terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O ÔNUS DA DERROTA É A SOBREVIVÊNCIA POLITICA

A política partidária brasileira se mantém com pouquíssimas regras pouco ou nada republicanas. A primeira delas é a que diz que normas foram feitas para serem redefinidas de acordo com interesses de atores e partidos políticos. A segunda, uma decorrência da primeira, define o que chamamos de vale-tudo eleitoral. Para maximizar interesses tudo é permitido. A definição de candidaturas e coligações nas eleições nos fez constatar essas regras, por isso que as chamei de “suruba” eleitoral. E existe o critério da sobrevivência política que poucos ousam desrespeitar. Os políticos gostam de justificar traições de toda sorte e os atos mais absurdos pelo famoso instinto de sobrevivência que cada um traz consigo.

Em geral as mudanças de partido são racionalizadas pela necessidade de se viabilizar o futuro eleitoral. Esta é uma instituição informal tão respeitada no Brasil que nem mesmo o Tribunal Superior Eleitoral ousa desrespeitar. Foi por isso mesmo que a lei, que nos fez aceitar o troca-troca partidário, instituiu um período (chamado de janela) para que os políticos, derrotas numa eleição, possam refazer seus cálculos e ver a real necessidade de mudar de partido. Este seria o principal ônus da derrota eleitoral. Terminar uma eleição como perdedor impõem ao politico medidas visando reverter o quadro. Muda-se de sigla quando o coeficiente eleitoral do partido está muito próximo do capital eleitoral do político.

Ao que tudo indica é isso que está acontecendo em Campina Grande. Aguarda-se para esses dias o anúncio da mudança partidário do prefeito Romero Rodrigues. Ainda, no final de janeiro ele tinha dito que, sim, que mudaria de partido. Mas, porque Romero deixaria o PSDB, partido pelo qual milita há tanto tempo e que o conduziu aos cargos que ocupou até hoje? Elementar. Nosso prefeito está pensando em sua reeleição, ou seja, em sua sobrevivência política. É que com as derrotas do PSDB, em nível nacional, e de Cássio Cunha Lima, nas eleições para o governo, Romero viu sua administração se fragilizar. É sempre bom lembrar que, nas eleições, Campina Grande ficou sendo conhecida como a ilha tucana.
 
Romero é prefeito da única cidade da Paraíba onde Dilma Rousseff não teve mais votos do que Aécio Neves nos dois turnos da eleição. Nosso modelo político é personalista, governista, e isso fragiliza os derrotados e fortaleze os vitoriosos. Se Cássio tivesse ganhado a eleição, Romero seria um dos principais fiadores da vitória, por governar o reduto do senador. Do contrário, não falta quem queira lhe atribuir responsabilidades e culpas pela derrota justamente no tal reduto, na ilha tucana.

Se a vitória de Ricardo Coutinho aumenta as chances da oposição (Veneziano Vital que o diga) nas eleições de 2016, cria dificuldades para a situação. Contar, numa eleição, com o apoio do grupo derrotado não é, definitivamente, uma das melhores coisas na política. Sem contar que a gestão do prefeito Romero sofre solução de continuidade. Pela crise econômica, que emperra o crescimento, e por uma gestão pouco criativa, que não consegue mostrar a que veio, a reeleição de Romero é hoje uma grande dúvida. Imaginem a dificuldade que Romero deve ter em conseguir verbas, junto ao governo petista, sendo o prefeito da tal ilha tucana? Se não tem verbas, não tem obras e ações. Sem elas a população não acredita na gestão e o projeto de reeleição sobe ao telhado.

Foi por isso que o Deputado Tovar disse que Romero saíra do PSDB pela sobrevivência do município. Já o Secretario de Articulação Política, Fernando Carvalho, afirmou que o prefeito vai para o PSD para o bem de Campina Grande. Romero Rodrigues decidiu deixar o PSDB para buscar uma agremiação que possa vitaminar sua gestão nos próximos meses. Mesmo com as declarações de amor a nossa cidade, eles estam tratando é do instinto de sobrevivência política do prefeito. É por isso mesmo que se falou que ele poderia ir para o PT. Se a questão é sobreviver, nada melhor do que ser agarrar a tábua governista. Mas, não faltaria quem lhe atirasse a pecha de traidor, de ter abandonado o barco do senador Cássio na pior hora.

Assim, Romero deve ir para o PSD do ministro das Cidades Gilberto Kassab, para onde foi Rômulo Gouveia e para onde devem ir os sobreviventes do naufrágio da nau tucana. Ser prefeito filiado ao partido do ministro das Cidades pode ser a salvação da lavoura. Mas, o que será que Cássio Cunha Lima está achando disso tudo? Ele não concorda, apesar de que tem tratado a questão, pelo menos em público, de uma forma diplomática. O Senador tem dito que vai respeitar a opinião do seu primo prefeito. Mas, cá entre nós, Cássio não está gostando nada disso. É que se abrir a porteira do seu partido, para que um membro importante sai, ele pode terminar perdendo o controle e ver a boiada debandar. Na política é assim: quando a farofa é pouca, meu pirão primeiro!

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O NOSSO 7 X 1 DE CADA DIA

Um canal da TV a cabo anuncia que “a grande festa do futebol brasileiro em 2015 já começou”. Como assim? Festa? Parece que ninguém mais lembra que a Seleção Brasileira de Futebol foi achincalhada de alto a baixo por aquela goleada de 7 X 1. Após aquele jogo fatídico, onde fomos soterrados por uma avalanche de gols em plena Copa do Mundo, fiquei com a sensação de que aquilo era só o começo. Lembro bem do jornalista Juca Kfouri dizendo que o pior ainda estava por vir. Eu fiquei imaginando o que seria pior do que a traulitada que a Alemanha nos aplicou. No segundo semestre de 2014 vimos o pior do pior num campeonato nacional de baixíssimo nível. Mas, algo ainda me dizia que 2015 seria de amargar na seara futebolística.

A Folha de São Paulo deu uma matéria que li como se estivesse assistindo a paixão de Cristo, sem entusiasmo, por conhecer bem o final da história. A matéria dizia que a Arena Pantanal foi interditada, pelo governo do Mato Grosso, para obras de reparo. Isso seria normal se este estádio tivesse sido inaugurado há pelo menos 20 anos. Mas, não é o caso, pois a tal arena foi inaugurada há seis meses para receber apenas quatro jogos da Copa do Mundo e alguns poucos jogos oficiais entre times nacionais. O governo diz que o estádio tem problemas sérios na rede elétrica e na parte hidráulica, com infiltrações e alagamentos. A Folha de São Paulo mostrou que o local não tem condição de receber eventos, principalmente jogos de futebol. Eis o pior! Construíram uma arena, no valor de R$ 626 milhões, que foi mal e porcamente utilizada e que já vai ter que passar por uma reforma que deve custar algo em torno de R$ 50 milhões, superfaturados, obviamente. Pois é, a goleada de 7 X 1 continua.
 
 A Federação de Futebol/RJ instituiu, em seu Regulamento de Competições, o Artigo 133 que mais parece um dos itens do AI-5 da ditadura militar. Ele prevê multa de R$ 50 mil a clubes, jogadores e técnicos que criticarem a Federação, seus atos e suas competições. A Defensoria Pública do Rio de Janeiro entrou com ação civil pública, com pedido de liminar, para anular essa cláusula draconiana, que em nada ajuda na melhoria do futebol brasileiro que além de desorganizado e corrompido é, também, autoritário. Enquanto isso a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional fez um levantamento e descobriu que os 12 maiores times do futebol brasileiro, o meu inclusive, devem a União a estrondosa quantia de R$ 1 bilhão e 590 milhões. Cerca de R$ 1 bilhão dessa dívida se relaciona a impostos federais atrasados, nunca pagos. É que, no Brasil, os times de futebol são tratados como entidades míticas, não como empresas, que pairam para acima e além dos interesses institucionais. Temos a tosca ideia de que como eles cuidam de nossa paixão nacional devem ser dispensados de cumprir as leis trabalhistas, por exemplo.

Os clubes brasileiros são especialistas em burlar leis e fraudar suas gestões financeiras e nós achamos graça disso. A Procuradoria afirma que não incluiu, nesse levantamento, dívidas que os times têm com bancos, fornecedores e com os governos estaduais e municipais. Ou seja, o levantamento foi superficial. Tem razão Juca Kfouri, o pior ainda virá. O governo criou, através de Medida Provisória, um refinanciamento para os times que pagarem as parcelas de suas dívidas em dia. O Atlético Mineiro, que deve R$ 282 milhões a União, assinou um acordo e levou um desconto de R$ 70 milhões.

A MP é um negócio de ocasião para os clubes, pois prevê o refinanciamento das dívidas em 240 parcelas, oferecendo descontos de 70% em multas e 50% em juros. E tem mais, os clubes não teriam que cumprir medidas de responsabilidade financeira. Mais uma vez o governo passaria a mão sobre a irresponsabilidade fiscal desses clubes, mas a presidente Dilma, concordando com o “Bom Senso FC,” vetou o artigo que previa esse obscuro modo de fazer o nosso futebol seguir inadimplente. O governo, inclusive, tem falado em criar mecanismos para punir os clubes que não honrarem seus compromissos. Um deles é a criação da Agência Nacional do Futebol que teria como função principal atuar junto a Confederação Brasileira de Futebol – CBF.

O governo pressiona a CBF para punir os clubes caloteiros com medidas disciplinares no âmbito esportivo, como a perda de pontos e a exclusão de campeonatos. Essa tal Agência do Futebol serviria para aplicar as sansões que a CBF se recusasse a tomar. Na verdade, o que Dilma quer é podar o poder da CBF. Depois de todos os problemas que a entidade criou, na Copa do Mundo, o governo resolveu que é chegada a hora de estender seus tentáculos para a gestão do futebol. Mas, essa agência deverá ser gerida por cartolas, que ocupam cargos no mundo da política, ou por seus asseclas. Quando o assunto é futebol sempre espero o pior. Essa agência poderá mesmo é se tornar um galinheiro gerenciado pelas raposas do futebol. Enquanto isso, seguimos sendo goleados, por 7 X 1, a cada novo dia.

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O PT E SEUS DEMÔNIOS

De uma coisa eu não reclamo: o Partido dos Trabalhadores é uma fonte inesgotável de as
suntos para quem tem que analisar nossa realidade política diariamente. O PT é meu manancial infindável de inspiração para escrever o POLITICANDO. Seja do ponto de vista histórico, seja tratando da atualidade, o PT é um case para os analistas. Agora mesmo temos que explicar como e porque o partido, que está iniciando seu quarto mandato consecutivo no governo federal, enfrenta tantas crises internas. Se o PT fosse uma dessas siglas nanicas de vida fácil, que vendem seus corpos partidários e seus tempos no guia eleitoral em troca de cargos no 2º e 3º escalões, eu não dedicaria uma linha sequer a ele. Mas, o PT é o partido ao qual a pertence a presidente da República.

O PT tem a maior bancada na Câmara Federal, são 70 deputados. Possui 13 senadores, 5 governadores de Estado e ainda administra 635 cidades pelo Brasil afora, São Paulo e João Pessoa dentre elas. Porque, afinal, esse partido enfrenta tantas crises? Um eleitor paulistano que acha que todo nordestino é filiado ao PT , que lê a Revista Veja semanalmente e que acredita que o Brasil seria melhor sem o Nordeste, diria que o PT vive em crise devido as questões éticas e morais, ou melhor, pela falta delas. Mas, isso explica apenas uma parte da questão. Quando o PT era um empedernido defensor da moral e dos bons costumes, quando só sabia ser pedra e não tinha, ainda, se tornado vidraça, já vivia suas intermináveis crises políticas e ideológicas.

Quem não lembra o tempo em que as tendências petistas se engalfinhavam para ver quem teria mais cargos na Executiva Nacional? Apesar de que, hoje em dia, só existem dois Partidos dos Trabalhadores – o de Lula e o de Dilma. Sim, o PT é uma das siglas mais enlameados que temos no Brasil, pois foi ele quem aprimorou a histórica estratégia nacional, chamada mensalão, de gratificar parlamentares em troca de votos pró-governo no Congresso Nacional. Eu disse aprimorou, pois não foi o PT quem inventou a roda mensaleira. Mas, o PT não se emenda mais. Ontem, seu tesoureiro, João Vaccari Neto, foi levado a uma delegacia da Polícia Federal, em São Paulo, para depor no caso da Operação Lava Jato. Ele não foi intimado, muito menos convidado. Agentes da PF tiveram que pular o muro, da casa de Vaccari, para lhe entregar o mandato de condução coercitiva, uma espécie de eufemismo para a velha e não tão boa prisão para averiguação. Mais uma vez, dirigentes nacionais do PT vão aparecer nas páginas policiais dos grandes jornais. Mas, quisera José Dirceu que os problemas do PT fossem apenas pela escassez de atitudes éticas por parte de seus dirigentes.

Dilma se reelegeu, o PT cresceu como nunca, Lula já é candidato para 2018, mas os petistas não se entendem. A quase derrota de Dilma expôs as fragilidades do PT. A presidente chegou a admitir que seu partido quase botou tudo a perder. Lula, claro, não está nem aí para isso por se colocar acima e além de seu partido e do governo. Hoje, Lula só se preocupa com as experiências em seu laboratório particular, a prefeitura de São Paulo, e com sua querida cobaia, o prefeito Fernando Haddad. 

Sabe como é que dá para saber que a crise interna petista está dando picos de radicalidade? É quando seus dirigentes vão à imprensa desautorizar atos dos governantes do próprio PT. Este é um antigo modus operandi petista. Seu vice-presidente, Alberto Cantalice, andou pelas redes sociais e pela imprensa desancando a política econômica de Dilma. Apesar de que ele foi lúcido ao defender que o governo tem que criar novas alíquotas para taxar as grandes fortunas. Marta Suplicy afirmou o óbvio ululante quando disse que se o PT não mudar vai terminar acabando. Na verdade o PT já se acabou. Aquele partido que lutou contra a ditadura, e se opunha ao neoliberalismo tucano, não mais existe. Hoje, o que existe é uma estrutura fisiologizada que depende das entranhas governamentais para sobreviver. A crise do PT é fruto da consciência que os petistas têm de que precisam mudar. O problema é que eles não sabem como fazer para mudar.

Dilma foi reeleita, mas o PT se comporta como derrotado, sem moral para impor a si mesmo a tal mudança. A crise é tão séria que o deputado Arlindo Chinaglia foi pedir apoio, pasmem, ao PSDB na eleição para presidente da Câmara dos Deputados. Os tucanos devem ter dado altas gargalhadas. Aliás, o PT desaprendeu a atuar no Congresso. Vejam que a nova Mesa Diretora da Câmara dos Deputados não traz um único petista em sua composição. O PT governa, mas quem dá as cartas é o PMDB. O PT está em crise porque o sistema político-partidário brasileiro está esgotado, em que pese ele ter sua própria crise endêmica. Mas, não se iluda Marta Suplicy, o PT não vai se acabar, muito menos mudar. O PT é o que é.

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A TIRANIA DOS INDEPENDENTES

Na COLUNA POLITICANDO de ontem analisei o nauseabundo processo que definiu quem presidirá a Assembleia Legislativa da Paraíba pelos próximos 4 anos. Sim, fiz porque esse é meu metiê. Mas, não pretendo bater na mesma tecla. Não foi a primeira vez, tampouco a última, que nossos representantes desceram às profundezas, onde uma lama espessa, escura e fétida alimenta práticas condenáveis na luta diária por alguns interesses vulgares e outros nem tanto. Falemos, então, da política, deixemos a politicagem para quem dela precisa. O fato é que o governador Ricardo Coutinho iniciou seu 2º mandato, obtendo consistente vitória, justamente na seara parlamentar onde teve tantos dissabores em seu 1º mandato.

Se é verdade que a dor é mestra em nos indicar a arte da lamúria, eu diria que, hoje, Ricardo Coutinho é um perito quando o assunto é lamentação. O governador aprendeu a gemer a partir das dores causadas pelas chicotadas que a Assembleia lhe aplicou. Depois de um 1º mandato colecionando derrotas num parlamento onde não tinha uma base aliada encorpada, que agisse de forma proativa na defesa dos interesses do governo, Ricardo fez o deputado Adriano Galdino, seu aliado, presidente da Assembleia. Essa foi a 3ª vitória que Ricardo teve sobre seu adversário direto, Cássio Cunha Lima, num espaço de apenas 4 meses. Por trás da disputa entre os deputados Adriano Galdino e Ricardo Marcelo esteve a lógica que permeou o processo eleitoral de 2014.

A disputa foi sempre em torno da formação das bancadas de situação e oposição. É que até o jacaré do Açude Velho sabe que o governante que não tiver sólida maioria no parlamento é logo acometido do mal da ingovernabilidade. Ricardo Coutinho que o diga, pois assistia seus vetos serem sistematicamente derrubados pela bancada da oposição que reinava absoluta na Assembleia graças, claro, as contribuições de alguns deputados rebeldes e dos tais independentes. O jogo, imundo, por sinal, se deu em torno da formação das bancadas, pois quem tem a maioria simples ganha quase tudo, inclusive a presidência da Mesa Diretora. Sherlock Holmes diria que isso é elementar, mas seu submisso amigo Watson duvidaria. O detetive inglês teria razão se aqui fosse a Dinamarca. Mas, na pequena e heroica Paraíba nem sempre se chega a 4 quando se soma 2 + 2. Vejam que o governo contava que teria 21 votos, na eleição da Mesa Diretora, contra 15 da oposição.

O então candidato a presidente da Assembleia, Adriano Galdino, mostrou o requerimento de inscrição de sua chapa com a subscrição de 21 deputados. A intenção era comprometer os que diziam que votariam na chapa da situação. Mas, quando aquela ridícula urna de papelão foi aberta, a chapa da situação contava com 19 votos contra 17 da oposição. Não precisa ser Sherlock Holmes para intuir que dois deputados mudaram de lado na ultíssima hora. São os famosos “traíras” da política. Mas, se não estou interessado na politicagem, imagine se quero gastar meu espaço com infidelidades de toda sorte justo num ambiente em que atraiçoar, ludibriar, é um hábito sistemático. Assim, a bancada da situação teria entre 19 e 21 deputados.

A oposição teria entre 15 e 17 deputados. Certo, o caro ouvinte tem razão, desse jeito a conta não fecha, pois são 36 deputados. Mas, quem disse que essa conta foi feita para ser matematicamente fechada num sistema politico pouco republicano como o nosso? Quem poderá se gabar de ter maioria confortável num ambiente de tanta volatilidade política? A maioria alcançada pelo governo foi circunstanciada ao momento eleitoral, pois sabemos que existem parlamentares que mudam mais de lado do que de gravatas. Vejam como a conta não pode mesmo fechar. Os deputados Branco Mendes, Caio Roberto e Edmilson Soares assumiram ter votado na chapa governista de Adriano Galdino, mesmo que insistam em provar pertencerem a bancada da oposição.

O que eles não disseram, nunca dirão, é que incentivos receberam para votar no governo. Estes são os muristas. Eles dizem estar de um ou outro lado quando na verdade estam sempre confortavelmente sentados bem em cima do muro. Os deputados Frei Anastácio, Raniery Paulino e Trócolli Jr não dizem em quem votaram, pois não pertenceriam a esta ou aquela bancada. São os tais independentes. Neste 2º mandato eles não serão contra, a favor, muito menos pelo contrário.  Temos, então, 06 deputados sem assento fixo. O jogo estaria empatado, pois situação e oposição têm, ou teriam, 15 deputados cada uma. O X da questão é que os deputados desbancados desempenham papel tirânico por terem o trunfo de decidirem votações. Isso não desmereceria os méritos de quem parece estar aprendendo com os erros do passado recente, em que pese o fato de que a relação entre os poderes executivo e legislativo é sempre intermediada por longos dias com infinitas noites ao meio.

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

POLÍTICOS GUERREIROS NA CÚPULA DO TROVÃO

Eu não sei se por falta de coisa melhor para fazer ou se porque, no fundo, eu gosto mesmo é de uma boa contenda politica, mas o fato é que acompanhei, no domingo passado, a eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa para o Biênio 2015/2016. O processo foi tão violento que em certo momento lembrei o filme “Mad Max, Além da Cúpula do Trovão” (1986) estrelado pelo sofrível Mel Gibson, em que pese Tina Turner, que faz uma sensual vilã, pagar o ingresso, a pipoca e a fragilidade do roteiro. A história se passa em “Bartertown”, uma cidade perdida num deserto qualquer, onde o que vale é a lei do mais forte e algumas regras mortais.  “Bartertown” é governada pela vilã, encenada por Tina Turner, que luta para concentrar o poder em suas mãos.

É aí que entra Max, personagem de Mel Gibson, que desafia o poder da governante ao se recusar a cumprir algumas dessas normas. Como punição, Max é enviado à Cúpula do Trovão onde deve travar uma luta de vida e morte contra outro homem. Na Cúpula do Trovão a regra é: dois homens entram, um homem sai. Ou seja, para viver é preciso matar. O comportamento corrosivo de alguns deputados estaduais, no domingo passado, fez a Assembleia Legislativa parecer com a Cúpula do Trovão de Mad Max. O legislativo estadual se tornou uma “Bartertown” sobrevivendo à custa de poucas regras. Na verdade, nessa “Bartertown” pouco republicana a única regra que se segue, que se respeita, é a que diz que toda e qualquer norma poderá, e será, descumprida.

Os deputados estaduais, que elegemos em outubro, mais pareciam os guerreiros selvagens que o caro ouvinte pode ver ao assistir “Mad Max, além da Cúpula do Trovão”. Eles encenaram um show violento de horrores baseados numa mentalidade autoritária. Foram socos, pontapés, palavrões, agressões de toda sorte. O deputado Jeová Campos (PSB) esmurrou a tal mesa, alvo da contenda, após ver rejeitado um requerimento seu. Não satisfeito desferiu um tapa em um dos seguranças que tentava conte-lo.

O deputado Tião Gomes (PSL) arrancou os fios da urna eletrônica que seria usada na eleição afirmando que o sistema não era confiável. Detalhe: a urna e o sistema, que o deputado dizia não confiar, são os mesmos usados no pleito que o tornou parlamentar. Deputado Tião afirmou que a “Assembleia nunca teve uma votação com urna eletrônica e que ninguém conhece esse sistema que queriam usar”. Será que não Deputado? Se fosse assim ainda hoje estaríamos usando as velhas cédulas de papel para votar. Aliás, havia um pesado clima de desconfiança entre os deputados. Todo parlamentar era a sombra de cada um. É que a disposição para a traição era real. Chegou a ser risível os deputados não quererem votar em qualquer tipo de equipamento eletrônico.

Foi pitoresco ver os deputados não usarem um mísero lápis para expressar seus votos. A solução encontrada foi ridícula. Utilizou-se duas urnas. Numa se coloca a cédula com os nomes que se queria votar e na outra a cédula com os nomes que se queria rejeitar. O comportamento dos deputados foi patético, reprovável. O Pior é que ninguém lembra que eles partiram para o vale tudo eleitoral, apelando para a força física, logo após a sessão solene que legalizou a legítima representatividade conquistada nas urnas. Numa sessão juraram respeitar as normas consagradas em nossa Constituição. Na sessão seguinte escarraram sobre a Constituição e sobre a instituição que representam. Comportaram-se como se vivessem numa “Bartertown” desértica.

No domingo dois guerreiros, digo dois políticos, entraram na Cúpula do Trovão, digo no plenário da Assembleia, dispostos a tudo, tudo mesmo, para alcançar o símbolo máximo de expressão do poder que naquele momento era a presidência do Legislativo. Os deputados Adriano Galdino (PSB), que terminou sendo eleito, e Ricardo Marcelo (PEN), que tentava ser reconduzido à presidência da Assembleia, deixaram claro, por gestos e atitudes, que a luta travada foi sanguinolenta e os levou ao esgotamento. Publicado o resultado da contenda, Ricardo Marcelo, derrotado pelo placar de 19 a 17 votos, baixou a cabeça, e a guarda, e se retirou silenciosamente do plenário. É que ele não contava com as astúcias alheias, por se achar o mais sagaz dos deputados.

Adriano Galdino, governista até a medula, afirmou que: “Foi um processo doloroso, complicado”. Sim, foi mesmo. Vejam que esta foi a primeira frase que ele dirigiu a imprensa após saber que havia ganhado. Eu esperava algo mais alegre, mais efusivo. Claro, os vitoriosos comemoraram e os derrotados passaram a praticar o sagrado jus sperniandi. Mas, a impressão que tive é que ninguém estava satisfeito. Pudera, depois de se violentarem daquela forma, quem poderia estar feliz? Neste processo perdemos todos. Perderam principalmente os deputados estaduais que iniciaram seus mandatos sem fazer por merecer qualquer tipo de respeito por terem se comportado como um bando de selvagens vindos de “Bartertown”.

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