sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Quis custodiat ipsos custodes?








Muito antes de Cristo nascer, os romanos já tratavam da questão de quem controla aqueles que controlam. Ou seja, eles já tentavam definir parâmetros para estabelecer os limites e domínios para o exercício da autoridade e do poder. Ao longo dos tempos a humanidade foi tentando entender de que maneira a sociedade pode se organizar para exercer algum tipo de controle sobre aqueles que controlam o sistema político. Na verdade, este é o dilema das sociedades modernas e democráticas.





É que existe um tipo de aparato que a sociedade utiliza, ou pelo menos tenta, para que se deixe claro aos que controlam que eles não estam acima do bem e do mal. A esse aparato damos o nome de voto! É através dos processos eleitorais que damos ou não consentimento aqueles que controlam para que exerçam o poder. É pelo voto que os cidadãos concordam que alguém controle o poder e que aceitam as regras em vigor.





A isso damos o nome de CONTRATO SOCIAL, pois são nas democracias consolidadas que aquele que comanda é livremente eleito pelo cidadão. Ele é legitimado para, seguindo a legalidade, exigir que o cidadão respeite e obedeça as leis. Essa é a diferença entre democracia e ditadura. Na primeira, existe um processo, chamado eleição, que decide quem comanda. Na segunda o comandante decide unilateralmente que vai comandar, ele não precisa da legitimidade do comandado.





Nas democracias a grande questão é como se deve proceder na hora de delegar poderes aos funcionários do governo que, como se sabe, não foram eleitos. Essa é a questão! Esses funcionários vão comandar. É preciso saber quem vai comandá-los. Teoricamente quem comanda os secretários é o prefeito que foi eleito, ou seja, que ganhou legitimidade para comandar através do voto. Mas, e isso não incomum, pode acontecer de os comandados seguirem seus próprios comandos.





É preciso que o comandante tenha mecanismos de controle sobre aqueles que vão implementar as decisões e aplicar os meios coercitivos sobre os cidadãos que desobedecem às normas, do contrário o poder deixa de ser democrático. O chefe do executivo precisa ter a medida exata dos atos de seus comandados. Ele precisa saber exatamente o que eles fazem. E deve ter claro como eles estam fazendo. Aquele que dá o comando tem que verificar como este comando está sendo cumprido.




 






Dito de outra forma. Uma coisa é o chefe do executivo determinar ao seu secretário de finanças que cobre impostos em atraso. Outra coisa, bem diferente, é o secretario convocar a guarda municipal para cobrar os impostos devidos. Para o gestor público, a mãe de todos os dilemas é definir os que vão compor o corpo administrativo que pode, dentre outras coisas, delegar poderes para que se executem um sem número de tarefas.





Imaginem o tamanho da responsabilidade de quem escolhe aqueles que vão ter postos de comando para distribuir verbas, nomear pessoas, escolher fornecedores e fazer licitações. Quando o prefeito escolhe seus secretários está, na verdade, definindo os que vão executar as tarefas administrativas do governo. Ou seja, o comandante está escolhendo aqueles que vão comandar. É muita responsabilidade, vocês não acham?





Romero Rodrigues e Luciano Cartaxo, por exemplo, devem saber bem do que estou falando. Será que o prefeito Veneziano Vital se arrependeu de nomear alguns que abdicaram da função de comandar ao se depararem com o peso da derrota eleitoral? O ato de delegar poderes é legítimo, necessário e indispensável. Mas, a autoridade eleita pelo voto, ou seja, aquele que delega, permanece responsável, perante o eleitorado, pelo desempenho (bom ou mau) do funcionário nomeado.





Não adianta fazer como Lula que repetia não ter culpa pelo fato de um comandado seu ter subornado parlamentares em troca de apoios e votos. Não adianta fazer como Dilma que simplesmente demite um ministro quando ele é pego cometendo atos ilícitos. Se o comandado é um corrupto de marca maior é o comandante não sabe é ruim. Se o chefe do executivo sabe que seu secretário comete atos ilícitos e nada faz, ou apenas o demite, é grave, muito grave.





Existe na administração pública um corpo de funcionários de vários níveis, cada um com uma parcela de poder e com a capacidade de, em graus diferentes, processar, multar, prender, convocar, apreender bens do cidadão, enfim de exercer o poder. Cabe ao comandante mor estabelecer como cada um dos comandados vai exercer suas fatias de poder, do contrário a pergunta do início, quem controla aqueles que controlam, nunca poderá ser respondida a contento.







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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).