quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

CARTA ABERTA PELA OBRIGATORIEDADE DA HISTÓRIA NO ENSINO MÉDIO

PELO ENSINO DE HISTÓRIA

CARTA ABERTA DA ASSOCIAÇÃO
NACIONAL DE HISTÓRIA (ANPUH)
PELA OBRIGATORIEDADE
 DA HISTÓRIA NO ENSINO MÉDIO.


A História, como disciplina escolar, integra o currículo do ensino brasileiro desde o século XIX. Sua presença, considerada fundamental para a formação da cidadania, foi gravemente ameaçada no período da Ditadura Militar, quando se deu a diluição da História na instituição dos Estudos Sociais.


A Medida Provisória nº 746/16, aprovada pelo Congresso Nacional, que instaura a Reforma do Ensino Médio, comete grave equívoco ao omitir do texto legal qualquer referência à disciplina, e, principalmente, ao excluí-la da relação de componentes curriculares obrigatórios, instalando fortes incertezas sobre a presença da História nesse nível de ensino.


Não menos preocupante é o rebaixamento das exigências para o exercício da profissão docente, ao permitir a admissão de "profissionais com notório saber". Além disso, na prática, a Reforma do Ensino Médio está sendo subordinada a um documento (BNCC) que ainda não está concluído, cujo conteúdo final é desconhecido, e que está indicado como referência para a formação de professores.


Diante do exposto, a Associação Nacional de História – ANPUH-Brasil, contesta a aprovação da Reforma do Ensino Médio sem consultar a sociedade, em particular, os professores. E reivindica, com muita ênfase, a clara definição da História como componente curricular obrigatório no Ensino Médio.

Atenciosamente, Diretoria da ANPUH Brasil



P.S.: Esta carta foi enviada ao Presidente da República, ao Chefe da Casa Civil, ao Ministro da Educação, à Secretária Executiva do Ministério da Educação e ao Secretário de Educação básica do Ministério da Educação.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Um nazista entre nós


            Nesses tempos bicudos, como se dizia, vivo sobressaltado! Parece ser normal se desejar a morte de uma mulher por ela ter sido casada com um ex-presidente que fez reformas para que os excluídos de sempre acessassem ao que no Índice de Desenvolvimento Humano é algo basilar. Falo de educação, saúde e moradia. São tempos nebulosos, pois o que a filósofa Hannah Arendt classificou como “banalidade do mal” ressurgiu dos escombros de um mundo formatado por guerras. Falo do nazismo.
           
Sempre que preciso dialogar com pessoas com as quais divirjo politica e ideologicamente e/ou que não concordo com seus valores éticos e morais, ou mesmo que não suporto seus gostos musicais, lembro a frase do filósofo iluminista Voltaire: “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o direito de você dizer”.

            Não sou receptivo a ideias aparentemente novas que, na verdade, pertencem ao receituário ideológico do tempo em que ditaduras eram hegemônicas. Não, não posso aceitar como normais ideias autoritárias, racistas, homofóbicas, misóginas, além dos preconceitos de uma classe social sobre outra. Desculpe-me Voltaire, mas não defenderei o “direito” de um aprendiz de médico de campo de concentração nazista “defender” que uma mulher seja levada a óbito.  Não, isso não é liberdade de expressão!

Nesta semana, na quarta-feira, o deputado federal Jair Bolsonaro proferirá palestra aqui em Campina Grande. Por coerência não presenciarei a verborragia nazificante do parlamentar do Partido Social Cristão que não crê na democracia, trabalha sistematicamente para acabar com ela, e que instrumentaliza seus procedimentos para maximizar os mais comezinhos interesses. Bolsonaro se compraz em publicar as opiniões mais torpes sobre questões como a tortura praticada na ditadura militar do Brasil.

Cartaz no gabinete do Deputado Jair Bolsonaro onde se lê "Quem procura osso é cachorro". Trata-se de um escarnio às buscas, feitas pela Comissão Nacional da Verdade, por corpos de guerrilheiros que lutaram contra a ditadura militar na região do Araguaia.

Relaciono abaixo ideias pronunciadas pelo mais ardoroso defensor do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos chefes do aparato de repressão política e tortura do regime militar, conhecido por ter, dentre outras coisas, enfiado um rato na vagina da ex-presidente Dilma Rousseff quando a torturava nas dependências do DOI-CODI de São Paulo no início da década de 1970. As declarações abaixo foram compiladas a partir da conta “Bolsonaro Cristão”, criada na rede social TUMBLR por Fernando Paladini e Guilherme Eufrásio, ambos estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina.

Se você, como eu, não aceita estes disparates não vá ao show de horrores que certame Bolsonaro propiciará. Se você sofre da síndrome de São Tomé, que só após ver e ouvir é que passa a crer, a solução é assistir a tal palestra, mas não deixe de levar consigo carradas de senso critico. Se você não vê a hora de votar em Bolsonaro para presidente, por que concorda com as estultices dele, então vista sua camisa verde-e-amarelo (ou aquela blusa preto-fascista, tanto faz) e vá para a palestra desse Josef Mengele redivivo. Mas, se você quer ir à palestra tentar fazer com que incautos de toda sorte vejam mais e melhor a realidade das coisas ou mesmo para mostrar quanto os “bolsonazis” que por aí pululam estam equivocados sugiro refletir sobre a frase: “Nunca discutas com um idiota. Ele arrasta-te até ao nível dele, e depois te vence em experiência.” (Autor desconhecido).


Na sessão da Câmara dos Deputados, em 17/04/2016, que aprovou a abertura do impeachment contra Dilma Rousseff, Bolsonaro disse: "Nesse dia de glória para o povo tem um homem que entrará para a história. Parabéns presidente Eduardo Cunha. Perderam em 1964 e agora em 2016. Pela família e inocência das crianças que o PT nunca respeitou, contra o comunismo, o Foro de São Paulo e em memória do coronel Brilhante Ustra, o meu voto é sim”.

Numa participação no programa Pânico, da rádio Jovem Pan (em 08/07/2016) Bolsonaro afirmou: “O erro da ditadura foi torturar e não matar”. Já na Revista Veja de 02/12/1998, recriminou um de seus mentores: “Pinochet devia ter matado mais gente”. Como todo ditador, Bolsonaro é um censor e numa entrevista a repórter Manuela Borges da Rede TV provocou: “Você é uma idiota. Você é uma analfabeta. Está censurada!”. Claro, ele crê na tese do “bandido bom é bandido morto”, pois afirmou, sobre o massacre do Carandiru, que “a PM devia ter matado 1.000 e não 111 presos”.


Não se sabe bem porque, mas o fato é que homossexualismo, racismo e mulheres são temas recorrentes na transcursão bolsonariana. Na Revista Playboy, em julho de 2011, disse que: “Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”. Em outra oportunidade disse “Eu não corro esse risco, meus filhos foram muito bem educados”, sobre um dos seus se relacionar com uma mulher negra ou com homossexuais. E quando FHC segurou a bandeira com as cores do arco-íris, Bolsonaro disparou: “Não vou combater nem discriminar, mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater”. Ele parece concordar com o estupro, pois disse para a deputada federal Maria do Rosário: “Não te estupro porque você não merece”.

Em 28/03/2011, numa entrevista ao programa CQC da TV Bandeirantes, Bolsonaro estava inspirado em sua logomania. Primeiro afirmou que: “se eu pegasse meu filho fumando maconha, o torturava”. Sobre cotas raciais, disse: “Eu não entraria em um avião pilotado por um cotista nem aceitaria ser operado por um médico cotista.”. Sobre a presidente Dilma afirmou: "O kit gay não foi sepultado ainda. Dilma Rousseff pare de mentir. Se o teu negócio é amor com homossexual, assuma". E arrematou: “O governo não faz planejamento familiar porque acha que quanto mais pobre existir melhor. Porque serão mais eleitores amarrados nos seus programas assistencialistas”.


Post scriptum: O título desse artigo foi emprestado do livro “Nazistas entre nós – a trajetória de oficiais de Hitler depois da guerra” (Ed. Contexto) escrito pelo historiador e jornalista Marcos Guterman que “tenta compreender a indiferença de uma parte do mundo em relação aos crimes nazistas, algo que beirou a cumplicidade”. Guterman quer explicar porque criminosos de guerra encontraram “um lugar entre nós, desfrutaram da vida em liberdade como se nada tivessem feito, como se fossem parte da sociedade civilizada que eles se esforçaram em destruir”. De minha parte tento entender como um defensor da “banalidade do mal” pode transitar entre nós com tanta naturalidade.


Fevereiro – 2017.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

PRÊMIO ISTO É (uma merda) 2016.


A Revista Isto É homenageou o que considera como “Brasileiros do Ano”. A premiação foi “dedicada aos que tiveram destaque em 2016” e foi muito comentada pelas imagens em que Sérgio Moro e Aécio Neves são vistos em uma conversa para lá de descontraída, enquanto Michel Temer, José Serra, Henrique Meirelles e Geraldo Alckmin pensam no tédio de seus podres poderes. Em meus delírios imaginei uma situação em que se entregaria o Prêmio ISTO É (uma merda) para aqueles que não poderiam jamais receber seja lá que prêmio for. Abaixo, relação dos premiados com as respectivas justificativas.


Prêmio ISTO É (uma merda) de presidente golpista do ano: MICHEL TEMER, o Usurpador-Mor da República Bananeira do Brasil.

Prêmio ISTO É (uma merda) de delação premiada do ano: CLÁUDIO MELO FILHO, ex-executivo da Odebrecht, que revelou como o cafetão-mor da República, Michel Temer, agenciou a bagatela de R$ 10 Milhões para o PMDB.

Prêmio ISTO É (uma merda) de conversa gravada do ano: ROMERO JUCÁ, que confessou por que o impeachment da presidente Dilma: “Tem que resolver essa porra (...) tem que mudar o governo para poder estancar essa sangria. Só o Renan que está contra essa porra, porque não gosta do Michel, porque Michel é Eduardo Cunha (...) gente, esquece o Cunha, ele está morto, porra”.

Prêmio ISTO É (uma merda) de político supersincero do ano: ROMERO JUCÁ, pelo teor da conversa acima, porra!

 Prêmio ISTO É (uma merda) de político mais burro do ano: EDUARDO CUNHA, que fez o serviço sujo para os golpistas e ganhou uma cela na Polícia Federal de Curitiba como prêmio.

Prêmio ISTO É (uma merda) de políticos mais bem protegidos pela imprensa e pela justiça: AÉCIO NEVES, FHC e JOSÉ SERRA, que seguem lépidos e fagueiros para o alto e além...

Prêmio ISTO É (uma merda) de papagaio de pirata do ano: presidente da Câmara dos Deputados RODRIGO MAIA que se contenta alegremente em posar às costas do usurpador-mor da República Bananeira do Brasil.

Prêmio ISTO É (uma merda) de casal do ano: SÉRGIO CABRAL e ADRIANA ANSELMO que levam a sério a história de “prometo estar contigo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” e na prisão, claro.

Prêmio ISTO É (uma merda) de tribunal que menos protegeu a constituição: SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL que de tanto rasgar páginas e artigos de nossa constituição ainda vai reduzi-la a um simples manual de instrução.
 
Prêmio ISTO É (uma merda) de ditador/juiz do ano: IL DUCE MORO, aquele que manda prender os inimigos de seus íntimos amigos baseado em convicções.

Prêmio ISTO É (uma merda) de apresentação em Power Point do ano: DELTAN DALLAGNOL que não estuda as Leis, pois para prender Lula basta ter convicção.

Prêmio ISTO É (uma merda) de pastor do ano: JIM MALAFAIA JONES, o pastor preferido de Mister Devil.

Prêmio ISTO É (uma merda) de prática mais autoritária, reacionária, homofóbica, racista, misógina, golpista do ano: JAIR BRILHANTE USTRA BOLSONARO, que é o que é, dispensa comentários.

Prêmio ISTO É (uma merda) de criatura mais reaccionariamente alucinada do ano: JANAÍNA PASCHOAL que não irá à entrega do prêmio devido a sua devastada senilidade mental.

Prêmio ISTO É (uma merda) de nocivo útil do ano KIM KATAGUIRI que acredita nas boas intensões do PSDB e que ainda vai ser presidente da República Bananeira do Brasil.



Prêmio ISTO É (uma merda) de movimento politico mais coxinha do ano: MOVIMENTO BRASIL LIVRE, que acredita que a bandeira do Japão é um símbolo do comunismo internacional.

Prêmio ISTO É (uma merda) de atrizes mais coxinhas do ano: SUZANA VIEIRA e REGINA DUARTE que usam camiseta preto-fascista por baixo de uma blusa verde-amarelo-piegas.

Prêmio ISTO É (uma merda) de coxinha mais envergonhado e escondido do ano: LOBÃO que ninguém viu, ninguém sabe e muito menos ouve.

Prêmio ISTO É (uma merda) de jornalista chapa branca do ano: houve empate entre ELIANE CANTANHÊDE, RICARDO NOBLAT e WILLIAM BONNER.

Prêmio ISTO É (uma merda) de revista semanal mais chapa branca do ano: REVISTA ISTO É. O prêmio é mais do que merecido, pois a ISTO É conseguiu a proeza de ser pior que a VEJA.

Não houve Prêmio ISTO É (uma merda) de emissora golpista do ano, pois a REDE GLOBO DE TELEVISÃO é hors concours nesse quesito.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Jornada de Estudos Marxistas da UEPB




A I Jornada de Estudos Marxistas da UEPB, promovida pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino de Filosofia e Filosofia Marxista (NEPEFIL – Karl Marx), será realizada na Central de Integração Acadêmica da Universidade Estadual da Paraíba, no Campus I, em Campina Grande-PB (CIAc/UEPB), entre os dias 13 e 15 de dezembro de 2016. Esta primeira edição do evento tem como tema “EM TORNO DE MARX”.

Não queremos fechar a temática em torno de eixos, mas abrir a possibilidade de que tudo pode e deve ser analisado a partir do pensamento marxiano e marxista. Para isto, estamos aceitando resumos com no mínimo de 2000 e no máximo 3000 caracteres, incluindo espaços. Cada participante poderá ser autor de dois e coautor de mais dois resumos. A Programação com os palestrantes e minicursos pode ser vista no quadro abaixo.



Em um quadro de acirramento das contradições em nosso país e em que, em nível acadêmico, o marxismo é constantemente atacado o nosso objetivo é proporcionar um espaço para debates sobre temas relacionados ao pensamento de Marx e de teóricos do Marxismo para que docentes, estudantes de graduação e pós-graduação que desenvolvem pesquisas nesta área possam apresentá-las.

Organização: Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino de Filosofia e Filosofia Marxista (NEPEFIL – Karl Marx), Comissão Organizadora: Prof. Dr. Valmir Pereira (Departamento de Filosofia/UEPB) Prof. Doutorando André Ricardo Dias Santos – IFPE) Profª. Ma. Aliceane de Almeida Vieira (Departamento de Serviço Social/UEPB) Prof. Me. Janduí Evangelista de Oliveira (Departamento de Filosofia/UEPB).

http://ijornadamarxistauepb.blogspot.com.br/

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

“UM CONVITE A UTOPIA”


“Vamos Utopiar?” Esse é o convite (eu diria uma convocação) que nos fazem os editores do Projeto “UM CONVITE A UTOPIA”. Cidoval Moraes, que organiza o primeiro volume e é um dos seus editores, nos diz: “Há quase um ano fiz um convite a todos para uma insurgência – “Utopiar”. O convite permanece aberto, com uma novidade: já temos o primeiro produto das reações que recebemos de insurgentes de diferentes lugares, e que tenho a alegria de compartilhar com vocês”.

Para celebrar o surgimento de tão interessante produto coletivo, teremos seu lançamento oficial na Paraíba no próximo dia 04/11/2016 (sexta-feira) no auditório da Biblioteca Central da Universidade Estadual da Paraíba, no Campus de Campina Grande, às 14 horas. O lançamento do Projeto Convite à Utopia contará com uma palestra do professor Adalmir Leonídio (USP), um dos autores do Volume 1. O tema da palestra será “Utopias para um mundo melhor”.

O projeto foi concebido para acesso público e gratuito. Por esta razão, este convite segue acompanhado de uma tarefa que os editores nos atribuem: o compartilhamento do texto para leitura crítica e discussão com pessoas, grupos, redes, movimentos que possam nos ajudar a disseminar o espírito “Utopiar”.




Abaixo temos uma nota técnica, a título introdutório, dos editores do projeto “UM CONVITE A UTOPIA”.


A coleção Um Convite à Utopia insere-se no contexto das comemorações dos 500 anos do lançamento do livro A Utopia (1516), de Thomas Morus. Trata-se de projeto editorial de natu­reza pública e coletiva, capitaneado pela Editora da Universidade Estadual da Paraíba (EDUEPB), com apoio da Associação Brasileira de Editoras Universitárias (ABEU) e uma série de insti­tuições acadêmicas, científicas e culturais nacionais e estrangeiras. Pretende-se, de um lado, resgatar obras/textos que marcaram a construção da utopia como um projeto de contraposição a um mundo injusto e desigual; e, de outro, estimular a atualização da utopia, a partir de construções inéditas e provocadoras, arti­culadas em uma rede de esperanças. A ideia é que cada autor ou coletivo de autores, a partir de seu lugar de vida/mundo, produza um ensaio instigante, recuperando a necessidade de des­pertar do sono profundo em que se encontra o espírito utópico. Contemplam-se contribuições envolvendo a utopia que discutam obras/autores clássicos e contemporâneos; problematizem o coti­diano, a cultura e a totalidade; reflitam sobre o meio ambiente e os territórios de vida, cidadania, ética, justiça, tolerância; revi­sitem a história, economia, política, filosofia, teologia e magia; em suma, comunguem das lutas abertas à esperança. Trabalha-se, por opção, com o conceito agência solidária. Autores, editores, técnicos, distribuidores, apoiadores, divulgadores, enfim, todos se integram num propósito: colaborar, com ações criativas, para que a obra alcance o maior número de pessoas, ao menor custo possível. Cada volume será disponibilizado nas versões impressa e eletrônica e, com a contribuição dos associados e parceiros, tem-se por certo a constituição de uma grande rede de popularização e apropriação social deste Convite, no Brasil e no mundo. É um projeto aberto que enseja captar desejos, sonhos e movimentos em razão de um mundo novo; vontades e capacidades inequí­vocas de pensar e agir; uma práxis coletiva que contribua para eliminar, de vez, as sombras que têm ameaçado o amanhecer, particularmente, na América Latina. Que este Convite se pro­jete como uma força mobilizadora das energias emancipatórias da humanidade.
Os Editores

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

CALAR JAMAIS





#CALARJAMAIS: CAMPANHA DENUNCIA VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO



A liberdade de expressão é um direito fundamental, base de toda
sociedade democrática. Não à toa, em tempos de avanço do conservadorismo e de
ruptura democrática em nosso país, as violações à liberdade de expressão têm se
intensificado. Da repressão aos protestos de rua à censura privada ou judicial
a conteúdo nas redes sociais, passando pela violência contra comunicadores,
pelo desmonte da comunicação pública e pelo cerceamento de vozes dissonantes
dentro das redações, nossa diversidade de ideias, opiniões e pensamentos tem
sido sistematicamente calada.

Para chamar a atenção da sociedade para a seriedade de tais
violações, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, em parceria com
diversas organizações da sociedade civil, lança a campanha “Calar jamais!”. Por
meio desta plataforma, queremos receber denúncias de violações que ocorram em
todo o país e dar maior visibilidade a esse problema.

Se solicitado, as informações sobre os denunciantes ficarão
anônimas. Um grupo de especialistas e organizações que trabalham com o tema da
liberdade de expressão analisarão os casos recebidos e, confirmada a violação,
as informações serão divulgadas. O FNDC não dispõe de estrutura para acompanhar
os casos individualmente, prestando assistência jurídica às vítimas de
violações. Mas a campanha encaminhará as denúncias confirmadas para todas as
autoridades competentes – dentro e fora do Brasil – dando ampla divulgação aos
casos.

Contamos com a sua participação para divulgar a campanha “Calar
jamais!” e, principalmente, para denunciar as violações em curso. Participe
aqui: http://www.paraexpressaraliberdade.org.br/fndc-lanca-campanha-calar-jamais/


segunda-feira, 10 de outubro de 2016

CAMPINA SÓ QUER SER NEW YORK

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Campina Grande surgiu como a “Vila Nova da Rainha” para atender necessidades da Coroa Portuguesa. Nosso “descobridor” foi Teodósio de Oliveira Ledo - um raivoso serial killer que matou tantos índios na região da grande campina que a própria coroa lhe enviou carta pedindo moderação.  Caso similar só o do General George Custer que, no século XIX, foi repreendido pelo governo dos EUA pela carnificina que promovia no oeste americano. Mandaram Custer controlar os índios e ele passou a exterminá-los tal qual Teodósio.



Certa vez falava disso em sala de aula e um aluno disse que sou um “campinense que não deu certo”. Tenho lá meus sentimentos em relação à cidade onde nasci, me criei, constitui família, onde vivo, moro e trabalho. Mas, disse também que isso não significa que tenha que fazer declarações de amor a minha cidade, muito menos fechar os olhos para os problemas e defeitos que temos. Uma coisa é ser campinense. Outra, bem diferente, é ser um “campinista” desses que acham que Campina Grande irradia para o mundo o trabalho, o desenvolvimento e a paz. Campinista de quatro costados é aquele que chora ao ver uma reportagem sobre nosso São João no Fantástico da Rede Globo.



Mas, confesso, não gosto que falem mal de Campina Grande. É que para criticar Campina tem que ter bebido das águas do Açude Velho e tem que ter ido, pelo menos uma vez, no Clube Ipiranga. Só censura Campina quem, nas sextas-feiras, ia ao Clube dos Estudantes Universitários, o “CEU”. Só pode depreciar Campina quem saía do “CEU”, atravessava a rua, entrava no “CAVE” de Carlinhos e depois tirava a pé, com o dia amanhecendo, lá para o Catolé para ouvir o Bolero de Ravel no REFAVELA de Bel.



Resultado de imagem para clube dos estudantes universitários CEU campina grandeEu aceito que você esculhambe Campina se e somente se, pelo menos uma vez, saiu do REFAVELA e foi a pé, claro, para a Feira Central comer picado de bode com pão e tomar umas lapadas de cana em D. Maria do picado, lavando tudo com cerveja no final. E se não tiver comido a tapioca de queijo de coalho com manteiga da terra de D. Maria é melhor nem abrir a boca. Para mandar ver em Campina tem que ter ido ao Açude de BODOCONGÓ, no tempo em que ele era um açude, e que fazia Jackson do Pandeiro cantar “Eu fui feliz lá no Bodocongó com meu barquinho de um remo só / Quando era lua, com meu bem, remava a toa / Ai, ai, ai que vida boa lá no meu Bodocongó”.



No final dos anos 1980 Gilberto Gil veio aqui lançar o Movimento Onda Azul. Numa entrevista, ele disse que “Campina Grande tem uma vontade danada de ser New York”. Muita gente não gostou. Alguns diziam: “quem ele pensa que é para vir falar mal de nossa cidade”. Eu fiquei com raiva. Lembro ter dito: “porque ele não vai falar mal de Salvador?”. Hoje, olhando em perspectiva, entendo o que Gil quis dizer. É que o campinense é um enxerido por natureza e exibido por definição. Se não fosse essa vontade de ser New York, de ser grande, onde estaríamos hoje? Campinense que é campinense não tem o complexo de vira-latas do qual nos falava Nelson Rodrigue.



Campinense da gema nasce aprendendo a lamber suas feridas, não esquece nossa vocação para o desenvolvimento e que exalamos política e cultura por todos os poros.  Não fosse nosso complexo de superioridade seríamos quase insignificantes. Como teríamos conseguido ser a segunda maior exportadora de algodão do mundo se sofrêssemos de um irremediável complexo de inferioridade? Eu sei que temos que conviver com o fato de sermos vice-campeões. Mas, dá para concorrer com Liverpool que deu os Beatles ao mundo? Tudo bem, ficamos em 2º lugar no algodão, mas quem, no Nordeste, se desenvolveu mais graças um produto agrícola?



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Um dos símbolos dessa época de apogeu foi um cabaré, mas não um cabaré qualquer. Foi no salão do Eldorado que desfilou a riqueza que os tropeiros traziam para Campina. Foi isso que Luiz Gonzaga cantou em “Tropeiros da Borborema”. Aliás, o rei do baião nasceu em Exu (PE), mas bem que poderia ter nascido aqui. Assim teríamos mais uma coisa do que nos orgulhar. Já pensou podermos dizer que somos da terra do “Rei do Baião”?


Temos o Maior São João do Mundo! Olha aí nosso complexo de superioridade à flor da pele. É como se olhássemos de cima para baixo para todo o Brasil e disséssemos: “somos os fiéis depositários da cultura popular tupiniquim”. Dai que a prefeitura municipal bem que poderia se valer dessa vontade danada de ser New York. Bem que poderia colocar um portal colossal, à entrada de quem vem da capital, anunciando não uma marca de cervejas, mas que se está chegando à cidade que faz a maior festa popular do mundo, quiçá da Via Láctea. Quem tem complexo de superioridade não deve ter vergonha de nada. Temos que nos orgulhar até dos nossos problemas urbanos, pois só os tem quem é grande. Agora, que estamos em período eleitoral, decidi que vou votar naquele que prometer que vai transforma Campina Grande na New York do sul do Equador.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Brasileiro, este ser de mente obscura


Em 1945 os soviéticos foram os primeiros a entrar na Berlim destruída pelos combates da 2ª guerra. Enquanto oficiais caçavam nazistas, soldados estupravam mulheres. Cerca de dois milhões de alemãs foram violentadas. Stálin nada fez, pois os russos viam o estupro como uma “necessidade do homem” e como forma de subjugar o inimigo já derrotado. Na Guerra do Vietnã, soldados americanos costumavam estuprar as vietnamitas. O governo e a sociedade americanos fecharam os olhos para esse estado de coisas. É que várias sociedades, cada uma a seu modo, aceita o estupro.



Parte de nossa sociedade tem um jeito peculiar de lidar com a violência contra a mulher. Em 2014, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostrou que 26% dos brasileiros acreditam que a “mulher que exibe seu corpo merece ser atacada”. Vimos com provas, não com convicções, que o estupro é legitimado entre nós. O IPEA demonstrou que muitos creem que “se a mulher se comportasse, haveria menos estupros”. Agora, o Fórum Brasileiro de Segurança Publica (FBSP) trouxe dados atualizando nossa mentalidade obscura. Como nada é tão ruim que não possa piorar, vemos que 30% dos entrevistados concordam que a “mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada”. Pior, é que 37% aceitam a ideia anacrônica, tosca, de que “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”.


Envergonha-me compartilhar minha nacionalidade com pessoas que fingem não saber que é crime tentar ou manter relações sexuais com uma mulher sem que ela consinta. É como se a mulher gostasse de ser violentada e provocasse o homem para que ele lhe atacasse. A ideia de que um padrão de comportamento, determinado à mulher pela sociedade, evita que ela seja estuprada é de uma estultice colossal. Quase 40% dos brasileiros dizem: “dê-se ao respeito e não serás estuprada”. Assusta-me saber que há quem concorde com tal parvoíce. Com temperaturas tão altas, a mulher tem que usar roupas compostas para não ser violentada?


O FBSP conclui que existe um discurso socialmente aceito que considera que a mulher só é vítima de agressão sexual por que provocou o homem. Isso se comprova com 30% das mulheres entrevistadas concordando com o raciocínio que coloca nelas a culpa pela violência sexual. Ou seja, vítimas em potencial aceitariam serem responsabilizadas pelo estupro. Nada a estranhar, pois o machismo não é exclusivo do homem. É comum mães questionarem suas filhas se de alguma maneira elas não contribuíram para serem estupradas.


Em 2014 o IPEA revelou que 82% dos brasileiros concordaram que “o que acontece entre o casal em casa não interessa aos outros”. Seguimos achando que em briga de marido e mulher não se mete a colher. A maioria de nós entende que não se deve intrometer no caso do marido espancar sua esposa desde que isto aconteça no santo recesso do lar. O primado do homem sobre a mulher ainda é aceito por nós. Seguimos sendo os trogloditas de sempre!


Assisti o documentário “Half the sky” (O céu pela metade), produzido para televisão americana, filmado em países como Camboja, Índia, Somália e Afeganistão, que trata de mulheres vítimas de coisas como tráfico de pessoas, violência sexual, fome, guerra, escravidão. É desesperador ver que, em nome da tradição, mulheres são estupradas e prostituídas pelos seus pais e maridos. Mostra, por exemplo, a depauperante tradição da infibulação. Um hábito medieval desprovido de racionalidade.


No filme vi um mundo que nós, brasileiros, queremos ignorar. Sempre se poderá dizer que quase tudo que nele se vê não acontece aqui. É verdade, não acontece, pois nos deixamos influenciar, de leve é bem verdade, por valores da democracia, em que pese uma cultura autoritária que nos faz saudosistas da ditadura militar. Estamos longe de uma Somália ou de um Afeganistão, mas não podemos nos comparar aos países que mais evoluíram em termos de direitos sociais e na redução das taxas de desigualdade. Estamos, sim, bem mais próximos de uma Índia com seus hábitos que desumanizam a mulher. Vejam que aqui, como lá, ainda se pratica o tal estupro coletivo, tal qual faziam soldados russos e americanos.


IPEA e FBSP concluem que a brasileira ainda não se equiparou econômica, política e socialmente em relação ao brasileiro. O IPEA viu que 65% dos entrevistados concordam que “mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar”. Muitos ainda acham que “só um tapinha não dói”. Houve um erro na apresentação dos dados do IPEA. Mas, isso não diminui o sentido nem retira a seriedade do estudo, pois a questão não é apenas quantitativa. Importa menos se duas mil ou dois milhões de pessoas concordam que é a mulher quem provoca o estupro. Enquanto tivermos um único brasileiro pensando assim, temos muito com que nos preocupar. Não basta supor que “nada tenha haver com isso já que não concordo com essas opiniões”. Se onde vivo têm pessoas legitimando o estupro tenho, sim, haver com isso.


Como exemplo, vejamos o caso da Paraíba onde a realidade confirma os dados do IPEA e do FBSP. O Centro da Mulher 8 de Março, de João Pessoa, nos mostrou que, por mês, sete paraibanas são estupradas. A ONG, que acompanhava mulheres violentadas, dizia que entre o início de 2010 e novembro de 2015 foram registrados 556 estupros na Paraíba, sendo que 65,4% dos casos foram contra crianças e adolescentes. Sempre lembrando que os números são ainda maiores, pois nem todas as vítimas vão à polícia. Será que somos tão diferentes da realidade vista em “Half the sky”?


E para quem acha que só mulheres lindas, sensuais, que andam com trajes minúsculos, são estupradas informo que metade das vítimas da violência sexual são menor de idade. Para o Programa Bem-me-quer de São Paulo, mais da metade das vítimas de estupro, em 2013, tinha até 11 anos de idade. Isso se alinha ao estudo do IPEA que mostrou que crianças seguem sendo alvos preferenciais dos estupradores e que a maioria dos casos contra crianças acontecem mesmo é no ambiente familiar. Se você é um dos que acha que é a mulher quem pede para ser estuprada sugiro que tente perceber que por trás de sua mãe, sua irmã, sua filha, sua esposa ou sua namorada existe uma mulher que, com certeza, não quer ser estuprada.


Outubro/2016.

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PROFESSOR ANTI FASCISTA, PELA LIBERDADE E PELA IGUALDADE.

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FILMES QUE FIZERAM MINHA CABEÇA

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AMACORD. (Itália, 1973). Diretor: Federico Fellini

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