terça-feira, 1 de outubro de 2013

O FATOR CÁSSIO.








Na pequena e heroica Paraíba, quando o assunto é eleição, só se fala em quem poderá ser candidato. Nesta seara, a única certeza que se pode ter é que o governador Ricardo Coutinho será candidato à reeleição. No mais, sobram dúvidas e incertezas. A mãe de todas elas é se o senador Cássio Cunha Lima será ou não candidato ao governo do Estado. Essa é a questão que vai pautar o processo eleitoral de 2014. E o senador Cássio sabe tão bem disso que, claro, não pretende se revelar nem tão cedo.



Ele insiste em dizer que “só no momento próprio discutiremos sobre 2014”. Ele evita ser taxativo. Não diz que será candidato, em que pese não negar quando questionado. Ele tem repetido que “... o PSDB tem condição de lançar nomes para todos os cargos”. O que Cássio está querendo dizer é que seu partido poderá lançar candidato a governador que, claro, seria ele próprio. Assim, os cálculos estam sendo feitos a partir das imposições do fator Cássio, pois ele é o elemento com maior peso no processo.



Se Cássio não for candidato o cenário se define. Ricardo sai candidato com boas chances de se reeleger, tendo o “blocão” como provável adversário direito, desde que algum dos deputados estaduais da oposição resolva sacrificar uma quase certa reeleição. O “blocão” é formado por PT, PEN e PP. Para estes partidos seria bom lançar a candidatura de Aguinaldo Ribeiro. Mas, o Ministro das Cidades deve ser candidato a deputado federal e trabalhar alucinadamente para reeleger Dilma e assim manter seu invejável cargo de ministro forte da presidência da República.



Mas, o que acontece se Cássio Cunha Lima deixa sua confortável cadeira de Senador para se lançar numa disputa como nunca se viu na Paraíba? Os cenários políticos se alteram. Ricardo Coutinho passaria a ter um adversário de peso, muito peso. A primeira questão é que Cássio Cunha Lima só poderá sair candidato a governador se o inevitável rompimento político com Ricardo Coutinho acontecer até o São João de 2014, que é quando os partidos fazem suas convenções.


Digo inevitável, porque até os pombos da Praça da Bandeira sabem que a aliança entre o PSB de Ricardo e o PSDB de Cássio é como nossa água potável, ela vai acabar, só não se sabe bem quando. O que precisamos refletir é o que ganham, e o que perdem, Ricardo e Cássio se resolverem acabar com essa aliança em 2014. Nas condições de hoje, eu não sei bem o que eles ganham, mas sei que os dois têm muito a perder.

 


Ricardo ainda precisa dos votos de Cássio para se reeleger. Campina Grande, o 2º maior colégio eleitoral da Paraíba, onde as eleições para governador se resolvem, não deve chancelar o nome de Ricardo sem o aval de Cássio. Cássio demonstra desenvoltura impar na atividade parlamentar e sua proximidade com o senador Aécio Neves pode leva-lo a atuar no cenário eleitoral nacional de 2014. O senador mineiro já disse que o quer na coordenação de sua campanha. Cássio poderia desemprenhar um importante papel numa possível aliança entre o Aécio Neves e o governador de Pernambuco Eduardo Campos. Mas, para isso os ânimos entre tucanos e socialistas paraibanos teriam que estar apaziguados.



Cássio Cunha Lima poderá voltar a enfrentar a ira do presidente do STF, Joaquim Barbosa, se quiser ser candidato a governador. Explico. Ainda não está claro se Cássio é ou não ficha suja, i.e., se ele pode ou não ser candidato. Ricardo terá que ter uma tropa de choque afiada, já que ele não é dos mais habilidosos no trato com as lideranças dos rincões da Paraíba. Ricardo se revelou um bom administrador, mas isso não é o bastante para ganhar uma eleição tão complexa.



Muito se diz que ajuda quem pouco atrapalha. Não ter a oposição de Cássio, e seu grupo, já é algo notável. Pragmaticamente, eles devem seguir entre tapas e beijos até que um não mais sirva para o outro. A água dessa aliança só deve acabar lá por volta de 2017. Cássio Cunha Lima aventa, sim, a possibilidade de ser candidato, mas não descuidada da aliança, por isso quer uma redistribuição dos cargos na chapa majoritária para 2014. Ele quer que seu irmão, vice-prefeito de Campina Ronaldo Fº, seja o vice de Ricardo. Quer, também, que o vice-governador, Rômulo Gouveia, concorra a única e preciosa vaga para o Senado Federal. Rômulo também deseja isso, diga-se de passagem. Mas, Ricardo ficaria emparedado, seu poder de barganha diminuiria.



Não é a toa que ele busca outras lideranças para reequilibrar o jogo em que se transformou a complexa aliança que lidera. É por isso que o ex-senador Wilson Santiago, por exemplo, vem sendo cortejado tal qual uma noiva virginal. Ricardo admite ter ao seu lado quem quer que seja, desde que não lhe faça sombra. É que ele segue fiel à tese do girassol, onde ele seria o sol e não a flor que gira em torno do astro-rei. O fato, é que na política sempre existem mais caciques do que índios. A aliança que governa a Paraíba ainda se abriga sob um teto forte, mas isso não significa que esse teto possa continuar a abrigar tantos caciques por tanto tempo. As alianças políticas são como os casamentos, onde um dia a casa cai.




Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.




segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O assessor eletrônico







Em uma antiga canção, Gilberto Gil dizia que: “O cérebro eletrônico faz tudo, faz quase tudo, mas ele é mudo”. Dizia, ainda, que ele “... comanda, manda e desmanda, mas ele não anda”. Lembrei-me dessa música, belissimamente interpretada por Marisa Monte, a propósito da reinvenção de um antigo fenômeno da política que vem se reproduzindo nas redes sociais de forma avassaladora.



Eu falo de uma espécie de assessor político virtual. Isso mesmo! É aquela pessoa que tem uma profunda relação, que bem pode ser de completa dependência, com um político importante e/ou com o grupo ao qual venha pertencer este político. O assessor virtual não tem que obrigatoriamente ter um cargo que o coloque fisicamente próximo ao político que segue. Em geral, o assessor virtual tem um daqueles empregos que também são virtuais, se é que o caro ouvinte me entende.



O gabinete de trabalho do assessor virtual é seu próprio computador. Ele não precisa de mais nada para desempenhar suas funções. Basta entrar em uma dessas redes sociais e se por a postar mensagens onde, em geral, elogia o trabalho de seu chefe político. O assessor eletrônico faz tudo, ou quase tudo, pelas redes sociais. E, ao contrário do cérebro eletrônico de Gilberto Gil, ele não é mudo.


Na verdade, ele fala, fala muito, como diria aquele técnico de futebol. O assessor eletrônico não fala pelos cotovelos. Ele fala pelos seus dedos velozes. Que de tão ágeis conseguem andar mais rápido do que seu próprio cérebro. Deve ser por isso que volta e meia vemos barbaridades de toda sorte pelas redes sociais. Mas, o assessor eletrônico não comanda, não manda e muito menos desmanda. Ele só anda pelo seu teclado e pelas redes sociais. Ele é uma espécie de porta-voz virtual. Sua função é reverberar o que seu chefe anda pensando e fazendo.



Eu acompanho, pelo Twitter, alguns desses assessores eletrônicos. Bem dito, eu não os sigo, pois só me sinto confortável para seguir os que me dizem coisas relevantes que me fazem refletir. Na verdade, o que eu faço é acompanhar o dia-a-dia dos assessores virtuais para saber o que os políticos andam fazendo e o que eles andam dizendo por aí sobre, claro, as coisas da política. Mas, admito, eu me divirto com o comportamento dessa gente.







Semana passada, o prefeito Romero Rodrigues postou uma mensagem no Twitter dando conta que estava em Brasília, numa audiência com o Ministro das Cidades Aguinaldo Ribeiro, para agilizar a construção de moradia popular em Campina Grande. Através de uma simples mensagem, podemos saber o que o gestor de nossa cidade está fazendo. Não deixa de ser uma forma de praticar a transparência administrativa. Mas, o que me chama atenção é como os assessores virtuais se comportam diante disso.



No minuto seguinte a mesma mensagem começou a aparecer vinda de diferentes pessoas. Num espaço de 15 minutos eu contei a mesma mensagem sendo postada por 12 desses assessores eletrônicos. Interessante que todos reproduzem a mesmíssima coisa. Li 12 vezes seguidas: “Romero tem audiência com Aguinaldo para agilizar construção de casas em Campina Grande”. Sabe o que é mais engraçado? É que todos eles enviam a mensagem para, claro, todos os seus seguidores e para o próprio Romero Rodrigues.



É como se o nosso prefeito tivesse que ficar sendo o tempo todo lembrado do que ele próprio anda fazendo. Claro, o assessor virtual precisa mostrar para seu chefe político que ele está lá, firme forte, a cumprir seu papel de adulador virtual. Mas, o prefeito de Campina Grande não é o único a ter assessores eletrônicos. O governador Ricardo Coutinho, os senadores Cassio Cunha Lima e Vital Fº, para citar alguns, são detentores de um séquito infindável de lisonjeadores eletrônicos.



Quer ver um assessor eletrônico extremamente irritado? Poste uma critica numa rede social a um desses políticos. O bajulador eletrônico sai em defesa do seu chefe na mesma rapidez com que se quebra a barreira do som. Eu acho hilário tanta gente postando a mesma mensagem sobre as ações, do governo que apoiam, vem desenvolvendo.



É sempre a mesma coisa, parece que o gestor não tem assessoria de comunicação. O que será que essa gente ganha para passar o dia inteiro à frente do computador postando cada passo que um político dá? Um emprego? Um favor? Prestígio político? Um afago do governante? Ou todas essas coisas juntas?


A fidelidade política só é crível quando racional. Quando ela se torna canina, fica emocional, dai ela termina sendo uma dependência que não se tem como combater. Sabe de uma coisa? Eu vou terminar deixando de acompanhar essa gente.



Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com


AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.





terça-feira, 24 de setembro de 2013

COLUNA POLITICANDO ESTÁ DE VOLTA.











Gostaria de comunicar que voltarei a apresentar a COLUNA POLITICANDO no JORNAL INTEGRAÇÃO, pela CAMPINA FM (93.1), a partir da próxima segunda-feira, 30 de SETEMBRO.


Também, participarei de todo o JORNAL INTEGRAÇÃO analisando notícias, participando dos debates e das entrevistas, além do já tradicional bate-bola com o Jornalista Arquimedes de Castro.


Depois de um período de quase 4 meses, onde pude me dedicar a outras atividades, além de colocar leituras em dia e me reciclar como analista, estou de volta para o dia-a-dia da análise das coisas da política local, regional e nacional.


Dessa forma, voltarei a atualizar o “GILBLOG” diariamente. No http://gilberguessantos.blogspot.com.br/ é possível ler e ouvir novamente a COLUNA POLITICANDO do dia.


O Jornal Integração vai ao ar de segunda a sábado, das 6 às 8 da manhã, e é apresentado por Arquimedes de Castro e Geovanne Santos. NÃO PERCAM!!!




quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Militares vítimas da ditadura serão ouvidos pela CNV e CEV-RJ.



Militares vítimas da ditadura e seus familiares serão ouvidos em sessão pública da CNV e CEV-Rio de Janeiro.
Sessões ocorrem em 12 e 13 de agosto. Numa delas, ex-militar revelará como era a repressão na base aérea do Galeão



Nos próximos dias 12 e 13 de agosto, a Comissão Nacional da Verdade e a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro realizarão a segunda sessão pública para tomada de depoimentos de militares vítimas da ditadura. Pela primeira vez, a pedido das vítimas, uma parte da sessão será exclusiva para ouvir filhos de militares perseguidos pela repressão. Os depoimentos serão colhidos no auditório da Caarj, no centro do Rio de Janeiro, e serão transmitidos ao vivo pela CNV pela internet: http://www.twitcasting.tv/CNV_Brasil



Na manhã do dia 12, um dos depoentes será o advogado José Bezerra da Silva. Ele já prestou este depoimento à Comissão Nacional da Verdade em maio (assista aqui), no qual denunciou graves violações de Direitos Humanos ocorridas na base aérea do Galeão, um dos centros de tortura da ditadura no Rio de Janeiro. No novo depoimento de Bezerra serão apresentados mais detalhes, inclusive um croqui de como era o local no auge da repressão, na década de 60, preparado pela Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro a partir de informações prestadas pelo advogado. Neste bloco também depõe Belmiro Demétrio, que foi expulso da Aeronáutica por ser brizolista.



Na tarde do dia 12, pela primeira vez nas investigações do grupo de trabalho "Perseguição a militares" haverá um bloco inteiro dedicado a ouvir filhos de militares perseguidos pela Ditadura, que prestarão informações sobre como a repressão atingiu seus parentes, mas também sobre como a perseguição causou impactos nas famílias das vítimas. No dia 13 o foco será ouvir representantes de movimentos de luta pela Anistia. Quatro marinheiros perseguidos pela ditadura que integram os quadros da Umna (Unidade de Mobilização Nacional Pela Anistia), movimento que lutou pela redemocratização do país e hoje luta pela Anistia para os militares perseguidos serão ouvidos.



Também serão ouvidos o presidente em exercício da Associação Democrática e Nacionalista dos Militares (Adnam), comandante Ribamar Torreão. A Adnam foi criada no Rio de Janeiro pelo brigadeiro Rui Moreira Lima, herói da segunda guerra mundial perseguido pela ditadura por ter se recusado a integrar o golpe. O órgão participou ativamente da redemocratização do Brasil e luta pela anistia de militares perseguidos. O último depoimento será do Coronel Lourival Moreira, militar perseguido por defender a legalidade democrática em 1964.



Serviço:



O quê: Segunda sessão pública para depoimentos de militares vítimas da ditadura
Quando: Dias 12 e 13 de agosto de 2013



Horários:
Dia 12: primeiro bloco, 10h; segundo bloco, 14h
Dia 13: primeiro bloco, 9h30; segundo bloco, 14h



Onde: Auditório da Caarj
Endereço: Av. Marechal Câmara, 210, 6º andar - Castelo - Rio de Janeiro - RJ



Transmissão ao vivo: http://www.twitcasting.tv/CNV_Brasil


quinta-feira, 1 de agosto de 2013






COMISSÃO ESTADUAL DA VERDADE E DA PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA DO ESTADO DA PARAÍBA



A Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória do Estado da Paraíba tem a honra de convidá-lo(a) para as audiências públicas a serem realizadas no dia 06 de agosto do corrente ano, às 9h e às 14h,  no  Auditório Centro de Extensão José Farias Nóbrega, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), situado à Rua Aprígio Veloso, nº 882, Bodocongó, Campina Grande, Paraíba.


Na ocasião, prestarão depoimentos as torturadas e os torturados em granjas privadas de Campina Grande:

Maura Pires Ramos
Josélia Wellen
Jorge de Aguiar Leite
João Crisóstomo Moreira Dantas                                                                    


Visite nosso site: http://www.cev.pb.gov.br/



terça-feira, 30 de julho de 2013

Comissão Estadual da Verdade vai ouvir quatro pessoas em Campina Grande


 

A Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória da Paraíba realizará no dia 6 de agosto, em Campina Grande, sua terceira audiência pública. As duas primeiras foram realizadas em João Pessoa e Sapé. A audiência em Campina Grande será realizada no campus da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) sob a coordenação do “GRUPO DE TRABALHO MAPA DA TORTURA”. Os integrantes da Comissão vão gravar depoimentos de quatro pessoas que foram torturadas no período do regime militar (1964-1985) em granjas particulares na cidade.


 


O objetivo do grupo Mapa da Tortura é construir um mapa atualizado da tortura no Estado da Paraíba. A ideia é identificar locais de realização desta prática, traçar um perfil detalhado das vítimas de tortura, pois o fato é que se considera que a tortura foi um instrumento fundamental de intimidação e repressão para a manutenção da ordem político-institucional da ditadura civil-militar. O “Mapa da Tortura” também estuda os fundamentos históricos da tortura, as dimensões da tortura, os modos e instrumentos da tortura, os espaços da tortura (institucionais e extra-institucionais), análise de documentos e testemunhos.





O professor Fábio Freitas, coordenador do grupo Mapa da Tortura, adiantou que, após as perguntas dos sete integrantes da Comissão Estadual da Verdade, o público na plateia poderá formular algumas perguntas aos quatro depoentes. “A gente está chamando de as granjas do terror os locais onde essas quatro pessoas foram torturadas, e muitas propriedades particulares foram cedidas para esse tipo de prática”, destaca Fábio Freitas. Ele avaliou que o papel da Comissão Estadual da Verdade é estabelecer a verdade dos fatos, o julgamento fica para outro momento. “Os arquivos do regime militar estão dispersos e precisam ser organizados e esta é a proposta da Comissão”, observou. 

 



O presidente da Comissão Estadual da Verdade, Paulo Giovani Nunes, informou que, além dos preparativos da audiência pública do dia 6, em Campina Grande, a reunião desta terça-feira (30) tratou ainda sobre temas de futuras audiências públicas a serem realizadas nos próximos meses. Haverá audiência pública para ouvir estudantes paraibanos que foram perseguidos por participarem em 1968 do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna (SP). Outra audiência pública vai ouvir políticos paraibanos que foram cassados pelo governo militar.


Fonte: Secom/PB




segunda-feira, 22 de julho de 2013

COMISSÃO DA VERDADE E DA PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA



Coerente com a atual conjuntura brasileira, onde a necessidade de se rever nosso passado autoritário deixou de ser uma opção, é que A COMISSÃO DA VERDADE E DA PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA (CVPM) está sendo criada na Universidade Estadual da Paraíba. Foi considerando isso, além do fato de que a UEPB tem uma profunda inserção histórica e política na sociedade paraibana, que o Reitor, professor Rangel Junior, promoveu a criação da CVPM/UEPB.


O momento não poderia ter sido mais propício, pois “coincide” com a inauguração de uma Comissão similar na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O ato foi recheado de simbolismos. Foi nele que o antigo Auditório Guilardo Martins (ex-reitor da Universidade Federal da Paraíba e contumaz colaborador da ditadura militar) passou a ser denominado de Auditório João Roberto de Souza Borges, um líder estudantil que foi perseguido durante o período militar tendo, inclusive, desaparecido no período. Em 1969, João Roberto morreu afogado em um açude, na cidade de Catolé do Rocha, num episódio que nunca foi devidamente esclarecido.


A CVPM/UEPB terá objetivos bem definidos, tendo como principal o de efetivar um trabalho de pesquisa, no âmbito da própria Instituição, para que se possam descobrir ações que de alguma maneira tenham afetado a UEPB. A Comissão buscará descobrir quantos e quais foram os seus professores, estudantes e funcionários que chegaram a ser perseguidos por ações, atos, decretos e outras formas que caracterizavam o modus operandis do regime militar vigente à época.


Para ficar um caso, lembremos o de José Filho que, sendo presidente do Diretório Central dos Estudantes, sofria perseguições de forma que suas atividades pudessem ser acompanhadas de perto. Mesmo que não se possa precisar de que maneira, mas se sabe que José Filho tinha seu direito de ir e vir cerceado por agentes públicos a serviço do regime miliar. Sabe-se, por exemplo, que ele foi chamado várias vezes para depor na primeira metade da década de 70, ou seja, no momento de aguçamento da repressão política efetivada pelo Estado brasileiro militarizado.


Outro objetivo da CVPM/UEPB é o de buscar formas de reparação para os danos que pessoas como José Filho tenham sofrido. A CVPM/UEPB não tem nenhum poder de investigação criminal/judicial. Mesmo seguindo a lógica que orienta a criação da Comissão Nacional da Verdade (http://www.cnv.gov.br) e da Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória da Paraíba (http://www.cev.pb.gov.br/) a CVPM/UEPB tem objetivos próprios que privilegiam aspectos inerentes à história política da UEPB. Na verdade, a intensão é promover o levantamento de fontes e de informações sobre este período da nossa história.


É sabido que professores e estudantes da UEPB sofreram os mais variados tipos de perseguições durante a década de 70. Nada a se estranhar se considerarmos que as universidades eram alvo prioritário do aparato repressivo do governo militar por razões um tanto quanto óbvias. Basta lembrar que foi o Movimento Estudantil, nas universidades públicas, que cedeu parte considerável de militantes para as organizações revolucionárias que lutaram contra o governo militar. Os órgãos de repressão eram cientes disso, tanto que monitoravam as atividades políticas nas universidades brasileiras. Um dos mecanismos de acompanhamento era a criação, no âmbito das Instituições de Ensino Superior, de uma espécie de Serviço de Informação que poderia, ou não, abastecer o Serviço Nacional de Informação (SNI).





Sabemos que à época da Ditadura militar a UEPB possuía um sistema que reunia informações sobre as atividades políticas (ou não) de seus professores, alunos e funcionários. Na década de 70, o almoxarifado da Instituição era administrado por um militar que bem poderia ter a função de levantar informações sobre tais atividades da comunidade acadêmica. Já nos idos dos anos 80, quando o regime militar entrava em seu ocaso, foi encontrado um arquivo na Instituição com nomes de pessoas que supostamente haviam sido perseguidas politicamente.. Este arquivo contém fichas individuais que trazem nomes, fotos, funções e, claro, atividades político-acadêmicas desenvolvidas.



Que se tenha claro que o objetivo central da CVPM/UEPB é o da coleta de documentos e informações que possam subsidiar a produção de um sem número de trabalhos acadêmicos, ou não, além de oferecer um tipo de informação de fundamental importância para a sociedade paraibana. Promover transparência de conhecimentos é o ponto de partido para que se possa, por exemplo, dar consecução ao trabalho investigativo e a reparação de danos materiais e imateriais. Ainda poderemos promover a capacitação recíproca de agentes de Estado e da sociedade civil na medida em que a CVPM/UEPB terá amplas possibilidade de trabalhar em conjunto com a Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória da Paraíba que foi instituída pelo Governo do Estado da Paraíba, através do Decreto 33.426, de outubro de 2012.


Inclusive, a finalidade da CVPM/UEPB não difere muito dos objetivos da Comissão Estadual na medida em que esta foi criada para “buscar (...) o esclarecimento às graves violações de direitos humanos praticados por agentes públicos contra qualquer pessoa no território da Paraíba (...) a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica na edificação do Estado Democrático de Direito”. A CVPM/UEPB será composta por representantes dos três seguimentos da Instituição. São eles: professor José Benjamim Pereira, instituído como presidente; professor Edmundo de Oliveira Gaudêncio; professor Gilbergues Santos Soares; técnico-administrativo Luan da Costa Medeiros; estudante do curso de Direito Camilo de Lélis Diniz de Farias.


Julho/2013.

                                                                                             
  

sábado, 20 de julho de 2013

Instalada Comissão da Verdade e da Preservação da Memória da UEPB




A Comissão da Verdade e da Preservação da Memória da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) foi oficialmente instituída nesta sexta-feira (19), em solenidade presidida pelo reitor Rangel Junior, que assinou a Portaria de criação da comissão.


O ato aconteceu na Sala da Universidade Aberta à Maturidade (UAMA), no Campus de Bodocongó, e contou com a presença do vice-reitor Ethan Barbosa; do presidente da Comissão Estadual da Verdade, Paulo Giovani Antônio Nunes; do chefe de Gabinete do Governador, Waldir Porfírio; e do professor da UFCG, Fábio Freitas, também integrante da Comissão Estadual.


Presidida pelo professor José Benjamim, a Comissão terá o prazo de um ano para realizar os seus trabalhos, dando sua contribuição para esclarecer os casos de abusos praticados contra estudantes, professores e funcionários da UEPB no período da ditatura.


A comissão tem, ainda, como membros os professores Edmundo de Oliveira Gaudêncio e Gilbergues Santos Soares; o técnico administrativo da UEPB, Luan da Costa Medeiros e o estudante do curso de Direito, Camilo de Lélis Diniz de Farias.


Na solenidade, o reitor Rangel Junior observou que a escolha dos nomes para compor a Comissão teve critérios e levou em conta, entre outros aspectos, a história e o comprometimento dos professores e do estudante com a busca da verdade. Ele disse que não é fácil escavar a história e trazer à tona episódios deprimentes envolvendo pessoas que foram castigadas e torturadas pelo regime ditatorial. “No entanto, as novas gerações precisam reencontrar essa história e lutar para que esse período não volte mais”, frisou.


O reitor lembrou que na UEPB muitos estudantes e professores foram vítimas dos abusos praticados pelos militares. “No caso da UEPB, ainda na época da URNe, muitos estudantes foram vítimas de atos arbitrários e queremos revirar os arquivos e resgatar esses fatos”, destacou Rangel Junior. A ideia é contribuir com informações para o trabalho da Comissão Estadual e a Comissão Nacional da Verdade.


Presidente da Comissão, o professor Benjamim fez um relato histórico. Também lembrou que muitos professores e estudantes da UEPB foram perseguidos e citou como exemplo o então presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), José Filho, que teve sua vida cerceada pelos militares. “Vamos fazer um elo entre o passado e o presente, atualizando dados para as novas gerações”, disse.


Voltando no tempo, Benjamim citou como exemplo a intervenção feita pelos militarem em Campina Grande e que desencadeou uma das grandes crises financeiras da UEPB, só superadas anos depois, com a Estadualização. “A ditatura sangrou a então URNe, levando a Instituição a atravessar uma crise histórica. Foi uma perseguição feroz”, definiu.


O chefe de Gabinete do governador, Waldir Porfírio, também mostrou a importância dos trabalhos que os membros da Comissão terão nos próximos 12 meses. Como membro da comissão estadual, Waldir citou alguns episódios envolvendo professores e estudantes da UEPB na época do regime. Ele se dispôs a contribuir com a Comissão fornecendo, inclusive, o seu arquivo pessoal para estudo dos membros.



O presidente da Comissão Estadual, Paulo Giovani Antônio Nunes, destacou a importância dos trabalhos da UEPB para esclarecer as violações do regime e também se dispôs a contribuir com os membros da comissão, fornecendo documentos e relatórios de pessoas torturadas pelo regime. Por sua vez, o professor da UFCG, Fábio Freitas, fez um discurso efusivo e disse que as comissões surgiram para fazer justiça à história, começando pelas lutas memoráveis que resultaram na Lei da Anistia.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

A HORA E A VEZ DOS BARRADOS NO BAILE DAS MANIFESTAÇÕES.

O "Dia Nacional de Lutas", convocado pelas Centrais Sindicais brasileiras, pareceu uma espécie de vingança dos sindicalistas e de alguns partidos (de esquerda) por terem sido barrados nas manifestações do mês de junho passado. A impressão é que as Centrais, e os partidos, querem mostrar que também são "bons de rua". É como se eles quisessem dar uma satisfação a sociedade, demonstrando que não ficaram para trás, que não perderam o "trem da história".

No entanto, existe uma diferença básica entre os manifestantes de junho e os manifestantes de hoje. Enquanto aqueles desdenham o governo e o Estado, estes não vivem sem. Os manifestantes de junho só têm como compromisso afirmar suas revoltas. Os manifestantes de hoje tem suas pautas de reivindicação bem definidas, sabem bem o querem e porque querem. É isso que Josias de Souza demonstra de forma magistral numa coluna postada hoje mesmo em seu blog e que você pode ler logo abaixo. Já ontem, eu questionava aspectos desse tal "Dia Nacional de Lutas".


(1) Achei estranho que o  "Dia Nacional de Lutas" tivesse sido convocado para uma quinta-feira, pois pareceu-me que queriam "enforcar" a sexta. Eu não estou duvidando das intenções dos sindicalistas-manifestantes de hoje, mas é que, enfim ....

(2) Indaguei dois sindicalistas sobre a possibilidade deles convidarem o pessoal do "Passe Livre" para participarem desse dia e eles me disseram que (SIC): "não vamos convidar não, pois esse pessoal é um bando de 'porra-loucas". Eu rebati dizendo que se todos lutam pelas mesmas coisas, deveriam estar juntos. Eles me disseram que não, que não são iguais (SIC): "aquele bando de baderneiros sem causa". Enfim, existe uma clara diferença entre uns e outros. Uns não querem se misturar a outros, sendo a recíproca verdadeira. E quando o povo não se une, já sabemos bem onde tudo termina.

(3) O mais estranho é que enquanto organizavam os protestos e as manifestações as Centrais Sindicais perderam-se num labirinto de discussões e assembleias infindáveis. Segunda e terça passadas elas discutiam se deveriam ou não apoiar o governo de Dilma durante as manifestações. Ora, Central Sindical não tem que apoiar governo nenhum. Ela tem, isto sim, que apresentar e representar as demandas e reivindicações de seus associados. Central Sindical vai para a rua, isso é comum na Europa, para protestar contra a política econômica do governo, caso ela esteja gerando inflação (é o nosso caso) e/ou arrojando os  salários dos trabalhadores.

O fato é que vamos mal de manifestação. Uns não sabem o que querem e se perdem nos labirintos dos atos de vandalismo e de causas específicas demais ou generalistas ao extremo. Outros sabem tão bem o que querem que preferem organizar seus atos à parte para não se misturarem com a "massa de baderneiros".




“As diferenças: a rapaziada é #, a pelegada é $”.


Excluídas das passeatas de junho, as centrais sindicais e seus penduricalhos (UNE, MST, PT, PCdoB, PDT e etcétera) organizaram o seu próprio ‘Dia Nacional de Luta’. Isso foi ótimo. Ajudou a explicar por que a rapaziada refugou a ‘solidariedade’ da pelegada partidário-sindical. São muitas as diferenças entre os dois movimentos. A principal delas é a forma como os dois grupos se relacionam com os cofres públicos. Um entra com o bolso. Outro usufrui. Vai abaixo uma tentativa de distinguir o novo do antigo:

A rapaziada é #. A pelegada é $.

A rapaziada é o bolso. A pelegada é imposto sindical.

A rapaziada é coxinha. A pelegada é pastel-de-vento.

A rapaziada é sacolejo. A pelegada é tremelique.

A rapaziada é YouTube. A pelegada é videoteipe.

A rapaziada é Facebook. A pelegada é assembleia.

A rapaziada é máscara de vingador. A pelegada é cara de pau.

A rapaziada é viral. A pelegada é bactéria.


A rapaziada é chapa quente. A pelegada é chapa branca.

A rapaziada é sociedade civil. A pelegada é sociedade organizada.

A rapaziada é banco de praça. A pelegada é BNDES.

A rapaziada é a corrida. A pelegada é o taxímetro.

A rapaziada é asfalto. A pelegada é carro de som.

A rapaziada é horizonte. A pelegada é labirinto.

A rapaziada é fumaça. A pelegada é cheiro de queimado.

A rapaziada é explosão. A pelegada é flatulência.

A rapaziada é o público. A pelegada é a coisa pública.

A rapaziada é combustão espontânea. A pelegada é ignição eletrônica.

A rapaziada é luz no fim do túnel. A pelegada é beco sem saída.

A rapaziada é pressão popular. A pelegada é lobby.

A rapaziada é farinha pouca. A pelegada é meu pirão primeiro.

A rapaziada é terra em transe. A pelegada é cinema novo-velho.

A rapaziada é o desejo de futuro. A pelegada é o destino-pastelão.

A rapaziada é namoro. A pelegada é tédio conjugal.

A rapaziada é grito. A pelegada é resmungo.

A rapaziada é algaravia. A pelegada é palavra de ordem.

A rapaziada é poesia. A pelegada é pedra no caminho.

A rapaziada é dúvida. A pelegada é óbvio ululante.

A rapaziada é Fora Renan. A pelegada é o bigode do Sarney.

A rapaziada é abaixo a corrupção. A pelegada é a perspectiva de inquérito.

A rapaziada é mistério. A pelegada é indício.

A rapaziada é a alma do negócio. A pelegada é o segredo.

A rapaziada é novidade. A pelegada é o mesmo.

A rapaziada é anormalidade. A pelegada é vida normal.

A rapaziada é impessoal. A pelegada é departamento de pessoal.

A rapaziada é decifra-me. A pelegada é devoro-te.



terça-feira, 2 de julho de 2013

TV ARGENTINA IRONIZA ARNALDO JABOR

Num programa chamado "Bajadas de Linea", de um canal argentino, o apresentador Victor Hugo Morales ironiza com o que chama de "La hipocresia de los medios". Ele mostra (e prova) como Arnaldo Jabor mudou de opinião em apenas 48 horas. Vê-se como Jabor passou de ferrenho critico das manifestações para um defensor delas. Se num primeiro momento os manifestantes são tratados como marginais, tal qual os bandidos do PCC que quebraram e incendiaram São Paulo em outra conjuntura, em outro momento são jovens que estam despertando para a necessidade de participarem do processo democrático. Mas, não é só isso, tem mais coisas que trazem uma visão bastante crítica da América Latina que parece continuar confirmando que só existimos politicamente com os tais "ridículos tiranos" dos quais nos fala aquele "antigo compositor baiano".
























Minha lista de blogs

Pesquisar este blog