quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A DESCOLORAÇÃO DA POLÍTICA.





 





O tema do POLITICANDO de hoje é fruto de um fenômeno político-social que cada vez mais chama a atenção dos estudiosos e que o sociólogo francês Pierre Bourdieu chamou de a “descoloração da política”. Bourdieu se referia a um fenômeno mundial que nos leva a priorizar cada vez mais os temas relacionados ao comportamento humano e às celebridades do mundo do entretenimento.  Esse fenômeno nos afastaria das coisas do mundo da política.




A descoloração da politica se dá na medida em que nos preocupamos mais com o comportamento e a vida particular dos políticos do que com as ações que eles realizam na vida pública. Bourdieu afirmava que cada centímetro dado, pela imprensa, para tratar da vida particular dos políticos causa um esvaziamento da política e uma completa inversão da função inicial da imprensa.




Mas, Bourdieu não refletiu em cima de nossa realidade política. Bourdieu não deve ter tido conhecimento que políticos de um país chamado Brasil não fazem a mínima distinção entre suas vidas privadas e suas carreiras políticas. A vida particular dos nossos governantes e representantes não deveria mesmo ser de nossa conta. Não deveríamos querer saber de nada que não fosse relacionado às atividades por eles desenvolvidas no mundo da política.




De que importaria saber que aquele influente político, que ocupa um importante cargo em Brasília, coleciona amantes assim como junta gravatas? De que importa saber que aquele prefeito teve ou tem um caso amoroso com uma mulher influente da sociedade? Não, não importa. Isso não deve ser da conta de ninguém. Não cabe a mim, por exemplo, especular sobre excentricidades, obsessões e hábitos pouco ortodoxos que alguns políticos praticam em suas vidas particulares.




Mas, o fato é que a vida pessoal dos políticos termina por interessar na medida em que eles mesmos não sabem separar as coisas pessoais das coisas da res pública, ou seja, as coisas da vida pública, republicana. O político que consegue fazer uma clara divisão entre estes dois mundos pode, por exemplo, ter uma vida social ativa sem que especulações de toda sorte venham a atrapalhar sua atuação política.






Esse parece ser o caso do senador mineiro Aécio Neves que leva uma vida social das mais agitadas, sempre acompanhados de belas mulheres, mas isso não faz com que sua atuação política seja afetada, pelo menos na aparência. Na medida em que o político consegue separar bem as coisas de sua vida privada das coisas de sua vida pública ele está se protegendo. Uma ótima forma de evitar especulações é fazendo as coisas sempre às claras.




Um político pode ter uma ou mais amantes? Sim, pode. O que ele não pode é nomear sua amante para que ela ocupe um cargo público. O que não é admissível é o Estado financiar as aventuras amorosas de seus dirigentes. Vejam o caso de Rosemary Noronha, a namoradinha de Lula, que foi nomeada para gerenciar o escritório do governo federal em São Paulo. Rose se apresentava como a namorada de Lula para praticar tráfego de influência dentre outras coisas.




Neste caso não existem duas vidas, uma privada e outra pública, existe uma única vida onde interesses políticos e as coisas da alcova se encontram em um único patamar. Aqui o privado perpassa o público e vice-versa. Vejamos aqui, em Campina Grande, como se estabelece a confusão entre público e privado. No fatídico dia das convenções partidárias, enquanto a cidade esperava que se homologassem as candidaturas que disputariam a prefeitura, a confusão era enorme.




É que para que as principais candidaturas fossem homologadas tinha que haver um processo de discussão familiar por assim dizer. Havia arestas particulares que precisavam ser aparadas para que só então se definissem nomes. É como se houvessem duas convenções. Uma particular, familiar, e outra pública. Sendo que a primeira seleciona os nomes que vão ser aclamados na segunda. O jornalista Arimatéa Souza chama isso de as transversalidades dos acontecimentos políticos.





Mas, e a pergunta sobre em que medida a vida privada de um político não deve ser alvo de especulações? Na medida em que ele não confunde as coisas e não traz para seu gabinete, onde despacha atos públicos, as relações que mantém em sua vida particular. A política brasileira sofre um processo de descoloração não apenas pela relação que temos com ela, mas por causa do comportamento pouco republicano que tantos políticos reproduzem.





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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).