terça-feira, 26 de novembro de 2013

PMDB: O GOVERNISMO EM ALTA DEFINIÇÃO.





Em 1993, quando o PSDB de FHC e o PT de Lula se enfrentavam pela 1ª vez, para ver quem governaria o Brasil, Darcy Ribeiro disse que não sabia quem ia ganhar a eleição, mas que tinha a certeza de que o PMDB comporia o governo do vencedor. Eu lembro sempre dessa bem humorada tirada do nosso grande Darcy Ribeiro todas às vezes que vejo lideranças nacionais do PMDB ameaçando deixar o governo federal. É que o PMDB é governista em alta definição. Por isso, eu nunca creio nessas ameaças.




No passado, tal qual uma criança mimada, a cada vez que o PMDB se sentia contrariado partia para a chantagem emocional.  E isso acontecia, também, nos Estados pelo Brasil afora. As lamúrias eram sempre as mesmas. Quando o PMDB não recebia os cargos que queria, ameaçava deixar o governo que estava apoiando. Ser apoiado pelo PMDB requer muito jogo de cintura, muita paciência e muitos cargos e empregos, Dilma Rousseff que o diga.





Mas, as coisas mudaram. O PMDB é hoje (junto com o PT) o partido mais forte do país. Renan Calheiros preside o Senado Federal. Henrique Alves comanda a Câmara dos Deputados. E, claro, Michel Temer é o vice-presidência da República. Dos quatro nomes que compõem a linha sucessória da presidente Dilma, três são do PMDB, que ainda controla os Ministérios da Agricultura, Previdência, Turismo, Aviação Civil e Minas e Energia.




Dizer que o PMDB é da base aliada do governo é pouco. Ele não apoia o governo, ele é o próprio governo. Mas, sua avidez pelo poder é incontrolável. O PMDB está em pé de guerra por cargos e pelas disputas eleitorais. É que os partidos brasileiros vivem mesmo em função dessas coisas. Depois que o PSB de Eduardo Campos deixou o governo, o PMDB pediu a Dilma o Ministério da Integração Nacional, que o senador paraibano Vital Fº assumiria. Dilma parece não querer dar o sexto ministério ao PMDB. Deu-se a confusão.




Só que, agora, o PMDB não pode mais bater o pé e dizer que vai deixar o governo, pois Michel Temer teria que renunciar a vice-presidência. Em política não se cristaliza certezas, mas eu apostaria que as ameaças de hoje serão os acordos de amanhã. Ciente de sua força, o PMDB tenciona a relação com o PT. Eles se enfrentam para ver quem fica com mais ministérios.  Inclusive, o PMDB chegou a defender a redução dos ministérios. Puro jogo de cena, para tentar ficar bem com os manifestantes de junho.




O PMDB defendeu que o governo ficasse com 20 ministérios. Mas, Dilma disse que vai seguir com seus 39 ministros. É que o PMDB quer o governo só para si e Dilma quer, e precisa, manter seu governo de coalizão, senão não se reelege. Os petistas dizem que o PMDB está sabotando o governo. Michel Temer disse que ia falar com Dilma para ameaçar o rompimento. Dilma nunca escondeu o desconforto de ter que lidar com essa herança fisiológica que Lula lhe deixou.




No começo de seu governo, Dilma até tentou fugir do leonino cerco que o PMDB lhe armou. Ela parecia querer uma base aliada menor. Parecia querer se livrar do compromisso de ter que distribuir tantos cargos para o PMDB. Mas, Dilma sabe bem que se fizer isso empurra o PMDB para os braços de seus adversários em vários Estados, mesmo que tenha que conviver com ele no Palácio do Planalto.  Essa é vida nada fácil de quem faz aliança com um partido como o PMDB.



 



Quem tem um aliado desses, não precisa de um PSDB lhe fazendo oposição. A cada nova votação, as negociações ficam mais complexas. Na aprovação da MP dos Portos os votos do PMDB foram conquistados na base da troca de apoio por emendas orçamentárias. Desde o fim da ditadura militar em 1985, com a eleição de Tancredo Neves, que o PMDB compõe o governo federal. De José Sarney a Dilma, passando por Fernando Collor, todo mundo beijou a mão do PMDB para poder governar.




Sarney, que foi da Arena e do PDS, só governava porque o PMDB dava lastro a sua gestão, através da liderança de Ulysses Guimarães. Collor deu o Ministério da Justiça a Bernardo Cabral, um histórico “pemedebista”. Itamar Franco só estabilizou o governo, depois do impeachment de Collor, porque distribuiu vários ministérios entre senadores do PMDB. FHC se aliou com o PFL, hoje DEM, mas acariciava o PMDB com cargos em todos os escalões do governo.




Lula conseguiu ampla maioria no Congresso por causa dos espaços que dava ao PMDB e graças, claro,  a Zé Dirceu e sua quadrilha que compravam deputados. Não satisfeito, Lula trouxe o PMDB para dentro do governo quando impôs Michel Temer a Dilma. Brigar com o PMDB leva a ingovernabilidade. Um partido que têm 20 senadores, 77 deputados federais, mais de mil prefeitos e cinco governadores de Estado não pode ser desprezado num sistema político baseado no governo de coalizão. E é por isso mesmo que não se pode crer nas birras do PMDB, pois se por um lado o governo precisa dessa máquina partidária, por outro ela só funciona se estiver sendo lubrificada pelos cargos que o próprio governo lhe oferece.




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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.





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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).