domingo, 31 de julho de 2022

DO QUE AINDA POSSO FALAR


Nessa coluna do DO QUE AINDA POSSO FALAR, questiono do que adianta ter uma eleição eficiente, se um golpe de Estado poderá vir para solapar a decisão das urnas?
 

Meus alunos sempre me ouvem dizer que nosso sistema político mescla procedimentos democráticos e entulhos autoritários e que temos uma cultura política pretoriana. Eles sabem que considero eleição condição necessária, porém insuficiente das democracias. Dito de outra forma, não adianta ter uma eleição eficiente, se golpismos de toda sorte derrubarão a decisão das urnas.

Foi assim em 1964, com João Goulart, e em 2016, com Dilma Rousseff. Eles foram eleitos e sacados do poder por golpes ancorados nas forças militares, no legislativo e no judiciário, sempre contando com o auxílio luxuoso dos EUA.

O ex-governador de Minas, Fernando Pimentel, disse que é “preciso garantir a eleição, a vitória e a posse de Lula”. Se tivéssemos uma democracia fincada em bases sólidas, falaríamos apenas em eleições, e eu não estaria aqui falando da possibilidade de o eleito não tomar posse.

A convenção que formalizou Jail Bozo candidato à reeleição foi mais uma emboscada contra a democracia. Chamou atenção bolsonaristas com camisas onde se lia: “Voto impresso auditável. Eu apoio Art. 142”. O Art. 142 não é peça decorativa na Constituição. Ele foi colocado lá para ser usado - é como um revolver que se guarda no fundo de uma gaveta, um dia a oportunidade para usá-lo vai aparecer.

Jail Bozo sabe bem que “voto impresso auditável” é algo sem necessidade e que a urna eletrônica é confiável. O que ele quer é armar um circo de desconfianças para poder oferecer seu golpe de estado, baseado no Art. 142, ou seja na Constituição.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

DO QUE AINDA POSSO FALAR Lula tem 44% e todos os outros candidatos têm 45%. Estamos numa margem de erro mínima para não termos nem 2º turno

 

O Banco BTG\Pactual de Paulo Guedes, o “tchutchuca” do mercado, contratou pesquisa, junto ao Instituto FSB, pois o mercado quer se convencer de quem ganha e de quem perde nas eleições. Claro, ele mesmo não perderá nada. O mercado só perderá para a política, quando este país tiver realmente mudado.

A pesquisa traz Lula, em 1º lugar, com 44% e Jail Bozo em 2º lugar com 31%. Há duas semanas, Lula tinha 41% e Jail tinha 32%. Lula ganhou 3% e Jail perdeu 1%. Lula ganha mais do que Jail perde e a diferença está em 13 pontos percentuais.

Ciro Gomes segue em 3º lugar, com 9%, sem apoios e exalando ódio. Ainda não se sabe quando ele vai para Paris, mais ele vai. Simone Tebet vem em 4º lugar com 2%. Notaram que ela não é mais chamada de 3ª via? Deve ser porque nunca existiu uma! O percentual de Tebet é tão ruim que se forçarmos um pouco a margem de erro para baixo ela empata com André Janones e Pablo Marçal, cada um com 1%, e com a “cacarecada” que não atinge nem isso. Mas, não se preocupem, “Ey Ey Ey Mael, um democrata cristão” vai ter seus 3 segundos de glória na TV.

Interessa notar que o cientista político Felipe D'Avila, do Novo de Amoedo, não atingiu nem 1% na pesquisa. Ao que parece os conselhos que o D'Avila cientista político dá ao D'Avila candidato não estão servindo muito. Eu, sigo tentando entender a lógica de milhões, ou de centavos, que faz uma pessoa se lançar candidata à presidência da República, quando ela não tem capital eleitoral para se eleger sequer vereadora de sua própria cidade.

Com Lula tão bem postado nas pesquisas, e com reais chances de não termos 2º turno, é que se entende porque o bolsonarismo nazificado emula o TRUMPismo com suas ameaças golpistas. É que para Jail só restam 2 alternativas: ou vence ou vai preso em 2023. Mesmo assim vale o velho ditado: “caldo de galinha e cautela não faz mal a ninguém”. Vale, também, o clichê “o jogo só acaba quando termina”. Afinal, não vivemos numa democracia modelar, até porque, como diria Millôr Fernandes, “no Brasil, o fundo do poço é só uma etapa”.

Este foi mais um “DO QUE AINDA POSSO FALAR” com texto e apresentação de Gilbergues Santos e produção e edição de Lívia Freitas.


sábado, 23 de julho de 2022

DO QUE AINDA POSSO FALAR - Jail Bozo precisa desesperadamente de um novo AI-5

  

Se estivéssemos nos anos 1960, agora já seria 1968. O golpe civil\militar de 1964 já teria ocorrido e o AI-5 estaria bem próximo. O golpe com “Supremo com Tudo” de 2016 foi uma reedição do golpe militar, com novos elementos. Ele emula a tragédia de 64, que foi a farsa de tantos outros golpes dados desde a Proclamação da República. Jail Bozo anseia por uma farsa, da tragédia do AI-5, para chamar de sua. Lembrando que não é de hoje que o gado pede por um "novo" AI-5.

Considerando que o GOLPE JÁ FOI DADO EM 16, o embuste que Jail promoveu, ao se encontrar com os embaixadores, não é diferente do desfile dos tanques fumacê e do 07 de setembro bolsonarista, ambos ocorridos no ano passado.

São tentativas de Jail de ter um AI-5 para chamar de seu, beneficiado que foi pela ação de Sérgio Moro na Lava Jato, pelo golpe de 16 e pela prisão de Lula. Isso tudo, o levou ao poder. Agora, Jail quer um "golpe dentro do golpe" para permanecer no poder e não ser preso em 2023.

O evento com os embaixadores é mais uma das emboscadas que ele e seus asseclas promovem contra os procedimentos democráticos que ainda temos. Jail age por tentativa e erro, numa dessas ele acerta!

Ele não faz campanha, pois sabe que eleição está perdida. Sua ação, e de sua horda de malfeitores, é para que as instituições e a própria sociedade capitulem ante seu projeto ditatorial. Conseguirá Jail, ao contrário de Trump, ter sucesso em seu AI-5, versão Capitólio? Dito de outra forma, deixaremos o genocida mor implantar sua ditadura tal qual se fez em 64? 


sexta-feira, 27 de maio de 2022

Bolsonaro precisa melhorar nas pesquisas para ter um golpe para chamar de seu

Pesquisa do Datafolha de 26\5 trouxe Lula (PT) com 48% e todos os outros candidatos, que pontuaram, somando 40%. Assim, Bolsonaro (PL) tem 27%, Ciro Gomes (PDT) tem 7%, André Janones (Avante) e Simone Tebet (MDB) têm 2% cada, Pablo Marçal (PROS) e Vera Lúcia (PSTU) têm 1% cada. A nanica de sempre - Felipe D’Ávilla (Novo), Luciano Bivar (União), Santos Cruz (Podemos), Leonardo Péricles (UP), Eymael (DC), Sofia Manzano (PCB) - não pontuou, se é que vai.

Esperava que Tebet, a 3ª via da vez, e Ciro, após o “debate” com Gregório Duvivier, aparecessem pontuando melhor na pesquisa, pois Dória desistiu e já foi cuidar de sua vida empresarial. Mas, Tebet segue com seus 2 pontinhos de sempre e Ciro segue caindo, mesmo que ainda acredite que vai ao 2º turno. Talvez, numa eleição em Paris, ele possa ser eleito.

Onde foi parar os 3% de Dória? Se não foi para Lula, muito menos para Bolsonaro, se evaporaram entre as tapas, lágrimas e beijos derramados pelo grã-tucanato paulista? Lula cresceu ainda mais nessa pesquisa Datafolha. Se forçarmos a margem de erro, de 2 pontos percentuais, para  cima, ele pode bater nos 50%. Estou otimista? Sim! Mas, caldo de galinha e cautela...

O “timing” político nada democrático, bastante autoritário, mostra Bolsonaro em desespero, pois sabe que perderá a eleição e que pode terminar preso junto com seus filhos. O que ele ainda poderá fazer para manter a fidelidade bovina de seus seguidores? Mesmo com sua desprivilegiada capacidade cognitiva, Bolsonaro entendeu que piadinhas no cercadinho, motociatas e “amizade” com centrão não resolvem mais a situação, pois o povo não o aguenta mais e quer mudanças.

Para Bolsonaro, resta um golpe de Estado que o mantenha no poder. Mas, quem o daria? Parte considerável do conglomerado golpista de 2016 se reconverteu aos procedimentos democráticos, leia-se eleições. Não que isso signifique algo palatável, pois o conglomerado é golpista por definição e serve-se da democracia apenas em situações pontuais. Em tempo, o conglomerado é composto por amplos setores dos três poderes, pela mídia corporativa, pelas Forças Armadas, por ramos do cristianismo (neopentecostais e católicos ultra conservadores), pelos donos do grande capital, pela classe média que pensa como a burguesia, etc, etc, etc...

Para ter um golpe que possa chamar de seu, Bolsonaro tem que melhorar nas pesquisas para poder legitimar o discurso (falso) da fraude eleitoral. Se conseguir perder por uma pequena margem, pode até mesmo estrebuchar que foi fraude, mas se perder por uma grande diferença, e já no 1° turno, não terá como alegar fraude e dar um golpe. Bem dito, os militares não terão como golpear as instituições para atender aos interesses de um presidente humilhado nas urnas.

Desesperado, Bolsonaro colocou a Polícia Rodoviária Federal para tocar o terror, matando civis inocentes à luz do dia, para ter o que dizer para seus bovinos seguidores. A ideia é manter o gado no cercadinho com o discurso de que “bandido bom é bandido morto” e\ou de que está zelando pela segurança pública.

É bom lembrar que Bolsonaro sempre falou na morte como solução para todos os nossos problemas, por isso pôs suas milícias para atentar contra a vida do povo pobre e preto desse país. Essa matança indiscriminada é, também, uma vingança por causa dos resultados das pesquisas eleitorais. E é, ainda, uma forma de pôr medo na população e assim poder fazer o discurso do uso da força que acaba com a violência. O gado ainda acredita nisso! 

O meu receio é que setores da esquerda achem que a eleição está ganha, que não precisa fazer mais nada, por ainda acreditarem que eleição é condição única e necessária para se ter democracia. É bom lembrar que a extremosa destra não para, está sempre armando alguma crueldade.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Sobras do “cesto departamento”

Remexendo um velho arquivo (que chamo de “cesto departamento”, para onde vão coisas que finjo que estou jogando na lixeira) encontrei esses artigos, escritos entre 1998 e 2001, que nunca foram publicados. Não sei, não lembro, porque não “postei” o primeiro, “O que esperar dos eleitos?”. Talvez, à época, ele tenha se mostrado tão frágil, que eu mesmo tenha preferido esquecê-lo. Acontece!

Os outros dois foram censurados pelo jornal, com o qual contribuía semanalmente. Sobre o artigo “A TV que faz chorar”, a justificativa foi que eu estaria (SIC) “indo de encontro à TV da qual a empresa é associada”. É que o jornal, onde eu publicava, era afiliado de umas das emissoras que havia criticado. De fato, havia mesmo, mas ... acontece, também! Sobre o artigo “Fé e iogurtes”, não lembro que justificativa se deu para o artigo ter “caído”, mesmo que desconfiei que tenha desgostado algum explorador da fé alheia.

Não queria publicar estes três artigos, pois os considerei “datados”, mas sob os incentivos de minha editora\filha\leitora Lívia Freitas, resolvi que eles deviam vir a público. Pensando bem, eles não estão tão obsoletos assim!

 

O que esperar dos eleitos? (1998)

Analisando o resultado das eleições paraibanas, de 1998, chama atenção a quantidade de votos brancos\nulos para governador e senador. Para se ter ideia, o 2° colocado para governador, Gilvan Freire, teve 175.234 votos, enquanto brancos\nulos somaram 588 mil votos. Uma explicação para isso é a falta de boas opções apresentadas aos eleitores. A apregoada falta de interesse do povo, quando o assunto é política eleitoral, é frágil, pois gostamos tanto de eleição quanto de futebol e novelas.

Tivemos um processo eleitoral onde o governador/candidato, José Maranhão, monopolizou as eleições. Outra questão é que não houve renovação para a bancada paraibana na Câmara Federal, no Senado e na Assembleia Legislativa. Sempre se poderá dizer que muitos não se reelegeram e que outros vão ao parlamento pela primeira vez. Mas, não é desse tipo de renovação que falo.

A renovação que quero discutir é a de ideias e práticas políticas, pois não há nada de novo sobre o senador e os 12 deputados federais eleitos. As práticas são as mesmas desde o começo do século, próximo de acabar, mudam apenas a forma de realizá-las. Um distribui consultas médicas em programas de rádio, outro mal sabe expressar-se, um terceiro ocupou o guia eleitoral para só ensinar como votar nele e ainda tem o que se diz herdeiro político de um outro que já faleceu. Sem contar o "senador do povão" que facilmente transita entre o trágico e o cômico.

O que estes senhores irão fazer em Brasília? Será que eles sabem para que serve um mandato parlamentar? Eles dizem que vão lutar por verbas para a Paraíba, mas e quanto a “Reforma Política”, que traz a fidelidade partidária e a revisão da reeleição dos prefeitos, e a questão fiscal, criando e aumentando impostos, além da administrativa para demitir funcionários públicos? E sobre a reforma da previdência social, algo de nosso óbvio interesse, eles sabem o que fazer? Foi possível, durante as eleições, ver o que eles tem a dizer sobre estes assuntos?

Sabemos que um único voto, de um deles, pode mudar totalmente nossas vidas. É por isso que não podemos ficar impassíveis, esperando que eles "lutem pela Paraíba" da forma que bem quiserem, pois não foram eleitos para distribuir cadeiras de rodas e nebulizadores, e sim para envolverem-se nos grandes temas nacionais, como nossos representantes. Além disso, estes senhores, que serão protegidos pelo manto da imunidade parlamentar, precisam ser monitorados pela sociedade civil, caso contrário teremos que viver apenas com a renovação de nomes, não de práticas políticas.

 

A TV que faz chorar (2000)

É domingo. Ligo a TV e vejo o apresentador de popular programa de auditório, com os olhos vermelhos, falando tristemente da vida de uma mulher que, abandonada pelo marido, teve que criar uma penca de filhos e ainda teve seu casebre destruído por um incêndio. A mulher está presente ao palco, com seus filhos, para dar veracidade a estória do comovido (des)animador. Ao fundo, ouve-se uma música que faria o mais brutal dos nazistas chorar feito criancinha. Por fim, o benevolente apresentador oferta uma casa mobiliada para a pobre família e todos se regozijam. Um final feliz!

Mas, por ser domingo, quero relaxar, ver algo ameno. Mudo de canal. Aparece-me outro apresentador que, gritando descontrolada e irritantemente, quer comover o público com sofridos detalhes da vida de uma atriz de novelas. Não há interatividade, ele faz as pergunta e ele mesmo as responde. Parece que só ele pensa. Sigo querendo relaxar, mudo o canal e vejo um terceiro apresentador que tenta ser a síntese dos dois anteriores: grita burramente, como o segundo, e faz caridades como o primeiro. Trágico, cômico, bizarro! Minha busca só termina quando me convenço que a melhor forma de relaxar é desligando a TV. Escutar uma boa música é a solução.

A questão é que os canais da TV aberta não nos dão opção, possuem uma programação que só considera o baixo nível educacional do povo brasileiro. Com o advento da chamada TV paga e com a programação segmentada (programas dirigidos a grupos específicos) criou-se a lógica de mercado (cruel e excludente) que se o telespectador quer ver boa programação que pague para tê-la, senão aguente as porcarias que lhe são oferecidas, aliás, impostas. Não é à toa que a Rede Globo exibe seu "apresentador" ao invés de um jogo de futebol. Quer assisti-lo? Pague para isso!

Uma outra grave questão é que devido à ausência de um Estado social, que efetive políticas públicas, as populações pobres ficam à mercê da própria sorte e terminam recorrendo aos oportunistas de plantão, no caso apresentadores em busca de pontos no Ibope, que renderão polpudos contratos de publicidade, e que não pestanejam em explorar as desgraças humanas. Se lembrarmos a eles que somos nós que fazemos a audiência, mudando de canal e até desligando a TV, com certeza irão se preocupar em melhorar o nível da programação. Ou não?!

  

Fé e iogurtes (2001)

Imagine a situação: cidadão, com R$ 100,00, uma ata que o designa representante de um grupo e um estatuto que regerá este grupo, vai até a Receita Federal cadastrar-se. Em dois dias, ele já tem a sua disposição, pela Internet, o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica que permite que o estabelecimento funcione. Não, não estou falando de um comércio, refiro-me a uma igreja evangélica.

Para se abrir uma igreja no Brasil basta ter fé, pois as facilidades mundanas são muitas. Veja-se que não se cobra taxa de IPTU, nem licenciamentos, e não se paga imposto de renda, já que os templos são considerados entidades filantrópicas. Mas, essas igrejas, que vemos surgir em profusão, tem um alto poder de lucro que vem, principalmente, da contribuição que cada fiel dá a seu pastor. É o chamado dízimo - aqueles 10% que cada "um oferta a Deus".

Vi um membro de uma dessas igrejas dizer que (SIC) “o aluguel da sede custa R$ 2.500,00 e é preciso mantê-la, pois a contribuição está prevista no livro bíblico de Malaquias”. Porém, o que se vê, na verdade, são denúncias de enriquecimento ilícito de pessoas inescrupulosas que, a título de dar conforto espiritual a quem precisa, exploram a fé das pessoas.

Para se ter ideia de como se dá a exploração, vejamos o caso das Igrejas neopentecostais, conhecidas pelos seus cultos barulhentos, onde os fiéis gritam a plenos pulmões palavras de exaltação a Deus, talvez acreditando que Ele seja surdo. Prometem prosperidade material, ou seja, o fiel que contribui, com o dízimo, investe em si próprio, já que “terá em dobro tudo o que doou”. Assim, Deus funciona como uma poupança: entrega-se uma quantia a Ele e após certo tempo Ele a devolve com juros e correção. Mas, é bom lembrar, "pequena" parte fica com o pastor para investimentos no “negócio da fé", como diria o cangaceiro do Auto da Compadecida.

Em tempos de crise qualquer um que prometer prosperidade material só pode conquistar adeptos. São palavras mágicas para ouvidos desesperados. O fato é que essas igrejas são negócios privados como outro qualquer, onde o lucro é a meta. Por isso deixemos de hipocrisia e passemos a tratá-las como tal. Já que elas viraram um lucrativo negócio, que explora a fé do povo, como quem vende iogurtes no supermercado, porque o Estado não as trata como tal e passa a cobrar delas impostos para fazer, pelo povo, aquilo que elas mesmas não fazem?

quinta-feira, 31 de março de 2022

O GOLPE CIVIL-MILITAR DE 1964

 

Laerte. Revista Caros Amigos. Ano IV - n° 15. Novembro/2002. Edição Especial “Para onde vai a democracia?”

Passados 58 anos do Golpe Civil-Militar de 1964 temos que revê-lo pois à medida que nos distanciamos dos fatos nossa visão sobre eles muda. Temos que redimensionar o 31 de março para nossa atual visão e refletir sobre a cultura política pretoriana que dele herdamos. Memórias do golpe e da ditadura ainda nos são vivas pois as feridas não cicatrizaram. Somos uma Sociedade e temos um Estado recheados de entulhos autoritários que nosso débil processo de liberalização não foi competente para extrair do nosso entorno. Um falso dilema entre democracia e mudanças sociais foi uma das causa do golpe. No Brasil de 1964 se antagonizava desnecessariamente esses fatores. Para a direita, se faria mudanças sociais pela democracia, por isso mesmo ela deu o golpe. Para a esquerda, só teríamos mudanças pondo fim a democracia. O resultado a que se chegou foi nenhuma reforma social, democracia inexistente e muito autoritarismo. A liberalização (notem que não falo em redemocratização) não foi capaz de afastar de nosso entorno atores políticos e entulhos autoritários da ditadura. Hoje eles governam! O que tivemos foi tão somente um pacto entre forças políticas iniciado em 1974 e capitaneado por militares. Lentamente se foi inserindo uma ritualística democrática nas instituições, sem reformá-las, mantendo intocada a espinha dorsal da ditadura: o poder militar.

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Ruim, mas pode piorar!

Pesquisa do Instituto QUAEST, da quarta-feira (09\02), revelou que Ciro, Dória e Moro podem cair ainda mais nas pesquisas. 62% dos que votam em Ciro, 73% em Dória e 70% em Moro admitem mudar o voto até as eleições. Admitem votar, mas como não sentem firmeza nesses candidatos, aceitam que pode também não votar.

Nessa Pesquisa da QUAEST, Ciro tem 7%, Moro 7% e Dória 2%, a situação da 3ª via é de desespero. 74% dos que votam em Lula dizem que não vão mudar o voto até as eleições. Lula tem 45%. Somando os 16% do trio ternura third way com os 23% de Jail Pig Bozo estamos muito perto de não ter 2º turno. E tem os cacarecos que levam traço ou tem 1% ou 2% na pesquisa. Num 2º turno, Lula ganha de todos os adversários. Contra Jail Bozo, Lula tem vantagem de 24 pontos num cada vez mais improvável 2º turno.

Na Pesquisa QUAEST, temos: Lula 45%; Jail 23%; Moro 7%; Ciro 7%; Doria 2%; Janones 2%; Tebet 1%; Pacheco e D’Ávila 0%. Branco/nulo/não vai votar 8%; Indecisos 5%. Lula tem 45% e todo o resto tem 42%. Para ter 2º turno todo o resto tem que ter pelo menos 1% a mais que Lula.

O Instituto IPESP também soltou pesquisa, sexta-feira (11\02): Lula 43%; Jail 25%; Moro 8%; Ciro 8%; Dória 3%; Tebet 1%; Janones 1%; Pacheco e D'Ávila 0%; Brancos/Nulos 9%; Não sabe/Não respondeu 3%. Aqui todo resto tem 46%, ficando na margem de erro para ter 2º turno.

Com Lula tão bem posicionado nessas pesquisas, podemos, então, entender porque nessa semana só se falou do bolsonarismo nazificado. A possibilidade de não ter 2º turno fez Jail Pig Bozo falar, mais uma vez, em golpe e a mídia das-escolhas-muito-difíceis falou até em Marina Silva e Joaquim Barbosa. Vamonos, adelante!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

O ano é 2027! Veja como vivem os que operaram a Lava jato e o golpe de estado de 2016, levaram Bolsonaro ao poder e destruíram o país numa aventura fascista.

Os filhos Zero-Um e Zero-Três cumprem longas penas em Bangu 8. Queirós e esposa, Flordelis, Bob Jeff e Jairinho, também. Zero-Dois fugiu para Nova Zelândia com seu primo. Usando tornozeleira eletrônica, Zero-Quatro cumpre prisão domiciliar no Condomínio Vivendas da Barra.

Para não ser preso, Bolsonaro foi “diagnosticado” com quadro de demência degenerativa. Vive nas redes sociais xingando a tudo e a todos. Dizem que está escrevendo um livro cujo título provisório é “Os fantasmas da Casa de Vidro”. Hélio Negão lhe visita para levar remédios e dar notícias dos filhos. Jail acredita que tudo teria sido diferente se a “fakada” não fosse fake e costuma dizer que a pandemia foi um “negócio de ocasião que nós não soubemos aproveitar”.

Ex-esposas de Bolsonaro abriram o “Escritório das Ex-Mulheres do Bem”, no Rio de Janeiro, onde dão consultoria para milicianos que vão migrar para política e adotar esquema de “rachadinhas” em Câmara de Vereadores e Assembleias Legislativas. Rogéria Nantes e Cristina Valle criaram uma dupla “femineja” chamada “As ex-patroas”, uma “sofrência” sem fim!

Silas Malafaia arrumou um marido mais novo, mais rico e mais inteligente para D. Michelle que tem uma boutique frequentada apenas por evangélicas muito ricas. Ela tem uma equipe de advogados para processar quem lhe perguntar se Queiróz depositou mesmo aquele cheque de R$ 89 mil em sua conta.

Olavo de Carvalho está internado num hospital psiquiátrico, nos EUA, na ala onde ficam os que pensam que são Jesus Cristo, Napoleão Bonaparte, Cleópatra, Gandhi, etc. Olavo diz ser Dietrich Eckart, o mentor de Hitler. Janaína Paschoal está na mesma ala, ela acredita ser Margareth Thatcher.

Luciano Huck, que ainda sonha com a presidência, apresenta o Domingão da Lata Velha tendo Angélica, Suzana Vieira, Regina Duarte, Bia Kicis e Carla Zambelli como assistentes de palco. William Bonner deixou o Jornal Nacional e vez por outra vai ao programa de Fátima Bernardes lembrar de quando emparedava presidenciáveis. Em estado falimentar, a Globo bajula o governo para ter acesso a verbas publicitárias.

Merval Pereira, Eliane Cantanhêde, Vera Magalhães, Diogo Mainardi e Alexandre Garcia fazem o programa “Uma escolha muito difícil” na Jovem Pan, onde debatem temas da política nacional sempre lembrando dos tempos em que o PSDB governava. FHC aparece vez por outra no programa, como convidado mais do que especial, insistindo sempre que foi melhor presidente do que Lula.

Abranham Weintraub trabalha numa lanchonete, preparando hamburguers, próxima a sede do Banco Mundial em Washington, D.C. Ele foi demitido do banco quando exigiu ser chamado de Joseph Goebbels. Fräulein Damares abjurou o Jesus da goiabeira e diz ser a própria Madre Teresa de Calcutá.

Ernesto Araújo criou o Instituto “Só o trabalho liberta” que promove palestras com ex-ministros do governo Bolsonaro. O Instituto será fechado por fazer apologia ao supremacismo, negar o holocausto e defender o nazismo. O gabinete do ódio se tornou um partido, clandestino, e se dedica a criação de células fascistas, racistas, homofóbicas, xenófobas, antissionistas, pelo Brasil afora.

Militares, que governaram o país em 2019-2022, voltaram aos quartéis em janeiro de 2023 ou foram para reserva. Costumam lançar notas sobre a “Revolução de 1964” onde aproveitam para dizer que se não fosse Bolsonaro teriam feito ótimo governo. Participam sempre de animadas reuniões regadas a  whisky 12 anos, cervejas e vinhos importados, além de muita picanha e leite condensado.

Kim Kataguiri, Daniel Silveira, Roger Rocha e Caio Coppolla formaram a banda “Roqueiros à Direita” para tocar no programa de Danilo Gentili. O apresentador acha que uma chapa sua com Huck, Moro, Dória, Amoedo, Daciolo, Alexandre Frota ou o ET de Varginha ganha facilmente uma eleição presidencial.

Dória governa São Paulo com seus moletons em tons pastéis. Ele expulsou FHC do PSDB e trabalha para ser o nome principal da oposição. A direita limpinha segue jurando de pés juntos que não participou do Golpe de 2016, não articulou a operação Lava Jato e não votou em Bolsonaro.

Aécio Neves foi eleito vereador no município de Cláudio-MG e cuida da pista de pouso, construída em seu governo, para aviões que carregam até 1\2 tonelada de um certo pó branco. Aécio gosta de se vangloriar de ter detonado o golpe de 2016 ao não aceitar a derrota para Dilma em 2014.

Michel Temer não é mais bem-vindo aos jantares da Casa Grande após uma entrevista em que contou detalhes do golpe de 2016 e insistiu que a ideia de um golpe “com Supremo com tudo” foi dele. Dizem que Temer mudou-se para a Romênia e mora no castelo de seu irmão mais velho, o Conde Vlad Temer.

Sérgio Moro e Deltan Dallagnol respondem a vários processos sobre crimes cometidos na Operação Lava Jato. Só não foram presos por ainda contarem com simpatias no STF. Os Lava Jato Boys foram demitidos do Ministério Público. Abriram um escritório de advocacia cujos clientes são eles próprios.

Ciro Gomes criou o canal “Cirão da Massa”, no Youtube, onde mostra como estaria o Brasil se Lula e o PT tivessem sido destruídos antes das eleições de 2022. O “Cirão da Massa” tem 4% dos seguidores do canal “Lula, um estadista”. Marina Silva sumiu de vez nas profundezas da floresta amazônica. Dizem que fundou uma comunidade alternativa chamada “As viúvas do Jararaca”.

O gado não pede mais intervenção militar e AI-5, morre de vergonha de quando vestia amarelo, fazia “arminha” e chamava um estúpido ditador de “mito”. Mesmo que sinta falta das manifestações, em que pedia o fim da democracia, acha que fez grande burrada elegendo Bolsonaro, mas como o pastor costuma dizer que Jesus perdoa quem paga o dízimo em dia, ele não se preocupa com tudo de ruim que aconteceu ao país. Na verdade, o gado até se orgulha de ter “tirado o PT”. O problema é que Lula voltou, babaca!

Errata: Houve um equívoco temporal em relação a Olavo de Carvalho. Ele esteve internado nos EUA em 2021 e teve seu CPF cancelado em 2022. 

PS: Isso aqui é uma brincadeira, mesmo que eu leve alguns itens a sério por desejar bastante que aconteçam, mas é uma brincadeira, uma tentativa de conviver com nossa dura realidade!

Janeiro - 2022.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Estado brasileiro condenado na Corte Interamericana de Direitos Humanos

Estado brasileiro foi condenado na Corte Interamericana de Direitos Humanos devido a forma ineficiente como conduziu as investigação, além da forma como o processo judicial se deu, sobre o assassinato da paraibana Márcia Barbosa de Souza, em 1998.

A condenação representa um marco jurídico no país, pois é a primeira, no âmbito do feminicídio, da história brasileira. A decisão, publicada em 7 de setembro deste ano, foi divulgada no dia 25 de novembro passado. O fato é que através dela se reconhece que o Estado Brasileiro violou o princípio de igualdade perante a lei e do acesso à Justiça. 

Gilberta Soares, psicóloga que atuou como perita responsável por produzir o laudo psicossocial da vítima, e que também acompanhou o julgamento do caso Márcia Barbosa na Corte Interamericana, avalia que a "sentença internacional expõe de forma inédita, em se tratando do Brasil, a estrutura de violência de gênero e do racismo existentes no país, além dos problemas de classe, presentes na origem de Márcia e do condenado por sua morte, o ex-deputado Aécio Pereira".



terça-feira, 12 de outubro de 2021

O FUTEBOL E SUAS RAZÕES

Depois de um torcedor do Flamengo ter sido agredido violentamente por torcedores do Fortaleza, logo após o jogo de 09\10\21 pela 25ª rodada do Brasileirão, afloraram sentimentos de toda sorte em relação a caquética discussão de se nordestinos podem ou não torcer por times do eixo Rio-São Paulo. Logo que vi as manifestações, no Twiteer e no Instagram, lembrei que essa discussão é recorrente e que no já distante 01\05\2013 tinha feito uma coluna sobre isso, motivado pelo fato de Campinense Clube e Flamengo se enfrentarem na Copa do Brasil.

A coluna segue abaixo, mas lembro que tem um vídeo rodando pelas redes sociais de um torcedor do Flamengo, vestindo uma camisa do Fortaleza, afirmando que só pode entrar na Arena Castelão após retirar a camisa de seu clube. É bom não esquecer que a xenofobia é um dos componentes da cesta que compõe o modus operandi da extremosa destra que tomou de assalto a sociedade brasileira. Consideremos, ainda, a revolta dos torcedores do Fortaleza depois de verem seu time levando um sacode de 3X0 do time que, com carradas de razão, se autointitula a “nação rubro-negra”.

A seleção paraibana de futebol não vai jogar hoje!

Coluna publicada no GILBLOG (gilberguessantos.blogspot.com) em 01 de maio de 2013

Assim que se soube que o Campinense Clube enfrentaria o Flamengo em Campina Grande, pela 2ª fase da Copa do Brasil, um frisson tomou conta dos torcedores da raposa e de todos que gostam de futebol. Fiquei entusiasmado, pois finalmente poderia assistir de perto os times que torço se enfrentando numa competição nacional. O caro leitor quer saber se tenho algum problema em ver meus dois únicos times do coração disputar uma partida? Não, não tenho nenhum problema com isso. Pelo contrário, acho que vai ser uma experiência única e tenho certeza de que será, também, emocionante. Mas, não vou usar o espaço dessa Coluna para falar de minhas paixões futebolísticas.

Quero, na verdade, defender o direito do cidadão de torcer pelo time que ele bem quiser, não importando se este time é ou não da cidade, estado ou mesmo região onde ele nasceu. É que, no Brasil, a naturalidade de um cidadão não se define pelo time que ele torce. Se fosse assim, times de futebol como Flamengo, Corinthians, São Paulo, Vasco da Gama e Cruzeiro não teriam torcedores espalhados por todos os estados e regiões desse país que tem, como sabemos, dimensões territoriais de um continente.

Eu sugiro uma reflexão. Antes de chamarmos de “paraibacas” os torcedores paraibanos que vão torcer pelo Flamengo, e não pelo Campinense, que tal pensarmos no processo que levou o futebol a se tornar nosso esporte nacional e nossa maior paixão.“Paraibaca” é uma forma agressiva e preconceituosa de se referir aos que, mesmo paraibanos, torcem por um time do Sudeste. Os que usam esse termo desconhecem fatores históricos que nos levaram a esse estado de coisas.

A partir de 1937 as rádios passaram a transmitir, em cadeia nacional, jogos dos times de futebol que mandavam jogadores para a Seleção Brasileira. É que o presidente Getúlio Vargas via nisso uma forma de integrar o país em torno do seu governo. Depois, quando já vivíamos à sombra das chuteiras imortais, como dizia Nelson Rodrigues, e quando já tínhamos a seleção tricampeã do mundo ficou quase impossível impedir que se torcesse, pelo Brasil afora, pelos grandes times de futebol.

Como impedir que se torcesse pelo Santos de Pelé, pelo Botafogo de Garrincha, pelo Flamengo de Zico, pelo Fluminense de Rivelino? Como querer que o torcedor paraibano não se encantasse, ao ponto de se tornar um torcedor, com esses artistas da bola? Por causa disso, torcedores pelo Brasil afora começaram a criar o que eu chamaria de “filiais de suas paixões”. Vejam que no Piauí existe um Flamengo, na Bahia temos um Fluminense, sem contar os “atléticos”, “esportes” e “américas” espalhados pelo país.

A televisão teve papel importante nisso. Mais não foi o futebol quem se valeu da TV para se nacionalizar. Foi o contrário. Foi Walter Clark quem sugeriu que a Rede Globo transmitisse jogos de times do Rio de Janeiro e São Paulo para todo o Brasil. A ideia era boa, pois quem não iria querer assistir ao vivo aquilo que se tornou nossa própria identidade cultural? A TV foi sendo levada pelo futebol para onde quer que houvesse um torcedor ávido por assistir um bom jogo e, quem sabe, uma boa novela.

O cinema teve sua importância nisso. Entre os anos 1970 e 1980 eu tinha duas grandes diversões aos domingos. Uma era ir ao Estádio Amigão ver o Campinense Clube jogar. A outra era ir para as matinês do Cine Capitólio ou do Cine Babilônia. Além dos filmes, assistíamos ao Canal 100, um cinejornal que trazia notícias da semana e variedades, além de fazer propaganda da ditadura militar. A parte mais esperada era a do esporte. Em geral, um clássico do campeonato carioca ou paulista era apresentado. O Canal 100 era o casamento entre o futebol e o cinema. Nelson Rodrigues disse que o Canal 100 “inventou nova distância entre o torcedor e o craque em plena cólera do gol. Tudo o que o futebol possa ter de lírico, dramático, patético e delirante era ali apresentado”.

Não foi difícil para mim, que já torcia pelo Campinense, torcer, também, pelo Flamengo. Assim como não foi difícil para amigos meus, que torciam pelo Treze Futebol Clube, torcerem pelo Vasco da Gama ou pelo Corinthians. Era uma questão de identificação. Assim, vejo com naturalidade que um paraibano torça por um time local e por outro do Sudeste. Se o jogo de logo mais fosse entre a Seleção de Futebol da Paraíba e a Seleção do Rio de Janeiro, aí sim deveríamos torcer pelo nosso Estado. Mas, não é o caso.

Os times materializam paixões. Quem conseguir explicar racionalmente essa questão que peça a um trezeno para torcer pelo Campinense. Eu não peço, pelo contrário, defendo o amplo direito de cada um torcer por quem bem quiser. Deixemos de lado esse bairrismo tolo de que se não é de nossa terra deve ser rechaçado. Esqueçamos esse complexo de vira-latas “nelsonrodriguiano” de que somos pequenos Davis unidos para enfrentar o grande Golias. Se por acaso você vai torcer contra o Campinense, não se preocupe se vão te chamar de “paraibaca”. Afinal de contas seu compromisso, hoje à noite, não é com o estado ou cidade onde nasceu e sim com seu time do seu coração e suas “razões” futebolísticas.

Minha lista de blogs

Pesquisar este blog