domingo, 5 de fevereiro de 2023

DO QUE AINDA POSSO FALAR ou “desbolsonarizar” não é a mesma coisa de “desmilitarizar”

Quero mostrar, neste DO QUE AINDA POSSO FALAR, que “desbolsonarizar” não é a mesma coisa de “desmilitarizar”, mesmo que façam parte de um amplo projeto de DEMOCRATIZAÇÃO da nossa sociedade, tão acostumada ao autoritarismo. 

Após a 2ª Guerra Mundial, os Aliados promoveram a desnazificação da Alemanha. Mas, para remover os entulhos nazistas usaram líderes e funcionários da ditadura hitlerista. Como podemos perceber, a desnazificação alemã não conseguiu pôr fim ao nazismo.

É que nem sempre o veneno da cobra salva a vítima picada pela cobra. Não é à toa que, em dezembro, a justiça alemã prendeu 25 terroristas de extrema direita que pretendiam golpear o Estado alemão. E você aí pensando que é só no Brasil onde terroristas dão golpe de Estado!

O passo inicial para “desbolsonarizar” o Brasil foi dado quando vencemos Jail Bozo nas eleições. Mas, foi só um passo. Este processo segue com a punição dos bolsonaristas que atentaram contra a República. Como se diz por aí: ANISTIA É O...  ENFIM!

Mas, o que vamos fazer com o eleitorado bolsonarista? Temos que chamá-lo de volta à razão. Ele têm que ser responsabilizado politicamente pelo 08\01 e têm que entender que o apoio dado a um fascista criminoso, do quilate de Bolsonaro, é causa da tragédia de Brasília.

Mas, somos uma sociedade militarizada. O Exército entrou na política e se ocupou das questões sociais desde que deu o golpe de Estado que proclamou a República. Nos 21 anos em que nos governou militarizou a sociedade e as instituições para atender a seus interesses.

O pacto que gerou a tal da “Nova República” incluía manter prerrogativas pelas quais militares são capazes de tudo, até se aliarem a um desqualificado como Bolsonaro, que tinha claro projeto de tornar o Brasil uma ditadura. Então, o que é preciso fazer para desmilitarizar o país?

Primeiro, as Forças Armadas não podem agir como Poder Moderador da República, tal qual fazia Pedro I no Império. Precisam saber que não pairam para acima e além do Estado. Na verdade, as Forças Armadas precisam ser despolitizadas, deixar de se comportarem como partido político e assumirem seu real papel que está, não por acaso, na Constituição.

Temos indícios promissores. Lula excluiu da Comissão de Anistia militares que foram postos lá por Jail Bozo, exonerou do GSI militares comprometidos com o golpismo e desinfectou bolsonaristas da PF e da PRF. É aqui que desbolsonarização e desmilitarização se encontram.

Ao demitir o Gal. Júlio César de Arruda do comando do Exército, aquele que impediu Flávio Dino de mandar prender bolsonaristas terroristas, Lula sinalizou às Forças Armadas que elas precisam se submeter ao poder político, afinal também precisam ser desbolsonarizadas.

A Constituição também precisa ser desmilitarizada. Seria bom modificar o tal Artigo 142, no trecho que diz que cabe as Foças Armadas garantir os poderes constitucionais e “por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. É que a lei precisa ser clara e objetiva, não pode dar margens a interpretações, principalmente àquelas que querem acabar com a democracia.

Este foi mais um “DO QUE AINDA POSSO FALAR”

 


quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

DO QUE AINDA POSSO FALAR ou quando a extremosa destra atacou o coração da República

 


Começo este DO QUE AINDA POSSO FALAR lembrando que “EU JÁ SABIA, QUE EU AVISEI!”, pois insisti bastante, entre novembro e dezembro, que só teríamos paz se a extremosa destra fosse retirada da frente dos quarteis. O fato é que o levante terrorista em Brasília só aconteceu porque não controlamos o poder militar e porque, claro, não somos uma democracia.

Um ditador precisa de um fato histriônico para chamar de seu. Mussolini teve a “Marcha sobre Roma”, Hitler teve o “Putsch da Cervejaria” e Donald Trump teve a “Invasão do Capitólio”. Agora, Jail Bozo tem sua “Intentona Terrorista” com hordas da extrema direita violentando a capital do país. É certo que fracassaram, mas os danos e custos são muitos e graves.

A Globo insiste, em seus editoriais, que a democracia venceu. Governo, Congresso e Judiciário afirmam que as instituições estão funcionando e que nossa democracia é sólida. Mas, devo lembrar, que a tragédia de Brasília só ocorreu porque não somos uma democracia, mesmo que nos utilizemos de alguns procedimentos democráticos.

Se fôssemos uma democracia consistente, Jail estaria preso desde quando elogiou um notório torturador numa sessão do Congresso Nacional. Se a democracia tivesse realmente vencido, a extremosa terrorista não teria atacado os 3 poderes da República! SIMPLES ASSIM!


Se fôssemos uma democracia efetiva as Forças Armadas não usariam prerrogativas, trazidas da ditadura militar, para ancorar atentados terroristas. O fato é que o Exército deu suporte ao bolsonarismo nazificado que acampou, não por acaso, em frente a seus quartéis. De fato, existe uma cadeia de comando sobre os atos terroristas em Brasília.

Existe uma organização (criminosa) que se iniciou nos locais onde o “gado patriotário” se aglomerou, passando, claro, pelos que bancaram essa festa macabra, e que foi até o alto comando das Forças Armadas e de setores do mercado e do grande capital. Será que é tão difícil entender isso?!

Achávamos que a extremosa iria se enfraquecer e se desarticular. Mas a serpente golpista se alimentava, nos acampamentos, com nutrientes vindos dos quartéis. Nos divertíamos com memes e patacoadas patriotárias enquanto o ovo da serpente era chocado nos acampamentos paramilitares Brasil afora. A serpente cresceu e virou um monstro pronto para nos devorar.

Se tivéssemos um efetivo controle sobre o poder militar, ele não se voltaria contra as decisões que tomamos nas urnas. Isso só acontece por causa das tais prerrogativas militares e dos entulhos autoritários, como o artigo 142 e a Lei da Anistia, que o processo que nos trouxe da ditadura militar até aqui foi incapaz de erradicar.

Quer um exemplo? A insubordinação dos militares que, descumprindo ordens da justiça e do governo, impediram que a polícia, não por acaso militarizada, retirasse a horda terrorista do acampamento-mor em Brasília. Basta ver o comportamento pusilânime do Ministro da Defesa para entender tudo. A leniência de José Múcio para com os militares beirou a prevaricação.


A democracia perdeu mais uma batalha quando a extrema direita terrorista perpetrou esse doloroso golpe bem no coração da República. É certo que medidas foram tomadas,  mas é preciso cortar a cabeça da serpente acabando com as prerrogativas militares e submetendo as Forças Armadas ao poder civil. É isso ou nunca teremos democracia, nem paz.

Para que o terror não volte a agir contra nós, temos que expurgar, “desbolsonarizar”, as Forças Armadas e as Instituições coercitivas. Temos que desmontar a tutela que os militares exercem sobre nós. O que aconteceu em Brasília pode ser uma janela de oportunidades para uma PEC que possa, por exemplo, reformular o Artigo 142, impedindo que os militares atuem na política.

 

Janeiro\2023.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Sou brasileiro, sem orgulho e sem amor!

Resolvi republicar este artigo após ver Ronaldo, que já foi um fenômeno, e jogadores da Seleção da CBF que está no Qatar, competindo sabe-se lá pelo que, comendo carne polvilhada com ouro em pó. Isso mesmo, eles não comeram carne temperada com sal e pimenta, como é normal. Enquanto no país desses moços, embevecidos pela “força da grana que ergue e destrói coisas belas”, milhões morrem de fome, sem poder sequer comer pele de frango, eles se divertem comendo ouro. Definitivamente, não dá mais para torcer por esse ... time!

 

Sou brasileiro, sem orgulho e sem amor! 

Copa do Mundo na Rússia, quinta-feira, 21 de junho de 2018. Estou em Campina Grande, numa praça de alimentação de um shopping Center (por que não digo centro de compras?!), assistindo a Croácia dar um chocolate na Argentina. Não torço pela Argentina, isso é coisa de futebol, como não consigo torcer pelo Vasco, Palmeiras e Treze.

O narrador Global fala "no amor pela nossa seleção" e os comerciais mostram um Brasil que não existe mais, insistindo num ufanismo “pachequista” de quando “Seleção Brasileira”, Ditadura Militar e Rede Globo tinha tudo haver. Pessoas passam com camisas de times de futebol (estou com uma rubro-negra da Raposa do Nordeste) e de seleções como Argentina, Portugal e Espanha. A camisa dos portugueses é tão bonita que até quis adquirir uma. Mas, se me recuso a usar a camisa do meu país, por que vestiria a da nação que nos impôs um sistema escravocrata que nos legou este presente horroroso que temos?

Um funcionário de uma loja, desse centro de compras onde estou, me disse que em uma manhã vendeu três camisas da Argentina e uma de Portugal. Perguntei quantas da Seleção da CBF foram vendidas. Nenhuma! Isso mesmo, quatro camisas de seleções adversárias do Brasil foram vendidas enquanto não se comprou uma mísera camisa amarela. O brasileiro parece não amar mais a Seleção como quer o galvanizado narrador da emissora que tem tudo haver com o estado de coisas lastimável em que vivemos.

À minha volta, “técnicos do Brasil” insistem nas estultices de sempre. Muitos não sabem que Danilo, Fernandinho, Felipe Luís e Alisson jogam nessa Seleção. São os que acham que “seleção é Neymar + dez, que não jogam porra nenhuma porque só pensam em dinheiro”, que só veem os jogos pela TV Globo, narrados por Galvão Bueno, e que Neymar é “um menino querendo se divertir”. Para mim, Neymar é mais um bom jogador, de caráter duvidoso, que se pretende pop star. Neymar só seria um ídolo se jogasse como Zico, Sócrates, Falcão. A seleção de 2018 só tem um craque, naquela de 1982 tinha dez!

Em Brasileiro pode sim não torcer na Copa, Marcelo Rubens Paiva diz: “É justa a decepção com a Seleção. Pode sim não torcer na Copa. É justo não se identificar com os heróis da ostentação, comandados por dirigentes corruptos. É um direito dizer “sou brasileiro, sem orgulho”, trata-se de um país retrógrado e conservador em direitos fundamentais, em que teses progressistas são barradas por uma classe política não laica”.

Vendo o mundo em minha volta, enquanto a Copa passa no telão, lembro que faz 94 dias que Marielle Franco foi executada e que ainda não se fez justiça, se é que se fará. Como torcer pela seleção que usa o símbolo do golpe que destituiu uma presidente eleita? Golpe este que instituiu um sistema que mescla procedimentos democráticos com entulhos autoritários, legados pelo Regime Militar, e que pôs no poder uma quadrilha formada pelo que de pior uma sociedade, forjada num sistema de exploração e violência, pôde formar.

Não posso torcer alienadamente pela seleção da CBF enquanto um ex-presidente está há 70 dias preso, condenado que foi, sem provas, a partir das convicções de um juiz de frágil instância e nenhum caráter. Lamento, não posso vestir as mesmas cores usadas para pôr fim a uma série de direitos sociais que conquistamos lenta e penosamente.

Vestir uma camisa amarela me fará sentir igual aos estúpidos que, lá na Rússia, se comportam como um bando de trogloditas que veem uma mulher como ser inferior que só interessaria por, supostamente, ter sua vagina de uma determinada cor. Não, verde-amarelo nunca mais! Meu coração é vermelho, como já dizia o poeta.

Sinto um profundo pesar quando lembro que muitos dos que torcem ardorosamente por esta seleção são os que, na abertura da Copa de 2014 em São Paulo, mandaram a Presidente Dilma Rousseff TNC. São os que bateram panelas para pedir o impeachment de Dilma e que querem intervenção e ditadura militar. O verde-amarelo ficou indelevelmente identificado com o golpismo reacionário dos “coxinhas-manifestoches!”.

Por favor, não exijam o que não posso dar. Não vestirei uma camisa verde-amarela para torcer. Sim, estou assistindo aos jogos da seleção da CBF, mas ainda não consegui vibrar. Ainda não pude comemorar uma vitória sequer, mesmo que tenha achado lindo o gol de Paulino, contra a Sérvia, com aquele lançamento primoroso de Philippe Coutinho.

Torcerei contra o Brasil? Vestirei uma camisa da Argentina em sinal de protesto? Não, nada disso! Para mim, o futebol é algo que transcende tudo isso. Amo o futebol e assisto a Copa como se fosse o maior espetáculo da terra. Mas, nesta Copa não tenho nada para comemorar, muito menos do que me ufanar. Sou brasileiro, mas sem nenhum orgulho e sem nenhum amor. (Junho/2018)

 

PS: Nunca me diverti tanto assistindo jogos de uma Copa do Mundo, como agora com essa do Qatar. Achava, e agora tenho certeza, como é bom torcer, vibrar e se emocionar pelo e com o futebol, sem o compromisso de ser nacional, sem ter que defender certas cores. Não torço mais pela Seleção da CBF e por nenhuma outra. Torço, isto sim, pelo futebol bem jogado e por seus grandes craques, como Kylian Mbappé, Lionel Messi, Robert Lewandowski, Harry Kane e ..., certo, torço para que Vini Jr e Richarlyson sejam grandes não só dentro, como fora de campo também.

terça-feira, 8 de novembro de 2022

DO QUE AINDA POSSO FALAR

 



Este DO QUE AINDA POSSO FALAR é para você que acha que a eleição de Jail Bozo em 18 foi ruim, mas pelo menos nos livramos do PT. É também para quem acha que ficar à frente de um quartel pedindo golpe de estado é um direito.  Enfim, hoje eu quero que você reflita, para melhorar.

A primeira coisa que eu quero é te pedir para não se esconder atrás do biombo da ingenuidade ou da falta de conhecimento. Se você foi capaz de votar em quem defende estupro, eugenia, escravidão, racismo, homofobia, tortura, nazismo, por favor, seja capaz de enfrentar as consequências e se reposicionar.

Nossa luta é contra o fascismo e pela democracia, por isso elegemos Lula presidente! Gostaria de lembrar a frase de Paulo Freire, que o própria Lula citou na entrevista do Jornal Nacional: “a gente precisa se juntar aos divergentes para vencer os antagônicos”.

Também gostaria que você pudesse se autocriticar para não repetir erros. Quem votou em Collor e não reviu sua posição, terminou votando em Jail Bozo. Não se trata apenas de um engano, pode ser um posicionamento político, ideológico e de classe.

Certo! Eu sei bem que sempre se poderá dizer: “ahh, mas é que eu me enganei com Moro, Dallagnol e Bolsonaro”. Isso pode ser uma muleta, usada por quem não quer assumir a responsabilidade de ter contribuído para chegarmos a este estado de coisas pavoroso que enfrentamos.

No entanto, lembre-se que criminosos de guerra nazistas ou torturadores da ditadura militar costumavam dizer, para justificar seus crimes, que estavam “apenas seguido ordens".  Manter-se na extremoso destra significa seguir nesse processo de desumanização, de nazificação. Então, por favor, refaça seu pensamento. Melhore!

Eu sei que minhas palavras são duras, mas é como dizia Belchior: “ Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve. Correta, branca, suave, muito limpa, muito leve. Sons, palavras, são navalhas. E eu não posso cantar como convém, sem querer ferir ninguém”.

 

Este foi mais um “DO QUE AINDA POSSO FALAR”



terça-feira, 4 de outubro de 2022

VAMOS À LUTA PORQUE ELA NOS CARACTERIZA!

 

A situação de Lula é melhor do que a de Bolsonaro, que tem que correr para tirar a diferença de mais de 6 milhões de votos que Lula lhe impôs

Publicado no www.brasil247.com.br em 3 de outubro de 2022

  

Lula e Jair Bolsonaro (Foto: Reuters)

 

Alguma coisa em torno da metade de nossa sociedade segue preferindo as trevas, mesmo que o mapa eleitoral do ‘meu país’ chamado Nordeste siga escarlate. O Nordeste votou em peso em Lula neste 1º turno, mas segue dando sua graciosa contribuição para manter o Centrão firme e forte no Congresso Nacional. O nordestino vota em Lula, mas não larga seu coronel de estimação, nem seu político safado, nas eleições estaduais.

A Direita limpinha perdeu a eleição para presidente mas se vê vitoriosa, como em 2014, pois fez bancadas fortes na Câmara e no Senado. Assim, ela se aparelha para barrar reformas e mudanças de um provável\futuro governo de esquerda. Claro, fica bem postada para dar golpes travestidos de impeachment como em 2016. Obviamente, isso não vale para o grã-tucanato paulista que desmilinguiu, massacrado que foi pelo rolo compressor da extrema direita. A mãe de todas as ironias é que deverá ser justamente o PT a jogar a corda que tirará o PSDB de FHC do atoleiro.

O Bolsonarismo prova que pode viver sem Jail Bozo, pois manda ao Senado seu núcleo duro: Damares, Moro, Mourão, Salles, Frias, Pontes et caterva. A extremosa destra se firma porque a sociedade assim o quer. Precisamos entender isso e temos que viver com isso. Nossa ingenuidade faz aniversário ao supormos que extirparemos o bolsonarismo nazificado, de nosso corpo social e político, fazendo uma “festa da democracia” a cada quatro anos. Precisamos entender que não se pode restringir a luta política aos processos eleitorais.

 

Certo, acreditamos nas pesquisas eleitorais. Paciência! Mas, não sejamos tão duros, pois elas  não detectam coisas como compra de votos através do tal orçamento secreto. Eduardo Guimarães afirmou, aqui mesmo no Brasil 247, que “Datafolha previu que Lula teria 50% dos votos válidos e ele teve 48%, dentro da margem de erro de 2 pontos”. Seria bom evitar a velha atitude utilitarista em relação às pesquisas, a de que só as defendo se o resultado for bom para mim, até porque o resultado não é ruim para Lula. Não posso ser condescendente com os equívocos eleitorais do povo brasileiro. Afinal, não foram as pesquisas que erraram. Quem errou feio foi o eleitor que votou no candidato que negou a vacina e o balão de oxigênio ao seu parente que definhava pela COVID.

Temos que entender de onde vieram os votos que fizeram Jail terminar o 1º turno com 43,20% dos votos válidos – um patamar alto considerando que, nas pesquisas, ele esteve sempre bem abaixo disso. A diretora do Datafolha, Luciana Chong, disse que "parte dos eleitores, movidos pelo antipetismo de Ciro Gomes, desistiram dele e escolheram Bolsonaro". Eleitores de Ciro, ensandecidos pelo ódio, acharam que pregariam uma peça em Lula votando em Jail. Mas, isso se voltou contra o próprio Ciro que se desidratou vergonhosamente. Vítima de sua egolatria, Ciro arruinou-se e já está de passagem comprada, não para Paris, mas para o lixo da história.

Arrisco dizer que o voto do bolsonarista velado, aquele que sabe de sua condição, mas tem vergonha de assumi-la, funcionou. Claro, o bolsonarista que anda armado e com a bandeira do Brasil às costas, como se fosse a capa do Batman, também vota, além de fazer muito barulho. O fato é que essa gente precisa ser desarmada, literal e metaforicamente.

Sugiro, ainda, prestarmos atenção ao voto do tal indeciso, aquele ser que nunca sabe se prefere sorvete de chocolate ou morango, se vota num criminoso como Jail Bozo ou num estadista como Lula. Perdido em seus pensamentos,  o indeciso caminha até a urna sem saber o que fazer. O problema é que sendo, em geral, alienado da realidade, termina tomando péssimas decisões.

Mas, por favor, não esqueçamos que VENCEMOS NO 1º TURNO com uma nada desprezível diferença de 6.187.171 votos. Lula teve 48,43% dos votos válidos, ficando dentro da margem de erro que as pesquisas, que agora criticamos, mostravam. Então, VAMOS À LUTA PORQUE ELA NOS CARACTERIZA. Alguma vez vencemos uma eleição sem lutar muito?! Temos motivos para abandonar tudo? CLARO QUE NÃO!

Insisto! Lula ficou na margem de erro das pesquisas. Ficou faltando apenas 1,57% para vencermos já no 1º turno. Breno Altman, também aqui no Brasil 247, nos lembra que em nenhuma outra eleição Lula, Dilma ou Haddad terminaram o 1º turno com mais de 48% dos votos válidos. De fato, em que outra eleição o PT teve mais de 57 milhões de votos no 1º turno? É preciso entender que Lula foi além do patamar, possível para o 1º turno, e que o 2º servirá exatamente para ampliar esse patamar com os apoios que serão muito bem vindos

Aliás, falando em números, temos neste 2º turno quase 10 milhões de votos em disputa. São os votos de Tebet, Ciro e todos os outros. Desses, Lula precisa ganhar algo em torno de 3,5 milhões. A situação de Lula é melhor do que a de Jail que tem que correr para tirar a diferença de mais de 6 milhões de votos que Lula lhe impôs. Aguardemos para ver se Tebet e Thronicke virão mesmo apoiar Lula e se eleitores de Ciro, não adoecidos pelo ódio, entenderam a urgência e a gravidade da situação em torno do 2º turno, pois agora não tem mais 3ª via, não tem meu projeto, nem minha eleição. Agora, temos uma disputa entre civilização e barbárie, entre democracia e ditadura.

domingo, 25 de setembro de 2022

POR QUE JAIL BOZO QUER UM GOLPE 07\09?

 



Veja neste DO QUE AINDA POSSO FALAR que Jail Shame Bozo passou 4 anos de seu desgoverno pedindo golpes de estado porque ele é fruto de uma cultura política ditatorial e porque isso faz parte de sua própria natureza.

O despresidente Jail Bozo vive implorando por um golpe de Estado, estilo AI-5, que o leve a um outro patamar, o de ditador. De fato, sua grande ambição foi sempre se tornar um ditador no nível de um Pinochet ou mesmo de um Hitler.

Para isso, ele contou com a ajuda do setor raivosamente autoritário do Exército e com o ruidoso silêncio de boa parte do Judiciário e do Congresso Nacional. Claro, o gado estrepitoso esteve sempre ao seu lado.

Mas, a situação ficou tão precária que até mesmo a mídia corporativa, e vários setores do cristianismo evangelizado, deixaram de frequentar o cercadinho do Palácio da Alvorada.

Claro, o Partido da Imprensa Golpista, como diria Paulo Henrique Amorim, só se desgarrou de Jail depois dele, literalmente, distribuir bananas para essa imprensa que demorou 35 anos para admitir que apoiou o golpe civil-militar de 1964.

As manifestações fascistas amareladas encolheram, mesmo que o 07/09, ou o dia do orgulho gado como prefiro chamar, siga sendo a data nacional dessa gente que sonha viver sob tacão de um general de 4 estrelas.

Interessante ver que essa patuleia mais raivosa, mais estúpida e disposta a matar, mas não a morrer, por Jail Bozo, segue toda animadinha para promover mais um show de horrores nesse 07 de setembro.

Não tem jeito, o gado segue lépido e fagueiro rumo a linha de corte, é de sua própria natureza. É uma pena que parte de nossa sociedade tenha se submetido a esse papel humilhante. E é de se lamentar que não consigamos fazê-la enxerga a situação em que vive.

Mas, a realidade atropela a tudo e a todos com sua retroescavadeira furiosa. Ditadores como Jail Bozo se acham imunes as intempéries. Coitados, nem se dão conta que, apesar deles, amanhã há de ser outro dia. Jail e sua malta de malfeitores passarão, nós ficaremos.

Este foi mais um “DO QUE AINDA POSSO FALAR”



terça-feira, 20 de setembro de 2022

POR QUE VOTAR EM LULA NO 1º TURNO?

 


Em 1989, eu e meus companheiros trabalhamos muito na campanha de Leonel Brizola. Quando vimos que Lula disputaria o 2º turno contra Collor, colocamos a estrelinha do PT em nossos lenços vermelhos e fomos à luta.

Na época, lutávamos por democracia e por uma sociedade mais justa. Hoje, nossa luta é civilizacional, é contra a barbárie. Lutamos por nossa sobrevivência e por uma existência democrática, livre e sem essa desigualdade pavorosa.

Precisamos vencer essa eleição, e de preferência no 1º turno, pois temos que derrotar o FASCISMO! Precisamos eleger LULA no 1º turno para termos mais força ainda para desfazermos as reformas de Temer e as maldades de Bolsonaro.

Temos que sair fortalecidos dessa eleição pois as próximas lutas serão bastante duras. Vencer no 1º turno significa que não aceitamos a violência imposta pelo bolsonarismo nazificado.

Precisamos vencer no 1º turno para termos paz, pois a campanha da extrema direita se baseia no medo que um pequeno grupo, bem armado, promove contra a sociedade.

Bolsonaro, e sua malta de desordeiros, fazem o diabo para levar a eleição ao 2º turno. Imagina do que não serão capazes de fazer naquelas 3 semanas entre um turno e outro?

Gostaria de pedir a você, eleitor de Ciro Gomes ou Simone Tebet, que atente para o fato de que só Bolsonaro tem chances de ir ao 2º turno contra Lula. Assim, vamos juntos resolver essa parada já no 1º turno sem medo de sermos felizes!



terça-feira, 6 de setembro de 2022

200 anos sem independência e sem democracia

 


(Foto: Arquivo/ABr)

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www.brasil247.com -

 

Mas, não é de se estranhar que justo na Semana da Pátria falemos em coisas como golpe de Estado? É surreal que tenhamos que nos preocupar com a possibilidade do presidente da República, se aproveitando de nossa data nacional, perpetrar um golpe contra as instituições e a própria sociedade, mesmo que estejamos a menos de um mês de uma ... eleição. De fato, desde que tomou posse, Bolsonaro insistiu, diria implorou, por um golpe de Estado, estilo AI-5, para que pudesse se tornar um ditador tal qual Pinochet ou, pior, Hitler.

Há 200 anos nos tornamos “independentes” de Portugal. Não se pode precisar as reais motivações de Pedro I para dar o “Grito da Independência”, mesmo porque nunca soubemos bem o que comemorar, pois os acontecimentos de setembro de 1822 pouco serviram para que nos tornássemos uma nação livre, independente, autônoma, consciente de sua soberania. É que naquele momento ainda discutíamos se realizaríamos um processo que nos tornasse uma República, nos moldes do liberalismo\iluminismo europeu, ou se seguiríamos funcionando como a filial de um império monárquico falido. 

No livro “1822”, Laurentino Gomes nos fala de um censo que apurou que, em 1823, éramos 3 milhões e 961 mil brasileiros. Desses, 1 milhão e 148 mil eram escravos. Como os indígenas não eram considerados nacionais, mas nativos, não foram computados nesse senso. E havia brancos aportuguesados, mulatos, caboclos, cafuzos, enfim tudo o que não era escravo era “homem livre”. Daí que não dá para concluir que a “independência” foi um processo político-social que contou com ampla participação popular, pois escravos e boa parte da população eram destituídos de todo e qualquer vestígio de cidadania. 

A “independência” tinha três objetivos centrais: 1) efetivar um processo que pudesse reorganizar os interesses econômicos e políticos da elite local diante de ingleses e portugueses; 2) barrar os movimentos pró-independência que ocorriam, Brasil afora, desde metade do século XVIII; 3) dar alguma resposta, superficial que fosse, à vaga revolucionária burguesa que espalhou, mundo afora, ideias iluministas, liberais, republicanas, democráticas. A tal independência serviu, fundamentalmente, para frear os movimentos que propunham colocar o Brasil no mesmo caminho de vários outros países latino-americanos. O ato simbolizado no grito colérico de Pedro I foi na verdade um GOLPE DE ESTADO. 

Tivemos um ato de (re)conquista do poder político, através de um concerto, uma espécie de acordo entre alguns setores. Na verdade, o que ocorreu foi um pacto visando restabelecer o poder da monarquia portuguesa em novos parâmetros. Não por acaso a historiadora Lilia Schwarcz nos perguntou em uma de suas redes sociais: “Você já parou para pensar que, depois do 7 de setembro, viramos uma monarquia cercada de repúblicas por todos os lados?”. E é ela mesma que responde: “(...) no resto da América Latina ocorreram revoluções, por aqui apenas uma contra revolução; um golpe das elites que não queriam perder suas propriedades, seus escravizados e o poder que acumulavam”. 

Assim como os movimentos pró-independência de países, como os EUA, tivemos aqui batalhas entre grupos a favor e contra a separação entre colônia e metrópole. E tivemos protestos organizados por setores da elite e das camadas médias, os chamados “homens livres”. Além disso, movimentos como Inconfidência Mineira, Conjura Baiana e Revolução Pernambucana foram sangrentamente derrotados pelo Estado português. 

O “7 de setembro” foi a forma que a elite aportuguesada encontrou de tornar-se independente sem precisar mudar a estrutura política, social e econômica do país. Em “Evolução política do Brasil”, o historiador Caio Prado Jr diz que: “fez-se a independência à revelia do povo, e se isto lhe poupou sacrifícios, também afastou por completo sua participação na nova ordem”. Caio Prado diz ainda que a “independência brasileira é fruto bem mais de uma classe que da nação tomada em seu conjunto”. 

A independência foi um ato para barrar de vez um processo que poderia ser até revolucionário. Através de um ato de força, se atendeu demandas de alguns setores e ainda  manteve o povo no lugar de onde ele não deveria sair jamais. E ainda tem a mãe de todos os paradoxos que é o fato de o ato, que tornou o Brasil independente de Portugal, ter sido feito por um português e que ele tenha permanecido no poder, como imperador. 

Naquele 7 de setembro, Pedro I, irritado com as exigências da corte portuguesa e, dizem, por uma terrível dor de barriga, declarou a separação política entre a colônia brasileira e a metrópole portuguesa dando o tal grito. Em 12 de outubro, Pedro de Orléans e Bragança foi aclamado “Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil”. Em 1º de dezembro foi coroado pelo bispo do Rio de Janeiro. Iniciava-se, assim, uma história do Brasil como “nação livre” sob a forma de uma monarquia escravocrata. Essa história durou 67 anos e só acabou com a Proclamação da República, em 1889, que também foi um golpe de Estado. Hoje, não damos mínima importância para a versão romantizada de um Pedro I rebelde, às margens do Ipiranga, recebendo correspondências e libertando o Brasil do jugo português. 

Essa independência foi um ato burocrático e administrativo, pois o Brasil precisava da anuência de outras nações para ser reconhecido como tal. Assim, mediante acordos comerciais bastante desfavoráveis ao Brasil, a Inglaterra usou sua armada no Atlântico, seu exército de mercenários e seu poder econômico internacional para garantir nossa independência diante das nações europeias. Mas, essa independência não saiu “de graça”, pois tivemos que pagar dois milhões de libras ao governo inglês, além de arcar com a dívida que Portugal tinha para com os britânicos. 

A independência não foi unanimidade. Províncias como Piauí, Pará e Maranhão, cujos governos foram indicados pela Coroa, se voltaram contra o processo e só o reconheceram depois de longos conflitos. Em 1823 formou-se, através de eleição, uma Assembleia Constituinte para se elaborar a constituição do império. Mas, Pedro I deu mais um golpe e encerrou a constituinte, encomendando a primeira Constituição brasileira ao seu Conselho de Estado. A carta foi outorgada pelo imperador em 25 de março de 1824 com uma anomalia: ao invés de instituir três poderes, como faziam países inspirados no modelo federativo dos EUA, criou-se quatro poderes. Além do executivo, legislativo e judiciário, havia o poder moderador. Um instrumento que Pedro I usava para subjugar os outros poderes e a própria sociedade. 

O que supomos que estamos comemorando é, sim, nossa data nacional. E tem que ser ela, não existe outra, pois todo país tem que ter uma para chamar de sua. Tem que ter aquele dia para que as pessoas exerçam seu patriotismo. Mas, não nos iludamos. O que celebramos é um ato de força que castrou a participação da sociedade nas coisas da política do país. Talvez seja por isso que tantos digam que não gostam da política.

  

Neste link você pode ver todos os artigos que publiquei no BRASIL 247

https://www.brasil247.com/authors/gilbergues-santos-soares

 

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Mas, afinal, quem ganhou o debate?

 www.brasil247.com - Debate na Band

 

Debate na Band (Foto: Reprodução)

 

Sobre a tal pergunta que nunca quer calar (“quem ganhou o debate da Band?”), diria que não sei quem ganhou, mas que sei bem quem perdeu e o quê perdeu. Jail Bozo saiu derrotado ao atacar a jornalista Vera Magalhães e a candidata Simone Tebet. Ao agredir essas mulheres, com toda misoginia e maldade que cabem dentro de si, Jail maltratou todas as mulheres brasileiras e decretou que Simone Tebet e Soraya Thronicke não poderão apoiá-lo num 2º turno bastante provável. Imagine, elas apoiando o candidato que as agrediu vilmente num debate do 1º turno? 

A coordenação da campanha de Jail luta para ganhar votos entre as mulheres que não se declaram de esquerda ou de direita. Foi por isso que trouxeram a primeira dama para o centro da campanha. E o que faz Jail no debate? Ataca as mulheres! Resta a Tebet & Thronicke apoiar Lula num bem provável 2º turno ou cuspirem em suas biografias que mal começam a escrever. 

Prova que Jail perdeu é a pesquisa Datafolha, feita enquanto rolava o debate, mostrando que ele teve a pior avaliação entre indecisos ou que pensam votar em branco. Se o debate é feito para convencer quem ainda não se decidiu, Jail perdeu feio. 

Fala-se que Lula estava muito calmo, que não bateu nos adversários. É que muitos assistem aos debates como quem vê a Fórmula 1, torcendo para ter um acidente envolvendo vários pilotos. Ganha o debate quem consegue converter mais votos dos indecisos e isso só saberemos com pesquisas. Ao contrário da sabatina no Jornal Nacional, Lula não estava num de seus melhores dias. Acontece! Mas, ele acertou em não aceitar chafurdar na lama bolsonarista. Poderia ser melhor, mas Lula fez o jogo correto que é defender o legado dos seus dois governos. 

De tanto ouvir avaliações pessimistas, me senti como se tivesse assistido apenas ao debate entre candidatos à presidência de Saturno. É que eu vi um Lula propositivo. Ouvi bem ele falar da pandemia, do orçamento secreto e de que vai quebrar o sigilo de 100 anos se for eleito. Falou de economia, emprego, fome, educação, saúde e do que se fez em seus governos. 

Na questão da corrupção, Lula fez o que precisa ser feito – mostrar tudo o que seus governos fizeram contra a própria. É que as pessoas parecem querer que Lula fique de joelhos e peça desculpas pelo mensalão. Um dos melhores momentos de Lula foi quando Soraya Thronicke lhe disse que não viu as melhorias que o PT fez no Brasil. Ele respondeu: "a senhora não viu, mas seu motorista e sua empregada doméstica viram". É sobre isso que importa um debate! 

Thronicke parecia apresentar um desses programas da TV aberta onde se investiga a vida íntima das pessoas. Ela me fez lembrar Guilherme Afif Domingos com aquela história do imposto único. Quando um candidato só fala em imposto único é porque não tem coisa melhor para dizer. Felipe D´Avila foi a boçalidade expressa em suas cores mais fortes. Só não perdeu mais do que Jail, porque não tem o que perder. Mas, como Jail, deixou bem claro a quem e porque serve. Execrável! 

Como não tem o que perder, Tebet mandou ver. Seu melhor momento foi quando enfrentou olho no olho a misoginia mal caráter de Jail Bozo. A direita limpinha deve estar bem orgulhosa de sua filha mais nova. Ciro Gomes fez o papel de 5ª coluna de sempre. Foi o que mais explorou as fragilidades de Jail. Seu melhor foi quando disse que Jail corrompeu suas ex-mulheres e seus filhos. Claro, bateu em Lula. A questão é o que fará Ciro no 2º turno? Apoiará Lula, Jail ou irá para Paris?

Neste link você vê todos os artigos que publiquei no www.brasil247.com/authors/gilbergues-santos-soares

 

domingo, 28 de agosto de 2022

Veja neste DO QUE AINDA POSSO FALAR que William Bonner NÃO deu a prometida goleada em Jail Bozo e ainda levou um 7X1 de Lula. O fato é que a ida de Lula ao Jornal Nacional segue repercutindo e nós não podemos esquecer que ainda temos um longo setembro pela frente.

  

A exibição de gala de Lula no Jornal Nacional me fez lembrar o direito de resposta que Leonel Brizola obteve contra a Rede Globo em 1992. Pois é, os adversários da Globo só aparecem no Jornal Nacional se for para serem atacados, se forem candidatos a presidente ou se entrarem na justiça. Aliás, você pode ver a histórica resposta de Brizola neste link (5606) Direito de Resposta Brizola x Globo - YouTubeAo contrário de tantas outras eleições, a grande estrela da sabatina do Jornal Nacional não foi William Bonner, que sucumbiu diante da experiência, sagacidade e inteligência de Lula. É que Bonner não entende o quanto ele fica pequeninho diante da grandeza de um Lula que sobreviveu a todos os tipos de violência. Bonner não entende o tamanho do caboclo presidente. A sabatina começou tensa pois era a Rede Globo recebendo seu maior e melhor adversário e porque era Lula voltando aos domínios dos irmãos Marinho depois da Lava Jato e das trapaças de Sérgio Moro, do Golpe de 2016, da prisão de Lula e da eleição de Jail Bozo. Eventos que, como bem sabemos, contaram com o auxílio luxuoso da vênus platinada. A primeira questão foi, claro, corrupção. Pois não é que Bonner teve a pachorra de dizer: “O STF lhe deu razão, considerou Sergio Moro parcial e anulou as condenações. Portanto, o Senhor não deve nada à justiça”. Essa é a Globo, arrogante e prepotente, se comportando como a palmatória do Brasil. Passou anos condenando Lula sem provas, agora vem com a maior cara de pau dizer: “o Senhor não deve nada à justiça”. Na verdade, Bonner deveria ter começado pedindo desculpas a Lula por todas as maldades praticadas com ele. Lula foi seminal, e ao mesmo tempo preciso, quando, para explicar a aliança com Geraldo Alckmin, citou uma frase de Paulo Freire: “a gente precisa estar junto dos divergentes para vencer os antagônicos”. Lula estava se referindo ao fascismo, que é nosso verdadeiro inimigo. Lula falou de Dilma, com a admiração de sempre. Defendeu o MST, corrigindo um equívoco de Renata Vasconcelos, e mostrou a relevância do movimento para o país. O que foi preparado para ser uma forma de atacar, virou motivo para Lula mostrar como seus governos foram infinitamente melhores do que temos hoje. As metáforas futebolísticas de Lula, se referindo a um jogo do dia anterior, serviram para que se entenda que, sim, no futebol, como na política, é sempre “nós contra eles”; mesmo que essa oposição tenha que ser democrática. Eu me emocionei com um Lula altivo, corajoso, generoso. A fala dele me encheu de esperança e, acreditem, senti até algum orgulho de ser brasileiro. Se você não assistiu a entrevista e\ou está em dúvida em quem votar, sugiro vê-la “sem medo de ser, sem medo de ser, sem medo de ser feliz!”.

 Este foi mais um “DO QUE AINDA POSSO FALAR”

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