 06 de junho nós temos o prazo final para as convenções partidárias e os pré-candidatos trabalham para reunirem aliados e apoios.


Das nove, cinco ocupam cargos eletivos (Romero, Marlene, Guilherme, Fernando e Daniella). Apenas uma (Tatiana) ocupa uma secretaria de governo. E três (Lobão, Alexandre e Arthur) não ocupam cargos públicos. Em termos de capital eleitoral, ou seja, sobre o que estes pré-candidatos dispõem para não partirem do zero quando a campanha começar vejamos que: Apenas Romero, Guilherme, Fernando e Daniella são fiéis depositários de boa quantidade de votos conquistados em eleições anteriores.

Romero, inclusive, dispõe de um apoiador, eu falo do senador Cássio Cunha Lima, suficientemente forte que pode colocá-lo no segundo turno e até mesmo levá-lo a vitória. Óbvio, a capacidade de transferência de votos de um líder político varia de eleição para eleição. Ou seja, o dilema do poste tem que ser resolvido a cada nova eleição.

Daniella tem o apoio e a estrutura que sua família lhe dá, além do valoroso apoio de seu irmão, Ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, e vem se articulando bem. Fernando e Guilherme, mesmo sendo parlamentares bem votados e experientes, carecem de apoios e alianças consolidadas. Mas, podem ser peças chaves no jogo. Podem até mesmo conquistarem a vaga de vice em alguma candidatura mais sólida, mas os vejo com fôlego para chegarem a um 2º turno.

Tatiana disporá do apoio de Veneziano e, inevitavelmente, terá a estrutura da Prefeitura Municipal a sua disposição. Mas, pairam dúvidas sobre se ela decolará. Vai depender do tipo de comportamento que Tatiana terá e se conseguirá cativar o eleitor fiel de Veneziano, pois a transferência de votos não é algo automático. Não basta o líder político pedir para seu eleitorado votar no poste. Ele tem que ser merecedor, aos olhos do eleitor, claro, da transferência.

Assim, e a preço de hoje, o processo eleitoral vai girar em torno de: Romero, Daniella E Tatiana, considerando as especificidades da candidatura Tatiana. Marlene deve ir até o fim, pois quer se tornar conhecida do eleitorado. Mas, não se descarta um importante papel seu apoiando uma das candidaturas no 2º turno. Arthur e Alexandre não devem sobreviver ao período probatório das candidaturas e buscaram um realinhamento nos lugares onde sempre estiveram. E lobão deve ir frente cumprido o papel de sempre. As nove pré-candidaturas devem se depurar e ao final iremos para a eleição com cerca de quatro candidaturas.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

ANALISANDO OS PRÉ-CANDIDATOS – DANIELLA RIBEIRO


Daniella Ribeiro é filiada ao PP. Tem 39 anos, é divorciada e campinense. É pedagoga pela UEPB, com pós-graduação em relações internacionais pela UNB. O valor total de seus bens declarados é de R$ 72.000,00. Ela já foi vereadora em Campina Grande e candidata a vice-prefeita na chapa com Rômulo Gouveia. Foi eleita deputada estadual nas últimas eleições com 29.863 sufrágios ou 1,5% dos votos válidos. Em suas atuações parlamentares, Daniella é sempre bem avaliada.


Ela vem de uma tradicional família da política paraíbana. Seu pai, Enivaldo Ribeiro, foi prefeito de Campina e deputado federal. Sua mãe, Virgínia Velloso, é prefeita de pilar. Seu irmão, Agnaldo Ribeiro, é deputado federal e é o atual ministro das cidades do governo Dilma Rousseff. Talvez, Daniella queira ser prefeita bem mais pelo seu histórico familiar do que pela sua atuação parlamentar.

A família Ribeiro vê a atividade política como um negócio próprio. Enivaldo Ribeiro foi preparando seus filhos para darem prosseguimento a sua carreira. Não é a toa que ele foi repassando, como se fosse uma herança, o invejável capital político eleitoral que sempre dispôs em Campina Grande. Daniella é um daqueles casos em que a família dedica longos esforços para prepará-la para a vida pública. Isso faz com que o fato dela não ter, ainda, experiência como gestora pública seja quase imperceptível.

Os passos de sua carreira política são muito bem pensados. Veja-se que ela foi candidata a vice de Rômulo Gouveia e, mesmo perdendo, ganhou em popularidade. Se para alguns candidatos essa eleição para prefeito tem a função de torná-los conhecidos, para Daniella, não, ela está no jogo para disputar e ganhar, se possível.

Daniella é bem conhecida nos bairros populares da cidade, pelo seu trabalho assistencialista. Ela se utiliza bem do discurso de que é uma “mulher do povo”, mesmo que não tenha emergido das camadas populares. Ela sabe bem utilizar sua disposição para enfrentar polêmicas. Raramente ela desiste de um debate e, ao que parece, quanto mais acirrado ele for melhor para ela.

Talvez, a curto ou médio prazos, as denúncias feitas ao seu irmão, Aguinaldo Ribeiro, possam nela respingar. Se a indicação de Agnaldo para o ministério das cidades fortaleceu sua candidatura, podendo ainda trazer muitos dividendos, uma renuncia forçada pode vir a enfraquecê-la. Por enquanto não é o que se vê. Nem na mídia e nem na sociedade pode-se ver uma relação negativa entre a questão do “JAMPA DIGITAL” e a sua candidatura. Obviamente, que todas as acusações que pesam sobre o ministro Aguinaldo podem vir a ser usadas pelos adversários de Daniela, no guia eleitoral.

Sobre as chances da candidatura de Daniela, posso dizer que são promissoras. Ela se coloca entre os três primeiros. A preço de hoje, ninguém apostaria num 2º turno sem Daniella Ribeiro. A política de alianças que ela vem desenvolvendo demonstra bem isso, pois seu partido vem negociando com vários outros. Inclusive, existe a possibilidade de um dos atuais pré-candidatos vir a ser tornar o vice na chapa de Daniella e isso, sim, a tornaria bastante forte. Mas, como caldo de galinha e cautela nunca fez mal a ninguém, certa parcimônia neste momento deve ajudar. Até porque num jogo de aposta alta como este ninguém quer perder e todo mundo quer ganhar.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

ANALISANDO OS PRÉ-CANDIDATOS – ARTHUR ALMEIDA

Arthur Almeida é filiado ao PTB. Tem 42 anos, é casado, e natural de campina grande. É formado em direito pela UEPB e é um bem sucedido empresário do segmento de vestuário masculino. Arthur exerce liderança no meio comercial e empresarial campinense, tendo, inclusive, sido presidente da Câmara de Diretores Logistas (Cdl) de Campina Grande.




E foi exercendo essa atuação como líder classista que Arthur adentrou no terreno da política partidária, tornando-se presidente do diretório campinense do PTB.
Com essa inserção político-partidária, Arthur passou a ser cogitado a disputar as eleições municipais. Em 2008 lançou-se candidato a prefeito de Campina Grande. Mas, terminou retirando sua candidatura para apoiar a de Rômulo Gouveia, inclusive foi coordenador naquela campanha do atual vice-governador.



Arthur demonstra conhecer bem Campina e seus problemas. Quando participa do “Debate Integração” ele estuda o tema que vai ser discutido. Recentemente, acerca da polêmica do aterro sanitário, demonstrou um bom nível de conhecimento, pontuando as questões mais técnicas, inclusive. Ele defende que Campina precisa de uma gestão menos política e mais administrativa. Defende que Campina precisa de um choque de gestão no setor público. No seu blog, sugere um tipo de gestão que alavanque um verdadeiro processo de crescimento, retomando a vocação da Rainha da Borborema. Arthur diz, ainda, que não é e nem deseja ser político profissional, mesmo sendo presidente do seu partido e candidato a prefeito.




Obviamente, que esta é uma questão que ele precisa resolver. Pois a atividade política que ele desenvolve o torna sim um político profissional. Se ele vier a se tornar prefeito de Campina Grande vai ocupar um cargo eminentemente político que envolve, dentre outras coisas, atividade administrativa. Como pré-candidato Arthur busca a linha da independência política. Coloca-se como não aliado de ambos os grupos políticos hegemônicos da Paraíba. Ele critica as gestões que já administraram Campina, por elas terem sido realizadas com objetivos políticos. “Campina é apenas usada como trampolim político”, diz Arthur.




Sobre se a pré-candidatura de Arthur vingará, não se sabe. Faltam-lhe apoios em setores diversificados da sociedade. Ele também não dispõe de uma sólida política de alianças com outros partidos, o que limita o tempo no guia eleitoral do rádio e da TV. Mas, o que falta mesmo a Arthur é resolver essa espécie de crise de identidade que ele carrega entre ser um administrador de empresas ou um político profissional. A Prefeitura Municipal de Campina Grande está muito longe de ser uma empresa que se administra visando a eficiência nos negócios.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

ANALISANDO OS PRÉ-CANDIDATOS – FERNANDO CARVALHO


Fernando Carvalho é filiado ao PT DO B. Tem 51 anos, é militar reformado, casado, natural de Campina Grande. O valor total de seus bens declarados é de R$ 311.481,00. Ele está no último ano de um terceiro mandato de vereador, que é bem avaliado pelo atendimento que dá a seus eleitores. E sobre isso duas coisas chamam atenção. A primeira é que ele foi aumentando seu capital eleitoral de forma vertiginosa. Quando foi eleito a primeira vez, em 2000, obteve 1.515.
Depois foi reeleito para a Câmara de Vereadores com 3.364 votos, sendo o quinto vereador mais bem votado para a legislatura iniciada em 2004. Em 2008 concorreu, pela terceira vez, e conseguiu a expressiva votação de 4.091. Com esse histórico, Fernando lançou-se pré-candidato para a disputa para prefeito de Campina Grande.
A segunda questão é a frequência pela qual Carvalho muda de filiação partidária. Foram quatro mudanças em um espaço de quatro eleições. Ele foi eleito vereador em 2000 pelo PRP. Em 2004, já estava no PFL. Nas eleições de 2008 encontrava-se no PMDB e agora mesmo está filiado ao PT DO B. Carvalho também já mudou de grupo político. Foi aliado do senador Cássio Cunha Lima, do prefeito veneziano vital e agora optou por seguir uma linha independente ou alternativa.
O que o levou a ser um independente? Se era do grupo do prefeito, inclusive foi líder do governo na Câmara, o que o levou a sair de sua zona de conforto? Porque Carvalho preferiu enfrentar as incertezas de toda sorte de quem não dispõem de apoios vindos do governo? Eu explico
Nas eleições de 2010, ele foi candidato a deputado federal alcançando a soma de 23.076, mas não foi eleito. A sua justificativa é não ter tido os apoios que necessitava. Ele não escondeu a sua insatisfação para com o prefeito, pois esperava de Veneziano e Vitalzinho um tipo de apoio incondicional. Mas, não esqueçamos, que Nilda Gondim era, também, candidata. Muitos votos de Carvalho migraram para a mãe do prefeito.
A partir daí ele foi se sentido preterido e depois de algumas hesitações foi buscar outros ares fora do arco de aliança do prefeito Veneziano. Carvalho chegou mesmo a acalentar o sonho de ser o candidato de Veneziano. Mas, ao que tudo indica isso nunca foi uma vontade do prefeito. De líder do governo, parlamentar de confiança do prefeito, Carvalho foi para o lado dos fazem criticas e aponta problemas. A questão é: se ele não fosse candidato a prefeito teria assumido esta postura, ou ela apenas reflete um cálculo eleitoral?
Sobre as chances de Carvalho temos que ver duas coisas: uma é a luta titânica que ele está tendo para afirmar sua candidatura. A outra é que papel ele terá na eleição caso consiga viabilizar sua candidatura. Entrará na disputa ou será um simples figurante do ato principal? E se houver uma terceira possibilidade? E se Carvalho estiver pavimentar seu caminho de volta para o ninho governista? Assim, no momento certo, retiraria sua candidatura em prol da candidatura oficial.

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