sexta-feira, 14 de março de 2025

A CULPA É DA AMBULÂNCIA

 Esta série, intitulada "A Culpa é da Ambulância", elaborada e publicada pelo "Quebrando Mitos" (quebrando.mitos) mostra de uma forma extremamente didática como se cria e se alimenta o ódio a partir da desinformação.


 

 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Porque a Rede Globo detona o Bozo?

A toda poderosa Rede Globo de Televisão fez uma matéria, que foi ao ar no Fantástico de domingo passado (23\02\2025), para que não restem dúvidas sobre os crimes cometidos pela Organização Criminosa (OrCrim) de Jair Bolsonaro.
Estaria a Globo chutando o cachorro morto? Sim, até porque é mais fácil! Mas, não é só isso.

1. A Globo é, por definição, a favor de Golpes de Estado desde que sirvam para atender aos interesses da burguesia e dela própria. Foi assim em 1964 e em 2016. A Globo lucrou bastante com a ditadura militar, mas ela ganha muito com a democracia, também.
 
2. Os irmãos Marinho, donos da Globo, entenderam que numa ditadura bolsonarista perderiam muito, pois Bolsonaro não deixava passar uma oportunidade de atacar a Globo, principalmente quando ia aos programas da Record e do SBT.

3.Bolsonaro é o caroço que restou da manga que a burguesia e a direita chuparam toda. Agora está na hora de jogar esse caroço fora, digo na cadeia.

4. Rede Globo, FIESP, Faria Limers (direita limpinha), militares, políticos e partidos de quase todo o espectro político, seguidores do "mito" ainda com algum discernimento, além de muitos que votaram no Bozo em 2018 e 2022 entenderam que a associação ao bolsonarismo causa muitos prejuízos, mesmo que tenha sido a saída desesperada para vencer a esquerda. O fato é que entenderam que o preço a pagar é bastante alto.

5. Com essa matéria, Globo sempre vai poder dizer que esteve a favor da democracia, mesmo que faça o que for preciso para derrubar Lula, o PT e a esquerda. Lembram do apoio a Lava Jato e a Sergio Moro?



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Nando Motta, genial!

 



Nando Motta, explicando como a extrema direita Nazi-Fascista-Supremacista vê o mundo. Genial!

sábado, 20 de abril de 2024

DO QUE AINDA POSSO FALAR E OUTROS ENSAIOS (OU QUANTO DE VERDADE AINDA SE PODE ACEITAR)

APRESENTAÇÃO


“DO QUE AINDA POSSO FALAR E OUTROS ENSAIOS (OU QUANTO DE VERDADE AINDA SE PODE ACEITAR) é uma coletânea de artigos, ensaios e colunas já publicados em jornais, sites e aqui mesmo neste blog. Aqui, temos uma espécie de balanço do que produzi até agora. Como pretendo seguir escrevendo, faço um apanhado do que já tratei para ver o que ainda posso abordar em futuras produções. Estou me impondo o desafio de seguir escrevendo, com novos elementos, mesmo que não possa deixar de lado o arsenal (de conhecimentos) que pude recolher ao longo de minha vida profissional, acadêmica e pessoal. O título dessa coletânea diz algo sobre essa intenção.

Os artigos trazem a data de publicação e onde foram “postados” pela primeira vez. É o “cacoete” do historiador que precisa contextualizar, para situar-se no espaço/tempo. Assim, questões que me pareciam corretas à época em que foram escritas, soarão absurdas. Já outras parecerão repetitivas e/ou óbvias. A(o) cara(o) leitora(o) me desculpe, mas é que como o “Brasil não é para principiantes”, como diria Tom Jobim, ficamos sempre com a impressão de que não mudamos nada nos últimos dois séculos. No entanto, e de fato, “o passado nunca fica onde a gente deixa”. (Frase pronunciada pelo personagem Kari Sorjonen, da série “Bordertown” (2016), disponível na plataforma de streaming Netflix).

No entanto, o analista político desenha cenários, faz projeções. Dessa forma, algumas de minhas hipóteses passadas são, hoje, certezas. São convicções, conjunturais, mas são minhas convicções. Com alguma (in)modéstia recôndita, devo dizer que minhas certezas frutificaram a medida em que tornei hábito, quase diário, o acompanhamento e a análise de nossa tragicomédia política nacional. Considerando a renitência pela qual trato de alguns temas, devo dizer que as variações existem. Sendo uma coletânea que cobre um espaço considerável de tempo, para o cientista político, não para o historia dor, permito-me tratar de temas e assuntos diferentes - aquilo que compõem meu universo.

Como não pretendo cansá-la(lo) com certas formalidades, gostaria, apenas, de lhe dar algumas “recomendações”. Sem querer entrar em detalhes sobre a minha pessoa, mesmo porque nunca soube bem legislar em causa própria, e como a partir de agora é função sua julgar, criticar, analisar, opinar, e mesmo elogiar (se merecido for) evitarei maiores comentários. Apenas, gostaria de dizer que fui articulista de jornais, fiz comentários e análises em programas de rádio e televisão, principalmente nas muitas eleições que tivemos a partir da primeira metade dos anos 1990, sem contar, claro, que sigo como professor do Curso de História da UEPB (Campus I) onde essa produção se retroalimenta.

Nesta coletânea, você verá uma preocupação recorrente, diria mesmo uma obsessão, que os estudos sobre a História do Brasil (principalmente em seu período republicano) e Ciência Política me levaram a ter. Falo de nossa mentalidade pretoriana (autoritária, golpista) que insistimos em preservar, na esperança de que ela nos valha nas variadas e muitas crises que vivemos. Dito de outra forma, o ponto de origem, para onde sempre retorno, é a fragilidade democrática em nosso país. É o fato de não sermos nem termos uma democracia minimamente consolidada e/ou uma cultura política que possa, ao menos, aceitar ideias do federalismo de tipo iluminista, para não falar de ideias político-sociais rubras.

Enfim, estou sempre atento ao oximoro “democracia autoritária” em que vivemos. É que parte considerável de nossa sociedade se utiliza de procedimentos democráticos (como liberdade de expressão) para pedir o fim da democracia e a implantação de uma ditadura. Tem mesmo razão o escritor Luiz Fernando Veríssimo quando diz que “no Brasil, o fundo do poço é só uma etapa”. Esse estado de coisas me preocupa, me inspira, e me leva a fazer análises, buscando contribuir de alguma forma para o debate. De forma pretensiosa, confesso, o que quero é contribuir para uma saudável polêmica, pois, e como bem disse Berthold Brecht, “em tempos de discórdia, crises e confusão a ausência política é um verdadeiro crime e deve ser combatida”.

Campina Grande, março de 2024.

 

No link abaixo é possível baixar a versão e-book do livro no site da Editora da Universidade Estadual da Paraíba. Muito em breve faremos o lançamento da versão física do livro.

https://eduepb.uepb.edu.br/e-books/ 



domingo, 17 de março de 2024

 


Tradução: "A ironia de se transformar no que um dia você odiou"

É bastante sintomático que no 60º “aniversário” do Golpe Civil Militar de 1964 só falemos em GOLPE DE ESTADO, com tantos insistindo em deixar o passado passar.

É como diz o personagem Kari Sorjonen, da série Bordertown, “o problema é que o passado nunca fica aonde deixamos ele”.


quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

FOI NUMA SEXTA-FEIRA, 13 DE DEZEMBRO, QUE MERGULHAMOS NA ESCURIDÃO!

  


Em 14/12/1968 o antigo “Jornal do Brasil” trazia no alto de sua primeira página a seguinte previsão meteorológica: “Tempo ruim. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos”. Mas, fazia naquele dia um solzão de dezembro. A temperatura na cidade do Rio de Janeiro variava entre 35º e 38º graus. Outra coisa que chamou a atenção dos leitores foram fotos publicadas no lugar dos famosos editoriais do Jornal do Brasil. Ao invés daquela sempre bem elaborada coluna política do jornalista Carlos Castello Branco, o Castelinho, aparecia uma foto onde um enorme lutador de judô dominava um pequeno e frágil garoto.

Em “1968: o ano que não terminou” o jornalista Zuenir Ventura relata essa história para exemplificar como a sociedade recebeu o Ato Institucional nº 05 que havia sido baixado, não por acaso, numa sexta-feira, 13. O AI-5 ficou sendo chamado de o golpe dentro do golpe. Ele foi o recrudescimento, a radicalização, do golpe civil-militar de 1964. De abril de 1964 até aquele dezembro de 1968, os militares se mantiveram no poder, à frente da ditadura. Mas, eles pareciam ter vergonha de estarem no comando autoritário do país. Tanto é que foi neste período que os estudantes ganharam as ruas cantando “vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

Naquela aterrorizante sexta-feira (a exatos 55 anos) os militares ocuparam em definitivo o poder e o fizeram de uma forma avassaladora como nunca se viu. Foi por isso que o Jornal do Brasil colocou o lutador brutamontes dominando a criança. Aquilo foi uma metáfora. O lutador era o Estado militarizado dominando seus adversários. O garoto era a própria sociedade que se tornava ínfima, pequenina, diante de um poder colossal. Foi por isso que o Jornal do Brasil afirmou que o tempo estava péssimo, a temperatura sufocante e o ar irrespirável.


A sensação das pessoas é que não se podia respirar. O país estava, sim, sendo varrido pelo tufão do autoritarismo desmedido. Acabavam-se as garantias legais do cidadão. O AI-5 era, literalmente, uma sentença de morte para os que eram contra a ditadura. Vejam que o artigo 2º do AI-5 dava ao Presidente da República, um general do Exército, poderes ilimitados acima de tudo e de todos. Ele podia, por exemplo, decretar o recesso do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas e das Câmaras Municipais por tempo indeterminado.

O General-presidente de plantão poderia, também, decretar estado de sítio a qualquer momento e a seu exclusivo critério. O ato autorizava o poder executivo legislar em todas as matérias, exercendo, inclusive, o poder de polícia sobre o legislativo. No artigo 3º, o ditador-presidente da República poderia decretar intervenção federal nos Estados e Municípios sem quaisquer limitações de outra ordem. Por sinal, Campina Grande, na Paraíba, foi um dos municípios a passar por uma intervenção federal militarizada.

A partir do artigo 4º, o AI-5 mirava o cidadão. Nele se dizia que o ditador de plantão poderia, sem as limitações previstas na Constituição, ou seja passando por cima dela, suspender os direitos políticos de quaisquer cidadãos pelo prazo de 10 anos. Quando uma pessoa tinha seus direitos cassados era, invariavelmente, levada à prisão, à tortura, ao exílio e até a morte. Cassar direitos políticos era, para os ditadores, sinônimo de eliminar a própria vida do cidadão.


O artigo 5º era o supra sumo do autoritarismo. Por ele se suspendia o direito de votar e de ser votado; se proibia atividades e manifestações políticas; se impunha a qualquer pessoa um tipo de liberdade vigiada, com a proibição de frequentar lugares públicos. O fato é que ao ter seus direitos políticos suspensos o cidadão ficava impedido de exercer quaisquer direitos públicos e/ou privados. Por exemplo, ele não poderia solicitar quaisquer documentos, inclusive uma nova via de sua cédula de identidade.

Em seu artigo 10º o retrocesso era total, pois se suspendia a garantia de habeas corpus para os casos de crimes políticos, contra a segurança nacional, a ordem econômica e social e a economia popular. O AI-5 autorizava os órgãos de repressão, do governo militar, a prender qualquer pessoa e em qualquer lugar, inclusive em sua residência, e mantê-la incomunicável por até 120 dias e sem direito a habeas corpus. Tempo suficiente para se sumir com um corpo.

Os homens que formavam o Conselho Nacional de Segurança baixaram o AI-5 sem nenhum pudor. O general Jarbas Passarinho disse “às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência". O AI-5 permitiu a repressão, intervenção, cassação, suspensão dos direitos, prisão preventiva, demissões, perseguições e até confisco de bens. E tudo isso em nome da segurança nacional. Com o AI-5 nos tornamos uma sociedade amedrontada. Mesmo assim, ainda temos parte considerável da sociedade brasileira supondo que um novo AI-5 seria solução para muitos dos nossos problemas. Na verdade, os que defendem o AI-5 e a própria ditadura militar só o fazem porque são frutos disso. São os entulhos autoritários que somos obrigados a carregar enquanto tentamos erguer uma sociedade baseada em procedimentos democráticos.

 


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