sexta-feira, 11 de maio de 2012

AFINAL, O QUE RÔMULO QUIS MESMO DIZER?


Esta semana iniciou sem prometer grandes acontecimentos. Afinal, não restava outra coisa a não ser esperar pelas definições político-partidárias. Mas, eis que uma declaração do vice-governador da Paraíba, Rômulo Gouveia, gerou uma inquietação daquelas na seara política paraibana.


As notícias eram bombásticas. Afinal de contas era o vice-governador da Paraíba, Rômulo Gouveia, que vinha à pública para discordar de seu aliado político de todas as horas.


Rômulo admitia nos jornais que se Cássio Cunha Lima viesse a compor uma aliança com os irmãos Vital do Rêgo, ele abandonaria o grupo liderado pelo senador do PSDB. Rômulo pareceu taxativo. Disse que se a aliança se consumasse, ele estaria fora do projeto liderado por Cássio Cunha Lima, pois teria que rasgar seu discurso.


Da forma como se deu a declaração não pareceu que Rômulo estivesse apenas desmentindo um boato. Também não pareceu que ele estivesse criando um factoide. Porque Rômulo levantaria uma tese como esta? Se é algo que estava, ou está, sendo gestado nos bastidores, porque ele traria a tona na forma de discordância? Isso não faz sentido!


O que me pareceu? Rômulo foi a público, numa tentativa desesperada de barrar aquilo que não conseguiu fazer nos bastidores. Expôs o que lhe parecia absurdo. Existiu, inclusive, um tom ameaçatório, talvez uma chantagem emocional. A se insistir na aliança ele deixaria de ter Cássio Cunha Lima como líder. Não faria mais tudo o que seu mestre mandar. A política tem dessas coisas mesmo. Às vezes o liderado se rebela e diz ao líder que não mais o seguirá caso insista num determinado caminho.


Agora, vamos mudar o foco.
Claro está que existe um processo de aproximação entre Cássio Cunha Lima e os irmãos Vital do Rêgo. Partiu do prefeito Veneziano um gesto firme nesse sentido. Ele visitou Ronaldo Cunha Lima para convidá-lo para a reinauguração do Parque do Povo. Fez mais. Disse que Ronaldo será homenageado com pompa e circunstância. E que a prefeitura vai rebatizar o local com o nome de “Poeta Ronaldo da Cunha Lima”.


Sempre se dirá que esta é uma demonstração de espírito público. Que as lideranças políticas sabem separar seus interesses e coisa e tal. Mas, se isso não for uma busca no sentido de firmar uma relação política, o que mais poderia ser? Cássio Cunha lima já elogiou o trabalho do senador Vital Filho. E desde a eleição passada que Vital dá declarações demonstrando apreço e respeito pela atuação de Cássio Cunha Lima.


Na política se usa muito das simbologias como forma de preparar a sociedade para os fatos. O terreno esta sendo preparado, resta saber o que nele vão construir. As conversas sobre uma aliança entre PMDB e PSDB, visando, num primeiro momento, a administração de Campina Grande existem e parecem em estado avançado, se não atores políticos relevantes da questão, como Rômulo Gouveia, não estariam expondo opiniões contra e a favor.


Num primeiro momento, os principais líderes vão negar. Isso, também, faz parte do jogo. Mas, a cena política paraibana deverá ganhar novos contornos, pois tudo muda inclusive a política.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

COMO ANDAM OS PARTIDOS POLÍTICOS NA PARAÍBA?


Estive analisando o mais novo levantamento do Tribunal Superior Eleitoral relativo ao número de filiações dos partidos políticos na Paraíba. Mas, eu vou logo avisando que os números são desanimadores. Por eles, dá para ver que seguimos dando pouco valor aos partidos políticos.


A primeira informação relevante, pela qual eu quase me animava, é que o percentual de paraibanos filiados a partidos políticos é superior à média brasileira. A Paraíba aparece como quinto estado da região Nordeste em número de eleitores filiados a partidos políticos. Isso seria muito bom, se nós tivéssemos uns vinte estados no Nordeste. Mas, só temos nove. Ficamos mal posicionados nesse aspecto.


Mas, porque estou lamentando? Se os partidos políticos brasileiros são uma das instituições mais mal avaliadas pelos brasileiros? Nossa cultura política pouco valoriza o partido, ou seja, a atuação política conjunta. Valorizamos os atores políticos individualmente em detrimento do grupo.


Pelos dados do TSE, vinte e nove partidos políticos tem representação na Paraíba. Temos 321.132 mil eleitores paraibanos filiados a partidos. Sabe quanto isso representa do número total de eleitores? Quase nada. Temos 2 milhões e 788 mil eleitores. Significa que apenas 11,5% desses são filiados a algum partido. É muito pouco se considerarmos que a Paraíba é um estado com tradição nas questões políticas, desde o começo do século XX.


Vejamos dados mais precisos. João Pessoa tem 472.901 mil eleitores. Apenas 37.147 mil deles são filiados a algum partido político. Campina Grande, com seus 276.969 eleitores, tem apenas 20.314 pessoas filiadas a partidos políticos. Com todo seu fervor político, Campina não deveria ter mais filiados? Não é de se estranhar que o campinense, que tanto gosta da política, que se envolve tanto com os processos eleitorais, não queira se filiar a partidos?


Não, nada a estranhar. O campinense, como de resto os brasileiros, adora falar sobre a política eleitoral, mas não gosta dos partidos. Ele quer mesmo é se envolver com a política e os políticos, mas quer distância dos partidos. Como se fosse possível separar os políticos dos partidos.


O PMDB tem 60.622 filiados. Ocupa o 1º lugar na Paraíba. Em 2º lugar temos o DEM com 37.408. Em 3º vem o PSDB com 32.829. Em 4º lugar aparece o PT com 28.802 filiados. E em 5º lugar vem o PP com 24.88 filiados. E segue a lista. Estranha que o PSB, partido do governador Ricardo Coutinho, só tenha 13.195 mil filiados na Paraíba toda. Ocupando apenas o 9º lugar nesta lista.


O PMDB segue sendo o maior também neste quesito. E é interessante ver que sozinho tem mais filiados do que a soma da maioria dos outros partidos. E no ranking das filiações temos também os cacarecos. O PCB tem 389 filiados, o PCO tem 110 e o PSTU tem apenas 40 pessoas filiadas. É muito, muito pouco.


Interessante mesmo seria ter todos os partidos, não importando seus interesses ideológicos e políticos, com muitos filiados. Significaria uma maior participação política do cidadão. Sem contar que quanto mais filiados um partido tiver, mais difícil fica ele se tornar uma sigla de aluguel.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

ESTÁ CHEGANDO A HORA.


O TSE definiu que os partidos farão suas convenções entre os dias 10 e 30 de junho. Enquanto estivermos homenageando SÃO JOÃO, eles estarão definindo com que roupa vão para jogo eleitoral. Assim, faltam menos de dois meses para que saibamos quem é candidato e a quê, com quem se coligará e quem não será candidato a prefeito, mesmo insistindo em dizer que o é. Os castelos estam sendo construídos. Em breve saberemos quais são os de areia e quais são os de uma argamassa sólida.


Mas, o primeiro castelo já caiu. A pré-candidatura de Alexandre Almeida ruiu aos pés do pragmatismo eleitoral de um PT que desconhece diferenças partidárias. PT e PP afirmam que a aliança veio para ficar e que são alternativa aos grupos hegemônicos da Paraíba, mesmo que já tenham se aliado a ambos os lados. Daniella será candidata à prefeita e possivelmente um petista será seu vice. Pelo que consta, o ex-vereador Peron Japiassú seria este nome.


Como o PT se mostra receptivo às composições de toda cor, eu prefiro esperar mais um pouco. Como analista eu não posso desconsidero algumas movimentações. Existem especulações que levam Guilherme Almeida ao encontro de Daniella já no 1º turno, pois a candidatura dele ainda não decolou para vôo solo. Existe a possibilidade de Guilherme vir a ser vice de Daniella e o PT abocanharia algumas secretarias num, não improvável, governo do PP.


Mas, seria pouco inteligente da parte de Guilherme desperdiçar a chance de se mostrar numa campanha de 1º turno para ir pavimentando projetos futuros. Claro está que suas chances são remotas. Melhor seria compor desde já. Mas, vale deixar um bem avaliado mandato de deputado estadual para ser vice-prefeito?


Romero Rodrigues dispõe de boas alternativas do ponto de vista eleitoral, a exemplo dos vereadores Nelson Gomes e Ivonete Ludgério. Estes dois nomes tem densidade eleitoral, mas não suficiente para uma disputa voto-a-voto. Romero busca algo mais consistente. Fala-se no Secretario de Interiorização, Fabio Maia, que não tem votos, mas traria o decisivo apoio do governo estadual.


Essa composição sedimentaria a aliança entre Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima. Seria uma retribuição pela ida de Rômulo Gouveia para a chapa de Ricardo. O que Romero quer mesmo é ter Diogo Cunha Lima como vice. Uma indicação que atenderia a demandas eleitorais, políticas e familiares, ou não, vamos aguardar.


Tatiana Medeiros foi à única que anunciou já ter um vice. Trata-se de Bruno Roberto, filho do deputado federal Wellington Roberto. O anúncio foi feito às pressas para desviar às atenções do litígio de Veneziano com o PT. Foi uma tentativa de mostrar que a candidatura de Tatiana é sólida.


E temos as candidaturas de Marlene Alves, Fernando Carvalho e Arthur Almeida. Eles têm almoçado juntos. Mas, numa chapa, só tem espaço para dois. A questão é quem vai sobrar na curva. O que eu acabei de fazer foi desenhar o cenário. Vamos continuar acompanhando, pois o jogo está sendo jogado e, garanto, está sendo muito interessante acompanhá-lo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

VAMOS ASSISTIR OS DEBATES?


Por causa dos debates entre os candidatos a reitor da UEPB, me dei conta que em breve vamos ter os embates entre os candidatos a prefeito. Refiro-me aos debates nos canais de TV e nas emissoras de rádio. Um processo sensível, que só quem deles já participou sabe como é difícil organizá-los e conduzí-los.



Nós temos fraca tradição nos debates. Pois só vinhemos a adotá-los a partir das eleições presidenciais de 1989. A primeira, após os 21 anos de ditadura militar. Vejamos, por exemplo, que em 1976 o governo militar realizou eleições para lastrear a abertura lenta e gradual capitaneado por Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva.



Naquela eleição só se mostrava a fotografia do candidato e uma voz narrava o currículo do postulante. Eram campanhas enfadonhas, sem forma e conteúdo. Após a ditadura, a legislação eleitoral mudou e as campanhas ganharam muito na forma, em que pese continuarem pobres de conteúdo. Na verdade, as eleições se tornaram grandes espetáculos. Os debates passaram a ter ampla cobertura da mídia.



Mas, é estranho que com tanta audiência eles sejam tão controlados, com regras bem definidas pela justiça eleitoral e pelos próprios candidatos. Certa vez, eu estava em Belo Horizonte e assisti um debate em que os candidatos tinham (pasmem!) quinze segundos para perguntar e cinquenta segundos para responder. Eles sequer podiam se referir diretamente um ao outro, sob o fraco argumento de manter o nível da discussão em respeito ao telespectador.



Nos debates, e na campanha, pisa-se em ovos ao se referir aos candidatos e as questões político-eleitorais, pois tudo é passível de reprimendas e processos. Mas não deveria ser assim. Os debates são ideais para os políticos se mostrem. É o momento em que o candidato é o que é, despido de recursos tecnológicos.



Existem casos em que um fraco desempenho leva o candidato a derrota. Lembram-se do debate do 2º turno de 1989, entre Collor e Lula, que pulverizou as chances de Lula? Quem não se lembra do debate entre o José Maranhão e Cássio Cunha Lima na eleição de 2006? O desempenho de Maranhão contribuiu em grande medida para sua derrota.



O debate serve para se aferir as inseguranças do candidato, pois ele tem que ser objetivo nas respostas, não pode gaguejar, nem assassinar a língua portuguesa. Também não pode fugir aos temas espinhosos. Sem contar que tem que mostrar que tem propostas para todas as áreas abordadas.



O fato é que tem candidatos que de tão maquiados, mais se parecem com atores de circo. Imagem é importante, mas sem conteúdo, não passa de dissimulação. Se os debates têm tantas regras, porque os momentos em que o candidato aparece para sorrir, acenar, abraçar, beijar, também não? Porque permitir passeatas, que transtornam nossas vidas, pelas principais ruas da cidade? Por que obrigar o eleitor a todo tipo de vexame nessas situações?



Se você nunca teve a oportunidade, aproveite este ano e assista um debate entre os candidatos a presidência dos EUA. É muito interessante. Os candidatos são colocados numa espécie de arena com um mediador que se limita a estimulá-los ao debate. Os candidatos vão falando e um pode apartar o outro. É um debate na sua forma mais clara. Sabe qual o melhor debate para se assistir? É aquele que só tem uma regra – os candidatos são obrigados a falar, a se exporem abertamente sem limitações.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

AFINAL, PARA QUE SERVE UM VICE? O EFEITO JOSÉ ALENCAR EM CAMPINA GRANDE.



Por motivos até difíceis de precisar, nos acostumamos a dizer que o vice não serve para nada. Jô soares até tinha um quadro em seu programa onde brincava com isso. A desvalorização do vice pode ser explicada pela hipervalorização que damos aos personagens da política e desimportância com que lidamos com os partidos.



Foi o ex Vice-Presidente José Alencar que quebrou o paradigma. Ele demonstrou em vários momentos a importância que pode ter um vice. Tivemos que nos acostumar com os puxões que ele dava nas orelhas do governo do qual fazia parte. Alencar sabia que jamais faria sombra ao presidente Lula. Assim, desenvolveu uma forma de mostrar suas divergências. Pela imprensa, ele dizia aquilo que os homens fortes do governo Lula não queriam ouvir.



Alencar era uma espécie de crítico-amigo do governo Lula. Em 2005, disse à imprensa que o governo adia coisas urgentes que precisam ser feitas”. Disse que o governo não fazia nada de importante na saúde e na educação. Sem contar, as criticas ferozes aos juros altos. Ele viajava o Brasil, dando palestras onde criticava o governo de seu compadre Lula.



Alencar morreu, mas deixou seguidores. O nosso vice-prefeito, José Luiz Jr., vez por outra incorpora o papel do vice que não se contenta em apenas fazer parte da paisagem. Como o prefeito Veneziano muito raramente permite que seu vice assuma a titularidade do cargo, ele termina tendo tempo para refletir sobre a política local. \Vez por outra ele concede entrevistas onde faz questão de expor suas opiniões, independente se a favor ou contra o governo do qual faz parte.



Recentemente, em uma entrevista ao jornalista Arimatéia Souza, Zé Luiz avaliou o quadro político da cidade e não se furtou a discordar do prefeito Veneziano. Enquanto o prefeito afirmava que o PT o traiu, que não podia ter saído do governo e que aliança PT/PP foi uma punhalada nas costas do governo municipal. O vice-prefeito dizia que “o PT tem sim direito de acabar com a aliança, que é uma coisa normal e que não tem essa de se sentir traído, não”.



Classificou as declarações de Veneziano, sobre o caso do PT, como uma “atitude impensada e desesperada”. E ainda disse que a decisão do PT tinha que ser respeitada. Porque essa declaração importa tanto? Porque não foi alguém da oposição que a deu, mas sim um membro importante do governo Veneziano.



Para Zé Luiz,Tatiana Medeiros já deveria ter deixado o cargo de secretaria de saúde para se dedicar a campanha. O seu tom não era de quem nutria mágoas e rancores, mas também não de quem se sente confortável. Outra polêmica do vice-prefeito foi dizer que a escolha repentina do vice de Tatiana foi para desviar às atenções da aliança PT/PP.



Certo, sempre poderá se dizer que Zé Luiz só fez tais afirmações motivado pelo fato de Veneziano ter escolhido Tatiana Medeiros, ao invés dele próprio, para a sucessão municipal. O fato é que as atitudes de Zé Luiz dão significado ao papel do vice e o trazem para os holofotes, em que pese também demonstrarem as fissuras do governo municipal.

sábado, 5 de maio de 2012

CONTRIBUÍNDO PARA O DEBATE POLÍTICO-ELEITORAL



O ouvinte que acompanha todos os dias a COLUNA POLITICANDO deve ter notado que eu venho quase que exclusivamente falando dos partidos e atores políticos. Nos últimos dias eu tenho dado especial atenção a todo esse processo de articulações visando à montagem das chapas para as eleições para prefeitos e vereadores. Às vezes pode-se até ter a impressão de que a política se resume a isso. Assim, hoje eu quero mudar o foco e falar da política que toca diretamente o cidadão.

Em breve nós vamos ter eleição. E a sociedade precisa pautar os políticos, demandando a eles suas prioridades e maiores necessidades. Se ela não fizer isso, os atores políticos e seus partidos é que vão dizer o que é e o que não é prioridade. E nós sabemos que o tempo dos políticos é, em geral, diferente do tempo da comunidade. Assim, definimos três temas que tocam diretamente ao cidadão e vamos querer saber o que os candidatos propõem pontualmente para cada um deles.

Os temas são: (1) a mobilidade urbana; (2) a educação infantil; (3) a questão da saúde. Nosso foco é a cidade e as propostas dos que pretendem administrá-la. Na mobilidade urbana temos dados preocupantes. Existem cerca de 62 mil motos e 200 mil carros em Campina Grande. Temos algo em torno de um automóvel para cada dois campinenses. Além disse o transporte público de Campina Grande deixa a desejar. Considerando que a população tende a aumentar e que a quantidade de carros cresce vertiginosamente, o que devemos fazer para que num futuro próximo não fiquemos imobilizados?

É função constitucional dos municípios cuidarem do ensino fundamental. Claro, precisamos cuidar bem de nossas crianças, que são nosso futuro. A equipe de jornalismo da CAMPINA FM levou ao ar matérias sobre a situação das creches públicas de Campina Grande. O resultado que se viu não é dos melhores. Inclusive, o prefeito Veneziano fez divulgar que vai dobrar o número de creches da cidade, em relação ao início de sua primeira gestão, em 2005. Disse ele que Campina Grande chegará, até setembro próximo, a contar com 41 creches em pleno funcionamento, contra 21 existentes em 2005. Interessa saber como é que se vai fazer para por em funcionamento 20 creches em cinco meses, quando se passou quase sete anos para reformar 21 creches.

Interessa também saber quantas creches precisamos, onde precisamos e de que maneira precisamos que elas funcionem. Como é, então, que os candidatos pretendem tratar a questão da educação infantil.

No tocante a saúde sugiro partirmos da avaliação que o SUS fez de Campina Grande, tendo o ano de 2011 como referência. Campina não parece estar bem de saúde de acordo com IDSUS. Na avaliação de acesso a atenção básica, ou seja, na qualidade dos serviços básicos de saúde prestados à população pelo poder público ficamos com nota 3,84. Para se ter uma ideia, Jaboatão dos Guararapes (PE) teve 5,85 neste índice; Mossoró (RN) teve 4,28; Arapiraca (AL) teve 7,81; sobral (CE) ficou com 5,17. Pelo que se vê precisamos tratar da saúde de Campina Grande.

Estes são dados elementares, que carecem de um aprofundamento, mas penso que eles já servem para iniciarmos o debate. Debate que aponte para a Campina que queremos para daqui a três, quatro ou cinco anos, não para a Campina que tínhamos a cinco, dez ou vinte anos atrás.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

AFINAL, PARA QUE SERVE A DEMOCRACIA?


Na época do Império, nosso sistema político era um monstrengo com quatro cabeças. Além dos poderes executivo, legislativo e judiciário, tínhamos o poder moderador. Ele tinha várias prerrogativas e uma delas era decidir quais parlamentares tomariam posse mesmo depois de eleitos. Isso mesmo! A lista dos eleitos era enviada ao imperador que decidia quem tomaria posse. A nomeação dos senadores ocorria por uma lista com os três candidatos mais votados. O empossado seria o mais próximo ao imperador, independente se tivesse ficado em primeiro, segundo ou terceiro lugar. A eleição era uma mera consulta. Mas, porque estou contado isso?

Essa história me veio a lembrança por causa de uma questão que tem sido levantada pela imprensa e por muitos colegas e alunos da UEPB. Trata-se do fato que nós não vamos ter uma eleição para escolher o reitor da UEPB. Teremos uma consulta à comunidade acadêmica. Funciona assim: instituído o processo eleitoral, os candidatos se inscrevem, fazem campanha e se tem a votação. Os três candidatos mais bem votados irão compor uma lista que será enviada ao governador. Ele escolherá um dos três nomes dessa lista e o nomeará reitor da UEPB. Pela lei, ele pode escolher tanto o primeiro, como o segundo ou mesmo o terceiro colocado.

Desde o fim da ditadura militar que se instituiu a prática, por parte dos governantes, de respeitar a decisão da comunidade acadêmica. Não temos caso algum em que o primeiro colocado na consulta não tenha sido nomeado. Mas temos que considerar a celeuma que se criou em torno da lei da autonomia da UEPB, que opôs o governador Ricardo Coutinho a reitora Marlene Alves e vice-versa. Temos, também, que ponderar sobre o fato do comportamento político do governador não ser dos mais democráticos – sabemos que Ricardo Coutinho é dado a tomar decisões unilaterais. Ainda, é necessário não esquecer que uma das chapas inscrita para a consulta tem trânsito livre pelos corredores do palácio do governo. O vice candidato dessa chapa era até dias atrás secretário de governo.


A especulação ganhou a imprensa. O jornalista Heron Cid disse que “a única certeza que se tem na eleição da UEPB é que o candidato de Marlene Alves não será reitor mesmo que ganhe a disputa”. O que ele quis dizer é que Ricardo não vai nomear alguém que foi apoiado por Marlene Alves, por conta da questão da lei da autonomia. Talvez, Heron Cid esteja exagerando. Talvez eu esteja delirando. Mas, se é assim, porque o governador não dá uma declaração contundente dizendo que respeitará a vontade soberana da comunidade acadêmica da UEPB?

Se os cincos candidatos concordarem entre si, pactuarem, de que só aceitam que se torne reitor aquele que ficar em primeiro lugar, a comunidade acadêmica participará do processo de escolha com segurança.

Eu lembrei, também, da eleição para reitor da UFRJ de 1998, quando o terceiro colocado foi nomeado pelo presidente FHC e o campus da UFRJ virou uma praça de guerra. Resta perguntar o que Ricardo Coutinho pretende fazer. Seguirá, democraticamente, a opinião da comunidade acadêmica e no futuro será reconhecido por isso? Ou assumirá o papel de poder moderador e atenderá tão somente sua vontade? Eu torço pela primeira opção, pois não sou o profeta do caos.

Torço para que tudo isso seja tão somente delírios de um analista político, pois se não for para acatar a decisão da maioria, para que fazer eleição? Afinal de contas, para que serve a democracia?

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O JUS ESPERNIANDIS PETISTA.


"JUS ESPERNIANDIS" é uma expressão que não existe. Mesmo assim ela se refere ao direito do esperneio, de reclamar quando não há nada mais a se fazer. Foi isso que restou aos petistas que defendiam a tese da candidatura própria no processo que se arrastou por meses a fio. Como se sabe, a maioria dos delegados decidiu que o PT deve entrar na aliança com o PP da deputada Daniella Ribeiro e indicar seu candidato a vice-prefeito.

Antes de falar das mágoas petistas, deixem-me revelar o que venho conversando com meus botões. Há algo de estranho no reino da Dinamarca, como diria Shakspeare. Por quais motivos o PP se aliaria a um partido como o PT que não tem siquer um vereador em Campina Grande? E que sempre vai mal às urnas? O que ganha o PP com essa aliança? Elementar, herda os mais de três minutos no guia eleitoral que iriam para a candidatura de Tatiana Medeiros. O PP ganha tempo. Mas, ganha votos? Não, já que o PT não os tem. Daí que existem chances do vice de Daniella não ser do PT e sim de outra seara política. Quem viver verá!

O que ganha o PT se aliando ao PP e até abrindo mão da vice-candidatura. Elementar, novamente, ganha cargos. Daniella eleita, o PT recebe duas ou mais secretarias. Convenhamos, ótimo negócio para ambos. E quem perdeu com esse arranjo? Primeiro o PMDB do prefeito Veneziano. Perdeu tempo no guia eleitoral e viu íntimos aliados se tornarem duros adversários. Veneziano chorou suas mágoas na imprensa. Disse que foi apunhalado pelas costas, que foi traído. Praticou seu "jus esperniandis", não lhe restava mais nada a fazer.

O presidente do PT, Alexandre Almeida, viu suas chances de ser candidato se consumarem sem poder fazer nada. Os delegados petistas disseram não a sua postulação. Ele recorreu ao Diretório Nacional do PT contra a decisão. Mas, é óbvio que não darão guarita a seu pedido já que o PP é da base aliada do governo Dilma.
Vimos Alexandre Almeida peregrinando pela imprensa paraibana exercendo seu sagrado "jus esperniandis". Alexandre só não pode dizer que não foi avisado. Aqui mesma, na COLUNA POLITICANDO, eu disse, quando tracei o perfil de sua pré-candidatura, que dificilmente ele entraria no mês de maio como candidato.

Enquanto uns choravam suas mágoas e buscavam as necessárias justificativas para a derrota, além das costumeiras acusações de irregularidades. Outros comemoravam a vitória. Luciano Cartaxo, candidato a prefeito de João Pessoa que terá um vice do PP, disse que se abre um novo tempo na política paraibana. O presidente estadual do PT, Rodrigo Soares, disse que a aliança com o PP se deu por “pensar grande para agir por Campina”.


Mas, convenhamos, essa aliança é, no mínimo, estranha. O PT, com tudo que já foi e sendo o partido do governo federal, se alia com o PP malufista. O cacique maior do PP na Paraíba é Enivaldo Ribeiro, um antigo aliado de Paulo Maluf desde os tempos da eleição indireta que elegeu Tancredo Neves presidente e assim é a política eleitoral-partidária brasileira, aos vencedores tudo, aos perdedores o "jus esperniandis”

quarta-feira, 2 de maio de 2012

POR UMA CAMPANHA ELEITORAL ECOLOGICAMENTE LIMPA.


A Câmara de Vereadores de Campina Grande resolveu contrariar a lei de Murphy, aquela que diz que nada é tão ruim que não possa piorar, e fez algo para que a campanha eleitoral desse ano melhore. Os vereadores resolveram ouvir o clamor de setores da sociedade campinense e declararam guerra as passeatas e carreatas durante a campanha eleitoral. 
Metuselá Agra e Antônio Pereira, ambos do PMDB, entregaram um ofício ao juiz Eli Jorge Trindade, responsável pela propaganda de rua. Nele solicita-se que passeatas e as pavorosas carreatas sejam proibidas. Este ofício é fruto de um requerimento aprovado numa sessão ordinária.

Eis uma prova de que os vereadores sabem cumprir o papel que a sociedade lhes delega. Sabem trazer para a casa de Félix Araújo o clamor da sociedade. Tiveram suficiente sensibilidade para entender o poder que possuem. Essa é a melhor forma possível de demonstrar que não são gazeteiros ou irresponsáveis. Quando se disser que (SIC) “tem vereador brincando de legislar” que se mostre o ofício enviado ao TRE. Melhor do que esbravejar por causa de criticas é mostrar trabalho sério e coletivo em prol da sociedade. 
A justificativa dos vereadores é que passeatas e carreatas não acrescentam em nada à eleição; que só trazem prejuízos à população, por estimular a violência. A discussão demonstra que a ordem político-social da cidade é ameaçada na medida em que o acirramento entre eleitores, políticos e partidos só aumenta.

O juiz Eli Jorge compreendeu o ato dos vereadores. Até destacou a iniciativa considerando a importância dos vereadores como representantes do povo. Foi salutar ele ter lembrado que quase todos os partidos têm representação política na Câmara. O que dá um status de legitimidade ao ato. Só que não é de hoje que se quer providencias. Em 2008, o promotor eleitoral de mídia, Herbert Targino, propôs o fim das carreatas por causarem turbulências no tecido social. Eleições são tratadas como “festa da democracia”. Temos comícios, passeatas, carretas, festas e corpo-a-corpo. Muitos eleitores encaram a campanha como diversão.

Candidatos andam por aí com bandas de música, fogos e trios elétricos. Tudo para chamar atenção do eleitor. Ouve-se de tudo, menos as propostas dos candidatos. As passeatas e carreatas enojam, denigrem e poluem o meio ambiente. Experimente andar pelas ruas após esses eventos e veja a sujeira que fica. Mas, o que faz alguém seguir em uma imensa fila de carros, por horas a fio, num barulho ensurdecedor, sob um calor insuportável? Seriam os “bônus” para que se abasteçam os carros, de preferência no posto de combustíveis de um aliado do candidato? As carreatas são, na verdade, moeda de troca de favores. Muitos são obrigados a delas participar sob pena de perder um favor, uma benesse ou um emprego. Mas, o pior é a gritante contradição do candidato que aparece no guia eleitoral prometendo cuidar do meio ambiente e depois vai às ruas denegri-lo. A iniciativa dos vereadores de Campina Grande é louvável. Mas, que tal não votar em quem diz uma coisa no guia eleitoral e faz outra na rua?

terça-feira, 1 de maio de 2012

EU QUERO SILÊNCIO!!!


Estava em meu apartamento domingo passado tentando descansar. Digo tentando, pois a poluição sonora impedia que fizesse qualquer coisa. A situação era a de sempre. Alguns estúpidos, alcoolizados, impunham a toda uma comunidade seus gostos musicais, se é que podemos chamar aquilo de gosto. No meio do dia, resolvi ligar para a Superintendência de Administração do Meio Ambiente – SUDEMA. Um não tão prestativo atende disse-me que não podia fazer nada. Aegou que o plantão e a fiscalização só iriam começar a partir das 16 horas do domingo. Eu estranhei que os fiscais só agiriam já quase no final do domingo. Fiquei abismado em saber que a SUDEMA não estabelece sua fiscalização nos sábado, domingos e feriados por completo. Mesmo assim, perguntei ao impaciente atendente o que eu deveria fazer. Ele disse que aguardasse até as 16 horas quando iniciaria o plantão e a fiscalização. E disse mais! Que eu tinha mesmo que aguardar até as 16 horas porque poderia ser que o som fosse desligado e assim a equipe da SUDEMA não daria a viagem perdida.

Não acreditando no absurdo que acabara de ouvir, argumentei que se assim fosse não precisaria da SUDEMA, bastava aguardar que os idiotas desligassem o som. Não precisa fazer nada, também não precisa ficar incomodado, basta aguardar que o imbecil ao lado tenha a capacidade de entender que esta incomodando. Se o cidadão agir assim, os fiscais da SUDEMA terão um domingo tranquilo. Poderão tirar uma soneca após o almoço e jogar paciência no computador enquanto o futebol não começa na TV. O órgão encarregado de zelar pelo meio ambiente se recusa a fazer seu trabalho que é o de fiscalizar. E esta não foi a primeira vez que eu liguei para a SUDEMA. Todas às vezes que liguei foi sempre difícil explicar o que está acontecendo, há sempre uma enorme dificuldade de se entender a localização que se está repassando.

Como eu estava mesmo necessitando descansar, liguei para o 190 da polícia militar. O atendimento foi bem mais eficiente. A atendente foi solícita em saber de onde eu falava e o que estava acontecendo. Mas, a primeira orientação dela foi a de justamente ligar para a SUDEMA. Eu relatei a conversa que tive com o atendente da SUDEMA. E disse que a situação era bastante séria e que precisava da polícia mesmo. Ela disse que a PM só é acionada se houver perturbação da ordem e da paz. Perguntei a ela se existe exemplo melhor disso do que a situação que assistia da minha varanda. Então, ela afirmou que se a PM viesse ao local eu teria que me apresentar ao policial comandante da operação para que a queixa fosse formalizada e os perturbadores da ordem pudessem ser presos. Eu argumentei que dessa forma estaria me expondo a um limite inaceitável. Aleguei que poderia sofre represálias, como de fato sabemos que acontecem.

Agradeci e desliguei. Sai de casa com minha família, fui para um local onde houvesse silêncio. Os idiotas que moram próximo a mim conseguiram mais uma vez. Cumpriram a máxima que tanto gostam de repetir: “Os incomodados que saiam!”. Conseguiram, pois é o hábito deles e porque as instituições não cumprem seu papel. Recusam-se a fazê-lo ou fogem de suas responsabilidades. Nossa cidade foi invadida por essa gente estúpida e mal educada que conta com a passividade das instituições. O que se espera é o óbvio – que elas cumpram seu papel e acabem com o barulho que impede que tenhamos paz.

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